"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

domingo, 30 de março de 2014

VIGAS SEM VIG (I)AS!


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https://www.youtube.com/watch?v=Y8XAdypy8CU&feature=player_embedded


As famosas 6 vigas da Perimetral (RJ) que “desapareceram” de um depósito no Caju, podem nem ter chegado lá.
Não é uma teoria absurda se lembrarmos de um esquema muito comum praticado desde que os governantes perceberam como obter lucro com obras (muitas desnecessárias) públicas.
Em síntese, o grande esquemão funciona assim:
- o contrato da obra é superfaturado antes do início da mesma, no momento da assinatura do acordo. Aí já estão definidas as parcelas que caberão a cada signatário. Mais uns trocados para os capatazes, motoristas, vigias e fiscais. O bando a ser alimentado é grande. Por isto os valores são triplicados.
Supondo que para cimentar as bases de 500 colunas de um viaduto sejam necessárias 300 viagens de caminhões de cimento, são especificadas 600 viagens. Somente os engenheiros são capazes de efetuar os cálculos corretos. Portanto, nenhum jornalista vai contestar tal planilha. E o fiscal já está “convencido”.
Supondo que cada um dos 10 caminhões contratados consigam fazer 5 viagens por dia, nos mapas são lançadas 10 chegadas dos veículos. Uma proeza de encantar qualquer técnico de trânsito que estuda o caos nosso de cada dia.
Na retirada de entulhos o esquema é similar. Se bastam 50 viagens para limpar o canteiro de obras, são registradas 100 viagens. E grande parte deste material ainda é aproveitada para obras na residência de um figurão que possui casa numa aprazível área turística.
Já deu para perceber as dezenas de artimanhas montadas para elevar custos (que pagaremos sem chiar) e engordar as contas bancárias dos malandros.
Então a suposição abaixo tem boas possibilidades de ter acontecido.
Nas viagens (ao longo do dia, à vista de todos) para transferir as vigas da Perimetral (RJ) para um depósito no Caju, a cada 50 viagens, uma era desviada para outro endereço tomando-se o cuidado de efetuar a “chegada” da peça ao local definido no documento oficial.
Portanto, elas não sumiram furtivamente nas madrugadas sem a luz do luar.
Por isto nada foi detectado nas “imagens” de datas onde nada aconteceu.
Se Holdini não deixou nenhum aluno aqui para sumir com artefatos em seus números de mágicas, tente nos fornecer mais uma hipótese para a “evaporação” de tais peças numa época em que satélites encontram chaveiros no deserto.
 
30 de março de 2014
Haroldo P. Barboza, Professor e Escritor, é Autor do livro: Brinque e cresça feliz.

A MALDIÇÃO DA LINGUAGEM RACIAL


Carolus Linnaeus (Lineu), o pai fundador da taxonomia biológica, sugeriu uma divisão da espécie humana em quatro raças: europeanus (brancos), asiaticus (amarelos), americanus (vermelhos) e africanus (negros). Naturalmente, explicou Linnaeus, a raça europeia era formada por indivíduos inteligentes, inventivos e gentis, enquanto os asiáticos experimentavam inatas dificuldades de concentração, os nativos americanos deixavam-se dominar pela teimosia e pela irritação e os africanos dobravam-se à lassidão e à preguiça. Isso foi em meados do século XVIII, na antevéspera do surgimento do “racismo científico”. Como admitir que uma linguagem paralela seja utilizada por Ricardo Noblat, um jornalista culto e respeitado, na segunda década do século XXI?

O presidente do STF, Joaquim Barbosa, moveu representação contra Noblat, acusando-o dos crimes de injúria, difamação e preconceito racial. Três frases numa coluna do jornalista publicada no GLOBO (18 de agosto de 2013) formam um alvo legítimo da representação criminal: “Para entender melhor Joaquim acrescente-se a cor — sua cor. Há negros que padecem do complexo de inferioridade. Outros assumem uma postura radicalmente oposta para enfrentar a discriminação.” Noblat resolveu “explicar” Joaquim Barbosa a partir de presumidos traços gerais do caráter dos “negros”: é Lineu, no século errado...

As três frases deploráveis — e preconceituosas, sim! — oferecem aos “negros” as alternativas de sofrerem de “complexo de inferioridade” ou de arrogância, que seria a “postura radicalmente oposta”. Contudo, no conjunto do raciocínio, há algo pior: a cassação da personalidade de Joaquim Barbosa, a anulação de sua individualidade. Joaquim não existe como indivíduo, mas como representação simbólica de uma “raça”; ele é o que é pois “sua cor” esculpe sua alma — eis a mensagem de Noblat. Podemos aceitar assertivas sobre caráter e atitudes baseadas na “raça” dos indivíduos? Essa é a questão que Joaquim Barbosa decidiu repassar para tribunais criminais.

O problema de fundo da representação é que o Estado brasileiro oficializou as “raças”, por meio de políticas raciais adotadas pelo Executivo, votadas pelo Congresso e avalizadas pelo Judiciário — inclusive, pessoal e diretamente, por Joaquim Barbosa. De acordo com as políticas raciais em vigor, fundaram-se “direitos raciais” ligados ao ingresso no ensino superior, na pós-graduação e em carreiras do funcionalismo público.

Os indivíduos beneficiários das cotas privilegiadas são descritos como “representantes” de uma “raça” — do presente e, também, do passado histórico dos “negros”. Foi o próprio Estado que introduziu a “raça” (e, com ela, a linguagem racial!) no ordenamento político brasileiro. Os juízes que darão um veredicto sobre a ação contra Noblat provavelmente circundarão o problema de princípio — mas isto não o suprime.

Na democracia, a linguagem tem importância maior que a força. A linguagem racial introduziu-se entre nós a partir do alto. Pais são compelidos a definir a “raça” de seus filhos nas fichas de matrícula na escola. Jovens estudantes devem declarar uma “raça” nos umbrais de acesso às universidades. Na política, a cor e a “raça” converteram-se em referências corriqueiras.

Lula da Silva invocou a cor da pele de Joaquim Barbosa como motivação para sua indicação ao Supremo (algo mencionado, aliás, em outra linha da coluna de Noblat). “Brancos” e “negros”, essas entidades da imaginação racial, transformaram-se em objetos discursivos oficializados. Joaquim Barbosa tem sua parcela de responsabilidade nisso, junto com seus colegas do STF.

Cotas raciais não existem para promover justiça social, mas para convencer as pessoas a usarem rótulos de identidade racial. Anos atrás, um amigo dileto confessou-me que, para produzir artigos contrários às políticas de raça, tinha de superar uma profunda contrariedade íntima. Perdemos cada vez que escrevemos as palavras “branco” e “negro”, explicou-me com sabedoria, pois contribuímos involuntariamente na difusão da linguagem racial. Raças não existem — mas passam a existir na consciência dos indivíduos quando se cristalizam na linguagem cotidiana. Caminhamos bastante na estrada maldita da naturalização das raças, como atesta a coluna de Noblat.

Na sua defesa, Noblat talvez argumente que apenas jogou de acordo com as regras implícitas nas políticas de raça julgadas constitucionais por um STF pronto a ignorar as palavras da Lei sobre a igualdade entre os cidadãos. Seu advogado poderia dizer que o jornalista não inventou a moda de julgar as pessoas pela cor da pele — que isso, agora, é prática corrente das autoridades públicas e das universidades. Mas ele continuará errado: a resistência à racialização da sociedade brasileira exige, antes de tudo, que se rejeite a linguagem racial. Temos a obrigação de ser subversivos, de praticar a desobediência civil, de colocar os termos “raça”, “brancos” e “negros” entre as devidas aspas.

A “pedagogia da raça” entranhou-se nas políticas de Estado. Dez anos atrás, um parecer do Conselho Nacional de Educação, que instruiu o “Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana”, alertou os professores sobre “equívocos quanto a uma identidade humana universal”.

Segundo o MEC, os princípios da Declaração Universal dos Direitos Humanos constituem, portanto, “equívocos”: humanidade é uma abstração; a realidade encontra-se nas “raças”. As três frases de Noblat, que abolem a individualidade de Joaquim Barbosa, situam-se no campo de força daquele parecer. A resposta antirracial a elas pode ser formulada em duas frases simples — mas, hoje, subversivas:

1) Joaquim Barbosa é igual a todos os demais seres humanos, pois existe, sim, “uma identidade humana universal”;

2) Joaquim Barbosa é um indivíduo singular, diferente de todos os demais seres humanos, que são diferentes entre si.
 
30 de março de 2014
Demétrio Magnoli é Sociólogo. Originalmente publicado em O Globo em 27 de Março de 2014.

ESPIONAGEM EM CASA



 
Uma das preocupações permanentes das grandes potências — e também das médias e pequenas, embora a maioria não tenha recursos para tomar as providências necessárias — é manter bem guardados os seus segredos. Principalmente aqueles que podem transformar amigos em inimigos, ou, pelo menos, em amigos desconfiados.

No momento, o governo americano está com uma batata extremamente quente nas mãos. Não é batata recente: há quase um ano a opinião pública ficou sabendo que a poderosa Agência de Segurança Nacional (NSA) tem um sistema de espionagem vasto e secreto.

Isso deveria ser louvável e tranquilizador para a opinião pública, não fosse por circunstância lamentável: o governo espiona em grande escala cidadãos americanos em território americano. É uma consequência da descoberta, no fatídico episódio do 11 de setembro, de que o país, como o resto do mundo, não era invulnerável a atos terroristas.

A espionagem doméstica não deixa de ser uma arma de defesa do governo e dos cidadãos. Mas tudo depende da escala e da existência provada do risco de terrorismo doméstico. Pelo visto, a NSA exagerou na dose. Principalmente, numa coleta em massa de telefonemas domésticos de cidadãos americanos. E é importante registrar que até hoje, que se saiba, essa invasão da privacidade individual não produziu qualquer revelação sobre ações ou planos de sinistros terroristas.

Até agora, tanto o presidente Obama quanto o Congresso estão dando os primeiros passos na elaboração de um projeto que proteja os cidadãos do que se pode chamar de curiosidade excessiva do Estado.

Foi marcada para esta semana a apresentação pelo Departamento de Justiça de uma proposta de reforma do programa de coleta de dados telefônicos. É o mesmo que foi revelado no ano passado por Edward Snowden, um ex-prestador de serviços da CIA, para grande indignação da opinião pública e nenhuma outra consequência até agora.

Na verdade, o problema é comum a todos os regimes democráticos: frequentemente, sentem a necessidade de arranhar a democracia para mantê-la forte. Não se conhece solução perfeita para essa contradição.
 
30 de março de 2014
Luiz Garcia é Jornalista. Originalmente publicado em O Globo em 27 de Março de 2014.

DEMOCRACIA


Os impasses que o Congresso Nacional criou no tortuoso processo de votação do Marco Civil da Internet foram acompanhados por muitos debates nas redes sociais. Vários comentários terminavam assim: “a democracia...” As reticências podiam ser interpretadas de diferentes maneiras. Elas expressavam condenação? Ou escondiam elogio realista, tomando os problemas como parte do jogo democrático? Quem costuma ler minha coluna já deve ter percebido que gosto de ambiguidade. Mas não neste caso. Tomo posição clara: democracia é valor central, insubstituível, no meu pensamento. Colocá-lo em dúvida é atitude muito perigosa.

Não suporto gente que diz que vivemos em “suposta democracia”. Não estou contente com a situação do país hoje, é claro. Mas temos condições institucionais para combater o que consideramos errado e melhorar o que já conquistamos. Obviamente, isso dá muito trabalho. (A batalha do Marco Civil, desde sua pioneira redação coletiva, prova que trabalho duro pode dar bons resultados.) Zuenir Ventura foi certeiro — sábado, neste jornal — na identificação de posturas preguiçosas cada vez mais comuns no nosso ambiente atual: a “indignação resignada” e o “inconformismo conformado”, “sem poder de transformação”, ou — pior — com nostalgia da ditadura. Sua percepção: “nas palestras e debates desse concorrido ciclo sobre os 50 anos do golpe, a democracia tem sido muito questionada, principalmente pelos jovens”.

Não é só parcela da juventude brasileira que faz esse tipo de questionamento. A revista “The Economist” — que desde o “fim da História” muitas vezes parece se comportar como governante do planeta, inclusive pedindo demissões de ministros mundo afora (é mais uma dessas instituições globalizadas que não foram eleitas por ninguém, mas que querem atuar como nossos xerifes) — publicou recentemente ensaio de seis páginas com o título “O que deu errado na democracia”. Tudo termina em receitas para o revigoramento democrático, mas passa até por declarações de professores universitários chineses que — com petulância inflada por crescimento econômico autoritário, não tão atingido pela crise de 2008 (que ainda sacode e União Europeia e desemprega muita gente dos EUA) — agora ganham notoriedade ao declarar que “a democracia está destruindo o Ocidente”.

O ensaio da “Economist” não cita David Runciman, mas muitos de seus parágrafos parecem dialogar com as ideias inspiradoras/inovadoras (mesmo sendo volta a Tocqueville) que esse professor de política e fellow do Trinity Hall de Cambridge publicou em “The confidence trap”, livro lançado no final de 2013 com o subtítulo “Uma história da democracia em crise da Primeira Guerra ao presente”. Nunca tinha ouvido falar em Runciman. Pesquei seu nome na conversa entre Brian Eno e Danny Hillis que comemorou os dez anos de seminários da Long Now Foundation, organização que pretende pensar nossos próximos cem séculos. Eno também indicou “The confidence trap” para a biblioteca que a Long Now está montando com cerca de 3.500 livros para formar um “Manual de civilização”.

Entre as epígrafes do livro de Runciman encontramos Samuel Beckett ordenando: “Tente novamente. Fracasse novamente. Fracasse melhor”. Esse é um bom resumo: a cada capítulo encontramos a história de um “fracasso” da democracia, quando muita gente poderosa anunciava que ela não tinha futuro, ou que algum regime autoritário seria seu futuro. Diante de tantas ameaças, a democracia acaba gerando duas reações oscilantes, cada uma com suas armadilhas: de um lado, a complacência (as lições do passado democrático indicam que no final vamos escapar de mais um aparente beco sem saída; então ninguém precisa batalhar pela transformação); do outro, a impaciência sem noção (a democracia promete mundos e fundos, mas sempre tem problemas de delivery, por isso todos seus governos eleitos geram decepção).

Em “The confidence trap”, aprendemos que, no longo prazo, a democracia se fortalece com todas essas crises e queixas, muddling through (expressão adorada por Eno, de difícil tradução, pois mistura resolução com trapalhada) todas as ameaças, escapando da derrocada na última hora. Essa capacidade de adaptação diante do imprevisível é uma das vantagens da democracia diante da rigidez do caminho único (e sem críticas internas) das ditaduras. Ainda que, no curto prazo, tudo pareça estar dando errado, numa sucessão de escândalos, no final — até agora — a democracia prevalece. Parabéns a todos nós pelo Marco Civil da Internet. Como sempre na história democrática, não é hora de descansar: continua a luta (primeiro no Senado) para que sua defesa da liberdade seja respeitada e aprimorada.
 
30 de março de 201
Hermano Vianna é Jornalista. Originalmente publicado em O Globo em 28 de Março de 2014

NOTAS POLÍTICAS DO JORNALISTA JORGE SERRÃO

ALÉM DA COMPRA SUPERFATURADA, PETROBRAS TERÁ DE EXPLICAR COMO IGNOROU DÍVIDAS BILIONÁRIAS DA PASADENA

Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

A refinaria de Pasadena – comprada por US$ 1,18 bilhão - tem um passivo ambiental de pelo menos US$ 7 bilhões. Assim que for confirmada esta informação que circulava ontem no mercado acionário dos EUA, ficará evidente que a rápida operação de venda-e-compra da instalação petrolífera texana tende a ser um dos maiores estelionatos da história do mundo do Petróleo. O mais importante, agora, é esclarecer, na Justiça, como dirigentes da Petrobras e de seu acionista controlador, o governo brasileiro, caíram neste legítimo golpe do ouro negro dos tolos.

Além dos US$ 7 bilhões por danos ao meio ambiente, a Petrobras corre o risco de ser condenada pela justiça do Texas a pagar uma outra dívida – só que milionária. Há nove anos, o condado de Harrys cobram US$ 6 milhões em impostos devidos. Embora a refinaria fique em uma área isenta de tributos federais e alfandegários, precisa compensar, financeiramente, o condado, pelas vantagens tributárias. Quando comprou a Pasadena, a Petrobras teria obrigação de saber sobre as dívidas – incluindo o mega passivo ambiental, que nos EUA causa grandes prejuízos aos cofres das empresas de energia, sobretudo as petrolíferas.

Tudo foi feito de forma precipitada no caso Pasadena – agora apelidado, nos meios políticos e empresariais, de “Passadilma” ou “Passagrana”. A due dilligence - avaliação da situação jurídica e financeira da refinaria ultrapassada tecnologicamente - foi feita em apenas 20 dias. Os estudos sobre a saúde da refinaria foram feitos no escritório da Astra, entre 23 e 27 de janeiro de 2006, com a ajuda do consultores da BDO Seidman e da então diretora financeira da Astra, Kari Burke. Agora, será preciso apurar se o negócio foi feito na base da inacreditável incompetência, por culposa conivência ou por um doloso e corrupto esquema de estelionato.  

Em 2006, a Petrobras pagou US$ 360 milhões por 50% da refinaria. Foram US$ 190 milhões pelos papéis e US$ 170 milhões pelo petróleo que estava em Pasadena. O valor foi muito superior aos US$ 42,5 milhões pagos um ano antes pela belga Astra Oil na compra da refinaria inteira. Em 2008, a Petrobras e a Astra Oil se desentenderam e uma decisão judicial, graças à cláusula contratual de “put option”, forçou a estatal brasileira a comprar a parte que pertencia à empresa belga.

No final das contas, a aquisição da refinaria de Pasadena acabou custando US$ 1,18 bilhão à Petrobras. “Apenas” 27 vezes o que a Astra tinha pago. O fato grave é que o comitê de negociação com os belgas teve a participação direta de Paulo Roberto Costa, então diretor da BR Distribuidora, e que agora foi preso pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que investiga um megaesquema de lavagem de R$ 10 bilhões em recursos públicos desviados por corrupção.

O escândalo Pasadena é agora investigado pelo Tribunal de Contas da União, Comissão de Valores Mobiliários, Polícia Federal e Ministério Público Federal – também correndo alto risco de acabar devassado por uma perigosa CPI em plena campanha reeleitoral. O escândalo também é acompanhado pela Securities and Exchange Commission – xerife durona do mercado de capitais nos EUA. Tem tudo para se transformar em processo de investidores na Corte de Nova York – em cuja bolsa de valores ações da Petrobras são negociadas.

Vai ou não vai?


Outro caso pode ser ainda pior que Pasadena. Em 2007, a Petrobras comprou, por US$ 71 milhões, uma refinaria japonesa com o irônico nome de “Nansei” (pronúncia preferida por 11 entre 10 petralhas para justificar falcatruas por eles cometidas). A então ministra da Casa Civil e presidente do Conselho de Administração da Petrobras, Dilma Rousseff, justificou a compra com base em um relatório elaborado pelo mesmo diretor internacional Nestor Cerveró que já tinha aprovado o negócio de Pasadena. Até agora, a Petrobras já gastou o triplo do valor da compra em problemas ambientais e forçadas melhorias na unidade que fica na cidade japonesa de Okinawa.

Não adianta Dilma agora negar que soubesse inteiramente do negócio – como fez com Pasadena, embora o assunto tenha sido tratado, oficialmente, em pelo menos cinco reuniões do conselho da Petrobras, conforme as atas de reunião entre 2006 e 2012 (1.268, 1.301, 1.303, 1.320 e 1.368). No caso da refinaria Nansei (que nome sugestivo), Dilma chegou a justificar: "a aquisição estava alinhada com a estratégia geral da companhia (...) no que se referia ao incremento da capacidade de refino de petróleo no exterior" e ressaltou que "a refinaria detinha uma vantagem (...) por possuir um grande terminal de petróleo e derivados".

A regra é clara. Como a Petrobras é uma empresa controlada pela União, o Presidente da República, sua diretoria e conselheiros administrativos e fiscais são os responsáveis diretos por seu sucesso ou fracasso de gestão. Por isso, o Presidentro Luiz Inácio Lula da Silva e a Presidenta Dilma Rousseff, junto com o conselho diretor da estatal de economia mista, têm de responder, individualmente, na Justiça, por prejuízos gerados por tomadas de decisão com característica de má gestão ou comprovada corrupção.

Empréstimo estranho

Um novo escândalo deve bater á porta da endividada Petrobras.

A estatal de economia mista teria feito um estranho “empréstimo”, em vultosa quantia à empresa de telefonia Oi.

A transação seria baseada em projeto de cooperação na área de telecomunicações – serviço essencial à infraestrutura da petrolífera.

Xô, CPI!


Alta velocidade

Do empresário Eduardo Machado, liderança jovem da Associação Comercial do Rio de Janeiro, ironizando, no Facebook, a altíssima velocidade com que se decidiu a compra da refinaria Pasadena:

“Sou efetivamente obrigado a dar os parabéns ao Governo Federal, sob a liderança da Presidente Dilma pelo recorde mundial obtido. Fazer uma "due diligence" completa de uma refinaria no exterior e encaminhar o processo de aprovação e compra em 20 dias é algo que só seria vencido se a LUZ fosse contratada para fazer todo o processo!”

O perigo, caro Eduardo Machado, é os caras contratarem a Luz a preços superfaturados, causando ainda mais prejuízos à Eletrobras...

Dança das cadeiras


Voltando a ficar por cima da carne seca como novo ministro de Relações Institucionais, responsável pela articulação política do desgoverno, o experiente sindicalista de resultados Ricardo Berzoini já chegou avisando que o governo vai para a ofensiva na CPI da Petrobras:

“Não há motivo para ficarmos na defensiva. Vamos para a ofensiva, vamos mostrar o que foi a Petrobras no governo Fernando Henrique (Cardoso) e o que é a Petrobras nos governos Lula e Dilma. Está claro que o interesse é eleitoral, não há qualquer interesse de investigação sério e o caso (Pasadena) já está sendo investigado pelas autoridades competentes, que são menos sujeitas à contaminação política”.

O deputado Ricardo Berzoini toma posse às 11 horas de terça-feira que vem, dia 1º de Abril, Dia da Mentira, na Secretaria de Relações Institucionais (SRI), substituindo a gloriosa ministra Ideli Salvatti, transferida para a Secretaria de Direitos Humanos (SDH). 

Sem Passadilma?

Berzoini também só faltou jurar por Deus que não existe movimento para a volta de Lula no lugar da Dilma do Chefe:

“Quem perder seu tempo com isso vai gastar energia sem produzir nada, é dispersão gratuita de energia. A presidenta Dilma é a nossa candidata e vai vencer as eleições”.

Berzoini tem toda a razão e fala a verdade: como substituir Lula pela Dilma, se Lula nunca saiu do governo, onde reina como Presidentro?

Recordar é ficar PT da vida

Berzoini era presidente do PT na campanha da reeleição de Lula, em 2006, quando veio à tona o escândalo dos aloprados.

Na época, petistas foram presos pela Polícia Federal tentando comprar um dossiê contra o PSDB.

Mesmo tendo sido ministro da Previdência Social e do Trabalho na gestão Lula, Berzoini acabou afastado do cargo e da coordenação da campanha.

Dia 31 de março

O Tenente Brigadeiro Ivan Frota, em nome da Comissão Interclubes Militares-CIM, convida para o evento "Jubileu de Ouro do Movimento Democrático e Libertador de 1964".

Será na  sede Clube de Aeronáutica na Barra da Tijuca (Av. Rachel de Queiróz, S/N), a partir das 10 horas desta segunda-feira.

O general de Brigada na reserva Álvaro Pinheiro tendo como tema "A Experiência Brasileira nas Operações Contra Forças Irregulares".

Dia Primeiro de Abreu


Advogada dos Diabos

Piada séria que circula no maravilhoso mundo engraçado da internet, até que a futura regulação autoritária do Marco Regulatório assim o permita:

Uma veterana advogada vai entrando em um motel com seu amante, quando vê, de repente, seu marido, um conselheiro empresarial setentão, saindo com outra mulher, bem mais novinha e gatinha.

Aí a profissional do Direito grita, sem dar um segundo sequer para a outra parte se defender:

- Aháááááá! Maldiiiiiiiito! Cafajeeeeeste! Cachooooorro! Canalha! Traidor! Bem que me avisaram... Seu safado! E não adianta mentir não... Te peguei em flagrante delito, seu sem vergonha! Eu trouxe até uma testemunha...

Resumo do caso: O casamento acabou... A advogada traída ganhou uma pensão milionária. Por obra da poderosa testemunha, ainda teve seus serviços profissionais contratados pelo partido governista... Junto com a sedutora promessa de ser indicada, futuramente, para alguma corte superior de Justiça. Só precisava ser fiel ao amante – um bilionário político que manda mais no governo que a Imperatriz da Republiqueta...

Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus.
 
30 de março de 2014
Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor.

ACIMA DAS NUVENS


Como nosso governo vive voando (literalmente), sempre é o último a saber que nossa aviação civil (e militar) está em crise. E nas raras vezes que transita em terra firme, faz declarações para empolgar a galera.

No final de março de 2007 “exigiu” data para o fim do caos que assola o setor. No meio desta zona, o Mi(si)nistro Waldir Pires ficou a ver navios (ou aviões?). Este sim deveria voar para conferir de perto as barbaridades. Mas “Pires” não voa. Se fosse “xícara” teria mais chances, pois esta tem asa.

Seus sucessores nada acrescentaram para melhorar este meio de transporte. Agora às portas da copa, observamos que o caos terá mais manchetes do que as partidas de futebol.

Esta exigência de soluções imediatas da figura máxima do governo deveria ser feita também nas demais áreas sob sua tutela.

Mas nada funciona por três fatores principais:

1 – Os orçamentos para cada área são aprovados pela Câmara Federal. Mas na metade do ano os valores são cortados em até 60% dependendo do impacto político que garanta a perpetuação no poder das parasitas que “galgaram” (como gatunos escalando muros residenciais) os postos de comando. Ou mesmo por “ordem” de um abutre estrangeiro que nos coloniza e deseja um superávit alto para reduzir o “risco Brasil”.

2 – Do que sobra para aplicar na área, cada “ortoridade” busca um meio escuso de se locupletar do cargo que lhe foi conferido. Sempre deixam uma “merreca” para comprar uma máquina há 15 anos fora de uso no primeiro mundo, um rolo de arame para amarrar pés de móveis prestes a desabar, ventilador para substituir o ar refrigerado que não funciona há 4 meses e uma “verba” para agradar fiscais que possam contestar condições inadequadas de trabalho.

3 – A Justiça omissa e com preguiça não age para punir culpados encontrados com a mão (e o corpo todo) na “massa”. Bandos de advogados de plantão estão com mandatos de soltura prontos (basta colocar o nome do acusado na linha pontilhada) para seus réus primários (mesmo com 20 escândalos nas costas). Os Juízes logo assinam tais documentos desde que seus polpudos salários e suas enormes vantagens estejam garantidos. Se fazem isto pelos marginais que portam armas de fogo, por que deixariam de atender aos que usam silenciosas canetas?

30 de março de 2014
Haroldo P. Barboza é Professor e escritor – autor dos livros Brinque e cresça feliz  e  Sinuca de bico na cuca.

RADIOGRAFIA DO BRASIL



 
O rebaixamento do Brasil tem uma causa única: os políticos, seja no Executivo, seja no Legislativo. E também no Judiciário, por aqueles que querem entrar na política, como um ex-presidente da OAB, que adora uma fanfarronada. E um holofote! São figuras que não se preocupam com o futuro do Brasil, com o exemplo, a decência e a probidade. São os que só se pensam no proveito, em detrimento do princípio, pois só miram no poder a qualquer custo, mesmo da ética e da moral, individuais e  públicas.

No Legislativo, vivem de conchavos, desfaçatezes, falsidades, conversas ao pé do ouvido, cabalando cargos, que permitam manobras escusas para obter recursos para a próxima campanha eleitoral, cujas sobras sempre serão bem-vindas para os seus patrimônios pessoais, sejam casas, rádios, TVs, fazendas, bois, rãs....

Só pode ser bom, pois, como disse Darcy Ribeiro, “o Senado é o paraíso, e nem é preciso morrer para chegar a ele”. Perguntem ao Sarney e sua famiglia, sempre bem servidos no Sírio e Libanês, cujos médicos – pasmem - até falam português!!!!, ao Renan e Barbalho, cujos filhos já querem ser governadores, pulando etapas, e outros, muitos outros, de um rol do qual pouquíssimos se salvam. Não estão nem aí para graves problemas que se sucedem dia após dia, como os assassinos menores de idade, os que atropelam e matam inocentes,  o desrespeito aos que usam o transporte público, as nossas leis criminais bondosas, como as progressões das penas, e o processo criminal pleno de instâncias, agravos e embargos.

Parece que vivem em Marte, pensando em belos estádios, trem-bala, homenagens, medalhas, uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU(!!!!!)... enquanto a saúde pública, inumana, agoniza,  a educação é das piores do mundo, a defesa pública, indefesa, a falta de saneamento básico atinge mais da metade dos domicílios brasileiros, e a infraestrutura é do tempo do regime militar! Nada os sensibiliza, a não ser as suas benesses, agora e para sempre, como a vergonhosa e ilegítima  assistência médica aos senadores e famílias, pelo resto da vida, mesmo aos que já não são mais, ou se foram ou o foram por curto período de mandato.

O Executivo não insta o Congresso a agir, limitando-se a dilapidar a herança bendita, a doar ministérios, aparelhar o Estado com correligionários e a criar uma coalizão que só serve para brecar ou melar CPIs, como foi a do Cachoeira, quando quem é decente quer mais é esclarecer negociatas, em vez de encobri-las... O caso da Petrobras é evidente: se não querem investigar, é porque aí tem!!! É como o ex- Vice PresRep e sua família: se não quiseram o exame de  DNA é porque a filha é legítima!! É o receio de sempre: dos fatos comprometedores!!

Sempre foi assim, mas nos últimos 11 anos, de governo petista, o câncer, qual uma metástase, se espalhou. O pior foi o desajuste fiscal e a perda de oportunidade, de, com tal maioria no Congresso, ter feito o enxugamento e as mudanças em órgãos, estruturas e procedimentos que travam a inserção do país no século XXI, como as reformas:  da previdência, em que muitos recebem benefícios sem nunca terem contribuído, cujo rombo aumenta a cada dia; a tributária, com um almanaque de tributos a esfoliar empresários e pessoas físicas; a política, cuja maior excrescência é a figura abjeta do senador suplente, sem falar no financiamento de campanhas; e a do trabalho, que amarra a contratação de trabalhadores de modo formal e castiga empresários com toda sorte de impostos, federais, estaduais e municipais, muitos entrelaçados, no atual cipoal de portarias.

Nelson Rodrigues disse que o brasileiro tem complexo de vira-lata. Nada mais correto, pois o país é vira-lata! Um exemplo?: a sétima economia do mundo não conseguiu prontificar estádios, aeroportos e a mobilidade urbana em sete anos, desde que soube que a Copa seria aqui!
A charge no jornal é perfeita: o  rebaixamento de classificação de risco para BBB- é o retrato de um país que permite que uma concessionária ofereça a seu povo um programa desclassificado, como o BBB. É como nossos políticos: eu quero meu lucro, a educação e o país que se danem!

Com esse tamanho, nos trópicos, e com um povo habilidoso, que se transformam em vantagens comparativas, o Brasil tem futuro, mas não é o país do futuro. Jamais chegaremos ao Primeiro Mundo, pois não há estadistas, só locupletistas, ou “locupetistas”, como Lula e Dilma, super-heróis de um gibi ultrapassado, andrajoso, que encalhou, como o país. Por isso, as nossas vantagens comparativas nunca se transformam em vantagens competitivas.

O DNA não ajuda. Não é de um pastor alemão. Muito menos o BBB...
 
30 de março de 2014
Luiz Sérgio Silveira Costa é Almirante, reformado.

LULA, DILMA, DIRETORES E CONSELHEIROS DA PETROBRAS TÊM DE RESPONDER POR MÁ GESTÃO E CORRUPÇÃO NA PETROBRAS



Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

Como a Petrobras é uma empresa controlada pela União, o Presidente da República, sua diretoria e conselheiros administrativos e fiscais são os responsáveis diretos por seu sucesso ou fracasso de gestão. Por isso, o Presidentro Luiz Inácio Lula da Silva e a Presidenta Dilma Rousseff, junto com o conselho diretor da estatal de economia mista, têm de responder, individualmente, na Justiça, por prejuízos gerados por tomadas de decisão com característica de má gestão ou comprovada corrupção. A regra é clara – mesmo no Brasil Capimunista da impunidade.

A CPI da Petrobras, que o presidente do Senado, Renan Calheiros, será obrigado a instalar, mesmo a contragosto da base de aliança desgovernista, explodirá a complicada reeleição de Dilma – popular nas pesquisas, porém sem credibilidade perante o poder econômico mundial, que efetivamente decide o jogo dos negócios privados e públicos no Brasil. É cedo para falar de impeachment, mas o risco existe, porque vale a máxima sobre as Comissões Parlamentares de Inquérito: todos sabem como começam, mas é difícil saber como terminam, mesmo com a costumeira impunidade tupiniquim.

O PT já dá sinais de desespero. Ameaça radicalizar na guerra virtual contra os ataques políticos que lhe serão fatais. Uma ala do partido também já atua na suicida e burra tática de substituir Dilma por Lula na corrida ao Palácio do Planalto. O presidentro seria um alvo mais fácil que a gerentona cujo falsa marketagem de competência desmancha no ar. Mesmo na remota chance de ganhar a eleição – na base da fraude eleitoral ou contando com os votos dos grotões de ignorância e clientelismo -, o governo do PT já perdeu credibilidade, legitimidade e não tem mais governabilidade para seguir em frente.

Se a CPI não sair, a Petrobras será alvo de ações judiciais aqui dentro e lá fora. O Ministério Público Federal será forçado pelas evidências a abrir inquéritos para investigar a má gestão ou os efeitos da dolosa ou culposa corrupção em vários negócios e parcerias da estatal de economia mista. A Comissão de Valores Mobiliários – que é, mas não deveria ser, um órgão do Ministério da Fazenda - terá de agir conforme a legalidade, como xerife do mercado de capitais e não na base da politicagem, com desculpa esfarrapada supostamente técnica, para encobrir os desmandos na Petrobras fartamente denunciados por investidores.

Independentemente do que fizeram (ou não), aqui dentro, o MPF e a CVM, investidores da Petrobras já cansavam de avisar que preparam ações judiciais na Corte de Nova York – na bolsa de cuja cidade a Petrobras negocia ações. Nos EUA, a Security and Exchange Comission, entidade independente de governo, costuma agir com mais rigor contra abusos e atos lesivos aos investimentos no mercado de capitais. Denunciados lá fora, individualmente, dirigentes e conselheiros da Petrobras correm sério risco de sanções duras e multas pesadas, em caso de condenação (o que é nada difícil de acontecer, diante de tanto escândalos com evidências e provas materiais em fartura).  

Literalmente, a petralhada e seus aliados políticos e de negociatas cometeu o assassinato da galinha dos ovos de ouro negro. Os dirigentes do governo e da empresa terão de acertar contas, na Justiça daqui ou de Nova York, pelas consequências da incomPTência e da delinquência. A tese é simples: quem manda na Petrobras é o Presidente ou Presidenta da República. Não deveria ser, mas é, no capimunismo tupiniquim. Assim, quem manda responde pelos atos. E PT, saudações...  

Nas coxas

O Globo teve acesso a documentos internos da Petrobras confirmando que o processo de compra da refinaria de Pasadena envolveu um prazo “muito curto” de due diligence — espécie de auditoria considerada um dos passos essenciais em processos de fusões e aquisições, na qual são avaliadas questões jurídicas, financeiras e operacionais.

O documento confidencial, datado de 31 de janeiro de 2006, revela que ao todo, o processo de compra levou cerca de 20 dias – quando especialistas ressaltam que essa etapa de análise de informações de uma empresa consome, em média, de dois a três meses.  

Após a coleta de documentos e reuniões com diretores financeiros da Astra entre os dias 11 e 25 de novembro de 2005, a estatal teve de fazer nova avaliação em apenas cinco dias.

A consultoria contratada pela Petrobras na ocasião, a BDO Seidman, de Los Angeles, nos EUA, chegou a recomendar que, em razão do “tempo limitado”, a estatal deveria buscar sua própria avaliação de dados.

Mangueira do Lava Jato

Curiosamente, batizada de Projeto Mangueira, a compra da refinaria envolveu a reorganização de cinco afiliadas da Astra Trading.

Como todo mundo sabe que, em uma empresa de Lava Jato sempre se tem uma boa mangueira, tudo caminha para um final infeliz.

Releia: PT deseja Paulo Costa como bode expiatório, isolando-o do governo, da Petrobras e da Odebrecht

http://www.alertatotal.net/2014/03/pt-deseja-paulo-costa-como-bode.html

13 do Metrô

O Ministério Público de São Paulo pediu à Justiça a prisão preventiva de treze executivos acusados de participar da formação de cartel para a compra e reforma de trens do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

Onze deles são da Siemens, um da Bombardier e um, da Hyundai-Rotem.

Se a Justiça aceitar o pedido, os nomes dos executivos - estrangeiros que nunca foram ouvidos na investigação da Promotoria - vão para a Polícia Federal (PF) e, posteriormente, para a Interpol.

Mensalão agora mineiro mesmo

A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal votou ontem para que seja julgado em Minas Gerais o processo chamado de mensalão tucano, que tem como réu o ex-deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG), e rola no STF desde 2005,.

Só o Super Joaquim Barbosa votou para que o julgamento fosse feito pelo Supremo:

“Eu me mantenho fiel ao entendimento que sustentei nas ações 333 (Ronaldo Cunha Lima), e 396 (Natan Donadon), pois a renúncia do réu não pode ser motivo para esquivar ou retratar a ação penal. No caso em análise, a renúncia do réu poucos dias depois da ação teve como finalidade evitar o julgamento”

Empurra com a barriga

Com a transferência para Minas Gerais, o julgamento final de Azeredo fica adiado.

Isso porque o juiz da primeira instância poderá pedir mais diligências para instruir o processo, se considerar necessário.

Em caso de condenação, o réu poderá recorrer ao Tribunal Regional Federal (TRF), ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e, por fim, ao STF.

Mesmo que a eventual condenação seja mantida, a pena só poderá começar a ser cumprida quando todos os recursos tiverem sido julgados.

Mais do mesmo

No tal Mensalão tucano ou mineiro, o MPF denunciou que foram desviados R$ 3,5 milhões em valores da época, ou R$ 9,3 milhões em cifras atualizadas.

O operador do esquema era Marcos Valério, o mesmo do mensalão do governo Lula. A principal empresa dele, a SMP&B, teria tomado dinheiro emprestado no Banco Rural e repassado para a campanha de Azeredo.

Para saldar a dívida no banco, três estatais – a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), a Companhia Mineradora de Minas Gerais (Comig) e o Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge) – deram dinheiro para a empresa de Valério.

Manobra radical

Oficialmente, a SMP&B era a intermediária do patrocínio do governo a três eventos de motocross.

Os eventos aconteceram ao custo de R$ 98,9 mil.

O restante do dinheiro teria sido usado para financiar a campanha e para pagar propina aos integrantes do esquema.

Guerrilha petista


O PT promoveu ontem um seminário fechado, chamado de “Presença Digital", para cerca de 80 assessores lotados em gabinetes de deputados e senadores para treiná-los para a guerrilha digital.

Um dos palestrantes foi o jornalista Leandro Fortes, autor de artigo apócrifo, publicado no Facebook oficial do PT, chamando o pré-candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos, de “playboy mimado”.

O texto foi considerado um erro por dirigentes petistas, causou uma crise na pré-campanha mas o esquema segue em frente, como de costume...

Pula do Muro


Os irmãos como tal se reconhecem


Primeiro de Abreu


 
Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus.

30 de março de 2014
Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor.

sábado, 29 de março de 2014

UNESCO TOMBA AS SETE MARAVILHAS DO CAOS DA COPA

 

Notícia azeda de tão velha: Brasil não vai conseguir maquiar todos os seus problemas até a Copa do Mundo! Pensando nisso, a Unesco decidiu tombar as «Sete Maravilhas do Caos da Copa do Brasil». Não é o máximo? Agora, os gringos não vão poder reclamar. E nem você, mané! A não ser que queira levar de brinde da PM uma arma que eles chamam de não-letal, mas que mata que é uma beleza. Papel e caneta na mão para a lista:
 
1) O caos aéreo
Welcome, gringaiada! Primeira parada obrigatória: o aeroporto. Nós temos tanto orgulho de termos aeroportos que nenhum brasileiro passa menos de duas horinhas preso em um. Tanto é que a gente vota na mesma corja que promete ajeitar as coisas e não ajeita nada. Ajeitar pra quê? A gente gosta assim! Filas, malas trocadas, voos superlotados. Se espremam na confusão e welcome!
 
Parece cheio, mas cabe mais gente by Roberto Capote, Folhapress
Parece cheio, mas cabe mais gente
by Roberto Capote, Folhapress
 
2) Trens, metrôs e ônibus superlotados
Conseguiu sair do aeroporto, Gringo? Mas a superlotação continua nos trens, metrôs e ônibus. Esse assunto irritou alguns brasileiros em 2013, muitos foram até pras ruas protestar, dizendo que “Não é só por 20 centavos”, mas a CPI dos Ônibus do Rio de Janeiro morreu, todo mundo esqueceu do assunto e tenta entrar aí no trem, Gringo, com mala e tudo. Não conseguiu? Não tem problema, porque a gente acha que Gringo é tudo rico e por isso temos a honra de apresentar a Terceira Maravilha do Caos da Copa!
 
3) Taxistas monolíngues
Símbolo do nosso folclore, o taxista fala pouco quando você precisa de uma informação crucial e entope os seus ouvidos quando você não está nem aí pra saber a opinião dele sobre como as novelas das 21h prejudicam a educação das crianças. Gringo, saiba desde já uma coisa: seu taxista vai falar pouco. Ou vai falar muito. Mas quase nunca vai falar o que você quer. Ainda bem que isso não importa porque nós temos a Quarta Maravilha do Caos da Copa!
 
4) Os maxiengarrafamentos
Bem-vindo, Gringo! Seu taxista não diz coisa com coisa e esse táxi bandeira dois não sai do lugar. É que nós, brasileiros, adoramos ficar parados. Em aeroporto, transporte público ou no carro. Tanto que todo ano a gente vota em pessoas que têm até uma cara diferente, mas são financiadas pelos mesmos empreiteiros. Que ganham maravilhas fazendo megaviadutos, que tapam a visão e dão uma maquiada no trânsito daqui, só pra meio quilômetro mais na frente afunilar tudo de novo. Isso é que é bacana do Brasil, gringo! Não importa em que cidade você esteja, você sempre estará em Gambiarra City. E olha, que máximo! Enquanto você lia esse item, clic, clic, o precinho do seu taxímetro só fez aumentar. Tá achando ruim? É porque você ainda não viu o próximo item da lista, o…
 
Parece cheio, mas cabe mais água by Marcella Nunes, Facebook/RioWaterPlanet
Parece cheio, mas cabe mais água
by Marcella Nunes, Facebook/RioWaterPlanet
 
5) Alagamento pós-chuva
Recapitulemos a sua situação, Gringo: você levou uma surra no aeroporto, está preso numa avenida que não anda, com um taxista que consulta um dicionário cada vez que você pronuncia uma palavra. Eis que começa a chover. Carros começam a buzinar. Uns sobem na calçada, outros sobem no posto e quem não consegue sobe sua prece em direção a Deus. Mais 15 minutos e tudo estará debaixo d’água.
Mas antes temos a Sexta Maravilha do Caos da Copa, a…
 
6) Violência urbana
Com os carros parados e a chuva caindo, décadas de negligência dos governos municipais, estaduais e federal de todos os partidos dão suas caras: crianças que não tiveram acesso à escola viraram jovens sem acesso ao mercado de trabalho e pior – sem acesso à autoestima. Vão respeitar pra quê, se o Estado brasileiro nunca os respeitou? Eles não estão nem aí. Tanto que estão mandando você entregar sua carteira e sua mala no meio do engarrafamento, antes que a rua alague. E é bom entregar, Gringo.
 
7) Estádios überfaturados
ÊêÊêÊê!!! Chuva passou, táxi andou, Gringo precisou parar num caixa 24 horas para poder pagar a corrida, mas é hora de comemorar. Sem malas nem carteira, você está muito mais leve. E como o taxista não entendeu onde ficava o seu hotel, então, ele te trouxe para um dos nossos estádios überfaturados. Isso mesmo: über. Afinal, nem a Muralha da China e as pirâmides do Egito JUNTAS custaram tanto. E daí que mais da metade da população brasileira não tem cacife para assistir os jogos da Copa? Se você tem ingresso, Gringo, pode entrar. Por isso, seja muito welcome. Entre no estádio. Ache a sua cadeira-padrão-Fifa, que a partida vai começar.
 
29 de março de 2014
Diego Rebouças é roteirista e jornalista. O artigo acima foi publicado pela Folha de São Paulo, 26 dez° 2013.
in brasil de longe
 
Este artigo foi publicado neste blogue no fim do ano passado. No entanto, com a aproximação da “Copa das copas”, está mais atual que nunca. Daí a republicação.