O BRASIL ENVELHECEU
O Brasil envelheceu. Cansei de ouvir esse refrão! Está em todos os discursos de oratórias pretensiosas, como se anunciassem uma grande novidade! Diria que só falta mesmo, vê-lo em pichações pela cidade.
O que vejo nesse refrão, é o despreparo para tratar esse fenômeno estátistico. O país mudou muito pouco, em suas estruturas sociais e econômicas, e não parece estar pronto para tratar esses "velhos", que chegam, sábios pela maturação do tempo e da vida, e que não vão se entregar facilmente, ao "canto da sereia', de que representam apenas a "economia prateada".
Economia prateada uma ova!!
Somos os construtores da base, que sustenta o presente momento da história do país. Recusamo-nos a ser tratados como a nova fonte de lucros, como "os novos consumidores", a ser adulados pelo mercado. Somos a velha história e o fundamento do promissor futuro anunciado.
Somos a História de uma pátria! Os heróis que participaram da contrução da liberdade, da descolonização, os fundadores de uma unidade linguística, particularmente rica, original e independente do linguajar europeu. Somos os brasileiros, os irmãos mais velhos, que edificaram com sangue e coragem a brasilidade de um povo.
Economia prateada uma ova!!
A mídia já se deu conta desse fato, e o transformou em matéria constante em suas notícias. Há um cardápio de discussões sobre o tema do envelhecimento. Embora tratado genericamente, na maioria das matérias (não especializadas), e de vulgarização, o assunto é sério, pois que não há iniciativas de políticas públicas que estejam consolidadas, para responder ao desafio da grande massa de idosos, que já ocupa o espaço social. Tratados como "economia prateada", um olhar de mercado, nada atento ao significado da humanidade, que esse contingente de idosos representa, quando há exigência de se ter um planejamento, que atenda às necessidades próprias desse segmento expressivo, com riquíssimo patrimônio cultural e de esperiências, e que ao contrário, padece socialmente do preconceito etárico, que o coloca na clandestinidade, como se já não servisse mais, já não atendesse às novas exigências do mercado, senão como consumidor, como "valor econômico de consumo".
O Brasil envelheceu, sem organizar um novo modelo de sociedade, capaz de absorver a diversidade geracional. Sem desenvolver novas relações de emprego/produtividade, sem repensar o avanço de tecnologias que já estão erodindo essas relações de produção, e que ameaçam o futuro, se o presente não se der conta, de que há urgência na renovação, não apenas das atividades de produção e serviços, como também dos modelos corporativos, que já se mostram anacrônicos, para administrar os novos tempos.
Um novo "modelo econômico" certamente surgirá, como resposta das novas tecnologias, que avançam, inaugurando para além da pós-modernidade, criando novas profissões ante as novas modalidades de produção.
Não será uma novidade, pois os diversos ciclos históricos, comprovam as rupturas, quando o "novo" carrega a força inevitável das mudanças, transformando e desacomodando as estruturas, até então consideradas "estáveis e permanentes".
Ao futuro caberá responder a uma perguntinha: o que será feito para organizar 8.400.000.000 de seres humanos?
Nada é permanente no processo civilizatório! Tudo está em movimento, tudo está em transformação, tudo está gravitando na força da instabilidade.
Nesse momento, os "velhos" são a memória histórica da humanidade, as pontes que conectam o tempo agônico, com a chegada do novo momento histórico da civilização. Os "velhos", essas gerações que carregam a História e o patrimônio cultural de uma época, são o ponto de confluência e encontro de dois momentos de uma transição, em que o "passado" tem a força da memória e o futuro, a indecisão e a precariedade instável em estado de nascituro.
Enquando o futuro avança, nas asas da tecnologia que inaugura um novo mundo, o passado firma seus alicerces, para garantir o nascimento dos homens vindouros.
Mario Moura
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