"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

O BRASIL ENVELHECEU

 O BRASIL ENVELHECEU

O Brasil envelheceu. Cansei de ouvir esse refrão! Está em todos os discursos de oratórias pretensiosas, como se anunciassem uma grande novidade! Diria que só falta mesmo, vê-lo em pichações pela cidade. 

O que vejo nesse refrão, é o despreparo para tratar esse fenômeno estátistico. O país mudou muito pouco em suas estruturas sociais e econômicas, e não parece estar pronto para tratar esses "velhos" que chegam, sábios pela maturação do tempo e da vida, e que não vão se entregar facilmente, ao "canto da sereia, de que representam apenas a "economia prateada".  

Economia prateada uma ova!!  Somos os construtores da base que sustenta o presente momento da história do país. Recusamo-nos a ser tratados como "os novos consumidores", a ser adulados pelo mercado.  Somos a velha história e o fundamento do promissor futuro anunciado.

A mídia já se deu conta desse fato, e o transformou em matéria constante em suas notícias. Há um cardápio de discussões sobre o tema do envelhecimento.   Embora tratado genericamente, na maioria das matérias de vulgarização, o assunto é sério, pois que não há iniciativas de políticas públicas que estejam consolidadas para responder à grande massa de idosos que já ocupam o espaço social.                                                                Tratados como "economia prateada", um olhar de mercado, nada atento ao significado da humanidade, que esse contingente de idosos representa, quando há exigência de se ter um planejamento, que atenda às necessidades próprias desse segmento expressivo, com riquíssimo patrimônio cultural e de esperiências, e que ao contrário, padece socialmente do preconceito etárico, que o coloca na clandestinidade, como se já não servisse mais, já não atendesse às novas exigências do mercado, senão como consumidor, como "valor econômico de consumo".

O Brasil envelheceu, sem organizar um novo modelo de sociedade, capaz de absorver as diversidade geracional.  Sem desenvolver novas relações de emprego/produtividade, sem repensar o avanço de tecnologias que já estão erodindo essas relações de produção, e que ameaça o futuro, se o presente não se der conta, de que há urgência na renovação, não apenas das atividades de produção e serviços, como também dos modelos corporativos, que já se mostram anacrônicos, para administrar os novos tempos. 

Um novo "modelo capitalista" certamente surgirá, como resposta das novas tecnologias que avançam, inaugurando para além da pós-modernidade, criando novas profissões ante as novas modalidades de produção. Não será uma novidade, pois os diversos ciclos históricos comprovam as rupturas, quando o "novo" carrega a força inevitável das mudanças, transformando e desacomodando as estruturas, até então consideradas "estáveis e permanentes".

Nesse momento, os "velhos" são a memória histórica da humanidade, as pontes que conectam o tempo agônico, com a chegada do novo momento histórico da civilização. Os "velhos", essas gerações que carregam a História e o patrimônio cultural de uma época, são o ponto de encontro de dois momentos  de uma transição, em que o "passado" tem a força da memória; e o futuro, a indecisão e a precariedade em estado de nascituro.

Enquando o futuro avança, nas asas da tecnologia que inaugura um novo mundo, o passado firma seus alicerces, para garantir o nascimento dos homens vindouros.

Mario Moura

AINDA ESTOU AQUI

AINDA ESTOU AQUI                     

Sobre a velhice.  A conquista de continuar

Alguém pergunta: o que envelhecer? Significa apenas mudança de estado biológico? E o que há em nós, além do corpo? Qual o sentido, para essa dimensão da vida, essa mudança de estado? Olhar a vida, apenas pelo ângulo da sua consistência material, explicaria tudo? O que fazer com o sentido maior, que rompe os limites estreitos de um olhar apenas biológico?

A velhice costuma ser apresentada como o território daquilo que se perdeu.

Perde-se a juventude, dizem. Perde-se a força, a velocidade, a aparência, certas capacidades do corpo, algumas ilusões. Perdem-se pessoas, lugares, hábitos, possibilidades. O espelho começa a devolver uma imagem, que já não corresponde inteiramente àquela, que guardamos de nós mesmos. E, pouco a pouco, a sociedade nos ensina a acreditar, que envelhecer é, essencialmente, diminuir.

Talvez seja necessário inverter essa lógica.

Talvez a velhice não seja aquilo que resta, depois que a vida passou. Talvez seja precisamente a prova de que a vida passou por nós e nós conseguimos atravessá-la.

Porque "a vida não é de brincadeira", como dizia o poetinha Vinicius de Morais...

Ela começa sem nos pedir licença e, desde cedo, nos coloca diante de situações, para as quais quase nunca estamos preparados. Nascemos frágeis e precisamos aprender a existir. Crescemos e descobrimos que o mundo não corresponde aos nossos desejos. Amamos e descobrimos que amar também significa correr o risco de perder. Trabalhamos, lutamos, construímos, fracassamos, recomeçamos. Fazemos planos que não se realizam. Somos surpreendidos por doenças, acidentes, despedidas, injustiças e decepções. Encontramos pessoas que nos salvam, e outras que nos ferem. Perdemos aquilo que julgávamos permanente.

E, apesar de tudo, continuamos.

É por isso que a metáfora da escola talvez seja uma das mais adequadas para compreender a existência humana.

A vida é uma escola sem currículo previamente conhecido, sem calendário de provas e, sobretudo, sem professor que nos entregue antecipadamente, as respostas. Dia após dia, somos confrontados com novas perguntas. Algumas conseguimos responder. Outras nos derrotam. Em certas ocasiões, somos aprovados; em outras, precisamos repetir a lição.

Há provas para as quais estudamos durante anos e, quando finalmente chegam, descobrimos que ainda não sabemos respondê-las.

A vida nos ensina através da experiência, mas a experiência não é necessariamente uma professora gentil. Às vezes, ela ensina através da perda. Outras vezes, através da dor. Ensina pelo abandono, pelo fracasso, pela doença, pelo envelhecimento daqueles que amamos. Ensina, quando percebemos que o tempo não volta, que algumas portas se fecham definitivamente, e que determinadas escolhas não podem ser desfeitas.

E continuamos aprendendo.

Talvez seja essa a grandeza silenciosa da existência humana: continuar aprendendo, mesmo quando já não acreditamos que haverá uma recompensa no final da aula.

A velhice chega, então, como a maior das provas.

Não necessariamente, porque seja a fase mais dolorosa da vida, mas porque nela somos obrigados a enfrentar uma verdade, que durante muito tempo conseguimos evitar: somos temporários.

Na juventude, a morte parece uma possibilidade distante. Na maturidade, torna-se uma realidade, que começa a rondar nossas conversas. Na velhice, ela deixa de ser uma abstração.

Não significa necessariamente, que o velho viva pensando na morte. Significa algo mais profundo: ele já compreendeu que o tempo é finito.

E essa compreensão pode ser dolorosa, ou libertadora.

Depende da maneira como se olha para ela.

Se olharmos a velhice apenas como aproximação do fim, transformaremos os anos restantes em uma sala de espera. O velho passará a viver, como alguém que aguarda a chamada para deixar o mundo. A existência se reduzirá à contagem regressiva.

Mas há outra possibilidade.

Podemos olhar para a velhice, como a celebração de tudo aquilo que conseguimos atravessar.

Chegar à velhice significa ter sobrevivido, a uma quantidade extraordinária de acontecimentos.

Sobrevivemos a nós mesmos.

Sobrevivemos às nossas próprias ingenuidades, aos nossos erros, às escolhas equivocadas, às paixões que pareciam eternas, às pessoas que partiram, às perdas que julgávamos insuportáveis.                                Sobrevivemos a épocas que desapareceram, a mudanças culturais, tecnológicas e sociais que transformaram profundamente o mundo em que nascemos.

Vimos coisas nascerem e desaparecerem.

Vimos pessoas chegarem e partirem.

Vimos o mundo mudar de rosto.

E ainda estamos aqui.

Isso não é pouca coisa.

Há uma espécie de heroísmo na permanência, que a cultura contemporânea não sabe reconhecer. Vivemos em uma época fascinada pelo novo, pelo jovem, pelo veloz, pelo produtivo. A juventude é apresentada como promessa; a velhice, frequentemente, como problema.

Mas existe uma coragem extraordinária em continuar.

Continuar, quando o corpo já não responde como antes.

Continuar, quando alguns amigos já não estão.

Continuar, quando determinadas possibilidades ficaram para trás.

Continuar, quando o mundo parece ter mudado depressa demais.

Continuar, quando já não podemos fazer tudo aquilo que fazíamos.

Continuar não significa negar as perdas.

Significa não permitir que as perdas sejam maiores, do que aquilo que ainda permanece.

E sempre permanece alguma coisa.

Permanece a capacidade de olhar.

Permanece a capacidade de pensar.

Permanece a capacidade de aprender.

Permanece a possibilidade de conversar, de rir, de contemplar, de criar, de amar, de ajudar, de ensinar, de surpreender-se.

E, sobretudo, permanece a liberdade de decidir o que faremos, com o tempo que ainda temos.

A velhice não precisa ser uma tentativa desesperada, de recuperar a juventude. Esse talvez seja um dos maiores equívocos da nossa época.         O velho não precisa parecer jovem. Precisa estar vivo.

Existe uma diferença imensa entre envelhecer tentando esconder a idade, e envelhecer tentando honrar a própria história.

A primeira atitude nasce da vergonha.

A segunda, da consciência.

Não há vergonha em ter rugas. Elas não são simplesmente marcas do tempo. São registros de uma existência. O rosto envelhecido é um documento, que o corpo escreveu lentamente. Cada linha pode conter uma história que ninguém mais conhece.

Há rugas de preocupação.

Rugas de sofrimento.

Rugas de riso.

Rugas de noites mal dormidas.

Rugas de trabalho.

Rugas de felicidade.

Rugas de sobrevivência.

O corpo envelhecido não é um corpo fracassado. É um corpo que chegou até aqui.

E talvez devêssemos aprender a respeitar mais essa expressão: ATÉ AQUI!

Porque "até aqui" contém uma história inteira.

Até aqui, chegamos depois de todas as doenças que enfrentamos, de todos os medos que atravessamos, de todas as vezes em que pensamos não conseguir e conseguimos. Até aqui, chegamos depois das perdas, das decepções, dos abandonos, das dificuldades financeiras, dos conflitos familiares, das crises profissionais, das noites de solidão e das manhãs em que tivemos de levantar, mesmo sem vontade.

Até aqui, chegamos porque, de algum modo, continuamos.

Por isso, envelhecer é também uma forma de vitória.

Não uma vitória contra os outros.

Não uma vitória sobre a juventude.

Não uma vitória sobre a morte, porque ninguém vence a morte.

É uma vitória sobre a desistência.

Talvez a grande pergunta da velhice não seja "quanto tempo ainda me resta?", e sim "O que farei com o tempo que ainda tenho?"

Essa pergunta muda tudo.

Ela nos retira da posição de espectadores, e nos devolve à condição de protagonistas.

Não importa que a estrada esteja menor. Importa que ainda exista estrada.

Não importa que o passo seja mais lento. Importa que ainda possamos caminhar.

Não importa que certas portas tenham se fechado. Importa descobrir quais continuam abertas.

Não importa que algumas perguntas permaneçam sem resposta. Importa continuar perguntando.

A velhice pode, assim, tornar-se uma espécie de maturidade da esperança.

Não a esperança ingênua de que tudo dará certo. Essa esperança pertence muitas vezes à juventude, quando ainda não conhecemos suficientemente a complexidade da existência.

A esperança madura é diferente.  Ela sabe que algumas coisas não darão certo.   Sabe que haverá perdas.  Sabe que o corpo continuará envelhecendo.  Sabe que algumas despedidas serão inevitáveis.  Sabe que o tempo não pode ser comprado.

E, mesmo sabendo de tudo isso, continua afirmando a vida.

Essa talvez seja a forma mais elevada de esperança.

Não esperar que a vida seja fácil, mas decidir que ela ainda vale a pena.

É nesse ponto que a velhice pode deixar de ser uma categoria cronológica, para tornar-se uma posição filosófica diante da existência.

Envelhecer não é apenas acumular anos.

É acumular consciência.

A pessoa velha conhece algo que o jovem ainda não teve tempo de compreender: a vida é feita de impermanências. Quase tudo passa. Os lugares mudam. As pessoas mudam. O corpo muda. As ideias mudam. Os desejos mudam. Até aquilo que imaginávamos ser nossa identidade definitiva, se transforma.

Mas exatamente por isso, cada instante ganha importância.

A velhice pode ensinar a arte difícil de valorizar o que existe, sem exigir que exista para sempre.

Uma conversa.  Um café.  Uma tarde silenciosa.  Uma caminhada.  Um livro.  Uma música.  Um animal dormindo ao lado.  Um amigo que telefona.

Um filho que aparece.  Um neto que pergunta alguma coisa.  Uma árvore que floresce.  Uma janela aberta para o mundo.  Pequenas coisas que, quando somos jovens, parecem insuficientes, porque acreditamos que a vida ainda nos deve grandes acontecimentos.

Na velhice, começamos a compreender, que talvez a própria vida sempre tenha sido feita dessas pequenas coisas.

E então descobrimos uma verdade desconcertante: não era a vida que era pequena; éramos nós que não sabíamos enxergá-la.

Por isso, a velhice não deve ser compreendida apenas, como uma etapa biológica. Ela pode ser uma conquista moral.

Chegar velho significa ter recebido da existência uma quantidade extraordinária de oportunidades para aprender quem somos.

Nem todos aprenderam.  Alguns envelhecem sem amadurecer.

A idade, por si só, não produz sabedoria. Produz experiência. A sabedoria depende daquilo que fazemos com a experiência.

Pode-se atravessar oitenta anos e permanecer prisioneiro dos mesmos ressentimentos, de quando se tinha vinte.

Pode-se envelhecer, e continuar incapaz de perdoar.

Pode-se envelhecer, sem jamais aprender a agradecer.

Pode-se envelhecer, sem compreender que ninguém possui o controle absoluto da própria vida.

A velhice é uma oportunidade, não uma garantia, de amadurecimento.

Ela nos oferece uma última grande prova: o que faremos com tudo aquilo que aprendemos?

Talvez essa seja a prova mais difícil.

Porque agora não se trata mais de conquistar o mundo.  Trata-se de fazer as pazes com ele.

Não significa aceitar todas as suas injustiças. Tampouco desistir de lutar. Significa compreender que não somos capazes de corrigir tudo, salvar todos, controlar tudo.

Há uma sabedoria particular, em reconhecer limites, sem transformar o reconhecimento dos limites em desistência.

O velho pode dizer:

"Não posso mais fazer tudo."

Mas pode acrescentar:

"Contudo, ainda posso fazer alguma coisa."

E esse "alguma coisa" pode ser imenso.

Pode ser um conselho.  Uma presença.  Um gesto de solidariedade.  Uma palavra de afeto.  Uma memória transmitida.  Um conhecimento compartilhado.  Uma história contada a alguém mais jovem.  Uma defesa daquilo que considera justo.  Uma disposição para continuar aprendendo.

A velhice pode ser, portanto, uma espécie de passagem do fazer para o significar.

Durante grande parte da vida somos avaliados pelo que produzimos.

Na velhice, talvez devêssemos aprender a avaliar nossa existência por aquilo que significamos.

Essa mudança é fundamental.

Porque chega um momento em que produzir menos, não significa valer menos.

A pessoa não deixa de ter dignidade, porque deixou de ser economicamente produtiva.

O ser humano não é uma máquina de produção, com prazo de validade.  Existe uma vida inteira depois da utilidade.

E talvez seja justamente aí, que começamos a compreender algo essencial: uma pessoa vale mais do que aquilo que consegue produzir.

Essa é uma das grandes batalhas éticas do envelhecimento.

Uma sociedade que mede o valor humano, exclusivamente pela produtividade, terá dificuldade em respeitar os velhos. Uma sociedade verdadeiramente civilizada, será aquela capaz de reconhecer valor também na experiência, na memória, na presença e na própria existência.

O velho não precisa justificar o direito de existir.

Ele já existe.  E isso basta.  A velhice não é um favor que a sociedade concede.  É uma condição humana para a qual, se tivermos sorte, todos caminharemos.

É o futuro daqueles que hoje são jovens.  É o destino daqueles que hoje acreditam, que envelhecer é problema dos outros.

Por isso, falar sobre velhice, é falar sobre o futuro de todos nós.

Talvez a pergunta mais importante, não seja como evitar a velhice, mas como aprender a envelhecer, sem perder a vontade de viver.

Porque envelhecer é inevitável.  Desistir não é.

O corpo poderá impor limites.  A sociedade poderá criar barreiras.  As perdas poderão se acumular.  Mas há algo que continua pertencendo a nós: a maneira como respondemos àquilo que nos acontece.

Não controlamos todas as provas da vida.  Controlamos, em alguma medida, a nossa resposta a elas.  E talvez seja exatamente aí, que resida a grandeza da existência.

A vida nos coloca diante da prova.  Nós respondemos.  Às vezes mal.  Às vezes bem.  Às vezes caímos.  Às vezes levantamos.

Às vezes precisamos de alguém para nos ajudar a levantar. Mas levantamos.

E, quando já não conseguimos correr, caminhamos.  Quando já não conseguimos caminhar, procuramos outra maneira de avançar.

Porque viver é isso:  encontrar uma forma de continuar.

A velhice é a última grande prova, não porque seja necessariamente a pior, mas porque nos coloca diante daquilo, que nenhuma outra fase consegue esconder completamente: somos finitos.

E, diante da finitude, temos duas possibilidades.  Podemos lamentar tudo aquilo que já não somos.  Ou podemos agradecer por tudo aquilo que ainda somos.  Podemos contar as perdas.  Ou contar as permanências.  Podemos olhar para trás com ressentimento.  Ou olhar para trás com reconhecimento.  Podemos viver esperando o fim.  Ou viver até o fim.

Há uma diferença enorme entre essas duas atitudes.  Viver até o fim não significa negar a morte. Significa não permitir que a morte antecipada, roube a vida que ainda existe.

É dizer sim ao dia que começa.  É aceitar o café da manhã.  É atender o telefone.  É abrir o livro.  É visitar alguém.  É aprender uma coisa nova.  É cuidar de uma planta.  É acariciar um animal.  É rir de alguma bobagem.  É interessar-se pelo mundo.  É continuar perguntando.  É continuar amando.  É continuar curioso.  É continuar sendo capaz de dizer:

"Ainda estou aqui."

Talvez essa seja a frase mais poderosa da velhice: AINDA ESTOU AQUI!!

Depois de tudo.  Depois das alegrias e das dores.  Depois dos sonhos realizados e dos sonhos abandonados.  Depois daqueles que chegaram e daqueles que partiram.  Depois das doenças, das perdas, das derrotas e das pequenas vitórias.  Depois de tantas provas...  AINDA ESTOU AQUI!!

E, enquanto estamos aqui, a história não terminou.  Pode ter mudado de ritmo.  Pode ter mudado de tamanho.  Pode ter adquirido outra paisagem.

Mas ainda é história.  Ainda é vida.

Por isso, envelhecer não deveria ser motivo de vergonha, medo ou ocultação.  Deveria ser motivo de reconhecimento.

Chegar à velhice é poder olhar para a própria existência e dizer: Eu atravessei.

Não atravessei ileso.  Ninguém atravessa ileso.  Carrego cicatrizes.  Carrego ausências.  Carrego erros.  Carrego saudades.  Carrego limitações.

Mas carrego também aquilo, que nenhuma estatística consegue medir: a experiência de ter estado vivo.

E isso é extraordinário!!!

A velhice, afinal, talvez seja a maior prova da escola da vida.  Não uma prova para a qual precisamos obter nota dez.  Uma prova na qual o simples fato de continuar comparecendo já possui um significado.

A vida nos chamou para a sala de aula.  Nós entramos.  Aprendemos algumas lições, erramos outras, fomos surpreendidos muitas vezes e, em outras tantas, surpreendemos a nós mesmos.

Agora estamos diante da última parte do exame.  Não sabemos exatamente quais serão as próximas questões.  Não sabemos quanto tempo ainda teremos.  Não sabemos qual será a última página.  Mas sabemos uma coisa:

a prova ainda não terminou.

E enquanto não termina, devemos responder com o melhor que somos.

Com coragem, quando houver coragem.  Com paciência, quando faltar força.  Com humildade, quando não soubermos.  Com esperança, quando tudo parecer difícil. Com amor, sempre que possível.  E, sobretudo, com a disposição de continuar.

Porque talvez a verdadeira vitória da velhice não seja ter envelhecido.

Seja não ter desistido de viver.

E, enquanto houver um amanhã, mesmo que pequeno, mesmo que incerto, mesmo que diferente daquele que imaginávamos, haverá uma razão para levantar, olhar o mundo e dizer:

VAMOS EM FRENTE!

Custe o que custar.  Ainda há vida.  E isso, por si só, já é uma conquista.

Mario Moura

quinta-feira, 30 de julho de 2026

QUAL VALOR CHAMA A ATENÇÃO DA RECEITA FEDERAL EM 2026? ENTENDA!

 

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URGENTE! ANDRÉ MENDONÇA DESAFIA ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA E PEITA MORAES - VORCARO É PEGO NA

 

AGORA NO EXÉRCITO! ALTO COMANDO DÁ RECADO ASSUSTADOR E CLIMA DE RUPTURA 'EXPLODE' ENTRE MILITARES

 

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ALEXANDRE DE MORAES AINDA NÃO PERCEBEU...

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30 de julho de 2026

Como 12 Mil Gaúchos Foram Degolados numa Guerra que Sumiu dos Livros (Reconstrução com IA)