"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

GOVERNO MANDA CAIXA RENEGOCIAR DÍVIDA DA OSX, EMPRESA NAVAL DE EIKE

Estaleiro tem R$ 400 milhões em aberto com banco

Por orientação do governo da presidente Dilma Rousseff, a Caixa Econômica Federal busca uma forma de renegociar uma dívida da OSX (braço do grupo EBX que atua na indústria naval) de R$ 400 milhões, que já venceu. Mas há divergências sobre a condução do processo na cúpula do próprio banco.
 
Segundo interlocutores, na última reunião do conselho diretor, na semana passada, houve quem defendesse a execução da fiança do Santander (apresentada como garantia do empréstimo), mas foi voto vencido. O conselho é formado pelo presidente do banco, Jorge Hereda, e pelos vice-presidentes.
- Está havendo pressão do governo para que Caixa renegocie a dívida da OSX, ainda que aceitando garantias menores - contou uma fonte ligada ao banco.
 
Caixa nega pressão
A assessoria de imprensa da Caixa nega pressões e diz que a Caixa “é o próprio governo”. Mas informou que a orientação é pela repactuação da dívida, na tentativa de dar um fôlego à empresa do grupo de Eike Batista. Também não deu detalhes sobre o tipo de garantia que o banco terá, limitando-se a dizer que as condições do refinanciamento ainda estão em curso. Vão depender de um acordo entre a Caixa, o Santander e a empresa, disse um executivo da Caixa.
 
O pedido de recuperação judicial da OGX não deve afetar muito o BNDES. O banco estatal de fomento não possui nenhuma linha de financiamento com a petroleira, apenas detém, via BNDESPar, 0,26% da empresa. Mas, no total, o banco tem contratos de R$ 10,082 bilhões com empresas originárias no Grupo EBX, mas a maior parte é com empresas que já foram vendidas, como a MPX, LLX e parte da MMX. O caso mais grave é o da OSX, que tem contratos de R$ 1,7444 bilhão. Do total emprestado, fontes afirmam que o banco já havia liberado R$ 6 bilhões.
 
Luciano Coutinho, presidente do banco, disse nesta quarta-feira em Porto Alegre que a situação financeira do grupo EBX não preocupa a instituição. Para ele a exposição de crédito do BNDES nas empresas de Eike é “zero”.
 
- Do ponto de vista do banco, a situação (envolvendo a inadimplência de empresas do grupo EBX) está inteiramente equacionada. Já resolvemos toda a exposição de crédito e não teremos perdas. Diretamente, nossa exposição a crédito é zero - afirmou após seminário na PUCRS.
 
O BNDES admitiu que dois empréstimos-ponte contratados com o grupo tiveram de ser prorrogados por falta de pagamento. O contrato com a empresa de logística LLX, de R$ 502 milhões, foi rolado depois do vencimento, em setembro. No dia 14 de outubro, a empresa anunciou que o controle acionário foi transferido para a americana EIG. O novo prazo de pagamento do título é de três anos.
 
O empréstimo de R$ 418 milhões com a OSX, que atua em construção naval, venceu no dia 15 de outubro e foi estendido para janeiro de 2014. Coutinho, entretanto, afirmou que o crédito do BNDES com a OSX está garantido por fiança bancária
 
31 de outubro de 2013
GERALDA DOCA, FLÁVIO ILHA e HENRIQUE GOMES BATISTA - O Globo 

BNDES PODE PERDER R$ 190 MILHÕES REPASSADOS A EIKE

Venda de firmas do grupo EBX e garantia de outros bancos afastam calote de R$ 6 bi
 
A venda do controle de empresas de Eike Batista nos últimos meses e a garantia de outros bancos a financiamentos pelo BNDES afastaram o risco de um calote de até R$ 6 bilhões em recursos ao grupo EBX pelo banco estatal.
 
Mas o BNDES, que não financiou a OGX e diz ter só 0,26% dos papéis da petroleira em recuperação judicial (0,01% da carteira de ações de seu braço de participações, BNDESpar), corre risco com um grande empréstimo.
 
Trata-se do financiamento de R$ 190 milhões à reforma do hotel Glória, que está parada à espera da venda do empreendimento, em negociação com um grupo suíço. A operação não tem garantia de instituições privadas.
 
Dos R$ 6 bilhões que atuais e ex-empresas de Eike deviam ao BNDES, R$ 4 bilhões foram repassados na venda do controle da MPX (atual Eneva) ao grupo alemão E.ON.
 
Empréstimos para a MMX (mineração) e a LLX (logística), nas quais Eike também deixou o controle, são vistos pelo banco estatal como problemas equacionados: a dívida da MMX está sendo renegociada com os novos controladores, e a da LLX foi rolada por três anos. 
 
31 de outubro de 2013
Folha de São Paulo

DILMA 'TRAMBIQUE' SOBRE O EMPRESÁRIO DONO DA OGX: "EIKE É O NOSSO PADRÃO".

Dilma: "Eike é o nosso padrão, a nossa expectativa e sobretudo o orgulho do Brasil quando se trata de um empresário do setor privado."

História da derrocada


A maior hecatombe empresarial do país não é uma boa notícia para ninguém, mas seria bom aprender com o desastre. O empresário Eike Batista conduziu mal seus negócios por ter se alavancado demais e fomentado especulação que inflou de forma artificial o valor de mercado de projetos que não haviam maturado. O governo e o mercado erraram por terem acreditado no delírio.

Em 2010, o valor de mercado da OGX era R$ 74 bilhões. Três anos depois, está em situação pré-falimentar. Desde 2005, o BNDES aprovou R$ 9,1 bilhões em operações com as empresas do grupo EBX e em abril deste ano — quando elas já estavam em apuros e o valor da OGX havia caído para R$ 4 bi — foram aprovadas novas operações no valor de R$ 935 milhões para a MMX. Outros bancos estatais, como a Caixa, também emprestaram para o grupo quando já se sabia das dificuldades.
 
O BNDES usa como escudo o sigilo bancário para não prestar informações. Ofende a lógica quando diz que não perdeu nenhum tostão com o grupo. Ora, se o valor das ações desmoronou, se os empréstimos não foram pagos a tempo, é impossível o banco não ter perdido. O truque é, na época do vencimento, rolar o empréstimo. Uma das rolagens foi no último dia 15: R$ 518 milhões para a OSX. É assim que um credor não registra a perda com um grupo que desmorona: dá mais prazo.

Houve um tempo em que o governo dizia que queria mais "eikes" no país, e Eike dizia que o BNDES era o melhor banco do mundo. Em abril de 2012, em solenidade de início da extração de petróleo pela OGX, a presidente Dilma afirmou: "Eike é o nosso padrão, a nossa expectativa e sobretudo o orgulho do Brasil quando se trata de um empresário do setor privado."
 
Hoje, é fácil ver os erros do empresário. Mas antes também era. Ele sempre exagerou sobre as potencialidades das empresas e, assim, valorizava as ações. Antes que o empreendimento maturasse, criava outra, dependente do sucesso da primeira. Foi construindo um castelo de cartas. Ele se alavancou com dinheiro dos bancos públicos, privados, de investidores. Sempre com dinheiro alheio. Alguns tubarões fugiram a tempo, investidores menores micaram e o governo tenta encobrir as perdas. Mesmo quando os sinais da falta de consistência dos seus negócios eram visíveis, o governo incentivou a Petrobras a fazer parceria com o grupo X. No ano passado, a presidente Dilma declarou, ao lado do empresário, que "ambas podem ganhar muito com uma parceria entre elas". A ideia de Eike era de que Petrobras e OGX juntas criassem uma terceira empresa.

Quando as câmeras foram desligadas, ao fim de uma tensa entrevista que fiz com ele em 2008, em que perguntei sobre várias contradições dos seus negócios, inclusive ambientais, Eike reclamou de eu ter sido muito dura. Eu disse que não tinha perguntado tudo, por falta de tempo, e falei da proposta que ele havia feito de vender energia para o governo por um preço e recomprar por um terço do valor. A proposta fora recusada pela Aneel. Ele me disse: "todos fazem, por que não posso fazer?" Respondi que ele, supostamente, era para ser a renovação do capitalismo brasileiro.
 
Ele nunca foi o novo, sempre se cercou do Estado para se alavancar através de empréstimos ou tratamento diferenciado. As áreas nas quais entrou eram preponderantemente da velha economia. Mas tudo isso seria mais do mesmo. O principal erro foi declarar ter o que não tinha, para assim iludir o investidor.
 
Em maio de 2012, fez declaração de comercialidade de Tubarão Azul. Previu produção de 50 mil/dia e disse que poderia extrair até 150 milhões de barris. Depois, disse: "meus projetos são à prova de idiotas". Em julho passado, Eike admitiu não haver "tecnologia capaz" de extrair petróleo desse campo. Depois, fechou Tubarão Tigre, Tubarão Gato e Tubarão Areia. Ao garantir que tinha o que não poderia entregar, Eike enganou credores e investidores. Essa é a história da derrocada.

31 de outubro de 2013
Miriam Leitão:  O Globo

"O ENEM E A CHIBATA AUTORITÁRIA"

O Brasil está mal em educação e, pelo visto, quer melhorar seu desempenho com o chicote do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Primeiro, criou um exame que reflete a incapacidade do Estado de fiscalizar a qualidade do ensino. Se não conseguimos melhorar a qualidade do ensino, chibata nos iludidos. Afinal, a culpa não é sempre do estudante. O Ministério da Educação (MEC) prefere olhar pelo retrovisor a olhar pelo para-brisa. Os educatecas (obrigado, Elio Gaspari), já que não resolvem o problema com reais soluções, fa-lo-ão punindo as vítimas.
 
Há gente que apenas não quer fazer o Enem. É uma liberdade assegurada pela Constituição, mas os educatecas põem todos no mesmo vagão. Destino: um campo de condenados. Talvez queiram imitar (mal) a Coreia do Sul. Lá, um exame feito no fim do curso secundário define o futuro de um estudante: se será um felizardo por toda a vida - seja na burocracia governamental, seja nos chaebols, os grandes conglomerados industriais - ou um pária para sempre, porque não se saiu bem num exame. A Coreia está repensando o que a revista inglesa The Economist (26/10) chamou de corrida armamentista: todos correm numa raia só para se saírem bem na prova que definirá a universidade - mas nem a economia nem a felicidade se resumem a um diploma universitário.
 
No Brasil, quem vai para a burocracia governamental regulará cada vez mais a vida de todos nós. Quem vai para a empresa privada terminará junto com muita gente no topo e pouca gente para fazer o que é importante no processo produtivo. De ambas as coisas se queixam muito os empresários brasileiros e são eles que fazem o Brasil crescer.
 
Na Coreia do Sul, menos estudantes estão optando por fazer o exame e aceitando que a felicidade pode estar fora daquilo que o bom resultado nele garante. A pressão é simplesmente muito grande e talvez não compense os sacrifícios.
 
Nos Estados Unidos a democratização da universidade começou com o fim da 2.ª Guerra Mundial. Todos os veteranos da guerra tiveram acesso a um curso universitário ou profissional e puderam melhorar de vida. Esse sistema subsistiu até cerca de 2005. Aí a economia disse: basta! Precisava de mais gente treinada para cumprir as tarefas de nível médio. Para isso a universidade é demais. Hoje, para muita gente, não compensa endividar-se para fazer um curso universitário que já não garante um emprego mais bem remunerado.
 
Em conversas com empresários brasileiros, estes dizem querer menos regulação e mão de obra mais competente no nível médio e operacional, "onde as coisas acontecem". Melhor um college de dois anos ou reciclagens periódicas. Com matérias específicas, universitárias ou não, concluídas num curso via internet, servem melhor às necessidades das empresas, que estão sempre sendo forçadas a inovar, e aos empregados, que precisam estar atualizados.
 
Há alguns anos uma universidade brasileira ofereceu cursos com aulas das 11 da noite à 1 da madrugada. Os educatecas chiaram: ninguém pode estudar a sério nesse horário, disseram. Depois de uma longa queda braço cederam e os cursos são um sucesso. Enquanto isso, o Senai (que, felizmente, não é controlado pelos educatecas) passou a oferecer cursos ligados à ferramentaria, das 4 da madrugada às 7 de manhã, no Complexo do Alemão. Havia fila na porta e a moçada que de lá saía tinha emprego garantido porque e economia precisava. Felizes eles, que não eram regulados pelo MEC.
 
Quem toma decisões em Brasília muito pouco contato tem com quem produz riqueza e paga impostos que sustentam o governo. Resultado cruel: mais políticas que saem da cabeça de quem não tem nenhuma experiência no processo produtivo e prejudicam a satisfação das necessidades reais da produção. A ânsia regulatória-fiscalizatória desvia atenções e recursos, que deviam ser canalizados para o crescimento, para atividades cartoriais e certificatórias que pouco ou nada rendem e muito atrapalham.
 
Steve Jobs, da Apple, e Bill Gates, da Microsoft, largaram a universidade e por isso puderam inovar. Peter Thiel, que ficou bilionário com o PayPal e com o Facebook, criou, por meio de uma fundação com seu nome, 20 bolsas por ano para estudantes com menos de 20 anos de idade largarem cursos universitários e se dedicarem a desenvolver inovações, orientados não por burocratas governamentais, mas por empresários de sucesso que produzem as coisas que nos fazem mais felizes. Esse choque de realidade faria efeito aqui, mas cá nem Jobs nem Gates poderiam ensinar em nenhuma faculdade porque não são formados por uma...
 
A Coreia pensa em "descomprimir" o sistema credencial. No Brasil, educatecas criam mais obrigações para "comprimir" mais os adolescentes com políticas que estão sendo abandonadas em outros países. Burocratas ouvem falar de programas que parecem ser muito bons em outros lugares e os transplantam para o Brasil sem saber de suas disfuncionalidades. Ou seja, criam políticas sem pés nem cabeça, "macaqueadas" de outros lugares onde já estão sendo abandonadas, para trazê-las para cá como se pudessem ser panaceias.
 
As regras do Enem estão cada vez mais rígidas (como tudo o que é administrado por burocracias). Agora, além de esse exame se estar tornando obrigatório, ainda querem colocar mais umas bolinhas de ferro nas tiras da chibata, inventando multas para quem se inscrever e não aparecer no dia da prova! Da cabeça de quem sairia uma coisa dessas?
 
Para quem ainda não se deu conta, uma ditadura se baseia no autoritarismo burocrático. Viver num sistema em que sempre os outros obrigam os uns a fazer o que os eles querem explica um pouco do que é o "tudo isso que está aí" contra o que as pessoas protestam.

31 de outubro de 2013
Alexandre Barros é cientista político (PH.D. pela University of Chicago) e consultor empresarial em análise de risco político.
O Estado de S.Paulo

PMDB PROPÕE ADIAR VOTAÇÃO DE AUTONOMIA MAIOR PARA BC

Após ação de Temer, presidente do Senado promete calma na discussão
 
Lula admite conversa com senadores sobre o projeto, mas nega estar engajado na aprovação do texto de Dornelles

A cúpula do PMDB informou à presidente Dilma Rousseff que o projeto que confere autonomia operacional ao Banco Central não deve ser votado neste ano.
 
O próprio defensor da ideia, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), fez chegar ao Palácio do Planalto o recado.
 
A pedido da presidente, seu vice, Michel Temer (PMDB-SP), conversou com Renan sobre o tema.
 
O senador alagoano prometeu tratar o assunto com calma e sinalizou que entendia as "preocupações" do governo, contrário ao projeto.
 
No entendimento de assessores presidenciais, Renan decidiu pautar o projeto para votação no Senado por estar insatisfeito com o governo. Para contornar o mal-estar, Dilma deve chamá-lo para uma conversa.
 
O presidente do Senado nutre a expectativa de indicar um aliado, o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), para o Ministério da Integração Nacional depois de Fernando Bezerra, do PSB, pedir demissão.
 
A presidente, contudo, resolveu indicar um interino para o cargo --o engenheiro Francisco Teixeira, que ocupava anteriormente a função de secretário de Infraestrutura Hídrica da pasta.
 
A decisão acabou frustrando o grupo do peemedebista.
 
Agora, a presidente deve informar a Renan que pretende indicar Vital do Rêgo para a pasta na reforma ministerial que fará no final deste ano ou início do próximo.
 
Dilma também chamará o senador da Paraíba para uma audiência.
 
Na semana passada, Renan surpreendeu o Planalto ao anunciar que colocaria em votação projeto substitutivo do senador Francisco Dornelles (PP-RJ) conferindo autonomia para o BC, com mandato fixo para sua diretoria.
 
Ontem, a coluna "Painel" informou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou a senadores simpatia pela proposta.
 
CONVERSA
Depois de conversar com Dilma, ontem, Lula disse que, se fosse favorável a aprovar no Legislativo a autonomia do BC, teria feito a proposta em seu governo.
 
"Vocês [jornalistas] me conhecem, eu fui presidente da República por oito anos. Se eu fosse favorável, eu teria feito", afirmou, acrescentando que disse apenas aos senadores Renan, Dornelles e Lindbergh Farias (PT-RJ), também engajado na ideia, que "gostaria de conversar com eles" sobre o tema.
 
Dois conselheiros de Lula são defensores da proposta. O ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda) e o ex-presidente do BC Henrique Meirelles chegaram a defendê-la, nos bastidores.
 
"Qual é a lógica? Ninguém está debatendo isso hoje. Acabou esse debate. Não sei por que exigir mais autonomia do Banco Central do que ele tem. Isso é um absurdo. Eu fiquei oito anos na Presidência [e não fiz esta proposta]", continuou.
 
"Mesmo que eu fosse favorável ou que eu fosse contra não diria minha opinião porque é um problema de governo. Eu já fui governo. Se eu tivesse que fazer, eu faria quando estive na Presidência. Eu não posso deixar de ter feito uma coisa para dar palpite no que os outros devem fazer", disse Lula ontem.
 
31 de outubro de 2013
VALDO CRUZ, TAI NALON e RANIER BRAGON - Folha de São Paulo

CONTAS DO GOVERNO DILMA TÊM O MAIOR ROMBO DESDE O PLANO REAL: R$ 10 BILHÕES



Contas do governo têm maior deficit para setembro desde o Plano Real
 

A arrecadação de impostos e outras receitas ficou longe do necessário para cobrir no mês passado as despesas do governo com pessoal, programas sociais, custeio administrativo e investimentos.
 
Faltaram R$ 10,5 bilhões no caixa do Tesouro Nacional, o pior desempenho para o mês desde o Plano Real _as estatísticas anteriores são distorcidas pela hiperinflação. O resultado mostra a ineficácia do ajuste fiscal prometido em julho para ajudar no controle da inflação: em agosto, o resultado já havia sido o pior para o período desde 1996.
 
Sem disposição política para conter a alta de seus gastos, a administração petista torce por uma recuperação espetacular da arrecadação para fechar as contas do ano. Isso ainda não aconteceu: no mês passado, a receita subiu razoáveis 6,9% _mas a despesa cresceu 20,4%.
 
O deficit significa que o governo não apenas deixou de poupar para reduzir sua dívida, mas também foi obrigado a tomar mais dinheiro emprestado para bancar seus gastos rotineiros e as obras públicas.
 
Setembro é normalmente um mês de despesas elevadas, em razão do pagamento da primeira parcela da gratificação natalina, espécie de 13º salário dos aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
 
Os dados do Tesouro Nacional, porém, mostram que a deterioração fiscal vai além das circunstâncias sazonais. Considerados os primeiros nove meses do ano, o saldo das contas caiu de R$ 75,3 bilhões em 2011 para R$ 54,8 bilhões em 2012 e R$ 27,9 bilhões neste ano (R$ 38,5 bilhões até agosto).
 
O motivo principal da piora é o aumento de despesas de caráter permanente, em especial na área social. Os gastos com custeio e programas sociais acumulam alta acima de 13% neste ano, enquanto os investimentos aumentaram apenas 2,9%.
 
Em consequência, os resultados prometidos para este ano e o próximo têm cada vez menos credibilidade _e um ajuste futuro será mais difícil.
 
A meta oficial da União é poupar R$ 73 bilhões em 2013 para o abatimento da dívida pública. Mesmo com as receitas extras como a do leilão do campo petrolífero de Libra, as chances de atingir o resultado permanece remota.

31 de outubro de 2013
Folha de São Paulo

"O GOSTO AMARGO DO IPTU"

Com medo de que a impopularidade do aumento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) proposto pelo prefeito Fernando Haddad provocasse deserções na bancada governista, a liderança do PT antecipou a apreciação da matéria em segunda votação e conseguiu aprová-la pouco antes da meia-noite de terça-feira pelo apertado placar de 29 votos a 26.
 
Apesar de um recuo em relação à proposta original, o aumento - que teve por base a revisão da Planta Genérica de Valores (PGV) dos imóveis - foi considerável, muito acima da inflação e sem relação com o crescimento da renda da população.
 
O aumento máximo para os imóveis residenciais baixou de 30% para 20% e o dos comerciais, de 45% para 35%. O Executivo cedeu também no caso dos aposentados, que ficariam numa situação particularmente difícil. Os que ganham até quatro salários mínimos terão desconto de 50% e para os que recebem até 5 salários ele será de 30%. Continuam isentos os que ganham até 3 salários. Esse recuo, à primeira vista importante, na verdade é bem pequeno, considerando-se o quanto o atual governo vai ganhar com o IPTU até o final de seu mandato, já que o aumento não se restringe ao próximo ano.
 
Depois de 2014, os tetos do aumento serão de 10% para os imóveis residenciais e de 15% para os comerciais até 2017, portanto acima da inflação, que é estimada pela própria Prefeitura em 6% para cada ano. Em 2017 será feita uma nova revisão da PGV para determinar os aumentos de 2018. Praticamente metade dos proprietários de imóveis da capital (49,7%) - ou 1,5 milhão, de um total de 3,1 milhões - será afetada por esses aumentos sucessivos até 2017.
 
Em resumo, esse caso lembra a velha história do bode malcheiroso colocado na sala para mostrar que sempre pode acontecer algo pior. Depois que ele é retirado, todos respiram aliviados, sem perceber que foram logrados, porque terão de suportar uma coisa apenas um pouco menos desagradável. Ou seja, o aumento proposto no projeto original de Haddad era ruim, mas com o que acabou sendo aprovado a situação melhorou muito pouco, embora o prefeito e seus aliados tenham tentado parecer conciliadores, capazes de ceder aos reclamos dos contribuintes.
 
Essas concessões enganadoras não livraram, evidentemente, o aumento do IPTU de seus graves vícios de origem. O primeiro, confessado pelo próprio Haddad - por inadvertência ou arrogante autossuficiência, pouco importa -, é o da sua utilização para cobrir em parte o subsídio ao serviço de ônibus, que disparou, chegando a R$ 1,6 bilhão, para garantir o congelamento da tarifa de R$ 3. Subsídio que, a julgar pelo histórico do problema, tem tudo para continuar a crescer. Não tem cabimento atualizar a PGV de olho nisso, porque não há nenhuma razão para os proprietários de imóveis ajudarem a pagar essa conta.
 
O segundo é a tentativa de repassar inteiramente a valorização dos imóveis para a PGV e, consequentemente, para o IPTU. Tem toda razão Jaime Vasconcelos, assessor econômico da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio), quando afirma: "Não se paga imposto com valorização (de imóveis), mas com renda. E a renda das pessoas e o faturamento das empresas não cresceram nessa proporção". Alguém acredita que a renda dos proprietários cresceu tanto quanto a valorização dos imóveis que, como afirmam os defensores do aumento do IPTU, foi de 100% desde 2009, quando foi feita a última revisão da PGV? A valorização só se transforma em renda quando o proprietário vende o imóvel, e não é preciso dizer que a imensa maioria deles não vive a fazer isso. E mais: quem vende já tem de pagar Imposto de Renda sobre a valorização.
 
Não surpreende, por tudo isso, que nada menos que 89% dos moradores da capital tenham se declarado contra o aumento, de acordo com pesquisa feita pelo Datafolha. E que a Associação Comercial de São Paulo tenha reagido com indignação à manobra para aprovar o projeto às pressas. Segundo seu presidente, Rogério Amato, a antecipação da votação foi "um golpe", dado com o objetivo de evitar "debate e pressão democrática da sociedade".

31 de outubro de 2013
Editorial do Estadão

DÉFICIT RECORDE LEVA TCU A FAZER AUDITORIA NAS CONTAS DO FUNDO DE AMPARO AO TRABALHADOR

FAT deve ter rombo de R$ 7,2 bilhões este ano. Análise será feita no 1º semestre do ano que vem


O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou nesta quarta-feira a realização de uma auditoria nas contas do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Em sessão realizada no plenário da corte, o ministro-substituto André Luis de Carvalho propôs um pente fino no FAT, cujo rombo neste ano chegará a R$ 7,2 bilhões, pior resultado desde a criação do fundo, em 1990, segundo revelou o GLOBO na edição de segunda-feira. Os ministros concordaram e aprovaram a auditoria.

A fiscalização será feita no primeiro semestre de 2014, como ficou acertado na votação. Alguns ministros chegaram a sugerir a realização da auditoria ainda neste ano, em razão da gravidade dos fatos. Prevaleceu a avaliação de que não haveria tempo hábil para a apuração, e os ministros concordaram em deixar o pente fino para os primeiros meses do próximo ano.

- É preciso fazer uma nova fiscalização financeira do FAT, em especial sobre a atual situação, tendo em vista o que foi mostrado na imprensa e o que já foi discutido no TCU - disse André Luis de Carvalho.
A proposta não estava prevista e foi incluída nesta quarta-feira mesmo na pauta. A previsão para 2014 é de um déficit ainda maior no FAT, de R$ 9,3 bilhões. Isso exigirá novos aportes do Tesouro. O fundo é fonte de recursos para o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o seguro-desemprego e o abono salarial (PIS).

Para justificar o pedido de auditoria, André Luis Carvalho citou decisão do TCU de 2008 que já apontava “possível” déficit operacional do FAT. Diante das informações novas sobre o rombo no FAT, foi aprovada a realização da auditoria “em prazo que não exceda o primeiro semestre de 2014”.

A reunião do conselho deliberativo do Fundo, realizada nesta quarta para discutir medidas relativas ao déficit nas contas, não foi conclusiva. Nova reunião foi programada para finalizar as propostas e submetê-las à aprovação do colegiado.

31 de outubro de 2013
VINICIUS SASSINE - O Globo
(Colaborou Geralda Doca)

"A FALTA QUE NOS FAZ UMA BOA ESPIONAGEM"

 
Esses grupos que estão quebrando e tocando fogo em várias cidades certamente não saíram do nada

Essa história da espionagem americana está cada vez mais complicada, e vai ficar pior. A chamada comunidade de inteligência de Washington, que inclui políticos, formadores de opinião e funcionários do setor, saiu em defesa própria, dizendo que agências de outros governos também espionam líderes americanos. Algo assim: está todo mundo esculhambando a NSA (Agência Nacional de Segurança dos EUA), mas a verdade é todo mundo faz a mesma coisa e que eles (da NSA) sabem de tudo muito bem.
 
Uma ameaça, não é mesmo?
 
Vai piorar nessa direção — se os americanos resolverem vazar o que certamente sabem sobre a espionagem dos outros. Comentou James Clapper, diretor geral da Inteligência Nacional da administração Obama: “Tentar decifrar as intenções de líderes estrangeiros é a função básica das operações de inteligência de qualquer governo”.
 
Por outro lado, há aí um efeito positivo. Acusações e contra-acusações já conduzem a um bom debate, especialmente nos EUA, sobre a competência dos atuais órgãos de espionagem, a extensão de sua atuação e os limites que devem ser impostos.
 
O resumo do que aconteceu está na cara: depois da série de sangrentos atentados terroristas, que começou nas torres de Nova York, passou por estações de Londres e Madrid e diversos outros locais e nações, os governos dos países que eram alvos óbvios remontaram seus sistemas de segurança. E os ampliaram de tal modo que estes ganharam autonomia, uma dinâmica própria que os coloca fora do controle dos governantes eleitos.
 
O que Obama sabia ou sabe agora? Em algum momento ele vai ter que dizer algo e dificilmente encontrará uma boa saída. Se ele sabia de tudo, inclusive dos grampos, então claramente mentiu e exorbitou de suas funções. Se não sabia de nada, então quem é que manda lá?
 
Já no Brasil — falando fracamente — o que nos falta é uma boa espionagem. Esses grupos que estão quebrando e tocando fogo em várias cidades certamente não saíram do nada. Organizaram-se de algum modo no passado e hoje organizam suas ações do mesmo modo — que é pelos instrumentos da internet e dos celulares e suas vias, os e-mails, Google, Facebook e Twitter, para citar apenas os mais manjados.
 
Há muitas agências de inteligência no Brasil — federais, das Forças Armadas e das polícias estaduais. E não perceberam nada? Muitas investigações apanharam grossa corrupção com grampos legais, autorizados pela Justiça. Agentes federais foram colocados em Pernambuco para vigiar o governo de Eduardo Campos. Aliás, foram descobertos, o que sugere muita coisa sobre o grau de eficiência do sistema.
 
De todo modo, é obviamente uma falha das agências e do Ministério Público não terem percebido, monitorado e apanhado esses grupos terroristas que estão agindo nas cidades brasileiras. Continua sendo uma falha que não tenham conseguido até agora desativar esses grupos.
 
Agências de informações nunca foram lá essas coisas por aqui, nem mesmo durante o regime militar. A tortura era o método principal de obter informações.
 
Nos anos 70, período da distensão no governo Geisel, tive oportunidade de fazer reportagens, para a “Veja”, sobre ações do famoso Serviço Nacional de Informações (SNI). Era ridícula a coleta de informações: agentes se baseavam na imprensa e davam crédito aos boatos mais estúpidos. A análise dos grupos de esquerda estava totalmente errada.
 
Depois, na democratização, trabalhando no Ministério do Planejamento, na ocasião do Plano Cruzado (1986), tive acesso a relatórios que o SNI mandava ao presidente da República sobre as reações ao programa econômico. Tudo material de imprensa e ainda assim tendenciosamente favorável, mostrando sempre quadros positivos. (Conto isso em meu livro “Aventura e agonia nos bastidores do cruzado”, Companhia das Letras, 1987).
 
Parece que não mudou muita coisa. Vinte e oitos anos depois da queda do regime militar, ainda não aprendemos como se lida com a polícia, incluindo a política, na democracia. O combate à ditadura militar deixou um subproduto cultural e político, a tremenda desconfiança em relação a qualquer tipo de polícia. Com isso, não houve a formação de um novo sistema de informação e segurança, controlado pelos órgãos do Estado. A defesa da democracia precisa tanto de polícia como de forças armadas.
 
O resultado está na cara. A falta de segurança é uma das principais queixas dos cidadãos. Nas manifestações, as polícias militares ou não fazem nada ou baixam o cacete indiscriminadamente. As agências de informação não sabem de nada e, quando grampeiam, deve ser coisa do governo, não do estado.
 
Lá, informação de mais. Aqui, de menos. E erradas.

31 de outubro de 2013
Carlos Alberto Sardenberg, O Globo

DEVANIR, DO PT E COMPADRE DE LULA, RECEBEU R$ 100 MIL DA MÁFIA DO ASFALTO

Deputado do PT recebeu R$ 100 mil em doação de empreiteira da Máfia do Asfalto

Devanir Ribeiro aparece como suposto beneficiário de propina de grupo que fraudou licitações em 78 municípios em São Paulo
 
O deputado federal Devanir Ribeiro (PT/SP) recebeu, em 2010, R$ 100 mil em doações de campanha da Scan Vias Construções e Empreendimentos Ltda, empreiteira do Grupo Demo -  controlado pelo empresário Olívio Scamatti, acusado pelo Ministério Público de liderar a Máfia do Asfalto.
 
O nome Devanir aparece em uma planilha de Ilso Donizete Dominical, contador da organização criminosa que teria se infiltrado em pelo menos 78 municípios da região noroeste de São Paulo para fraudar licitações com recursos de emendas parlamentares.
 
O documento é uma tabela Excel de quatro colunas, 81 linhas e 22 nomes. Devanir teria recebido R$ 45 mil em agosto e novembro de 2011, segundo as anotações.
 
Para os promotores que denunciaram Scamatti e outros 29 empresários, lobistas e servidores públicos à Justiça como integrantes da Máfia do Asfalto, a planilha representa “indicativo de possível contabilidade do pagamento de propina a alguns parlamentares”.
 
A Máfia do Asfalto foi desmantelada em abril pela Operação Fratelli, missão integrada da Polícia Federal, Ministério Público Estadual e Ministério Público Federal.
 
Nos computadores da Scan Vias, sediada em Monções (SP), apreendidos pela força tarefa, um documento expõe longa série de emendas parlamentares, inclusive duas de autoria de Devanir, que somam R$ 7,7 milhões. Uma delas (R$ 2,18 milhões) destinada a “Apoio à Política Nacional de Desenvolvimento Urbano” e a outra (R$ 5,52 milhões) para “Apoio ao Projeto de Infraestrutura Turística”.
 
O apenso 8-A dos autos da Operação Fratelli contém detalhes da investigação que aparentemente mostram laços estreitos de Devanir com Olívio Scamatti, que está preso há quase 8 meses, por ordem judicial.
 
Nesse apenso, volume II, o Ministério Público transcreve diálogos de Olívio Scamatti com um irmão dele, Pedro.
 
Por exemplo, no dia 28 de maio de 2010, às 10h18, o empreiteiro diz que na noite anterior “foi na festa de Fernandópolis (SP) e se encontrou com o deputado Devanir e o pessoal da Valec”.
 
Scamatti diz a Pedro: “Valec é os contratantes, Valec é o governo. O seu Luiz (prefeito) conseguiu uma zona franca aqui em Fernandópolis igual à zona franca de Manaus, o Devanir conseguiu e vai desviar uma moto da ferrovia prá passar perto, e os caras tavam aí prá fazer o projeto, aí eu bati um papão com os caras. Foi muito bom.”
 
Em outro grampo, Scamatti conversa com um homem não identificado. Eles falam sobre Devanir.
 
“Ó, tem do Devanir de cem mil teu, que tá aí, certo?”, diz Scamatti.
 
O interlocutor do empreiteiro responde. “Não, do Devanir você fez também. É, do Devanir você fez também. Você já até fez, é recape, já acabou. Pode ver e fala com o Marco, se eu coloquei algum obstáculo.”
 
Procurado pela reportagem do Estado, a assessoria de imprensa do deputado federal Devanir Ribeiro informou que ele “não vai se manifestar”.

31 de outubro de 2013

Fausto Macedo e Ricardo Chapola - O Estado de São Paulo

O QUE FAZ A FOTO DE UMA MULHER NUA SOBRE UM PEDESTAL, NUM BLOG DE RESPEITO COMO ESTE?


Carole Feuerman - Tree, 2009-2011 Oil and Resin, 62 x 37 x 29″
“Tree”
campeões de audiência 02

Post publicado originalmente a 19 de dezembro de 2011

Não faz nada, ora.
Porque não se trata de uma mulher nua, amigas e amigos do blog.
Trata-se de uma obra de arte — uma escultura feita de resina e pintada pela americana Carole Feuerman, considerada uma das melhores artistas hiperrealistas do mundo, com trabalhos expostos em alguns dos melhores museus que existem, como o Metropolitan, de Nova York, e o Hermitage, em São Petersburgo, na Rússia.

Entre as personalidades que possuem obras de Feuerman estão o imperador Akihito, do Japão, o ex-presidente americano Bill Clinton e sua mulher, Hillary, o ex-secretário de Estado Henry Kissinger e o ex-presidente soviético Mikhail Gorbachov.

“Sou mais conhecida por minhas esculturas hiperrealistas de nadadores e de pessoas tomando banho, minuciosas a ponto de conter cada sarda da pele e cada gota de água”, diz, com acerto, Feuerman. “Procuro esculpir a figura humana de forma tão semelhante a pessoas vivas para que as peças pareçam até respirar… ”

Para ficar no estado de perfeição que quer, a artista explica que uma peça pode requerer até 100 mãos de tinta, e lixar e polir entre cada camada, para alcançar o acabamento e a luminosidade necessários. Do começo ao fim, o processo de criar uma escultura pode levar de seis meses a vários anos.

"Employee Shower" da coleção Grounds for Sculpture
“Employee Shower”, da coleção Grounds for Sculpture
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“Balance”
“Balance”
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“General’s Twin”
“General’s Twin”
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"NBA"
“NBA”
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Carole Feuerman cabeça homem
“Luca”
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Carole Feuerman moça maiô sem pernas
“Capri”
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Carole Feuerman moça com boia gigante
“Survival of Serena”
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A modelo real sobre peça que inspirou, “Survival of Serena”, incompleta
A modelo real sobre peça que inspirou, “Survival of Serena”, incompleta
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Carole trabalhando em "Balance"
Carole trabalhando em “Balance”
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Carole Feuerman trabalhando numa escultura de tamanho gigante
Carole Feuerman trabalhando na obra “Brooke with Beachball”
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Carole Feuerman trabalhando numa peça em tamanho normal
Carole Feuerman trabalhando em “Lady Neptune”. O brilho excessivo da escultura indica que ela ainda não está pronta
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“Nude Coming Through the Wall”

Ver mais sobre hiperrealismo em:

- Acredite se quiser: NADA do que você vai ver agora são fotos

- Parece real, muuuuuito real — mas são apenas esculturas

- Nudez, sexo, ousadia nos quadros hiperrealistas do americano Terry Rodgers

- Ela própria — nua –, solidão, doces e frutas: a pintura hiperrealista de Lee Price

- São fotografias em preto e branco? Não, são pinturas. Confira

31 de outubro de 2013
coluna Ricardo Setti
Veja

GOVERNO ATUA PARA BARRAR CPI QUE INVESTIGARIA GASTOS DA COPA

  

Nada de CPI


Maracanã: um estádio bilionário
Maracanã: um estádio bilionário
O Palácio do Planalto entrou em ação para tentar barrar a CPI da CBF – chamada assim pelo senador Mário Couto, que colheu as assinaturas necessárias para a sua criação, mas que, na verdade, é para investigar os gastos com estádios da Copa 2014.
 
Senadores que assinaram o requerimento estão recebendo telefonemas de governadores e de ministros pedindo que retirem suas respectivas assinaturas do documento.  Pelo tamanho da pressão, a tendência é a de que o Planalto tenha êxito.
 
31 de outubro de 2013
Lauro Jardim - Veja

PETROBRAS PERDE QUASE 2 BILHÕES POR MÊS AO NÃO REAJUSTAR GASOLINA

 

Congelamento de preço é uma medida drástica historicamente tomada por administrações em apuros inflacionários. No Brasil, marcaram história os congelamentos do governo Sarney entre 1985 e 1989. Mas não se trata de uma exclusividade nacional: Estados Unidos, França e até a vizinha Argentina já andaram experimentando deste paliativo.
 
E o melhor termo para qualificá-lo há de ser justo este: paliativo. Porque não só não resolve o problema, como o mascara, dando ao mercado índices falsamente aceitáveis, e torna ainda mais difícil a busca por uma solução. No caso do Brasil, foi necessário esperar quase uma década para que finalmente nascesse o Plano Real e desse jeito naquela inflação que chegou a bater nos 83% ao mês.
 
Uma das marcas do governo Dilma pode ser a volta do congelamento de preços; no caso, dos produtos fornecidos pela Petrobras. Numa medida drástica para evitar o estouro inflacionário, interferências do Planalto vêm impedindo que a estatal pratique o valor real de seus produtos no mercado, mas sim o mesmo há pelo menos 2 anos. Como não existe almoço grátis, os custos disso são pagos por alguém. No caso, pela própria refém dos desmandos petistas. É o que denunciou matéria da Veja:
Apesar da pressão de investidores pelo aumento do preço dos combustíveis, a presidente da Petrobras, Graça Foster, continua afirmando que não haverá alta no curto prazo — nem mesmo depois que a empresa assumiu o compromisso de pagar 6 bilhões de reais pelo bônus do leilão do Campo de Libra, arrematado por consórcio único na última segunda-feira. O consumidor celebra, já que a oscilação do preço da gasolina no mercado internacional não pesará em seu bolso. O governo também comemora, pois não sentirá o peso do reajuste na inflação. Contudo, a decisão fez a estatal perder 14,1 bilhões de reais no acumulado do ano até agosto, segundo levantamento do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE). O valor perdido seria suficiente para pagar duas vezes o bônus — e ainda sobrariam recursos.
(grifos nossos)
A sangria chega a quase 2 bilhões de reais por mês em 2013. E vem crescendo mês a mês, a ponto de se aproximar do dobro disso em agosto:
O saldo calculado pelo CBIE decorre da diferença entre os preços praticados pela empresa no mercado interno e os preços internacionais da gasolina e do óleo diesel, sem contar a variação cambial. O dólar se valorizou 6,8% no acumulado do ano. Segundo o CBIE, apenas em agosto a Petrobras perdeu 3,95 bilhões de reais ao absorver a variação. O órgão calcula que média mensal de perdas nos primeiros oito meses do ano é de 1,8 bilhão de reais.
 (grifos nossos)
Por atitudes assim, a Petrobras vem infelizmente tendo cada vez menos confiança do mercado. Os próprios membros do governo não mantêm um mesmo discurso quando o assunto é aumento:
Com problemas de caixa que a levaram a executar um programa de venda de ativos de 4,3 bilhões de dólares, a empresa vem sendo questionada se conseguirá arcar com seus compromissos de investimento e com o pagamento do bônus de Libra. Graça Foster afirmou, em entrevista à imprensa, que a estatal pagará tranquilamente o valor sem precisar recorrer ao aumento da gasolina. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, que também é presidente do Conselho de Administração da Petrobras, chancelou o discurso da executiva. Contudo, no início de outubro, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, deixou claro que um aumento estava por vir entre o final de 2013 e o início de 2014. 

31 de outubro de 2013
Marlos Ápyus

AÉCIO QUER TRANSFORMAR BOLSA FAMÍLIA EM POLÍTICA DE ESTADO

Medida visa proteger o programa de especulações eleitorais a exemplo das ocorridas em 2010, abrindo espaço para o debate de outros projetos para o país

aecio neves 620 527x338 Aécio quer transformar Bolsa Família em política de estado
 
 
Uma oposição precavida vale por duas. Se por um lado, após o leilão de Libra, o governo perdeu qualquer moral para pregar contra privatizações, por outro ainda mantinha na manga a especulação de qualquer prejuízo ao Bolsa Família caso não fosse garantida a Dilma a reeleição. Já antevendo qualquer jogo baixo do tipo, o senador Aécio Neves apresentou projeto de lei que visa vincular Bolsa Família a fundo de assistência, o que o tiraria dos cuidados de qualquer partido ou administrador, estando seguro independentemente do vencedor do pleito de 2014:
O senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB e provável candidato do partido à Presidência da República, apresentou nessa quarta-feira no Senado um projeto de lei que incorpora o Bolsa Família à Lei Orgânica de Assistência Social (Loas), incluindo o benefício no conjunto de políticas públicas de assistência social e de erradicação da pobreza no Brasil. “O ideal é que nenhum brasileiro precise mais do Bolsa Família, e cabe ao Estado ajudar quem precisa fazer esta travessia, por meio do programa. Enquanto precisarem, terão a garantia que contarão com o Bolsa Família, assegurado como política de Estado, e não mais como política de governo ou de partido”, diz Aécio.
(grifos nossos)
Diferentemente do atual governo, o senador Aécio Neves se mostra interessado em fazer com que os beneficiários do programa encontrem o quanto antes qualidade de vida o suficiente para não mais precisar da bolsa fornecida pelo Estado. Isso seria possível por uma maior inserção dos mesmos no mercado de trabalho:
Com a inclusão à Loas, o Bolsa Família passará a constar no inciso I do artigo 2° da Lei 8.742/93 e terá recursos garantidos pelo Fundo Nacional de Assistência Social, sob controle do Conselho Nacional de Assistência Social. “Entendemos que, desta forma, institucionalmente o Bolsa Família mudará de patamar, dando mais tranquilidade aos beneficiários, sem, contudo, perder seu caráter de transitoriedade. Ou seja, de forma mais articulada com outras políticas, o Bolsa Família poderá vir a ser um instrumento de travessia para a inserção no mercado de trabalho, para a melhoria de vida – em suma, para a superação da miséria”, afirma o senador.
(grifos nossos)
Por fim, o senador Aécio Neves demonstrou interesse em elevar o nível do debate nas próximas eleições, protegendo-se das mais baixas especulações bancadas pela situação:
Segundo o PSDB, o projeto atende sugestões feitas por gestores, trabalhadores, conselheiros e usuários da Assistência Social no País. “Nada muda nas regras e nos direitos do Bolsa Família. Ninguém terá seus benefícios alterados. Não muda o caráter transitório da concessão de benefícios, que norteia a Bolsa Família desde a sua concepção”, disse. “O que estamos propondo é, simplesmente, dar aos beneficiários a segurança de que o Bolsa Família não ficará à mercê da vontade deste ou daquele governante, como alguns tentam fazer crer.”

31 de outubro de 2013
implicante

FALTOU OXITOCINA AOS MENSALEIROS

Por que você gasta? Por que compra coisas, úteis ou inúteis? Por que você gasta o que não tem? Estas perguntas, de respostas mais ou menos óbvias, são agora objeto de uma ciência, a neuroeconomia.

Você gasta porque pode gastar, ora bolas. Ou porque se pendura no crédito, o que também significa poder gastar. Se gasta o que não tem, é por ser um irresponsável, com forte vocação para caloteiro. Se compra coisas úteis, é porque delas precisa. Se compra as inúteis, é porque deixou-se levar pela lábia dos publicitários.

Ocorre que, enunciando assim de maneira simples as respostas a perguntas simples, você não vai muito longe. Melhor dar uma aura científica ao banal. Nada melhor que uma teoria complexa, o que pode lhe dar renome e, conseqüentemente, dividendos.

Leio na Zero Hora reportagem sobre Paul Zak, o cientista – ou sei lá como defini-lo – que vê o impacto dos hormônios na tomada de decisões econômicas. Você não é mais livre quando decide se compra isto ou aquilo. Muito menos escravo do consumismo, disto você está absolvido. A culpa é da perversa oxitocina.

Diz Paul Zak: “Os seres humanos são criaturas emocionais e isso afeta a nossa tomada de decisão e a dos mercados. Também somos criaturas biológicas, temos necessidades e desejos que são movidos por fisiologia. O que minha pesquisa tem mostrado é que pequenas mudanças na química do cérebro podem ter profundos efeitos comportamentais. Se vamos colaborar com os outros ou tentar tomar o dinheiro deles, se escolhemos investimentos seguros ou de risco, e se agiremos de forma ética ou se nos comportaremos como psicopatas”.

Ou seja, ninguém mais é ladrão, nem fere a lei e muito menos a ética. O repórter pergunta:

— Alguma decisão pode ser totalmente racional?

Zak é taxativo:

— Não. Nem uma sequer. O cérebro é um órgão integrado e apesar de conseguirmos contar para os outros e para nós mesmos as razões de uma determinada escolha, ambas — emoção e cognição — afetam as decisões. Ao longo de 10 anos de pesquisa, os resultados mostraram que a maioria das decisões tem um componente emocional.

Cientistas buscam todos os dias causas genéticas para comportamentos e opções de cada indivíduo. Já se buscou o gene do alcoolismo. Não me consta que tenha sido encontrado. Se o fosse, seria muito oportuno. Qualquer pinguço poderia justificar-se cientificamente: "Que posso fazer? É genético. Garçom, dose dupla, por favor". Nada mais confortável que atribuir a uma predestinação biológica o que depende de uma decisão.

Buscou-se depois um gene bem mais conveniente, o do homossexualismo. Mas os engenheiros genéticos parecem ser avessos a leituras históricas. No Ocidente, o homossexualismo era um comportamento normal e até mesmo desejável, antes que o cristianismo contaminasse a cultura helênica com a camisa-de-força de seu conceito de amor, como algo único e direcionado ao sexo oposto. Aliás, este poderoso mito literário ocidental, o amor, nasce na Grécia, com os poemas de Safo de Lesbos, e é antes de tudo homossexual. Em todo caso, uma causa biológica para esta opção facilitaria a vida de muitos efebos sem maior cultura histórica. “É genético, querido”.

O que está sendo cada vez mais insólito de admitir é que alguém é homossexual porque decidiu ser homossexual, porque gosta de relacionar-se com o mesmo sexo, em suma, porque é livre de decidir com quem quer se relacionar.

Buscou-se também o gene da inteligência. Epa! Terreno minado. Imagine se este gene fosse politicamente incorreto, com preferência por certas raças. Encontrá-lo seria um desastre. Deixa pra lá, melhor não insistir nesta pesquisa.

De acordo com Zak – em reportagem da Veja do ano passado - é a oxitocina quem nos diz em quem confiar e quando ficar desconfiado, quando gastar e quando poupar. "O nível de confiança dentro de uma sociedade determina se essa sociedade prospera ou se mantém na miséria", escreve. Para o neuroeconomista, são as sociedades nas quais os indivíduos conseguem reforçar contratos, confiar no profissionalismo alheio e acreditar que o outro não vai roubá-lo que têm mais potencial para o desenvolvimento econômico. E a oxitocina está diretamente envolvida nessa confiança mútua.

Quer dizer, tanto o desenvolvimento econômico das nações como a confiança em contratos depende não de trabalho ou honestidade, mas de um reles hormônio.

- Com medições dos níveis de oxitocina no sangue, conseguimos prever se o sentimento de empatia, que nos conecta a outras pessoas, e nos faz ajudá-las, vai se manifestar num indivíduo em relação àqueles que estão à sua volta. É a empatia que nos faz morais.

Temos agora uma molécula que determina a moral de cada um. Não por acaso, Zak é autor de um livro intitulado A Molécula da Moralidade.

De onde concluímos não ser por desonestidade que os mensaleiros cometeram seus “feitos”, como diz Dona Dilma. Deve ter sido carência de oxitocina. Nada que alguns comprimidos não resolvam.

Os coitados estão prestes a serem encarcerados em função de um código penal medieval, quando bem poderiam ser recuperados com um tratamento intensivo de oxitocina, propiciado por estes novos cientistas, os neuroeconomistas.


31 de outubro de 2013
janer cristaldo