"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

DE OLHO NA BATALHA CONTRA O IMPEACHMENT, DILMA TENTA POLITIZAR O DEBATE SOBRE A REJEIÇÃO DE SUAS CONTAS PELO TCU


Com duas afirmações e três perguntas, o jurista Carlos Velloso, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, matou a pau a tentativa da de Dilma de desqualificar de véspera a decisão a ser tomada, amanhã, pelo Tribunal de Contas da União (TCU) de rejeitar as contas do governo relativas ao ano passado.

O governo pediu ao TCU o afastamento do ministro Augusto Nardes da relatoria das contas. Acusou-o de se comportar sem isenção e de ter antecipado seu voto.

Velloso com a palavra:

- Isso não passa de uma manobra para procrastinar. Onde já se viu isso? Depois que o relator opina, ele vira suspeito? Suspeito porque votou contra? Isso beira as raias do absurdo.

Absurdo pode ser. Mas a iniciativa do governo tem um bom motivo: ele quer politizar o debate em torno da rejeição das contas. Curioso que o faça alegando que o voto de Nardes será político quando deveria ser técnico.

Justamente o contrário: o voto de Nardes pela rejeição se baseará no extenso parecer dos técnicos do tribunal. Foram eles que identificaram as falhas e as maquiagens feitas nas contas do governo. E que recomendaram sua rejeição.

Ao tentar por antecipação politizar o resultado do julgamento das contas, o governo pretende fornecer munição para que sua base de apoio no Congresso faça o mesmo. Afinal, é ali que de fato será decidida a sorte das contas do governo.

O TCU é um órgão de assessoramento do Congresso. Várias de suas decisões são terminativas. Outras dependem do Congresso para produzir efeitos.

É o caso de aprovação ou rejeição de contas de governo. No Congresso, sim, terá natureza política a decisão de acatar ou não o parecer do TCU.

É para a batalha no Congresso que o governo começa a se movimentar. Se o Congresso acatar o parecer do TCU rejeitando as contas, isso dará ensejo a um pedido de impeachment contra Dilma. Ela será acusada de ter cometido crime de responsabilidade.

O TCU dirá não ao pedido do governo para tirar de Nardes o papel de relator das contas. Os nove ministros do tribunal votarão pela rejeição das contas. O governo ameaça apelar em seguida para o Supremo Tribunal Federal, mas não terá sucesso se o fizer.

Até que ela o derrote ou seja por ele derrotado, o fantasma do impeachment continuará atormentando Dilma. Para ela virou uma obsessão.


06 de outubro de 2015
Ricardo Noblat

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