"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

TRAPALHADA BOLIVARIANA

 
11 de novembro de 2014
Editorial O Estadão

AJUSTAR OS SINAIS

Governo federal reconhece necessidade de corrigir rumos da política econômica, mas não esboça planos de médio e longo prazo

Depois de reeleita, a presidente Dilma Rousseff (PT) deu sinal claro de que reconhece a necessidade de ajustar a política econômica implementada nos últimos três anos. Foi dúbia a respeito de quão grandes serão, a seu ver, as dificuldades e as correções de rumo, mas não indicou que pretenda empreender reformas amplas.

A elevação da taxa de juros, o reajuste do preço dos combustíveis e as promessas de reduções de gastos excessivos no INSS sugerem que Dilma não quer replicar os erros do primeiro mandato. Há motivos, no entanto, para temer que o novo governo se limite a atenuar esses equívocos.

A presidente tem reiterado que o ajuste não pode ser recessivo ou provocar desemprego. Ocioso dizer que ninguém deseja aumentar a aflição socioeconômica.

O problema não está nas boas intenções, mas na mensagem subjacente aos desejos. Isto é, Dilma pode insistir no programa de estímulos artificiais que exauriu recursos federais e resultou em crescimento quase zero, em inflação persistente e deficit externo em alta.

Por vezes, o governo dá a impressão de que a tarefa se esgota em melhorar sua imagem entre financistas e empresários a fim de granjear apoio político.

Não se trata apenas de retórica, boas relações e confiança, porém; é preciso estabilizar a economia, conter de fato a alta crescente de dívidas, preços, juros e gastos.

Isso feito, o país não estará necessariamente preparado para crescer a um ritmo similar ao dos anos de 2004 a 2010.

Tal como médicos lidam com um paciente abalado, importa restabelecer ou equilibrar os sinais vitais --temperatura, pressão, batimentos cardíacos, oxigenação. Um paciente estável, todavia, não está curado. Só recuperou as condições rotineiras de sobrevivência.

As condições da sobrevida do crescimento no Brasil não estão dadas. Desde 2007 cessaram as mudanças institucionais da economia. Embora exista consenso acerca do imperativo de elevar a produtividade, há controvérsia sobre estratégias de prazo mais longo.

Ainda assim, há tarefas óbvias e imediatas, como incentivar o investimento privado em infraestrutura, reduzir subsídios a grandes empresas, conter excessos na Previdência, remover o entulho burocrático que a todos estorva.

Os planos para tratar de tais assuntos inexistem ou são vagos. Sabe-se apenas da intenção de moderar os estímulos fracassados ao crescimento de curto prazo.

Tal programa, além de tacanho, eleva o risco de que o governo volte a se emaranhar na administração de remendos econômicos, estagnação e aumento da tensão social.
 
11 de novembro de 2014
Editorial Folha de SP

PROF: GARGALO DO ENSINO

 
11 de novembro de 2014
Editorial Correio Braziliense

GOLPISMO E DEMOCRACIA

O motivo principal da preocupação é o fato de uma minoria de manifestantes defender um golpe militar que retire o PT do poder.
Essa reivindicação testa os limites do direito à manifestação e à liberdade de expressão: a democracia deve tolerar manifestações que peçam um golpe de Estado, atentando contra a própria democracia?

Essa pergunta dá margem para uma discussão, no âmbito da filosofia política, tão bela quanto longa; por isso, atenhamo-nos, por ora, ao aspecto legal. Duas leis nos mostram que a solução não é difícil. A primeira é o próprio Código Penal, que em seu artigo 287 proíbe a apologia ao crime. A pergunta que resta para elucidar nosso dilema é: seria o golpe de Estado um crime (cuja defesa seria, então, proibida)?


A Lei de Segurança Nacional (Lei 7.170/83), ainda que seja um resquício de uma época de autoritarismo em nosso país, não deixa de ter conteúdos úteis e meritórios, como o seu artigo 17, segundo o qual é crime “tentar mudar, com emprego de violência ou grave ameaça, a ordem, o regime vigente ou o Estado de Direito”. Como se isso não fosse suficiente, o artigo 22 da mesma lei ainda proíbe “fazer, em público, propaganda: I – de processos violentos ou ilegais para alteração da ordem política ou social (...)”.

Ou seja, a ruptura da ordem institucional por meio de golpe de Estado é tão grave que mereceu até um artigo específico criminalizando a apologia deste ato. Resta evidente que a defesa de um golpe de Estado é crime e, por isso, não tem lugar em nossa sociedade, ainda que essa defesa seja feita da forma mais pacífica possível.

O golpe, no entanto, foi reivindicação de uma minoria. A maioria esmagadora dos manifestantes tinha outros pedidos: auditoria nos resultados do segundo turno (pedido, aliás, aceito pelo TSE) e o impeachment de Dilma.

É aqui que reside um teste não tanto para a liberdade de expressão, mas para nossa própria tolerância: a maneira como reagimos a manifestações legítimas (ou seja, que não consistam em apologia ao crime), mas que pedem algo que nos desagrada.
É natural que apoiadores da presidente se sintam incomodados com o “fora Dilma” e pedidos de impeachment – que, como ressaltamos logo após o segundo turno, nos parecem precipitados por não haver elementos que indiquem que Dilma cometeu crime de responsabilidade –, até porque a presidente acabou de ser reeleita.
Mas classificar essa atitude de “golpismo” é um exagero que desvia a atenção do verdadeiro golpismo pedido por uma minoria nas manifestações. Afinal, se o “fora Collor” e o “fora FHC” (dois presidentes igualmente eleitos por voto popular) foram legítimos, também o “fora Dilma” o é.

Mas mesmo manifestações com plataformas perfeitamente legais podem perder sua legitimidade, dependendo da forma como o protesto se desenrola. Referimo-nos especialmente à violência e ao vandalismo – basta lembrar da triste ação dos black blocs em 2013, no início de 2014 (com o episódio da morte do cinegrafista Santiago Andrade) e durante a Copa do Mundo. Pelo menos no dia 1.º não houve relatos de agressões, nem de depredação do patrimônio público e privado, o que é um fato indubitavelmente positivo.

Manifestações populares são uma forma de exercitar o direito à liberdade de expressão, uma garantia constitucional, ou seja, fazem parte do jogo democrático. Mas, como vimos, não se trata de um direito ilimitado, e não podemos admitir a defesa de golpes de Estado – nesse sentido, é animador observar os relatos de participantes das manifestações do dia 1.º que procuraram convencer os golpistas de que o melhor caminho era o do respeito às instituições democráticas; bem como a atitude daqueles que, liderando os protestos, deixaram claro seu repúdio a qualquer defesa de um golpe militar.


Que a sociedade esteja atenta e vacinada para saber discernir as reivindicações legítimas – ainda que se trate de posições consideradas radicais – daquelas que caracterizam crime; mas que, de forma alguma, se pretenda restringir indevidamente o direito à manifestação que os brasileiros estão, cada vez mais, aprendendo a exercer.

11 de novembro de 2014
Editorial Gazeta do Povo, PR

O CUSTO DO CRIME

Brasil: a violência custou 81 bilhões de euros, ou seja, 5,4% do PIB

É com esse título que o jornal francês Les Echos (equivalente a nosso diário Valor) abre artigo sobre nosso País, publicado em 10 nov° 2014.
 
Prisioneiro 2
 
A matéria baseia-se em recente estudo elaborado pela FGV por encomenda do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Logo abaixo do título, o texto continua no mesmo tom. E cita aqueles dados que nos envergonham, justamente aqueles que desmontam discursos ufanistas e visões otimistas.
 
«Por volta de 45 mil homicídios são cometidos todo ano no Brasil» – é o subtítulo. Diz lá que, pela primeira vez no Brasil – um dos países mais violentos do mundo (sic) –, um estudo calculou o impacto econômico desse flagelo. Chegou à cifra astronômica de 258 bilhões de reais em 2013, que correspondem a 5,4% do PIB.
 
Uma reflexão de Samira Bueno, diretora do Fórum, é citada: «A análise das despesas que compõem esses 258 bilhões mostra uma perversão. Para combater os efeitos da violência, o Brasil gasta o triplo do que investe em políticas públicas de combate ao crime e à violência».
 
No Brasil, os gastos causados pelos efeitos perversos da violência são o triplo do que se investe em políticas públicas de combate ao crime e à violência.
No Brasil, os gastos causados pelos efeitos perversos da violência são o triplo do que se investe em políticas públicas de combate ao crime e à violência.
 
Em outros termos, espera-se que a porta seja arrombada para, em seguida, botar a tranca. Seria mais simples e mais barato prevenir, mas essa receita, embora lógica, não é seguida. Em vez de prevenir, prefere-se esperar que aconteça para, em seguida, correr atrás do remédio.
 
Vamos ser justos: não chegamos à calamitosa situação atual da noite pro dia. O quadro atual é fruto de lenta e secular elaboração. Vem dos tempos de Dom Manuel, o Venturoso. Essa constatação pode até aliviar a culpa dos atuais dirigentes, mas não serve como desculpa para a inação. Não vale dizer «sempre foi assim, não há nada a fazer».
 
by Ricardo Ferraz, desenhista capixaba
by Ricardo Ferraz, desenhista capixaba
 
Vistosas e midiáticas «ações de combate ao crime» são volta e meia organizadas pelo poder público. Batidas, operações, cumprimento em massa de mandados de prisão são alardeados, chegam às manchetes e impressionam. A lástima é que essas ações relâmpago não são seguidas por política de prevenção. E o círculo da violência continua a se autoalimentar.
 
Construir mais e mais presídios pode até ser necessário, mas não traz solução ao problema. Ao contrário, o objetivo deveria ser tornar as prisões cada dia mais supérfluas por falta de inquilinos.
Se não é simples chegar lá, tampouco é impossível.
 
11 de novembro de 2014
José Horta Manzano

VOCÊ SABE COM QUEM ESTÁ FALANDO?

POLÍTICA DO COTIDIANO, DO JORNALISTA CLAUDIO HUMBERTO


11 de novembro de 2014

POBREZA E INFLAÇÃO


11 de novembro de 2014
Miriam Leitão, O Globo

DEPOIS DE REINALDO AZEVEDO, MAIS UM BLOGUEIRO DA VEJA PEDE QUE MANIFESTAÇÕES DEFENDAM A DEMOCRACIA E AS INSTITUIÇÕES



Ontem, Reinaldo Azevedo fez um apelo aos manifestantes para que tenham cuidado com a pauta dos protestos marcados para o próximo 15 de novembro. Leiam aqui. Agora é Rodrigo Constantino, também da Veja, que escreve um post intitulado "No dia 15 de novembro, todos nas ruas contra a República de Bananas". Cliquem aqui. Abaixo reproduzo, com grifos, parte do post de Constantino.

Indivíduos indignados com os rumos de nosso país pretendem se reunir nesse feriado do dia 15 de novembro, que celebra nossa República, para protestar contra o atual governo, a roubalheira impune, o abuso de poder, o autoritarismo, o desejo de controlar a imprensa etc. A mobilização é necessária e muito bem-vinda. O governo teme gente nas ruas, e o PT perdeu esse monopólio.


Por isso mesmo tenta desqualificar essas milhares de pessoas que espontaneamente se manifestam. Quer associar essa gente toda a “movimentos golpistas” ou antidemocráticos, reacionários que não aceitam as regras do jogo. É o contrário! Justamente por desejarem as regras do jogo é que protestam contra o PT, que fez o “diabo” para vencer. Querem investigações para comprovar a lisura do processo, e querem punições para os corruptos.


Todo cuidado é pouco. Sabemos do que essa turma é capaz. Podem até mesmo infiltrar seus agentes nas passeatas para destruí-las de dentro, acusando-as de demandar golpe militar ou algo do tipo. Não! As manifestações devem clamar pelo respeito aos valores republicanos e democráticos, pelo fortalecimento de nossas instituições, e não sua substituição.


Que todos lotem as ruas nesse feriado de nossa República, de forma ordeira e pacífica, com uma mensagem de resgate de uma democracia sólida. Que protestem contra essa “República de Bananas” que o PT vem instalando em nosso amado Brasil!

Vejam que Constantino não está pregando um impeachment da Dilma, mas investigações que certamente, ao serem comprovadas, levarão ao devido processo legal. Tampouco está pedindo para que as eleições sejam anuladas, pois está em andamento um auditoria concedida pelo TSE ao PSDB, maior prejudicado. A lei está sendo seguida, de alguma forma. Defender que a lei seja atropelada é dar munição para a imprensa atacar as manifestações e para o PT tentar desqualificá-los. Foi o que ocorreu com a  presença de meia dúzia de estúpidos que pediam a volta do regime militar, como se nele tivesse existido eleições, fraudadas ou não.  

Nós, os 51 milhões, não somos iguais a eles. Eles defendem golpes, nós defendemos a democracia, o estado de direito e as instituições, mesmo que elas estejam, hoje, tão aparelhadas. É preciso ir para a rua conquistar corações e mentes. Isso só ocorrerá se as pautas levadas pelos manifestantes expressarem o desejo não só dos que estão ali, mas dos cidadãos que devem ser encorajados a voltar para as ruas para defender um país melhor.

11 de novembro de 2014
in coroneLeaks

CINCO FILMES PARA ESTUDAR A DITADURA MILITAR NO BRASIL

            



O período da ditadura militar no Brasil começou com o golpe militar de 1964 que afastou o então presidente João Goulart e, em seu lugar, colocou o Marechal Castelo Branco para governar o país.
O novo regime, que se estendeu até o ano de 1985, impos uma série de atos institucionais anti-democráticos, dentre eles o AI-5 de 1968, que suspendeu a Constituição do país e dissolveu o Congresso, além de criar um processo penal militar que, na prática, dava ao exército o poder de agir como poder judicial.

Foram anos de censura e perseguição política. Grupos de resistência foram criados com ações de guerrilha e manifestações pacíficas. Muitos filmes falam sobre esses anos e a luta dos grupos dissidentes no Brasil. Confira cinco:


Pra Frente Brasil (1982)

Lançado ainda durante a ditadura militar, o filme mostra os anos de chumbo e o período do milagre econômico. Enquanto os brasileiros vibravam com a seleção brasileira de futebol na Copa do Mundo no México, prisioneiros políticos eram torturados e desapareciam nas mãos dos militares.


O Que é Isso Companheiro? (1997)

Filme dirigido por Bruno Barreto, concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro no seu ano de lançamento. A obra conta a história verídica do sequestro do embaixador dos Estados Unidos no Brasil em setembro de 1969 por integrantes de grupos de esquerda que lutavam contra a ditadura militar. Em troca do embaixador, o grupo conseguiu a liberação de diversos prisioneiros políticos.


Batismo de Sangue (2007)

Baseado no livro homônimo de Frei Betto, conta a história de um convento de frades dominicanos do final da deçada de 1960 que se torna uma forte resistência à ditadura militar. Movidos por ideais cristãos, os frades colaboram e apoiam o grupo Ação Libertadora Nacional, à época comandado por Carlos Marighella. O apoio não passa despercebido e os religiosos passam a ser perseguidos por autoridades policiais


Zuzu Angel (2006)

Conta a história verídica da estilista Zuzu Angel, mãe do militante político Stuart Angel Jones, que foi torturado e assassinado pelos militares. Zuzu foi um exemplo de mãe que, antes apolítica, passou a lutar contra o governo pelo direito de reaver o corpo de seu filho assassinado e conseguir justiça.


O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias (2006)

Os pais de Mauro, garoto de doze anos, “saem de férias” inesperadamente em 1970 e deixam o menino com o avô paterno. Na verdade, os dois militantes de esquerda estão fugindo da ditadura militar.
Enquanto espera os pais ligarem, Mauro passa a viver com o vizinho solitário após a morte do seu avô, acompanha o desempenho da seleção brasileira e a vida durante a repressão em um bairro judeu de São Paulo.


11 de novembro de 2014
Amanda Previdelli

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

O LADO STEVE JOBS DE DILMA

Como o gênio da Apple, ela opera com um 'campo de distorção da realidade', mas a conta vai para os outros

Na sua biografia de Steve Jobs, Walter Isaacson mostra que o gênio da Apple operava com um "campo de distorção da realidade". Um sujeito trazia uma ideia, ele dizia que era estupidez e dias depois anunciava que tivera uma grande ideia, a mesma. Se uma ideia dele acabava em encrenca, era de outro. Jobs lidava à sua maneira com a verdade.

A doutora Dilma não é nenhum Jobs, mas confirmou que opera com um campo de distorção da realidade. Ao mesmo tempo em que seu governo anunciava ter aceito o pedido de licença de Sérgio Machado, presidente da Transpetro, soltava a informação de que ele não voltaria ao cargo. Claro, o afastamento do doutor fora uma exigência da empresa que audita as contas da Petrobras. Desde setembro sabia-se que ele estava no catálogo de percentagens mostrado pelo "amigo Paulinho" ao Ministério Público. Em áudio, ele informou que recebera de Machado um capilé de R$ 500 mil.

É comum que se disfarcem os defenestramentos de hierarcas, mas a doutora exagerou. E não foi só nesse caso. Durante os debates da campanha, disse duas vezes que "Paulinho" foi demitido da diretoria da Petrobras. Falso. Ele renunciou e foi elogiado pelo ministro Guido Mantega na ata que registrou seu desligamento.

Dois outros episódios mostram que a doutora opera temerariamente no campo de distorção da realidade. Em 2009 o repórter Luiz Maklouf Carvalho revelou que, apesar de ser apresentada oficialmente como doutora em economia pela Unicamp, ela nunca recebera o título, pois não concluíra o curso. Em setembro passado ela repetiu que "fui para a cadeia por crime de opinião". A jovem Dilma Rousseff foi para a cadeia por ter pertencido a duas organizações envolvidas em atos terroristas. O Comando de Libertação Nacional, que ajudou a fundar, dizia em seu programa que "o terrorismo, como execução (nas cidades e nos campos) dos esbirros da reação, deverá obedecer a um rígido critério político". (Com esse cuidado, em 1968, antes do AI-5, mataram um major alemão pensando que fosse um capitão boliviano).

Steve Jobs adaptava a realidade, mas mexia apenas com os interesses dos acionistas da Apple. A doutora governa um país de 202 milhões de habitantes.

HOMEM-PAIOL

A entrada de Augusto Mendonça no plantel de empresários que estão colaborando com a Viúva nas investigações das petrorroubalheiras pode ultrapassar em importância a adesão do "amigo Paulinho" e do operador financeiro Alberto Youssef.

Mendonça tem mais de vinte anos de experiência no mercado, foi um líder de sua classe e presidente da Associação Brasileira de Empresas de Construção Naval e Offshore.

Seu acervo de informações é mais rico que o de "Paulinho" e mais amplo que o de Youssef.

Se o Ministério Público tiver interesse, Mendonça poderá mostrar estruturas e plataformas de negócios que existiam na Petrobras antes da chegada do comissariado ao poder. Afinal, na Petrobras pode-se demonstrar que Lula se engana quando diz que o Brasil começou em 2003.

EREMILDO, O IDIOTA

Eremildo é um idiota e acha que o ministro Marcelo Nery confundiu-se quando justificou ideia do Ipea de aguardar o resultado da eleição para revelar um estudo que apontava para um pequeno aumento do número de miseráveis em Pindorama.

Ele disse que "a decisão de não divulgar nada no período eleitoral foi tomada de forma autônoma pela diretoria do Ipea para preservar a instituição".

O cretino acha que ele queria dizer o seguinte: "A decisão de não divulgar nada no período eleitoral foi tomada para preservar os diretores da instituição". (E o doutor Nery.)

BASTARDOS GLORIOSOS

Para quem gosta de histórias da Segunda Guerra e de música, está na rede um grande livro. É "Leningrad: Siege and Symphony" ("Leningrado -- O cerco e a Sinfonia, a história de uma cidade aterrorizada por Stalin, esfomeada por Hitler e imortalizada por Shostakovich"). O jornalista inglês Brian Moynahan fez uma prodigiosa narrativa, contando a vida cultural de uma cidade sitiada pelo alemães de 1941 a 1944, enquanto o compositor Dmitri Shostakovich compunha sua Sétima Sinfonia, a "Leningrado". O que aconteceu ali supera Hiroshima, Nagasaki e Dresden. No dia 9 de agosto de 1942 os alemães estavam a 14 quilômetros, as pessoas caíam na rua, mortas de fome, e a orquestra da cidade emocionou o mundo tocando a "Sétima" para uma plateia que não sabia o dia de amanhã. A fome matara 27 de seus músicos e o trompetista que tocaria um solo teve um edema pulmonar durante a execução.

Moynahan conta que em 1941, quando os alemães estavam a poucos quilômetros de Moscou, eram esperados por uma surpresa. Sabia-se que, entrando na cidade, os generais de Hitler iriam para o melhor hotel, o Moskva. Certamente visitariam o Kremlin, gostariam de ver um balé no Bolshoi e, com sorte, confraternizariam com suas bailarinas. O hotel tinha uma tonelada de explosivos no porão. (A equipe que colocou as 58 caixas lá foi fuzilada e a carga só foi descoberta em 2005.) Os palácios e o teatro também explodiriam. Quanto às bailarinas, aprenderam a usar granadas. Era uma versão realista do "Bastardos Inglórios".

ARMA-SE UM PINHEIRINHO 2.0

Em dezembro de 2005 cerca de 100 pessoas invadiram o terreno de uma fábrica desativada em Guaianases, na periferia de São Paulo. Começou-se a escrever ali um capítulo da inépcia da máquina do Estado que poderá resultar num novo e pequeno Pinheirinho, episódio durante o qual a Polícia Militar desalojou cinco mil pessoas que haviam invadido uma propriedade do empresário Naji Nahas, destruindo-lhes as casas.

Os donos do terreno, no exercício do seu direito, requereram a reintegração da posse. O caso arrastou-se por nove anos. O terreno ocupado é hoje parte do bairro de Jardim Lourdes, com 160 edificações de alvenaria, comércio e infraestrutura. A prefeitura demarcou a área como Zona Especial de Interesse e nela só podem ser construídas habitações populares.

A Justiça marcou para o próximo dia 25 a desocupação da área, que resultará no despejo das famílias e na demolição das casas. Numa fracassada audiência de conciliação, moradores ofereceram-se para pagar pelo terreno, cujo valor é inferior ao das casas que serão demolidas.

O poder público não expulsou os invasores, muitos deles venderam os lotes e o mesmo Estado que custeia o Minha Casa, Minha Vida demolirá seus imóveis. Expulsos, os moradores ficarão sem teto e entrarão na fila dos programas de habitações populares. Imagine-se uma hipótese: a família é expulsa, o dono do terreno faz um conjunto popular e a mesma família vai morar no endereço onde existia sua casa.


10 de novembro de 2014
Elio Gaspari, Folha de SP

DESEMPREGO CAIU, ECONOMIA CRESCEU, MAS OBAMA PERDEU AS ELEIÇÕES

 



O desemprego nos Estados Unidos caiu de 10% para 5,9% nos dois governos de Barack Obama, o Produto Interno Bruto cresceu este ano à taxa de 2,4 pontos, mais que o dobro do índice demográfico, mas o presidente dos EUA perdeu disparado as eleições para a Câmara dos Representantes (Câmara dos Deputados) e Senado.
Qual teria sido a causa, ou quais teriam sido as causas do insucesso nas eleições? O assunto foi bem abordado na reportagem de Raul Juste Lores, correspondente da Folha de São Paulo, em Washington, na edição de quinta-feira 6.

Os republicanos conquistaram 243 cadeiras no total de 435, os democratas perderam 21 assentos. Nove para o Partido Republicano, 12 para os relativamente ao Senado, quando estavam em jogo 36 cadeiras, de 53 para 44; os republicanos saltaram de 45 para 52, conquistando a maioria da Casa. Sobraram 3 independentes e 1 indeciso. Pela primeira vez na história, desde a guerra de secessão (1860-1864), a Carolina do Sul elegeu um senador negro, Tim Scott.

Desta vez, o Partido Republicano foi às telas da propaganda política, às ruas e às urnas, com teses maias liberais do que em pleitos anteriores, derrotando internamente o Tea Party, ala fortemente conservadora. Mas a tradução do episódio não é apenas essa. Existe principalmente uma rejeição ao governo Obama, segundo pesquisas divulgadas antes do pleito, na base de 55 contra 45%. Plebiscitos em vários estados aprovaram a plataforma de aumento do salário mínimo, destaca a matéria.
O Plano Federal de Saúde foi combatido pelos republicanos, da mesma forma que a política externa, no que se refere ao combate ao Jihad (Estado Islâmico) e a concessão de cidadania aos imigrantes que se encontram há muitos anos no país, desde que não possuam antecedentes criminais.

OBAMACARE

Com isso o chamado Obama Care encontrará dificuldades no Congresso, rejeitado mais de uma vez pela Câmara de Representantes, mas aprovado pelo Senado. O Partido Republicano era maioria naquela Casa, mas minoria no Senado, que garantia a liberação das verbas para o programa de saúde aberto a toda população. A partir de agora, o Partido Republicano é majoritário na Câmara e no Senado. Obama – acentua Raul Juste Lores – encontrará dificuldades, embora ´provavelmente será obrigado a usar seu poder de veto em algumas situações que provavelmente serão colocadas pela oposição.

Os bombardeios realizados sobre os centros jihadistas no Iraque e na Síria foram explorados eleitoralmente pela oposição como sinal de que, de uma hora para outra, o envolvimento pode se aprofundar levantando a perspectiva do surgimento de um novo Vietnam, ou uma nova guerra no Iraque, o que levaria à convocação em futuro próximo de jovens, como aconteceu no passado. No passado encontra-se também, embora mais distante, a guerra da Coreia, que começou em 1950 e terminou em 1953. As famílias americanas temem, como é natural, a convocação de seus filhos e netos, como está na memória da população.

Enfim o impasse está colocado esperando soluções de consenso, como o quadro político passou a exigir. O próprio Obama reconheceu isso na entrevista coletiva na noite de 4 de novembro após a verdade confirmada pelas urnas e antecipada pelas pesquisas. Esta noite, disse em tom conciliador, foi republicana.

10 de novembro de 2014
Pedro do Coutto

O HUMOR DO ALPINO

 

 
 
10 de novembro de 2014

AGORA É GUERRA TOTAL CONTRA OS BRICS

 



Apertem os cintos, a guerra de informação já desencadeada contra a Rússia deve expandir-se para Brasil, Índia e China.

Brasil, Rússia, Índia e China, como o mundo inteiro sabe, são os quatro principais países do grupo BRICS de potências emergentes, que também inclui a África do Sul e em futuro próximo incorporará também outras nações do Sul Global.
Os BRICS perturbam imensamente Washington – e sua Think-Tank-elândia – porque são a corporificação do impulso concertado do Sul Global rumo a um mundo multipolar.

Podem-se apostar garrafas de champanhe crimeano que a resposta dos EUA a esse processo deve ser alguma espécie de guerra total de informação – não muito diferente, em espírito, do “Conhecimento Total de Informação” [orig. Total Information Awareness (TIA)], elemento central da Doutrina da Dominação de Pleno Espectro, do Pentágono. Os BRICS são vistos como importante ameaça –, e conseguir contratorpedeá-los implica dominar toda a grade informacional.

Vladimir Davydov, diretor do Instituto de América Latina da Academia de Ciências da Rússia, acertou o olho do alvo quando observou que “a situação atual mostra que há tentativas para suprimir não só a Rússia, mas também os BRICS, dado que o papel global daquela associação só faz crescer.”

BICHO-PAPÃO

A demonização da Rússia escalou rapidamente nos EUA, das sanções relacionadas à Ucrânia, para Putin o “novo Hitler” e a ressurreição do bicho-papão bem testado ao longo da Guerra Fria, tipo “Os Russos estão chegando”.

No caso do Brasil a guerra de informação já começou antes da reeleição da presidenta Dilma Rousseff. Assim como Wall Street e suas elites comprador locais faziam de tudo para bombardear o que definem como economia “estatista”, Dilma foi também pessoalmente demonizada.

Passos não inimagináveis para futuro próximo talvez incluam sanções contra a China, por causa de sua posição “agressiva” no Mar do Sul da China, ou Hong Kong, ou Tibet; sanções contra a Índia por causa do Kashmir; sanções contra o Brasil por causa de violações de direitos humanos ou excesso de desflorestamento. Seletos diplomatas indianos, lamentam, off the record, que o primeiro dos BRICS a ser afivelado sob pressão será a Índia.

MAIS COMUNICAÇÃO

Georgy Toloraya, diretor executivo da Comissão Nacional Russa de Pesquisa sobre os BRICS, lembra que hoje, pelo menos, há “mais e mais comunicação acontecendo pelos canais BRICS.”
Os brasileiros, por exemplo, estão particularmente interessados em cooperação de investimentos.

O Banco de Desenvolvimento dos BRICS será realidade já em 2015. E uma equipe russa está preparando relatório detalhado sobre perspectivas futuras para cooperação entre os BRICS, para ser discutido em Pequim, em profundidade, durante uma semana, enquanto acontece a reunião de cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico [orig., Asia-Pacific Economic Cooperation, APEC].

Dado que os BRICS são tijolos realmente chaves na construção de um sistema global de relações internacionais e um sistema financeiro mais inclusivos – e não há outros no mercado –, eles que, pelo menos, mantenham-se bem alertas. Se não, cada um deles será abatido, um depois do outro.

(artigo enviado por Sergio Caldieri)

10 de novembro de 2014
Pepe Escobar
Rússia Today

NAS URNAS, URUGUAI REJEITA REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL

 




Na semana passada, enquanto os eleitores de Dilma Rousseff comemoravam a reeleição da candidata à presidência da República no Brasil, outro grito emocionado de alívio soava na sede da Comissión Nacional No a la Baja, em Montevidéu, no Uruguai.
Após a realização de um plebiscito para decidir sobre a diminuição ou não da maioridade penal de 18 para 16 anos no país, mais de 53% da população uruguaia se posicionou contra a redução.

A proposta de reforma seria aprovada caso a campanha pelo “Sim à redução” obtivesse mais de 50% dos votos. Ela alteraria o artigo 43 da Constituição do Uruguai, prevendo que jovens a partir dos 16 anos fossem julgados como adultos caso cometessem crimes de furto, roubo, extorsão, lesões graves ou gravíssimas, sequestro, estupro, homicídio ou homicídio qualificado.
Além disso, propunha que a ficha pregressa de jovens não fosse desconsiderada e passasse a ser levada em conta nos processos penais a que fossem submetidos após completarem 16 anos.

A comissão contrária à medida, composta majoritariamente por jovens apartidários, chamava atenção para a constatação de que o endurecimento das políticas de penalização de jovens não repercute na contenção da violência. Fabiana Goyeneche, Zelmar Lucas e Frederico Barreto foram algumas das vozes do movimento uruguaio “No a la baja”, que levava como símbolo o voo livre do colibri. Já a campanha pela redução foi liderada pelo então candidato à presidência do Partido Colorado, Pedro Bordaberry, filho do ditador uruguaio, Juan María Bordaberry, condenado em 2006, por tortura, sequestro, desaparecimento e assassinato de pessoas durante o seu regime.

A vitória dos uruguaios contrários à intensificação das penalizações contra jovens deve ser celebrada por todos aqueles que não acreditam no cárcere como suposta forma de “reeducação” ou solução de conflitos. Entretanto, ela não significa em absoluto a interrupção do avanço de forças políticas punitivas na América Latina.

Em terras brasileiras, a formação de um Congresso composto em grande medida por deputados e senadores representantes da chamada bancada da bala, com propostas de endurecimento de penas que incluem a redução da maioridade penal por aqui, indica que a luta persiste e se deve tomar fôlego para os próximos anos.

Atingimos em 2014 a marca de 711 mil pessoas presas. Em 2012, os dados do Departamento Penitenciário Nacional já indicavam que mais da metade da população prisional do Brasil era composta por jovens entre 18 e 29 anos. É a nossa juventude que se encontra atrás das grades.

Ademais, considerando a atual política de atendimento socioeducativo a adolescentes em conflito com a lei, pode-se afirmar que a maioridade penal no Brasil já foi reduzida para 12 anos, idade em que meninas e meninos que praticam atos infracionais são levados às instituições de internação, que nada mais são do que presídios para jovens.

As chamadas medidas socioeducativas não passam de eufemismos para a pena propriamente dita. Procedimentos processuais tais como a prisão preventiva de adultos são reproduzidos pelo sistema de atendimento socioeducativo por meio das Unidades de Internação Provisória (UIPs).
Denúncias de torturas, maus-tratos, espancamentos e isolamentos nas chamadas “celas de seguro” são frequentes nas unidades de internação.

Ao trancar jovens em instituições espelhadas no modelo prisional, a justiça se apropria não somente de seus corpos, mas também de seus sonhos e perspectivas de transformação da própria realidade social.
Considerando que quem habita estas prisões juvenis são infalivelmente os adolescentes pobres e de bairros periféricos, o dito sistema de atendimento socioeducativo inicia o crivo criminalizador da miséria, consolidado pelo sistema penal adulto.

Nesse sentido, fixar a idade penal em faixas etárias cada vez menores ratifica a já conhecida seletividade da justiça criminal, ampliando seu alcance para as gerações que se esforçam em florescer. Que o êxito uruguaio fortaleça o combate às prisões para jovens no Brasil e em toda a América Latina. E que voem os colibris!

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG - A realidade do Uruguai é completamente distinta da situação do Brasil. A população é muito pequena (menos de 3,5 milhões de habitantes) e a criminalidade juvenil lá não chega a ser dos problemas mais aterradores. Enquanto isso, no Brasil… (C.N.)

10 de novembro de 2014
Ricardo Urquizas Campello
Estadão