"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

ARROGANTE E AGRESSIVA, MARINA MENTE NA BANCADA DO JORNAL NACIONAL

 
Marina Silva sempre foi contra os transgênicos e nunca lutou contra forças poderosas no Acre, onde até hoje é aliada dos irmãos petistas Viana, para quem seu marido trabalhava até poucos dias atrás. Os Viana dominam a política do Acre há cerca de 20 anos. Sobre os transgênicos, Marina tentou, à base de resoluções e portarias do Conama, proibir o seu plantio em 2004, aterrorizando os produtores rurais, especialmente do Rio Grande do Sul. Em 2013, o Brasil exportou U$ 31 bilhões no complexo soja.
 
A candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, disse nesta quarta-feira, em entrevista ao “Jornal Nacional”, da TV Globo, que não sabia que laranjas foram responsáveis pela transferência da propriedade do jato que caiu em Santos (SP) e matou o ex-governador Eduardo Campos. Marina, que também usou a aeronave para a campanha eleitoral, indicou que a responsabilidade por possíveis irregularidades é do comitê financeiro da campanha de Campos. Perguntada se ela não pediu informações sobre o jato antes de usá-lo ou se havia “confiado cegamente em aliados”, a candidata respondeu:
— Nós tínhamos a informação de que era um empréstimo, que seria feito um ressarcimento, no prazo legal, que pode ser feito, segundo a própria Justiça Eleitoral, até o encerramento da campanha. E que esse ressarcimento seria feito pelo comitê financeiro do candidato. Existem três formas de fazer o provimento da campanha: pelo partido, pelo comitê financeiro do candidato e pelo comitê financeiro da coligação. Nesse caso, (o provimento foi feito) pelo comitê financeiro do candidato. Essas informações eram as informações que nós tínhamos — disse ela, que completou: — Não tinha qualquer informação sobre qualquer ilegalidade referente à postura dos proprietários do avião.
 
A candidata defendeu a investigação do caso, e negou que o acontecimento possa ser um indício da prática da velha política.
 
— Há uma investigação que está sendo feita pela Polícia Federal. O nosso interesse e a nossa determinação é de que essas investigações sejam feitas com todo o rigor para que a sociedade possa ter os esclarecimentos. E para que não se cometa uma injustiça com a memória de Eduardo — disse ela, ressaltando que tem um “compromisso com a verdade”.
 
Marina disse que não irá “tangenciar”, e sim “enfrentar” o problema. Perguntada por Willian Bonner se não havia faltado rigor para ter as informações necessárias sobre a propriedade do jato, ela sugeriu que perguntou a quem deveria perguntar: — O rigor era tomar as informações com aqueles que deveriam prestar as informações, em relação à forma como aquele avião estava prestando o serviço.
 
De acordo com reportagem do “Jornal Nacional exibida na última terça-feira, o avião Cessna que caiu em Santos matando Campos e mais seis pessoas foi pago por meio de empresas fantasmas. O “Jornal Nacional” mostrou que, entre as empresas, estão a peixaria Geovane Pescados, a RM Construtora - que funciona numa casa em Recife - e a Câmara& Vasconcelos, cuja sede é uma sala vazia.
 
‘É MUITO DIFÍCIL SER PROFETA EM SUA PRÓPRIA TERRA’
 
A candidata do PSB também foi questionada sobre o fraco desempenho eleitoral em seu berço político, o Acre. Em 2010, ela ficou atrás de José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) nas eleições presidenciais.
 
— Tem um provérbio que a gente usa muito. É muito difícil ser profeta em sua própria terra porque às vezes a gente tem que confrontar os interesses. Eu venho de uma trajetória política que desde os meus 17 anos, eu tive que confrontar muitos interesses no meu estado do Acre, ao lado de Chico Mendes e de pessoas que se posicionaram ao lado da justiça, da defesa dos índios, dos seringueiros, da ética na política. Isso fez com que eu tivesse que seguir uma trajetória que não era o caminho mais fácil. Aliás, na minha vida, nunca é fácil. Nesse caso eu era candidata por um partido pequeno concorrendo contra duas máquinas muito poderosas, com 1 minuto e 20 segundos de televisão. E mesmo assim, a candidata do PT que tinha o governo do estado, senadores, prefeitos, eu fiquei muito próximo a ela.
 
Interpelada por Patrícia Poeta, que questionou se o mau resultado da candidata em seu estado de origem seria culpa dos eleitores acrianas e não dela, candidata, Marina respondeu:
 
— Talvez você não conheça bem a minha trajetória. Você talvez tenha um certo desconhecimento do que significa ser senadora na situação em que eu fui. Eu não sou filha de político tradicional, de nenhum empresário, porque no meu estado até minha eleição pra ser senadora da república era necessário ser filho de ex-governador, era preciso ser dono de TV, jornal e rádio pra falar bem de si mesmo e mal dos outros. Não é culpa dos acrianos. É culpa das circunstâncias. Os acrianos já foram generosos comigo muitas vezes. Eu já fiquei a ficar 4 anos sem poder andar em metade do meu estado porque queriam fazer uma estrada sem estudo de impacto ambiental, sem respeitar a terra dos índios e as unidades de conservação. E eu não poderia trocar o futuro das futuras gerações pelas próximas eleições. Eu preferi perder os votos. Lembra quando eu saí do Ministério do Meio Ambiente eu disse que perdia o pescoço mas não perdia o juízo. Essa tem sido a minha trajetória no Brasil. E é assim que eu quero governar o Brasil.
 
TRANSGÊNICOS
Perguntada sobre as diferenças políticas que se sobressaem na aliança com Beto Albuquerque, seu vice, Marina disse que sabe trabalhar com divergências. Ela afirmou que não é contra o plantio de transgênicos — tema sobre o qual Albuquerque posicionou no Congresso Nacional.
— Nós somos diferentes e a nova política sabe trabalhar na diversidade e na diferença. Mas há uma lenda de que eu sou contra os transgênicos, mas isso não é verdade. Eu defendia um modelo de coexistência, área com transgênicos e áreas livres de transgênico. Infelizmente, no Congresso essa proposta não passou e o Beto votou na outra proposta. Eu e Beto temos uma visão diferente em relação a células-tronco e transgênicos mas tivemos um trabalho juntos no Congresso, quando ele foi o relator da lei de gestão de florestas, que criou o serviço florestal e me ajudou a aprovar a lei da Mata Atlântica e tantas outras medidas importantes. A vida não tem essa simplificação que às vezes a gente acha. Isso não tem nada a ver com a velha política. Eu marquei minha trajetória de vida trabalhando com os diferentes. E essa é uma oportunidade de mostrar que essa história de que a Marina é intransigente, que só conversa com os que pensam igual a ela, não é tão verdade assim. (O Globo)

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