"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

domingo, 12 de junho de 2016

NO BALANÇO DO PRIMEIRO MÊS, RESULTADO DO GOVERNO DE TEMER É POSITIVO



Charge do Amarildo (amarildocharge.wordpress.com)

















Neste domingo, Michel Temer completa um mês de um governo atribulado, tumultuado e complicado. O resultado é positivo, em função das circunstâncias. Antes de mais nada, deve-se levar em conta que se trata de um governo ainda provisório, que depende de ratificação do impeachment da presidente Dilma Roussef, em processo exasperante que vai durar alguns meses, na forma da lei. Isso significa que Temer é uma espécie de refém do Congresso Nacional, que detém o poder de aceitar ou não o ajuste fiscal e as reformas de base, além da prerrogativa do Senado na questão do impeachment. É a partir dessas premissas que este primeiro mês do governo Temer tem de ser avaliado.
Não há dúvida de que o presidente errou muito na montagem do Ministério. Esperava-se que agisse como João Saldanha na seleção brasileira de 1970, logo ao assumir foi anunciando o time titular, que ficou conhecido como “As feras do Saldanha”, e se tornou a melhor seleção da história do futebol mundial, pois Zagalo manteve praticamente a equipe inteira.
Como a política é muito diferente do futebol, Temer não pôde ter essa audácia de Saldanha e montou uma equipe cujo principal objetivo não é ganhar o campeonato, mas apenas confirmar o impeachment no segundo tempo.
GOVERNO COMPARTILHADO – O fato mais positivo é que, pela primeira vez na República, o Brasil passou a ter um governo compartilhado nestes moldes, com Temer conduzindo a política e a administração, enquanto o ministro Henrique Meirelles atua como uma espécie de premier econômico-financeiro, com toda autonomia.
Se o governo de Temer está claudicante, sem que ele possa mexer no time antes da confirmação do impeachment, a gestão de Meirelles caminha bem, até porque seria quase impossível conduzir a equipe econômica pior do que Guido Mantega, Joaquim Levy e Nelson Barbosa, uns verdadeiros trapalhões, que ajudaram a presidente Dilma Rousseff a levar o país a esse colapso.
O dólar deu uma travada, as exportações crescem, as importações diminuem, a indústria parece ter passado a respirar sem aparelhos. A inflação tende a diminuir, porque as vendas estão em queda, devido à redução do poder aquisitivo e ao desemprego, e os petistas não conseguiram derrubar a Lei da Oferta e da Procura.
SEM ALTERNATIVA – É preciso entender que Temer é muito melhor do que Dilma e não há alternativa nem terceira via. Este negócio de plebiscito e novas eleições é uma tremenda enganação. Além de inconstitucional, não tem a mínima chance.
Dilma foi a catástrofe, um governo insano, movido na base da maquiagem das contas públicas, sob o apelido de “contabilidade criativa”. Na condição de falsa “doutoranda” em Economia, Dilma tentou inventar novas teorias econômicas. Chegou a dizer que a recessão não era problema, porque poderia ser superada com aumento da arrecadação, e mesmo assim não foi internada, continuou presidindo a República.
CAINDO NA REAL – Com Meirelles à frente da economia, o país enfim pôde se livrar dos delírios da “doutoranda” Dilma Rousseff e cair na real. O clima já é outro, não há qualquer dúvida.
O próximo passo é o BNDES retomar os financiamento de projetos no Brasil, ao invés de apoiar a abertura de empregos e a criação de riquezas no exterior, como era a política absurda e criminosa de Luciano Coutinho à frente do banco que deveria ser de fomento.
Em sua meteórica gestão no BNDES, que durou apenas dois anos, o economista Carlos Lessa mostrou como pode ser incentivado o desenvolvimento econômico interno. Aliás, não há muito mistério nisso, basta apoiar projetos que realmente tenham interesse nacional, seja substituindo exportações, abrindo empregos ou desenvolvendo novas tecnologias.
É esse tipo de iniciativa que se espera do governo Temer, que ainda não pode ser considerado definitivo nem submetido a avaliações apressadas. Vamos ter um pouco de paciência.

12 de junho de 2016
Carlos Newton

O HUMOR DO SPONHOLZ...


12 de junho de 2016

UM VÍDEO PARA NÃO DEIXAR NENHUMA DÚVIDA

UM VÍDEO PRA NÃO DEIXAR NENHUMA DÚVIDA

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UM VÍDEO PRA NÃO DEIXAR NENHUMA DÚVIDA
Júlio Marcelo de Oliveira do Tribunal
de Contas da União, termina de 

12 de junho de 2016
postado por m.americo

OLAVO DE CARVALHO E O PAPEL DO PT NO COMUNISMO

Em entrevista à TVeja na sexta-feira, o filósofo Olavo de Carvalho sintetizou o papel internacional do PT no comunismo de hoje.

Transcrevo o trecho mais importante e acrescento abaixo do vídeo alguns números a respeito.

“O PT está dentro da estratégia geopolítica comunista.

O comunismo não é uma questão de convicção. Isso aí, só um amador pensa. ‘Ah, o sujeito é comunista? Ele crê no marxismo-leninismo?’ As coisas não são assim, meu Deus do Céu. 
O comunismo não é uma religião.

Ele é um movimento organizado em escala mundial. Ele tem uma hierarquia, uma escala de comando. Se o sujeito obedece essa escala de comando, ele é comunista, ele trabalha para os comunistas. 
A convicção pessoal não tem a mais mínima importância. Convicção pessoal é importante para o intelectual.

Você acha que, para o Lula, a convicção pessoal interessa? Não interessa. Interessa onde ele está, quais os compromissos políticos dele, a quem ele obedece e a quem ele serve. 
E ele serve a isso de todo o coração.

Você veja: é só você calcular a fortuna imensa que foi tirada do BNDES para salvar governos comunistas falidos. Por aí você vê a importância que o PT tem no esquema comunista mundial. Ele está salvando o movimento comunista.*


Esses caras fazem esses regimes, que são deficitários eternamente, e daí tem que ter um país capitalista para eles sugarem.

Então, daí o pessoal diz: ‘não, mas o Lula está mantendo o capitalismo nacional’. Eu falo: claro, mas essa é a função dele dentro da estratégia geral. Ele não pode estatizar os meios de produção amanhã no Brasil, senão o Brasil vai para o buraco também.

E não pode ir para o buraco por quê? Porque precisa do Brasil para sustentar as Farc, para sustentar o governo de Cuba, para sustentar o governo de Angola etc. É uma questão geopolítica.

O comunismo é um movimento geopolítico, não ideológico. Isso [de ser ideológico] são amadores que pensam.


Veja, Joice: eu estudo essa porcaria vai fazer 40 anos. E eu vi como o assunto do comunismo foi desaparecendo da área de estudos do Brasil, até das áreas militares.”


* O BNDES financiou pelo menos:

1) US$ 5 bilhões em projetos em Angola.


2) US$ 4,1 bilhões em projetos só da Odebrecht em países como Cuba, Venezuela, Gana e República Dominicana durante os governos de Lula e Dilma.


Exemplos:

a) Cuba

Obra: Porto de Mariel.

Valor da obra: US$ 957 milhões

Empréstimo do BNDES: US$ 682 milhões.

b) Venezuela

– Obra: Linhas 3 e 4 do Metrô de Caracas

Valor das obras pagas pelo BNDES: US$ 732 milhões.

– Obra: Segunda ponte sobre o rio Orinoco


Valor da obra: US$ 1,2 bilhões

Empréstimo do BNDES: US$ 300 milhões.

3) US$ 1,6 bilhão com destino final à Odebrecht após Lula, já como ex-presidente, se encontrar com os presidentes de Gana e da República Dominicana – sempre bancado pela empreiteira.

4) 42% do total de US$ 848 milhões recebidos pela Odebrecht em operações de crédito para tocar empreendimentos no exterior.


12 de junho de 2016
Felipe Moura Brasil

LULA, ODEBRECHT E O BNDES: EXPLICAÇÕES NECESSÁRIAS!

O ex-presidente Lula é acusado pelo Ministério Público Federal de fazer tráfico de influência a favor da empreiteira, que concentrou 82% dos empréstimos do BNDES para empreendimentos fora do país desde 2006

O Tribunal de Contas da União (TCU) divulgou ontem um número estarrecedor.  
A empreiteira Odebrecht, investigadíssima na Operação Lava Jato, recebeu 81,8% de todos os empréstimos feitos pelo BNDES para obras no exterior nos últimos dez anos. É um total de US$ 31.7 bilhões.

Fazendo um cálculo bastante conservador, com o dólar cotado a R$ 2,50 (hoje está mais para R$ 3,6), foram R$ 79 bilhões – ou R$ 7.9 bilhões por ano. Para apenas uma empresa
. Dá mais ou menos 4,5 ministérios da Cultura, usando os dados de 2015.

O que pode justificar tanta generosidade para essa empreiteira? 
Bom, talvez os projetos no exterior exijam mais capacidade técnica das empresas, coisas que só uma Odebrecht ou Andrade Gutierrez pode fazer por você. 
Talvez seja porque vários presidentes brasileiros “vendam” o Brasil no exterior desde sempre, inclusive para regimes pouco democráticos como o angolano e cubano. 
Talvez porque o ex-presidente Lula tenha feito tráfico de influência em favor da Odebrecht, conforme acusação do Ministério Público Federal.

Uma série de reportagens da Brio Media – intitulada “A mão invisível do BNDES na América Latina” – mostra como o banco público brasileiro investiu pesadamente em obras inviáveis e corruptas em países como a Venezuela e Equador. (Esta reportagem de Consuelo Dieguez mostra, especificamente, o impacto deletério dos erros do BNDES na indústria naval.)

A CPI que investigaria o BNDES terminou em fevereiro deste ano sem pedidos de indiciamento, apesar de fortes indícios de crimes. 
Não adianta esperar investigações sérias dos parlamentares. Agora, só os procuradores, policiais federais e servidores da ex-CGU conseguem responsabilizar políticos e empresários por atos corruptos. 

Quem sabe, com a delação de Marcelo Odebrecht, os brasileiros sejam informados dos “malfeitos” cometidos pela instituição comandada, até outro dia, pelo economista Luciano Coutinho.


12 de junho de 2016
Sérgio Praça, Veja

REDUÇÃO DA MAIORIDADE

CONGRESSO NÃO VOTA REDUÇÃO DA MAIORIDADE E ESTUPRADOR 'DIMENOR' FICA IMPUNE

ABUSOU DE MENINA DE 11 ANOS, MAS TEM 'SÓ' 16 E NEM É INCOMODADO


MENINA DE 11 ANOS SOFRE ESTUPRO COLETIVO POR MENORES EM BRASÍLIA. FOTO: EBC


Em pleno o clamor contra o estupro coletivo no Rio, uma garotinha de 11 anos foi estuprada em Brasília por adolescentes seguindo a liderança de um homem feito de 16 anos. Nem foram incomodados. São “crianças”, segundo a lei. Um crime horrível foi praticado, uma menina que brincava com bonecas ficará com sequelas emocionais irremovíveis, mas não haverá culpados, nem punição. E o Congresso reluta em discutir e votar a redução da maioridade penal para 16 anos. A informação é do colunista Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

O grupo de adolescentes estupradores dopou a menina antes de abusar dela com selvageria, crueldade e covardia.

Reduzir a maioridade não é o “melhor remédio”, mas ao menos abriria a chance de punir assaltantes, assassinos e estupradores de 16 anos.

Ciente de que aos 16 anos poderia ser punido, o estuprador brasiliense pensaria mil vezes antes de liderar crime tão abjeto quanto covarde.

A proposta de emenda constitucional nº 171, que reduz a maioridade, está há 23 anos nas gavetas do Congresso.



12 de junho de 2016
diário do poder

EM MEIO À POLÊMICA, EBC PODERÁ SER EXTINTA PELO GOVERNO TEMER

GEDDEL VIEIRA LIMA E MOREIRA FRANCO DEFENDEM FIM DA EMPRESA PÚBLICA

DESTINO DA EMISSORA PÚBLICA DE TELEVISÃO É UM DOS PRINCIPAIS FOCOS DE DISPUTA ENTRE PRESIDENTE INTERINO E DILMA ROUSSEFF, QUE NOMEOU DIRETOR (FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO)


Um mês após o presidente em exercício Michel Temer tomar posse, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) se tornou um dos principais focos de disputa entre o atual governo e a presidente afastada Dilma Rousseff. O embate chegou ao ponto de integrantes do PMDB no Palácio do Planalto pregarem abertamente o fim da estatal criada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2007 que hoje tem mais de 2.600 funcionários.

A empresa vive uma situação de duplo comando desde a semana passada, quando o Supremo Tribunal Federal determinou a volta do jornalista Ricardo Melo à direção da EBC. Ele havia sido nomeado para um mandato de quatro anos por Dilma, uma semana antes do afastamento da presidente. A decisão judicial reintegra Melo ao quadro diretivo, mas não revoga a nomeação do também jornalista Laerte Rímoli, assinada por Temer.

Rímoli recebeu a empresa com déficit de R$ 94,8 milhões e dívidas de R$ 20 milhões. Ao assumir, iniciou um pente-fino no quadro de funcionários – na prática, significa identificar apadrinhados dos governos do PT em cargos como 11 gerentes de si próprios e 30 coordenadores sem subordinados. O jornalista cortou duas das oito diretorias e reduziu de 42% para 33% o porcentual de cargos ocupados por servidores de fora do quadro da EBC – a recomendação é de que o índice não passe de 30%. Também foram suspensos contratos de quase R$ 3 milhões anuais.

Mas, após reassumir o posto, Melo recontratou apadrinhados petistas exonerados por Rímoli, como a mulher de Alexandre Padilha, ex-ministro da Saúde do governo Dilma e atual secretário de Saúde do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT). Thassia Azevedo Alves é assessora da vice-presidência da EBC em São Paulo, com salário de R$ 13,4 mil.

Melo ainda levou de volta nomes diretamente ligados ao ex-ministro da Secretaria de Comunicação Edinho Silva, como Mauro Maurici, superintendente de São Paulo cujo salário é de R$ 24,5 mil; e da superintendente do Rio, Marília Baracat.

Melo diz que não houve aumento de contratação desde que voltou à EBC e que, ao contrário, a proporção hoje entre funcionários do quadro e de cargos em comissão é de 32%, já que os recontratados ocupam o cargo de demitidos da curta era Rímoli.

Extinção. Melo não quis comentar a proposta de extinção da EBC, defendida por aliados próximos de Temer no Planalto, como informou o jornal O Globo ontem. Um dos entusiastas da extinção da estatal, o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima classifica a empresa como “emblema do aparelhamento do PT no governo”, que só gera “desperdício de dinheiro”.

Segundo Geddel, a extinção da EBC ainda não é um projeto de governo, mas de alguns integrantes da gestão Temer. Para o ministro, a empresa – responsável pela gestão de duas emissoras de TV, sete de rádio e três portais na internet – deveria acabar e ter seus servidores concursados distribuídos por outros setores.

Moreira Franco, secretário executivo do Programa de Parceria de Investimento (PPI), é outro defensor da proposta. Segundo ele, foi encomendado estudo no Ministério do Planejamento sobre a viabilidade da EBC. Ele ironizou que até Dilma a chama de “TV traço”. A assessoria de Temer informou que o assunto não está em discussão na Presidência.

Um dos mais próximos colaboradores de Temer, Moreira avalia que não faz sentido manter uma estatal com programação parecida com a das empresas privadas, como ocorre hoje. E citou como exemplo a cobertura de esportes.

O representante dos empregados no Conselho de Administração da EBC, Edvaldo Cuaio, apontou desperdício de dinheiro com a demissão e recontratação de profissionais na troca de comando entre Melo e Rímoli. Ele também é crítico dos contratos de transmissão de jogos de futebol, orçados em R$ 17,8 milhões.

A pedido do Planalto, uma auditoria está sendo feita nos contratos para transmissão exclusiva do Campeonato Paulista de Futebol da Série A3, Campeonato Paulista de Futebol Feminino e da Copa Paulista de Futebol. Também está sendo questionado o contrato das Séries B, C e D do Campeonato Brasileiro. Pelo menos 12 dos 40 jogos previstos já foram transmitidos.

O ex-ministro Edinho Silva, pré-candidato do PT a prefeito de Araraquara, afirmou que os contratos de futebol foram assinados antes de sua gestão – um deles, o da A3 do Paulista, entrou em vigor em sua gestão na Comunicação Social. Edinho defendeu a transmissão dos jogos, pois representam “a maior audiência da TV Brasil”. (AE)



12 de junho de 2016
diário do poder

PROCURA-SE, COM URGÊNCIA, UM NOVO PRESIDENTE PARA A CÂMARA FEDERAL

Projeto de Roberto Freire pode solucionar o problema

É o que na verdade revela Igor Gadelha, edição de sexta-feira de O Estado de São Paulo, ao destacar afirmação do presidente Michel Temer de que o governo não é uma ação entre amigos e, ao mesmo tempo, destacar que se encontra em regime de urgência projeto de resolução do deputado Roberto Freire que propõe nova eleição para escolher o substituto de Eduardo Cunha e também o de Valdir Maranhão.

O presidente da República, de acordo com versão do líder do DEM, Pauderney Avelino, negou qualquer iniciativa pata tentar proteger Eduardo Cunha. A colocação do verbo tentar na frase é importante porque, nesta altura da ópera, pessoa alguma conseguirá proteger Eduardo Cunha.

Parlamentar afastado da Mesa Diretora por decisão unânime do Supremo, e igualmente pelo STF suspenso do exercício do mandato por prazo indeterminado, não pode existir qualquer saída para ele. Além desses dois fatos de choque, responde a processo de cassação do mandato no Conselho de Ética.

NOVAS PROVAS
– Os dias se sucedem e a cada instante surgem novas informações que o colocam em situação cada vez pior. Num panorama inédito, a Câmara dos Deputados encontra-se sem quem a presida. O primeiro vice, Waldir Maranhão, depois que buscou suspender por ato pessoal impróprio uma votação do plenário, tem sua presença repelida pelo plenário nas vezes em que procura assumir a direção dos trabalhos.

Em consequência, não há votações, com isso não se decide nada no plenário daquela Casa do Congresso. Projetos de interesse do governo e do país encontram-se estacionadas nas ordens do dia.

Roberto Freire tem razão em requerer uma solução urgente: a procura de quem possa presidir a Câmara tem que cessar. A paralisação dos trabalhos acrescenta-se aos episódios inéditos protagonizados por Eduardo Cunha e Waldir Maranhão.

HÁ PRECEDENTE
– O afastamento de um presidente da Câmara tem um precedente na história moderna do Brasil. Em novembro de 1955, Carlos Luz, que havia assumido interinamente a presidência da República e dela afastado pelo movimento político-militar para assegurar a posse de JK na presidência da República, não conseguiu reassumir o posto, embora mantendo o mandato parlamentar.

Assumiu efetivamente o cargo o deputado Flores da Cunha, primeiro vice-presidente. Nada havia contra o antigo deputado gaúcho. Permaneceu no posto até 31 de Janeiro de 56, quando JK assumiu a presidência do país, e Ulisses Guimarães foi eleito para dirigir a Câmara Federal.

AGORA É DIFERENTE
– Quem se encontra na primeira vice é Waldir Maranhão, rejeitado por gregos e troianos. Sua posição é de fato insustentável. De direito também. Pois seus atos colidem frontalmente com as diretrizes mínimas que devem reger e se aplicar ao desempenho parlamentar. O vazio que predomina na Câmara Federal é algo igualmente inédito.

A Casa – é incrível – está pulsando em torno de vãs e vagas manobras lançadas em cena na Comissão que deveria ser de ética, num gesto alucinado de salvar o mandato de Eduardo Cunha.

CUNHA SAIRÁ
– Não adianta. Ele vai perder o mandato de qualquer forma, seja por decisão do plenário, seja por julgamento da Corte Suprema. Declarado réu por unanimidade dos ministros, não existe hipótese de vir a ser absolvido. A resolução do Conselho de Ética, seja ela qual for, não influenciará no seu destino final.

Eduardo Cunha não tem como escapar. Está afundando na tempestade que ele próprio desencadeou. Michel Temer não poderá livrá-lo dos fatos.



12 de junho de 2016
Pedro do Coutto

QUARTETO FANTÁSTICO DO PMDB LEVOU MAIS DE R$ 200 MILHÕES EM PROPINAS

Ilustração reproduzida do jornal Estado de Minas



Propinas relatadas por sete colaboradores da Operação Lava-Jato com destino ao quarteto do PMDB que o Ministério Público quer ver na cadeia superam os R$ 200 milhões, de acordo com levantamento do Correio. 
Os valores, parte deles convertida na cotação do dólar de quarta-feira, não incluem correção monetária. 
Se tudo o que os delatores disseram é verdade, o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), é o campeão dos pixulecos, à frente do ex-presidente José Sarney (AP), do deputado Eduardo Cunha (RJ) e do ex-ministro e senador Romero Jucá (RR).

Mas parte dos relatos não menciona cifras dos alegados subornos para os políticos. 
Foram analisados depoimentos de dez pessoas dentre os mais de 60 acordos de colaboração premiada de leniência: os ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró, o ex-senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS), o empreiteiro da UTC Engenharia Ricardo Pessoa, os executivos da Andrade Gutierrez Otávio Azevedo e Flávio Machado, o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, os lobistas Fernando “Baiano” Soares e Júlio Camargo, e o entregador de dinheiro Carlos “Ceará” Souza.

RENAN NA DIANTEIRA – Segundo o relato de sete deles, Renan recebeu R$ 96,7 milhões em propinas. Desse valor, R$ 33 milhões foram diretamente para ele. Uma parcela de mais R$ 63,7 milhões foi compartilhada com outros políticos, mas os colaboradores não explicam qual a parte de cada um.

Eduardo Cunha teria recebido R$ 61,8 milhões, pela narrativa de quatro acusadores. Sarney, R$ 30 milhões, segundo o relato de Sérgio Machado. Sozinho, Romero Jucá seria destinatário de R$ 21,5 milhões e ainda teria compartilhado parte de um repasse de R$ 30 milhões, a ser dividido com outros colegas do partido e do PT.

Os corruptores indicados são a empreiteira UTC Engenheira, a Andrade Gutierrez, o lobista do estaleiro Samsung Júlio Camargo e o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual — este nega a acusação de pagar R$ 45 milhões a Eduardo Cunha por uma emenda à Medida Provisória 608. 
A empreiteira Serveng é apontada como fonte propinas para Renan, mas Paulo Roberto Costa não informa eventuais valores.

OUTRAS PROPINAS – Ex-presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo disse, sem citar nomes, que o PMDB recebeu 0,5% dos contratos do consórcio que lidera na usina de Belo Monte, no Pará. Delcídio do Amaral revelou que R$ 30 milhões em subornos foram destinados a Renan, Jucá, Jader Barbalho (PA), Valdir Raupp (RO) e os ex-ministros das Minas Energia Edison Lobão e Silas Rondeau, além da campanha do PT.

Em Angra 3, a negociação começou em 3% para os peemedebistas, de acordo com Flávio Machado, executivo da Andrade Gutierrez, a fim de beneficiar Jucá e Lobão.

Outro executivo, Flávio David Barra, contou que o ex-ministro do Planejamento recebeu propina em forma de doações eleitorais. Informação semelhante foi prestada por Ricardo Pessoa. Segundo ele, dos contratos da UCT em Angra, retirou R$ 1 milhão para a campanha do filho de Renan, o governador de Alagoas, Renan Filho, e R$ 1,5 milhão para a campanha de Jucá.

JUCÁ NÃO COMENTA – Jucá esquivou-se de comentar o pedido de prisão e as acusações de propina. “Não posso me manifestar sobre algo que não sei”, disse o senador. A assessoria de Renan negou que ele tenha recebido subornos e criticou as acusações, consideradas sem provas por ele.

“O senador reafirma que jamais recebeu vantagens de qualquer pessoa e reitera que delações não confirmadas deveriam servir para agravar a pena dos autores e não livrá-los da cadeia”.

Por meio de assessoria, Sarney se disse “perplexo, indignado e revoltado” com o pedido de sua prisão. “Jamais agi para obstruir a Justiça. Sempre a prestigiei e fortaleci”. O deputado Eduardo Cunha não prestou esclarecimentos. Na quarta-feira, ele disse que o pedido de prisão contra ele lhe causava “estranheza”.


12 de junho de 2016
Eduardo Militão e Paulo de Tarso Lyra
Correio Braziliense

VACCARI PENSA EM DELATAR E SE O FIZER SABE QUE A CUT VAI ASSASSINÁ-LO


Em março passado, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto teve uma conversa reveladora com um de seus companheiros de cárcere. 
A situação de abandono do superburocrata petista, sentenciado a mais de 24 anos de prisão e com pelo menos outras quatro condenações a caminho, fez o interlocutor perguntar se ele não considerava a hipótese de tentar um acordo de delação com a Justiça. Conhecido pelo temperamento fechado, que lhe rendeu o apelido de "Padre" nos tempos de militância sindical, Vaccari respondeu como se já tivesse pensado muito sobre o assunto: "Não posso delatar porque sou um fundador do partido. Se eu falar, entrego a alma do PT. E tem mais: o pessoal da CUT me mata assim que eu botar a cara na rua". 
Algo aconteceu nos últimos dois meses. Depois desse diálogo travado com um petista importante e testemunhado por outros presos, Vaccari não resistiu às próprias convicções e resolveu romper o pacto de silêncio. O caixa do PT, o homem que durante décadas atuou nas sombras, o dono de segredos devastadores, decidiu delatar.

12 de junho de 2016
in selva brasilis

O LEGADO DE LULA, DILMA E DO PT. ABISMO, BARBÁRIE E CAOS.

O VERDADEIRO GOLPE QUE ESTÃO ARMANDO

Aproveito uma sequência de notas publicadas no Facebook, para tentar desvendar o que me parece ser o verdadeiro Golpe político que está em andamento.

Começa com a noticia de O Globo dando conta que Rodrigo Janot, Procurador-Geral da República, pediu a prisão de Renan Calheiros, Romero Jucá, José Sarney e Eduardo Cunha e, também, o afastamento do primeiro da presidência do Senado.
O fato permite uma ilação: com Renan e Jucá fora do Senado, a presidência daquela casa "cai no colo" do próximo na linha sucessória, o petista Jorge Viana. Este seria o plano de Janot  para barrar o impeachment.

Só isso pode explicar o fato de - apesar das muitas acusações (uma dúzia de inquéritos engavetados no STF) - Renan Calheiros ser poupado enquanto fazia o jogo de Dilma Rousseff, e assim que deixou de ser útil, passar a ser tratado como inimigo.

Ainda segundo a notícia d'O Globo, os investigadores consideram mais graves as provas contra Renan Calheiros, Romero Jucá e José Sarney do que aquelas que levaram Delcídio Amaral à prisão, pois "Delcídio tentou manipular uma delação, enquanto Renan, Sarney e Jucá planejavam derrubar toda a Lava Jato".

Segundo a Procuradoria Geral da República, os três Senadores articulavam iniciativas como a tentativa de mudar a decisão do Supremo que prevê a prisão de condenados a partir da segunda instância; a tentativa de mudar a lei para permitir delação premiada apenas para pessoas em liberdade, e não para presos investigados; e também uma pressão dos três para que acordos de leniência das empresas pudessem esvaziar todas as investigações.

Então, por que a demora da decisão quanto aos três peemedebistas? Mais ainda:  "Se a trama não fosse documentada pelas gravações de Sérgio Machado, a legislação seria modificada de acordo com o interesse dos investigados. Renan, Jucá e Sarney estão entre os políticos mais influentes do Congresso. 
Sarney, mesmo sem mandato, controla bancadas na Câmara e no Senado. Ele teria tido, inclusive, papel decisivo no processo de afastamento da presidente Dilma Rousseff".

Mas todos sabemos que Lula, Dilma Rousseff, José Eduardo Cardozo e Aloizio Mercadante fizeram ainda pior. E sabemos também que as leis encomendadas para beneficiar os criminosos do "petrolão" foram propostas por petistas. Incluindo aí a famigerada lei de repatriação de recursos.

Desse jeito, quem vai acabar destruindo a Lava Jato é Rodrigo Janot, com seu propósito de associar o impeachment à tentativa de obstruir a Lava Jato.

Também se pode ler no blog O Antagonista a afirmação de um integrante do Judiciário de que "Janot (...) foi obrigado a pedir a cabeça de Dilma e Lula porque Sérgio Moro lhe deu um xeque ao divulgar o grampo da conversa em que ambos combinavam obstruir a Justiça. Janot, no entanto, sabia que as ações contra Dilma e Lula travariam no STF."

E que "O vazamento dos áudios de Sérgio Machado  foi perfeito para Janot. Ele posa de herói da Lava Jato, mas da Lava Jato dele, que pega somente o PMDB e não o PT."

Mas por que Rodrigo Janot quer a volta do PT?
Porque Janot quer que Nicolao Dino - irmão de Flávio Dino, governador do Maranhão - o suceda à frente da Procuradoria-Geral da República. 

E a única forma de viabilizar isso é com o PT na Presidência. Dino como Procurador-Geral significa para Janot permanecer no controle da PGR, mas isto esbarra em mágoas antigas de Sarney e parceiros. Resumindo: Janot tem um projeto de poder que nem sempre coincide com os interesses do Brasil.

Sobre o vazamento de material da Lava Jato, O Antagonista publicou que o delegado a os agentes da PF que o fizeram se esforçavam para derrubar Rosalvo Franco da Superintendência da PF no Paraná, e os advogados envolvidos no caso eram ligados ao falecido Márcio Thomaz Bastos.

Há rumores de que Marcelo Odebrecht vai delatar uma trama planejada nos inícios das investigações, para interromper a Operação, envolvendo exatamente Márcio Thomaz Bastos e José Eduardo Cardozo. 
Resta ver se Rodrigo Janot demonstrará algum interesse pelo assunto.

Enfim, o jogo de empurrar decisões com a barriga denuncia uma enorme pantomima combinada com os "cumpanhêrus" do STF! Eles ficam anunciando o que "pretendem" fazer; farão algumas e outras não. 

Enquanto alimentam a imprensa e iludem os otários com os capítulos cada vez mais enganosos dessa novela que nunca termina, o tempo vai passando e os processos seguem (como escrevia o saudoso Janer Cristaldo) em ritmo de ganso, um passo e uma cagada. 

Aos poucos, a patuléia perde o interesse, os escândalos são substituídos por outros mais novos e tudo cai no esquecimento e os processos seguem os doze a que responde Renan Calheiros. Mofam nas gavetas até os crimes caducarem!!!

"O sr. Rodrigo Janot é a garantia viva de que, se alguém vai pagar pelos crimes do PT, serão os inimigos do partido. Ele foi contratado para isso, e não é homem de decepcionar seus patrões"
(Olavo de Carvalho)

Encerrando, quero destacar que meus desejos são de que a cambada toda, incluindo a presidanta, seja devidamente "recolhida aos costumes" e devolvam aos cofres públicos tudo o que foi surrupiado! Mas estou estranhando o fato desomente ela estar sendo acusada como responsável pelo "investimento" maldito na refinaria de Pasadena. 

Estão esquecendo que há uma troupe de, no mínimo, uma dúzia de conselheiros, regiamente pagos com suculentos jetons para cada reunião de que participam, que compartilharam com ela a decisão final. Ou não?? Esses "conselheiros" estão sendo investigados???

12 de junho de 2016
in mukahdin cucaracha

MORO CONVOCA DILMA PARA DEPOR COMO TESTEMUNHA ARROLADA POR MARCELO ODEBRECHT



Marcelo comandava o esquema (ilustração: manchette.com.br)
O juiz federal Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, mandou comunicar a presidente afastada Dilma Rousseff que ela foi arrolada como testemunha de defesa do empreiteiro Marcelo Bahia Odebrecht, preso desde 19 de junho de 2015 e condenado a 19 anos e quatro meses de prisão por corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa no esquema de propinas montado na Petrobrás.
A decisão de Moro ocorre em um momento crucial da Lava Jato. Odebrecht está negociando acordo de delação premiada com a força-tarefa do Ministério Público Federal. Os investigadores estão na expectativa de que o empreiteiro poderá revelar detalhes sobre financiamento da campanha da petista em 2010 e em 2014.
Desde fevereiro está preso o publicitário João Santana, marqueteiro das campanhas de Lula (2006) e Dilma. A investigação revela depósitos de US$ 7,5 milhões em favor do marqueteiro realizados pela Odebrecht em pleno período eleitoral de 2014.
OPERAÇÃO XEPA – Os advogados de Odebrecht arrolaram Dilma nos autos da Operação Xepa, 26.ª etapa da Lava Jato. O juiz Moro então mandou expedir ofício a Dilma solicitando a ela que responda se quer ser ouvida em audiência ou que lhe sejam encaminhadas perguntas por escrito, na forma do artigo 221 do Código de Processo Penal.
“Arrolou como testemunha a Exma. Sra. Presidente da República Dilma Vana Roussef. Relativamente à ela, observo a necessidade de aplicação do artigo 221 do Código de Processo Penal. Oficie-se, desde logo, em ofício a ser subscrito pelo Juízo, à Exma. Sra. Presidente informando que foi arrolada como testemunha de defesa pelo acusado Marcelo Bahia Odebrecht e indagando se prefere ser ouvida em audiência ou que lhe sejam encaminhadas perguntas a serem respondidas por escrito na forma do artigo 221, §1º, do Código de Processo Penal. Solicite-se resposta, se possível, em cinco dias, já que a ação penal conta com acusados presos.”
DENÚNCIA SIMPLES – Em seu despacho, Moro destacou que não há como falar em inépcia da denúncia como alegam alguns defensores.
“Apesar de extensa, é ela, aliás, bastante simples e discrimina as razões de imputação em relação a cada um dos denunciados.O cerne consiste no pagamento de propinas acertadas entre a Odebrecht, agentes da Petrobrás e agentes políticos, para os acusados Monica Regina Cunha Moura (mulher do marqueteiro) e João Cerqueira de Santana Filho, o que teria sido feito através do assim denominado Setor de Operações Estruturadas da empresa e mediante entregas de valores em espécie ou depósitos em conta secreta no exterior. Valores de propinas destinados ao Partido dos Trabalhadores em decorrência de contratos das Petrobrás teriam sido repassados em pagamentos de serviços de publicidade prestados à referida agremiação política pelos acusados Monica Regina Cunha Moura e João Cerqueira de Santana Filho, cientes estes da origem e natureza criminosa dos valores.”

12 de Junho de 2016
Ricardo Brandt, Julia Affonso e Fausto Macedo
Estadão

SOBRE SER OU NÃO SER DE ESQUERDA




Esteve no Roda Viva Internacional quinta-feira da semana passada o embaixador Rubens Ricupero, um dos últimos representantes vivos da “esquerda honesta”. Considerada a escuridão em que anda mergulhada a política brasileira ouvir um desses remanescentes da geração anterior tem sempre o efeito de uma iluminação. Ricupero é um homem indiscutivelmente íntegro, bem intencionado. Mas não se permite o rigor, no seu senso crítico e na coerência entre o pensar e o fazer, de um Hélio Bicudo por exemplo. Ele mantém com o dogma aquele tipo de relação que define o bom católico: ha sempre uma barreira além da qual a racionalidade, pura e simples, não está autorizada a passar.

Dou um exemplo. Foi a meu ver exata a definição de fascismo que ele deu a partir do 59º minuto da entrevista (confira aí embaixo), aplicada a Donald Trump: "Ele é um egomaníaco com traços fascistas. Tem aquele desprezo pelo conhecimento, pela informação; tem aquela atitude típica do fascismo, diz bobagens, se contradiz, mas (afirma que) isso não tem nenhuma importância porque o Fuehrer, o Duce, nunca pode se enganar. A solução de todos os problemas está encarnada num homem. Não precisa nem apresentar programa, é ele que vai resolver tudo ... É um homem que admira o Putin e que ontem recebeu o apoio do homem da Coreia do Norte, veja você!"



Se, entretanto, alguém fizesse ver a Ricupero que, substituindo-se Putin por Ahmadinejahd e "o homem da Coréia do Norte" por, digamos, "o homem da Venezuela", esta é uma descrição perfeitamente exata de Luis Ignácio Lula da Silva, ele negaria como absurda a evidência porque é da essência do indivíduo que se define como "de esquerda" que não são os fatos e o comportamento concreto de um homem no poder que o definem como fascista ou antifascista, mas sim as suas supostas intenções.

Lá pelos finalmentes, instado diretamente por um dos entrevistadores a definir esquerda e direita ele sintetizou assim a coisa:

“É de esquerda quem acha que dá pra corrigir a desigualdade e de direita quem acha que ela é um dado imutável da natureza”.


É o tipo de definição em que está implícito aquele “nós, os moralmente superiores”, contra “eles, os mal intencionados” boa pra campanhas eleitorais mas venenosa para todo o resto. Além de pouco exata no que diz respeito ao teste da realidade histórica, cabe lembrar, antes de mais nada, que entender a diferença como um dado da natureza, como ela de fato é, não exclui o entendimento de que ela possa ou deva ser, na maior medida possível, mitigada no contexto da organização social. Na verdade qualquer sujeito adulto e com olhos de ver pregados à cabeça, até os que se consideram "de esquerda", sabe que a desigualdade é um dado da natureza onde não existe nada exatamente igual a nada, mas não precisa, necessariamente, de uma narrativa fantasiosa, tipo o mito do "paraíso perdido" ou o do “bom selvagem” que é a sua versão mais americana, para “provar” que, do ponto de vista do acesso aos bens e aos direitos inerentes à vida em sociedade, é necessário que as coisas não sejam tão diferentes quanto são na natureza.

O verdadeiro divisor de águas está no modo de se encarar o valor da liberdade e o sentido de "civilização": como história concreta do esforço de superação do estado de natureza ou como utopia. O divisor de águas está, para ser mais exato, no “como” e no “pelo quê” se admite trocar a redução da diferença; se isso deve ser feito preservando-se ao máximo a liberdade, bem do qual escolher o próprio modo de ganhar a vida é a expressão mais básica e essencial, ou mandando-se a liberdade às favas.



E é aí que entra a História. Ha muito que isso não é mais um mero “achismo”. Trata-se de experiência vivida posto que essas alternativas foram amplamente testadas ao longo do século 20. Aconteceram exatamente na mesma época as reformas da “Progressive Era” dos Estados Unidos, de um lado, e as revoluções socialistas e comunistas da Europa e da Ásia do outro. E essa experiência (tragicamente) vivida deixou claro que as verdadeiras alternativas são forçar a desconcentração do poder econômico com medidas a favor da liberdade, ou seja, pela pulverização da propriedade privada em favor da concorrência que deve ser a mais ampla e a mais livre possível em benefício do cidadão nas suas dimensões mais concretas que são as de trabalhador e consumidor (legislação antitruste), ou contra a liberdade, pela concentração de toda a propriedade nas mãos de uma “vanguarda” chamada Estado, que é tão feita de gente com todos os seus defeitos quanto todas as outras.


No campo da organização política, a alternativa está em tomar decisões a esse respeito passo a passo exigindo, a cada um, a chancela direta de todos os cidadãos que serão sujeitados a elas chamando-os a atuar mediante o exercício do recall, das leis de iniciativa popular e do referendo das leis propostas pelos representantes eleitos para mandatos delimitados no tempo e no espaço, ou entregando todas as decisões à tal “vanguarda” que não admite oposição e decide tudo em nome "do povo" sem precisar consultá-lo, nem a cada passo, nem sequer a cada mandato.

Já no da economia, a escolha está entre dar a cada um o correspondente ao que ele trabalhar para entregar ao conjunto da sociedade, ou dar a cada um o que conseguir "adquirir" como "direito especial" aliando-se à tal “vanguarda” com o poder exclusivo de outorga-los.

São essas as alternativas reais. E os efeitos práticos da opção por cada uma delas, tanto para a felicidade material como para a felicidade espiritual da humanidade, estão aí para quem quiser abrir os olhos e ver, seja no passado, seja no presente.



12 de junho de 2016
vespeiro

MENSAGEM