"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

O ÚLTIMO STALINISTA DO MUNDO

No meio da foto, o tampinha que usa saltos altos.

A tirania da Coreia do Norte, exercida por uma família cruel, rivaliza com outra família maldita, a dos irmãos Castro, "burgueses" que exploram Cuba. Enquanto houver gente assim, não considero nenhum louvor viver entre o que chamam de "raça" humana - aliás, apenas uma espécie entre outras, ainda bem:
O mais jovem dos chefes de Estado e provavelmente um dos mais erráticos ditadores no poder, Kim Jong-un, o Grande Sucessor, lidera a Coreia do Norte apenas desde abril de 2012, mas não perdeu tempo a arranjar inimigos e conflitos.

Pouco se sabe deste excêntrico ditador. Terá nascido no final de 1983 ou no início de 1984. O seu aniversário oficialmente será na sexta-feira, 8 de janeiro, será o terceiro filho do Querido Líder, Kim Jong-il, e é o terceiro líder da Coreia do Norte.

O primeiro foi Kim Il sung, o Grande líder e Eterno Presidente, que governou a República Popular Democrática da Coreia, mais conhecida como Coreia do Norte, desde a independência do Japão, em 1948. 
Foram 46 anos na liderança, com mão de ferro, criando um regime comunista à volta do culto do líder. Assim, sob ordens do seu líder supremo, a Coreia do Norte invadiu a do Sul em 1950, perdendo a guerra devido ao apoio das Nações Unidas, em especial dos Estados Unidos, aos sulcoreanos.

Mas as boas relações que tinha com a União Soviética permitiram à Coreia do Norte viver durante décadas com um nível de vida relativamente elevado, e certamente mais alto que o da Coreia do Sul. 
As condições econômicas permitiram assim ao líder supremo consolidar um dos regimes mais opacos e isolados do mundo e criar as condições para deixar ao seu filho a sucessão.
O Grande Líder conseguiu a nomeação de Kim Jong-il, seu filho, em 1980, e passou-lhe o comando militar do país no inicio da década de 90, vindo a falecer apenas em 1994. 
Os 46 anos que esteve no poder criaram mais que um Estado, criaram todo o mito à volta do líder supremo que muito tem ajudado a sobreviver o regime. 
O Eterno Presidente tem mais de 500 estátuas em todo o país.

Kim Jong-il, o Querido Líder e pai do atual líder da Coreia do Norte, chegou ao poder já numa altura de declínio. A queda da União Soviética veio mudar tudo para a economia norte-coreana. 
A influência política decaiu com a perda de apoio da superpotência, mas a má gestão económica do segundo Kim fez com que o seu reinado fosse bastante diferente: milhares morreram à fome, a Coreia do Norte isolou-se ainda mais, os direitos humanos passaram a ser coisa de conto de fadas.
Para além do terrorismo interno, da caça aos desertores e dissidentes, a Coreia do Norte esteve na lista dos países que financiavam movimentos e atividades terroristas até 2008, altura em que entrou em negociações com os Estados Unidos de George W. Bush sobre o seu programa nuclear. 
Mas o regime é ainda hoje acusado de financiar atividades terroristas de grupos como o Hezbollah, através do seu apoio ao Irão, que envolve, entre outras coisas, a venda de armas.

O regime do Querido Líder foi de tal ordem repressivo que a Amnistia Internacional o considerou como um dos mais repressivos do mundo. Nessa altura, a Coreia do Norte chegou a ter mais de 200 mil presos políticos, não tendo liberdade de imprensa, de religião, de oposição política ou de direito à educação. Tudo era, e é, controlado pelo regime.

O pior da governação de Kim Jong-il terá acontecido durante os seus quatro primeiros anos de liderança. 
A crise económica resultante da desintegração da União Soviética, a que se juntou a má gestão e algumas catástrofes naturais, como uma sucessão de cheias e secas, levou a que uma grande parte da população morresse à fome. 

As estimativas mais conservadoras apontam para que 330 mil pessoas tenham morrido entre 1994 e 1997. As mais pessimistas dizem que terão sido à volta de 3,5 milhões.

Kim Jong-il governou a Coreia do Norte durante 17 anos e estava a preparar o seu terceiro filho, Kim Jong-un, para lhe suceder quando morreu inesperadamente aos 69 ou 70 anos (os registos soviéticos têm uma data de nascimento diferente da biografia oficial da Coreia do Norte).

O GRANDE SUCESSOR

Pouco teve de esperar depois da morte do seu pai para tomar as rédeas do poder. Ao fim de alguns dias, Kim Jong-un já mandava no país. Três meses depois tomava posse oficialmente como o novo presidente da República que se diz democrática e popular e que só assume a existência de uma Coreia.

Do pouco que se conhece do seu trajeto, sabe-se que Kim Jong-un foi educado na Suíça, tal como os seus dois irmãos mais velhos, e era filho da terceira mulher de Kim Jong-il, e a sua favorita.
A deportação do Japão do seu meio-irmão e a alegada falta de masculinidade do seu irmão do meio, Kim Jong-chol, empurrou-o para a linha da frente da sucessão, mesmo com os analistas focados nos seus irmãos.

Com cerca de 30 anos, o Grande Sucessor assumiu a liderança. Tinha pouca experiência política e militar (o seu pai começou por nomeá-lo para vários altos cargos políticos e militares), e especulava-se que era apontado líder por ser tão parecido com o seu avô, Kim Il Sung, o primeiro e o maior dos Kim, até que teria feito operações plásticas para ser mais parecido com ele. Os rumores são mais que muitos e só demonstram o quão fechado é o regime.

Kim Jong-un tem, contudo, um perfil diferente. A sua mulher aparece várias vezes consigo em cerimónias públicas. Será uma antiga cantora, a “camarada Ri Sol-ju”, como lhe chamam os canais oficiais do regime.
A mais polémica relaç
ão do Grande Sucessor, não tanto para si, é a do ex-jogador da NBA Dennis Rodman. O famoso basquetebolista, tanto pelas proezas em campo como pelas polémicas fora dele, visitou a Coreia do Norte várias vezes. Primeiro, ainda com o pai do atual líder a mandar nos destinos do país. Kim Jong-il era um grande fã de basquetebol e até criou um Dream Team na Coreia do Norte.

Mais tarde, Dennis Rodman voltou com os Harlem Globetrotters e sozinho por várias vezes. O ex-jogador tece rasgados elogios ao líder da Coreia do Norte, diz que este governa para o povo, que é um amigo para a vida, “um tipo espetacular” e que o seu pai e o seu avô foram “grandes líderes”.

A ESTRATÉGIA: PROCURAR O CONFLITO

No seu primeiro discurso, prometeu que o tempo em que o seu país era ameaçado tinha “acabado para sempre”. “A superioridade em tecnologia militar já não é monopólio dos imperialistas. (…) Temos de fazer um esforço para reforçar as forças armadas do povo”, terá dito. Estava traçado o caminho e dada a garantia, a política do poder militar seria a principal característica do regime e a política de confronto com as maiores potenciais mundiais começada pelo seu pai teria um digno sucessor.

Os seus atos públicos de maior destaque foram dois testes nucleares: o de hoje, com uma alegada bomba de hidrogénio, e a execução do seu tio, Chang Song-thaek, que foi acusado de planear um golpe de Estado, em dezembro de 2013. 
Logo nos primeiros meses da sua liderança, a Coreia do Norte lançou um foguetão, alegadamente, com a intenção de colocar um satélite no espaço. 

O intuito terá falhado, apesar de muitos suspeitarem que se tratava de um teste encoberto de um míssil balístico, algo que o país estava proibido de fazer. Passados oito meses, a Coreia do Norte conseguiu mesmo colocar um satélite no espaço.

Dois meses após o lançamento do satélite, de que também era proibido, em fevereiro de 2013 a Coreia do Norte faz o seu terceiro teste nuclear, alegadamente com o dobro da potência do realizado em 2009. 
O resultado? Mais sanções das Nações Unidas, maior tensão na península e até a retirada dos trabalhadores do parque industrial de Kaesong, que partilha a gestão com a Coreia do Sul.

Agora, Kim Jong-un, que recentemente tinha reivindicado a capacidade para desenvolver uma bomba de hidrogénio, alega ter conseguido detonar com sucesso este tipo de bomba termonuclear, com um potencial de destruição milhares de vezes superior ao das bombas atómicas usadas pelos Estados Unidos para destruir Hiroshima e Nagasaki no final da Segunda Guerra Mundial, em 1945.

Se se trata ou não de uma bomba deste tipo, ainda está por confirmar. Ente o ceticismo de muitos investigadores e líderes mundiais, o Grande Sucessor conseguiu pelo menos um grande feito para já: unir os líderes dos maiores países do mundo, que tanto têm discordado sobre a matéria nuclear, especialmente nos últimos anos com os sucessivos problemas no Médio Oriente. Mesmo os aliados da Coreia do Norte, como a China e a Rússia. (Observador).

06 de janeiro de 2016
in orlando tambosi

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