"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

CATARINENSE PODE ESPERAR / A TUA HORA VAI CHEGAR



Num bar de Florianópolis, com a desinibição de uns copos a mais, o gaúcho amargurado batia na mesa, gritando, como quem puxa o canto da torcida: "Catarinense pode esperar/ A tua hora vai chegar!" De início, os amigos acharam muita graça. Mas depois o clima foi mudando e todos ficaram nublados.

Não, aquilo não era reação de um torcedor do Grêmio ou do Internacional com inveja de ter, Santa Catarina, quatro times no brasileirão enquanto o Rio Grande do Sul só tem dois. Era algo bem mais sério.

O encontro descontraído, que pouco a pouco foi ficando circunspecto, pode ser resumido assim: um dos amigos relatou o que lera numa revista. 

E lá estava dito que a situação econômica de Santa Catarina mostra-se incomparavelmente melhor do que a do Rio Grande do Sul: equilíbrio fiscal, servidores com salários em dia, estradas bem conservadas, segurança pública de qualidade (baixos índices de violência),
autoestima do catarinense em alta, reduzido grau de interferência do Estado na economia, superação relativamente tranquila da crise que Brasília plantou.

E na terra do gaúcho? Bem, no Rio Grande do Sul o desânimo é imenso: a economia encolhida; servidores públicos sem saber se haverá salário no mês seguinte; os sindicatos tentando paralisar o Estado; a polícia, em razão da crise, fazendo corpo mole; os números da violência disparando; a população acuada pela delinquência; o governador, de uma patetice inédita, não se dignando a dizer sequer o que pretende fazer para reverter o quadro caótico das finanças do Estado e parecendo assumir de bom grado a culpa pelos desmandos de outros governos.

É fácil compreender a ironia amarga daquele gaúcho. Depois de ouvir um relato auspicioso sobre a economia catarinense - um contraste com a penúria do Rio Grande do Sul - e ao perceber que Santa Catarina navega em mar sereno, ele apresentou seu diagnóstico peculiar e um prognóstico sombrio: "Vocês aqui", esclareceu ele, "ainda não tiveram um governo petista, o que explica a menor intromissão do Estado na economia, enquanto nós já tivemos dois no Rio Grande, elegendo o PT exatamente quando as finanças do Estado tendiam ao equilíbrio".

E acrescentou: "Mas podem ter certeza de que Santa Catarina um dia também vai abraçar o atraso, pois nas universidades daqui a pregação é a de todas as universidades, professores doutrinando a juventude para repelir tudo o que seja iniciativa privada e odiar os empresários, fazendo a cabeça da gurizada para distribuir riqueza, mas ridicularizando o empreendedorismo e, por conseguinte, desencorajando o engajamento na atividade produtiva.

Donde vão tirar pra distribuir?" E concluiu mordaz: "Vocês ainda vão eleger o PT para governar Santa Catarina! Aí saberão o que os petistas fazem com quem toca a economia! Um tsunami estatizante...". Tais eram as razões para estar tão pessimista. Vaticinava, para os catarinenses, um futuro com a melancolia do presente gaúcho.

Vá saber se o silêncio dos outros agora era tédio, ceticismo ou temor...
E lá estava ele berrando: "Catarinense pode esperar/ A tua hora vai
chegar!"



21 de setembro de 2015
Renato Sant'Ana é Psicólogo e Bacharel em Direito.

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