"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

quarta-feira, 23 de março de 2016

DELCÍDIO EXPLODIU DILMA, O GOVERNO LULA E A CANDIDATURA AÉCIO



Charge do Jota A., reprodução do Portal O Dia


















As explosões ocorreram ao mesmo tempo, com as revelações de Delcídio Amaral no processo da delação premiada que abalou o país, atingindo a fundo Dilma Rousseff, Lula e Aécio Neves. O fenômeno foi constatado pelo Datafolha, domingo passado, quando os números da pesquisa se transformaram em reportagens de Fernando Canzian, Folha de São Paulo. O cenário foi objetivamente dividido entre antes e depois de Delcídio.
O penúltimo levantamento havia assinalado, em matéria de preferência para a sucessão presidencial de 2018, 24 pontos para Aécio, 20 para Lula, 19% para Marina Silva. Depois da torrente, agora portanto, o panorama se modificou: Marina subiu para o 21º andar, Lula desceu 3 degraus, Aécio recuou nada menos que 5 pontos, passando assim de 24 para 19%. Os estilhaços voaram para todos os lados, exceto para Marina Silva, num movimento que embute inegavelmente um sentido de rejeição à própria política partidária.
Mais de dois terços da população, 68%, afirmaram-se favoráveis ao afastamento de Dilma Rousseff do Planalto. A rejeição a Lula, acrescenta a reportagem, alcançou 57%.
MAREMOTO MORALIZADOR
A onda de corrupção, confirmada pelos dados do Datafolha, atingiu a esfera partidária com o ímpeto de maremoto moralizador. As denúncias de Delcídio convenceram a opinião pública. Só Marina Silva escapou, não se enquadrando nos efeitos da tempestade. Este é o quadro geral.
Tende a piorar se Sérgio Moro vier a decretar a prisão de Luiz Inácio da Silva. Aliás, melhor dizendo, já está piorando em reflexo de dois fatos: a investida do ministro da Justiça, Eugênio Aragão, contra a Polícia Federal, o recurso da AGU e advogados de Lula ao Supremo para que as ações quanto a sua investidura na Casa Civil sejam transferidos das mãos do ministro Gilmar Mendes para as mãos do ministro Teori Zavascki.
O primeiro caso dará margem a uma forte reação da PF e da opinião pública. O segundo será indeferido pelo presidente do STF, Ricardo Levandowsky, pois nunca se viu uma decisão monocrática do chefe do Poder Judiciário substituir um relator sorteado para tarefa básica.
MOÇÃO DE DESCONFIANÇA
Qualquer mudança tornar-se-ia, sem dúvida numa moção de desconfiança. Impossível. Pois se houve sorteio, é porque todos os integrantes da Corte Suprema são dignos de confiança. Isso de um lado. De outro, como poderia o presidente do STF suspender o despacho já exarado por Gilmar Mendes impedindo liminarmente a posse e desenvolvendo o processo à competência do juiz Sérgio Moro? Não faz sentido.
Mas não é só. Devemos acrescentar ainda que a proposta partiu exatamente do ministro chefe da Advocacia Geral da União, José Eduardo Cardozo. Ele pediu a centralização. Agora, como o relator sorteado foi Gilmar Mendes, Cardozo assina petição pedindo que Mendes seja substituído por Zavascki. Dá a impressão que Mendes não serve. Zavascki, sim. Como se o Supremo fosse  equipe de futebol, quando substituições ocorrem em vários momentos.
Um absurdo atrás do outro. Será que a presidente Dilma Rousseff não percebe que ingressou num labirinto no qual a maior prejudicada é ela mesma. Ela mesma? Não. O principal prejudicado é o Brasil.

23 de março de 2016
Pedro do Coutto

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