"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

O MUTANTE SUPREMO



O problema de Joaquim Barbosa não é um problema de Joaquim Barbosa. É de todo e qualquer presidente do Supremo. Passados, presente, como Ricardo Lewandowski, e futuros. O mandato é de apenas dois anos. Muito curto. Não se tem tempo para nada.

Imaginem se o Brasil tivesse que eleger o presidente da República a cada dois anos. Que empresário investiria no país onde a política econômica pode mudar quase anualmente? Nossa vida seria corda bamba.
 
Cada novo presidente do Supremo pode mudar tudo. Todos os assessores e cargos de direção. Sua influência na condução da jurisprudência é efêmera. Supremo mutante e volátil. Gera politização e insegurança jurídica administrativa permanentes.
Basta um bom advogado jogar bem com prazos, e as chances de reverter pauta, alterar decisões e relatores é muito grande. Temos visto.
 
Não culpem os ministros. Culpem o formato institucional.
 
A única saída é cada presidente escolher um alvo, um tema. Somente um. Nelson Jobim optou por criar o Conselho Nacional de Justiça. Ganhou. Ellen Gracie optou por informatizar processos. Começou. Gilmar Mendes focou nas prisões. Ainda complicado. Ayres Britto decidiu apenas colocar o mensalão em pauta.
 
Conseguiu.
 
Joaquim Barbosa se deu a terminar o mensalão, condenar culpados, e lançar duas mensagens ao país.
 
Primeiro, que o Supremo demora, mas com obsessão política consegue decidir. 
 
Segundo, que corrupção, não. Improbidade administrativa, não. Lavagem de dinheiro, não. Poderosos podem ser punidos.
As desigualdades entre riqueza e pobreza, entre a raça negra e a branca podem ser superadas pelo Judiciário.
 
Fez isto bem. Em pouco, fez muito. E sai de cena.
 
Sairá?

02 de julho de 2014
Joaquim Falcão é Professor de Direito Constitucional da FGV Direito.

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