"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

APÓS MASSACRE, TRUMP PEDE RENÚNCIA DE OBAMA REFORÇA TESE DE BANIR MUÇULMANOS

CANDIDATO QUERIA QUE PRESIDENTE DOS EUA CITASSE ‘ISLÃ RADICAL’

REPUBLICANO DISSE QUE PRESIDENTE AMERICANO DEVERIA DEIXAR O CARGO POIS NÃO MENCIONOU AS PALAVRAS ‘ISLÃ RADICAL’ EM SEU PRONUNCIAMENTO SOBRE O ATAQUE (FOTO: MICHAEL VADON/WIKIMÉDIA COMMUNS)


O provável candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu ao presidente Barack Obama que renuncie ao cargo diante do massacre em Orlando, na Flórida, pois ele não mencionou as palavras “Islã radical” em seu pronunciamento sobre o ataque.

Segundo o empresário, a provável candidata democrata à Casa Branca Hillary Clinton deveria deixar a corrida presidencial já que também não consegue dizer “Islã radical”.

“Por nossos líderes serem fracos, eu disse que isso iria acontecer - e vai apenas piorar”, disse Trump. “Estou tentando salvar vidas e prevenir o próximo ataque terrorista. Não podemos mais arcar com as consequências de sermos politicamente corretos."

O republicano reforçou novamente sua proposta de banir os muçulmanos de entrarem nos Estados Unidos. Em sua conta no Twitter, disse que a tragédia em Orlando “é apenas o começo”. “Nossa liderança é fraca e ineficaz. Eu chamei e pedi pela proibição. É preciso ser duro”, escreveu.

O atentado da madrugada de domingo deixou 50 mortos e ao menos 53 feridos em uma casa noturna frequentada pelo público LGBT em Orlando.

O comitê de campanha de Trump informou que ele fará um discurso na segunda-feira sobre segurança nacional e abordará o massacre.

Prorrogação. O comitê de campanha de Hillary Clinton anunciou que o evento marcado para o dia 15 de junho em Wisconsin “será prorrogado”. A Casa Branca informou que “diante do ataque em Orlando, a viagem do presidente a Green Bay, Wisconsin, prevista para quarta-feira, foi adiada”.

Durante esta tarde, Obama fez um pronunciamento em que qualificou o ataque de ato de “ódio”. O suposto autor do atentado é Omar Mateen, de 29 anos, que já havia sido investigado pelo FBI duas vezes por apresentar vínculos com grupos terroristas. (AE)



13 de junho de 2016
diário do poder

O HUMOR DO SPONHOLZ...



13 de junho de 2016

A CRISE DO BRASIL DIANTE DOS ARES DO TEMPO



Charge do Bruno Galvão (chargesbruno.blogspot.com)



















Há uma sensação geral de que o país perdeu o rumo. O incômodo vem de fatos específicos: caos político, corrupção, recessão, desigualdade, violência, epidemias, desemprego, deseducação, falência das contas públicas. Poucos, porém, consideram que esses indicadores de falta de rumo e de decadência têm em comum o fato, ainda mais grave, de que estamos sem sintonia com o “espírito do tempo”, o conjunto de ideias que orientam a humanidade e cada nação para o futuro. É como se, além de estarmos rodando no meio do mar, não soubéssemos como inflar as velas do barco na direção dos ares que sopram para o futuro.
Não é a primeira vez que isso acontece. Quando o mundo ingressava na primeira revolução tecnológica, com o capital industrial e o trabalho assalariado dentro das regras do mercado, nós optamos por continuar escravocratas, patrimonialistas, ruralistas, exportadores de bens primários, obscurantistas no pensamento. Cem anos depois, quando iniciamos nossa industrialização, passamos a fabricar velhos produtos, não nos dedicamos a inventar produtos novos, conforme os novos tempos que já se iniciavam.
SEM SINTONIA – No século XXI, outra vez estamos dessintonizados com os ares do tempo: a revolução científica, o capital do conhecimento e a inovação como motores do progresso. Continuamos emergindo ao passado, não ao futuro: comemoramos continuar exportando commodities e fabricando autos, sem desenvolver capacidade de inovação para criar novos produtos da economia do conhecimento, sem base científica e tecnológica, sem colocar o bem-estar na frente de produção, consumo e renda, sem compromisso com o equilíbrio ecológico.
Vemos a tragédia imediata da recessão e do desemprego ao redor, mas não percebemos a tragédia distante de continuarmos na velha economia da produção primária, da indústria metal-mecânica, da dupla dependência tecnológica, tanto na inovação dos produtos quanto na inovação das ferramentas.
A maior prova da falta de sintonia com o futuro é o descuido com que tratamos nossa educação de base, desperdiçando milhões do mais importante vetor do futuro: os cérebros bem-formados de nossa gente. O vetor do progresso está na educação de qualidade igual para todas as crianças, independentemente da renda dos pais e da cidade onde vivem.
MUITOS ERROS – Desprezamos o futuro quando nos recusamos a prestigiar o mérito dos bons professores, diferenciando-os dos demais. Não estamos sintonizados com o futuro ao mantermos uma máquina estatal ineficiente, a serviço de sindicatos e partidos, e não do público; ou quando nos recusamos a atualizar velhas leis que já estão superadas. Nos tempos em que a taxa de natalidade diminui e a esperança de vida aumenta, o espírito do tempo exige a reforma no sistema previdenciário.
A maior crise brasileira não está nas aparências do que nós vemos e sofremos, mas em nossa recusa de olhar para onde sopram os ares do futuro e de como fazer as reformas que nos sintonizarão com ele. Estamos desorientados com o presente caótico e outra vez não nos sintonizamos com as forças do espírito do tempo.

13 de junho de 2016
Cristovam Buarque
O Tempo

O HUMOR DO DUKE...

Charge O Tempo 12.06.2016


13 de junho de 2016

AMEAÇA POLÍTICA (SERÁ QUE ISSO EXPLICA A RESISTÊNCIA PETISTA DE CAÇAR O CUNHA?)

CUNHA DIZ A INTERLOCUTORES QUE, SE CAIR, SERÁ ATIRANDO
ELE TERIA AMEAÇADO ENTREGAR 150 DEPUTADOS E UM SENADOR, SE CAIR


PRESIDENTE AFASTADO DA CÂMARA MANDOU RECADO AO PRESIDENTE INTERINO DA REPÚBLICA, MICHEL TEMER (FOTO: LULA MARQUES/AG. PT)


O presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), mandou avisar ao presidente Michel Temer que, se não for salvo, leva com ele para o fundo do poço 150 deputados federais, um senador e um ministro próximo ao Palácio do Planalto. A informação é da Agência Estado.

Políticos afirmam que quem recomenda a Eduardo Cunha que renuncie à presidência da Câmara, ouve um palavrão e a explicação de que, se o fizer, será preso. 
Mas ele autorizou interlocutores a oferecer essa possibilidade ao próprio governo, com a condição de o seu mandato ser preservado.

Ele já jogou a toalhada e não tem esperanças de retomar a presidência da Câmara, mas não quer nem ouvir falar na hipótese de perder o mandato de deputado. 
Nessa hipótese, perderia o foro privilegiado e, assim, seu caso poderia ser remetido ao juiz federal Sérgio Moro, titular da 13ª Vara Federal, de Curitiba.

13 de junho de 2016
diário do poder

MEIRELLES ACERTA O ALVO: MAIOR PROBLEMA DO PAÍS É A DÍVIDA DO GOVERNO FEDERAL



Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)




















Sem dúvida o título expõe a realidade nacional demonstrada pelo ministro Henrique Meirelles e destacada nas reportagens de Valdo Cruz, Folha de São Paulo, e de Adriana Fernandes, O Estado de São Paulo, nas respectivas edições de sábado. O ministro da Fazenda abordou a questão do limite de gastos do governo, afirmando que deve ser atrelado à meta para redução da dívida pública. Assim, propõe que haja prazos renováveis para os tetos a serem fixados anualmente. Isso porque é necessário adotar um critério relativo à redução da dívida pública.
A dívida pública do país, constituída através do tempo, atinge hoje quase 70% do Produto Interno Bruto Brasileiro. Ou seja, aproximadamente 3,7 trilhões de reais, já que o PIB oscila em torno de 5,6 trilhões de reais. A dívida pública, finalmente o Ministro da Fazenda reconhece, constitui o maior problema econômico do país. Basta levar em conta, como sempre assinalamos, que em cima dessa dívida recaem juros de 14,25% ao ano. Fazendo-se as contas, o resultado dessa operação de rolagem atinge, portanto, pouco mais de 400 bilhões de reais a cada doze meses.
Henrique Meirelles, além de competente, foi sincero na sua colocação. Sobretudo ao sustentar que o problema da redução da dívida interna é para ser resolvido pelo menos a médio prazo.
ESFORÇO IMENSO – Importante a afirmação do “primeiro-ministro” do governo Michel Temer, da mesma forma que importantes foram as reportagens de Valdo Cruz e Adriana Fernandes para compreensão coletiva da realidade econômica brasileira. Deram bem a ideia do esforço imenso que tem de ser feito para enfrentar e superar o maior problema que atinge nosso país.
A criação da CPMF, além de difícil aprovação pelo Congresso, produziria receita em torno de 32 bilhões de reais por ano, quantia insuficiente sequer para pagar 10% dos juros resultantes da rolagem da dívida Federal, cujo crescimento resulta da impossibilidade verificada até agora de o governo pagar o montante de juros por ano.
Se há impossibilidade de pagar os juros, que dirá da perspectiva de abater alguma parcela do estoque real do endividamento? Uma pergunta para a qual gostaria de receber as opiniões sempre abalizadas dos companheiros Flávio José Bortolotto e Wagner Pires.
ROLANDO A DÍVIDA – Mas não tendo dinheiro para cobrir os juros, o Banco Central emite novas notas do Tesouro para lastrear e capitalizar a operação de crédito. Com isso a dívida aumenta, podendo chegar como publicam as reportagens citadas, a uma escala de 75% do PIB e assim por diante, enquanto não forem estancadas as fontes do desequilíbrio.
Henrique Meirelles também colocou com nitidez uma outra questão essencial: a retomada do desenvolvimento econômico, sem o que o Brasil não poderá recuperar o tempo perdido sobretudo nos últimos três anos, governo Dilma Rousseff, pela queda da produção interna brasileira. Este desastre levou ao desemprego e, por consequência, à queda da arrecadação de impostos, afetando a capacidade de investimentos públicos e dos financiamentos a atividade privada, fatos também essenciais ao crescimento e à vida do país.
Amanhã, terça-feira, Henrique Meirelles deverá apresentar seu projeto de contenção de gastos públicos e ampliação da receita federal. Ao lado da questão econômica, encontra-se também o reflexo político das medidas a serem colocadas em prática.
TEMPESTADE POLÍTICA – O governo Michel Temer atravessa uma fase de tempestade causada principalmente pela denúncias de corrupção encaminhadas ao Supremo pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot. As ações de Janot atingem diretamente o Palácio do Planalto, na medida em que fazem balançar a base parlamentar do governo no Congresso Nacional.
Assim, Temer defronta-se com um problema cuja tendência é crescer ainda mais, na medida em que os fatos forem sendo apresentados e comprometendo aliados seus no Executivo e no Parlamento.
Henrique Meirelles buscou o equilíbrio no plano econômico ao  colocar muito bem a questão essencial no plano da Economia. Mas qual o projeto que o presidente Michel Temer tem para a esfera política, indispensável para construir uma ponte sólida entre os dois lados? Até agora não se tem notícia.

13 de junho de 2016
Pedro do Coutto

MARIDÃO DE JANDIRA TEVE RELAÇÕES COM DELATOR SÉRGIO MACHADO

MARIDO DE JANDIRA (ESQ.) ATUA NA ÁREA DA TRANSPETRO, DO DELATOR

SEVERINO (ESQ.), DIRIGENTE DE UMA CONTTMAF, E JANDIRA FEGHALI: TUDO A VER.


Jandira Feghali (PCdoB-RJ) levou R$ 410 mil da Queiroz Galvão, uma das empreiteiras investigadas no roubo à Petrobras, mas autoridades suspeitam que a ligação da deputada ao ex-presidente da Transpetro Sergio Machado, que providenciou as doações suspeitas, decorria das relações dele com seu marido Severino Almeida, presidente de uma Conttmaf, entidade de trabalhadores da área de atuação da Transpetro.

Em 2005 e 2006 Jandira Feghali destinou R$ 3,8 milhões em emendas que beneficiaram outra entidade, um sindicato presidido pelo maridão.

Enquanto Jandira tocava de ouvido com empreiteira, seu irmão Ricardo Feghali, músico do Roupa Nova, arrumou R$2 milhões da Lei Rouanet.

Jandira ganhou R$ 300 mil da Energia Verde e R$ 110 mil da Siderúrgica Vale do Pindaré, empresas ligadas à Queiroz Galvão.



13 de junho de 2016
diário do poder

A BARBÁRIE SOCIALISTA NA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA

NOTÍCIAS FALTANTES - DENÚNCIAS


Um relato de quem encarou a feia face da autoritária esquerda universitária e resistiu.

“Nossa paciência conquistará mais do que nossa força”
Edmund Burke


É bastante alardeado por grupos de esquerda, dos moderados aos radicais, que a universidade brasileira deve ser um espaço democrático e plural. Esses grupos denunciam, a torto e a direito, o que chamam de ataques às minorias. Dizem defender o debate franco, a diversidade e o pluralismo. Tudo muito bonito… mas falso.

No dia 7 de junho de 2016, terça-feira, participei de um ato do Movimento Reação Universitária (MRU) na Universidade de Brasília (UnB). Estudo naquela instituição e faço parte do MRU, que congrega estudantes conservadores e liberais que querem exercer sua liberdade de expressão sem medo de agressões covardes. A principal pauta de nossa manifestação pacífica — que, aliás, foi avisada à Reitoria da UnB antes de ocorrer — eram as paralisações que alguns grupos de estudantes e professores querem promover “contra o golpe”. Reunimos cerca de 30 alunos no prédio principal do Campus Darcy Ribeiro, o Instituto Central de Ciências (ICC), na entrada da ala norte. Chegamos um pouco antes do meio-dia, horário marcado para começar nosso ato, para confeccionar alguns cartazes e dar início a tudo.

Pouco depois do meio-dia, grupos de duas outras manifestações, que começaram em outros pontos do ICC, caminharam até onde estávamos e se juntaram com um único objetivo: nos hostilizar. Eram cerca de 150 pessoas — cinco vezes mais do que nós. Ali onde estávamos, experimentamos, por longos minutos, o grau de tolerância da esquerda universitária: nos xingaram de fascistas, racistas, machistas e homofóbicos; nos empurraram, apontaram dedos em nossos rostos e nos cuspiram; arrancaram cartazes das mãos de algumas meninas que protestavam junto conosco; lançaram tinta vermelha contra nós. Tudo isso aos berros, e embalado por palavras de ordem deste tipo:

"É NO FUZIL
É NA PEIXEIRA
NA UNB A JUVENTUDE É GUERRILHEIRA"

Ouvimos que não pertencíamos à UnB. Acusaram-nos de sermos assassinos. Chegamos a ouvir que, se eles pudessem, teriam nos matado. E tudo isso sob o olhar passivo do corpo de segurança da universidade.

Em dado momento, um simpatizante da nossa manifestação, que estava no mezanino da área onde éramos hostilizados, desfraldou uma bandeira do Brasil Império. Membros da horda que nos intimidava correram até ele e tentaram arrancar-lhe a bandeira. O vídeo do ocorrido já está sendo amplamente divulgado. (N.doE.: O vídeo acima.) O rapaz tomou dois socos tão fortes que seus óculos arrebentaram no rosto. Uma equipe da UnBTV tentou nos entrevistar, mas fomos ainda mais hostilizados. Ficou claro que o corpo de segurança da universidade nada faria para impedir que mais violência fosse cometida. Assim, decidimos abandonar o espaço por volta das 13h30.

Todas essas agressões foram registradas em foto e vídeo. Tudo relatado aqui traduz fielmente o que aconteceu naquele dia, onde, por quase uma hora e meia, experimentamos o autoritarismo e a barbárie dos grupos ideológicos que, formados por alunos e incitados por professores e partidos políticos, instauraram na UnB um clima de terror ideológico. Se há alguma dúvida de que o patrulhamento político e a doutrinação ideológica são a base do cotidiano acadêmico na UnB, já não resta mais dúvida alguma.

A Universidade de Brasília também é nossa. A liberdade de expressão é um direito sagrado de todos, e reconhecido como tal pela Constituição Federal. Mas não há liberdade de agressão, e nenhuma das agressões que sofremos (e registramos) ficará impune. A violência que sofremos não nos esmorece: nos fortalece. E, diante de tudo, garantimos uma coisa: nós chegamos para ficar.

Não parar.
Não precipitar.
Não retroceder.



13 de junho de 2016
Felipe Melo

O MIMIMI DE DILMA

ARTIGOS - GOVERNO DO PT

O dedo acusador de Dilma volta-se contra tudo e todos.


Quem já passou pela experiência de encolher seu padrão de vida, apertar o cinto, mudar-se para imóvel menor, em bairro pior, vender o carro novo para comprar um usado, entenderá bem o que vou escrever. Nos últimos dias tenho conversado com muita gente vivendo concretamente essas experiências. Muitos deles eram jovens com bons postos de trabalho, colhidos pela tesoura determinada pela recessão. Profissionais bem sucedidos em diversas áreas, assumiram a direção de seus carros e se tornaram motoristas do Uber, por exemplo. Tenho ouvido suas histórias e seu esforço de adaptação a uma nova realidade. Tenho lhes conferido, principalmente pelas histórias de vida, a desejada nota cinco que os credencia a continuar no serviço. É nota dada ao cidadão, ao chefe de família, ao estudante bolsista no exterior, que precisou retornar porque o programa secou. Era um programa para crescer até a eleição e minguar depois, sabe como é. O mandato presidencial de Dilma tinha que ser "legitimamente conquistado".

Pois eis que a tesoura, uma outra tesoura, acabou atingindo a própria presidente. Ela foi afastada segundo o rito constitucional e aguarda o julgamento do Senado. Enquanto isso, salário integral, curte as comodidades do Palácio da Alvorada, com um séquito de fazer inveja à qualquer família real europeia. No entanto, para a Dilma, ela está nas masmorras de uma espécie de Coliseu, onde aguarda algumas semanas pela decisão final. Naquele dia precisará que mais de 27 entre os 81 senadores ergam o polegar e a restituam à vida antiga, que tão mal levava o Brasil e tanto bem lhe fazia viver.

Tivesse fé, Dilma deveria subir de joelhos as escadarias da Penha. Deveria lavar o átrio da Igreja de Nosso Senhor do Bom Fim. Foi-lhe dado o privilégio de presidir a república e ela fez mau uso dessa ventura conduzindo o país a uma situação que se torna desnecessária descrever porque seria falar sobre a vida de cada um. No entanto, em vez de agradecer e penitenciar-se, Dilma reclama. Reclama de tudo, como se estivesse nas masmorras do Coliseu Romano.

Reclama de não ter jato da FAB à disposição para viajar quando e para onde bem entenda. Reclama da reduzida equipe. Reclama do cartão de alimentação. E no entanto, de uma ponta a outra, a lista de suas efetivas disponibilidades é feita de privilégios! São regalias negadas aos trabalhadores. E ainda mais recusadas aos milhões de brasileiros desempregados por sua incompetente condução da política econômica. A estes, desempregados pela corrupção, desempregados pelos gastos durante o estelionato eleitoral de 2014 e pelo dinheiro despejado no totalitarismo dos camaradas bolivarianos, ela não dedica uma única palavra.

O dedo acusador de Dilma volta-se contra tudo e todos. Só não encontra o rumo do próprio peito.



13 de junho de 2016
Percival Puggina

GAFANHOTOS PETISTAS

DEMORA NA DEMISSÃO DE PETISTAS TRAVA O GOVERNO TEMER
ALIADOS AVISAM: GENTE DO PT, AINDA NOS CARGOS, SABOTA O GOVERNO


ILUSTRAÇÃO DO BLOG ORLANDO TAMBOSI.

Aliados de Michel Temer reclamam que o governo continua “infestado” de petistas. Nos ministérios e demais órgãos federais, apesar da troca de titulares, o comando da burocracia permanece com militantes do PT, que sabotam ações do governo. 
Isso sem contar casos como os da estatal EBC e do plano de saúde Geap, cujos gestores se beneficiam da criação malandra de “mandato” para se agarrarem às boquinhas. 

O Palácio do Planalto tranquiliza os servidores: “todos os petistas serão demitidos”. É só questão de tempo, diz o ministro Geddel Vieira Lima.

Temer “foi obrigado a trocar o pneu com o carro em movimento”, reconhecem os aliados, mas é preciso deixar sabotadores para trás.

“O desaparelhamento do PT não se faz de uma hora para a outra”, justifica o líder do governo, deputado André Moura (PSC-SE).

O governo já monitora, para levar à Justiça, os casos de perseguição de chefetes petistas a subordinados que apoiaram o impeachment.



13 de junho de 2016
diário do poder

TÁ TODO MUNDO LOUCO, OBA!



O pessoal de Dilma garante que ela vira o resultado do impeachment e volta à Presidência (foi afastada durante o processo e, se absolvida, reassume). Os dilmistas querem convencer senadores mais flexíveis de que dá para ganhar, e muito, virando o voto. O pessoal contra Dilma diz que o resultado não está garantido, e que se seus senadores trocarem votos por pixulecos podem topar com Dilma de volta. Os dois lados defendendo a mesma tese, baseada no jogo de cintura, caráter (e bolso) de seus próprios aliados. Está todo mundo louco.

Há quem defenda a volta de Dilma, que prometeria renunciar e convocar imediatamente eleições diretas. Isso exigiria reformar a Constituição de uma hora para outra, sem tempo para isso; confiar em promessa de políticos e na palavra de Dilma. Então, tá – tá todo mundo louco.

A hora é boa para loucuras. Cerveró acusou Dilma de sacaneá-lo e disse o nome de quem levou mais de meio bilhão de reais em pixulecos petrolíferos. Pelo que disse, sobrou algum para Lula e Dilma; e apontou o papel de Dilma na compra da Refinaria de Pasadena, com seus 700 milhões de dólares a mais. Roubo vá lá; mas passar Cerveró para trás? Tolerar traição é bem mais caro.

Tá todo mundo louco, oba!

Munição de reserva

Na terça que vem, Renan deve depor na Polícia Federal. A repercussão do depoimento só depende dele: sabe muito, mas pode passar por cima do que não for de seu interesse. E a coisa toda está pegando fogo: o empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS, confirmou que o apartamento do Guarujá que não é de Lula é de Lula, sim, e com isso abre novos caminhos de investigação.

Marcelo Odebrecht vai ter um trabalhão para delatar alguma novidade.

Trio parada dura


O procurador-geral Rodrigo Janot pediu ao Supremo a prisão de Renan, Jucá e Cunha; e a prisão domiciliar, com tornozeleiras eletrônicas, de Sarney. Político importante preso é mais raro que empreiteiro na cadeia (e até isso já temos). Acima de Cunha, Renan e Jucá, mais Sarney, só mesmo Lula e Dilma – atenção: isto é uma reflexão, não uma sugestão.

A propósito, que dirão agora os petistas, que acusavam as operações da Polícia de atingir só o PT? Os quatro citados por Janot eram aliados, sim, do Governo petista, mas já faz tempo que mudaram de lado.

Temer sim, Temer não

A criação de 14 mil cargos federais e um bom aumento ao funcionalismo foram aprovados pelo presidente Michel Temer. Parece que já estavam calculados no déficit, então tudo bem, deixa a bola rolar. Só que alguns economistas respeitados, vários deles próximos a Temer, começaram a fazer contas. Os recursos podiam estar englobados no déficit, mas tinham de ser gastos. E a área econômica foi a única do Governo, até hoje, a merecer elogios gerais. Temer mudou rápido de posição: aumento só para juízes, que mandam prender e soltar, e com quem vale a pena manter boas relações. Quem esperava maiores benefícios espera mais um pouco.

Temer pode não fazer, mas desfazer é com ele.

Uma senhora chamada Luis

Ou, chamando-a pelo nome completo, Luislinda Dias de Vallois – filha de Iansã, rastafári, ex-Miss Mulata Bahia, negra, desembargadora, 71 anos, “divorciada e ousada”, é agora secretária de Igualdade Social do Governo Temer.

Aprendeu muito sobre o mundo aos nove anos, quando seus pais não puderam comprar o material de desenho de plástico pedido pelo professor. Seu material era de madeira, que seus pais puderam comprar. O professor foi duro: “Então, você não devia estar estudando, e sim cozinhando feijoada para os brancos”. Hoje ela ocupa o cargo com que o professor jamais sonhou.

O homem que falava a verdade

Gentil, acessível – ótima fonte de informação sobre o poder. Hélio Garcia, 85 anos, duas vezes governador de Minas, morreu no domingo, elogiado por aliados e adversários. Não foi acusado de desvios nem de abuso de autoridade. E ajudou a montar a Frente mineira, que uniu o Estado em torno de Tancredo Neves. Era bom frasista. Em seu segundo mandato, pouco foi ao Palácio.

Explicava: “A cada medida que deixo de assinar, o Estado economiza muito”.

Problema prático

Michel Temer viaja em julho a Montevidéu, para reunião do Mercosul. Quem fica em seu lugar: Renan, presidente do Senado (e possível presidiário) ou o substituto legal, Waldir Maranhão, presidente da Câmara? Legalmente, o nome certo é o de Maranhão.

Mas será o reconhecimento internacional de que no Brasil “tá todo mundo louco, oba!”



13 de junho de 2016
Carlos Brickmann

DIRCEU E VACCARI SONHAM COM UM ACORDO DO PT PARA DIMINUIR AS SUAS PENAS


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A Folha atribui a José Dirceu a proposta de um acordo












Presos pela Lava Jato desde o ano passado, os petistas José Dirceu e João Vaccari Neto sugeriram a correligionários que a sigla faça um acordo de “leniência partidária”. Segundo relatos de pessoas que estiveram com o ex-ministro e o ex-tesoureiro do PT no último mês, a ideia teria surgido do próprio Dirceu e foi apresentada a ao menos a dois deputados do partido e a dois advogados que confirmaram à Folha terem abordado o tema com os petistas.
“Não sei se foi o Dirceu que pensou nisso, mas ele defende. Pensamos nessa possibilidade e em outras. A ideia é passar uma régua na história do PT, assumir a culpa e fazer com que isso se reflita nas pessoas físicas”, disse Roberto Podval, advogado do ex-ministro na Lava Jato.
A proposta consistiria em acordo seguindo o modelo de leniência feito por empresas, em que elas assumem crimes e são condenadas a pagar multas. Em troca, mantêm a possibilidade de fazer contratos com o governo e seus executivos podem aderir ao acordo, com diminuição de pena ou até perdão judicial. A maior diferença entre leniência e delação é que a primeira é feita com empresas, e a segunda, pessoas físicas.
TODOS OS PARTIDOS – Segundo relatos de envolvidos no debate, a proposta, ainda incipiente, teria o objetivo de incluir não só o PT, mas todas as siglas comprometidas na Lava Jato.
A ideia é que a negociação seja comandada pela presidência da cada partido, que faria um relatório com informações reveladas aos procuradores, inclusive com fatos ditos por Dirceu e Vaccari.
Dessa forma, em troca de pagar multas e assumir os erros, os políticos envolvidos nos crimes receberiam benefício, como redução de penas.
O tempo na prisão é preocupação dos petistas, já que Dirceu é o réu da Lava Jato que recebeu a maior condenação em uma única ação –20 anos e dez meses. Vaccari foi condenado a mais de 24 anos em duas ações penais.
Essas penas não são definitivas, pois há processos em curso envolvendo ambos que ainda não foram julgados.
FAZER AUTOCRÍTICA – Pela primeira vez desde que surgiram as acusações contra o partido no esquema de corrupção da Petrobras, petistas cogitam a possibilidade da sigla assumir delitos e fazer uma espécie de autocrítica. Até então, o PT nega todas as irregularidades.
A leniência também pode ser um meio do partido evitar que seja inviabilizado por dívidas, caso se torne alvo de novos processos.
A proposta, porém, não é consenso nem entre petistas. Alguns acham impossível que ela avance porque as demais siglas não a apoiariam.
NÃO HÁ SENTIDO – O deputado Carlos Zarattini (PT-SP) faz parte do grupo que não acredita no acordo. “Não vejo sentido, já que não temos notícia de que políticos do PT agiram para beneficiar empresas em troca de dinheiro e vemos as atividades do Vaccari como legais.”
Ele visitou os petistas presos na última quinta (9), mas disse que nunca debateu o assunto com eles ou com o partido. O presidente do PT, Rui Falcão, não quis se manifestar.
Três advogados com experiência em acordos de delação e leniência ouvidos pela Folha afirmaram não ver empecilhos para partidos fazerem esse tipo de negociação.
“Não há vedação expressa a partidos, mas a lógica das disposições legais remete a empresas”, avalia Rogério Taffarelo, especialista em direito penal econômico.
O advogado de Vaccari, Luiz Flávio D’Urso disse que nunca falou do assunto com seu cliente.
SEM ESPAÇO – Procuradores da Operação afirmaram “não haver espaço para isso”. Hoje, a avaliação do Ministério Público Federal e da Procuradoria-Geral da República é que nomes como de Vaccari e Dirceu têm mais serventia à operação como exemplos do que como colaboradores.
Os investigadores também defendem que não há espaço para anistia ou benefícios de redução de pena dos dois envolvidos nas investigações, principalmente por não existir “clima político para isso”.
No entanto, os procuradores acreditam que é provável que o PT e outros partidos tentem se salvar e reduzir as penas de seus filiados por essa via, já que boa parte dos políticos implicados na Lava Jato estão condenados, respondendo a processos ou sendo investigados.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Em tradução simultânea, parece mais uma desesperada tentativa de evitar delações premiadas de Vaccari e Dirceu, as quais significariam o final dos tempos para o PT. Por coincidência, a idéia surge exatamente quando Vaccari anuncia a delação. E ainda há quem acredite em coincidência. (C.N.)


13 de junho de 2016
Bela Megale
Folha

PARA GANHAR ANISTIA, CERVERÓ VAI ACUSAR DILMA NA JUSTIÇA DOS ESTADOS UNIDOS



Dois colaboradores da Operação Lava Jato fecharam acordos com o Departamento de Justiça dos EUA para dar informações sobre o envolvimento de cidadãos e empresas americanas no esquema de corrupção na Petrobras. Oito meses após a vinda do procurador Patrick Strokes ao Brasil para negociar delações, o executivo da Toyo Setal Augusto de Mendonça e o lobista Julio Camargo aceitaram se tornar colaboradores em território americano.

O ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco e o doleiro Alberto Youssef, ambos condenados aqui, são outros que tentam um acerto. O ex-diretor da estatal Nestor Cerveró, que sai da prisão no dia 24, também quer contar o que sabe aos americanos sobre, entre outros temas, a aquisição da refinaria de Pasadena, no Texas. Segundo o ex-executivo, o negócio gerou um pagamento de propina de US$ 15 milhões.

Neste mês, sua advogada, Alessi Brandão, viajará aos EUA para se informar sobre as tratativas. Ela não confirma e não nega a viagem.

OPERAÇÕES EM DÓLAR
– Nos depoimentos prestados por Augusto de Mendonça, em dezembro, e Julio Camargo, em março, os agentes americanos concentraram suas perguntas nas operações feitas em dólar e que utilizaram entidades vinculadas ao seu país. Os interrogatórios duraram cerca de dez horas. O advogado Eduardo Boccuzzi, que conduziu os processos, não quis comentar.

Na conversa inicial com os delatores, Strockes explicou que brasileiros que se utilizaram de empresas ou bancos naquele país para lavar dinheiro ou que fizeram transações em dólares teriam boas chances de serem processados também nos EUA.

GARANTIAS E ISENÇÃO
– Em abril, após assinar o acordo, Mendonça recebeu as garantias de que não será processado em território americano e que ficará isento de pagar mais multas além das já impostas pela Justiça brasileira. Camargo contou com os mesmos benefícios.

Outro fato que estimulou a corrida pelo acordo é o risco de envolvidos na Lava Jato não poderem sair do Brasil, com chances de serem presos em território estrangeiro.

O ex-gerente Pedro Barusco, por exemplo, relatou a interlocutores que pretende firmar o acordo para seguir com seu tratamento de combate a um câncer ósseo nos EUA.

GREEN CARD
– Alberto Youssef tentou obter o green card, o cartão de residência permanente nos EUA, por meio do acordo. A Justiça americana, porém, descartou a possibilidade.

Os acordos ainda garantem que as informações colhidas pelo Departamento de Justiça não poderão ser usadas contra eles em ações movidas por investidores que processam a Petrobras na Justiça americana em busca de reparação para seus prejuízos.

Outro alvo de investigação do Departamento de Justiça Americana é a Odebrecht, que negocia um acordo no país enquanto busca firmar a delação premiada de cerca de 50 executivos no Brasil, incluindo o herdeiro do grupo, Marcelo Odebrecht. Se as negociações vingarem, a empresa terá que pagar uma multa, e as descobertas feitas pelos investigadores americanos serão mantidas em segredo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A matéria precisa de tradução simultânea. Se prestar depoimento às Justiça dos EUA sobre Pasadena, Cerveró vai acusar novamente Dilma, como já fez aqui na República de Curitiba. O ex-diretor Paulo Roberto Costa também pode dedurá-la. Em 2009, ele tomou a liberdade de passar por cima de toda a hierarquia da Petrobras para alertar o Palácio do Planalto que, por ter encontrado irregularidades pelo terceiro ano consecutivo, o Tribunal de Contas da União recomendou a paralisação de três grandes obras — a construção das refinarias Abreu e Lima, em Pernambuco, e Getúlio Vargas, no Paraná, e do terminal do porto de Barra do Riacho, no Espírito Santo. Na mensagem à então ministra Dilma, da Casa Civil, Costa lembrou que nos anos de 2008 e 2007 houve ‘solução política’ para contornar as decisões do TCU e da Comissão Mista de Orçamento do Congresso”. (C.N.)


13 de junho de 2016
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