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Este é um blog conservador. Um canal de denúncias do falso 'progressismo' e da corrupção que afronta a cidadania. Também não é um blog partidário, visto que os partidos que temos, representam interesses de grupos, e servem para encobrir o oportunismo político de bandidos. Falamos contra corruptos, estelionatários e fraudadores. Replicamos os melhores comentários e análises críticas, bem como textos divergentes, para reflexão do leitor. Além de textos mais amenos... (ou mais ou menos...) .
"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville (1805-1859)
"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.
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"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.
quarta-feira, 10 de janeiro de 2018
PRESIDENTE DO TRF4 RECEBERÁ 'CARAVANA' PETISTA ANTES DO JULGAMENTO DE LULA
DEFESA JÁ APRESENTOU 10 PETIÇÕES PARA IMPEDIR QUE LULA SEJA JULGADO POR MORO
Moro barrou nova ofensiva do ex-presidente contra ele
Até 26 de novembro do ano passado, os advogados de Lula haviam apresentado 10 pedidos para afastar o juiz Sérgio Moro ou tirar os processos da 13ª Vara Federal em Curitiba. Dez dias antes do Natal, o juiz federal barrou nova ofensiva do ex-presidente Lula contra ele. O magistrado rejeitou, em 14 de dezembro, a segunda exceção de suspeição criminal ajuizada pelo petista e por sua defesa em ação penal sobre supostas propinas da Odebrecht – um terreno de R$ 12 milhões aonde supostamente seria sediado o Instituto Lula e o apartamento 121, no edifício Hill House, em São Bernardo, vizinho à residência do ex-presidente.
DERROTAS EM SÉRIE – O ex-presidente tem acumulado derrotas na primeira instância e nos tribunais em sua tentativa de tirar processos das mãos de Moro e de Curitiba para se livrar de condenação e de provas que o ligam a esquema de corrupção na Petrobras e ao sítio de Atibaia, ao triplex do Guarujá e a propinas de empreiteiras.
A nova ofensiva, assinada pelos advogados, era uma “exceção de suspeição”, alegando que Moro teria se tornado suspeito “por ter participado, como palestrante, do 4.º Evento Anual Petrobras em Compliance, na sede da Petróleo Brasileiro S/A – Petrobrás em 8 de dezembro de 2017”. Na ocasião, afirmam o petista e a sua defesa, o juiz da Lava Jato aconselhou “o assistente de acusação, no caso a Petrobras, sobre medidas de prevenção e combate à corrupção e a respeito de matérias pendentes de julgamento”.
OFENSIVA BARRADA – A primeira exceção de suspeição nesta ação foi rejeitada por Moro. “A presente exceção deve seguir a mesma sorte”, afirmou o magistrado na decisão que barrou a segunda ofensiva de Lula. O juiz anotou que suas declarações, durante o evento da Petrobras, tiveram como base “casos já julgados no âmbito da Operação Lava Jato”. A estatal é assistente de acusação do Ministério Público Federal nos processos da Lava Jato.
O magistrado descreveu a Lula e à sua defesa cinco medidas que havia sugerido no evento: proteção contra o loteamento político dos cargos na estatal; realização, aleatória, de averiguações sobre o patrimônio de executivos da Petrobras; imposição da obrigação de que comunicações dos executivos ou empregados da Petrobras sobre negócios e contratos ocorresse exclusivamente por meio de endereços eletrônicos oficiais; estudo da possibilidade de concessão de prêmios financeiros modestos em contrapartida a comunicações (denúncias) internas da prática de crimes no âmbito da empresa; e averiguações mais profundas sobre os fornecedores da estatal.
PRESENTE E FUTURO – “As sugestões apresentadas pelo julgador, além de terem presente somente os casos já julgados, visam o presente e o futuro e não o passado”, afirmou Moro, acrescentando que “ao contrário do afirmado falsamente pelo excipiente, não houve qualquer aconselhamento jurídico sobre a forma ou o conteúdo da atuação da Petrobras, como Assistente de Acusação, nas diversas ações penais da qual faz parte perante este Juízo.”
Moro garantiu não ter havido, durante o evento, “qualquer referência a casos em andamento ou pendentes de julgamento, nem houve sequer menção ou qualquer referência aos casos penais aos quais responde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva”. “Na aludida exposição, este julgador não fez qualquer referência à ação penal ou ao objeto dela ou ainda às acusações que pendem contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou mesmo ao nome Luiz Inácio Lula da Silva ou ao cargo que ele ocupou no passado”, anotou Moro.
“Importante destacar que, ao contrário do que sugere a defesa, a atuação deste julgador não gira exclusivamente em torno de seu cliente, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sendo ele responsável por diversos outros casos criminais e por outras atividades”, acrescentou. Na decisão, Moro ainda aponta que sua participação no evento “não foi remunerada”. De acordo com o juiz, foram pagas pela Petrobras “as despesas de deslocamento e de uma diária de hotel em quarto comum, como é de praxe para convidados de outras localidades”.
10 de janeiro de 2018
Julia Affonso e
Ricardo Brandt
Estadão
LOURES TENTA PROTEGER TEMER EM DEPOIMENTO E SE CALA SOB RE A MALA DE DINHEIRO

Charge do Lezio (Diário da Região)
Peça central no escândalo que atingiu o governo Michel Temer no ano passado, o ex-assessor presidencial e ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (MDB-PR) disse em depoimento à Polícia Federal que não tinha relação de amizade com o presidente, mas uma relação “profissional, respeitosa, administrativa e funcional, visto que o presidente era seu chefe”. Rocha Loures depôs nos dias 24 e 27 de novembro no inquérito que investiga a edição de um decreto, em maio de 2017, que mudou as normas para o setor portuário e teria beneficiado a empresa Rodrimar, que atua no Porto de Santos (SP).
NADA SOBRE A MALA – O inquérito tramita no Supremo Tribunal Federal sob relatoria do ministro Luís Roberto Barroso e é o único ainda aberto que tem Temer como alvo. O ex-deputado foi filmado em maio do ano passado recebendo uma mala com R$ 500 mil de um executivo da J&F, que controla a JBS. A Procuradoria-Geral da República acusou Temer de ser o destinatário final do dinheiro – a denúncia, sob acusação de corrupção passiva, teve seu prosseguimento suspenso pela Câmara. Sobre a mala, Rocha Loures ainda não deu declarações.
Para o ex-procurador-geral Rodrigo Janot, Rocha Loures era “homem de total confiança, verdadeiro “longa manus” de Temer – o que o ex-assessor presidencial negou no inquérito que investiga o decreto dos portos. “[Rocha Loures disse] Que encontrou-se pela primeira vez com o presidente Michel Temer quando o declarante ocupou o cargo de chefe de gabinete de [Roberto] Requião, em 2003 e 2004 [no Paraná]; […] que possuía uma relação de trabalho amistosa, não podendo afirmar que fosse uma relação de amizade”, segundo o registro do depoimento tomado pelo delegado da PF Cleyber Malta Lopes.
“SÓ EM CASOS EXCEPCIONAIS” – “[Rocha Loures relatou] Que também não possuía por hábito efetuar ligações diretamente ao presidente Michel Temer […] também, habitualmente, não trocava mensagens via celular com o presidente, à exceção de eventual necessidade do gabinete, quando o assunto requeria urgência.” Rocha Loures afirmou à PF que não mantém relações nem recebeu doações do setor portuário para suas campanhas à Câmara (em 2006 e 2014), mas que conhece representantes dessa área, como os executivos da Rodrimar, desde 2013, quando houve a tramitação da Lei dos Portos no governo Dilma Rousseff. Naquele período, ele era assessor de Temer na Vice-Presidência.
Sobre o decreto dos portos, editado por Temer em maio de 2017, Rocha Loures disse que só soube da matéria no início do ano passado, quando era assessor especial da Presidência e tomou conhecimento da minuta do texto, enviado à Casa Civil pelo Ministério dos Transportes. Ele negou que tenha atuado para favorecer interesses da Rodrimar na elaboração do decreto e disse “que não tem conhecimento se o presidente da República possui qualquer relação com o setor portuário, em especial com qualquer empresa do grupo Rodrimar e outras concessionárias baseadas no Porto de Santos”.
GRAMPEADO – Em interceptação telefônica feita pela PF com autorização do Supremo, Rocha Loures foi grampeado em 8 de maio de 2017 conversando com o subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Gustavo do Vale Rocha, sobre o decreto dos portos. No diálogo, ele insistia para que o Planalto incluísse no decreto uma regra que beneficiasse empresas portuárias que conseguiram concessões antes de 1993.
“Por orientação até do ministro [da Casa Civil Eliseu] Padilha e por conta da exposição que isso pode trazer para o presidente… Essa pauta pré-93 foi fechada aqui que não vai passar, tá?”, respondeu Gustavo Rocha, principal assessor jurídico do Planalto. “Minha preocupação é expor o presidente em um ato que é muito sensível… Eu acho que já vai causar uma exposição pra ele. Esse negócio vai ser questionado”, continuou.
A PF também apreendeu, em 18 de maio de 2017, na Operação Patmos, deflagrada após a delação da JBS, uma série de papéis sobre o setor portuário, inclusive sobre a Rodrimar, em endereços ligados a Rocha Loures.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Se persistir nesta linha de defesa suicida, Loures está liquidado e vai cumprir longos anos de prisão. Ele simplesmente está inocentando Temer e assumindo a culpa pelo crime da mala da JBS (que não tinham nenhum interesse em suborná-lo) e também pela corrupção do setor portuário, no qual jamais atuara antes. Sua fidelidade a Temer é patética e revela que Rocha Loures é um idiota perfeito, tipo Marcos Valério. (C.N.)
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Se persistir nesta linha de defesa suicida, Loures está liquidado e vai cumprir longos anos de prisão. Ele simplesmente está inocentando Temer e assumindo a culpa pelo crime da mala da JBS (que não tinham nenhum interesse em suborná-lo) e também pela corrupção do setor portuário, no qual jamais atuara antes. Sua fidelidade a Temer é patética e revela que Rocha Loures é um idiota perfeito, tipo Marcos Valério. (C.N.)
10 de janeiro de 2018
Reynaldo Turollo Jr.
Deu na Folha
EX-ASSESSOR DA PRESIDÊNCIA, JOSÉ YUNES RELATA À PF "APENAS UM NEGÓCIO" COM TEMER

Yunes omitiu vários negócios que fez com Temer
O advogado e ex-assessor da Presidência da República José Yunes, investigado por suspeita de corrupção na Lava Jato, relatou em depoimento à Polícia Federal, no dia 30 de novembro, que realizou apenas uma operação de venda de imóvel para o presidente Michel Temer. No inquérito que investiga suposta propina a Temer no Porto de Santos, ele respondeu a 30 questões sobre sua relação com presidente, de quem é amigo há 50 anos e de quem foi assessor no Palácio do Planalto. Yunes pediu demissão do cargo em dezembro de 2016, após ser delatado pela Odebrecht.
NEGOU TUDO – Na pergunta de número 24, Yunes é questionado pelo delegado Ricardo Ishida sobre quais negócios realizou com Temer e se já havia vendido algum imóvel ou repassado algum valor ao presidente. Yunes respondeu “que nunca vendeu nenhum imóvel para ele como pessoa física; que há cerca de vinte anos, quando o declarante tinha uma incorporadora, Michel Temer comprou um andar em um prédio comercial da incorporadora do declarante à época; que o andar adquirido é o da Rua Pedroso Alvarenga, 900, 10º andar, sendo tudo contabilizado e informado nas declarações de imposto de renda do declarante e de Michel Temer; que não se recorda de nenhum outro negócio envolvendo o Presidente Temer; que nunca fez repasses de valores para Presidente Temer ou para qualquer emissário dele ou do partido PMDB”.
Yunes é apontado pelo operador financeiro Lúcio Funaro, que fez uma delação premiada, como um dos responsáveis por administrar as propinas supostamente pagas ao presidente e por fazer o “branqueamento” dos valores. De acordo com Funaro, para lavar o dinheiro e disfarçar a origem, Yunes investia os valores ilícitos em sua incorporadora imobiliária. Em julho passado, a revista “Veja” revelou que a família de Temer comprou do advogado dois escritórios, uma casa e o andar de um prédio em áreas nobres de São Paulo que valeriam atualmente, segundo a reportagem, R$ 18,4 milhões, e foram adquiridos entre os anos 2000 e 2010, quando Temer era deputado federal.
“SEM PERGUNTAS” – Indagado sobre o fato de não terem sido citados outros imóveis que foram negociados entre as famílias Yunes e Temer, o advogado de Yunes, José Luís Oliveira Lima,afirmou que não houve perguntas a respeito. Um desses imóveis é um andar do edifício Spazio Faria Lima, no Itaim Bibi. Em relação a ele, Oliveira Lima disse que o imóvel foi “vendido pela empresa YUNY, a qual José Yunes não tem nenhuma relação societária”. A empresa YUNY foi fundada por Yunes, mas hoje pertence aos filhos dele. O imóvel foi comprado por Temer três anos antes do seu lançamento, em 2003.
Em junho de 2010, Yunes comprou uma casa no bairro Alto de Pinheiros, zona também nobre de São Paulo, por R$ 750 mil. Um mês depois, o imóvel foi vendido à atual primeira-dama Marcela Temer por R$ 830 mil, quantia doada a ela pelo marido antes da compra, segundo informou a assessoria do Planalto. Sobre a casa de Marcela Temer, primeira-dama, o advogado afirmou que “em momento algum José Yunes foi indagado pela autoridade policial sobre qualquer operação comercial efetuada com a Sra. Marcela Temer, se tivesse sido perguntado teria esclarecido pois a mesma foi absolutamente regular e inserida no IR”.
Yunes e Temer são amigos há 50 anos. Costumam se encontrar quando o presidente viaja a São Paulo, nos finais de semana.
LONGA AMIZADE – Sobre o encontro de Yunes com Temer quatro dias antes do depoimento, o advogado José Luís Oliveira Lima disse que “José Yunes e o presidente, como é sabido, são amigos há 50 anos e a visita ao hospital Sírio Libanês foi fruto dessa amizade”. Entre as perguntas feitas a Yunes, a Polícia Federal também quis saber de Yunes se Michel Temer, os ministros Moreira Franco (Secretaria-Geral), Eliseu Padilha (Casa Civil) ou o ex-assessor de Temer Rodrigo Rocha Loures pediram a ele que recebesse algum valor, servido de “mula”.
“Que o declarante recorda-se de uma única ocasião, já relatada à Procuradoria-Geral da República, em que recebeu um pacote a pedido de Eliseu Padilha, que em nenhum momento soube que havia dinheiro no interior do envelope/pacote, mas que todos os detalhes em relação a isso já foram fornecidos à PGR, que recorda-se que, depois de uns 40 minutos após ter recebido o pacote/envelope, uma terceira pessoa retirou o envelope, que quem entregou o envelope foi Lucio Funaro, mas não sabe dizer quem retirou o pacote/envelope. Que à época da entrega desse pacote/envelope o declarante não conhecia Lucio Funaro”.
Yunes também foi questionado sobre se tinha conhecimento da relação de Temer com com a Rodrimar e com o setor portuário. O ex-assessor afirmou desconhecer informações sobre isso.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Advogado experiente, Yunes sabe depor sem se incriminar, embora já esteja autoincriminado, desde que afirmou ter sido “mula involuntário” para receber propina destinada a Eliseu Padilha. Yunes não tem motivos para dormir tranquilo, é o mínimo que se pode dizer. (C.N.)
10 de janeiro de 2018
Andréia Sadi
Deu no G1
ODEBRECHT ACUSA SERRA DE TER RECEBIDO PROPINA DE R$ 23,32 MILHÕES, ALÉM DO CAIXA 2

Serra está cada vez mais enrolado na Lava Jato
Reportagem de André Guilherme Vieira, no jornal Valor, revela que o executivo Pedro Novis, ex-presidente da Odebrechet, ao fazer delação premiada, acusou o senador José Serra (PSDB-SP) de ter recebido R$ 52,4 milhões em propinas — valor superior até ao que foi encontrado no bunker de Geddel Vieira Lima. Os pagamentos foram feitos de 2002 a 2012.
Segundo o depoimento de Novis, Serra recebeu propina de R$ 23,3 milhões em 2010, como contrapartida à liberação, pelo governo paulista, de R$ 170 milhões em créditos devidos à Odebrecht
CAIXA DOIS – Os R$ 29,1 milhões restantes teriam sido transferidos como caixa dois eleitoral para as campanhas de 2002, 2004, 2006, 2008 e 2012, segundo Novis.
Serra diz que as acusações são falsas. Procurado por meio da assessoria de imprensa, o senador disse que “jamais recebeu nenhum tipo de vantagem indevida de empresa ou indivíduo, especialmente da Odebrecht”. Serra afirmou que “nunca tomou medidas que tenham favorecido a Odebrecht em nenhum dos diversos cargos que ocupou em sua longa carreira pública, como afirmou o ex-presidente da empresa Pedro Novis em depoimento”.
Ouvido pela Polícia Federal (PF) no grupo de inquéritos do Supremo Tribunal Federal (STF), em junho, Novis mostrou documentos e explicou a origem dos R$ 23,3 milhões que conforme sua versão irrigaram a campanha presidencial de Serra em 2010.
CONTRATO DA DERSA – O delator entregou à PF contrato do pagamento por créditos feito pela Dersa à Companhia Brasileira de Projetos e Obras (CBPO), do grupo Odebrecht. Novis disse que foram pagos R$ 160 milhões líquidos, e que calculou em R$ 23,3 milhões a parte do PSDB. A vinculação do contrato com o dinheiro pende de comprovação.
A delação foi feita há mais de seis meses, somente agora é divulgada. Segundo a matéria de André Guilherme Vieira, Novis disse que de 2006 a 2007 a Odebrecht repassou R$ 4,5 milhões a conta no exterior – equivalentes a EUR 1,6 milhão no câmbio da época. Contudo, não houve contrapartida ao repasse, conforme o delator. A conta teria sido fornecida pelo lobista José Amaro Ramos, descrito por Novis como amigo de Serra. O delator disse que recebeu das mãos de Ramos “o número da conta para a qual seriam destinados os recursos destinados a José Serra”. Amaro Ramos manteria relação com governo e empresas da França, e teria aproximado a Odebrecht de grupo empresarial daquele país na década de 90, segundo Novis.(…)
José Amaro Ramos foi citado em investigações que apuram ilícitos em contratos do governo de São Paulo para o Metrô. O nome dele chegou a constar de documentos enviados ao Brasil pelo Ministério Público da Suíça, que pediu para ouvi-lo. O pedido de oitiva, no entanto, foi esquecido em um escaninho da Procuradoria da República de São Paulo, de acordo com um investigador.
10 de janeiro de 2018
Deu no Valor
BOLSONARO ACUSA MÍDIA DE PROMOVER CAMPANHA DE ASSASSINATO DE SUA REPUTAÇÃO

“Escolheram viver no mundo da fantasia”, diz ele
O presidenciável Jair Bolsonaro (PSC-RJ) e seus filhos que exercem mandato se manifestaram em redes sociais nesta segunda-feira, dia 8, sobre publicações relativas à multiplicação do patrimônio da família e ao recebimento de auxílio-moradia. Por meio do Twitter, Jair Bolsonaro postou ao menos quatro mensagens. “O Brasil vive a maior campanha de assassinato de reputação de sua história recente protagonizada pela grande mídia. Chega a ser cômico, com tanto escândalo e crime dentro da política, a pauta são minhas ações lícitas. Escolheram viver no mundo da fantasia onde eu seria o mau”, escreveu o deputado federal.
BOBO E FEIO – “A realidade é dura para meus adversários. Precisam se conter em apontar pra mim e me chamar de bobo e feio, enquanto suas opções são bandidos, criminosos, mau caráter, corruptos, canalhas, desonestos, e por aí vai”, acrescentou. Mais tarde, ele publicou um vídeo com a legenda “minha declaração sobre patrimônio em 2016”, em que usa como defesa o fato de o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot ter arquivado em uma canetada uma denúncia anônima sobre sua declaração de bens em 2014. As publicações de Bolsonaro, porém, não abordam quase nenhum dos pontos relativos à sua evolução patrimonial. Em postagem anterior, na noite de domingo, ele havia falado em calúnia.
Os filhos do presidenciável também se manifestaram. Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), que é vereador no Rio disse que “gostaria de ver a mídia fazendo levantamento de bens no mesmo estilo com outros presidenciáveis, e nem precisa somar com patrimônio de filhos, cachorro, papagaio para induzir e prejudicá-lo não. De boas, afinal teríamos de saber de todos. Isso aqui não é democracia imparcial”. O parlamentar acrescentou ainda, “no aguardo, mas tem que ser num domingo sem querer também! Tá `serto´?! Mas tem que ignorar data de compra, fingir que não sabe somar e fazer uma manchete bem isenta também!”, completou.
“AUSÊNCIA DE INDÍCIOS” – Eduardo (PSC-SP), também deputado federal, publicou mensagem lembrando de um episódio de 2015. “Na foto @FlavioBolsonaro mostra em 2015, documento do PGR. Janot arquivando denúncia contra Bolsonaro por `suspeitas sobre suas casas´ devido a `ausência de elementos indiciários´ mínimos que apontem para a prática de ilícitos penais do parlamentar”. Em 2015!!!” Eduardo também chamou as reportagens de “tendenciosas”. “A matéria da @folha é tão tendenciosa q nem considerou o boom imobiliário de 2010/11 ocorrido no Rio por conta da Copa e Olimpíadas. E no final diz “tudo foi legal”. Ridículo”, disse.
Já Flávio (PSC-RJ), deputado estadual no Rio, escreveu apenas uma vez.”O problema não é quem declara o patrimônio, alcançado licitamente. Mas sim quem esconde o seu, em nome de laranjas ou em malas de dinheiro. Vão atrás dos corruptos, p…”.
10 de janeiro de 2018
Deu na Folha
LIBERAÇÃO DAS DROGAS PARA REDUZIR A CRIMINALIDADE É MAIS UMA CONVERSA FIADA
Liberação da maconha vai avançando aos poucos
A relação direta de causa e efeito entre o consumo de drogas e a criminalidade gera, quase necessariamente, a ideia da legalização. Seus defensores sustentam que se o consumo e o comércio forem liberados, a maconha, a cocaína, a heroína e produtos afins serão formalmente disponibilizados, inviabilizando a atividade do traficante. Extinto o comércio clandestino, dizem, cessariam os lucros que alimentam o crime organizado e se reduziria o nível de insegurança em que vive a população. Muitos alegam, ainda, que a atual repressão agride o livre arbítrio. Entendem que os indivíduos deveriam consumir o que bem entendessem, pagando por isso, e que os valores correspondentes a tal consumo, a exemplo de quaisquer outros, deveriam ser tributados para gerar recursos ao setor público e não ao mundo do crime.
A aparente lógica dos argumentos tem um poder muito forte de sedução. No entanto, quando se pensa em levar a teoria à prática, surgem questões que já levantei em artigo anterior e não podem deixar de ser consideradas.
MUITAS DÚVIDAS – Quem vai vender a droga? As farmácias? As mesmas que exigem receita para uma pomadinha antibiótica passarão a vender heroína sem receita? Haverá receita? Haverá postos de saúde para esse fim? Os usuários terão atendimento médico público e serão cadastrados para recebimento de suas autorizações de compra? O Brasil passará a produzir drogas? Haverá uma cadeia produtiva da cocaína? Uma Câmara Setorial do Pó e da Pedra? Ou haverá importação? De quem? De algum cartel colombiano?
O consumidor cadastrado e autorizado será obrigado a buscar atendimento especializado para vencer sua dependência? E os que não o desejarem, ou que ocultam essa dependência, vão buscar suprimento onde? Tais clientes não restabelecerão fora do mercado oficial uma demanda que vai gerar tráfico? A liberação não aumentará o consumo? Onde o dependente de poucos recursos vai arrumar dinheiro para sustentar seu vício? No crime organizado ou no desorganizado?
CASO DA HOLANDA – A Holanda, desde os anos 70, vem tentando acertar uma conduta que tolerância restritiva. É proibido produzir, vender, comprar, e consumir drogas. A liberação da maconha recuou 30 gramas para apenas 5 gramas nos coffeeshops, que acabaram sendo municipalizados para maior controle e diversos municípios se recusam a assumir a estranha tarefa. A Bélgica se tornou a capital europeia da droga. Um plebiscito realizado na Suíça em 2008 rejeitou a liberação, mas autorizou trabalhos de pesquisa que envolvam a realização de estudos e testes com usuários de maconha. O país, hoje, fornece, com supervisão de enfermagem, em locais próprios para isso, quotas diárias de heroína para dependentes…
O uso da droga, todos sabem, não afeta apenas o usuário. O dependente químico danifica sua família inteira e atinge todo seu círculo de relações. Ao seu redor muitos adoecem dos mais variados males físicos e psicológicos. A droga é socialmente destrutiva, e o poder público não pode assumir atitude passiva em relação a algo com tais características.
APENAS EDUCAR – “Qual a solução, então?”, perguntou-me um amigo com quem falava sobre o tema. E eu: “Quem pensa, meu caro, que todos os problemas sociais têm solução não conhece a humanidade”. O que de melhor se pode fazer em relação às drogas é adotar estratégias educativas e culturais que recomponham, na sociedade, valores, tradições, espiritualidade, disciplina, dedicação ao trabalho, sentido da vida e vida de família, para fortalecer o caráter dos indivíduos e os afastar dos vícios. Mas, como se sabe, é tudo intolerável e “politicamente incorreto”. Então, resta ampliar o que já se faz. Ou seja, mais rigor legal e penal contra o tráfico, mais campanhas de dissuasão ao consumo, menos discurso em favor da maconha, menos propaganda de bebidas alcoólicas, e mais atenção aos dependentes e às suas famílias.
Alguém aí acredita que, legalizado o tráfico e vendidas as drogas em farmácia ou coffeeshops, todos os aparelhos criminosos estruturados no circuito das drogas se transmudarão para o mundo dos negócios honestos? Que os chefões das drogas se tornarão CEOs de empresas com código de ética corporativa e política de compliance? Que os traficantes passarão a bater ponto e terão carteira assinada? Pois é.
10 de janeiro de 2018
Percival Puggina
FRACASSO DO GRUPO LIVRES MOSTRA QUE O JOGO POLÍTICO É PARA PROFISSIONAIS

Bivar usa Bolsonaro para salvar seu partido
Acabou-se o que era doce. Pelo menos para o Livres, um dos grupos que sonhavam despontar como novidade em 2018. Com discurso liberal, a turma apostou num atalho para encurtar o caminho das urnas. Em vez de criar um novo partido, negociou um casamento de conveniência com o nanico PSL. Na hora do “sim”, apareceu outra noiva. Era o deputado Jair Bolsonaro.
“É com extremo pesar que comunicamos a saída do Livres do Partido Social Liberal”, lacrimejou o grupo, em comunicado divulgado na última sexta-feira. Não havia muita opção. Para quem tenta se apresentar como o novo, seria suicídio ficar ao lado de um refugo da ditadura militar.
MAIOR DOTE – O PSL preferiu trocar alianças com quem oferecia o maior dote. Em segundo lugar nas pesquisas, Bolsonaro prometeu levar um caminhão de votos. Isso pode garantir a sobrevivência da sigla, ameaçada de perder o dinheiro do fundo partidário.
Pior para o Livres, que havia apostado tudo na tática da barriga de aluguel. O grupo assumiu 12 diretórios do PSL e esperava ocupar a legenda por dentro até mudar seu nome e estatuto. Tudo certo, mas foi ingenuidade acreditar que o dono do PSL entregaria o partido de mão beijada.
O Livres confiou na palavra de Luciano Bivar, um dublê de empresário e cartola de futebol conhecido como o Eurico Miranda do Nordeste. Ex-deputado, ele integrou a bancada da bola, especializada em barrar investigações contra a cúpula da CBF.
EX-PRESIDENCIÁVEL – Em 2006, Bivar disputou o Planalto com propostas amalucadas, como instalar um quartel em cada favela. Teve apenas 0,06% dos votos. Em 2014, ele apoiou Marina Silva. Quatro anos depois, diz ter “total comunhão de pensamentos” com Bolsonaro. Se o acordo desandar, pode reaparecer ao lado de Lula, Alckmin ou Eymael.
O tombo do Livres é um alerta para outros grupos que tentam entrar na política em parceria com velhos caciques. Num país em que os partidos funcionam como cartórios, o jogo eleitoral é coisa para profissionais.
10 de janeiro de 2018
Bernardo Mello Franco
Folha
TEMER NÃO VAI ATENDER OS PEDIDOS PARA AFASTAR CINCO DIRIGENTES CORRUPTOS DA CAIXA

Charge J.Bosco (jboscocartuns.blogspot.com.br)
Foco de operações que apuram desvio de recursos, a Caixa mantém no seu comando cinco dirigentes sob suspeita de envolvimento em esquemas de corrupção. Seu presidente, Gilberto Occhi, e quatro vice-presidentes são alvo de investigações do Ministério Público Federal e do próprio banco. Citações a eles aparecem nas operações Sépsis, Cui Bono? e Patmos, conduzidas pela Procuradoria em Brasília. Mensagens e documentos sob análise dos investigadores indicam que os dirigentes auxiliaram o grupo do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB-RJ) e do ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB-BA) a viabilizar operações do banco nas quais teria havido suborno.
Em delação, o corretor Lúcio Funaro disse que Occhi tinha uma “meta de propina” a cumprir quando era vice-presidente de Governo na CEF. Uma apuração paralela, encomendada pelo comitê independente da Caixa ao escritório Pinheiro Neto Advogados à empresa de investigação privada Kroll e à auditoria PwC, expôs os vínculos da atual cúpula com políticos investigados e mostrou como tem funcionado o balcão de favores no banco. Por conta das suspeitas, o MPF requereu em dezembro que o governo afaste todos os vice-presidentes para que a escolha passe a ser feita por critérios técnicos.
IRREGULARIDADES – O pedido, enviado à Casa Civil e ao banco, compila irregularidades atribuídas aos executivos. A investigação da Caixa cita episódios de ingerência política na gestão e nas operações do banco. O relatório sobre as apurações diz que o então ministro Marcos Pereira (Indústria e Comércio), que pediu demissão do cargo na última semana, e o deputado Celso Russomano (SP), ambos do PRB, teriam condicionado a permanência do vice-presidente Corporativo, Antônio Carlos Ferreira, no cargo ao atendimento de “demandas”.
O executivo contou em depoimento que recebeu e encaminhou para as áreas pertinentes pedidos de patrocínio e reuniões com empresários feitos pelo partido. Ferreira indicou ainda que os vices Deusdina dos Reis Pereira (Fundos de Governo e Loterias) e Roberto Derziê de Sant’Anna (Governo) tinham frequentes encontros com Cunha para tratar de operações da Caixa. O dono do grupo J&F, Joesley Batista, disse em delação ter conhecimento de que Derziê recebia pagamentos indevidos e integrava o grupo criminoso do ex-deputado.
CONTA PESSOAL – A investigação diz também que que pleitos da Eldorado Celulose, da J&F, foram enviados a ele pelo ex-vice-presidente Fábio Cleto, primeiro a delatar corrupção no banco. O relatório cita ainda uma mensagem na qual Geddel teria enviado a Derziê dados de uma “conta pessoal”. Derziê é ligado ao MDB. Ouvido pelo banco, ele disse que o presidente Michel Temer, quando vice de Dilma Rousseff, lhe encaminhou pedido de nomeação e “percebeu sua utilidade em termos de gestão dos repasses nas emendas parlamentares”.
Já o ministro Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência), identificado em mensagens de investigados como “cabeça branca”, teria solicitado informações de operações de empresas privadas com a Caixa. A investigação apurou que Deusdina era braço-direito de Cleto no banco e, após a demissão dele, teria se apresentado a Cunha como sua “substituta”. Ela é ligada ao PR.
Já José Henrique Marques da Cruz, chefe da área de Clientes, Negócios e Transformação Digital, foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal na Cui Bono?. Ele é citado em mensagens de Geddel e Cunha como um suposto auxiliar na liberação de recursos da Caixa para empresas da J&F, suspeita de pagar propina aos emedebistas. Geddel teria procurado Marques e, em seguida, afirmado para Cunha que o executivo estava “comprometido a assinar cédula de crédito bancário” para empresas do grupo “no dia seguinte”.
NÃO VAI AFASTAR – O presidente Michel Temer não deve atender ao pedido de afastamento dos vice-presidentes da Caixa. O Palácio do Planalto prepara resposta ao Ministério Público Federal, na qual argumenta que a situação dos executivos não contraria a Lei das Estatais, que disciplina a nomeação de diretores e conselheiros de empresas públicas. As respostas devem ser enviadas aos procuradores a partir desta segunda, dia 8.
A resistência do governo à saída tem razões políticas. O Planalto quer manter atados à sua base no Congresso partidos que indicaram os diretores da Caixa (PP, PR e PRB), visando a aprovação da reforma da Previdência. Apesar da recusa do presidente, autoridades da equipe econômica afirmam que a saída dos executivos seria benéfica à Caixa. Dizem que os escândalos de corrupção e o aparelhamento político comprometem o banco.
O Conselho de Administração da Caixa aprovou novo estatuto, que lhe dá poderes para afastar dirigentes, mas a implementação ainda depende do aval do ministro Henrique Meirelles (Fazenda) e acionistas, em assembleia. O documento está sob análise da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. Não há data para que chegue às mãos de Meirelles.
10 de janeiro de 2018
Fabio Fabrini
Folha
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