Que saudades do tempo em que, ao abrir o jornal, a gente dava de cara com notícias boas. E olhe que não faz tanto tempo assim. Lembram-se quando, numa cúpula realizada seis anos atrás, Obama se referiu ao Lula com palavras elogiosas?
Pois é, parece que faz muito tempo. Momentos de magia costumam ser varridos pelo tempo. Desaparecem na impiedosa névoa do passado, aquela que apaga ilusões momentâneas e escancara realidades menos charmosas.
Estive lendo dia destes um relato daquele acontecimento, feito na hora, a quente. O artigo continua atual, não ganhou uma ruga. Que julguem meus distintos leitores.
Obama é brother de Lula
É o comentário do momento! Todo mundo está falando sobre isso e a mídia, como sempre, adora. Numa reunião do G20, as lentes da BBC captaram uma interação entre Obama e Lula. Resultado? A mídia reporta “Barack Obama afirmou que Lula é o ‘político mais popular da Terra’. Além disso, Obama também disse que adora Lula e que o brasileiro tem ‘boa pinta’.”
Vale assistir ao vídeo e ponderar:
1) Obama começa dizendo: “This is my man!” que traduziram como “Este é o cara”. Na prática é uma expressão em inglês usada quando você não tem muito que dizer quando encontra alguém e quer ser camarada, simpático. É algo bem comum e, até certo ponto, bem breguinha. Eu traduziria como “Este aqui é meu chapa!” ou “meu brother!”, dependendo da escolha. Só estou mudando a gíria de década.
2) Obama continua querendo ser simpático. O cara é carismático. Aí ele solta um genérico “amo este cara… ele é o mais popular da Terra”. Uma sacada de humor bem feita. Você desloca uma caraterística contundente sua para um terceiro. É agradável e arranca um sorriso das pessoas. Kevin Rudd, primeiro-ministro da Austrália, percebe a piadinha e completa: “O político mais popular de longo mandato”. Rudd não foi tão bom quanto Obama, mas valeu pelo embalo. E o cara é australiano, tinha de soltar uma piadinha. Em tese, eles são bons nisso.
3) O Lula, como sempre, não sabe de nada. É de dar dó a sensação de perdido dele. É verdade, não gosto do governo do Lula, mas ele parece um cachorrinho perdido no meio de ferozes pit-bulls. É inevitável não pensar como tratamos os estagiários e novatos nas nossas empresas. Lula é o típico estagiário sem-noção.
4) A puxadinha que Lula dá em Obama para chamá-lo para mais perto é… triste. Que líder nacional esse que temos que não tem uma mínima noção de comportamento multicultural? Ah, sim, ele nem fala inglês. Mas que vá ler um livro a respeito. Tenho um de cabeça para indicar mas… o cara nunca leu nenhum! Sim, é nosso presidente!
Se eu fosse o Lula, cortaria direto no “This is my man!” – tudo dependendo do meu humor (está aí um dos motivos pelos quais eu nunca serei presidente – o futuro de uma nação não pode estar nas mãos de alguém com humor tão instável quanto o meu). Mas o diálogo iria provavelmente assim:
Obama: “This is my man!”
Luchini: “You know what? You are my man too! That’s the beauty of being part of the same big, black family!”(“Quer saber? Você é meu chapa também! Taí a beleza de fazer parte da mesma grande família negra!”)
Retornaria com a mesma moeda, com o mesmo humor e seria simpático da mesma maneira, provocando sorriso nos outros. Até o coitado do Rudd ficaria mal numa saída bonita dessas. Que fazer? Temos aquilo que merecemos.
(*) Tiago Luchini é diplomado em Administração de Empresas pela Universidade MacKenzie de São Paulo. É também titular de MBA pela London Business School (UK) e pela Universidade de Columbia (EUA). Vive em Nova York. O texto citado foi escrito em abril 2009.
20 de setembro de 2015
José Horta Manzano, in Brasil de longe
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