"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

JOAQUIM BARBOSA (CANDIDATO?? DIZ QUE PAÍS FOI SEQUESTRADO POR POLÍTICOS CORRUPTOS


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Charge do Jeremias Castro (Arquivo Google)
Numa longa entrevista a Maria Cristina Fernandes, suplemento do Valor, edição de sexta-feira, o ministro aposentado do STF, Joaquim Barbosa, afirmou existir uma balbúrdia institucional no Brasil, pois o país foi sequestrado por um bando de políticos inescrupulosos que reduziram nossas instituições a frangalhos. Em nenhum país do mundo – destacou – o chefe de Governo permaneceria no cargo depois das acusações que foram feitas contra Michel Temer. Para Joaquim Barbosa, Michel Temer deveria ter tido a honradez de deixar a Presidência da República.
Joaquim Barbosa, de acordo com o texto de Maria Cristina Fernandes, seria um candidato forte à sucessão presidencial de 2018. Na entrevista, em princípio negou ser candidato, porém o tom da negativa não foi definitivo. Abriu assim a perspectiva de eventualmente assumir a candidatura, lembrando já ter recebido convites de partidos políticos como a Rede, de Marina Silva, de setores do PSB e de correntes até do PT.
E A FILIAÇÃO? – A intenção ficou no ar. Mas, digo eu, se o movimento em torno de seu nome se consolidar numa legenda, ele terá que se filiar a esse partido até 7 outubro, pois  a legislação eleitoral estabelece a exigência de um ano de filiação partidária para todos os candidatos de modo geral.
Por coincidência, na mesma sexta-feira, em entrevista a Folha de São Paulo, o governador Geraldo Alckmin afirmou que será candidato à sucessão de Michel Temer, rompendo assim abertamente com o prefeito João Dória que também postula ser candidato do PSDB. Na área dos tucanos, são os dois nomes fortes, uma vez que Aécio Neves e José Serra, especialmente o senador mineiro, foram fortemente atingidos pelas delações premiadas de Joesley Batista.
PRESIDENCIALISMO – Mas vamos voltar a Joaquim Barbosa. O ministro aposentado do STF sustentou ser contrário a qualquer iniciativa que signifique um esforço para transformar o regime de Presidencialista em Parlamentarista. A seu ver, trata-se de uma ideia absolutamente caótica, sobretudo porque o Parlamentarismo já foi rejeitado maciçamente em dois plebiscitos: de 1963 e o de 1993.
Perguntado por que a população se mobilizou para derrubar Dilma Rousseff e não se mobilizou para afastar Michel Temer, acentuou acreditar que a explicação se encontra no cansaço da sociedade diante da instabilidade política do país.
A entrevistadora lembrou que Joaquim Barbosa possui uma popularidade muito ampla, não só junto às classes de menor renda, como também em relação a classe média, e o entrevistado permaneceu em silêncio diante da colocação.
CAPITALISMO – Em seguida, retomando o diálogo, Barbosa sustentou que o Brasil precisa de um capitalismo de verdade. Uma união entre o capital e o trabalho. Para ele, a Democracia baseia-se na ideia de Jean Jacques Rousseau que há séculos atrás equacionou dessa forma as forças produtivas dos países. Ressaltou, entretanto, que o tamanho do Estado na economia precisa ser diminuído, porém o mais essencial é o combate frontal e vigoroso à corrupção.
A respeito de seu conhecimento com a História Francesa, incluindo seus princípios essenciais de liberdade, Joaquim Barbosa lembrou ter residido quatro anos naquele país onde cursou mestrado em Direito. Formou-se em Direito logo após trabalhar como jornalista no Correio Brasiliense e no Jornal de Brasília.
BESTIALIZAÇÃO – Num dos trechos da reportagem, Barbosa, focalizando a campanha para 2018 disse identificar dificuldades, pois o país está sendo bestializado pelo governo Michel Temer e pelo descrédito nas instituições. Por isso a magistratura comanda o espetáculo e tem encontro marcado em 2018.
Joaquim Barbosa não esclareceu a qual tipo de encontro está no seu pensamento. Mas também não havia necessidade. Logicamente poderá marcar presença numa convergência da ética e da honestidade contra corrupção, os corruptos, os corruptores.
Deixou no ar se será ou não personagem de tal jornada. Mas o que falou foi suficiente como mensagem aberta à população brasileira.

04 de setembro de 2017
Pedro do Coutto

PIADA DO ANO: SEM FAZER DELAÇÃO, MANTEGA QUER EVITAR PRISÃO E BLOQUEIO DE BENS


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Mantega arma um novo esquema para se blindar
Na agitada noite desta sexta-feira, quando a internet já fervilhava com a notícia de que o procurador federal Ivan Cláudio Marx pedira a absolvição do ex-presidente Lula da Silva e do banqueiro André Esteves (ex-BTG Pactual) no processo de obstrução da Justiça na compra do silêncio de Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras, a Agência Estado divulgava a informação de que o ex-ministro Guido Mantega  propôs um acordo ao Ministério Público Federal para colaborar com as investigações da Operação Bullish, que apura favorecimento bilionário ao grupo JBS no BNDES.
Como se sabe, Mantega foi o presidente do BNDES que deu partida na série de empréstimos e participações acionárias do banco estatal no grupo JBS, uma iniciativa até então jamais vista na longa trajetória da instituição financeira.
SEM DELAÇÃO – Segundo apurou a reportagem do Estadão, não se trata de um acordo de delação premiada, mas sim de um prosaico “termo de compromisso”. A defesa do ex-ministro propôs que ele esclareça alguns fatos investigados e colabore com as investigações. Em troca, Mantega não será alvo de um pedido de prisão preventiva nem terá seus bens bloqueados.
Esse tipo de acordo judicial não “ecziste”, como diria o padre Óscar Quevedo. A defesa de Mantega inventou essa possibilidade, tipo “termo de ajustamento de conduta”, para evitar que ele tenha de pedir delação premiada, a única chance que lhe resta para evitar processo, condenação e prisão na Lava Jato.
Mantega já chegou a ter sua prisão decretada pelo juiz Sérgio Moro, em 21 de setembro de 2016, mas foi avisado antes e seu advogado armou um plano perfeito. Mantega foi de madrugada para o Hospital Sírio-Libanês e quando a Polícia Federal chegou ele disse que sua mulher estava sendo operada de câncer. O advogado entrou em contato com o juiz Moro, que se compadeceu e relaxou a prisão. Mas era tudo mentira. A doença da mulher de Mantega está sob controle, ela apenas simulou um crise de gastrite e foi submetida uma simples endoscopia. Na verdade, ela estava tão bem que o casal tinha passagem marcada para a Europa na semana seguinte.
NOVA ARMAÇÃO – Exatamente um ano depois, o advogado José Roberto Batochio (ex-presidente da OAB e ex-deputado federal pelo PDT-SP) faz nova armação em favor de Mantega, desta vez junto com o mesmo procurador Ivan Cláudio Marx, que acaba de pedir a absolvição de Lula no caso Cerveró e no ano passado tentou evitar o impeachment da presidente Dilma Rousseff.
O fato concreto é que o procurador Marx aceitou a proposta de Batochio e enviou o acordo de blindagem de Mantega para a 10ª Vara Federal de Brasília, cujo titular é o juiz Vallisney de Oliveira, uma espécie de Sérgio Moro em versão brasiliense. Vai ser muito difícil fazer com que o magistrado, que nasceu às margens do Rio Solimões, embarque nessa canoa furada.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Conforme já afirmamos aqui no blog, o procurador Ivan Marx está se revelando uma espécie de Gilmar Mendes (ou Marco Aurelio Mello, tanto faz) do Ministério Público. Daqui para a frente, não vai mais sair do noticiário. A estrela sobe, como diria o genial escritor Marques Rebelo. (C.N.)


04 de setembro de 2017
Carlos Newton

EIKE REVELA QUE PAGOU R$ 1 MILHÃO PARA CRIVELLA DESISTIT DE ELEIÇÃO EM 2012


Marcelo Crivella (PRB), prefeito eleito do Rio de Janeiro com 59,36% dos votos válidos, comemora após a vitória sobre Marcelo Freixo (PSOL) (Foto: Yasuyoshi Chiba/AFP)
Crivella e Sylvia Jane são “donos” do canal 13 do Rio
Em um dos 17 anexos de sua proposta de delação, Eike Batista conta que, a pedido de Sérgio Cabral, deu 1 milhão de reais para Marcelo Crivella não disputar a prefeitura do Rio em 2012, facilitando a reeleição de Eduardo Paes. O relato de Eike expõe uma triangulação macabra entre políticos adversários. Ele afirma que Cabral solicitou uma contribuição de 1 milhão de reais à campanha de Paes, o candidato apoiado pelo então governador.
O empresário, segundo descreveu, foi informado por Paes de que o repasse teria de ser feito por caixa 2. Eike quis saber o porquê.
O ex-prefeito revelou, então, que o dinheiro seria entregue a Crivella, com o compromisso de que ele desistisse de concorrer ao Executivo municipal naquele ano.
O bispo não foi candidato, e Paes saiu vitorioso.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Sérgio Cabral, Eduardo Paes e Marcelo Crivella são todos farinha do mesmo saco, que parece não ter fundo. À frente da Prefeitura, Crivella está misturando religião e política, vai quebrar a cara, com toda certeza. Detalhe interessante sobre o bispo-prefeito: ele e sua mulher, Sylvia Jane Hodge Crivella, que é recatada e do lar, são os donos do canal 13 de televisão no Rio de Janeiro, da Rede Record. A concessão está no nome deles. Nas horas vagas, Sylvia Jane escreve livros de auto-ajuda evangélica, em que compara homossexualidade a “um tsunami” e diz que usar piercing é fazer “culto ao demônio”. Você sabia? (C.N.)


04 de setembro de 2017
Gabriel Mascarenhas e Mauricio Lima
Veja

PARA AGRADAR O GOVERNO, IBGE CONSIDERA QUE ARRANJAR OCUPAÇÃO É ARRUMAR EMPREGO


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Charge do Nani (nanihumor.com)
A queda do desemprego, comemorada pelo governo e por diversos economistas, precisa ser analisada com lupa. Ela é sustentada, sobretudo, pela necessidade dos brasileiros de manter as contas em dia. Com isso, muitos se submetem a condições de trabalho precárias, sem qualquer segurança ou estabilidade. Os bicos têm garantido a renda de diversas famílias e proporcionado uma falsa sensação de melhora da situação da economia do país. Não podemos ignorar o fato, por exemplo, de milhares de servidores públicos e aposentados que não recebem em dia.
Vale lembrar que, sem carteira assinada, o trabalhador perde a possibilidade de receber benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em caso de acidente de trabalho ou invalidez. Além disso, o recebimento do seguro-desemprego fica inviabilizado.
SEM DEFINIÇÃO – Muita gente resolveu sair da zona de conforto e tentar empreender. Mas ainda é cedo para dizer se essa mudança do perfil do mercado de trabalho se concretizará. No fim das contas, a abertura de vagas formais só ocorrerá a partir da retomada dos investimentos. O pacote de concessões tem potencial para alavancar a economia, gerar emprego e renda. Entretanto, ainda engatinha.
E esse processo depende exclusivamente de dois fatores: a estabilidade política e a econômica. O governo, mesmo abatido pela crise, tem dado demonstrações de força para resolver questões de curto prazo. Deve alterar as metas fiscais de 2017 e 2018, além de aprovar parte do saco de maldades para reduzir despesas com servidores. Entretanto, a reforma da Previdência, essencial para que o país reequilibre as finanças públicas a longo prazo, continua engavetada. E a cada nova denúncia da Operação Lava-Jato, ganha mais força a tese de que a revisão das regras para concessão de benefícios do INSS terá de ser feita pelo próximo governo.
 ROMBOS FISCAIS – A sucessão dos rombos fiscais, inclusive, ameaça o processo de queda de juros. O Comitê de Política Monetária (Copom) deve reduzir a taxa em um ponto percentual, para 8,25% ao ano, na reunião marcada para 5 e 6 de setembro. Entretanto, a equipe de Ilan Goldfajn tem sido alertada reservadamente para o risco de que a Selic tenha que voltar a subir caso o reequilíbrio nas contas públicas não passe de um protocolo de intenções.
Isso faria ruir qualquer possibilidade de recuperação econômica. O país continua a conviver com crise. O risco é de que se torne crônica e permanente. As próximas semanas tendem a ser agitadas, já que os servidores públicos prometeram ir para as ruas protestar contra a proposta de adiamento dos reajustes salariais acordados e aprovados no Congresso Nacional.
MENOS DESOCUPAÇÃO – Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, no trimestre de maio a julho de 2017, havia 13,3 milhões de pessoas desocupadas no Brasil — uma redução de 722 mil em relação ao trimestre de fevereiro a abril. Naquela época, 14 milhões de brasileiros estavam desempregados. Em relação ao mesmo período do ano passado, o percentual de desocupados subiu 12,5%, um adicional de 1,5 milhão de pessoas fora da força de trabalho.
Apesar do aumento, a economista-chefe da Rosenberg Associados, Thaís Marzola Zara, avalia que, na margem, o movimento é benigno, ainda mais considerando que a taxa de participação atingiu 61,8%, recorde histórico. “Isso mostra que há muitas pessoas buscando trabalho. Assim, a queda na margem da taxa de desocupação decorre de genuíno aumento da população ocupada. Bom sinal para a recuperação da atividade econômica”, destaca.
FALSOS EMPREGOS – Além disso, Thaís comenta que 190 mil pessoas foram adicionadas à força de trabalho. Os dados do IBGE apontam que esse movimento decorre do aumento dos empregados no setor privado sem carteira de trabalho assinada (+566 mil), empregadores (+422 mil), bem como empregados do setor público (+193 mil) e trabalhadores familiares auxiliares (+119 mil).
“Revisamos nossa expectativa para a taxa de desocupação no terceiro trimestre do ano para 12,4%. No ano, nossa expectativa é de que a média da taxa de desocupação atinja 12,8%. Para 2018, a perspectiva é de continuidade da melhora, com a taxa rumando a 11,6% na média do ano”, diz.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Ardilosamente, o IBGE tenta estabelecer uma propositada confusão entre “arrumar emprego” e “arranjar ocupação”. Uma coisa é ter direitos trabalhistas, outra coisa muito diferente é conseguir um biscate ou subemprego (+566 mil pessoas) ou se registrar como microempreendedor individual (+422 mil).  Isso não significa que o desemprego tenha diminuído, tenham a santa paciência, como se dizia outroraO que mudou foi apenas a sistemática da estatística. (C.N.)


04 de setembro de 2017
Antonio Temóteo
Correio Braziliense

JOESLEY DIZ QUE TEMER NÃO TINHA PUDOR EM PEDIR DINHEIRO E IA DIRETO AO ASSUNTO


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Charge do Kacio (kacio.art.br)
Em entrevista concedida à revista “Veja” que está nas bancas neste fim de semana, o empresário Joesley Batista afirmou que o presidente Michel Temer não tinha “cerimônia” para pedir dinheiro e que sempre foi muito direto, definindo valores que precisava. De acordo com o delator, essa era uma postura comum à cúpula da bancada do PMDB, que também incluía o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, hoje preso pela Lava Jato.
“Esse Temer que você vê na televisão é falso. O verdadeiro é o que eu gravei. Aquele Temer que fala sem cerimônia”, disparou.
SEM PUDOR – Joesley diz que os políticos perderam o pudor ao falar de propina. “Falei com ministro no Ministério. O Guido (Mantega) na Fazenda, o Wagner Rossi e o Toninho Andrade na Agricultura. A Dilma, pô! Falei de propina com a presidente da República”, disse Joesley que ressalvou não usar a palavra “propina” nas conversas. “Essa palavra só aprendi agora. Falava ‘ajuda’. ‘Vou dar uma ajuda, um apoio’”, disse.
Quando questionado se com Temer também falava em termos mais amenos, ele negou. “Ele sempre foi muito direto, ele pedia dinheiro mesmo”, diz o delator.
Quatro meses depois de assinar um acordo de delação, em que denunciou 1.829 candidatos eleitos de 28 partidos, ele diz que mudou e passou a enxergar as coisas por outro ângulo. “Nós somos empresários e os empresários estão subordinados ao Estado. Se os mandatários do Estado negociam com você daquela forma, você acaba achando que opera dentro de um padrão de normalidade. A gente vai ficando anestesiado”, disse, explicando que começou a mudar de ideia quando a Polícia Federal fez uma busca e apreensão na sua casa. Segundo ele, foi quando começou a descobrir que “era um criminoso”.
BOICOTE À DELAÇÃO – Joesley desconfiou que o governo Temer tentava impedir a sua delação. Ele teria escalado o advogado Willer Tomaz, hoje preso, e o procurador (acusado de dar informações sigilosas ao empresário) Ângelo Goulart para impedi-lo.
O dono da JBS acredita que, quando o procurador descobriu que ele ia delatar, contou para outros peemedebistas, que começaram a se afastar. Para Joesley, Temer queria que ele continuasse pagando outros presos até eventualmente ser preso também.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – A entrevista mostra a promiscuidade existente na relação dos empresários com os políticos. Com o passar do tempo, essa promiscuidade se tornou uma coisa normal, passou a ser rotina, a tal ponto que os políticos a nem ligar para as aparências, como fez Lula nos casos do tríplex e do sítio. Sempre foi um homem pobre, depois virou sindicalista e se tornou classe média, entrou para a política e enriqueceu, a ponto de ter R$ 9 milhões aplicados em Previdência Privada e manter mais de R$ 600 mil em conta corrente, sem aplicação. Como dizia o colunista Maneco Muller, gente fina é outra coisa(C.N.)


04 de setembro de 2017
Deu em O Tempo

DELAÇÃO DE FUNARO ATINGE TEMER E ARRASA OS EX-MINISTROS GEDDEL E HENRIQUE ALVES


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Charge do Amorim (Charge Online)
Além de complicar a situação do presidente Michel Temer, a delação do doleiro Lúcio Bolonha Funaro deve atingir pelo menos 20 políticos vinculados ao ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Entre os principais alvos, estão os ex-ministros Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) e Henrique Eduardo Alves (Turismo), dois dos mais próximos aliados de Temer. Funaro indicou contas bancárias na quais teriam sido depositadas propinas para os dois ex-ministros supostamente a mando de Cunha.
O caso de Geddel, um dos dois ministros mais fortes na primeira fase do governo Temer, é o mais detalhado. Num dos depoimentos da delação premiada, Funaro explicou de onde tirou e como fez o dinheiro chegar a Geddel. Indica viagens e até o número de voos que usou para se encontrar com o ex-ministro na Bahia. Declarações preliminares do doleiro, antes mesmo do início das negociações para a colaboração, já levaram Geddel à cadeia. O ex-ministro está hoje em prisão domiciliar em Salvador.
A MANDO DE CUNHA – Funaro relatou também que fez pagamentos a mando de Eduardo Cunha a pelo menos mais 18 políticos, a maioria da base governista na Câmara. Cunha indicaria onde buscar ou de quem receber o dinheiro e para quem os subornos deveriam ser repassados.
A compra de parlamentares fazia parte do projeto político de Cunha. Depois de passar pela liderança do PMDB, Cunha chegou à presidência da Câmara e, a partir dali, começou a almejar a Presidência da República. O projeto desmoronou depois da descoberta de conta de offshore em nome dele na Suíça.
Funaro deve ser interrogado na segunda ou terça-feira por um juiz auxiliar do ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). O doleiro deverá responder se fez delação por livre e espontânea vontade ou se sofreu coação. Como não há qualquer indicação de irregularidade, a delação deve ser homologada já na próxima semana.
APOIO A JOESLEY – Funaro confirma a versão de que recebeu dinheiro do empresário Joesley Batista, da JBS, para permanecer em silêncio, conforme revelou o site do Globo na quinta-feira.
A delação deverá robustecer a denúncia que o procurador-geral, Rodrigo Janot, e equipe estão preparando contra Temer. O presidente da República é investigado por obstrução à Justiça e envolvimento em organização criminosa.
Com o meio político agitado pela espera da segunda denúncia, Temer decidiu antecipar em um dia sua volta da China, onde participa de reunião dos Brics. Segundo ministros e assessores, o motivo da antecipação não é a denúncia, mas o esforço para aprovar os destaques ainda pendentes do projeto da mudança da meta fiscal. Segundo um ministro, a presença do “general” no quartel vai ajudar a apressar a aprovação dos destaques da mudança da meta e, assim, resolver o problema da proposta do Orçamento.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Ao deixar um seminário em Pequim, neste sábado, Temer foi perguntado sobre seu retorno ao Brasil. “Depois que disseram que eu vou voltar, não vou voltar não”, disse ele. Mas pode mudar de idéia a qualquer momento, pois a batata dele está sempre assando, como se dizia antigamente. (C.N)


04 de setembro de 2017
Jailton de Carvalho
O Globo

PROPOSTA PARA BARATEAR CAMPANHA FAVORECE LULA E DÓRIA, DIZ FERNANDO MEIRELLES

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O tempo precisa ser igual para todos, diz Meirelles
A proposta do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes, para baratear o horário eleitoral na TV e no rádio favorece políticos como o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), avalia o cineasta Fernando Meirelles. Indicado ao Oscar por “Cidade de Deus” e ao Globo de Ouro por “O jardineiro fiel”, Meirelles colaborou com a campanha de Marina Silva (Rede) à Presidência da República em 2014.
Conforme informou o Estado na edição de sexta-feira, 1, Gilmar Mendes entregou ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), uma proposta que altera radicalmente a forma como são produzidos atualmente os programas no horário eleitoral na TV e no rádio. O objetivo é reduzir o custo das campanhas e retirar qualquer toque de “superprodução” das peças que vão para o ar.
GRAVAÇÃO SIMPLES – A proposta, redigida por uma equipe técnica do TSE, prevê que a gravação da propaganda eleitoral seja feita em estúdio, com proibição expressa de uso de cenários, gravações externas, computação gráfica e “quaisquer efeitos especiais”. A proibição vale para qualquer tipo de propaganda eleitoral, inclusive inserções.
“Esta é uma regra que favorece candidatos como Lula ou Doria, bons atores. Ela desfavorece outros como Alckmin (Geraldo Alckmin, governador de São Paulo) ou Marina Silva que não tem a mesma facilidade diante das câmeras. O que encarece campanhas não são infográficos ou montagens, mas o que se gasta para comprar votos, tanto no varejo, como no atacado em sindicatos, igrejas ou movimentos sociais”, disse Meirelles à reportagem, em resposta enviada por e-mail.
DEFINIÇÃO DO TEMPO – Para o cineasta, o que torna o jogo “realmente desleal” é o critério de definição de tempo para cada candidato na TV, baseado no tamanho das bancadas na Câmara dos Deputados.
“A deslealdade se repete nos critérios para a distribuição de verba pública proposta. Os deputados estão criando regras para que não sejam varridos de cena, mas sinto que em 2018 haverá uma grande renovação no Congresso”, afirmou o diretor.
Outros profissionais que trabalham com marketing político também criticam as sugestões do TSE. Para o publicitário Lula Guimarães, responsável pela campanha vitoriosa de Doria à Prefeitura de São Paulo em 2016, a proposta é “inócua”. “Elas (as ideias) são limitantes para quem não conhece bem ferramentas de comunicação. O que faz diferença mesmo é o conteúdo na fala do candidato”, avaliou.
MARQUETEIRO DE TEMER – O publicitário Elsinho Mouco, que atua como marqueteiro do presidente Michel Temer, reprovou a medida. “É melhor cancelar os programas eleitorais, só permitindo as inserções de 30 segundos, do que querer censurar o trabalho do publicitário brasileiro. É melhor moralizar o marketing das campanhas eleitorais do que limitar”, afirmou.
Já o  jornalista Edinho Barbosa considera a medida uma “censura”. “Isso é um atentado à comunicação. Não se pode empurrar para a comunicação uma responsabilidade que não é dela. A responsabilidade pelo caos político é dos políticos, e não da comunicação”, disse Barbosa, que já trabalhou para o PT e para o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) – morto em 2014.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O cineasta Fernando Meirelles analisa com precisão o problema. Realmente, a campanha simples favorece quem tem mais carisma. Mas isto é positivo, porque o carisma é um dos predicado exigidos aos políticos. O certo é que a campanha precisa ser simplificada, com programas baratos e sem efeitos especiais. Chega de dar dinheiro público aos partidos. Já temos 36 registrados e daqui a pouco serão mais de 100 legendas em funcionamento, às custas do povo. Será a Piada do Ano, mas sem a menor graça.(C.N.)

04 de setembro de 2017
Rafael Moraes Moura
Estadão

NUM PAÍS COMO O BRASIL, PRETENDER O "ESTADO MÍNIMO" É UMA FALÁCIA

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Charge do Bier (Arquivo Google)
A defesa do “Estado Mínimo” tem se tornado recorrente nas análises dos sociólogos, que hoje preferem ser considerados “cientistas sociais”. Alegam que o Estado deve intervir o mínimo possível na vida das empresas e dos cidadãos, como se isso já não tivesse sendo executado desde a ascensão dos governos neoliberais, a partir do desastrado governo Collor e sacramentado nos oito anos de FHC, de 1994 a 2002, sem que nada mudasse desde então.
Viajando Henrique Cardoso, em suas andanças pelo mundo, a pretexto de reduzir a dívida pública, apresentou a proposta de venda das empresas estatais e dos ativos nacionais na área de siderurgia, petróleo, eletricidade, ferrovias e mineração, compondo o maior processo de privatização jamais visto desde o início dessa prática implantada pela então primeira-ministra da Inglaterra, a denominada “dama de ferro” Margaret Thatcher. O Estado brasileiro já diminuiu, mas, os governos posteriores acharam e ainda acham que é preciso vender o que resta.
DESMONTE DA ERA VARGAS – Um aspecto importante a considerar nessa política de privatizações foi o desmonte do setor siderúrgico iniciado por Getúlio Vargas na década de 50, visando a inserir o país na era industrial. Além disso, o governo dos tucanos vendeu/doou uma de nossas maiores empresas, a preço de banana. Trata-se da Vale do Rio Doce, uma da principais mineradoras do mundo, passada nos cobres com financiamento do BNDES (banco público), a juros abaixo do mercado e prazos longuíssimos para pagar.
O BNDES financia os empresários com dinheiro meu, teu, portanto, da sociedade, que paga essas benesses em nome do desenvolvimento e da geração de empregos, que geralmente não se confirmam no aumento da empregabilidade, e a crise atual confirma esta tese.
Agora, vem aí a nova privatização e os cientistas sociais também acreditam que Temer deve ir até o final do governo em 2018, apesar dos pesares, pelo fato de estar empenhado nas reformas trabalhistas, previdenciárias e a tributária. As duas primeiras são destinadas a redução de direitos dos trabalhadores, enquanto a reforma tributária significa aumentar impostos.
SUCESSÃO DE DIREITA – Em suas análises do quadro político, os cientistas sociais dizem que o próximo presidente sairá dos quadros da direita. Ora, não é preciso estudar tanto Max Weber para concluir tão açodadamente sobre o perfil conservador do povo e dos membros do Legislativo. Os governantes brasileiros são oriundos da burguesia, inclusive os propalados “esquerdistas”, Lula e Dilma, que tinham o verniz populista, mas na verdade governaram para as elites, enganando o povo com propostas destinadas a manutenção de privilégios que nos sufocam e impedem o fluxo normal de desenvolvimento socioeconômico.
Lula foi capaz de dizer, em discurso inflamado e enfadonho, que os banqueiros e empresários nunca tiveram tanto lucro, em relação aos governos anteriores, devido à aposta nos falsos “campeões nacionais” cevados com dinheiro público, ofertado pelo BNDES. E o governo Dilma, continuação de Lula, foi o desastre conhecido por todos, pois ela conseguiu ser pior do que seu mentor.
Se os governos Dilma e Lula são considerados de viés esquerdista, realmente será preciso rever este conceito jacobino, oriundo da Revolução Francesa. À direita do Parlamento da revolução francesa, sentavam os girondinos, e à esquerda, os jacobinos. Ao centro, os planaltinos, membros do meio, nem direita e nem esquerda.
POLÍTICA SUICIDA – O sistema de poder central, que domina as nações, usou as figuras de Dilma e Lula para privatizar e reduzir o tamanho do estado, através do financiamento do capitalismo com dinheiro do Tesouro, beneficiando grandes conglomerados empresariais e desonerando-os com isenções fiscais. Essa política suicida gerou déficits nas contas públicas e no caixa da Previdência Social.
Com o desgaste promovido pelo Mensalão e a Lava Jato, as forças vivas da nação apoiaram a defenestração do PT, através do impeachment. Quando essas duas operações de limpeza atingiam o PT e partidos pequenos, como o PP, tudo ia de vento em popa, mas quando começaram a cair nas cabeças coroadas do PMDB e do PSDB, a “Operação Abafa” entrou em ação para enterrar a Lava Jato definitivamente.
Agora, a direita girondina do Brasil procura um representante nato para continuação da saga de exploração do povo. Os representantes do capital virão com tudo para tentar sua derradeira cartada visando ao “Estado Mínimo”. Mas acontece que no mundo não existe país forte que tenha “Estado Mínimo”, porque é preciso haver fiscalização eficiente e regulação da economia. Quando o Estado diminui, fica mais frágil diante das ameaças externas, suas fronteiras se abrem em termos políticos, econômicos e criminais. No caso do Brasil, que detém a maiores riquezas naturais a serem exploradas no mundo, o Estado não pode ser mínimo. Pelo contrário, precisa ser forte para nos proteger.

04 de setembro de 2017
Roberto Nascimento

TEMER DESISTE DE ANTECIPAR O RETORNO A BRASÍLIA E FICARÁ NA CHINA ATÉ TERÇA-FEIRA

Imagem mostra o presidente Michel Temer, durante viagem à China (Foto: Beto Barata/PR)
Temer discursa durante a reunião dos BRICS na China
O presidente Michel Temer desistiu de antecipar o retorno dele ao Brasil e manterá os compromissos previstos na China até esta terça-feira (dia 5), apurou a TV Globo. Na última sexta-feira (dia 1º), Temer cogitou antecipar o retorno ao Brasil. Mas, neste sábado (dia 2), afirmou que manteria a programação normal. Depois, decidiu remarcar a viagem de volta de terça (dia 5) à tarde para segunda (dia 4), à noite.
A decisão sobre antecipar ou não a viagem de volta ao Brasil acontece em meio à expectativa no mundo político de o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, oferecer nova denúncia contra o presidente nos próximos dias.
CÚPULA DO BRICS – Temer viajou para a China na semana passada. No país, ele fez visita de Estado, em Pequim, e agora está em Xiamen, onde participa dos eventos da 9ª Cúpula do Brics, grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
Mais cedo, neste domingo, o presidente discursou em um evento que reuniu empresários dos países do Brics. No pronunciamento, Temer defendeu as reformas propostas pelo governo ao Congresso Nacional, como a da Previdência Social e a trabalhista, e afirmou que o objetivo é “aprimorar” o ambiente de negócios no Brasil.
O presidente aproveitou o discurso para divulgar o pacote de concessões e privatizações anunciado pelo governo no mês passado. O plano prevê 57 ativos que serão disponibilizados à iniciativa privada. “Nós temos, agora, marcos regulatórios mais racionais e previsíveis, e nós dizemos isso porque isso gera segurança jurídica, que é o que mais interessa aqueles que vão contratar aplicando seus recursos no nosso país”, disse Temer na ocasião.
DENÚNCIA DA PGR – Com base nas delações de executivos do grupo J&F, dono da JBS, Temer foi denunciado em junho por Rodrigo Janot ao Supremo Tribunal Federal pelo crime de corrupção passiva. Mas o STF só poderia analisar a acusação se a Câmara autorizasse. A maioria dos deputados rejeitou o prosseguimento do processo.
Há no meio político, contudo, a expectativa de que Janot denunciará Temer novamente. Segundo apurou o G1, a Procuradoria Geral da República aguarda somente a homologação da delação do doleiro Lúcio Funaro, pelo ministro Edson Fachin, para apresentar a nova acusação.
Com isso, o governo já ensaia o discurso para tentar esfriar o impacto político da nova denúncia. O objetivo é afirmar que a acusação de Janot será baseada somente em “ilações”.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Sabe-se que a delação do doleiro Funaro atingiu Temer diretamente, porém os mais prejudicados são os ex-ministros Geddel Vieira Lima e Henrique Eduardo Alves, porque há provas materiais (documentos) que comprovam o recebimento de propinas pelos dois. 
(C.N.)   

04 de setembro de 2017
G1, Brasília