"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

sexta-feira, 18 de março de 2016

MAIS UMA OBSTRUÇÃO


LULA DEU INSTRUÇÕES PARA CONSTRANGER JANOT ATACANDO SEU SUBORDINADO
LIGAÇÃO EVIDENCIA OUTRA TENTATIVA DE ATRAPALHAR A INVESTIGAÇÃO
Em conversa com o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), em 27 de fevereiro deste ano, o ex-presidente Lula dá instruções para atirar o movimento de mulheres, em geral aparelhado pelo seu partido, contra um promotor de Rondônia, que o denunciara. É que esse promotor seria suspeito de espancar a própria mulher.

O objetivo de Lula não era denunciar o crime do promotor e sim “trucar” e "triturar" o procurador-geral da República, Rodrigo Janot
, como diz no telefonema gravado pela Polícia Federal sob autorização judicial. O telefonema é mais uma evidência do cometimento de crime de tentativa de obstruir as investigações da Lava Jato, especialmente aquelas das quais é alvo.

Veja a transcrição do trecho que evidencia a trama para dificultar as investigações:




LILS x SENADOR LINDBERG FARIAS

TRANSCRIÇÂO (O DIÁLOGO ABAIXO COMEÇA A 2:26 DA GRAVAÇÃO)


LILS: Agora o companheiro WADIH DAMOUS tem a história do promotor de RONDONIA, que pegou um caso meu agora, que a mulherada tem que ir para cima dele. Terça feira tem que "TRUCAR" o JANOT e "TRITURAR"...
LINDBERG (falando para JANDIRA) - Ele está falando do promotor de RONDONIA e RORAIMA, que as “mulheres” tem que ir para cima dele, aquele maluco... (agora falando para LILS) A JANDIRA tá dizendo que vai pegar esses dados também PRESIDENTE. A
gora, o WADIH DAMOUS disse que a parte que ele mais gostou foi a parte do VASCO DA GAMA.Risadas.
LILS: Agora, tinha VASACAINO para caralho lá, hein? (RISADAS)
LINDBERG: Tinha muito VASCAINO, pô! Nós adoramos, PRESIDENTE! Nós vamos para a GUERRA!
LILS: Tá bom, querido. Um abraço.
LINDBERG: Tchau.



18 de março de 2016
diário do pocer

É LEGAL ESCUTA FORTUITA DE DILMA NO GRAMPO DE LULA

STJ GARANTE VALIDADE DA ESCUTA FORTUITA DE AUTORIDADE COM FORO

STF GARANTE VALIDADE DA ESCUTA FORTUITA DE DILMA APROVADA POR MORO. FOTO: EBC


A jurisprudência avaliza a decisão do juiz federal Sérgio Moro de liberar gravações comprometedoras envolvendo a presidente Dilma e Lula, o antecessor. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) adota o entendimento de que se uma autoridade com foro privilegiado mantiver contato com pessoa com o telefone monitorado, por decisão de juiz de primeira instância, a gravação das conversas não é nula. Muito pelo contrário.

A jurisprudência do STJ, validando grampo de autoridades, foi adotada no julgamento do habeas corpus 227.263-RJ, em março de 2012.



18 de março de 2016
diário do poder

PMDB ANUNCIARÁ SAÍDA DO GOVERNO DILMA NO FIM DESTE MÊS

EXECUTIVA NACIONAL DEVERÁ OFICIALIZAR ROMPIMENTO COM GOVERNO

EXECUTIVA NACIONAL DIA 29 DEVE OFICIALIZAR ROMPIMENTO COM GOVERNO


O PMDB decidiu mesmo romper com o governo Dilma, mas isso só será formalizado na reunião da executiva nacional, dia 29 deste mês, véspera da festa de aniversário dos 50 anos do partido. Também deve ser oficializada nessa reunião a expulsão do deputado Mauro Lopes (MG), que aceitou ser nomeado ministro da Aviação Civil mesmo após a convenção do PMDB proibir os filiados de aceitar cargos no governo.

Neste sábado (19), o vice-presidente Michel Temer receberá em casa, em São Paulo, um grupo de senadores do PMDB para discutir a crise.

Se reunirão com Temer em São Paulo Renan Calheiros (AL), Eunício Oliveira (CE) e Romero Jucá (RR), Moreira Franco e Eliseu Padilha.

Renan ainda reluta em apoiar o rompimento com Dilma, mas o fiel escudeiro Romero Jucá defende isso desde o início da Lava Jato.

Temer saiu de Brasília na véspera da nomeação de Lula como ministro, e só retornará à capital quando o PMDB tiver pactuado sua posição.



18 de março de 2016
diário do poder

RICARDO KOTSCHO, AMIGO DE LULA, DIZ QUE NINGUÉM AGUENTA MAIS



Petista histórico, o jornalista Ricardo Kotscho também joga a toalha




















Às vezes milagres acontecem… Um exemplo? O jornalista Ricardo Kotscho. É um homem de esquerda do qual sou leitor desde 1983.Tendo passado pelo Estadão , Folha , IstoÉ, Época e várias TVs, ele foi o cronista das Diretas Já, autor de vários livros e ganhador por quatro vezes do Prêmio Esso de Jornalismo. Como é sabido, Kotscho é amigo de Lula, tendo sido de 2003 a 2004, durante o primeiro governo petista, secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República.
Ricardo é um repórter correto, da velha guarda, um humanista e um cristão sem qualquer amor ao poder. Seu texto é idealista, porém jamais desonesto ou bajulador. O habitual e absoluto entusiasmo dele com relação ao novo ministro investigado jamais me afastou da sua coluna por um simples motivo: Kotscho é bem informado e escreve como poucos. Nestas últimas semanas – de um jeito doído – ele está reencontrando o equilíbrio e o senso comum e se distanciando das brumas Brasil Maradilma. Ainda bem.
Veja a sua coluna de hoje.
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PARA SALVAR LULA, DILMA PÕE EM RISCO AS INSTITUIÇÕES
Ricardo Kotscho
Nove horas da manhã de quinta-feira, dia 17 de março. A uma hora da posse de Lula na Casa Civil, ainda não oficialmente confirmada, o País está em pé de guerra. A avenida Paulista já foi mais uma vez fechada por manifestantes, que começam a se aglomerar também em frente ao Palácio do Planalto, onde o policiamento foi reforçado para evitar confrontos, como ocorreu na véspera, com o reforço do Batalhão da Guarda Presidencial.
Com a nomeação de Lula para salvar o ex-presidente da Lava Jato e evitar o impeachment, Dilma conseguiu provocar o efeito contrário e jogar quase todo mundo contra ela. Agora, ao insistir na política do vale tudo, ameaça colocar em risco em risco as próprias instituições democráticas. A crise política está chegando a um ponto terminal e absolutamente fora de controle.
O vazamento dos grampos nos celulares de Lula acabou sendo a gota d´água que faltava para encurralar um governo agonizante. Na gravação, Dilma diz a Lula, pouco depois de ser anunciada a sua nomeação:
“Seguinte, eu tô mandando o Messias junto com o papel pra gente ter ele, e só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse”.
A revelação desta espécie de salvo-conduto foi o estopim para deflagar uma rebelião na Câmara, com os deputados pedindo aos gritos a renúncia da presidente, e para levar novamente milhares de pessoas às ruas, com protestos em Brasília e nas principais capitais brasileiras.
Nas gravações divulgadas pelo juiz Sergio Moro no final da tarde, aparecem ataques grosseiros de Lula ao Congresso Nacional, aos tribunais superiores, à PF e à Receita Federal, em conversas com ministros, parlamentares e dirigentes do PT.
A anunciada saída do PMDB da base governista pode ser seguida agora por outros partidos no mesmo dia em que a Câmara se prepara para instalar a comissão especial do impeachment.
Com Lula no governo, Dilma pretendia recuperar o apoio do PMDB, acalmar os mercados e ressuscitar a economia. Aconteceu tudo ao contrário. E, para piorar a situação, o vazamento das gravações expôs diretamente a presidente Dilma nas tentativas de obstrução da Justiça.
Enquanto especialistas discutem a legalidade da decisão de Moro, o governo anuncia que pretende processar o juiz e a oposição tenta impedir a posse de Lula na Casa Civil, o fato é que mais uma vez o Supremo Tribunal Federal será convocado para decidir os destinos do País.
Agora não se discutem mais meios para garantir a governabilidade, que já havia entrado em colapso nas últimas semanas, mas a sobrevivência do próprio governo petista e o que poderá vir depois dele.
Para a maioria das pessoas com quem converso, é melhor um final horroroso do que um horror sem fim, como já se resignou outro dia um assessor próximo da presidente Dilma. De fato, estamos vivendo dias de horror, de revolta e de vergonha. Já faltam palavras a velhos comentaristas como este que vos escreve para contar o que está acontecendo. Ninguém aguenta mais.

18 de março de 2016
Moacir Pimentel

EX-PETISTA, TOFFOLI ELIMINA SIGILO EM AÇÕES PARA CASSAR DILMA



Toffoli não dá refresco à chapa de Dilma e Temer
















O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Dias Toffoli, determinou que sejam reunidas em uma única tramitação as quatro ações que correm no Tribunal que têm por objeto cassar os mandatos da presidente Dilma Rousseff e do vice Michel Temer. Dessa forma, o processo correrá sem segredo de Justiça, que havia sido decretado sobre uma das principais ações, e terão a mesma relatora, ministra Maria Thereza de Assis Moura, que é a corregedora da Corte e já era a responsável por duas das ações ajuizadas pelo PSDB.
“A reunião dos processos sob a mesma relatoria visa a imprimir maior celeridade e racionalidade à marcha processual, além de evitar decisões conflitantes, privilegiando-se o princípio da segurança jurídica”, conforme despacho do ministro-presidente.
Para Toffoli, as quatro ações têm a ‘mesma base fática’. Assim, a ministra Maria Thereza assume todas as ações sobre cassar Dilma e Temer e caberá a ela autorizar a coleta de provas, depoimento de testemunhas e manifestações do Ministério Público.
PARA ELEGER AÉCIO
Em conjunto, as ações visam a diplomação do senador Aécio Neves do PSDB de Minas Gerais, segundo colocado na disputa eleitoral de 2014. O partido aponta abuso de poder político e econômico na eleição, acusando a presidente de abastecer sua campanha com propinas desviadas da Petrobras.
Outras acusações apontam realização de gastos acima do limite informado à Justiça Eleitoral; falta de comprovação de parte “significativa” das despesas de campanha; manipulação de indicadores socioeconômicos; pronunciamento na TV e rádio para propaganda; uso dos Correios para postagem indevida de propaganda eleitoral em favor da petista; disseminação de falsos boatos sobre o fim do programa Bolsa Família, em caso de vitória de Aécio.
As defesas de Dilma e Temer já protocolaram contestação numa das peças, afirmando não haver provas contra ela e o vice que justifiquem a cassação. Seus defensores enfatizam que eventuais irregularidades cometidas na campanha não indicam que a presidente seja responsável ou tenha se beneficiado.
“Não basta a mera condição de candidatos à reeleição aos cargos de Presidente e Vice-Presidente da República para torná-los, objetivamente, responsáveis ou beneficiários de qualquer conduta praticada por quem que seja”, ressalta a defesa de Dilma Rousseff.
DOAÇÕES ILEGAIS
Em relação às acusações de que a campanha de Dilma teria recebido recursos desviados da Petrobras, por intermédio de doação oficial por empreiteiras envolvidas em corrupção, a defesa diz que foram apontados somente recursos recebidos pelo PT entre 2012 e 2013.
Temer igualmente apresentou defesa, demonstrando que o pedido do PSDB revela um “sem-número de ilações” decorrentes da “derrota eleitoral”, o que demonstra, segundo ele, “mero inconformismo”.

18 de março de 2016
José Carlos Werneck

LULA ESPERA QUE O MINISTRO DA JUSTIÇA CONTROLE A POLÍCIA FEDERAL



Acossado por Lula, ministro da Justiça terá de tirar o corpo foraEm interceptação telefônica captada pela Polícia Federal na Operação Lava Jato, Lula cobra que o subprocurador Eugênio Aragão, nomeado ministro da Justiça por Dilma, “seja homem” e prove que é amigo, num aparente pedido de ajuda para se livrar do juiz federal Sergio Moro. Numa ligação nesta terça (15), o ex-ministro Gilberto Carvalho telefona para Lula falando sobre a nomeação de Aragão. Lula responde, de acordo com a PF, que espera que o futuro ministro da Justiça “tenha pulso”, o que foi interpretado pelos policiais como ter força para controlar a PF.




















Informação revelada nesta quarta (16) pelo canal “Globonews” mostra também que o juiz federal Sergio Moro incluiu no inquérito que tramita em Curitiba uma conversa telefônica entre o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff, no qual ela diz que encaminhará a ele o “termo de posse” de ministro. Dilma diz a Lula que o termo de posse só seria usado “em caso de necessidade”.
Os investigadores da Lava Jato interpretaram o diálogo como uma tentativa de Dilma de evitar uma eventual prisão de Lula. Se houvesse um mandado do juiz, de acordo com essa interpretação, Lula mostraria o termo de posse como ministro e, em tese ficaria livre da prisão. Como se sabe, o juiz Moro, da primeira instância, não pode mandar prender ministros porque eles têm foro privilegiado e só podem ser investigados e julgados no Supremo.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – São os últimos dias de Pompeia, com a lama da corrupção submergindo biblicamente Sodoma e Gomorra, em versão tropical. Os governantes atuais e os dirigentes petistas são tão primários que pretendem salvar Lula fazendo com que ele seja julgado diretamente no Supremo. Não entendem que, na hora da verdade, os ministros recuam e deixam de prestar serviços a quem os nomeou. Eles já fizeram tudo o que podem, na sessão desta quarta-feira, para agradar ao Planalto, ao manter as mudanças no rito do impeachment, que interessavam à presidente Dilma Rousseff, a Lula e ao PT. Agora, chega. Podem acreditar que os ministros governistas, digamos assim, vão parar por aqui. O próprio Dias Toffoli, nomeado por Lula e que teria de ser eternamente agradecido a ele, já tirou o time de campo. Os outros virão atrás. (C.N.)
18 de março de 2016
Bela Megale e Mario Cesar CarvalhoFolha

O HUMOR DO SPONHOLZ...



18 de março de 2016

POSSE DE LULA CONDUZ A CRISE A UM GRAU DE EXACERBAÇÃO



Enquanto Lula tomava posse, muita confusão diante do Palácio












Se Luiz Inácio Lula da Silva era a última cartada do governo Dilma Rousseff para tentar escapar do impeachment e do atoleiro econômico, ela durou pouco mais de seis horas. E, de quebra, acelerou a já vertiginosa dinâmica da crise rumo a um perigoso desconhecido. Recapitulando. Lula começou a quarta-feira (15) negociando os termos da rendição do poder presidencial de Dilma para si, após ter ouvido o rugir dos mercados e o chiado de um quase demissionário presidente do Banco Central.
À tarde, a presidente em modo “emérito” fez ampla defesa da escolha e negou que Lula estivesse se abrigando do juiz Sergio Moro. Poucas horas depois, transpareceu o pacote de grampos legais que não só desnudam Lula na intimidade, mas em plena operação por seus interesses – e recebendo “em caso de necessidade” o termo de posse que poderia livrá-lo de uma visita da Lava Jato curitibana.
O que veio a seguir foi uma explosão espontânea das ruas, que desafiará o discurso palaciano de que manifestações como a de domingo são isoladas. As pessoas saíram do trabalho e foram ao protesto.
FIRULAS JUDICIAIS
O governo irá se apegar à versão apresentada à noite, mambembe mas de contraditório probatório quase impossível, e à suspeita de que o diálogo Dilma-Lula possa ter sido gravado após o fim da ordem judicial para tanto.
Em ato que alimentará a acusação de que age com “timing” político, Moro venceu por duas horas a corrida com o Planalto: se Lula fosse ministro, o sigilo do caso não poderia ser levantado. Isso poderá ser visto como afronta ao Supremo, que deteria o poder sobre tal decisão.
Politicamente, o estrago está feito. Em especial para Lula, cuja lendária soberba e vulgaridade no trato interpessoal se espalha pelos diálogos. Se o mito já estava trincado pelas revelações recentes, o conjunto recolhido parece quebrar os pés da efígie.
Não há condições políticas para a volta de Lula ao governo, porque está motivando mais protestos. A crise atinge assim um novo paroxismo.
18 de março de 2016
Igor GielowFolha

GRAVAÇÕES MOSTRAM UM POLÍTICO DESCOCADO E PRECONCEITUOSO



Entre queixas e negociações, as ligações do ex-presidente e atual ministro Luiz Inácio Lula da Silva interceptadas pela Polícia Federal são recheadas de um linguajar que passa longe do politicamente correto. O ex-presidente perguntou onde estão “as mulher de grelo duro” do PT e brincou que a diretora do Instituto Lula, Clara Ant, acordou achando que era “presente de Deus” quando cinco homens entraram em sua casa — até descobrir que eram policiais federais. Em outra conversa, do outro lado da linha, o ministro Jacques Wagner, quando soube que a ex-petista Marta Suplicy foi vaiada durante o protesto na Avenida Paulista no último domingo, afirmou que “é bom pra nega aprender”. E, quando o prefeito do Rio, Eduardo Paes, pediu para que Lula deixasse de ter “alma de pobre”, o ex-presidente riu. Especialistas entrevistados pelo Globo acreditam que os telefonemas reproduzem fielmente preconceitos conhecidos e historicamente resistentes, mesmo em homens que, em público, exaltam a igualdade social e de gênero.
O uso da expressão “grelo duro” dividiu as redes sociais, entre os que a consideram pejorativa e outros que a veem como uma manifestação de força.
DISCURSO DEPRECIATIVO
Professora titular de Sociologia da UFRJ, Bila Sorj lamenta a “visão comum” reproduzida no diálogo do ex-presidente.
— É um discurso depreciativo, com termos sexualizados para desqualificar as mulheres — acredita. — Existe uma vigilância social sobre este tipo de fala entre figuras públicas. Mas trata-se de uma ligação gravada entre dois homens. E acredito que o mesmo tom poderia ocorrer com muitas pessoas e em várias situações. Não se trata de algo específico do Lula.
Bila, no entanto, acredita que uma conversa como a do ex-presidente seria menos comum entre as gerações mais novas:
— O Lula tem 70 anos. Homens de sua idade usam esta linguagem sem nenhuma autocensura. Entre os jovens, seria menos frequente, ou pelo menos eles se sentiriam mais constrangidos. Aos poucos o comportamento da sociedade está mudando.
“MULHER PORRETA”???
Escritora e ativista feminista, com mais de 17 mil seguidores no Facebook, Stephanie Ribeiro defendeu em sua página a expressão de Lula e lembrou as origens do ex-presidente: “Só lembrando que Lula é nordestino, e ‘grelo duro’ é uma expressão usada nessa região do país. E é no sentido de mulher porreta”.
Lúcia Helena Rincón Afonso, coordenadora Nacional da União Brasileira de Mulheres, condenou a ligação em que Lula conta que Marta Suplicy foi chamada de “puta”, provocando risos do ex-ministro Jacques Wagner, que retruca: “É bom pra nega aprender”.
— Isso mostra como o preconceito está internalizado, faz parte da fala do adversário — diz. — Pode causar má impressão para todo lado, o que mostra a importância de estudar a perspectiva de gênero.
MACHISMO ENRAIZADO
A fala de Lula sobre Clara Ant também pode ser vista como uma manifestação do machismo enraizado na sociedade brasileira, diz a pesquisadora da UnB e socióloga Ana Liési Thurler.
— No Brasil quase todo humor que se faz é sexista, racista, homofóbico. Ele nesta fala representa o brasileiro no estado mais natural, fez uma brincadeira que reflete a cultura machista brasileira — analisa. — O sexismo ainda está muito impregnado em nossa cultura, inclusive nos políticos de esquerda, que historicamente têm bandeiras relacionadas à igualdade de gênero. Ele não escapa de alguma dose de sexismo. Acho que não é o seu cotidiano, mas aponta para o machismo que ainda persiste.
Além do palavreado chulo por parte da população, outro diálogo gerou furor na opinião pública. A conversa aconteceu entre Lula e o prefeito do Rio, Eduardo Paes. Na fala, Paes critica a “alma de pobre” do ex-presidente e debocha de cidades do interior do Rio, como São Pedro da Aldeia, Araruama e Maricá.
DESEJOS INCONFESSÁVEIS
Para o sociólogo Paulo Baía, da UFRJ, as conversas carregam essas características — palavrões e piadas politicamente incorretas — por terem acontecido em foro íntimo e geram indignação por quebrar a expectativa das pessoas sobre a figura do homem público.
— As conversas que foram tornadas públicas trazem um toque coloquial e informal, ao mesmo tempo que manifestam desejos publicamente inconfessáveis — afirma. — O discurso tomou essa dimensão por ter vindo a público e por não ser o tipo de conversa que qualquer pessoa faz em público. Trata-se de algo que se faz entre quatro paredes e que, quando é exposto, entra em contato com o tato social.
Segundo ele, este conflito acontece porque se espera que os políticos tenham uma postura ética exemplar:
— As pessoas que ocupam cargos públicos ou são celebridades devem tomar muito cuidado nas conversas individuais, sobretudo políticos, porque há uma linha tênue que separa o que é privado do que é público. Em tese, agentes públicos não têm vida privada. A população espera deles um comportamento dentro de componentes éticos e morais aceitos pela sociedade.
18 de março de 2016
Paula Ferreira e Renato GrandelleO Globo