"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

COMETI ESSA SANDICE

DELCÍDIO REAFIRMA QUE TENTOU COMPRAR SILÊNCIO DE CERVERÓ POR ORDEM DE LULA
EX-SENADOR DIZ QUE PETISTA ORDENOU OFERTA DE SUBORNO A CERVERÓ

EX-SENADOR, UM DOS DELATORES DA OPERAÇÃO LAVA JATO, DEPÔS NA JUSTIÇA FEDERAL EM BRASÍLIA EM AÇÃO PENAL CONTRA O EX-PRESIDENTE PELA SUPOSTA TRAMA PARA COMPRAR O SILÊNCIO DO EX-DIRETOR DA PETROBRAS (FOTO: REPRODUÇÃO)


Em depoimento à 10.ª Vara Federal na quarta-feira, 15, em Brasília, o senador cassado Delcídio Amaral (ex-PT-MS) reiterou acusações de sua delação premiada contra o ex-presidente Lula. Delcídio disse ter sido uma ‘sandice’ procurar a família do pecuarista José Carlos Bumlai, supostamente a pedido de Lula, e pedir pagamentos com o objetivo de comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, que considerava colaborar com a Operação Lava Jato. A suposta reunião no Instituto Lula teria acontecido em maio de 2015, sem testemunhas.

A partir da ordem de Lula, segundo Delcídio, foi montado um esquema por meio do qual a família de Bumlai pagou R$ 50 mil mensais de ajuda financeira a Cerveró. “Cometi a sandice de tomar essa atitude”, declarou.

O ex-senador também disse que, em meio à crise gerada pela Lava Jato, se reuniu outra vez, em maio de 2015, com o ex-presidente no Instituto Lula, juntamente com os senadores Edison Lobão (PMDB-MA) e Renan Calheiros (PMDB-AL). O objetivo seria formar um grupo de senadores para reagir às denúncias frequentes que surgiam na operação. Esse encontro é objeto de um inquérito em curso pelo MPF, que suspeita de que o episódio foi mais uma tentativa de atrapalhar investigações.

O interrogatório de Delcídio, que durou cerca de três horas, foi no âmbito de ação penal que avalia se Lula e outros seis réus, entre eles o próprio ex-senador, atuaram para obstruir as investigações da Lava Jato.

Ele foi preso em novembro de 2015, depois que o filho do ex-diretor da Petrobras, Bernardo Cerveró, o gravou numa conversa em que revelava parte do plano para evitar a colaboração do pai e até financiar uma fuga dele para a Espanha. Depois disso, Delcídio decidiu fazer delação e implicou Lula.

Conforme a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), Bumlai obteve no Banco Schahin um empréstimo fraudulento de R$ 12 milhões, cujo real objetivo era custear despesas do PT. Como o empréstimo não foi pago, a Petrobras foi usada para compensar o grupo credor, firmando com a Schahin Engenharia contrato de R$ 1,6 bilhão para operar o navio-sonda Vitória 10.000. “Essa história das sondas do José Carlos Bumlai até a torcida do Flamengo sabia”, disse Delcídio.

‘Declarações inequívocas’

A defesa do ex-presidente Lula informou que as declarações de Delcídio do Amaral revelaram ‘de forma inequívoca’ que o ex-senador tinha ‘interesse próprio no processo de delação premiada de Nestor Cerveró’. A defesa também ressaltou que Cerveró reconheceu em depoimento que as investidas de Delcídio tinham interesse de ‘dissuadi-lo de delatar o próprio Delcidio’

Os advogados de Lula ainda alegaram que Delcidio admitiu em seu interrogatório fazer uso recorrente de ‘bazofia’ (fanfarrice), “usando de afirmações que não correspondem à realidade”.



16 de fevereiro de 2017
diário do poder

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