"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

ALERTA! JANAÍNA PASCHOAL E CARLA ZAMBELLI MANDAM RECADO

LAS MEJORES OBRAS EN GUITARRA CLASICA QUE NUNCA QUEDARAN EN EL PASADO

JOICE HASSELMANN SOBRE AS 10 MEDIDAS CONTRA A CORRUPÇÃO

TEMER É CITADO PELA ODEBRECHT NO LISTÃO DAS PROPINAS E DOAÇÕES ELEITORAIS


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Charge do Laerte (www2.uol.com.br/laerte/)
Às vésperas da divulgação dos nomes dos 316 parlamentares, governantes e autoridades que estão incluídos na lista de propinas e doações da Odebrecht, Brasília é hoje uma terra em transe, exatamente 50 anos depois da filmagem da obra de Glauber Rocha. Conforme já salientamos aqui na “Tribuna da Internet”, há duas leituras da delação. Se houver envolvimento direto (propina) do presidente Michel Temer, é um quadro sinistro; se o envolvimento dele for indireto (doação eleitoral), a situação política é menos tenebrosa.
Pelas informações que circulam em Brasília, Temer não será citado por corrupção, ao contrário do que ocorrerá com a grande maioria dos integrantes do listão da Odebrecht, que inclui cerca de 200 parlamentares federais, 20 governadores e dezenas de prefeitos. Muitos deles não se reelegeram ou já deixaram a política, e alguns morreram, como os ex-deputados Sérgio Guerra (PSDB-PE) e José Janene (PP-PR).
Quanto aos atuais ministros, é certo que alguns serão citados no listão – entre eles Eliseu Padilha, da Casa Civil, Geddel Vieira Lima, da Secretaria de Governo, José Serra, do Exterior, e Moreira Franco, do Programa de Parceria de Investimentos.
QUESTÃO DE TEMPO – Como já se espera, Temer não demitirá os ministros envolvidos com a Odebrecht. Apenas Geddel deverá sair, porque não tem como se livrar do massacre da mídia, que a cada dia descobre mais denúncias contra ele.
Para tentar amainar a crise, foi “plantada” a informação de que o próprio presidente Temer chamara ao palácio o líder André Moura (PSC-CE) e lhe orientara a fazer o manifesto de apoio a Geddel e colher assinaturas de líderes e vice-líderes.
Como diria Lula (antes do curso intensivo de português a que foi submetido para ser candidato a presidente), isso “é menas verdade”. Quem articulou o manifesto e o apoio foi o próprio Geddel, que se relaciona com as lideranças diariamente.
Qualquer político que tenha um mínimo de juízo hoje quer distância de Geddel. E não foi só Temer que adotou essa estratégia. Reparem que até agora o grande amigo Eliseu Padilha não deu um só palavra de apoio ao colega, vejam como esse povo é ingrato. Na verdade, Padilha está lutando pela própria sobrevivência. Não foi candidato em 2014, se sair do ministério vai ficar ao relento.
REFORMA MINISTERIAL – O que se diz é que Temer já prepara uma reforma ministerial para o início de 2017. Mas tudo é boataria, pura especulação, porque os rumos da política dependem agora do listão da Odebrecht e da maneira com que cada um é citado. Quem comprovadamente levou propina será carta fora do baralho, porque vai entrar na alça de mira da Lava Jato.
Temer se comporta como quem está esperando ser citado apenas como doação de campanha ou no máximo caixa 2, cuja anistia é o principal item do bolo da Operação Abafa, que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, já no colocou no forno para confeitar na semana que vem.
O fato é que em Brasília as noites estão cada vez mais insones. Nesta sexta-feira, já começam os burburinhos sobre as capas das revistas de opinião, e há sempre a possibilidade de que alguma delas antecipe a edição com o vazamento dos nomes dos contemplados no listão da Odebrecht. O suspense é de matar o Hitchcock, como diria Miguel Gustavo, nosso vizinho aqui no Edifício Zacatezas.

25 de novembro de 2016
Carlos Newton

DELAÇÃO DA ODEBRECHT, UM VENDAVAL QUE ABALA O GOVERNO E O PRÓPRIO PAÍS


A delação liderada por Marcelo Odebrecht, seguida por nada menos que 76 executivos da maior empreiteira do país, representa um verdadeiro vendaval – como destaca a reportagem de Jailton de Carvalho, Júnia Gama e Simone Iglesias, O Globo, edição de quinta-feira – que inevitavelmente vai abalar o governo e o próprio país, além de expor grande parte da classe política a um julgamento ainda pior que faz dela a opinião pública brasileira. São nove meses de longas negociações que resultam, é claro, numa enciclopédia sobre a corrupção brasileira, que inclusive projetou-se no exterior.Resultado de imagem para listao da odebrecht charges
Vai abalar o governo Michel Temer, logicamente atingindo titulares de sua equipe. A vulnerabilidade política não resiste ao impacto sem que aconteça um reflexo profundo. Afinal de contas se o Palácio do Planalto tomou a iniciativa de blindar o ministro Geddel Vieira Lima, o que se propõe a fazer para resistir ao vendaval chamado Odebrecht? Pode pensar nessa hipótese, porém concretamente nada poderá fazer.
DECISÃO DO IPHAN – Necessário acentuar que o ministro Roberto Freire, novo titular da Cultura, em declarações ao Jornal Nacional da Globo, noite de quarta-feira, afirmou textualmente ser favorável à decisão do Iphan contrária à construção do polêmico edifício na Ladeira da Barra, Salvador.
Se a blindagem não foi capaz de conter Roberto Freire, muito menos poderá conter o vendaval impulsionado pela Odebrecht, não só testemunha, mas personagem maior do gigantesco esquema de corrupção que fez explodir a economia e a administração do Brasil. O assalto ao erário público foi institucionalizado. Os honestos passaram a ser mal vistos. De qualidade, ser honesto transformou-se num defeito.
Nenhuma fonte mais qualificada que a Odebrecht para comprovar a atmosfera que já levou vários ladrões à prisão. A empresa dominava a Petrobras, o governo do Rio de Janeiro, a Aviação Civil. Basta citar que era concessionária do aeroporto Tom Jobim, do Maracanã, e de todo um sistema extraordinário de obras públicas. Não se limitava às fronteiras brasileiras. Atuava em Angola, em Cuba, na Venezuela, para ficarmos apenas nestes exemplos.
APOIO DO BNDES – A Odebrecht atuava no exterior com suporte do BNDES através de financiamentos com juros abaixo dos cobrados usualmente pela rede bancária. Com base num programa de incentivo (aos lucros) firmava contratos com juros até abaixo da inflação brasileira. Um polvo com múltiplos tentáculos. Somente uma parte do universo político escapava à sua rede traçada e projetada a partir de um aço fino produzido a partir de processos de sedução.
Personagem e testemunha. Agora, com o vendaval, trocou de papel. Afastou-se da corrupção, assumiu o papel de testemunha de acusação do enredo corrupto de sedução. Nessa transferência, com a delação, personaliza muitos corruptos. As doações eleitorais eram um bom pretexto, uma espessa cortina para disfarçar roteiros e destinos do produto ilegal de uma sequência consolidada de superfaturamentos, termos aditivos aplicados em contratos de bilhões. De reais?
De reais, só, não. De dólares, como aconteceu na refinaria Abreu Lima. E se a Odebrecht instalou e colocou em atividade um banco na Suíça para operar os resultados de um propinoduto imenso, é porque existiam centenas de correntistas. Eles têm face e nome. Vão surgir a partir de agora. As imagem abalam o Planalto e a planície.

25 de novembro de 2016
Pedro do Coutto

GEDDEL SE EMPENHAVA PELA EDIFÍCIO "LA VUE" ANTES MESMO DE COMPRAR APARTAMENTO

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No Twitter, Geddel já aparecia defendendo a obra contestada

O ministro Geddel Vieira Lima começou a defender a construção do edifício “La Vue”, em Salvador, mesmo sem aparecer na lista de compradores de um dos apartamentos do empreendimento. Em 10 de junho de 2015, o ministro da Secretaria de Governo já usava o Twitter para reclamar que vereadores tentavam barrar a obra. Três meses depois, em 16 de setembro daquele ano, o nome do ministro não estava relacionado a qualquer unidade do prédio. Procurado, Geddel não informou quando nem em que condições comprou o imóvel.
Os futuros proprietários de apartamentos se reuniram naquele dia na assembleia de constituição do condomínio. Fazem parte da lista, disponível no 2º Registro de Títulos e Documentos de Salvador, pessoas físicas e jurídicas que compraram ou assinaram com a construtora um instrumento particular de promessa de compra e venda de fração ideal de terreno. De 24 unidades, onze ainda estavam vazias, incluindo as localizadas nos dois últimos andares.
ATA DA REUNIÃO – Na reunião de condomínio, ficou acertado que as obras começariam em outubro daquele ano. Segundo a ata da reunião, o dono da Cosbat, Luiz Fernando Machado Costa Filho, frisou, aos donos de unidades do “Le Vue” a “importância do assessoramento de arquitetos e/ou decoradores” para a personalização de cada apartamento. Segundo registro na ata, não houve menção à necessidade de aprovar o empreendimento no Iphan pelo fato de se estar dentro de uma área de proteção do patrimônio histórico
A única unidade ligada a Geddel é a 1.101, no 11º andar, registrada em nome da Upside Empreendimentos Ltda, de propriedade de uma prima do ministro. Na Junta Comercial de Salvador, a firma está registrada em nome de João Fábio Paolilo Calazans, Luiz Felipe Vieira Lima Paolilo Calazans e Fernanda Vieira Lima Paolilo Calazans, prima de Geddel e sócia do político baiano no restaurante Al Mare, em Salvador.
TWITTER REVELADOR – Embora não tivesse nenhum contrato reconhecido pela Ladeira da Barra Empreendimento, empresa criada com a única finalidade de gerenciar o “La Vue”, Geddel deu uma declaração sobre a obra, em junho. Ao saber que alguns vereadores da oposição pretendiam fazer uma audiência pública sobre os impactos urbanísticos do empreendimento, o ministro escreveu no Twitter: “O banqueiro Marcos Marianni está assediando vereadores, pois ele se acha o dono da Ladeira da Barra”.
Controladora do Banco BBM, a família Marianni é proprietária de um imóvel do século XIX que fica nas imediações do “La Vue” e que, portanto, seria afetado pela construção do espigão.
BATALHA NA CÂMARA – O vereador Gilberto Santiago (PT) chegou a pedir a interpelação de Geddel, mas seu requerimento não foi aceito. A base governista da Câmara de Vereadores votou, duas vezes, contra a realização da audiência pública do “La Vue”. O próprio prefeito ACM Neto disse, na época, que não havia nada de errado com o prédio. Segundo Santiago, a base governista está trabalhando de novo para evitar a realização de uma reunião na Câmara sobre a obra.
Procurado por meio de sua assessoria de imprensa para responder quando assumiu o compromisso de compra de um apartamento no edifício, Geddel informou que a pergunta seria encaminhada para os seus advogados e que aguardava a resposta para se posicionar. Até ontem à noite, não se pronunciou. No contato com a assessoria da Secretaria de Governo, O GLOBO relatou ainda o fato de o nome de o ministro não aparecer na lista da assembleia de constituição do condomínio de 16 de setembro de 2015, mas não houve comentário.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Este não é o primeiro empreendimento da imobiliária Cosbat que Geddel defende ardorosamente. Antes, lutou muito pela construção do Costa de España”. O fato é que as provas se avolumam contra ele, que vai apodrecendo ao vivo e a cores. É um homem muito enriquecido (ilicitamente, claro). Deveria ter juízo e sair da política, para ficar contando o vil metal, como dizia o grande compositor Belchior. Ao insistir em se expor, está aumentando as chances de ir para a cadeia, tipo Sérgio Cabral. (C.N.)

25 de novembro de 2016
Tiago Dantas e Sérgio Roxo 
(O Globo)

CALERO DISSE À PF QUE TEMER E PADILHA O PRESSIONARAM PARA ATENDER GEDDEL


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Fotomontagem reproduzida do site Viomundo
O ex-ministro da Cultura Marcelo Calero disse em depoimento à Polícia Federal que o presidente da República, Michel Temer, o “enquadrou” no intuito de encontrar uma “saída” para obra de interesse do ministro Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) em Salvador (BA). O depoimento foi revelado pela Folha no fim da tarde desta quinta (24) e agravou a crise política que envolve o Palácio do Planalto desde a semana passada.
O empreendimento La Vue Ladeira da Barra, embargado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em Salvador, está centro da controvérsia.
Na semana passada, Calero pediu demissão e acusou Geddel, em entrevista à Folha, de “pressioná-lo” para o que o órgão de patrimônio vinculado ao Ministério da Cultura liberasse o projeto imobiliário, onde o ministro adquiriu uma unidade.
PRESSÕES NÃO CESSARAM – No depoimento, Calero afirma que as pressões não cessaram após o Iphan finalmente dar parecer contrário ao empreendimento, o que ocorreu em 16 de novembro. Segundo ele, esse foi o estopim para que sacramentasse a sua demissão.
“Que na quinta, 17, o depoente foi convocado pelo presidente Michel Temer a comparecer ao Palácio do Planalto; que nesta reunião o presidente disse ao depoente que a decisão do Iphan havia criado ‘dificuldades operacionais’ em seu gabinete, posto que o ministro Geddel encontrava-se bastante irritado.”
Calero prossegue: “Que então o presidente disse ao depoente para que construísse uma saída para que o processo fosse encaminhado à AGU [Advocacia-Geral da União], porque a ministra Grace Mendonça teria uma solução”, relatou Calero, segundo a transcrição do depoimento enviado ao Supremo Tribunal Federal e à Procuradoria-Geral da República.
COM “NORMALIDADE” – O ex-ministro da Cultura afirma que Temer encarou com normalidade a pressão de Geddel, articulador político do governo e há mais de duas décadas amigo próximo do presidente da República.
“Que, no final da conversa, o presidente disse ao depoente ‘que a política tinha dessas coisas, esse tipo de pressão’.”
O ex-ministro afirma ter se sentido “decepcionado” pelo fato de o próprio presidente não ter lhe dado retaguarda e tê-lo “enquadrado”.
“Que, então, sua única saída foi apresentar seu pedido de demissão”, declarou Marcelo Calero.
O depoimento foi concedido no Rio, sábado (19), no mesmo dia em que sua entrevista à Folha foi publicada.
PADILHA INCLUÍDO – Além de Temer e de Geddel, Calero implica também o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. O ex-ministro diz à PF ter recebido uma ligação de Padilha após uma conversa ruim com Geddel.
“Que Eliseu Padilha argumentou com o depoente no sentido de que, se a questão estava judicializada [em torno do empreendimento], não deveria haver decisão administrativa efetiva a respeito.”
Foi então, segundo Calero, que Padilha sugeriu que se “tentasse construir essa saída com a AGU”.
A ideia, conforme o depoimento, era que a AGU pudesse, de alguma forma, se sobrepor à decisão do Iphan, o que Calero disse ter entendido como irregular.
PARECER DEFINITIVO – Apesar das tentativas via AGU, o Iphan acabou dando parecer definitivo sobre o caso e determinou que o empreendimento não tivesse mais do que 13 andares, o que contrariava os interesses da construtora Cosbat, dona do projeto La Vue Ladeira da Barra. Parentes de Geddel são representantes legais do prédio.
“Que após a decisão de mérito, o depoente passou a receber ainda mais pressões, vindas de diversos integrantes do governo”.
Calero repete no depoimento o que disse à Folha sobre Geddel. Contou ter sido procurado pelo ministro por volta do mês de junho solicitando que o Iphan recebesse os representantes legais do empreendimento na Bahia e, depois, foi abordado diversas vezes pelo articulador político do Palácio do Planalto de forma “assertiva”.
“Que, em 6 de novembro, o depoente recebeu a mais contundente das ligações realizadas por Geddel; que, nesta ligação, Geddel disse ao depoente que não gostaria de ser surpreendido com qualquer decisão que pudesse contrariar seus interesses; que Geddel indagou a respeito do andamento do processo e chegou a dizer que o depoente deveria ‘enquadrar’ a presidente do Iphan”, ou teria de pedir a cabeça dela.
TEMER NEGA – O presidente Michel Temer afirmou nesta quinta-feira (24) que tratou duas vezes com Calero sobre a divergência com o ministro Geddel, mas negou que o tenha pressionado a modificar decisão do Iphan.
Em nota pública, o presidente disse também que sugeriu ao ministro que fosse feita uma avaliação jurídica da AGU sobre o tema, uma vez que, segundo ele, o órgão federal tem “competência legal para solucionar eventuais dúvidas entre órgãos da administração pública”.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – O ex-ministro vem fornecendo informações exclusivas à Folha, que o procurou para informações, quando a assessoria de Padilha no Planalto tentou plantar notícias difamatórias contra Calero na Folha, usando a mesma estratégia que Padilha e Geddel utilizaram para desmerecer o jurista Medina Osório, quando ele comandava a AGU e não quis se posicionar contra a Lava Jato. Como já havia percebido o que acontecera a Osório, Calero reagiu de imediato e denunciou toda a trama. E o ex-todo-poderoso Padilha não deu uma só palavra para defender Geddel, porque estava envolvido na pressão a Calero. (C.N.)


25 de novembro de 2016
Natuza Nery e Paulo Gama
Folha

"VEJA" DIZ QUE AS GRAVAÇÕES DE TEMER, GEDDEL E PADILHA SÃO DE BAIXA QUALIDADE

Marcelo Carelo gravou com o celular dentro do bolso

Depois de acusar a cúpula do governo de tentar pressioná-lo a liberar uma obra de interesse pessoal do ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero entregou à Polícia Federal gravações das conversas que teve sobre o assunto com o presidente Michel Temer, com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, e com o próprio Geddel. Em depoimento à PF, o ex-ministro narrou detalhes de como Temer e seus dois principais ministros teriam tentado forçá-lo a liberar a construção de um prédio residencial em uma região tombada pelo patrimônio histórico em Salvador. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, subordinado a Calero, havia embargado a obra.

Além de gravar Temer e seus dois ministros de confiança, o ex-ministro da Cultura registrou as conversas que teve com dois auxiliares do presidente. O próprio Palácio do Planalto obteve a confirmação da existência dos áudios. “As gravações não são de boa qualidade, porque foram feitas com um aparelho que aparentemente estava no bolso do Calero”, disse um ministro palaciano a Veja.

CENA DE NOVELA – O ex-ministro da Cultura Marcelo Calero já tinha mandado “um recado” pelo Facebook às vésperas do seu depoimento à Polícia Federal. Na terça-feira, antes de revelar que Temer tentou interceder em favor do ministro Geddel Vieira Lima, o ex-ministro compartilhou um trecho da novela Vale Tudo, exibida pela Rede Globo em 1988, onde a ambiciosa Maria de Fátima (Gloria Pires) tenta convencer o seu avô Salvador (Sebastião Vasconcellos) a aceitar suborno e fazer vista grossa a um esquema de contrabando de videocassete.

Na novela, Salvador se espanta com o pedido da neta:

“Você tem noção do que está me pedindo?”, questiona.

“Vovô, eu nunca pedi nada para ninguém. O que o Cesar pode estar trazendo… uns videocassetes?”, responde Maria de Fátima.

O avô fica sem reação frente a volúpia da neta: “Trinta e cinco anos de ministério, Fátima… Eu nunca na minha vida… eu nunca”, diz sendo interrompido por Maria de Fátima:

“Então está mais do que na hora de eu lhe perguntar por quê? Mas por favor, não vem com conceito abstrato de dignidade, princípio, honra, não! Eu quero que o senhor me explique na prática. A quem é que o senhor vai prejudicar se levar uma grana para deixar o amigo da sua neta passar umas bobagens”, diz Maria de Fátima.

No final da discussão, Salvador fala que aceitar o que ela estava pedindo iria prejudicar o Brasil. Maria de Fátima, ironicamente, começa a cantarolar o hino e conclui: “Vovô, o último homem honesto do Brasil”.

25 de novembro de 2016
Robson Bonin e Renato Onofre
Veja

EMPREITEIRO INCLUI EX-PRESIDENTE E SEUS MINISTROS COMO TESTEMUNHAS

ODEBRECHT CHAMOU DILMA, MANTEGA E GABRIELLI PARA SUA DEFESA
EMPREITEIRO LISTOU TAMBÉM OS EX-PRESIDENTES DA PETROBRAS SÉRGIO GABRIELLI E GRAÇA FOSTER

As vésperas de a Odebrecht fechar os maiores acordos de delação premiada e de leniência na Lava Jato, envolvendo Brasil, Suíça e Estados Unidos, o ex-presidente da empreiteira Marcelo Bahia Odebrecht arrolou 30 testemunhas para sua defesa, incluindo a ex-presidente Dilma Rousseff, os ex-presidentes da Petrobras José Sérgio Gabrielli e Graça Foster, os ex-ministros Guido Mantega e Jaques Wagner e doze executivos ligados à companhia - entre estes, como ele próprio, ao menos seis estão negociando delação, incluindo o pai de Marcelo, Emílio Odebrecht.

Todos os trinta nomes constam da resposta à acusação apresentada pela defesa de Odebrecht na ação penal em que ele é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro. Além do empreiteiro são acusados neste processo o ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda e Casa Civil/Governos Lula e Dilma) e mais 13 réus.

Nesta ação, a Procuradoria da República acusa Palocci de atuar para favorecer a Odebrecht no governo federal e aponta que, graças ao ex-ministro, a empreiteira teria se beneficiado e vencido uma licitação de 2011 para a construção de seis sondas de exploração do pré-sal no valor de R$ 28 bilhões.

Não é a primeira vez que o empresário chama Dilma e Mantega para depor em sua defesa. Em maio ele já havia incluído a petista e o ex-ministro em outra ação penal, mas acabou desistindo. Na ocasião, ele havia arrolado quinze testemunhas.

Do extenso rol de testemunhas que o empreiteiro indicou para testemunhar por ele na ação em que é réu com Palocci fazem parte, ainda, o atual presidente da Odebrecht, Newton de Souza, o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) e o diretor presidente da Kawasaki no Brasil, Jorge Kawasato.

A lista da defesa do empresário foi encaminhada ao juiz Sérgio Moro, em Curitiba, na segunda-feira, 21, dois dias antes de os executivos da maior empreiteira do País chegarem a Brasília para assinar os acordos de colaboração com a Procuradoria-Geral da República, ato que acabou adiado.

Já condenado por Moro a 19 anos e quatro meses de prisão pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa envolvendo quatro contratos da Odebrecht com a Petrobras, Odebrecht está preso preventivamente desde 19 de junho de 2015.

Desde então ele vinha evitando responder, inclusive em audiência perante o juiz Moro, sobre as acusações que pesam contra ele. Agora disposto a colaborar, o empreiteiro quer que os outros executivos de sua empresa, inclusive os que estão fechando as delações premiadas, falem ao juiz da Lava Jato. Caberá ao magistrado decidir se aceita ouvir tanta testemunha.

Atualmente, o empreiteiro responde a três ações penais na Justiça Federal no Paraná decorrentes da Lava Jato e a uma ação penal na Justiça Federal em Brasília por suspeita de fraudes em financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) envolvendo contratos da Odebrecht no exterior.



25 de novembro de 2016
diário do poder

CERVERÓ CITA GEDDEL E RENAN EM DEPOIMENTO AO JUIZ S´SERGIO MODO

CERVERÓ CITA GEDDEL E RENAN EM DEPOIMENTO AO JUIZ SÉRGIO MORO
EX-DIRETOR DA PETROBRAS É TESTEMUNHA DE ACUSAÇÃO CONTRA LULA


EX-DIRETOR DA PETROBRAS É TESTEMUNHA DE ACUSAÇÃO NO PROCESSO CONTRA LULA

O ex-diretor de Internacional da Petrobras Nestor Cerveró citou nesta quinta-feira, 24, ao juiz federal Sérgio Moro, os nomes do ministro da Secretaria de Governo, Geddel Viera Lima, e do presidente do Senado, Renan Calheiros, no episódio em que o PMDB do Senado teria passado a dar sustentação política a ele no cargo, em troca de propinas para as campanhas do partido.

Delator da Operação Lava Jato, o ex-executivo da estatal foi a oitava testemunha de acusação ouvida no processo contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Curitiba. O petista é acusado de corrupção e lavagem de R$ 3,7 milhões recebidos em forma de benesses pagas pela empreiteira OAS, no caso do apartamento tríplex, do Guarujá (SP).

Cerveró disse que ele foi indicado a diretor da Petrobras pelo ex-governador de Mato Grosso do Sul Zéca do PT, que tinha proximidade muito grande com o ex-senador Delcídio Amaral (ex-PT-MS). Ex-líder do governo Dilma Rousseff, preso em novembro de 2015 tentando comprar o silêncio de Cerveró, Delcídio virou delator da Lava Jato.

"Delcídio tinha transito muito grande, ele tinha sido do PSDB. Inclusive, quem indicou ele para a Petrobras, em 1999, foi o PMDB, foi o pessoal do Geddel, o Jader Barbalho. E esse pessoal orientou o ministro Sillas (Rondeau, Minas e Energia), que fazia parte do grupo, que me procurasse", contou Cerveró, ao relatar como entrou na Petrobras. Jader seria o principal nome do grupo.

"O Sillas me procurou e disse, olha: temos o maior apresso pelo Delcídio, me lembro da conversa, foi lá em Brasília, ele me convocou, ele era ministro. Eu conhecia o Silas, justamente pelo envolvimento com a questão termoelétrica, da Eletrobrás, o Sillas foi diretor da Eletrobrás. Mas nós já conversamos com Delcídio, ele não tem nada a opor a esse copatrocínio, só que agora você tem compromisso com o PMDB", afirmou Cerveró, ao responder perguntas do Ministério Público Federal.

Cerveró relaciona esse apoio do PMDB ao pós-mensalão, quando seu padrinho direto, Delcídio Amaral, teria perdido forças no governo. Os acertos de propina teriam sido acertados com o ex-ministro de Minas e Energia Sillas Rondeau. "Com a ocorrência do mensalão, o PMDB, na figura do ministro Sillas Rondeau, que era ministro do PMDB, que entrou em substituição a ministra Dilma, que foi para a Casa Civil, ele me chamou e disse que o PMDB do Senado, porque havia essa divisão, passaria a também me apoiar, então eu acertei com ele. Foi quando eu conheci o Renan Calheiros."

PT e PMDB


"Não houve uma mudança (de apoio político), houve uma repartição, uma divisão. E aí, por conta disso, eu tive que atender, esse compromisso é uma via de duas mãos. Eu receberia o apoio, já que o apoio do PT, especificamente o Delcídio, estava desgastado, do PMDB do Senado, que era o grupo político mais forte do País, na época, e evidentemente eu teria que atender."

O delator voltou a citar um jantar em que ele teria sido apresentado aos membros do PMDB do Senado. "Inclusive eu fui junto com o doutor Paulo Roberto Costa (ex-diretor de Abastecimento da Petrobras), meu colega de diretoria também na linha que o Paulo tinha um enfraquecimento da parte política dele, que tinha sido indicado pelo (ex-deputado José) Janene, do PP (morto em 2010). Então tanto Paulo como eu passamos a ter esse patrocínio do PMDB do Senado, e contrapartida teriam que atender os compromissos de campanha do PMDB do Senado. O que não anulou os compromissos que eu tinha com Delcídio."

Em sua delação, homologada no final de 2015, Cerveró afirmou à Procuradoria-Geral da República que pagou propina de US$ 6 milhões aos senadores Renan Calheiros e Jader Barbalho, ambos do PMDB, em 2006. Na ocasião, o ex-senador Delcídio Amaral recebeu cerca de US$ 800 mil. Cerveró disse que pagou propina em troca de apoio político para permanecer no cargo.

Segundo Cerveró, quem intermediou o pagamento desses valores foram os lobistas Fernando Antonio Falcão Soares, o Fernando Baiano, e Jorge Luz, apontados como operadores de propinas do PMDB. "Que o declarante havia se comprometido com o PMDB, nas pessoas de Jader Barbalho e Renan Calheiros, a efetuar o repasse de US$ 6 milhões para a campanha de 2006", registrou a Procuradoria-Geral da República.

Lula


Cerveró disse não saber se Lula tinha relação com essa mudança, mas ouviu de membros do PMDB, citando nominalmente Jader Barbalho, que eles relataram ter avisado o ex-presidente.

"Lula sabia da utilização da diretoria para fazer essa distribuição de valores ao partidos?", quis saber a procuradora da República Laura Tessler, da força-tarefa da Lava Jato.

"Eu não sei dizer, eu nunca conversava com o presidente Lula, minhas reuniões foram sempre em conjunto com a diretoria, nunca tive uma conversa privada sobre esse assunto. Eu sei que ele tinha as reuniões, e pelas conversas com o Jader, na época, falavam que já tinham levado essa informação de que eu estava sendo apoiado pelo PMDB do Senado, mas não me disseram nada se havia informado o compromisso, quanto que eu teria de contribuir com isso."



25 de novembro de 2016
diário de poder

SEM ANISTIA, SEM APOIO

DEPUTADOS AMEAÇAM RETIRAR APOIO A MAIA
SEM ANISTIA, DEPUTADOS AMEAÇAM TIRAR APOIO À REELEIÇÃO NA CÂMARA

SEM ANISTIA, DEPUTADOS AMEAÇAM TIRAR APOIO À REELEIÇÃO NA CÂMARA


O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), adiou a votação da anistia ao “Caixa 2” de campanha, projeto que beneficiaria muitos políticos enrolados na Lava Jato, após grande pressão popular. Aliados como PSDB, PMDB, PRB e até o PT ameaçam não apoiá-lo mais na briga pela reeleição à presidência da Casa. Atualmente a reeleição é proibida pela Constituição e pelo regimento da Câmara. Para mudar a regra, Maia vai precisar aprovar uma PEC no Congresso. A informação é da coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

Para aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição são necessários maioria de 3/5 de parlamentares, na Câmara e no Senado.

A anistia ao “Caixa 2” foi condição primordial – e pluripartidária – para o apoio da maioria dos deputados à eventual reeleição de Rodrigo Maia.

Até mesmo o PT de Lula e Dilma, enrolado na Lava Jato, prometia apoio à reeleição de Maia, caso a anistia fosse aprovada na Câmara.


25 de novembro de 2016
diário do poder

GRAMPOS TELEFÔNICOS CHEGAM AOS MILHÕES NO PAÍS

PAÍS DO GRAMPO
SÓ A VIVO RECEBE MAIS DE 2 MILHÕES DE ORDENS JUDICIAIS POR ANO

SÓ A VIVO RECEBE MAIS DE 2 MILHÕES DE ORDENS JUDICIAIS POR ANO


O presidente da operadora Vivo, Eduardo Navarro, fez uma revelação chocante, esta semana, durante o Painel do Telebrasil, que reuniu em Brasília operadoras e indústria de telecomunicações e autoridades. No Pais da bisbilhotice, só a Vivo recebe 2 milhões de notificações judiciais por ano, a maioria para escutas telefônicas ou para fornecer listas de telefonemas, com números e duração, em casos de quebra de sigilo. A informação é do colunista Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

Se uma única operadora recebeu 2 milhões de notificações judiciais para bisbilhotar telefones, o Brasil pode ser o recordista mundial

Nos Estados Unidos, onde o combate ao crime não tem tréguas, foram 4.148 escutas autorizadas pela Justiça em todo ano de 2015.

Nos EUA os grampos não são freqüentes em razão do respeito aos direitos e garantias individuais, que para os americanos são sagrados.

A Justiça Federal dos EUA autorizou 1.403 grampos telefônicos em todo o país, em 2015. Menos que a soma das justiças estaduais: 2.745.



25 de novembro de 2016
diário do poder

EX-MINISTRO GRAVOU DESPACHO QUE TEVE COM O PRESIDENTE

QUINTA COLUNA
ELE DIZ TER SIDO 'ENQUADRADO', TEMER DIZ QUE TENTOU ACABAR CRISE

EX-MINISTRO CALERO.


O ex-ministro da Cultura Marcelo Calero gravou sua audiência com o presidente Michel Temer, no Palácio do Planalto, que interpretou como “intervenção em favor dos interesses” do ministro Geddel Vieira Lima (Governo) para liberar uma obra em Salvador. O porta-voz do Palácio do Planalto informou que Temer tentou apenas tentar apaziguar os ânimos entre os ministros que divergiam.

O próprio Calero tem espalhado que gravou suas conversas com o presidente, e também com Geddel e o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) com um gravador amador. A PF informou que a qualidade está péssima, mas a perícia tenta identificar as vozes.

À Polícia Federal, em depoimento espontâneo, Calero afirmou quarta-feira (23) ter sido "enquadrado" pelo presidente para encontrar uma "saída", a fim de que fosse autorizada a continuidade da construção do condomínio La Vue, na capital baiana, no qual Geddel comprou um apartamento.


25 de novembro de 2016
diário do poder

PRISÃO DE ADVOGADOS É NOVO ALERTA SOBRE O CRIME

Não faltam exemplos, em outros estados, de que ações do banditismo obedecem a um movimento que ruma em direção a agravos cada mais frequentes à segurança pública

A operação que resultou na prisão de 33 advogados acusados de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) restringiu-se a cidades de São Paulo, mas suas implicações transcendem os limites do estado. Por diversas razões. Uma delas, o preocupante gigantismo dessa facção do crime organizado, a maior e mais bem organizada do país, cujos tentáculos alcançam também regiões para além das divisas do Brasil com outros países. E não só na ponta da violência e das ações criminais que são o cerne de sua existência, mas igualmente na diversificação de “negócios” e de ligações além fronteiras que lhe rendem milhões.

Há também no episódio alertas a serem ligados na relação entre personagens do mundo legalmente institucionalizado — advogados que, por prerrogativa da profissão, têm livre acesso a presos, e até, por suposição, agentes do Judiciário. A detenção dos 33 defensores denota ainda, do ponto de vista profissional, uma lamentável falência ética e moral, questão que, para além do aspecto criminal, deve ser tratada adicionalmente no âmbito da Ordem que os representa.

A particularidade de, entre os presos acusados de ligação com organização responsável por assassinatos e crimes de toda ordem, estar o vice-presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos acrescenta um lamentável tom irônico ao episódio, além de lhe conferir mais um elemento inquietante, este, muito grave: a influência da facção criminosa sobre organismos institucionais. A descoberta de que o grupo planejou patrocinar a candidatura de uma advogada a deputada em 2010 igualmente ajuda a dimensionar o poder de infiltração da quadrilha nas instituições.

Tanto quanto a letalidade criminal da organização, portanto, o que o desfecho de anteontem desse episódio deixa de advertência é a força do avanço do crime organizado no país. No Rio, a desenvoltura com que as milícias conquistam territórios ou, quando nada, demonstram poder de disputá-los com quadrilhas do tráfico de drogas é outro front de um mesmo problema. De resto, não faltam exemplos, em outros estados, de que a ação desses grupos obedece a um movimento, se não unificado, mas, sem dúvida, que ruma em direção a agravos cada mais frequentes (e mais perigosos) à segurança da sociedade.

´É fato que passos têm sido dados, no campo da legalidade, para conduzir a guerra contra o crime organizado a um cenário mais positivo. O recente encontro de presidentes dos três Poderes para tratar do assunto e o trabalho conjunto do governo brasileiro com autoridades de outros países do continente, algo novo e necessário, são iniciativas importantes no âmbito das ações estratégicas. Deles, é imperioso que decorram programas imediatos de salvaguarda da sociedade com ações integradas e permanentes de segurança pública.

25 de novembro de 2016
Editorial O Globo