"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

PF IDENTIFICA OUTRAS EMPRESAS DE FACHADA USADAS POR YOUSSEF



A Polícia Federal apreendeu novos documentos que ligam empreiteiras investigadas na Operação Lava-Jato a outras empresas de fachada e negócios intermediados por Alberto Youssef e pelo ex-deputado José Janene (PP-PR), falecido em 2010, que usou o doleiro para montar o esquema de desvio de dinheiro da Petrobras.

Na residência de Carlos Alberto Pereira da Costa, que assinava como sócio em empresas usadas por Youssef, foram apreendidas em diligência realizada este mês duas notas de pagamentos feitos pela Galvão Engenharia para a CSA Project Finance, em 2008, no valor de R$ 242.620,00 cada uma, a título de consultoria. A Galvão pagou também cerca de R$ 280 mil a Realty Finance, outra empresa suspeita de existir apenas no papel.

Costa aparece como sócio da CSA ao lado de Rubens de Andrade Filho. Em depoimento à Justiça Federal do Paraná, ele afirmou que a empresa tinha como sócio oculto Cláudio Mente e era usada por Janene para lavar dinheiro recebido de propina. O deputado foi um dos réus do Mensalão.

TERMELÉTRICA

Os documentos apreendidos mostram que a CSA foi usada para investir em uma termelétrica. A empresa pagou R$ 417 mil por serviços de engenharia prestados pela CNEC Engenharia, na época pertencente à Camargo Corrêa, para o projeto da termoelétrica, em 2008. Repassou ainda pelo menos R$ 1,380 milhão às empresas Empresa Brasileira de Mineração (EBM) e DMC Desenvolvimento, empreendedoras da usina que tiveram parte do patrimônio adquiridas pela empresa Focus, também em 2008. Outros R$ 1,3 milhões foram pagos a uma empresa de projetos ambientais de Curitiba, a título de “serviços de avaliação ambiental” para a termelétrica.

Outro negócio da CSA foi a Indústria Metais do Vale (IMV), em Barra Mansa, que teria resultado em prejuízo ao fundo de pensão da Petrobras, o Petros. Costa afirmou que o investimento na IMV foi de R$ 13 milhões e foi paga propina de R$ 500 mil a Humberto Pires Grault, na época gerente de novos negócios do Petros. Para acobertar a propina, teriam sido emitidas notas frias da empresa Betumarco. Grault já negou a acusação e afirmou que o investimento da IMV teve amparo técnico e foi decidido pela diretoria do fundo.

No depoimento, Costa afirmou que a CSA Project Finance também recebia dinheiro de fundos de pensão, como o Petros, e o assunto era discutido entre Claudio Mente e João Vaccari Neto, tesoureiro do PT. Indagado quando o depoimento de Costa veio à tona, Vaccari Neto afirmou que era amigo pessoal de Mente e, por isso, esteve na sede da CSA, mas não fez com ele qualquer negócio.

AS MÁS NOTÍCIAS COSTUMAM VIR APENAS DE BRASÍLIA

        

Na greve da Volks este mês, a luta do ABC parece ter renascido

De férias com minhas netas, nem fiquei sabendo que ganhei no dia do meu aniversário, 16 de janeiro, um baita presente: os metalúrgicos da Volks em São Bernardo do Campo, em greve, conseguiram reverter as 800 demissões com que a empresa desejava premiar seus empregados, depois de ser privilegiada pelo governo federal com subsídios ao longo do primeiro governo Dilma Rousseff.
E, pelo que li, foi um trabalho conjunto de várias centrais sindicais, sob a liderança do Sindicato dos Metalúrgicos e a participação massiva dos quase 20 mil operários da fábrica.

Emocionou-me ver cenas que pareciam as de 1978 ou 1980, lá mesmo em São Bernardo do Campo, quando, sob a liderança de Lula, foi quebrada parte da espinha dorsal da ditadura civil e militar, e o país nunca mais foi o mesmo.

Ali nasceu o Partido dos Trabalhadores, que hoje a gente vê enfraquecido neste segundo governo Dilma. As centrais sindicais parecem ensaiar agora a quebra da submissão ao governo e tentam andar por suas próprias pernas. Isso pode levar a construir o sonho da autonomia sindical sem a qual país algum pode se transformar em verdadeira democracia. Movimentos sociais não podem se submeter a governos de plantão. Nenhum movimento pode se deixar confundir com um partido político, qualquer que seja ele. Daí meu entusiasmo por esse dia de derrota da Volks.

DISPENSA IMOTIVADA

Maior ainda fica minha esperança quando leio que várias lideranças do sindicato conseguiram pôr o dedo na ferida e apontar o que precisa ser conquistado realmente no Brasil: o fim da dispensa imotivada. Como já existe em vários países, inclusive no país de origem da própria Volks, a Alemanha. É só não caírem no engodo de pedir a aplicação da Convenção 158 da OIT, porque sobre essa o Supremo já declarou não ser vinculante no Brasil, dada a existência de previsão constitucional de lei complementar para esse fim.

E essa previsão é a que consta do art. 7º, inciso I, da Constituição Federal de 1988: “relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei complementar, que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos”.

EMENDA DE LULA

O autor dessa emenda, aprovada na Constituinte: o então deputado Luiz Inácio Lula da Silva! Por que não se exigiu dele antes e não se cobra agora de Dilma Rousseff a apresentação de proposta de lei complementar com esse conteúdo?

Afinal, agora, o secretário geral da Presidência da República é um competente conhecedor dos problemas trabalhistas brasileiros e de outros países: ministro Miguel Rossetto. Ele saberá capitanear a discussão para concretizar esse sonho dos trabalhadores brasileiros, debatendo as experiências de outros países e conseguindo elaborar proposta que leve em consideração as peculiaridades de um país onde convivem grandes, médias, pequenas e microempresas – portanto, trabalhadores que demandarão tratamento adequado para não serem massacrados por seus patrões.
A hora é agora, companheiros.

(transcrito de O Tempo)

DESSE JEITO, DILMA, GRAÇAS & CIA VÃO DESTRUIR A PETROBRAS




A decisão de divulgar o balanço financeiro da Petrobrassem contabilizar as perdas envolvendo a corrupção apurada pela operação Lava Jato teve o dedo do Palácio do Planalto. A presidente Dilma Rousseff acompanhou pessoalmente o assunto.

A posição dos ex-ministros Guido Mantega (Fazenda) e Miriam Belchior (Planejamento) de não aceitar as baixas contábeis seguiu orientação do Planalto. O entendimento é que incluir o prejuízo no balanço colocaria em risco a empresa, que poderia ter suas contas rejeitadas por CVM e SEC, com sérias consequências para sua diretoria e conselheiros.

Para o governo, incluir tal prejuízo seria “chancelar” um dado sobre desvios que poderiam ter ocorrido na empresa. Ninguém, na verdade, sabe precisar de quanto é o rombo, avalia-se.
Dentro desse raciocínio, a decisão foi de que o melhor é não apresentar nenhum dado, por ora, até se encontrar o método considerado aceitável de precisão de cálculo. O Planalto entende que é melhor enfrentar o desgaste da oscilação das ações da empresa do que apresentar um número que será questionado.

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 NOTA DO COMENTARISTA CELSO SERRA –
1) o Balancete do 3º Trimestre de 2014, segundo o jornal O Globo, foi divulgado às 3h e 21 minutos da madrugada de (28/01/2015); 2) nessa peça contábil de hábitos noturnos aparece um “modesto” rombo de R$ 88 bilhões.  Deve estar errado, pois esse número, pelo que a mídia publicou, é insignificante; 3) e nas peças contábeis anteriores, o rombo foi ocultado ou não existia.  A situação é dogmática por caber apenas dois rumos: primeiro, se o rombo veio crescendo ano a ano e foi ocultado, tem muita gente vinculada à Petrobras (por exemplo,  Dilma) em situação não muito cômoda;  segundo, se as peças contábeis anteriores estão corretas e não apresentam rombos, este que apareceu passa a ser obra exclusiva da administração da “Graciosa” da Dilma. Já pensaram nisso? É, como já foi escrito por Ferrreira Gullar e Oduvaldo Vianna Filho,  “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. Façam sua apostas antes que a Justiça americana decida…

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA matéria enviada pelo advogado/economista Celso Serra revela o impressionante despreparo da presidente Dilma, da equipe econômica e da assessoria do Planalto. A Petrobras é obrigada por lei a publicar o balanço com declaração de prejuízos e parecer de auditoria independente, mas a PricewaterhouseCoopers se recusa a participar. Ao contrário do que pensam Dilma, Graça & Cia., a maquiagem do prejuízo e o balanço sem auditoria vão aumentar os problemas da Petrobras junto à CVM, à SEC (U.S. Securities and Exchange Commission) e a Justiça dos EUA. Desse jeito, Dilma, Graça e Cia. vão destruir a Petrobras. (C.N.)

ESSE MUNDO É UMA BOLA... SE FOSSEM DUAS, SERIA UM SACO!!!



30 de janeiro de 2015

A CÚPULA DA QUINTA-COLUNA EURASIANA

Artigos - Globalismo

Um encontro em Viena passou despercebido pela grande mídia mundial. Os líderes do Movimento Eurasiano russo, a extrema-direita populista européia, aristocratas e homens de negócios reunidos para “salvar” a Europa contra o liberalismo norte-americano e seus lobbies.

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 Palácio do Príncipe de Liechtenstein

Em abril de 2014, em torno da prefeitura de Viena, dezenas de milhares comemoravam o Life Ball, o maior evento de apoio aos portadores de HIV e Aids na Europa. No palco, Conchita Wurst junto com dançarinos gays e lésbicas dançavam em trajes burlescos o tema do evento em 2014, o “Jardim das Delícias”. Ao mesmo tempo era realizado a apenas alguns metros de distância, no Palácio do Príncipe de Liechtenstein, uma conferência com “cristãos” nacionalistas e fundamentalistas russos e europeus, sobre como salvar a Europa do liberalismo e seu lobby “satânico”, e das possibilidades de reversão da situação. A reunião foi realizada a portas e cortinas fechadas, sob o mais estrito sigilo. Foi no entanto confirmado pela imprensa suíça por duas fontes independentes.
 
O tema oficial foi o Congresso Histórico de Viena, que foi realizado exatamente 200 anos antes, com a criação da chamada Santa Aliança Continental, que proporcionou um século de relativa calma e equilíbrio geopolítico na Europa. Era esse o principal tema descrito no convite do evento. Na verdade, na reunião realizada no suntuoso salão de banquetes do palácio, pouco foi dito sobre o passado, mas muito sobre o futuro. Hoje existem as mesmas condições históricas e geopolíticas para reviver o espírito da Santa Aliança.
 
Um visitante suíço
 
kmO oligarca russo Konstantin Malofeev (foto) e sua fundação São Basílio Magno, também participou do evento. Outros convidados russos foram o principal ideólogo do Movimento Eurasiano, Aleksandr Dugin, bem como o pintor nacionalista Ilya Glazunov. Da França, a representante do Front Nationale, Marion Maréchal-Le Pen (neta do fundador do partido e sobrinha de Marine Le Pen), e o historiador Aymeric Chauprade. Da Espanha esteve o príncipe Sixto de Bourbon-Parma Henri, líder do movimento monarquista carlista e católico. Da Suíça, Serge de Pahlen, diretor de uma empresa financeira de Genebra e marido da herdeira da FIAT, Margherita Agnelli Fiat de Pahlen. Da Áustria, o presidente do partido populista de extrema-direita, Heinz-Christian Strache e seu vice, John Gudenus, assim como Johann Herzog do FPÖ. Da Bulgária, o presidente e fundador do partido de extrema-direita Ataka, Volen Siderov. Extremistas da Croácia, nobres da Geórgia e da Rússia, assim como um padre católico estiveram presentes.
 
A imprensa e o público não foram informados da reunião, e os participantes se empenharam em um sigilo absoluto. Seguranças do palácio mantiveram as entradas fechadas, e mesmo os participantes não puderam tirar fotos do evento. O líder do FPÖ tirou uma foto da mesa e foi imediatamente repreendido por Malofeev, organizador do congresso.
 
O convidado especial do encontro foi Aleksandr Dugin, co-fundador do Partido Nacional Bolchevique e principal ideólogo do Movimento Eurasiano. Dugin tem propagado uma aliança euro-asiática, sob a liderança da Rússia. Suas idéias tiveram tamanha repercussão que resultaram na criação da União Eurasiana, com a Rússia, Bielo-Rússia e Cazaquistão, no final de maio de 2014, logo após a invasão e anexação da Criméia por tropas russas-eurasianas.

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Aleksandr Dugin
 
Em um discurso na televisão em abril de 2014, Dugin propôs tornar a Europa um protetorado russo, e portanto, contra o casamento gay e as “modernidades ocidentais”. 
 
“Temos que conquistar e unir a Europa” disse Dugin, “e apoiamos uma quinta coluna pró-russa na Europa, composta pelos intelectuais europeus que pretendem reforçar a sua identidade”.
 
Elogios ao governo Putin
 
O historiador Roberto de Mattei falou sobre o terremoto e o tsunami do Japão, explicando ser um castigo de Deus, sobre a tolerância no mundo com a homossexualidade. O búlgaro Siderov exaltou o seu partido Ataka como baluarte europeu contra o avanço islâmico e judeu na Europa. A liderança do partido da Liberdade austríaco manteve bons contatos com o governo russo. Johann Gudenus foi recebido em 2012 por Vladimir Putin e Ramzan Kadyrov, presidente da Chechenia, em Grozny. Em 2014 Gudenus viajou como observador no referendo do território ocupado da Criméia. Lá, ele disse não ter visto “nenhuma pressão ou coerção”. Perguntado sobre a reunião em Viena, Gudenus disse ao jornal suíço Tages-Anzeiger não ter nada a declarar, por ter sido um evento privado.

de MatteiRoberto de Mattei
 
Aos 39 anos, Konstanti Malofeev fez a sua fortuna com um fundo de investimentos Marshall Capital Partners. Ele também fundou um fundo de caridade para ajudar hospitais e escolas da Igreja Ortodoxa Russa. Ele considera importante os ensinamentos dos valores russo-cristãos tradicionais. Um retrato feito pelo “Financial Times”, ele foi considerado como um “Rasputin moderno”, que fez amizade com um monge que tem acesso direto ao Presidente Vladimir Putin. A imprensa russa suspeita que Malofeev está financiando os separatistas pró-Rússia no leste da Ucrânia. Konstantin não respondeu as perguntas enviadas pelo Tages-Anzeiger. Em uma entrevista para a edição russa da Forbes, Malofeev confirmou que o auto-nomeado primeiro-ministro da “República Popular de Donetsk”, Alexander Borodai, foi seu ex-funcionário o qual desejou boa sorte para o futuro trabalho, pois o que se passa hoje na Ucrânia “deve ser um alerta para quaisquer russos”.
 
O menos preocupado de todos os participantes da conferência, era Ilya Glazunov. Quando recebeu a notícia da anexação russa da Criméia, ele ficou com os olhos cheios de lágrimas. Em uma entrevista para a televisão estatal russa, ele mostrou suas pinturas com heróis e santos russos, e que ninguém poderia deixar a “Nova Rússia” de joelhos. Ele disse que a vontade de ferro de Putin é um milagre: “Eu sinto um prazer profundo sobre a sua fé inabalável e suas ações para a unidade do povo russo”.

 
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O ex-funcionário padrão de Konstantin Malofeev, Aleksandr Borodai, acusado de ser membro do FSB/KGB.
 
Reunião planejada em Moscou
 
Os outros convidados no salão de festas do palácio elogiaram Putin. Um dos participantes viu no presidente da Rússia o “salvador” e a re-encarnação de Alexandre, O Grande. O czar realizou a “Santa Aliança” em 1815 lutando contra Napoleão, que derrotou a França para devolver ao povo francês. Por isso esse evento não foi nenhum problema para os participantes do Front Nationale. 
 
O historiador e deputado francês Aymeric Chauprade, de 45 anos, é um intelectual ao gosto de Aleksandr Dugin. Chauprade representa os ideais de uma Europa de nações com fortes laços com a Rússia. A herdeira política da família Le Pen, Marion, alertou sobre a importância da “Marcha da Vida” (pró-vida, contra o aborto)  e contando com um apoio direto do Vaticano. 
 
O encontro terminou com um concerto clássico nacionalista e uma recepção de gala (com o uso obrigatório de smokings pelos cavalheiros). A próxima reunião ocorrerá em janeiro de 2015, provavelmente em Moscou. 
 
O organizador sugeriu na Criméia, mas outros participantes rejeitaram. O inverno na península sob disputa entre Rússia e Ucrânia estará muito úmida e desconfortável.


Sobre o Congresso de Viena (1815) e a “Santa Aliança”
 
A Santa Aliança (em alemão: Heilige Allianz; em russo: Священный союз, Svyashchennyy soyuz) foi uma coalizão criada pelas potências monarquistas da Europa: Império Russo, Império Austríaco e Reino da Prússia. Sua criação foi uma conseqüência da derrota final de Napoleão Bonaparte pelo czar Alexandre I da Rússia e selada em Paris no dia 26 de setembro de 1815.

Motivação e criação

Assim que o Império Napoleônico ruiu, as grandes potências se reuniram no Congresso de Viena para reorganizar o mapa político da Europa. Surgiu a Santa Aliança, tratado que tinha por objetivo conter a difusão do ideário revolucionário francês, semeado por Napoleão Bonaparte. A Santa Aliança foi inicialmente forjada entre Rússia, Prússia e Áustria, as 3 (três) potências vencedoras da Guerra contra Napoleão Bonaparte, como forma de garantir a realização prática das medidas que foram aprovadas pelo Congresso de Viena, bem como impedir o avanço nas áreas sob sua influência das ideias liberais e constitucionalistas, que se fortaleceram com a Revolução Francesa e que haviam desestabilizado toda a Europa. O bloco militar, que durou até as revoluções europeias de 1848, combateu revoltas liberais e interferiu na política colonial dos países ibéricos, já que era a favor da recolonização. Esta aliança foi proclamada no Congresso de Viena (reunido entre 1814 e 1815) como a união dos 3 (três) ramos da família cristã europeia: os ortodoxos russos, os protestantes prussianos e os católicos austríacos. Surgiu por inspiração do czar da Rússia Alexandre I, que propôs aos outros príncipes cristãos reunidos em Viena governarem seus países de acordo com os “preceitos da Justiça, Caridade Cristã e Paz” e a formação de um bloco de potências, cujas relações seriam reguladas pelas “elevadas verdades presentes na doutrina de Nosso Salvador”. O czar teria sofrido influência da Baronesa de Krüdener e de Nicolas Bergasse (antigo constituinte francês). Bourquin observa, entretanto, que a influência da senhora de Krüdener teria sido pequena e que na realidade a Santa Aliança teria nascido do misticismo de Alexandre. Todavia, com a interferência do chanceler austríaco Metternich, a Santa Aliança foi apenas um instrumento da restauração monárquica. Estabelecida entre os soberanos europeus que pretendiam propagar os princípios da fé cristã e, no fundo, manter o absolutismo como filosofia do Estado e sistema político dominante na Europa, a Santa Aliança foi firmada a partir dum tratado definido pelo czar russo, sendo posteriormente assinado em 26 de Setembro de 1815, em Paris, por Francisco I, imperador da Áustria, Frederico Guilherme III, rei da Prússia, e o próprio Alexandre I. O tratado da Santa Aliança só foi assinado por chefes de Estado, sem ser submetido a ratificação.
 
Evolução

A Inglaterra, embora tenha participado de todas as coligações formadas para combater Napoleão Bonaparte, nunca aderiu à Santa Aliança em razão da ideologia antiliberal que estava no centro do grupo, bem como pelo fato de ter interesses no comércio com as jovens nações (colônias). O negociador inglês Lord Castlereagh, por entender que a aliança tinha por finalidade última colocar a Inglaterra à margem das questões políticas europeias, garantindo a proeminência da Rússia na Europa, propôs a criação da Quádrupla Aliança, reunindo a Inglaterra e as três potências signatárias da Santa Aliança, com o objetivo de realizar consultas quando a situação política do continente exigisse. Ela foi assinada em 15 de novembro de 1815. A Quíntupla Aliança se reuniu pela última vez no Congresso de Verona, em 1822, para resolver os problemas relacionados a Revolução Grega e a intervenção francesa na Espanha. Os últimos encontros foram marcados por crescente antagonismo entre França e Inglaterra em questões como autodeterminação das nações, a unificação italiana e a Questão Oriental.
 
Intervenções

O Direito de Intervenção foi defendido pelo ministro austríaco, príncipe Metternich, segundo o qual as nações europeias interviriam onde quer que as monarquias estivessem ameaçadas ou onde fossem derrubadas. A aliança visou a a manutenção dos tratados de 1815, tendo em vista reprimir as aspirações liberais e nacionalistas dos povos oprimidos. Espanha e Portugal faziam parte do acordo, por isso a Santa Aliança tinha o direito de intervir nas colônias desses países caso elas tentassem libertar-se. Em 1818, o primeiro Congresso da Santa Aliança decidiu retirar as tropas de ocupação da França. Pouco depois, quando uma associação de estudantes alemães provocou distúrbios durante as comemorações do terceiro centenário da Reforma, a re­pressão se abateu com violência. As universidades foram vigiadas, as sociedades nacionalistas combatidas e os jornais censurados. Em 1820, posições liberais de militares contrários ao absolutismo na Espanha e no Reino das Duas Sicílias insuflaram uma revolta, que culminou com a imposição de uma Constituição aos dois reis. Fernando VII, da Espanha, e seu primo Fernando I, das Duas Sicílias, fingiram aceitar mas recorreram à Santa Aliança. Uma expedição militar, em 1823, pôs fim à revolta constitucionalista e restituiu Fernando VII como monarca absoluto.
 
Decadência

Este foi o último êxito da Santa Aliança, pois por volta de 1820 seu poder já se desfazia. Não conseguiu abafar a rebelião dos gregos contra os turcos (1821-1827) nem a independência das colônias da América do Sul (1810-1824). Ficou desmoralizada. A grande importância desta aliança não residiu no acordo em si mesmo mas no fato de ser um símbolo das políticas absolutistas e um instrumento para manter o estado vigente das coisas na Europa, uma volta ao que ficou conhecido como Ancien Régime. Como aspecto ilustrativo deste novo quadro absolutista, refira-se que diversas tentativas e experiências revolucionárias e democráticas, nacionalistas ou liberais, foram derrubadas com intervenção de tropas da Santa Aliança, em nome da manutenção da ordem absolutista. A Santa Aliança logo perderia força pois estava contra o moto da história, contra o capitalismo liberal que aumentava o poder econômico da população abrindo espaço para a facilitação das revoltas contra o absolutismo, que era um empecilho ao desenvolvimento do livre comércio. Com interesses nos Bálcãs, que saía do poder do Império Otomano, esses mesmos aliados “santos” iniciais iniciariam uma corrida militarista para se apossar dessas novas terras com um novo arranjo de alianças, entrando em conflito direto um com o outro.

Sobre o Congresso de Viena (1815) e a “Santa Aliança”

A Santa Aliança (em alemão: Heilige Allianz; em russo: Священный союз, Svyashchennyy soyuz) foi uma coalizão criada pelas potências monarquistas da Europa: Império Russo, Império Austríaco e Reino da Prússia. Sua criação foi uma conseqüência da derrota final de Napoleão Bonaparte pelo tsar Alexandre I da Rússia e selada em Paris no dia 26 de setembro de 1815.

Motivação e criação

Assim que o Império Napoleônico ruiu, as grandes potências se reuniram no Congresso de Viena para reorganizar o mapa político da Europa. Surgiu a Santa Aliança, tratado que tinha por objetivo conter a difusão do ideário revolucionário francês, semeado por Napoleão Bonaparte. A Santa Aliança foi inicialmente forjada entre Rússia, Prússia e Áustria, as 3 (três) potências vencedoras da Guerra contra Napoleão Bonaparte, como forma de garantir a realização prática das medidas que foram aprovadas pelo Congresso de Viena, bem como impedir o avanço nas áreas sob sua influência das ideias liberais e constitucionalistas, que se fortaleceram com a Revolução Francesa e que haviam desestabilizado toda a Europa. O bloco militar, que durou até as revoluções europeias de 1848, combateu revoltas liberais e interferiu na política colonial dos países ibéricos, já que era a favor da recolonização. Esta aliança foi proclamada no Congresso de Viena (reunido entre 1814 e 1815) como a união dos 3 (três) ramos da família cristã europeia: os ortodoxos russos, os protestantes prussianos e os católicos austríacos. Surgiu por inspiração do tsar da Rússia Alexandre I, que propôs aos outros príncipes cristãos reunidos em Viena governarem seus países de acordo com os “preceitos da Justiça, Caridade Cristã e Paz” e a formação de um bloco de potências, cujas relações seriam reguladas pelas “elevadas verdades presentes na doutrina de Nosso Salvador”. O czar teria sofrido influência da Baronesa de Krüdener e de Nicolas Bergasse (antigo constituinte francês). Bourquin observa, entretanto, que a influência da senhora de Krüdener teria sido pequena e que na realidade a Santa Aliança teria nascido do misticismo de Alexandre. Todavia, com a interferência do chanceler austríaco Metternich, a Santa Aliança foi apenas um instrumento da restauração monarquica. Estabelecida entre os soberanos europeus que pretendiam propagar os princípios da Fé cristã e, no fundo, manter o absolutismo como filosofia do Estado e sistema político dominante na Europa, a Santa Aliança foi firmada a partir dum tratado definido pelo czar russo, sendo posteriormente assinado em 26 de Setembro de 1815, em Paris, por Francisco I, imperador da Áustria, Frederico Guilherme III, rei da Prússia, e o próprio Alexandre I. O tratado da Santa Aliança só foi assinado por chefes de Estado, sem ser submetido a ratificação.

Evolução

A Inglaterra, embora tenha participado de todas as coligações formadas para combater Napoleão Bonaparte, nunca aderiu à Santa Aliança em razão da ideologia antiliberal que estava no centro do grupo, bem como pelo fato de ter interesses no comércio com as jovens nações (colônias). O negociador inglês, Lord Castlereagh, por entender que a aliança tinha por finalidade última colocar a Inglaterra à margem das questões políticas europeias, garantindo a proeminência da Rússia na Europa, propôs a criação da Quádrupla Aliança, reunindo a Inglaterra e as três potências signatárias da Santa Aliança, com o objetivo de realizar consultas quando a situação política do continente exigisse. Ela foi assinada em 15 de novembro de 1815. A Quíntupla Aliança se reuniu pela última vez no Congresso de Verona, em 1822, para resolver os problemas relacionados a Revolução Grega e a intervenção francesa na Espanha. Os últimos encontros foram marcados por crescente antagonismo entre França e Inglaterra em questões como autodeterminação das nações, a unificação italiana e a Questão Oriental.

Intervenções

O Direito de Intervenção foi defendido pelo ministro austríaco, príncipe Metternich, segundo o qual as nações europeias interviriam onde quer que as monarquias estivessem ameaçadas ou onde fossem derrubadas. A aliança visou a a manutenção dos tratados de 1815, tendo em vista reprimir as aspirações liberais e nacionalistas dos povos oprimidos. Espanha e Portugal faziam parte do acordo, por isso a Santa Aliança tinha o direito de intervir nas colônias desses países caso elas tentassem libertar-se. Em 1818, o primeiro Congresso da Santa Aliança decidiu retirar as tropas de ocupação da França. Pouco depois, quando uma associação de estudantes alemães provocou distúrbios durante as comemorações do terceiro centenário da Reforma, a re­pressão se abateu com violência. As universidades foram vigiadas, as sociedades nacionalistas combatidas e os jornais censurados. Em 1820, posições liberais de militares contrários ao absolutismo na Espanha e no Reino das Duas Sicílias insuflaram uma revolta, que culminou com a imposição de uma Constituição aos dois reis. Fernando VII, da Espanha, e seu primo Fernando I, das Duas Sicílias, fingiram aceitar mas recorreram à Santa Aliança. Uma expedição militar, em 1823, pôs fim à revolta constitucionalista e restituiu Fernando VII como monarca absoluto.

Decadência

Este foi o último êxito da Santa Aliança, pois por volta de 1820 seu poder já se desfazia. Não conseguiu abafar a rebelião dos gregos contra os turcos (1821-1827) nem a independência das colônias da América do Sul (1810-1824). Ficou desmoralizada. A grande importância desta aliança não residiu no acordo em si mesmo mas no fato de ser um símbolo das políticas absolutistas e um instrumento para manter o estado vigente das coisas na Europa, uma volta ao que ficou conhecido como Ancien Régime. Como aspecto ilustrativo deste novo quadro absolutista, refira-se que diversas tentativas e experiências revolucionárias e democráticas, nacionalistas ou liberais, foram derrubadas com intervenção de tropas da Santa Aliança, em nome da manutenção da ordem absolutista. A Santa Aliança logo perderia força pois estava contra o moto da história, contra o capitalismo liberal que aumentava o poder econômico da população abrindo espaço para a facilitação das revoltas contra o absolutismo, que era um empecilho ao desenvolvimento do livre comércio. Com interesses nos Bálcãs, que saía do poder do Império Otomano, esses mesmos aliados “santos” iniciais iniciariam uma corrida militarista para se apossar dessas novas terras com um novo arranjo de alianças, entrando em conflito direto um com o outro.
http://www.newadvent.org/cathen/07398a.htm
- See more at: http://radiovox.org/2015/01/29/cupula-da-quinta-coluna-eurasiana/#sthash.ZBkXe7BZ.dpuf

30 de janeiro de 2015
Bernhard Odehnal
Publicado no site da Rádio Vox.

UM CADÁVER NO PODER ( II )

Artigos - Movimento Revolucionário


Intelectualmente e teologicamente, a TL está morta há três décadas. Mas ela nunca foi um movimento intelectual e teológico. Foi e é um movimento político adornado por pretextos teológicos artificiosos e de uma leviandade sem par.

Volto à análise da Teologia da Libertação.
Se a coisa e até o nome que a designa vieram prontos da KGB, isso não quer dizer que seus pais adotivos, Gutierrez, Boff e Frei Betto, não tenham tido nenhum mérito na sua disseminação pelo mundo. Ao contrário, eles desempenharam um papel crucial nas vitórias da TL e no mistério da sua longa sobrevivência.
Os três, mas principalmente os dois brasileiros, atuaram sempre e simultaneamente em dois planos. De um lado, produzindo artificiosas argumentações teológicas para uso do clero, dos intelectuais e da Curia romana. De outro lado, espalhando sermões e discursos populares e devotando-se intensamente à criação da rede de militância que se notabilizaria com o nome de “comunidades eclesiais de base” e viria a constituir a semente do Partido dos Trabalhadores. “Base” é  aliás o termo técnico usado tradicionalmente nos partidos comunistas para designar a militância, distinguindo-a dos líderes. Sua adoção pela TL não foi mera coincidência. Quando os pastores se transformaram em comissários políticos, o rebanho tinha mesmo de tornar-se “base”.
No seu livro E a Igreja se Fez Povo, de 1988, Boff confessa que foi tudo um “plano ousado”, concebido segundo as linhas da estratégia da lenta e sutil “ocupação de espaços” preconizada pelo fundador do Partido Comunista Italiano, Antonio Gramsci. Tratava-se de ir preenchendo aos poucos todos os postos decisivos nos seminários e nas universidades leigas, nas ordens religiosas, na mídia católica e na hierarquia eclesiástica, sem muito alarde, até chegar a época em que a grande revolução pudesse exibir-se a céu aberto.
Logo após o conclave que o elegeu, em 1978, o papa João Paulo I teve um encontro com vinte cardeais latino-americanos e ficou muito impressionado com o fato de que a maioria deles apoiava ostensivamente a Teologia da Libertação. Informaram-lhe, na ocasião, que já havia mais de cem mil “comunidades eclesiais de base” disseminando a propaganda revolucionária na América Latina. Até então, João Paulo I conhecia a TL  apenas como especulação teórica. Nem de longe imaginava que ela pudesse ter se transformado numa força política de tais dimensões.
Em 1984, quando o cardeal Ratzinger começou a desmontar os argumentos teóricos da “Teologia da Libertação”, já fazia quatro anos que as “comunidades eclesiais de base” tinham se transfigurado num partido de massas, o Partido dos Trabalhadores, cuja militância ignora maciçamente quaisquer especulações teológicas, mas jura que Jesus Cristo era socialista porque assim dizem os líderes do partido.
Dito de outro modo, a pretensa argumentação teológica já tinha cumprido o seu papel de alimentar discussões e minar a autoridade da Igreja, e fôra substituída, funcionalmente, pela pregação aberta do socialismo, onde o esforço aparentemente erudito de aproximar cristianismo e marxismo cedia o passo ao manejo de chavões baratos e jogos de palavras nos quais a militância não procurava nem encontrava uma argumentação racional, mas apenas os símbolos que expressavam e reforçavam a sua unidade grupal e o seu espírito de luta.
O sucesso deste segundo empreendimento foi proporcional ao fracasso do trio na esfera propriamente teológica. É possível que na Europa ou nos EUA um formador de opinião com pretensões de liderança não sobreviva à sua desmoralização intelectual, mas na América Latina, e especialmente no Brasil, a massa militante está a léguas de distância de qualquer preocupação intelectual e continuará dando credibilidade ao seu líder enquanto este dispuser de um suporte político-partidário suficiente.
No caso de Boff e Betto, esse suporte foi nada menos que formidável. Fracassadas as guerrilhas espalhadas em todo o continente pela OLAS, Organización Latino-Americana de Solidariedad fundada por Fidel Castro em 1966, a militância se refugiou maciçamente nas organizações da esquerda não-militar, que iam colocando em prática as idéias de Antonio Gramsci sobre a “ocupação de espaços” e a “revolução cultural”. A estratégia de Gramsci usava a infiltração maciça de agentes comunistas em todos os órgãos da sociedade civil, especialmente ensino e mídia, para disseminar propostas comunistas pontuais, isoladas, sem rótulo de comunismo, de modo a obter pouco a pouco um efeito de conjunto no qual ninguém visse nada de propaganda comunista mas no qual o Partido, ou organização equivalente, acabasse controlando mentalmente a sociedade com “o poder invisível e onipresente de um mandamento divino, de um imperativo categórico” (sic).
Nenhum instrumento se prestava melhor a esse fim do que as “comunidades eclesiais de base”, onde as propostas comunistas podiam ser vendidas com o rótulo de cristianismo. No Brasil, o crescimento avassalador dessas organizações resultou, em 1980, na fundação do Partido dos Trabalhadores, que se apresentou inicialmente como um inocente movimento sindicalista da esquerda cristã e só aos poucos foi revelando os seus vínculos profundos com o governo de Cuba e com várias organizações de guerrilheiros e narcotraficantes. O líder maior do Partido, Luís Inácio “Lula” da Silva, sempre reconheceu Boff e Betto como mentores da organização e dele próprio.
Nascido no bojo do comunismo latino-americano por intermédio das “comunidades eclesiais de base”, o Partido não demoraria a devolver o favor recebido, fundando, em 1990, uma entidade sob a denominação gramscianamente anódina de “Foro de São Paulo”, destinada a unificar as várias correntes de esquerda e a tornar-se o centro de comando estratégico do movimento comunista no continente.
Segundo depoimento do próprio Frei Betto, a decisão de criar o Foro de São Paulo foi tomada numa reunião entre ele, Lula e Fidel Castro, em Havana. Durante dezessete anos o Foro cresceu em segredo, chegando a reunir aproximadamente duzentas organizações filiadas, misturando partidos legalmente constituídos, grupos de seqüestradores como o MIR chileno e quadrilhas de narcotraficantes como as Farc, que juravam nada ter com o tráfico de drogas mas então já costumavam trocar anualmente duzentas toneladas de cocaína colombiana por armas contrabandeadas do Líbano pelo traficante brasileiro Fernandinho Beira-Mar.
Quando Lula foi eleito presidente do Brasil, em 2002, o Foro de São Paulo já havia se tornado a maior e mais poderosa organição política em ação no território latino-americano em qualquer época, mas sua existência era totalmente desconhecida pela população e, quando denunciada por algum investigador, cinicamente negada. O bloqueio chegou ao seu ponto mais intenso quando, em 2005, o sr. Lula, já presidente do Brasil, confessou em detalhes a existência e as atividades do Foro de São Paulo. O discurso foi publicado na página oficial da Presidência da República, mas mesmo assim a grande mídia em peso insistiu em fingir que não sabia de nada.
Por fim, em 2007, o próprio Partido dos Trabalhadores, sentindo que o manto de segredo protetivo já não era necessário, passou a alardear aos quatro ventos os feitos do Foro de São Paulo, como se fossem coisa banal e arqui-sabida. Somente aí os jornais admitiram falar do assunto.
Por que o segredo podia agora ser revelado? Porque, no Brasil, toda oposição ideológica tinha sido eliminada, restando apenas sob o nome de “política” as disputas de cargos e as acusações de corrupção vindas de dentro da própria esquerda; ao passo que, na escala continental, os partidos membros do Foro de São Paulo já dominavam doze países. As “comunidades eclesiais de base” haviam chegado ao poder. Quem, a essa altura, iria se preocupar com discussões teológicas ou com objeções etéreas feitas vinte anos antes por um cardeal que levara a sério o sentido literal dos textos e mal chegara a arranhar a superfície política do problema?
Nos doze anos em que permaneceu no poder, o PT expulsou do cenário toda oposição conservadora, partilhando o espaço político com alguns aliados mais enragés e com uma branda oposição de centro-esquerda, e governou mediante compras de consciências, assassinatos de inconvenientes e a apropriação sistemática de verbas de empresas estatais para financiar o crescimento do partido. A escalada da cleptocracia culminou no episódio da Petrobrás, onde o desvio subiu à escala dos trilhões de reais, configurando, segundo a mídia internacional, o maior caso de corrupção empresarial de todos os tempos. Essa sucessão de escândalos provocou algum malestar na própria esquerda e constantes reclamações na mídia, levando a intelligentzia petista a mobilizar-se em massa para defender o partido. Há mais de uma década os srs. Betto e Boff estão ocupados com essa atividade, na qual a teologia só entra como eventual fornecedora de figuras de linguagem para adornar a propaganda partidária. A TL havia assumido, finalmente, sua mais profunda vocação.
Quem quer que leia os escritos de Gutierrez, Boff e Betto descobre facilmente as suas múltiplas inconsistências e contradições. Elas revelam que esse material não resultou de nenhum esforço teorizante muito sério, mas do mero intuito de manter os teólogos de Roma ocupados em complexas refutações teológicas enquanto a rede militante se espalhava por toda a América Latina, atingindo sobretudo populações pobres desprovidas de qualquer interesse ou capacidade de acompanhar essas altas discussões.
Os boiadeiros chamam isso de “boi-de-piranha”: jogam um boi no rio para que os peixes carnívoros fiquem ocupados em devorá-lo, enquanto uns metros mais adiante a boiada atravessa as aguas em segurança.
Intelectualmente e teologicamente, a TL está morta há três décadas. Mas ela nunca foi um movimento intelectual e teológico. Foi e é um movimento político adornado por pretextos teológicos artificiosos e de uma leviandade sem par, lançados nas águas de Roma a título de “boi de piranha”. A boiada passou, dominou o território e não existem piranhas de terra firme que possam ameaçá-la.
Sim, a TL está morta, mas o seu cadáver, elevado ao posto mais alto da hierarquia de comando, pesa sobre todo um continente, oprimindo-o, sufocando-o e travando todos os seus movimentos. A América Latina é hoje governada por um defunto.

30 de janeiro de 2015
Olavo de Carvalho
Publicado no Diário do Comércio.

UM CADÁVER NO PODER ( I )

 
Artigos - Movimento Revolucionário

Por que ainda há quem siga a Teologia da Libertação? Aparentemente nenhuma pessoa razoável deveria fazer isso. Do ponto de vista teológico, a  doutrina que o peruano Gustavo Gutierrez e o brasileiro Leonardo Boff espalharam pelo mundo já foi demolida em 1984 pelo então cardeal Joseph Ratzinger (v.
“Liberation Theology”, 1984, http://www.christendomawake.org/pages/ratzinger/liberationtheol.htm) dois anos depois de condenada pelo Papa João Paulo II (v. Quentin L. Quade, ed.,The Pope and Revolution: John Paul II Confronts Liberation Theology. Washington, D.C., Ethics and Public Policy Center, 1982). Em 1994 o teólogo Edward Lynch afirmava que ela já tinha se reduzido a uma mera curiosidade intelectual (v. “The retreat of Liberation Theology”, The Homiletic & Pastoral Review, 10024, 212-799-2600,https://www.ewtn.com/library/ISSUES/LIBERATE.TXT). Em 1996 o historiador espanhol Ricardo de la Cierva, que ninguém diria mal informado, dava-a por morta e enterrada (v. La Hoz y la Cruz. Auge y Caída del Marxismo y la Teología de la Liberación, Toledo, Fénix, 1996.)
Uma década e meia depois, ela é praticamente doutrina oficial em doze países da América Latina. Que foi que aconteceu? Tal é a pergunta que me faz um grupo de eminentes católicos americanos e que, com certeza, interessa também aos leitores brasileiros.
Para respondê-la é preciso analisar a questão sob três ângulos:
(1) A TL é uma doutrina católica influenciada por idéias marxistas ou é apenas um ardil comunista camuflado em linguagem católica?
(2) Como se articulam entre si a TL enquanto discurso teórico e a TL enquanto organização política militante?
(3) Respondidas essas duas perguntas pode-se então apreender a TL como fenômeno preciso e descrever a especialforma mentis dos seus teóricos por meio da análise estilística dos seus escritos.
À primeira pergunta tanto o prof. Lynch quanto o cardeal Ratzinger, bem como inumeráveis outros autores católicos (por exemplo, Hubert Lepargneur, A Teologia da Libertação. Uma Avaliação, São Paulo, Convívio, 1979, ou Sobral Pinto,Teologia da Libertação. O Materialismo Marxista na Teologia Espiritualista, Rio, Lidador, 1984), dão respostas notavelmente uniformes: partindo do princípio de que a TL se apresenta como doutrina católica, passam a examiná-la sob esse aspecto, louvando suas possíveis intenções justiceiras e humanitárias mas concluindo que, em essência, ela é incompatível com a doutrina tradicional da Igreja, e portanto herética em sentido estrito. Acrescentam a isso a denúncia de algumas contradições internas e a crítica das suas popostas sociais fundadas numa arqui desmoralizada economia marxista.
Daí partem para decretar a sua morte, assegurando, nos termos do prof. Lynch, que
“Embora ainda seja atraente para muitos estudiosos americanos e europeus, ela falhou naquilo que os liberacionistas sempre disseram ser a sua missão principal, a completa renovação do catolicismo latino-americano”.
Todo discurso ideológico revolucionário pode ser compreendido em pelo menos três níveis de significado, que é preciso primeiro distinguir pela análise e depois rearticular hierarquicamente conforme algum desses níveis se revele o mais decisivo na situação política concreta, subordinando os demais.
O primeiro é o nível descritivo, no qual ele apresenta um diagnóstico, descrição ou explicação da realidade ou uma interpretação de alguma doutrina anterior. Neste nível o discurso pode ser julgado pela sua veracidade, adequação ou fidelidade, seja aos fatos, seja ao estado dos conhecimentos disponíveis, seja à doutrina considerada. Quando o discurso traz uma proposta definida de ação, pode ser julgado pela viabilidade ou conveniência dessa ação.
O segundo é o da autodefinição ideológica, em que o teórico ou doutrinador expressa os símbolos nos quais o grupo interessado se reconhece e pelo qual ele distingue os de dentro e os de fora, os amigos e os inimigos. Neste nível ele pode ser julgado pela sua eficácia psicológica ou correspondência com as expectativas e anseios da platéia.
O terceiro é o da desinformação estratégica, que fornece falsas pistas para desorientar o adversário e desviar antecipadamente qualquer tentativa de bloquear a ação proposta ou de neutralizar outros efeitos visados pelo discurso.
No primeiro nível, o discurso dirige-se idealmente ao observador neutro, cuja adesão pretende ganhar pela persuasão. No segundo, ao adepto ou militante atual ou virtual, para reforçar sua adesão ao grupo e obter dele o máximo de colaboração possível. No terceiro, dirige-se ao adversário, ou alvo da operação.
Praticamente todas as críticas de intelectuais católicos à Teologia da Libertação limitaram-se a examiná-la no primeiro nível. Desmoralizaram-na intelectualmente, provaram o seu caráter de heresia e assinalaram nela os velhos vícios que tornam inviável e destrutiva toda proposta de remodelagem socialista da sociedade.
Se os mentores da TL fossem católicos sinceramente empenhados em “renovar o catolicismo latino-americano”, ainda que por meios contaminados de ideologia marxista, isso teria bastado para desativá-la por completo. Uma vez que esse tipo de análise crítica saiu das meras discussões intelectuais para tornar-se palavra oficial da Igreja, com o estudo do Cardeal Ratzinger em 1984, a TL podia considerar-se, sob esse ângulo, extinta e superada.
Leiam agora este depoimento do general Ion Mihai Pacepa, o oficial de mais alta patente da KGB que já desertou para o Ocidente, e começarão a entender por que a desmoralização intelectual e teológica não foi suficiente para dar cabo da TL (v. “Kremlin’s religious Crusade”, em Frontpage Magazine, junho de 2009, http://archive.frontpagemag.com/readArticle.aspx?ARTID=35388.[1] Lima: Centro de Estudios y Publicaciones). Em 1959, como chefe da espionagem romena na Alemanha Ocidental, o general Pacepa ouviu da própria boca de Nikita Kruschev: “Usaremos Cuba como trampolim para lançar uma religião concebida pela KGB na América Latina.”
O depoimento prossegue:
“Khrushchev nomeou ‘Teologia da Libertação’ a nova religião criada pela KGB. A inclinação dela para a ‘libertação’ foi herdada da KGB, que mais tarde criou a Organização para a ‘Libertação’ da Palestina (OLP), o Exército de ‘Libertação’ Nacional da Colômbia (ELN), e o Exército de ‘Libertação’ Nacional da Bolívia. A Romênia era um país latino, e Khrushchev queria nossa “visão latina” sobre sua nova guerra de “libertação” religiosa. Ele também nos queria para enviar alguns padres que eram cooptadores ou agentes disfarçados para a América Latina – queria ver como “nós” poderíamos tornar palatável para aquela parte do mundo a sua nova Teologia da Libertação.
“Naquele momento a KGB estava construindo uma nova organização religiosa internacional em Praga, chamada “Christian Peace Conference” (CPC), cujo objetivo seria espalhar a Teologia da Libertação pela América Latina.
“Em 1968, o CPC – criado pela KGB – foi capaz de dirigir um grupo de bispos esquerdistas sul-americanos na realização de uma Conferência de Bispos Latino-americanos em Medellín, na Colômbia. O propósito oficial da Conferência era superar a pobreza. O objetivo não declarado foi reconhecer um novo movimento religioso, que encorajasse o pobre a se rebelar contra a ‘violência da pobreza institucionalizada’, e recomendá-lo ao Conselho Mundial de Igrejas para aprovação oficial. A Conferência de Medellín fez as duas coisas. Também engoliu o nome de batismo dado pela KGB: ‘Teologia da Libertação.’”

Ou seja, em suas linhas essenciais, a idéia da TL veio pronta de Moscou três anos antes de que o jesuíta peruano Gustavo Gutierrez, com o livro Teología de la Liberación(Lima, Centro de Estudios y Publicaciones, 1971), se apresentasse como seu inventor original, decerto com a aprovação de seus verdadeiros criadores, que não tinham o menor interesse num reconhecimento público de paternidade. O tutor da criança, Leonardo Boff, entraria em cena ainda mais tarde, não antes de 1977. Até hoje as fontes populares, como por exemplo a Wikipedia, repetem como papagaios adestrados que o Pe. Gutierrez foi mesmo o gerador da coisa e o sr. Boff seu segundo pai.
Continuarei esta análise no próximo artigo.
 
30 de janeiro de 2015
Olavo de Carvalho
Publicado no Diário do Comércio.

JUDEUS TIVERAM PAPEL FUNDAMENTAL NA FUNDAÇÃO DOS ESTADOS UNIDOS



Em 1492, Colombo foi enviado para descobrir uma rota marítima para a Índia e China. Ele foi enviado pelos monarcas espanhóis Fernando e Isabel, que haviam acabado de libertar a Espanha de 700 anos dos exércitos muçulmanos de ocupação.
 
 
Estátua de Robert Morris, à esquerda, George Washington, no centro, e do financista judeu Haym Solomon, à direita, em Chicago
 
 
A Espanha então forçou os judeus sefarditas a fugir.
Alguns judeus foram para o Império Otomano, e alguns foram para Portugal e então foram para Amsterdã. De Amsterdã, alguns judeus acompanharam, de navio, mercadores holandeses para a América do Sul, se estabelecendo na cidade de Recife. Em Recife, eles construíram a primeira sinagoga do continente americano, a Sinagoga Kahal Zur Israel.
Quando a Espanha e Portugal atacaram Recife, os judeus fugiram de novo.
 
Vinte três foram de navio para Port Royal, na Jamaica. Daí, no navio francês Sainte Catherine, eles chegaram em 1654 à Colônia Holandesa de Nova Amsterdã, se tornando os primeiros judeus da América do Norte.
 
O governador holandês Peter Stuyvesant tentou expulsá-los, mas eles tiveram permissão de ficar, pois a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais na Holanda considerava a Espanha e Portugal seus principais inimigos, não os judeus ou outros dissidentes.
Os holandeses estavam numa disputa mundial com a Espanha e Portugal para possuir a Indonésia, a Índia, a África e a América do Sul, de modo que eles queriam rapidamente povoar a colônia da Nova Holanda para defendê-la e fazê-la dar lucro.
 
Em 1663, a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, embora estivesse estabelecendo oficialmente a fé reformada holandesa, instruiu Peter Stuyvesant com relação aos quacres “e outros membros de seitas”: “Precisamos favorecer a imigração… nesta fase inicial da existência do país. Portanto, você pode fechar seus olhos, pelo menos não forçando nada na consciência das pessoas, mas permitindo que todos tenham suas próprias crenças, enquanto se conduzirem de forma pacífica e de acordo com as leis, não afrontando seus vizinhos e não se opondo ao governo.”
 
Os judeus na Nova Amsterdã não tinham permissão de fazer reuniões religiosas fora de seus lares nem de se juntar ao exército municipal que protegia a cidade.
Então, em 1664, exércitos britânicos assumiram o controle da Nova Amsterdã, mudando seu nome para Nova Iorque, e os judeus ganharam mais liberdade.
 
Em 1730, os cidadãos judeus de Nova Iorque compraram terra e construíram a pequena “Sinagoga da Rua Mill,” a primeira sinagoga da América do Norte.
Durante a era colonial, a população dos Estados Unidos aumentou para 3 milhões, com uma população judaica de cerca de 2 mil em sete congregações sefarditas:
 
·         A congregação Shearith Israel, na cidade de Nova Iorque, começou em 1655;
·         A congregação Yeshuat Israel, em Newport, Rhode Island, começou em 1658;
·         A congregação Mickve Israel, em Savannah, Georgia, começou em 1733;
·         A congregação Mikveh Israel, na Filadélfia, começou em 1740;
·         A congregação Shaarai Shomayim, em Lancaster, Pensilvânia, começou em 1747;
·         A congregação Kahal Kadosh Beth Elohim, Charleston, na Carolina do Sul, começou em 1749;
·         E a congregação Kahal Kadosh Beth Shalom, Richmond, Virgínia, começou em 1789.
 
Desde o terceiro século, o ensinamento do Rabino Samuel da Babilônia, de que “a lei da terra é a lei,” resultou em que os judeus se refreavam de tentar mudar sua situação política. A Guerra Revolucionária Americana foi a primeira vez desde o exílio deles de Jerusalém que os judeus lutaram ao lado de vizinhos cristãos como iguais na luta pela liberdade.
Mercadores judeus, como Aaron Lopez de Newport e Isaac Moses da Filadélfia, manobravam seus navios através dos bloqueios britânicos para fornecer roupas, armas, pólvora e alimento para os necessitados soldados revolucionários. Alguns mercadores perderam tudo.
 
Um número estimado de 160 judeus lutaram no Exército Americano Continental durante a Guerra Revolucionária, tais como o tenente Solomon Bush e Francis Salvador da Carolina do Sul, o primeiro deputado estadual judeu, que foi morto numa batalha da Guerra Revolucionária; Mordecai Sheftall de Savannah era vice-diretor do serviço de intendência para as tropas americanas, em 1778; Abigail Minis supria provisões para os soldados americanos em 1779; e Reuben Etting de Baltimore lutou e foi nomeado delegado federal para Maryland pelo presidente Jefferson, em 1801.
O Dr. Philip Moses Russell, médico judeu de George Washington, sofreu com ele no Vale Forge.
 
O presidente Calvin Coolidge relatou em 3 de maio de 1925: “Haym Solomon, financista judeu polonês da Revolução. Nascido na Polônia, foi feito prisioneiro dos exércitos britânicos em Nova Iorque, e quando escapou estabeleceu seus negócios na Filadélfia. Ele negociou para Robert Morris todos os empréstimos levantados na França e Holanda, empenhou sua fé e fortuna pessoal em prol de quantias enormes, e pessoalmente adiantou grandes montantes para homens como James Madison, Thomas Jefferson, Baron Steuben, General St. Clair e muitos outros líderes patriotas que testificaram que sem a ajuda dele eles não teriam conseguido avançar a causa.”
 
Em 1975, um selo postal dos EUA honrou Haym Solomon, com a mensagem: “O empresário, financista, corretor e herói Haym Solomon foi responsável por levantar a maior parte do dinheiro necessário para financiar a Revolução Americana e mais tarde salvou a nova nação do colapso.”
 
George Washington enviou cartas para a Congregação Judaica de Newport, Rhode Island, e de Savannah, Georgia, declarando: “Que a mesma Deidade operadora de maravilhas, a qual muito tempo atrás livrou os hebreus de seus opressores egípcios, os plantou numa terra prometida, cuja intervenção providencial foi nos últimos tempos evidente na fundação dos Estados Unidos como nação independente, continue a regá-los com orvalhos do céu.”
Judeus asquenazes eram poucos nos EUA até que uma perseguição na Bavária na década de 1830 resultou na imigração de muitos milhares.
 
O presidente Martin Van Buren enviou uma carta aos turcos otomanos muçulmanos pedindo-lhes que parassem de matar os judeus na Síria. Foi uma carta “em prol de uma raça oprimida e perseguida, que tem parentes que são alguns dos cidadãos americanos mais dignos e patriotas.”
 
David Yulee, “Pai das Ferrovias da Flórida,” foi o primeiro judeu eleito ao Senado dos EUA em 1845. Ele foi acompanhado em 1853 pelo senador Judah P. Benjamin da Louisiana.
O governador David Emanuel da Georgia foi o primeiro governador judeu de um estado dos EUA.
 
Em 1818, Solomon Jacobs foi prefeito de Richmond, Virginia.
Uriah P. Levy foi o primeiro comodoro judeu da Marinha dos EUA, lutando na Guerra de 1812 e comandando a esquadra do Mediterrâneo. Ele foi responsável por acabar com a prática de punição de chicote na Marinha. Uma capela em Annapolis e um destroier da 2ª Guerra Mundial ganharam o nome dele.
Quando a casa Monticello do presidente Jefferson estava caindo em ruínas, Levy a comprou em 1836, consertou-a e a abriu ao público. Ele comissionou a construção da estátua de Jefferson que está na rotunda do Capitólio dos EUA.
 
Samuel Mayer Isaacs, editor do jornal Jewish Messenger (Mensageiro Judaico), escreveu acerca dos Estados Unidos em 28 de dezembro de 1860: “Esta república foi a primeira a reconhecer nossas reivindicações de igualdade, com homens de quaisquer denominações religiosas. Aqui podemos nos sentar cada um debaixo de sua videira e figueira, sem ninguém para nos amedrontar.”
 
Em 1862, o jornal London Jewish Chronicle (Crônica Judaica de Londres) noticiou: “Agora temos algumas palavras dos judeus dos Estados Unidos em geral… Tendo a Constituição estabelecido perfeita liberdade religiosa, os judeus eram livres nos EUA… Eles… num tempo comparativamente curto, prosperaram e tiveram sucesso ali num grau que nunca aconteceu na Europa.”
 
Na época da Guerra Civil, a população dos Estados Unidos era 31 milhões, inclusive em torno de 150 mil judeus. Um número estimado de 7 mil judeus lutou no exército da União e 3 mil lutou no exército confederado, com cerca de 600 soldados judeus morrendo em batalha.
Os generais judeus da União eram: Leopold Blumenberg; Frederick Knefler; Edward S. Salomon e Frederick C. Salomon.
Os oficiais confederados judeus incluíam: Judah P. Benjamin, ministro da Guerra; coronel Abraham Charles Myers, general intendente; e o Dr. David Camden DeLeon, ministro da Saúde. O Dr. Simon Baruch, que era cirurgião, serviu na equipe pessoal do general Robert E. Lee.
 
O major Raphael J. Moses era o Oficial Comissário da Georgia e depois da guerra começou uma indústria de pêssegos na Georgia.
Enquanto que o primeiro capelão católico do Exército dos EUA foi nomeado durante a Guerra entre EUA e México, o primeiro capelão judeu foi nomeado durante a Guerra Civil, o Rev. Jacob Frankel, da Congregação Rodeph Shalom da Filadélfia.
Em 1 de março de 1881, o czar Alexandre II da Rússia foi assassinado e um pogrom começou contra os judeus, fazendo com que mais de 2 milhões fugissem para os EUA.
Em 1916, a população dos Estados Unidos era 100 milhões, dos quais 3 milhões eram judeus.
 
Durante a 1ª Guerra Mundial, o presidente Woodrow Wilson escreveu: “Enquanto que em países em guerra há 9 milhões de judeus, a maioria dos quais estão destituídos de comida, abrigo e roupas; expulsos de suas casas sem aviso… provocando fome, doença e sofrimento imensurável… o povo dos Estados Unidos ficou sabendo, com tristeza, dessa horrível situação… Proclamo 27 de janeiro de 1916 como dia para fazer contribuições, mediante a Cruz Vermelha Americana, para a assistência dos judeus assolados.”
 
Traduzido por Julio Severo do artigo do WorldNetDaily:
 
30 de janeiro de 2015
Bill Federer
in Júlio Severo
 
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