Nossa parte?
A cartada de Renan Calheiros, jogando para a Comissão de Constituição e Justiça a decisão sobre a CPI da Petrobras, livrou a base aliada do peso da derrota. Ao fim da sessão, parlamentares de PT e PMDB repetiam a ladainha do “fizemos nossa parte”.
Ainda que a CPI mista vingue, como seria formada por deputados e senadores, pelo menos não trará o selo de uma vitória pessoal de Aécio Neves.
A propósito, na Câmara, a oposição agora se concentra em arrumar uma estratégia para evitar que Renan afogue a investigação mista.
Sim, por ser tratar de uma CPI com representantes das duas casas, a comissão terá de sair do papel numa sessão do Congresso. E quem a presidirá? Renan Calheiros.
Dilma Rousseff assumiu o governo em janeiro de 1011 com a taxa de juros a 10,75% – uma taxa calibrada ainda nos estertores do governo Lula, em dezembro de 2010.
Acreditando que diminuir a taxa Selic era apenas uma questão de vontade política, a partir de julho de 2011 Dilma iniciou sua cruzada e mandou ver: os juros começaram a cair.
Mas… como as coisas são um pouco mais complexas, não teve como segurar os juros lá embaixo.
Foram subindo, subindo e hoje o BC determinou que os juros subam mais um pouco, batendo 11% ao ano e superando a herança que Dilma recebeu de Lula.
Michel Temer seguirá para Nova York na sexta-feira com a incumbência do impossível: convencer o empresariado americano de que o panorama econômico brasileiro não é nada desse terror que andam dizendo por aí.
Temer passou a semana pedindo socorro, principalmente ao Ministério da Fazenda e ao Itamaraty, em forma da dados e índices de países de porte semelhante aos do Brasil.
Diante de executivos de marcas como Citibank, JP Morgan, Coca-Cola, Deutsche Bank, Allianz e Walmart, Temer apresentará comparativos, tentando desconstruir, por exemplo, as convicções da turma que considera o México mais atraente do que o país governado por Dilma Rousseff.
Na pastinha de Temer, haverá dados relativos aos dois países, como crescimento do PIB, reservas internacionais e dívida externa. Todos são favoráveis à economia brasileira, obviamente. O que não interessa exibir, claro, Temer vai deixar para lá.
De hoje até sexta-feira, o Datafolha estará nas ruas de 162 municípios para entrevistar 2 630 brasileiros sobre a sucessão presidencial e sobre o governo Dilma Rousseff.
Quem está rindo à toa é Eduardo Campos. A data da coleta de opiniões coincide com a maior exposição de Campos na TV.
Na quinta-feira passada, ele e Marina Silva protagonizaram um programa em rede nacional e, desde então, rádio e TV exibem os comerciais de 30 segundos do PSB.
Ou seja, data melhor não há. Já os comerciais de Aécio Neves irão ao ar a partir da semana que vem.
Por outro lado, se Campos não se mexer nas pesquisas, ficará patente que há algo errado na campanha.
A pesquisa será divulgada na tarde de sábado pela Folha de S. Paulo.
A estratégia governista para melar a CPI da Petrobras proposta pela oposição foi sacramentada na segunda-feira, numa reunião de Renan Calheiros com senadores do PT e do PMDB.
Ali, acertou-se o que foi feito ontem. Após a leitura da CPI, a base aliada apresentaria dois requerimentos: um questionando o objeto da investigação sugerida pelo PSDB e outro, pedindo a ampliação do escopo das apurações.
Senadores do PT saíram da conversa convencidos de que Renan havia deixado implícito que tinha entendido o jogo, dando a entender que mataria no peito e iria acatar o primeiro primeiro requerimento – assinado por Gleisi Hoffmann - , para, na prática, sepultar a CPI.
Agora, essa turma anda se dizendo surpresa com o suspense em torno da decisão de Renan.
02 de abril de 2014
Lauro Jardim
A cartada de Renan Calheiros, jogando para a Comissão de Constituição e Justiça a decisão sobre a CPI da Petrobras, livrou a base aliada do peso da derrota. Ao fim da sessão, parlamentares de PT e PMDB repetiam a ladainha do “fizemos nossa parte”.
Ainda que a CPI mista vingue, como seria formada por deputados e senadores, pelo menos não trará o selo de uma vitória pessoal de Aécio Neves.
A propósito, na Câmara, a oposição agora se concentra em arrumar uma estratégia para evitar que Renan afogue a investigação mista.
Sim, por ser tratar de uma CPI com representantes das duas casas, a comissão terá de sair do papel numa sessão do Congresso. E quem a presidirá? Renan Calheiros.
Herança perdida
Dilma Rousseff assumiu o governo em janeiro de 1011 com a taxa de juros a 10,75% – uma taxa calibrada ainda nos estertores do governo Lula, em dezembro de 2010.
Acreditando que diminuir a taxa Selic era apenas uma questão de vontade política, a partir de julho de 2011 Dilma iniciou sua cruzada e mandou ver: os juros começaram a cair.
Mas… como as coisas são um pouco mais complexas, não teve como segurar os juros lá embaixo.
Foram subindo, subindo e hoje o BC determinou que os juros subam mais um pouco, batendo 11% ao ano e superando a herança que Dilma recebeu de Lula.
Vejam pelo lado bom
Michel Temer seguirá para Nova York na sexta-feira com a incumbência do impossível: convencer o empresariado americano de que o panorama econômico brasileiro não é nada desse terror que andam dizendo por aí.
Temer passou a semana pedindo socorro, principalmente ao Ministério da Fazenda e ao Itamaraty, em forma da dados e índices de países de porte semelhante aos do Brasil.
Diante de executivos de marcas como Citibank, JP Morgan, Coca-Cola, Deutsche Bank, Allianz e Walmart, Temer apresentará comparativos, tentando desconstruir, por exemplo, as convicções da turma que considera o México mais atraente do que o país governado por Dilma Rousseff.
Na pastinha de Temer, haverá dados relativos aos dois países, como crescimento do PIB, reservas internacionais e dívida externa. Todos são favoráveis à economia brasileira, obviamente. O que não interessa exibir, claro, Temer vai deixar para lá.
Sorte de Campos
De hoje até sexta-feira, o Datafolha estará nas ruas de 162 municípios para entrevistar 2 630 brasileiros sobre a sucessão presidencial e sobre o governo Dilma Rousseff.
Quem está rindo à toa é Eduardo Campos. A data da coleta de opiniões coincide com a maior exposição de Campos na TV.
Na quinta-feira passada, ele e Marina Silva protagonizaram um programa em rede nacional e, desde então, rádio e TV exibem os comerciais de 30 segundos do PSB.
Ou seja, data melhor não há. Já os comerciais de Aécio Neves irão ao ar a partir da semana que vem.
Por outro lado, se Campos não se mexer nas pesquisas, ficará patente que há algo errado na campanha.
A pesquisa será divulgada na tarde de sábado pela Folha de S. Paulo.
Quem não entendeu?
A estratégia governista para melar a CPI da Petrobras proposta pela oposição foi sacramentada na segunda-feira, numa reunião de Renan Calheiros com senadores do PT e do PMDB.
Ali, acertou-se o que foi feito ontem. Após a leitura da CPI, a base aliada apresentaria dois requerimentos: um questionando o objeto da investigação sugerida pelo PSDB e outro, pedindo a ampliação do escopo das apurações.
Senadores do PT saíram da conversa convencidos de que Renan havia deixado implícito que tinha entendido o jogo, dando a entender que mataria no peito e iria acatar o primeiro primeiro requerimento – assinado por Gleisi Hoffmann - , para, na prática, sepultar a CPI.
Agora, essa turma anda se dizendo surpresa com o suspense em torno da decisão de Renan.
02 de abril de 2014
Lauro Jardim
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