"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

terça-feira, 14 de abril de 2015

CAMPANHA 19 DE ABRIL - FALA O EB - 5



 

QUEM SABE NO DIA "19 DE ABRIL" José Genoíno e demais mensaleiros perderão suas Medalhas do Pacificador, obedecendo-se aos regulamentos do Exército Brasileiro?

DECRETO Nº 4.207, DE 23 DE ABRIL DE 2002
DA CASSAÇÃO - Art. 10. Perderá o direito ao uso da Medalha do Pacificador e será excluído da relação de agraciados:
 
I - o condecorado nacional que:
a) tenha perdido a nacionalidade ou a cidadania;
b) tenha cometido atos contrários à dignidade e à honra militar, à moralidade da organização ou da sociedade civil, desde que apurados em sindicância ou inquérito; e
II - o condecorado nacional ou estrangeiro que:
a) tenha sido condenado pela justiça do Brasil, em qualquer foro, por sentença transitada em julgado, por crime contra a integridade e a soberania nacionais ou atentado contra o erário, as instituições e a sociedade brasileira;

O julgamento do Mensalão se transforma em dor de cabeça para o Exército. Militares na reserva começam uma ativa campanha via internet para pedir ao General Enzo Peri, comandante da Força Terrestre, que promova a cassação, ex officio, da Medalha do Pacificador concedida a José Genoíno Netto (ainda assessor especial do Ministério da Defesa, pois não teve seu pedido de exoneração ratificado pela Presidenta Dilma Rousseff, apesar da condenação por corrupção ativa no STF.

MEU COMANDANTE ESSA  PROVIDÊNCIA NÃO PODE MAIS SER ADIADA, SOB PENA DE SE PERSISTIREM  OS VÍCIOS DE AUSÊNCIA DE "DECISÃO DE CARÁTER MORAL" (VIDE ARTIGO IRRETOCÁVEL DE AUTORIA DO GENERAL ROCHA PAIVA, INF/AMAN/1973)  DO COMANDO ANTERIOR. O DIA DO EXÉRCITO SERIA BEM EMBLEMÁTICO PARA SE POR FIM À ESTE IMBRÓGLIO ACINTOSO E SEM RAZÃO DE SER´.

O Decreto nº 4.207, de 23 de abril de 2002, que regulamenta a concessão da maior honraria dada pelo Exército, é bem claro em casos como o de Genoíno. O Artigo 10 prescreve que perderá o direito ao uso da Medalha do Pacificador e será excluído da relação de agraciados o condecorado nacional ou estrangeiro que: a) tenha sido condenado pela Justiça do Brasil, em qualquer foro, por sentença transitada em julgado, por crime contra a integridade e a soberania nacionais ou atentado contra o erário, as instituições e a sociedade brasileira; c) tenha praticado atos pessoais que invalidem as razões da concessão, a critério do Comandante do Exército.

MEU COMANDANTE! SÓ DEPENDE DE VOSSA EXCELÊNCIA... UM ANIVERSÁRIO DA FORÇA TERRESTRE SEM RESQUÍCIOS DE MENSALEIROS OSTENTANDO NOSSAS MEDALHAS !

O General Enzo fica em uma encruzilhada. Se cassa a medalha de Genoíno arruma uma briga imensa com sua comandante-em-chefe Dilma Rousseff – que até agora ignora, sem confirmar no Diário Oficial, o pedido de exoneração feito publicamente por Genoíno, na semana passada. Se Enzo mantém a medalha com o condenado no Mensalão, além de ficar queimado com seus pares, acaba desrespeitando o Decreto nº 4.207, que lhe confefe poder de cassar, ex officio, a medalha do condecorado nacional que “tenha cometido atos contrários à dignidade e à honra militar, à moralidade da organização ou da sociedade civil, desde que apurados em sindicância ou inquérito”.

MEU COMANDANTE! NÃO PERMITA QUE ACONTEÇA O MESMO COM VOSSA EXCELÊNCIA! A VOZ DO DONO PRECISA SE FAZER OUVIDA! CREIA, SE VOSSA EXCELÊNCIA JOGAR O SEU BASTÃO POR SOBRE O INIMIGO...

OS SEUS SOLDADOS IRÃO RESGATÁ-LO!

14 de abril de 2015
Paulo Ricardo da Rocha Paiva é Coronel de Infantaria e Estado-Maior, na reserva.
Dados de sites: Alerta Total e montedo.com -  

MARXISMO SEM UTOPIA


 

A UNIÃO SOVIÉTICA PRESTOU UM GRANDE SERVIÇO À HUMANIDADE: COMPROVOU, NA PRÁTICA, QUE O SOCIALISMO NÃO FUNCIONA

- O Advento do Socialismo
 
A sofreguidão de Marx e Engels, no Século passado, prevendo o advento do socialismo não é difícil de explicar, pois a expectativa da realização de um ideal revolucionário não pode ser postergada para além da vida do revolucionário. Se este não tiver em vista a possibilidade do êxito do seu esforço ainda em sua geração, estará, na verdade, adotando um credo religioso. A esperança da realização de um ideal pelas gerações seguintes eqüivale à fé na vida após a morte, à crença no sobrenatural. O revolucionário luta para que ele e seus contemporâneos façam a revolução e se convence de que sua expectativa é acertada.

As relações de produção capitalistas surgiram e se desenvolveram, na Europa Ocidental, nas próprias entranhas da formação social feudal. Isso aconteceu pela via de um processo inteiramente espontâneo. O capital se acumulou no âmbito do comércio e da produção artesanal e agrícola, e deu origem a empresas que passaram a explorar operários assalariados. A exploração da força de trabalho renovava continuamente os ciclos de acumulação do capital, com o fortalecimento e expansão das relações de produção capitalistas. No interior da formação social feudal surgiram e se consolidaram as novas classes sociais: o burguês empresário e o operário assalariado.

Contudo, a expansão das relações de produção capitalistas não poderia deixar de se atritar e de se chocar com a prevalência das relações de produção feudais e do aparelho jurídico-político (superestrutura) nelas apoiado e que as defendia. As revoluções burguesas superaram essa contradição histórica ao eliminar as relações de produção feudais – com maior ou menor radicalidade – e ao erigir um aparelho institucional jurídico-político compatível com a prevalência das relações de produção capitalistas.

Nenhum dos protagonistas desse processo pensou, sequer vagamente, em algo que pudesse ser entendido como “construir o capitalismo”. O capitalismo se constituiu espontaneamente. Não surgiu por efeito de um plano, indispensável a qualquer construção. Ao invés de um plano com um grau mínimo de deliberação centralizada, o surgimento do capitalismo se efetivou como resultado imprevisto e imprevisível da ação dispersa de muitos milhares e mestres artesãos, agricultores, comerciantes e empresários variados. Do intercâmbio entre eles, milhões de vezes repetido, tomou corpo e ganhou consistência o mercado apropriado às características do capital.

- A Construção do Socialismo 


O capitalismo não foi construído. Chegou sem ser anunciado.

Enquanto a forma de propriedade permanece privada na revolução burguesa, na revolução socialista sucede o contrário: a propriedade privada é abolida e substituída pela propriedade social. Mas, enquanto a revolução burguesa encontra as relações de produção capitalistas preparadas dentro do regime feudal, a revolução socialista não recebe do regime capitalista relações de produção socialistas constituídas. As relações de produção socialistas teriam de ser criadas, o que não se daria por um processo espontâneo semelhante ao da criação das relações de produção capitalistas. Ao contrário, seria imprescindível a ação deliberada e consciente dos homens. Desta situação decorriam as enormes tarefas construtivas que a revolução socialista reclamava.

A história da União Soviética veio mostrar o quanto a construção do socialismo é problemática.

A tentativa de construção do socialismo na URSS foi feita por meio de arremetidas e frustrações sucessivas. A primeira tentativa, logo após a Revolução Bolchevique, foi a que veio ser conhecida como comunismo de guerra, que só fez agravar a carência. Numa virada de 180 graus, em 1921 o comunismo de guerra foi abolido e seguiu-se a NEP (Nova Política Econômica), que praticamente restabeleceu o mercado, liberando os preços. Depois, em mais uma virada de 180 graus, à NEP, a partir de 1929, já sob o domínio de Stalin, sucederam-se os planos qüinqüenais, que instituíram um planejamento centralizado totalitário, a industrialização acelerada e, no campo,  a coletivização forçada. Por causa da industrialização acelerada, acompanhada pela coletivização compulsória e quase integral da agricultura, milhões morreram de fome. Essas foram as relações de produção, supostamente socialistas, impostas à União Soviética durante cerca de 70 anos.

Sobre esse aspecto, assinale-se que enquanto na economia capitalista impõe-se como obrigação implacável a redução de custos, de tal maneira que a empresa que não o faz perde na concorrência e é eliminada do mercado, na economia socialista planejada, ao estilo soviético, o aumento dos custos tornou-se absurdamente vantajoso e foi estimulado, uma vez que permitia o cumprimento do plano. O planejamento favorecia absurdos, que impediam a prevalência da racionalidade econômica.

A eliminação completa do mercado de bens de produção tornava as empresas dependentes dos fornecedores designados pelo plano. Qualquer falha no fornecimento planejado gerava um impasse sem saída, uma vez que não existia mercado capaz de indicar fornecedores substitutos. Semelhante ausência de alternativas engendrou o hábito das empresas se proverem de estoques excessivos de toda a ordem de insumos e também de força de trabalho excessiva, tendo em vista os picos de produção.

A formação de estoques desmedidos também foi estimulada pelo gigantismo das empresas criadas pelos planos qüinqüenais.

A ausência de mercado propiciava as condições em que produtos caros e de baixa qualidade podiam circular por muito tempo, sem que nenhuma providência fosse tomada para corrigir deficiências gritantes. Os consumidores não dispunham de ofertas alternativas e inexistiam canais democráticos que viabilizassem discussões e críticas. Nas condições monopolístas em que operavam as empresas estatais, não havia incentivo para aumentar a produtividade do trabalho e elevar a qualidade dos produtos.

Todos esses fatores confluíram para o retardo tecnológico ou mesmo para a estagnação da economia. Uma vez que não precisavam enfrentar desafios de concorrentes nem as críticas de consumidores, prevalecia a tendência de mexer o menos possível com inovações tecnológicas, que costumam eliminar empregos, provocar alterações na hierarquia de cargos e funções, obrigar a aprendizagens cansativas, e assim por diante.

Cristalizou-se, assim, uma atitude de preguiça tecnológica abrangente das mais altas direções políticas e econômicas até as bases operárias. Com exceção de setores com significação estratégica do ponto de vista militar, o retardo tecnológico e administrativo colocou a União Soviética, na década de 80, em desvantagem já larga e progressivamente agravada diante dos países capitalistas desenvolvidos. 


A economia centralmente planejada deu lugar a uma burocracia específica, que se avantajou, assumindo proporções muito maiores do que aquelas derivadas de exigências estritamente técnicas, acumulou privilégios e transformou-se em uma nomenklatura.

O padrão desenvolvido na União Soviética repetiu-se nos demais países do chamado socialismo real. Mesmo a Checoslováquia e a Alemanha Oriental, que partiram de patamares mais elevados, não escaparam a esse padrão que, no final do percurso, impôs o achatamento e a prostração.

Todavia, a tendência à estagnação não teve causas exclusivamente econômicas. Estas foram tremendamente agravadas pela ausência de democracia. Por outro lado, o regime de partido único não tem fundamentação no que escrevram Marx e Engels. No Manifesto Comunista há uma referência aos partidos operários já constituídos, sem nenhuma proposição de que os comunistas devessem varrê-los da história.

A linha de ação dos bolcheviques, de tomada do poder através de um golpe, sem consulta ao Conselho dos Sovietes, do qual faziam parte, bem como o fechamento da Assembléia Constituinte em janeiro de 1918, contribuíram decisivamente e conduziram ao beco sem saída do partido único. A partir daí, a ditadura do partido, substituta da ditadura do proletariado – que nunca chegou a existir – e a autocracia stalinista, foram conseqüências lógicas.                    


Todas essas debilidades sistêmicas sofriam agravamento insuportável com a corrida armamentista a que a União Soviética estava obrigada pela Guerra Fria, sobretudo na década de 80, quando Ronald Reagan expandiu o orçamento militar dos EUA e lançou o programa conhecido como Guerra nas Estrelas.

A última tentativa reformista, a perestroika, foi o episódio derradeiro, e terminou em fiasco. Ao assumir a Secretaria-Geral do PCUS, em 1985, Mikhail Gorbachev tinha em vista um projeto de reforma do sistema soviético com o objetivo de fazê-lo funcionar. O que ele não previu é que, caminhando em campo minado, cada passo à frente provocaria novas e piores explosões, até que a situação tornou-se incontrolável.

Depois de 70 anos de ausência de democracia e de mercado, não se dispunha de experiência para a criação de instituições democráticas e mecanismos próprios da economia de mercado. As relações burocráticas de planejamento centralizado foram substituídas pelo vale-tudo das relações mafiosas e o partido entrou rapidamente em processo de desagregação e, com ele, debilitou-se de forma irreparável a capacidade de direção do Estado e do próprio partido, ocorrendo um fato sem precedentes na história: o império de uma superpotência foi desmantelado e deixou de existir sem que ela tivesse sido derrotada no campo de batalha.

No caso da China a história não é muito diferente. Basta focalizar o fracasso das comunas rurais e o retorno à agricultura privada. A China se distingue da União Soviética por ter sido submetida por menos tempo ao planejamento centralizado totalitário e dispor de possibilidades reformistas aparentemente viáveis.

Finalmente, parece ter ficado claro ser inviável a estratégia  gradualista de criação, dentro do sistema capitalista, de uma dualidade de poderes, na medida em que isso depende da propensão revolucionária do proletariado. 


- A Classe Operária, Sujeito Histórico da Revolução Socialista

A classe operária sofreu, nos últimos 30 anos, tão grandes mudanças em sua densidade social e em sua configuração que, hoje, deve-se submeter a graves interrogações sua capacidade para realizar a missão que Marx e os marxistas sempre lhe confiaram com a convicção do indubitável: a missão se ser o sujeito histórico da revolução socialista. 


Mais do que a objetividade científica é a propensão utópica que vai se manifestar na exaltação dos atributos do proletariado para redimir toda a humanidade. Por isso mesmo, Marx e Engels não foram capazes de avaliar a grandiosidade da tarefa de que o incumbiam. Ou seja, a tarefa única na história humana de fazer uma classe explorada e oprimida se converter em classe dominante, capaz de modelar a sociedade à sua imagem e semelhança.

A exaltação idealizante do proletariado tornou-se uma constante na literatura marxista. Seria a única classe a substituir as visões parciais pela visão da totalidade social. O proletariado seria um sucedâneo do Espírito Absoluto hegeliano.

Marx e Engels apostaram no proletariado. Conforme salientam enfaticamente no Manifesto Comunista, notaram que, ao contrário de outras classes, o proletariado cresce com o crescimento da grande indústria. A industria fabril concentra e disciplina os operários. Com o desenvolvimento do capitalismo, como escreveu Marx em O Capital, aumenta também a revolta da classe operária. Assim, o modo de produção capitalista preparava seus próprios coveiros. A classe operária se incumbiria de dar fim à exploração à qual era submetida e, ao se emancipar, emanciparia também toda a humanidade. 


Mais tarde, Lenin afirmou que, espontaneamente, a classe operária não chegaria à consciência revolucionária de classe socialista. Deixada a si mesma, a classe operária somente seria capaz de alcançar a consciência sindicalista, a consciência da necessidade da luta conjunta por reivindicações econômicas.  Ou seja, de seus interesses espontâneos imediatos. Seguindo um curso apenas espontâneo, seria inevitável a subordinação do proletariado à ideologia burguesa por intermédio da consciência sindicalista. Uma vez que a teoria socialista era resultado unicamente da atividade da intelligentzia, a consciência revolucionária socialista deveria ser introduzida na classe operária, trazida a ela de fora  para dentro. Essa argumentação visava demonstrar a necessidade do partido revolucionário, que se dedicasse não só a incentivar reivindicações econômicas, à maneira dos sindicatos, porém, prioritariamente, a introduzir no proletariado a consciência de classe revolucionária.
   
Rossana Rosanda fez uma crítica filosófica à tese leninista do “Que Fazer?” acerca da introdução da consciência socialista de fora  para dentro do proletariado. A tese estaria em contradição com o princípio materialista enunciado por Marx segundo o qual é o ser que determina a consciência e não a consciência que determina o ser. Portanto, a consciência socialista do proletariado não pode ser produto da ação externa de intelectuais, mas deveria derivar de seu próprio ser.
             
Todavia, mais a fundo, iremos encontrar algo que os teóricos revolucionários do marxismo evitaram admitir e, no entanto, nas circunstâncias atuais, tornou-se impossível negar. Ou seja, que a classe operária éontologicamente
 reformista. Toda a experiência histórico-mundial demonstra que, dia a dia, no transcurso cotidiano de sua existência, a classe operária não ultrapassa a fronteira da ideologia do reformismo.

Quanto mais poderosa e desenvolvida, mais reformista é a sua conduta política, maior sua preferência pelos benefícios de possível obtenção dentro do regime capitalista e mais taxativa a sua rejeição a iniciativas revolucionárias. Ou seja, a condição ontológica
 reformista da classe operária não se enfraquece, mas se fortalece com o seu desenvolvimento.

Semelhante comportamento não é contraditório com a posição de classe do proletariado no quadro do modo de produção capitalista.

Robert Kurz percebeu o fato essencial de que o movimento operário é parte integrante do mundo burguês da mercadoria e que constitui terrível engano dos marxistas atribuir-lhe uma essência anticapitalista (“O Colapso da Modernização. Da derrocada do socialismo de caserna à crise da economia mundial”, Editora Paz e Terra, 1992).


O crescimento do proletariado é compatível com a estabilidade do sistema capitalista e serve de índice de seu progresso. Quanto mais operários a produzir mais-valia, mais florescente o regime burguês. Ao invés de criar condições revolucionárias, o crescimento do proletariado consolida a formação social capitalista, tanto sob o aspecto puramente econômico, como também sob todos os aspectos sociais, inclusive os políticos e os ideológicos. O proletariado não constitui um corpo estranho na estrutura socioeconômica  burguesa, porém a integra normalmente.

O oposto se dava com a burguesia industrial no quadro do modo de produção feudal. O seu crescimento a colocava em contradição também crescente e, por fim, em choque com o regime feudal.

Enquanto a burguesia foi uma classe efetiva e eficientemente revolucionária, o revolucionarismo do proletariado é, por enquanto, inexistente ou, quando menos, problemático. Constatação histórica da qual os marxistas precisam extrair as devidas conclusões, se quiserem restabelecer a coerência teórica que hoje lhes falta.

Constitui uma contradição logico-formal reconhecer que o proletariado nunca alcança, por si só, espontaneamente, a consciência de classe revolucionária e, no entanto, atribuir-lhe a missão histórica de fazer a mais radical das revoluções. Ora, uma classe que é impotente para formar a própria consciência revolucionária só pode ser considerada, pela natureza do ser real, como uma classe também impotente para fazer a revolução.

Lenin e seus companheiros bolcheviques se esforçaram para introduzir a consciência revolucionária no proletariado russo. Todavia, no momento da tomada do poder, em novembro de 1917, não mais que um dentre os 21 membros do Comitê Central do Partido Bolchevique procedia das fileiras da classe operária.   


- O Dilema Reformismo x Revolução       

Sobre o dilema Reformismo x Revolução, deve ser assinalado que esse é, justamente, o problema tático e estratégico mais sério com que se defronta o marxismo. Até agora, com a experiência acumulada de século e meio, não há um único exemplo de revolução socialista que tenha se seguido a uma prática reformista. O reformismo, absolutamente, em nenhum caso, preparou qualquer revolução.

As revoluções vitoriosas, pretensamente socialistas, sempre se seguiram a guerras civis ou insurreições, ou seja, à prática de lutas armadas. Esse foi o caso da China, do Vietnã, de Cuba. Quanto à Rússia, o Partido Bolchevique pregou sempre a luta armada e preparou seus militantes para ela, o que os habilitou a assumir a liderança revolucionária nos meses decisivos de março a novembro de 1917.

Disso se poderia extrair a recomendação fácil de que os revolucionários marxistas não deveriam ficar indecisos quanto ao desencadeamento da luta armada. No entanto, aí está o problema. Para ter êxito, a luta armada só pode ser travada em condições determinadas. A concepção de luta armada incondicionada
 conduz aos piores desastres, como o demonstra a experiência de tantos países, inclusive o Brasil.

Em conseqüência, se não há condições favoráveis à luta armada, só resta aos partidos revolucionários a prática reformista, se não quiserem acomodar-se na inatividade. E a prática reformista dos revolucionários não se distingue essencialmente da prática reformista dos reformistas. Mesmo que se distinga em alguma coisa, como às vezes acontece, isso não muda o resultado, que até agora tem sido o de inabilitar a classe operária à luta revolucionária, quando, afinal, chegam os momentos aparentemente propícios. Talvez no futuro seja possível acelerar a revolução através de reformas. Até hoje tem sido um problema estratégico sem solução. 


Ainda que se equivocassem seriamente acerca da tendência revolucionária do proletariado e o incumbissem de uma missão histórica fora do seu alcance, Marx e Engels acertaram plenamente quando nele apostaram, pois ele cresceu durante cerca de um século, concentrado e organizado pelas grandes empresas industriais, de transportes, comunicações e outros serviços. Todavia, um novo quadro da estrutura social está sendo desenhado pela mais recente revolução tecnológica e por outros fatores, impondo também uma nova configuração do proletariado, imensamente distanciada daquela que Marx e Engels conheceram.

- Conceito de Ditadura do Proletariado

No Manifesto Comunista, seus autores definiram o poder político como o poder organizado de uma classe para opressão de outra e previram a conquista de um Estado que viria a ser o proletariado organizado como classe dominante. Posteriormente, a atenção de Marx voltou-se para a máquina
 do Estado-burguês, que não seria adequada ao Estado-operário. Por isso mesmo, deveria ser destruída pela revolução proletária. Em particular, o proletariado se desfaria da burocracia e do Exército permanente. Com o advento do proletariado à condição de classe dominante, o Estado deixaria de pairar acima da sociedade. Submetido à sociedade, proletarizadas, as forças que o Estado extraiu da sociedade seriam devolvidas a esta, com o que se iniciaria o processo de extinção do próprio poder estatal.

A idéia de uma sociedade sem Estado, isenta da tutela de um órgão nascido dela, mas superior a ela, previa um período de transição caracterizado por um governo proletário ditatorial, preparatório da sociedade finalmente liberta do Estado. Em torno dessa questão se opera a disjunção entre marxismo e anarquismo. Em oposição aos adeptos deste último, Marx e Engels fizeram da ditadura do proletariado um dos pontos fundamentais de sua proposição doutrinária. Marx afirmou que essa ditadura somente constitui a transição à abolição de todas as classes e à sociedade sem classes.

Lenin enfatiza que ela será um Estado em extinção e deverá fenecer num processo paulatino. Nem extinção imediata do Estado, como pretendiam os anarquistas, nem um Estado democrático burguês como queriam Kautsky e seus seguidores.

Todavia, após a tomada do poder, em novembro de 1917, Lenin e os bolcheviques tiraram da agenda a questão do Estado transitório despolitizado e da extinção paulatina de suas funções. O que se colocou sempre no topo das prioridades foi o contrário, ou seja, o fortalecimento do exercício ditatorial do poder da classe operária, de tal maneira que o regime político unipartidário e o sufoco de toda divergência apareceram quase como necessidade lógica.

A dominação de classe através do Estado deu destaque ao exercício da coerção, à imposição de certa ordem econômico-social por meio da força legitimada.

A ditadura do proletariado, parece não haver dúvida, torna-se inviável se o Estado não puder soldar a função coercitiva à legitimidade decorrente da aceitação consensual pelas classes sociais que pretende representar e dirigir. A carência dessa aceitação consensual legitimadora provoca a exacerbação dos instrumentos coercitivos do Estado, incita-o à violência contra sua própria base social de apoio. A hegemonia deixa de existir e se converte em opressão despótica. Daí a face pesadamente tirânica de uma ditadura, que deveria, segundo o cânone marxista, iniciar a extinção de toda ditadura classista.

- O Internacionalismo

No Manifesto Comunista, Marx e Engels resumiram num pequeno parágrafo, com grande força retórica, o seu pensamento sobre o internacionalismo da luta do proletariado: “Os operários não têm pátria. Não se lhes pode tomar aquilo que não têm”. 


Convencidos de que a natureza internacional do proletariado tinha proeminência com relação à vivência nacional concreta e que, nas condições de desenvolvimento mundial do capitalismo, a revolução proletária não poderia deixar de resultar da ação conjugada dos operários dos países mais avançados, Marx e Engels consideraram, com absoluta prioridade, a missão de educar os proletários de todos os países para a defesa do internacionalismo e para a prática da solidariedade sem consideração de fronteiras. O internacionalismo deveria ser um traço fundamental da atitude proletária em oposição intransigente ao nacionalismo da ideologia burguesa. Marx e Engels estavam convencidos de que a natureza internacional de sua condição de classe prevaleceria na consciência dos operários e os levaria a repudiar as posições burguesas de hostilidade entre nações.

Essas idéias tiveram tradução prática na fundação e na atuação da Associação Internacional dos Trabalhadores (I Internacional).


Conferindo à luta de classes o papel de “motor da história“, era preciso que Marx e Engels encontrassem as mediações que vinculavam a esse “motor” as engrenagens das questões propriamente nacionais. Adotando o princípio de defender as nações oprimidas e de, nelas, distinguir os interesses particulares das massas trabalhadoras, os fundadores do marxismo deram a partida à abordagem de um problema que se revelaria intrincado e de difícil solução para os marxistas das gerações seguintes. Propugnar causas de caráter especificamente nacional, em ser nacionalista, mas também internacionalista, o que nem sempre encontrou expressão política suficientemente clara e coerente do ponto de vista teórico e prático.

Ao eclodir a II Guerra Mundial, em agosto de 1914, a bancada de 110 deputados social-democratas do Reichstag, na Alemanha, aprovou, na sessão de 2 de dezembro, os novos créditos solicitados pelo governo doKaiser Guilherme II.

Nos demais países envolvidos no conflito, os partidos social-democratas adotaram atitude idêntica à da social-democracia alemã. Em cada país beligerante, os partidos filiados à II Internacional esqueceram as resoluções dos congressos da organização sobre a condenação à guerra e a ação solidária entre os operários dos países adversários e apoiaram os respectivos governos. A II Internacional, então, deixou de existir. 


Isso porque, ao condenarem a guerra, os social-democratas separaram as massas trabalhadoras de seus países. Estas aceitaram a guerra com entusiasmo, embora implicasse a matança recíproca entre trabalhadores, que, de acordo com os princípios socialistas, deveriam agir solidariamente como irmãos de classe. Ao contrário do que afirmaram Marx e Engels no Manifesto Comunista, os operários faziam questão de ter pátria e lutar por ela, ainda que numa guerra declarada por governos reacionários. Operários alemães, ingleses, franceses, russos, austríacos e outros, colocaram a pátria acima da classe, ainda que fosse a pátria comandada pela burguesia. E impeliram os seus partidos social-democratas a fazerem o mesmo.

Iniciada com uma perspectiva internacionalista, a revolução bolchevique se exauriu na sua marcha e recuou para a fórmula da revolução em um só país. Foi otermidor stalinista.

Diversas explicações já foram dadas buscando esclarecer realidade tão inesperada e enfrentar a gravíssima dificuldade conceitual dela decorrente, no quadro da teoria marxista da revolução. Assim é que já se falou de aristocracia operária, capitalismo organizado, estabilização capitalista relativa e hegemonia ideológica burguesa. No segundo pós-guerra viriam as cogitações suscitadas pelo Estado do Bem-Estar Social. No entanto, seria preciso que o tempo corresse ainda mais um pouco para que se chegasse à conclusão definitiva acerca do reformismo ontológico da classe operária.

Por fim, a União Soviética ruiu por força da inviabilidade sistêmica. Era uma questão de tempo que a inviabilidade atingisse o ponto em que o sistema não pudesse continuar a operar . Não se deve atribuir à Guerra Fria a causa principal da derrocada soviética. Ela apenas apressou a chegada desse ponto insustentável.
 

 Dados Bibliográficos:
 “Marxismo sem Utopia”, Jacob Gorender, 1999, Editora Ática


14 de abril de 2015
Carlos I.S. Azembuja, historiador

O TRIBUNAL DA SONEGAÇÃO E O ZELORISMO


 

Na Judéia, no início do era cristã, ocupada pelo Império Romano, a seita dos zelotes pregava o não pagamento de impostos a Roma. No Brasil, dois mil anos depois, o zelotismo renasceu transmutado em poderosa quadrilha de delinquentes com assento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão do Ministério da Fazenda.

Não fosse a ação da Polícia Federal e do Ministério Público na “Operação Zelotes” (nome apropriado), a fraude nos julgamentos das autuações feitas pela Receita Federal estaria intocável. A organização criminosa continuaria a operar livremente. As investigações atingem 70 empresas dos setores industrial, automobilístico, siderúrgico, agrícola e bancos poderosos que subornavam conselheiros na escala de milhões. O valor da sonegação de tributos federais seria de R$ 19 bilhões, até agora. Pelos recursos envolvidos é uma das maiores operações da Polícia Federal.

O que é o Carf? É um tribunal administrativo que julga, em segunda instância, os contribuintes autuados por ilicitudes no recolhimento dos tributos federais. Subordinado diretamente ao Ministério da Fazenda, é constituído por mais de 200 conselheiros. Sendo  metade, auditores fiscais indicados pelo órgão fazendário e a outra metade por entidades empresariais.

Dividido em câmaras julgadoras, cada uma é integrada por seis conselheiros: três representando o Ministério da Fazenda e três representando as entidades empresariais. A cooptação de um conselheiro da cota da Fazenda basta para definir o resultado, pela razão de os representantes dos contribuintes-empresariais votarem sempre contra a autuação.

A “propina” ofertada ao cidadão corrompido variava, segundo a PF, de 1% a 10% do montante da infração que seria recolhida aos cofres da União. Em tempo I: A vice-presidente da Carf, advogada tributarista Maria Teresa Martinez, funcionária do Bradesco, há 31 anos, atua no órgão há 15.  De acordo com a Polícia Federal, o Bradesco tem processos de débitos naquele órgão no valor de R$ 2,7 bilhões. É surrealismo em estado bruto.

O esquema de corrupção agora descoberto envolve sofisticada cadeia, não apenas de conselheiros, mas empresas poderosas, consultores econômicos, escritórios de advocacia e uma extensa malha de “malandros engravatados”. O secretário-adjunto da Receita Federal, Luiz Fernando Teixeira Nunes, exemplifica: “A decisão do Carf sendo favorável ao contribuinte é terminativa, é final. Não há a menor possibilidade de revisão dessa decisão pela via judicial.”

Comprovando que o assalto ao fisco é uma associação criminosa com ares de legalidade, operando na lavagem de dinheiro, tráfico de influência e advocacia administrativa, com trânsito livre em um órgão do Ministério da Fazenda. Não se conhece em nenhum país desenvolvido estrutura tributária revisional de autuações semelhante à brasileira. Em tempo II: se na década de 30 ela existisse nos Estados Unidos, o “gangster” Al Capone não teria sido levado à prisão.

O Ministério da Fazenda não pode deixar de efetivar radical transformação na estrutura do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O ministro Joaquim Levy não pode ignorar essa realidade ou pode? Pelas razões que demonstrarei:

1) Tramita hoje no Carf 105 mil processos, representando 10% do PIB (Produto Interno Bruto), da ordem de R$ 518 bilhões. São números oficiais do final de 2014. O valor equivale a 90% do que todos os Estados e Municípios juntos arrecadaram naquele ano, no montante de R$ 597 bilhões. Sem a “Operação Zelotes”, pode-se projetar o que os “quadrilheiros” com roupagem oficial iriam faturar em propinas no futuro. Fortunas ilícitas na escala de vários milhões.

2) Nesse cenário de horror que envergonha e revolta os contribuintes honestos e decentes, o assalto e omissão oficial na cobrança dos recursos públicos correm soltos. O ajuste fiscal que está em execução, em mais de dois terços, penaliza a sociedade confiscando direitos e renda da população. Enquanto isso a “Dívida Ativa de Pessoas Jurídicas e Físicas” com a União, cresceu em 2014, 9%, atingindo a cifra de R$ 1.387 trilhões (em português claro: 1 trilhão e 387 bilhões de reais).

É recurso que o governo tem a receber no fiel cumprimento da justiça fiscal. Mesmo atuando com firmeza na cobrança judicial dessa dívida, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional enfrenta obstáculos por ter quadro funcional insuficiente para executar os processos que são demandados.

Enfraquecer o órgão, confiando na impunidade, é ardente vontade dos responsáveis pela mastrodônica dívida. E vem obtendo indiscutível sucesso.
Fosse o governo cobrador do que lhe é devido, recursos existiriam em abundância para atender os desafios presentes na economia brasileira. São números extravagantes, mas rigorosamente verdadeiros. Indesmentíveis.

14 de abril de 2015
Hélio Duque é doutor em Ciências, área econômica, pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Foi Deputado Federal (1978-1991). É autor de vários livros sobre a economia brasileira.

NOTAS POLÍTICAS DO JORNALISTA JORGE SERRÃO

Dilma ignora manifestações e marketeiros fortalecem ofensiva nas redes sociais após acordo com Zuckerberg

O desgoverno teve a insensibilidade de fingir que nenhuma manifestação aconteceu no domingo. Seria tolice supor que a Presidenta Dilma Rousseff, que terceirizou sua presidência para o PMDB e os banqueiros, não entendeu nada do recado das ruas. E nem quis tocar no assunto. A equipe de marketagem do Palhasso do Planalto preferiu inundar o Facebook com mensagens de Dilma - que serão impulsionadas em seu alcance depois da conversinha que ela teve na cúpula das Américas com o jovem chefão da rede social, Mark Zuckerberg.

Ninguém, nas passeatas em 450 cidades do País, pediu "Ajuste Fiscal" - que o condutor da economia, Joaquim Levy, e a festiva ministra da Agricultura, Kátia Abreu, tiveram a ousadia de defender para produtores rurais, em Rio Verde (GO), na abertura da Tecnoshow Comigo 2015 — feira de tecnologia rural do Centro-Oeste. Nas ruas, se pediu: Fora, Dilma! Fora, PT! Chega da corruptos no poder! Impeachment! Intervenção Constitucional! Ninguém pediu mais aperto, mais juros ou mais impostos...


Fingindo ignorar as manifestações, a Dilma do Facebook tratou de outro tema polêmico: "Reduzir a maioridade penal não vai resolver o problema da delinquência juvenil. Isso não significa dizer que eu seja favorável à impunidade. Menores que tenham cometido algum tipo de delito precisam se submeter a medidas socioeducativas, que nos casos mais graves já impõem privação da liberdade. Para isso, o País tem uma legislação avançada: o Estatuto da Criança e do Adolescente, que sempre pode ser aperfeiçoado. É preciso endurecer a lei, mas para punir com mais rigor os adultos que aliciam menores para o crime organizado".

Ou seja, Dilma continua "sangrando" na Presidência (conforme definiu um de seus braços direitos, em conversa telefônica ilegalmente interceptada pela arapongagem de Brasília). Só o aumento da pressão popular conseguirá fazer com que ela saia desta nada confortável "zona de pretensa ignorância" acerca da vontade da maioria do eleitorado. Ou será que a pressão interna, promovida pelo PMDB que a mantém como refém, produzirá tal efeito de fazê-la acordar para a realidade?

O desgoverno morto se finge de muito vivo. O preço deste cinismo pode custar muito caro aos políticos que lhe dão sustentação, na hora do "juízo Final" - cada vez mais próxima.

FHC de sempre...

O ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso continua não querendo saber de impeachment e nem liga para críticas que ele e seu PSDB ouviram nas manifestações de domingo, principalmente na Avenida Paulista:

"O movimento tem sua dinâmica própria, não foi convocado pelos partidos. Os partidos têm uma responsabilidade institucional. É natural que os movimentos exijam mais e os líderes políticos têm que mesurar, ver o que é possível fazer e o que não é. Agora, se os partidos fossem para a rua, seria mais grave. Porque seria tentar instrumentalizar aquilo que não é instrumentalizável".

Ou seja, como sempre, FHC continua jogando como se fosse um grande parceiro do PT no que diz respeito à manutenção do status quo político, na contramão da manifesta vontade popular...

Foi, não...

O Globo informa que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), se recusou a prestar depoimento à Polícia Federal, depois de intimado no dia 30 de março, para dar explicações sobre seu suposto envolvimento com a estrutura de corrupção na Petrobras.

Na condição de parlamentar, ele teria a prerrogativa de escolher local e data do interrogatório, mas nem assim ele aceitou o convite.

O deputado é acusado de receber dinheiro para viabilizar um contrato de afretamento de navios entre a Samsung e a Petrobras.

Quem manda no Brasil?

 
                           
Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus. Nekan Adonai!

14 de abril de 2015
Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor.

LÍDER TUCANO "DESENHA" OS MOTIVOS QUE FIZERAM AÉCIO NÃO IR ÀS MANIFESTAÇÕES


(Folha) O presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, pretende criar um canal de diálogo para aproximação dos partidos de oposição ao governo federal com os principais movimentos que organizaram protestos neste domingo (12) pela saída da presidente Dilma Rousseff (PT). 

Segundo o presidente estadual do PSDB em Minas Gerais, Marcus Pestana, o tucano convidará neste mês os dirigentes de grupos como o Vem pra Rua e Movimento Brasil Livre para discutir suas reivindicações e questioná-los se há abertura para sua participação em futuros protestos. 

O candidato tucano derrotado na sucessão presidencial era esperado nas últimas duas manifestações contra o governo, mas, de última hora, decidiu não participar. A criação de uma relação com esses movimentos contrários ao governo federal ainda é vista com cautela pelo comando nacional do PSDB. 

Na manifestação realizada na av. Paulista, os dirigentes do Vem pra Rua e do Movimento Brasil Livre criticaram os partidos de oposição, a quem chamaram de "frouxos", e cobraram maior empenho deles na abertura de um processo de impeachment no Congresso Nacional. 

"O Aécio Neves vai, nos próximos dias, convidar a direção desses movimentos para um diálogo nacional", disse Marcus Pestana. "Como você vai tomar café na casa de uma pessoa que não te convidou? O passo que temos de dar é um diálogo com os movimentos para clarear. Eles nos querem lá?", questionou. 

Segundo o presidente do PSDB em Minas Gerais, Aécio chegou a pensar em participar do protesto de domingo, mas teve receio de que sua presença criasse um clima de "terceiro turno" da eleição presidencial. 

"Nós precisamos nos entender [com os movimentos de rua]. Qual a visão deles sobre o Brasil?", questionou. "Imagine se o Aécio Neves participa de um movimento difuso e alguém tira uma foto com ele com uma camiseta favorável à volta dos militares? Pronto, aí o PT faz uma festa", observou. Aécio chegou a divulgar, na sexta-feira (10), um vídeo em que convocava a população para os protestos de domingo. 

IMPEACHMENT
 
O dirigente defendeu que o PSDB tem feito uma oposição "firme" e "segura" no Congresso. Na avaliação dele, o processo de impeachment deve ser um ponto de chegada, não um ponto de partida, como defendem alguns movimentos de rua. 

"Não é um processo trivial. Você não afasta um presidente como troca de camisa", ressaltou. Segundo ele, a abertura de um processo de afastamento da presidente tem apoio social, como mostrou pesquisa Datafolha, mas ainda faltam substância jurídica e apoio no Congresso. De acordo com o instituto de pesquisa, 63% dos brasileiros são favoráveis à discussão do impeachment no Poder Legislativo. 

"O PSDB não patrocinará nenhuma aventura autoritária, nenhum retorno ao passado. Nós temos um compromisso radical com a democracia e, portanto, com as instituições democráticas", ressaltou.

14 de abril de 2015

ENFIM, ESTÁ EXPLICADO POR QUE JORGE HAGE SE DEMITIU DA CGU


Leandro Colon/Folhapress
Taylor contou tudo antes da eleição

LONDRES – O principal órgão de controle interno do governo federal recebeu durante a campanha eleitoral do ano passado provas de que a empresa holandesa SBM Offshore pagou propina para fazer negócios com a Petrobras, mas só abriu processo contra a empresa em novembro, após a reeleição da presidente Dilma Rousseff.

Em entrevista à Folha, o ex-diretor da SBM Jonathan David Taylor disse que prestou depoimento e entregou mil páginas de documentos internos da empresa à CGU (Controladoria-Geral da União) entre agosto e outubro de 2014. Mas o órgão só anunciou a abertura de processo contra a SBM em 12 de novembro, 17 dias após o segundo turno da eleição presidencial.

Taylor trabalhou durante oito anos e meio para a SBM na Europa e é apontado pela empresa como responsável pelo vazamento de documentos e informações sobre o caso publicadas na Wikipedia em outubro de 2013.

O vazamento levou a investigações sobre a SBM no Brasil e na África. Os documentos indicam que ela pagou US$ 139 milhões ao lobista brasileiro Julio Faerman para obter contratos na Petrobras.

DEPOIMENTOS

Entre abril e junho do ano passado, Taylor depôs e entregou documentos ao Ministério Público da Holanda. Segundo a própria SBM, ele participara de um grupo que conduzira uma investigação interna sobre o caso em 2012.

Na entrevista à Folha, a primeira a um veículo brasileiro, o delator disse que foi sua a iniciativa de procurar a CGU, que abrira uma sindicância para apurar o caso no Brasil.
Em 27 de agosto, ele repassou ao órgão o relatório de uma auditoria interna da SBM, mensagens eletrônicas, contratos com o lobista, extratos de depósitos em paraísos fiscais, a gravação de uma reunião da empresa e uma lista com nomes da Petrobras.

O material foi enviado por email ao diretor de Acordos e Cooperação Internacional da CGU, Hamilton Cruz, que no dia seguinte atestou o recebimento e informou que passaria as informações para o chefe da investigação.

ANTES DA ELEIÇÃO

No dia 3 de outubro, dois dias antes do primeiro turno, Taylor recebeu no Reino Unido a visita de três funcionários da controladoria, entre eles Hamilton Cruz. “Contei tudo o que sabia”, afirma o delator.

A CGU nunca divulgou dados sobre a viagem e o depoimento. Para Taylor, a demora do órgão em anunciar o processo contra a empresa holandesa teve motivação política.
A única conclusão que posso tirar é que queriam proteger o Partido dos Trabalhadores e a presidente Dilma ao atrasar o anúncio dessas investigações para evitar impacto negativo nas eleições”, diz.

Os valores pagos ao lobista Julio Faerman, segundo Taylor, são bem maiores do que os divulgados até aqui: “Era muito mais. O comprometimento [da SBM] era de pelo menos US$ 225 milhões”.

ESPERARAM CINICAMENTE

Em 12 de novembro, a SBM fechou acordo com as autoridades holandesas e aceitou pagar US$ 240 milhões para se livrar de punições na Holanda. Na tarde do mesmo dia, a CGU anunciou a abertura de processo contra a empresa no Brasil. “Todas as partes esperaram cinicamente até o fim das eleições”, afirma Taylor.

No momento, a SBM negocia com a Controladoria um acordo de leniência, em que poderá colaborar com as investigações sobre corrupção na Petrobras para se livrar de punições e continuar fazendo negócios com o setor público.

O ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, um dos delatores da Operação Lava Jato, disse que a SBM doou US$ 300 mil à campanha de Dilma nas eleições de 2010 e apontou Faerman como “o operador que fez o dinheiro chegar ao PT.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Esta reportagem, enviada pelo comentarista Celso Serra, enfim explica por que o então ministro Jorge Hage pediu demissão da CGU. (C.N.)

14 de abril de 2015
Leandro Colon
Folha de S. Paulo

COMPLICOU? LIGA PARA O "CONSULTOR" JOSÉ DIRCEU

 


Dirceu faturou R$ 4,16 milhões quando estava preso

Reinaldo Azevedo, há alguns dias, publicou em seu blog na Veja um comentário sobre os negócios de José Dirceu na JD Consultoria, empresa onde ele  sozinho, dá conta da área de medicamentos, engenharia, bebidas, comunicação, equipamentos elétricos, direito… E o que mais pintar. É o Leonardo da Vinci da consultoria. É um homem completo.
O homem recebeu mais de R$ 29 milhões em sete anos de consultoria solitária. É de fazer inveja a qualquer um. Seus advogados dizem, claro!, que ele efetivamente prestou os serviços. Então tá bom. Eu só fico a pensar aqui nos eventuais trouxas — com a devida vênia — que resolveram entrar na “vaquinha” em favor de Dirceu para pagar a multa de R$ 971.128,92 determinada pelo STF. Coitado! O homem da saliva mais cara do Brasil alegava não dispor desse dinheiro. E teve início, então, a corrente de solidariedade.
O mais impressionante é que o melhor ano para Dirceu foi 2012, aquele em que foi condenado: recebeu R$ 7 milhões. Mas nada se compara em eficiência a 2013: mesmo ele estando na cadeia, faturou R$ 4,16 milhões. Vá ser bom assim lá na casa do chapéu!

Lendo esse breve comentário e, posteriormente a lista dos 44 clientes da empresa (muitos dos quais pagando contas milionárias) fiquei pensando não apenas nos trouxas que contribuíram para a vaquinha da multa.
Vieram-me à mente todos os outros petistas espalhados Brasil afora, contando moedas em casa, dando duro no seu local de trabalho, pagando com suor do rosto a contribuição sindical a um sindicato ligado à CUT petista… Eles um dia acreditaram. Acreditarão ainda?

14 de abril de 2015
Percival Puggina

DATAFOLHA: DILMA NÃO REVERTEU VISÃO PESSIMISTA DE SEU GOVERNO




O ponto principal assinalado pela pesquisa do Datafolha, reportagem principal da edição de domingo da Folha de São Paulo, a meu ver, encontra-se no fato de a presidente Dilma Rousseff não ter conseguido reverter a visão pessimista que ela própria criou nos primeiros meses de seu segundo mandato.
Tanto assim que para 78% a inflação vai subir. Índice como se vê muito alto. Para a parcela de 70% o desemprego vai aumentar. E para 58% a situação econômica vai piorar.

As ruas refletiram essa realidade popular. Incrível, portanto, como em apenas um trimestre a presidente da República conseguiu transformar de positiva a negativa sua imagem junto à opinião pública. Impressionante tal fenômeno em tão curto espaço de tempo.
Duas causas principais: a corrupção na Petrobrás e agora também na Receita Federal, dois episódios em relação aos quais não consegue transmitir o tom esperado de indignação compatível com a dimensão dos fatos e suas ações que colidem com os compromissos assumidos na campanha eleitoral. Ela disse uma coisa, mas praticou outra. O eleitorado considera-se vítima de tal dualidade.

Quanto à Petrobras, suas afirmações tem sido mais abstratas do que concretas. Condena genericamente os “malfeitos”, minimiza o tom de revolta que seria de esperar. Mais recentemente afirmou que a estatal já está limpa e vai dar a volta por cima.
E os ladrões? Ela, pelo silêncio, os colocou como se pertencessem ao passado. Quando, efetivamente, situam-se plenamente no presente. Vários deles estão presos aguardando julgamento.

A opinião pública ressente-se de posicionamentos muito mais frontais e afirmativos. A corrupção é um tema tão importante que divide com a saúde o plano das maiores preocupações brasileiras, destacou o Datafolha. Saúde 23%, corrupção 22%. Quase a metade do povo tem os olhos voltados para esses dois pontos extremamente críticos na vida nacional.

A convergência destaca em si uma síntese verdadeira, pois quanto maiores os roubos, menores serão os recursos financeiros para a saúde. Os corruptos, corruptores, intermediários tornam-se assim ladrões da vida humana. Registrando 10 pontos, a educação aparece como o terceiro maior problema na escala apresentada pelo Datafolha.

MELHOR PRESIDENTE

Vamos passar para um outro plano revelado pelo levantamento. Qual o melhor presidente da República? Lula, na opinião de 50%; FHC para 15%; Dilma Rousseff para 2%. Muito pouco. Outros presidentes foram citados como Getúlio Vargas (6%); JK (3%); José Sarney (2%); Itamar , Jânio Quadros, Fernando Collor, João Goulart não foram incluídos entre as opções nominais.

Vargas e Juscelino pertencem a outras gerações, é natural que sejam pouco lembrados. Vargas ainda é lembrado pela implantação da CLT (1943) e pela criação da Petrobrás, lei 2005/53.
Mas esta é outra questão. Juscelino foi o homem do desenvolvimento econômico, que criou Furnas, por exemplo, segunda maior estatal do país, responsável hoje por 40% da energia consumida no Brasil. O que Vargas e JK fizeram encontra-se na história para sempre.

Vamos voltar ao Datafolha. Vejam só: Lula 50%; FHC 15% e Dilma apenas 2%. Vendo-se nos números, traduzindo-os, verificamos uma dependência total de Dilma em relação a seu antecessor e grande eleitor.
Pois cada vez que ela cai na opinião pública, apenas 13% de aprovação contra 60% de rejeição, mais ela depende de Lula e, por incrível que pareça, do PT. O Partido dos Trabalhadores, em cuja tesouraria encontra-se João Vaccari, só lhe traz problemas. Basta ver a realidade da Petrobrás. A insatisfação com o governo está presente em todas as classes sociais. Vejam só.

14 de abril de 2015
Pedro do Coutto

TERIA SIDO UM GRANDE PRESIDENTE



Paulo Brossard foi um orador sensacional

Houve tempo em que ninguém o suplantava, como líder da oposição. Ernesto Geisel não perdoava suas denúncias no Senado, foi aconselhado a cassar seu mandato, faltando-lhe coragem ainda que sobrasse vontade. Se naqueles idos, por um milagre, as eleições presidenciais fossem diretas, não haveria vez nem para Ulysses nem para Tancredo. Teria sido um grande presidente.

Falamos de Paulo Brossard, o mais veemente tribuno com que o regime militar se defrontou. Não podiam acusá-lo de subversivo, apesar da contundência de suas análises e de suas críticas. Era, em paralelo, homem da lei e da ordem. Tivesse exercido a presidência da República, realizaria mais coisas dormindo do que todos os outros, acordados. Seria uma instância segura das garantias democráticas, sem turbulências. Jurista como poucos, conhecia Direito como ninguém.

Quando o país conseguiu votar para presidente, em 1989, já se havia retirado, depois de senador, consultor-geral da República, ministro da Justiça e ministro do Supremo Tribunal Federal. Só que o Brasil seria outro, na hipótese de ter sido ele o escolhido para suceder José Sarney. Reuniria cultura e firmeza a um permanente espírito libertário. Mas com respeito, sem baderna.

Por muitos anos, durante seu mandato no Senado, nas manhãs de domingo, costumava visitar-nos, sempre com dona Lúcia. Lá, encontrava-se com os “autênticos” do PMDB, de Marcos Freire a Lisaneas Maciel, Fernando Lyra, Chico Pinto, Paes de Andrade e outros cultores de uma partida de vôlei, que não jogava. Assistia, mas antes e depois, lecionava. Sem ares pretensiosos, discorria sobre História, literatura e política. Nenhum de nós dispensava o “doutor Brossard” em nossos diálogos.
Fica dele a permanente lembrança e um lamento: teria sido uma grande presidente.

14 de abril de 2015
Carlos Chagas

FORÇA-TAREFA INVESTIGA TAMBÉM PROPINAS FORA DA PETROBRAS

       

Juiz diz que Pessoa continuou dando propinas após o escândalo

O juiz federal Sérgio Moro disse que o Ministério Público Federal (MPF) investiga se o esquema de corrupção na Petrobras, apurado na Operação Lava Jato, se estendeu para outros setores da economia. Segundo o juiz, responsável pela investigação na primeira instância da Justiça, o MPF investiga o envolvimento do presidente da empreiteira UTC, Ricardo Pessoa, preso desde novembro do ano passado, no pagamento de propina fora do setor de óleo e gás.

A informação consta no pedido de esclarecimento solicitado pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), para julgar o mérito do habeas corpus impetrado pela defesa de Pessoa. De acordo com Moro, o empreiteiro deve continuar preso, principalmente, pelos indícios que apontam pagamento de propina, no ano passado, quando a Lava Jato foi deflagrada.

“Obteve o MPF informação sobre o envolvimento da UTC Engenharia e de Ricardo Pessoa em ainda outro pagamento de propina em contrato público durante 2014 e em outro setor que não o de óleo e gás. Ou seja, mesmo durante as investigações já tornadas notórias da Operação Lava Jato, negociava-se o pagamento de propina por contratos públicos em outras áreas”, disse o juiz.

INFLUENCIAR TESTEMUNHAS

No documento, Moro também diz que houve tentativas de influenciar testemunhas dos pagamentos de propina, como Meire Pozza, ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, e João Procópio e Rafael Angulo Lopez, responsáveis pela entrega dos pagamentos.

“A testemunha, após ser arrolada, é da Justiça, interessando que fale a verdade, e não mais da acusação ou da defesa.
Sem olvidar ainda que serão também interrogados não só Ricardo Pessoa, mas também coacusados, devendo-se prevenir influências indevidas entre eles para uma concertação fraudulenta de álibis ou mesmo que algum deles, desejoso eventualmente de confessar, se veja impedido por pressão indevida dos demais”, diz Moro.

RÉU EM DUAS AÇÕES
Ricardo Pessoa é réu em duas ações penais na Justiça Federal em Curitiba, nas quais é acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de coordenar o funcionamento do cartel entre as empreiteiras que tinham contratos com a Petrobras.

À Justiça Federal, os advogados de Ricardo Pessoa afirmaram que nunca existiu um “clube de empreiteiras” para dividir contratos com a Petrobras. Para a defesa, a acusação do MPF, na qual Pessoa é apontado como líder do cartel, é “um vazio sem fim”.

14 de abril de 2015
André Richter
Agência Brasil

AÍ, PESSOAL DA ARQUIBANCADA, ALGUÉM FICOU SURPRESO? EU NÃO...

                        Cunha: impeachment "não tem fundamento".
 
 
(O Globo) O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), reafirmou nesta terça-feira posição contrária à aceitação do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff neste momento. A despeito do resultado das pequisas de opinião e do anúncio de que líderes das manifestações de rua devem entregar à Casa um pedido neste sentido, o presidente afirmou que tende a negar qualquer abertura de impeachment contra Dilma neste momento.

— Impeachment não é processo político. O impedimento do presidente da República, previsto na Constituição Federal, é um processo que tem que ter sua razão jurídica para isso. Não é simplesmente porque uma pesquisa diz que a população quer, que efetivamente vai ter impeachment. Da minha parte, dessa forma, não tem aceitação — disse Cunha.

O presidente da Câmara disse que irá analisar os fundamentos jurídicos do pedido que será apresentado pelos líderes do Movimento Brasil Livre: — Para vir aqui tem protocolar alguma coisa tem que ter fundamento. Deixa ver que fundamento que vai vir. Eu não vejo, na minha análise, eu não vejo fundamento. 

Até o momento, a Câmara já recebeu 23 pedidos de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff feitos por cidadãos e pelo deputado Jair Bolsonaro. Entre os pedidos, 14 foram apresentados no primeiro mandato e 9 nos primeiros três meses do segundo mandato. Cunha negou a abertura dos processos. Pequisa DataFolha divulgado no sábado mostrou que 63% dos entrevistados são favoráveis à abertura de processo de impeachment contra Dilma.

14 de abril de 2015
in coroneLeaks

AÉCIO FAZ REUNIÃO COM OS LÍDERES DAS MANIFESTAÇÕES: "ESTAMOS SINTONIZADOS".


 
 
(Globo) O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), disse nesta terça-feira que está descartada, nesse momento, a possibilidade de um encontro do vice-presidente Michel Temer com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Ele explicou que o coordenador político do governo havia solicitado um encontro com FH para discutir a agilização da votação da reforma política, mas agora, com sua nova função, a conversa poderia ter uma conotação que não interessa ao PSDB e aos movimentos de rua que pregam o impeachment da presidente Dilma Rousseff. O encontro aconteceria nesta terça-feira, mas acabou cancelado.

Nesse momento qualquer conversa vai na direção oposta do que estamos construindo, que é o enfrentamento a esse governo que usou de forma criminosa o estado para beneficiar um projeto de poder — descartou Aécio, após participar de encontro com representantes de grupos que organizaram os protestos contra o governo nos dias 15 de março e 12 de abril.

O PSDB pretende agir em três novas frentes: uma nova ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o uso dos Correios na campanha eleitoral; apresentar uma ação contra a CGU na Procuradoria Geral da República sobre denúncia de que o órgão não teria investigado denúncia de empresa holandesa sobre pagamento de propina na Petrobras e apresentar um requerimento na CPI para que uma comissão de cinco parlamentares viaje ao Reino Unido para ouvir, em depoimento formal, Jonathan David Taylor, o ex-diretor da SBM offshore, que acusa a CGU de ter segurado as investigações. 

Para Aécio, essa denúncia pode ser o fato novo que faltava para o partido se decidir a encampar o pedido de impeachment da presidente Dilma. Segundo o senador, nos próximos dias o jurista Miguel Reale Júnior deve entregar um estudo com embasamento jurídico para um eventual pedido de impeachment. — É um motivo extremamente forte. É o estado sendo usado de forma criminosa. Os fatos falam com muito mais poder. E esse fato novo pode levar a um novo desfecho — disse Aécio.

Aécio ressaltou que avaliar a possibilidade de impeachment da presidente Dilma não é golpe, é uma previsão constitucional e não significa que não pode ser analisado. — Não fechamos a porta para nenhuma alternativa. Mais de 60% dos brasileiros defende o impeachment. Institucionalmente estamos discutindo todas as alternativas e preferimos entregar esse estudo nas mãos do jurista Miguel Reale. Ele está avaliando todas as denúncias para ver se já há caracterizado o crime de responsabilidade da presidente — disse Aécio. 

Aécio disse que a denúncia de prevaricação da CGU é um motivo extremamente grave, um indício claro de “armação”, de utilização do estado em favor de um projeto de poder. Aécio, após o encontro com os representantes do 15 de março e 12 de abril, disse ter chegado, naturalmente, o momento de conexão que pode dar efetividade as reivindicações, entre elas o “fora Dilma”. — Tudo isso somado bota querosene na fogueira das reivindicações populares. Nos encontramos com os líderes dos movimentos para discutir os próximos passos. Estaremos agora sintonizados, porque chegou a hora de transformar os movimentos das ruas em ações práticas no Congresso Nacional — disse Aécio. 

Durante almoço no gabinete do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), Aécio e outros deputados e senadores tucanos receberam dos líderes da Aliança Nacional de Movimentos — que integra o Vem pra Rua, Movimento Brasil Livre , Diferença Brasil e outros 17 movimentos das manifestações do 15 de março e 12 de abril — um convite para participar nesta quarta-feira ao meio dia, na Praça dos Três Poderes, de um ato em que vão fazer a leitura da Carta do Povo Brasileiro ao Congresso Nacional. Depois do ato, os ativistas serão recebidos pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e por lideres de todos os partidos na Câmara e Senado.

A Carta contém todas as reivindicações dos movimentos nas ruas: impeachment da presidente Dilma Rousseff, reforma política, entre outras reivindicações.
 
14 de abril de 20154
in coroneLeaks