"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

domingo, 27 de novembro de 2016

DEZ INVESTIGAÇÕES SOBRE POLÍTICOS JÁ FORAM ARQUIVADAS POR FALTA DE PROVAS


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Charge do Casso (cassocartuns.blogspot.com)
Desde o início da tramitação de procedimentos relacionados à Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), em 2014, a PGR (Procuradoria-Geral da República) e a Polícia Federal arquivaram pelo menos dez investigações que começaram a partir de depoimentos de delatores. De um total de 68 inquéritos e duas investigações preliminares abertos desde março de 2015, sete foram arquivados a pedido da PGR e três a pedido da PF, segundo levantamento feito pela Folha.
Os arquivamentos ocorreram por dois motivos: ou as afirmações do colaborador não puderam ser confirmadas pelos investigadores ou, quando ratificadas, não ficou caracterizado crime. Em pelo menos seis casos houve contradições entre diferentes delatores, e os investigadores não puderam definir quem falava a verdade.
Entre as informações não comprovadas estão trechos dos depoimentos prestados por Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Alberto Youssef, doleiro no Paraná, Ricardo Pessoa, dono da UTC Engenharia, e Carlos Alexandre Rocha, o “Ceará”, que operava como entregador de dinheiro de Youssef.
METODOLOGIAS – O método de investigação da PGR, que comanda as apurações, é diferente do adotado pela força tarefa da Lava Jato na 13ª Vara Federal de Curitiba (PR), onde atua o juiz federal Sergio Moro.
A PGR decidiu pedir ao STF a abertura de um inquérito para cada parlamentar ou para grupos de parlamentares citados nas delações premiadas. Em Curitiba, em regra, a delação foi feita dentro de um inquérito em andamento.
No método adotado em Brasília, a investigação gira em torno de confirmar ou não a narrativa do delator, enquanto em Curitiba a delação geralmente serve para reforçar uma apuração.
Em outro ponto divergente, no momento dos depoimentos das principais delações comandadas pela PGR não há delegados da PF. A procuradoria argumenta, nos bastidores, que é uma forma de prevenir vazamentos.
SEM TIRAR DÚVIDAS – Um dos resultados é que a PF não consegue tirar suas dúvidas com os delatores. Os termos de depoimentos dos delatores já chegam prontos à polícia, cabendo-lhe confirmar ou não o conteúdo.
Nos pedidos de arquivamento, a PGR tem apresentado fundamentos e textos semelhantes. Informa ao STF a ausência de “elementos suficientes para a deflagração de ação penal” e ao mesmo tempo reconhece que as declarações dos delatores são “verossímeis”, embora “o esforço investigativo empreendido não tenha logrado êxito em angariar outras fontes que pudessem corroborá-las”.
O relator da Lava Jato no STF, Teori Zavascki, tem acolhido de forma automática os pedidos de arquivamento. Ele afirma, em suas decisões, que a jurisprudência do tribunal torna “irrecusável” o arquivamento quando solicitado pela PGR.
BENEFICIADOS – Os políticos sobre os quais houve arquivamento são os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL), Antonio Anastasia (PSDB-MG), Aécio Neves (PSDB-MG), Humberto Costa (PT-PE), Lindbergh Farias (PT-RJ), Edison Lobão (PMDB-MA) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP), os deputados federais Simão Sessim (PP-RJ) e Júlio Delgado (PSB-MG) e a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB-MA).
Três desses, Renan, Aécio e Lobão, continuam sob investigação em outros inquéritos na Lava Jato no STF.
O fato de parte das declarações dos delatores ter sido arquivada não significa, entretanto, que eles tenham sido improdutivos para as investigações.
DELAÇÕES COMPROVADAS – Um grande número de informações trazidas à PGR pelos delatores foi comprovado durante as investigações oficiais. Um total de 19 denúncias havia sido formalizado pela PGR até a semana passada, quase todas, com exceção de uma, tendo como origem ou peso importante a declaração de um delator.
As declarações de pelo menos cinco delatores a respeito do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ), por exemplo, foram confirmadas pela quebra de sigilo bancário no Brasil e na Suíça, de acordo com a denúncia apresentada pela PGR ao Supremo.
MÉTODOS DIVERGENTES – A PGR (Procuradoria-Geral da República), procurada pela Folha desde o dia 18, não se manifestou sobre o arquivamento de dez investigações da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal.
A Polícia Federal também preferiu não se manifestar. A reportagem apurou que há incômodo na PF sobre a maneira pela qual os depoimentos das delações são tomados, sem a participação de policiais, e sobre o momento em que são homologadas no Supremo Tribunal Federal a pedido da PGR.
Para os investigadores da PF, antes da homologação no STF deveria haver uma apuração prévia sobre o conteúdo dos depoimentos.
OPERAÇÃO ACRÔNIMO – Esse método já foi empregado pela PF com dois delatores na Operação Acrônimo, que investiga o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT).
Policiais também discordam que os inquéritos no STF sejam abertos a partir dos nomes dos parlamentares citados pelos delatores.
Esse método contraria uma orientação disseminada na instituição de se investigar fatos e crimes, e não pessoas.

27 de novembro de 2016
Rubens Valente e Camila Mattoso
Folha

TEMER VAI AGUARDAR A LISTA DA ODEBRECHT PARA NOMEAR O SUBSTITUTO DE GEDDEL



Ilustração reproduzida do site Metropoles
Sem seu coordenador político Geddel Vieira Lima, que foi forçado a deixar o cargo, o presidente Michel Temer já assumiu a função, e vai, pessoalmente, cuidar das negociações com o Congresso até encontrar um sucessor para a Secretaria de Governo. Temer já marcou, inclusive, reunião com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e líderes partidários para a próxima segunda-feira. Está prevista para terça no Senado, a votação da proposta de emenda constitucional que trata do limite de gastos da União. Na Câmara, deve ser votado o projeto das medidas contra a corrupção.
Em conversa com Temer, o líder do PSD na Câmara, deputado Rogério Rosso (DF) apoiou o movimento do presidente de assumir, neste momento, a coordenação política, enquanto define com tranquilidade o nome que irá substituir o ministro Geddel Vieira Lima. Temer está viajando hoje de São Paulo a Brasília.
O presidente está analisando nomes e encontra dificuldades porque tem que conseguir alguém com trânsito entre os parlamentares, mas sem o risco de ser alvo das revelações da delação da Odebrecht, na Lava-Jato.
Sexta-feira, em São Paulo, o presidente esteve com o Moreira Franco, secretário executivo do Programa de Parcerias e Investimentos (PPI) e com Rosso.
EXPERIÊNCIA ESPECÍFICA – Em abril do ano passado, como uma alternativa para ajudar na relação desgastada entre Dilma Rousseff e o Congresso, Temer assumiu a coordenação política do governo. Ficou no cargo até agosto. Temer que já foi deputado e duas vezes presidiu a Câmara, transita bem pelas duas Casas do Congresso. No Senado, a votação da PEC que limita o teto de gastos está prevista para esta semana.
Nos bastidores, Temer foi aconselhado a escolher um nome entre os deputados que pudesse inclusive pacificar a disputa em torno da sucessão de Rodrigo Maia (DEM-RJ) na presidência da Câmara. Entre os nomes citados estão o de Rosso e do também candidato do centrão, o líder do PTB, Jovair Arantes (GO). Rosso disse que não houve convite.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – A reportagem necessita de tradução simultânea. Temer vai esperar a divulgação da lista definitiva da Odebrecht, que já começou a “vazar” para a imprensa, com a divulgação dos nomes de Geral Alckmin, José Serra e Aécio Neves. Temer quer escolher um político que seja menos vulnerável à Lava Jato, e isso é muito difícil. De toda forma, antes só do que mal acompanhado. Temer não é nenhuma Brastemp, mas está no cargo e tem de trabalhar contra a crise ou pedir o boné(C.N.)


27 de novembro de 2016
Isabel Braga
O Globo

"GEDDELGATE" NÃO TERIA OCORRIDO SE O CONSTITUCIONALISTA MICHEL TEMER TIVESSE LIDO A CARTA MAGNA

(Carlo Allegri – Reuters)


Consumada a demissão de Geddel Vieira Lima, um dos homens fortes do governo federal, a ordem no Palácio do Planalto é desconstruir a imagem de Marcelo Calero, ex-ministro da Cultura e responsável por acusações graves que envolvem inclusive o presidente da República.

Para Michel Temer, a essa altura dos acontecimentos, resta apenas uma saída, a de sair atirando na direção de Calero, que não apenas acusou o presidente de tê-lo “enquadrado”, mas gravou conversa com o chefe do Executivo.

É nesse exato ponto, o da gravação da conversa com Michel Temer e Eliseu Padilha, é que está calcada a investida palaciana. O presidente rebateu a acusação de enquadramento, mas, mesmo assim, o assunto é de extrema gravidade. “Ora vejam, quem me conhece sabe que eu não sou de sair ‘enquadrando’ ninguém. O que eu falei a ele foram coisas absolutamente normais”, disse Temer.

O caso ganhou contorno de escândalo porque falta coragem para demitir Geddel tão logo o assunto veio à tona. Michel Temer, sempre pronto para colocar água fria na fervura, classificou o entrevero como “um episódio menor”, como se a coisa pública não exigisse impessoalidade.

A questão não é o motivo que levou Geddel a pressionar Marcelo Calero, mas o ato em si, que afronta contra a moralidade pública, uma vez que ficou patente, por parte do ministro demissionário, a advocacia em causa própria.

Conhecido como renomado constitucionalista e autor de vários livros sobre o tema, Michel Temer não precisaria enfrentar essa turbulência política, inclusive mantendo no cargo o chefe da Secretaria de Governo. Bastava dar a Geddel um exemplar da Constituição Federal de 1988, com destaque à página onde encontra-se o artigo 30, inciso IX, da Carta Magna.

“Art. 30. Compete aos Municípios:

IX – promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação e a ação fiscalizadora federal e estadual.”

Mesmo que o presidente desconheça a íntegra da Constituição Federal, há, entre as centenas de servidores palacianos, alguns especialistas no assunto. A quizila só não foi resolvida porque prevaleceu o desejo de cometer a ilegalidade no vácuo do enfadonho pensamento “você sabe com quem está falando?”. E quem conhece Geddel sabe que o desenrolar dos fatos não se deu com a diplomacia que muitos têm sugerido.

Há nesse imbróglio dois fatos distintos a serem analisados. O primeiro, que vem sendo deixado de lado, é a postura condenável de Geddel Vieira Lima, que usou o cargo em benefício próprio. No final, a arrogância custou mais caro do que se imaginava. O segundo fato é a suposta gravação feita por Marcelo Calero. Se isso realmente aconteceu, o presidente está diante de inequívoca quebra de confiança, o que é inaceitável.

Em suma, Michel Temer deve aproveitar o caso para tirar lições, se é que o presidente está disposto a aprender a essa altura da vida: a necessidade de escolher bem os assessores, não confundir tráfico de influência com briga entre ministros e ler com mais atenção a Carta Magna. Respeitados os ensinamentos, episódios semelhantes deixarão de acontecer.


27 de novembro de 2016
ucho.info

RECEP ERDOGAN AMEAÇA A EUROPA COM ABERTURA DAS FRONTEIRAS TURCAS




Após o Parlamento Europeu decidir pela suspensão temporária das negociações sobre a adesão da Turquia à União Europeia (UE), o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, ameaçou abrir as fronteiras do país para os refugiados em direção à Europa.

“Ouçam: se vocês não derem continuidade [às conversações], as fronteiras serão abertas; lembrem-se disso”, disse Erdogan durante discurso em Istambul, nesta sexta-feira (25), um claro recado direcionado ao bloco europeu.

A atitude, eivada pela retaliação, é típica de governantes totalitaristas, seara em que Erdogan transita com facilidade e muita intimidade. Haja vista a forma como sufocou um levante contra o seu governo, usando forças militares para, à base de artilharia pesada, conter os rebeldes que cobravam sua saída do cargo.

Em março deste ano, Bruxelas e Ancara fecharam um acordo para conter o fluxo de refugiados rumo à Europa. O pacto prevê que a Turquia receba novamente refugiados que tenham entrado ilegalmente no continente europeu através de território turco.

Após a assinatura do acordo foi observada uma significativa redução no número de pessoas que tentam fazer a perigosa travessia, que parte da Turquia em direção às ilhas gregas.

Na quinta-feira (24), os eurodeputados, reunidos em Estrasburgo, pediram o “congelamento temporário” das negociações com a Turquia. O argumento é de que o governo Erdogan usou uma “repressão desproporcional” no país desde o golpe frustrado de julho.

A resolução foi aprovada por ampla maioria: dos 623 parlamentares presentes, 479 votaram a favor, enquanto 37 foram contra e 107 se abstiveram. Embora de caráter não vinculativo, o resultado da votação manda um forte recado a Ancara, além de colocar sob pressão a Comissão Europeia, que conduz as conversações.

“A Turquia é parceira importante da EU”, disseram os eurodeputados em um comunicado conjunto. “Mas, em parcerias, a vontade de cooperar tem que partir dos dois lados. A Turquia não tem demonstrado essa vontade política, pois as ações do governo estão desviando o país de sua trajetória europeia.”

De acordo com a resolução, os legisladores se comprometeram a revisar seu posicionamento quando “forem suspensas as medidas desproporcionais adotadas durante o estado de sítio na Turquia”, quando então vão avaliar “se o Estado de Direito e os direitos humanos foram restaurados em todo o país”.

O processo de adesão da Turquia à UE foi iniciado em 2005. Um acordo para acelerar as negociações foi fechado em março de 2016, na sequência do pacto sobre migrações concluído entre ambas as partes. (Com agências internacionais)


27 de novembro de 2016
ucho.info

PRISÃO DOMICILIAR DE MARIN É NO PRÉDIO DE TRUMP

EX-PRESIDENTE DA CBF ESTÁ PRESO NO PRÉDIO ONDE TRUMP MORA

EX-PRESIDENTE DA CBF ESTÁ PRESO NO PRÉDIO ONDE DONALD TRUMP MORA


O ex-presidente da CBF José Maria Marin cumpre prisão domiciliar, com tornozeleira, no seu belo apartamento da Trump Tower (TT), na Quinta Avenida de Nova York, exatamente onde mora o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump. Poucos andares separam os apartamentos de Marin e Trump, mas não há registro de contato entre os dois. Exceto, talvez, em reuniões de condomínio, naturalmente. A informação é do colunista Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

Ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Marin está preso em seu apartamento há um ano, desde novembro de 2015.

Marin foi extraditado da Suíça para Nova York e é acusado de receber propina em negociações de marketing da Fifa, investigada pelo FBI.

Além de Marin, já moraram na TT Felix Slater, preso por esfaquear um homem no rosto, e Joe Weichselbaum, preso por tráfico de cocaína.



27 de novembro de 2016
diário do poder

LEI NÃO DEVIA DISTINGUIR CRIMES LEVANDO EM CONTA A PROFISSÃO DE SEUS AUTORES


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Charge do Alpino, reprodução do Yahoo
“A legislação que protege a magistratura é tão complicada, tão cheia de meandros, tapumes, biombos, tudo é tão escondido, tão sigiloso, que os bandidos terminam encontrando na toga um grande esconderijo” – a frase é da ex-corregedora do Conselho Nacional de Justiça Eliana Calmon, dada à reportagem “Quem julga o juiz?”, da Agência Pública.
Exclua-se a retórica. Considerem-se apenas os números. O CNJ puniu até hoje 75 magistrados, uma média de 7 ao ano. Isso em um universo atual de cerca de 17 mil togados. Desses, 48 sofreram a sanção administrativa máxima: a aposentadoria com vencimentos proporcionais.
Recentemente, por exemplo, a juíza Olga Regina de Souza Santiago, da Bahia, recebeu a penalidade sob a acusação de envolvimento com um narcotraficante colombiano. E também o juiz José Admilson Gomes Pereira, do Pará, acusado de vender sentença, atuar em processos da namorada e trabalhar de forma “morosa”, entre outras faltas.
INGENUIDADE CÓSMICA – É um equívoco comum achar que esses dois estejam livres de eventual responsabilização penal e cível. Mas seria de uma ingenuidade cósmica imaginar que o juiz que comete crime será processado e punido como qualquer um de nós.
Toga tivesse, Eduardo Cunha contaria ainda com o salário de mais de R$ 30 mil e, com certeza, estaria em bem melhores lençóis do que os que o cobrem na carceragem do Paraná.
O procurador Deltan Dallagnol, um dos chefes da Lava Jato, repete constantemente estar indignado com a impunidade e a corrupção. Ele é contra discutir agora a lei sobre seus pares. Vê pura e simplesmente a tentativa de retaliar  a Lava Jato. Sobra-lhe razão sobre o objetivo oculto de ala do Congresso, mas o corporativismo também se manifesta evidente na indignação seletiva.
Resta saber em que o crime cometido com toga difere daquele praticado com terno e gravata, esporte fino ou guardanapo na cabeça.

27 de novembro de 2016
postado por m.americo

NOTA AO PÉ DO TEXTO

Que os crimes cometidos pela 'toga' não sejam diferentes dos que são cometidos pelo 'terno e gravata', qualquer mortal, ainda que mal desperto concorda. Até porque, nada causa mais indignação do que o velho corporativismo, que acomoda criminosos à sombra da impunidade. 
Ser punido com uma aposentadoria proporcional ao tempo de trabalho, está na esfera da impunidade. Mas encerra-se aí o castigo? Não sei. Haverá continuidade de algum processo criminal ou administrativo? Cabe investigar.
Mas o que interessa nessa nota reserva-se apenas a observar um pequeno, mas significativo pormenor: quem propõe ampliar o crime de responsabilidade de um juiz? Parece-me, pelos fatos que são expostos pela mídia, que tais ações partem de notórias figuras comprometidas com a onda de corrupção que assola a pátria amada.
E por que nesse exato momento, em que o Brasil está virando a negra página de sua história, a página dos crimes de 'colarinho branco', como já foram chamados em tempos de antanho? Por que agora, quando a espada de Dámocles pesa sobre cabeças celebradas? E por que tanta celeridade?
Como dizia a personagem de uma novela, D. Milu: "mistério!!!".
Que é patente os esforços de sabotar a Lava Jato, qualquer cidadão, ainda que desatento, concordaria. Que os parlamentares, a cada delação premiada, perdem o sono, também não restam dúvidas.
E a perguntinha que incomoda é simples: quem são os responsáveis pela trágica situação em que se encontra o país, com seus milhões de desempregados? Com a inoperância de um SUS? Com a insegurança pública que atemoriza o cidadão?
Somente a dinastia lulopetista? E o que fez a tão decantada base de coalizão do governo? E quem compunha essa 'famosa' base? E por que os desastrados governos petistas fizeram o que fizeram? Foram só eles? 
Como dizia o macaco Sócrates: "só eu? Cadê os outros?..."
Os outros? estão por aí, indignados, com a "seletividade" da caçada, berrando em alto e bom som, que os juízes não são os donos do Brasil! E quem são??
Como dizia A.Suassuna: "em volta do buraco, tudo é beira!"
m.americo

PAIS MAUS EDUCADORES

EX-DIRETOR DA PETROBRAS DIZIA A YOUSSEF QUE ERA O PLANALTO QUE RESOLVIA O ESQUEMA


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Youssef explicou como funcionava o esquema das propinas
O doleiro Alberto Youssef afirmou ao juiz federal Sérgio Moro, em audiência na sexta-feira (24/11), do processo com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa dizia aos membros do PP que buscassem o Planalto para resolverem sobre repasses das propinas do esquema investigado pela Operação Lava-Jato.
“O Paulo Roberto, por iniciativa dele, junto com o Fernando (Baiano) Soares procurou alguns membro do PMDB e acabou se aliando, fez essa composição. Mas o Partido Progressista nunca gostou disso, sempre foi motivo de discussão no Palácio do Planalto para que isso não acontecesse”, afirmou Youssef, um dos primeiros delatores da Lava-Jato, junto com o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras.
Costa e Youssef eram ligados ao PP, no início do esquema de corrupção na Petrobras, a partir de 2004, alvo da Lava-Jato. Em 2006, o ex-diretor ficou doente e quase perdeu o cargo para um subalterno que buscou apoio do PMDB.
PP FEZ PÉ FIRME – “Foi feito um trabalho para que ele (Costa) perdesse a cadeira dele, em 2006. O PP (que havia indicado o diretor, em 2004) bateu firme o pé e conseguiu manter o Paulo Roberto na diretoria Mas ficou aquele ranço do PMDB com o PP”, contou o doleiro, arrolado como testemunha de acusação no processo contra Lula.
Foi em 2006 que Paulo Roberto Costa teria buscado o apoio do PMDB, via Fernando Baiano, lobista do partido. No acerto com o PMDB, eles passariam a ter direito a uma cota da propina arrecadada nos contratos da Diretoria de Abastecimento, que antes eram destinados integralmente ao PP.
“Como assim motivou de discussão no Palácio do Planalto?”, questionou Moro. “Muitas vezes o Paulo Roberto Costa deixava de passar receita para o partido, e os políticos reclamavam e o Paulo falava conversa lá no Planalto, se eu receber algum sinal de fumaça, qualquer coisa nesse sentido, eu faço o que eles me mandarem”, explicou Youssef.
Moro perguntou se Costa fazia essa afirmação. “Várias vezes”, respondeu. “Fazia para o senhor, ou para outras pessoas?”, prosseguiu Moro. “Fazia para mim, junto com o líderes do partido”, completou o doleiro.
NULIDADE – Como fez com as outras 10 testemunhas convocadas para o processo contra Lula pelos procuradores da força-tarefa da Operação Lava-Jato, a defesa do ex-presidente tentou invalidar o depoimento de Youssef, alegando que ele é suspeito, por seu um delator, em busca de manter seus benefícios. Moro negou o pedido e ouviu o doleiro.
Segundo a defesa, “as 11 testemunhas do MPF isentaram Lula e sua esposa Marisa Leticia da prática dos crimes imputados na denúncia, e, mais do que isso, revelaram que o foco de corrupção alvo da Lava-Jato está restrito a alguns agentes públicos e privados, que atuavam de forma independente, regidos pela dinâmica de seus próprios interesses, e alheios à Presidência da República”.
De acordo com a defesa de Lula, ficou “igualmente claro” o “desconhecimento” dessas testemunhas sobre a relação de Lula com o triplex do Guarujá. “Como sempre afirmamos, o ex-Presidente não tem a posse e muito menos a propriedade desse imóvel.”
CORRUPÇÃO RESTRITA – Para os advogados, os depoimentos recolocam em outro plano os resultados obtidos pela Lava-Jato. “O foco de corrupção está restrito a algumas empresas privadas, alguns dirigentes da Petrobras e, ainda, alguns agentes políticos. Esse foco de corrupção era hermético e atuava, fundamentalmente, dentro da variação de preço (‘range’) aprovada pela Diretoria de Petrobras, baseada em parâmetros internacionais, o que lhe conferia aura de aparente normalidade”, salientaram. “Por isso mesmo, esse foco de corrupção não foi identificado por qualquer órgão de controle interno (auditoria interna, Conselho Fiscal, dentre outros) ou externo (auditoria externa, CGU, TCU) da Petrobras, como também reconheceram algumas das testemunhas ouvidas.”
Segundo a defesa do ex-presidente da República, “concluir que Lula era o centro desse processo, como fez o MPF, só pode ser ato de voluntarismo maldoso, sem qualquer lastro de veracidade, o que se insere nas práticas de lawfare – que é o uso da lei e dos procedimentos jurídicos para fins de perseguição política”. “Não havia qualquer lastro probatório mínimo para a abertura dessa ação penal contra Lula e sua esposa, muito menos com o alarde feito pelo MPF – que usou de um reprovável PowerPoint em rede nacional. Nesta etapa processual, já é possível antever que o único resultado legítimo desse processo é a absolvição de ambos.”
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Sonhar não é proibido. Os advogados de Lula agora podem sonhar à vontade, porque o resultado final será um pesadelo horrível. As provas contra Lula e dois de seus filhos estão se avolumando. A solução é pedir asilo ao Uruguai, para onde já se mudou o filho mais novo, Luís Cláudio, envolvido até o pescoço na Operação Zelotes(C.N.)


27 de novembro de 2016
Deu no Correio Braziliense

ASSESSOR QUE AJUDOU GEDDEL TEVE APOIO DE EDUARDO CUNHA PARA ACUMULAR CARGOS


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Rocha também integra o Conselho Nacional do MP
O advogado Gustavo do Vale Rocha já defendeu na Justiça o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), hoje preso em Curitiba por causa da Lava Jato, e foi apoiado pelo ex-parlamentar para uma vaga de conselheiro no CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público). Rocha ocupa o cargo desde 2015 no conselho. O advogado havia atuado em favor de Geddel Vieira Lima na Justiça Eleitoral, em representações variadas, até 2014. Ele atuava pelo PMDB da Bahia e também pelo candidato. Procurado pela Folha (25), Geddel afirmou, por escrito, que Rocha “era advogado do PMDB nacional em causas eleitorais”.
O advogado também foi personagem na saída do então ministro da AGU (Advocacia Geral da União), Fabio Osório Medina, em setembro. Ao sair, o então ministro afirmou que era alvo de fogo amigo na Casa Civil, que teria vindo de Rocha.
Rocha é alvo de críticas nos bastidores do Judiciário por acumular o cargo da assessoria jurídica do governo federal com a cadeira que tem no CNMP, órgão de controle externo do Ministério Público. À Folha ele afirmou que o CNMP decidiu “por unanimidade, pela compatibilidade entre as duas funções, bem como pelo Ministério Público Federal”.
RECONDUÇÃO – Gustavo já trabalha por sua recondução no conselho e apoia seu adjunto na Casa Civil, Felipe Cascaes, a uma vaga do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Ao justificar sua atuação como advogado de Geddel, Eduardo Cunha e do PMDB em alguns casos na Justiça Eleitoral, ele disse que, ao longo de quase 20 anos, “atuou para centenas de clientes, sempre pautado pela ética e pelo profissionalismo”. Na sabatina no Senado que aprovou seu nome para o CNMP, ele chegou a ser indagado sobre a defesa que fazia por Eduardo Cunha.
“Afirmo que as colocações envolvendo o meu nome podem estar vinculadas às disputas no CNMP e no CNJ, nas quais não interferi, e não interferirei no processo, por razões já explicadas anteriormente”, disse em nota à reportagem.
Ele negou estar fazendo pressão por algum candidato a uma vaga no CNJ. Sobre sua recondução à CNMP, disse que seu mandato vai até junho de 2017.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Diz o velho ditado: “Quem com ferro fere, com ferro será ferido”. Agora, quem entra na alça de mira da imprensa é o advogado preferido de Eduardo Cunha, Romero Jucá, Renan Calheiros, Eliseu Padilha e… Geddel Vieira Lima. Assim que Padilha for removido da Casa Civil, Gustavo Rocha e o secretário de Imprensa, Márcio de Freitas Gomes, irão no mesmo barco.(C.N.)


27 de novembro de 2016
Camila Mattoso e Rubens Valente
Folha

EX-MINISTRO PODE TER GRAVADO OUTRAS CONVERSAS

EX-MINISTRO CALERO É SUSPEITO DE GRAVAR OUTROS INTERLOCUTORES

EX-MINISTRO PODE TER BURLADO LEI EM OUTROS ENCONTROS COM TEMER


O ex-ministro da Cultura Marcelo Calero pode ter gravado conversas com outros ministros e assessores, segundo informações levadas ao governo por colegas. Além de cair na Lei de Segurança Nacional, por supostamente haver gravado de maneira clandestina sua conversa com o presidente da República, ele burlou a regra que há anos proíbe a entrada de equipamentos eletrônicos no gabinete presidencial. A informação é do colunista Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

Calero levou gravador para conversas com Temer, Geddel e Padilha, mas a gravação é ruim e há dificuldade de identificar interlocutores.

Diplomatas que conhecem a alma de Marcelo Calero dizem que ele espalha brasas por ter ficado inconformado com a perda do cargo.

Quem vai a audiência com o presidente é solicitado por seguranças do Exército a deixar celular, smartphone etc na ante-sala do gabinete.

Celular ou gravador recolhido é guardado na gaveta de uma pequena escrivaninha do segurança, que fica a 2 metros da porta do gabinete.

27 de novembro de 2016
diário do poder

POLÍCIA FEDERAL FAZ PERÍCIA NAS GRAVAÇÕES FEITAS POR CALERO NO PLANALTO


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Calero gravou também pressões do segundo escalão
A Polícia Federal analisa as gravações apresentadas pelo ex-ministro Marcelo Calero como prova de que foi pressionado por integrantes do governo Temer a tomar uma decisão que favorecia interesses pessoais do agora ex-ministro Geddel Vieira Lima.
Calero informou à Polícia Federal que gravou o presidente Michel Temer, os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Geddel, além de outros servidores do Planalto. Ele entregou uma série de áudios que comprovariam suas acusações.
Conforme investigadores, o equipamento utilizado não era profissional e a qualidade do áudio captado é ruim. Por essa razão, as gravações foram submetidas a um tratamento técnico. Segundo relatos, algumas conversas estão melhores e outras piores. Esse fato justifica a demora na análise do material.
CHECAR DEPOIMENTOS – Dessa forma, ainda não é possível dizer quais trechos do diálogo com o presidente Temer relatados por Calero em depoimento à PF foram captados pela gravação. A Polícia Federal só irá encaminhar as gravações para a Procuradoria-Geral da República após verificar se o conteúdo confere com as informações prestadas pelo denunciante. São analisados se as conversas têm relação com os fatos narrados.
A PF não pode investigar políticos com prerrogativa de foro sem autorização do STF. Por isso, nessa etapa de análise a perícia não deve entrar no mérito de quem são as vozes. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

27 de novembro de 2016
Deu em O Tempo

A FRENTE PARLAMENTAR DO CRIME E A ELEIÇÃO DE 2018




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Charge do Mariano (Charge Online)
Enquanto transcorria a campanha eleitoral de 2014 eu apostava na possibilidade de um upgrade qualitativo no Congresso Nacional. A lei da ficha limpa, embora alcançando figuras menores, já afastava alguns do jogo político. A boa cobertura da mídia à operação Lava Jato e as denúncias das grandes revistas de circulação nacional sinalizavam o nível de comprometimento de vários personagens da cena política e de seus partidos. “O eleitor haverá de estar mais atento e seletivo ao digitar algo válido na urna eletrônica”, pensava eu. Mas não foi assim, como se constata à medida que as investigações da força-tarefa da Lava Jato e as delações a ela feitas mostram a extensão das facções criminosas que continuaram operando dentro do Congresso.
Embora aquela eleição tenha proporcionado renovação de 43% na Câmara dos Deputados, grande parte dos que buscaram conservar suas cadeiras foi bem sucedida. Em números absolutos: dos 513 deputados, 122 não se candidataram, 391 disputaram e 290 se reelegeram. Taxa de insucesso de apenas 25%. Certamente, entre os reeleitos, estão quase todos aqueles cujos fundos de campanha foram previamente abastecidos por meios escusos para enfrentar os custos envolvidos. Onde a política vira negócio, investir é parte dele.
EM NOME DO CRIME – Opera no Congresso Nacional uma numerosa bancada suprapartidária que poderia ser denominada Frente Parlamentar do Crime. É dela que procedem todas as tentativas de esvaziar a Lava Jato e de buscar anistias. É ela que costura as propostas para conter e constranger o Ministério Público, a Polícia Federal e o Poder Judiciário. É ela que se opõe às medidas legislativas sugeridas para o combate à corrupção. E não hesito em afirmar que essa frente parlamentar é, também, mais numerosa que qualquer das bancadas da Casa.
Quem é da taba conhece a indiada, dizemos aqui no Rio Grande do Sul, de onde escrevo. Dentro do Congresso, talvez apenas alguns novatos não consigam elaborar uma lista quase completa com os nomes e as áreas de atuação desse “colegiado” cujos ramos se estendem pelos poderes de Estado.
CONSTRANGIMENTO – Conheço o constrangimento que os bons experimentam nesse convívio com o que deveria ser população carcerária. Com a sobrenatural proteção do foro privilegiado, essa turma já é conhecida, também, dos senhores ministros do STF. No entanto, seus crimes desfrutam de sepulcral silêncio, próprio dos processos que dormem nas prateleiras do Supremo Tribunal Federal. É para lá que vão todos a partir do momento que qualquer investigação ou delação envolva autoridade com prerrogativa de foro. Para muitos é, realmente, uma última jornada. “Requiescat in pace!”, como proclamam os sepultamentos em latim desejando paz aos mortos.
Levantamento da Folha de São Paulo, há poucos dias, relatava que um terço das ações penais contra congressistas com foro no STF fora arquivado por prescrição.
Será que toda a monumental tarefa da operação Lava Jato e tudo mais que venha a ser documentalmente comprovado pelas múltiplas delações da Odebrecht será inútil para expurgar da vida pública a Frente Parlamentar do Crime? Mais ainda, a impunidade e a prescrição continuarão a suscitar “vocações políticas” entre criminosos interessados em agasalhar-se com o privilégio de foro? Nossas instituições dormem sossegadas com a perspectiva de que tal situação perdure para a eleição de 2018 e mantenha a Frente Parlamentar do Crime operante até o bicentenário da Independência, em 2022?

26 de novembro de 2016
Percival Puggina