"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

ENTRE O ESPELHO E O MARQUETEIRO

De desastre em desastre, a presidente Dilma se vê com espaço de manobra cada vez mais restrito

Fevereiro vem impondo duro choque de realidade a quem ainda não se dera conta da extensão do despreparo da presidente Dilma para enfrentar a grave conjunção de crises com que agora se depara. Na esteira de uma atuação espantosamente desastrada, o Planalto parece ter estreitado ainda mais o já reduzido espaço de manobra com que contava para lidar com leque tão amplo de dificuldades.

O primeiro desastre foi o retumbante fracasso do pretensioso esquema de segurança parlamentar que, supostamente, estaria garantido pelas forças políticas representadas no novo ministério. Apesar de todo seu empenho, o Planalto não conseguiu evitar que o Deputado Eduardo Cunha, notório desafeto de Dilma, conquistasse a presidência da Câmara em primeiro turno, com 267 votos. Não bastasse seu candidato ter tido pífios 136 votos, o PT se viu completamente alijado da Mesa Diretora da Câmara.

Quatro dias depois, para grande irritação do Planalto, a oposição, apoiada por 52 parlamentares da base aliada do governo, conseguiu aprovar a instalação de nova CPI da Petrobras na Câmara, prontamente autorizada pelo presidente da Casa. E foi só o começo. A presidente vem tendo desgostos quase diários com o que vem ocorrendo naquela Casa.

Ainda atordoado pela consciência da precariedade do seu apoio parlamentar, o Planalto logo se viu às voltas com novas trapalhadas na condução da crise da Petrobras. Indignada por ter o Conselho de Administração da empresa admitido que os ativos da companhia poderiam vir a sofrer baixas contábeis da ordem de R$ 88 bilhões, Dilma anunciou que Graça Foster seria afastada da presidência da estatal.

Como já havia feito com Guido Mantega na Fazenda, a presidente pediu a Graça Foster e demais diretores que permanecessem no cargo até que fosse concluído o problemático fechamento do balanço da empresa. Para sua grande surpresa, a diretoria recusou-se a desempenhar tal papel. Preferiu demitir-se em bloco. E Dilma viu-se, de repente, obrigada a encontrar, em 48 horas, um nome com perfil adequado que se dispusesse a assumir a presidência da Petrobras em meio à grave crise que atravessa a empresa.

Entalada nessa posição tão difícil, a presidente poderia ter aproveitado a oportunidade para escolher um nome respeitável e independente, que fosse capaz de repassar a empresa a limpo. Mas preferiu uma solução caseira, que lhe permitisse manter a presidência da empresa sob seu estrito controle e assegurar a blindagem que obceca o Planalto: impedir que o Conselho de Administração e a cúpula do governo venham a ser de alguma forma responsabilizados pelo que aconteceu na Petrobras.

Foi um erro grave. É bem provável que a presidente se arrependa amargamente de ter perdido a oportunidade de pôr em marcha um esforço convincente de reconstrução da Petrobras em outras bases. Dilma parece ainda não ter percebido que, a esta altura, já não será no âmbito da própria estatal que afinal será estabelecido se o Conselho de Administração da empresa ou o Planalto devem ou não ser responsabilizados pelo que aconteceu. E que, caso ela própria venha a ser responsabilizada de alguma forma, estará em posição muito menos confortável do que estaria se pudesse ostentar empenho inequívoco e genuíno em passar a estatal a limpo no seu segundo mandato.

No governo, houve quem se queixasse de que, na escolha do novo presidente da Petrobras, Dilma teria tomado uma decisão solitária, sem consultar ninguém. A informação de que só consultou a si mesma é mais uma evidência de que a presidente, desalentada, quem sabe pela qualidade da assessoria de que se cercou, tem-se mantido preocupantemente isolada.

O que agora se noticia é que, alarmada com a rápida queda de sua popularidade e com a extensão da deterioração de sua imagem, Dilma estaria convencida de que precisa se reaproximar de seu marqueteiro. Uma reação redondamente equivocada. Passar a entremear consultas ao espelho com sessões de ilusionismo não é exatamente o tipo de arejamento de que a presidente precisa.


14 de fevereiro de 2015
Rogério Furquim Werneck, O Globo

A CONQUISTA DA HEGEMONIA

Ouvir e mostrar que se importa com o que ouve

No seu primeiro ano de governo, enfrentou tentativa de golpe, revolta estudantil contra o aumento de passagens, CPI na Petrobras, revolta de produtores agrícolas afetados pela queda de preços no mercado internacional e sindicatos inquietos com a escalada da inflação.

Dos quatro presidentes eleitos entre as duas ditaduras do século passado, Juscelino Kubitschek foi aquele que chegou ao poder com o menor número de votos (35,6%). Venceu em 15 Estados e perdeu em nove.

JK propôs anistia aos militares que o ameaçaram com golpe e abriu o Palácio do Catete para estudantes rebelados, udenistas, cafeicultores e sindicalistas. Foi o único dos civis daquele período a concluir o mandato.

Dilma é a presidente mais minoritária (41,6% no 1o turno e 51,6% no segundo) desde o golpe que abreviou a geração de Juscelino. Assim como JK, também venceu em 15 Estados, mas perdeu em 12 - nos dois turnos.

Antes de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lhe dizer ontem que precisa se abrir para os que não a elegeram, outro aventureiro já havia lançado mão da mesma advertência.

Numa passagem desapercebida de seu discurso na eleição à Presidência da Câmara, o deputado Eduardo Cunha distinguiu a vitória eleitoral de Dilma do que chamou de "hegemonia eleitoral" e disse que só esta lhe daria "hegemonia política".

A hegemonia pressupõe consentimento de interesses mais que a soma de votos. Mas o presidente da Câmara não recorre a Gramsci. Dá sua própria explicação para a ausência de hegemonia que conforma o poder da presidente: "Quando Lula e Dilma ganharam as eleições anteriores foi uma vitória tão grande que não deu margem a contestações. Desta vez o resultado foi muito mais apertado. Esses 28 partidos da Câmara são decorrência da falta de hegemonia eleitoral da presidente e do PT, que só tem 13% dos assentos da Casa".

Não se trata de um golpista. Seu projeto está condicionado à permanência da presidente no poder. Mais do que a relação entre Dilma e Lula, é aquela entre os presidentes da República e da Câmara que moldará o segundo mandato.

Cunha ganhou a eleição da Câmara com o apoio desses partidos cuja existência debita na ausência de hegemonia eleitoral da presidente. Na falta de uma polaridade no Congresso que reproduza o resultado da eleição presidencial, busca galvanizar os deputados que estão na base do governo, mas cujos eleitores não marcaram 13 para presidente.

A esse movimento de expansão de Cunha contrapõe-se o acanhamento da presidente na dificuldade de ampliar as bases de sua legitimidade. Para ficar apenas nas quatro últimas nomeações de seu governo: Secretaria de Assuntos Estratégicos, Autoridade Pública Olímpica, Caixa Econômica Federal e Petrobras.

Mangabeira Unger reforça a imagem de um governo sem talento para as ambiguidades. Edinho Silva é um tesoureiro de campanha no comando do evento internacional de maior vulto do segundo mandato. Miriam Belchior marcou sua despedida do Conselho da Petrobras com o voto contrário ao balanço que derrubou Graça Foster. Aldemir Bendine é a demonstração de que o mercado desconfia de seus próprios conceitos, como o de governança.

As escolhas sinalizam as dificuldades em se convencer a presidente a ouvir, mostrar que se importa com o que ouve e é capaz de acreditar que a grande maioria dos brasileiros, mesmo aqueles que não a escolheram, querem que cumpra seu mandato até o fim. Sem essa ausculta, pode até apelar a João Santana mas, no máximo, vai conseguir ampliar a comunidade de surdos para além do Planalto.

Age como quem parece ter gastado sua cota de concessões com a escolha de Joaquim Levy. No conjunto da obra, o ministro da Fazenda aparece como a garantia de que, resguardada a base monetária, o voluntarismo continue em voo livre.

Os dois ministros mais bem aparelhados para a negociação política, Jaques Wagner e Aldo Rebelo, foram alocados em pastas periféricas enquanto o coração do governo, a Casa Civil, continua nas mãos doministro com quem a presidente toca de ouvido a sonata do autismo.

Dilma Rousseff conseguiu convencer até a alguns de seus mais próximos colaboradores em outubro do ano passado de que ouviria mais quando, uma hora depois de a Justiça Eleitoral informar sua irreversível vantagem, disse aos brasileiros que "queria ser uma pessoa melhor".

Era apenas a presidente dando início ao terceiro turno. Passados mais de três meses do fim daquela campanha, hoje é possível se dar conta de que os termos em que a conduziu, para além dos adversários, foram prejudiciais a si mesma.

Em 2010 a presidente já havia sido apresentada ao trailer da campanha do ano passado. Mas Lula não saía do palanque e a campanha era menos arriscada. Naquele momento, rejeitou as simplificações, por burras e ingênuas.

No miolo, ainda era a mesma Dilma Rousseff que, 40 anos antes, ao deixar a prisão depois de ignominiosa tortura, protegeu-se sob o manto da honestidade intelectual, do rigor e da tarefa cumprida. As medidas ainda eram da heroica guerrilheira, mas foi com elas que entrou no jogo político.

Este manto começou a se rasgar quando Dilma optou, quatro anos depois, pelas verdades seletivas da campanha.

Esgarçou-se mais com o cerco à Petrobras e o vozerio de racionamento, rebaixamento e impedimento. A crise passou a colocar em xeque as virtudes em que se fiou lá atrás para voltar ao jogo e ir pra frente com o Brasil.

Em algum momento será aconselhada a recosturar o manto para pedir desculpas, como Lula o fez, de Paris, quando se escancarou o mensalão.

Tem três anos, dez meses e 15 dias a cumprir. Não é uma sentença. É a missão que o eleitor, livre e soberanamente, lhe conferiu. Não é a primeira nem será a última presidente a começar um mandato sob crise e não há razão objetiva que a impeça de superá-la.

Carlos Araújo, ex-marido e uma das pessoas mais a influenciam, costuma presentear a ex-mulher com livros sobre Getúlio Vargas, brasileiro de sua predileção, mas é Juscelino quem parece faltar à sua cabeceira.


14 de fevereiro de 2015
Maria Cristina Fernandes, Valor Econômico

OS SUSPEITOS DE SEMPRE

Escolheram mais um suspeito de sempre. Essa frase, de um jornalista americano, sobre o novo presidente da Petrobrás é precisa.

Certamente não se referia à trajetória pessoal de Aldemir Bendine. Ele ignora que o banqueiro guarda dinheiro no colchão ou que fez um empréstimo generoso à socialite Valdirene Aparecida Marchiori. Creio que queria apenas dizer que o governo arruinou a Petrobrás e dificilmente encontrará alguém, dentro dos seus quadros, capaz de reconstruí-la.

Era preciso um novo presidente com capacidade e autonomia. Se alguém com talento conseguisse sobreviver no governo, decerto seria alvejado pelos atiradores do PT ao revelar alguns vestígios de autonomia.

O PT completou 35 anos com festa. E de alguma forma lembrando a frase "cuidado com os idos de março". É uma data do calendário, talvez o dia 15, lembrada pelo assassinato de César. Os idos de março sempre evocam momentos trágicos para um governo.

No caso brasileiro, o grande adversário do PT é sua própria visão de mundo. O partido considera manobra golpista a enxurrada de dados sobre corrupção na Petrobrás e outros órgãos do governo. Por exemplo, um ex-gerente, em delação premiada, disse que o PT recebeu mais ou menos US$ 200 milhões em propinas, na área de abastecimento. O partido nega.

Usando o senso comum, parece-me absurda a controvérsia em torno de meio bilhão de reais. Se esqueço de pagar uma água de coco no bar do Baiano, no Flamengo, ele é o primeiro a me lembrar que faltam R$ 5. Se tenho direito a troco de apenas R$ 1, reclamo prontamente. Como é possível que uma verba de R$ 500 milhões, oriunda de contratos reais da empresa, transite tão etereamente a ponto de uma intensa investigação não determinar sua trajetória?

A decisão do PT de negar todas as evidências é a manobra mais perigosa que o partido já engendrou nos últimos anos. Dizem os jornais que na festa de aniversário, em BH, o PT prometeu manifestações públicas para defender o governo e isolar o golpismo. Isso é mais animador, pois pode precipitar a realidade. Bandeiras e camisas vermelhas acusando a Lava Jato de manobra golpista podem revelar ao partido um pouco da realidade.

Ando muito pelas ruas. Mas pode ser que ande pelas ruas erradas e tenha uma falsa impressão. Mas a pesquisa Datafolha mostrando a queda na aceitação de Dilma confirma minhas intuições. Não será fácil de novo desfilar com macacões laranja defendendo uma Petrobrás que a maioria acredita ter sido saqueada pelo PT e aliados. Com que palavras de ordem sairão às ruas? "A Petrobrás é nossa" não é um refrão aconselhável para as circunstâncias. Resta talvez a resistência a um golpe hipotético.

E talvez nisso esteja a grande esperança do PT. Um golpe seria sua redenção, a condição de vítima talvez sepultasse o peso dos bilhões roubados da Petrobrás. Mas não há golpe no horizonte. As próprias condições de inserção internacional do Brasil já sepultaram qualquer solução fora da lei. Resta o desenrolar implacável de um processo de corrupção gigantesco que atrai a atenção mundial, porque ocorreu numa empresa globalizada.

A tática de negar sua responsabilidade neste processo histórico será um dado decisivo na história do PT. Muitos já denunciam o medo de Lula e Dilma de discutir abertamente o que se passou na Petrobrás. Pode ser que Lula, Dilma e o PT analisem como coragem sua disposição de enfrentar o processo afirmando que tudo o que o partido recebeu foi doação legal. Mas de onde veio o dinheiro senão do saque da Petrobrás?

No momento é possível reunir a coragem para negar. Mas com o avanço das evidências seria preciso uma coragem muito maior para negar também a lucidez das instituições jurídicas e da opinião pública nacional.

Pela experiência, o que acontece nesses casos é sempre muito doloroso. O PT ainda está um pouco escondido, mas pode observar, por exemplo, o que aconteceu com Graça Foster e Nestor Cerveró: tornaram-se máscaras de carnaval; os vizinhos ergueram faixas contra Graça.

O partido, contudo, escolheu o caminho mais espinhoso para enfrentar o processo. Como no passado, tentará convencer as pessoas de que estão erradas e foram manipuladas pela imprensa.

Outro dia, um homem na rua me disse: "Às vezes me arrependo de ser consciente. Se fosse apenas desligado do Brasil, não sofreria tanto. É muito duro para as pessoas, presenciando um processo com números, nomes de contratos, delatores premiados e tudo o mais, assistirem a alguém dizer que tudo isso é uma grande manobra. Querem me convencer de que sou maluco". Disse ao homem que era um processo mais amplo e, no fundo, está em jogo isto mesmo: ou se pune a corrupção, prendem-se as pessoas e se obriga os partidos a pagarem um enorme preço político, ou então a tática do PT triunfou.

Será preciso enlouquecer todo um país. É uma jogada de alto risco. No mensalão, de punhos erguidos, descobriram a realidade dos presídios e trataram de sair fora, deixando nas grades as secretárias que fechavam envelopes.

Em caso de vitória, terão de governar um País enlouquecido. Em caso de derrota, as consequências são imprevisíveis. Desde a camisa de força até cumprir inversamente a profecia de Delúbio Soares de que o mensalão com o tempo será uma piada. É o próprio PT, com o tempo, que pode virar uma piada.

Se esse é o caminho escolhido, então que vengan los toros. Marqueteiros de todo o País, uni-vos em torno da grana que ainda está nos cofres e provem que essa montanha de dinheiro roubado é apenas miragem, que Pasadena foi um bom negócio e a Petrobrás vai bem, apenas ameaçada pelos inimigos externos.

Procurem fazer um bom trabalho. No mensalão, lembrem-se, sobrou para os marqueteiros. Milhões de dólares rolam pelos computadores num simples toque no teclado. Mas isso não significa que sejam invisíveis.

O empresário de Santa Catarina que tinha 500 relógios num cofre tem lá sua lógica. O tempo está contra a quadrilha, é preciso detê-lo de qualquer forma.


14 de fevereiro de 2015
Fernando Gabeira, O Estado de S.Paulo

REVOLTA NO PLANALTO

Se algum eleitor ainda não percebeu, aqui vai a notícia política mais importante da atual temporada em Brasília: há um clima de rebeldia que, pelo menos no momento, reina no Planalto.

Alguns fatos desta semana provam esse fenômeno político, que também pode ser definido como administrativo. 
Na terça-feira, o Congresso deu duas demonstrações da citada rebeldia. A Câmara dos Deputados aprovou uma novidade que pode ter efeitos nunca vistos: é uma emenda constitucional que obriga o Executivo a executar, sem protesto nem choro, todas as emendas constitucionais aprovadas pelo Legislativo. O nome oficial disso é “orçamento impositivo”.

Em países com regimes legislativos, isso pode ser comum e natural. Onde impera o Executivo — como se supunha que acontecia por aqui — as coisas são diferentes: alterações na Constituição dependem de endosso pelo poder central.

A outra manifestação de rebeldia foi a exclusão do PT do comando de uma comissão incumbida de um projeto de reforma política. O qual, se levado a sério (o que nem sempre acontece em Brasília) pode ter efeitos de extrema importância.

Para irritar mais um tanto o pessoal do Palácio do Planalto, é possível a aprovação da chamada “Pec da Bengala”, que adia de 70 para 75 anos a idade limite para servidores públicos. Ela impedirá que Dilma tenha o prazer de escolher cinco novos membros do Supremo Tribunal Federal.

O pessoal da arquibancada talvez não saiba, mas presidentes da República, por alguma razão que ignoramos, gostam de nomear os ocupantes de cargos importantes. Os vitalícios, então, eles adoram.


14 de fevereiro de 2015
Luiz Garcia, O Globo

PT MORRE. E MAÇÃ COM CEREJA

Valentias de moribundo são um espetáculo melancólico. O PT era uma neurose. Agora é só uma necrose moral

Não disputo o poder e, para mim, ganhe este ou aquele, a vida segue a mesma. Os petralhas ainda não conseguiram a minha cabeça na bandeja, rodeada de cerejas e com uma maçã na boca, embora já tenham tentado algumas vezes. Gostam de propor trocas indecorosas aos contratantes, até agora rejeitadas.

Pouco afeitos ao trabalho duro, os companheiros ignoram que tenho outras habilidades além de juntar coordenadas e subordinadas. E nenhuma delas é executada de joelhos ou depende de patrocínio da Petrobras ou de estatais que virarão, cedo ou tarde, caso de polícia.

E porque não disputo o poder, a irritação ou o gozo que me provocam a política são, vá lá, puramente intelectuais. E, ora vejam, vou me irritando ou gozando cada vez menos com ela. Para que algo excite a nossa imaginação, é preciso haver "encantamento", palavra oriunda do mesmo manancial semântico de que vêm o canto e o poema. Pesquisem. Irrita-se aquele que se deixa estimular, excitar, que se sente instigado. Encantamento e irritação são expressões benignas de importar-se.

No meu próximo artigo, defendo o impeachment da Dilma. Neste, permitam-me que expresse o tédio que essa gente provoca em mim. O tédio é parente do ódio, mas se trata de uma aversão mais contida, mais serena, mais preguiçosa. E me enfadam menos os donos do poder, que estão por aí tentando achar uma saída, uma desculpa, uma trilha culposa que os livre do dolo e da cadeia, do que seus escribas.

É possível que alguns estejam apenas ganhando a vida --fazer o quê? Essa profissão existe, e eu defendo que seja regulamentada. Mas há também, e são ainda mais patéticos, os que emprestam a sua pena à justificação da bandalheira de olho apenas no soldo moral. Não querem se confundir com os reacionários, ainda que possam se confundir com ladrões. Escolhas morais.

De novo, para surpresa de ninguém, está na praça a tese do suposto confronto entre "conservadores e progressistas", entre "golpistas e legalistas", entre "nós e eles". E alguns articulistas se prestam ao triste papel de tingir o nariz de marrom. Rui Falcão descobriu que queremos mesmo, os maus, é privatizar a Petrobras, acabar com o regime de partilha e pôr um fim à política de conteúdo nacional --aquela que já provocou um edificante rombo de R$ 20 bilhões. Em nome do povo! Por isso o seu partido denunciou, numa resolução, a conspiração da direita e aproveitou para pregar o controle da "mídia".

José Eduardo Cardozo, que ficou mais magro com uma dieta argentina, mas nem por isso passou a ter ideias mais severas --não leu Musil...--, acha que não se deve usar a roubalheira na Petrobras para disputar um terceiro turno. Segundo diz, só pessoas com "problema psicológico" defendem o impeachment de Dilma. Tá.

Ele cansou de usar o direito como argumento. Perde! Prefere mandar o oponente para o hospício. É uma tradição da escola de pensamento da qual é oriundo. Este senhor tem ideias originais sobre investigação de atos petistas desde o caso Lubeca, que já tem quase 30 anos. Era o ovo da serpente.

Os companheiros ainda não perceberam que sua organização começou a morrer. As valentias de um moribundo são sempre um espetáculo melancólico. Quer falar de psicologia, Cardozo? O PT era uma neurose. Agora é só uma necrose moral.


14 de fevereiro de 2015
Reinaldo Azevedo, Folha de SP

O ELDORADO VIROU PÓ

O Brasil acreditou na propaganda do PT. Milhares de incautos caíram na pegadinha do ex-presidente Lula

Nove anos depois do anúncio de que Itaboraí seria a terra prometida, escolhida para sediar o Comperj, maior polo petroquímico do país, assistimos estarrecidos ao sonho virar pesadelo.

De polo petroquímico, o Comperj virou refinaria. O que inicialmente deveria terminar em 2013, agora só em 2017. Vieram as greves dos trabalhadores, primeiro sinal de que alguma coisa ia mal. Na sequência, o escândalo do petrolão e a queda do preço do barril de petróleo para menos da metade do que valia há dez anos, ameaçando seriamente inviabilizar o pré-sal e a própria Petrobras.

Não será surpresa se a nossa refinaria virar em breve um posto de gasolina.

Desde que foi feito o anúncio, em 2006, pelo então presidente Luís Inácio Lula da Silva, o melhor vendedor de ilusões que a história recente já produziu, de que Itaboraí era a terra prometida, escolhida para sediar o empreendimento da Petrobras, a cidade nunca mais foi a mesma.

Até então, éramos um município de pouco mais de 180 mil habitantes, onde as pessoas se cumprimentavam pelo nome e dormiam de janelas abertas. Uma cidade dormitório, mais conhecida por suas laranjas, cerâmica e quebra- molas do que pelo fato de ter abrigado um dos portos mais importantes do Império, o Porto das Caixas. Sim, o IDH era baixo, mas as expectativas também.

A partir daquele dia, o Fusca virou Ferrari. A cidade acelerou de zero para 200 km. A população cresceu rapidamente, com a chegada de trabalhadores e suas famílias, pressionando por serviços públicos que já não eram lá um modelo de eficiência. Juntos, vieram a inflação e a especulação imobiliária que deixaram os aluguéis cobrados em Itaboraí em meados de 2012 comparáveis aos do Leblon, Zona Sul do Rio.

Os moradores mais antigos se assustaram com tamanha confusão e com tantas caras novas que chegaram à cidade; já os mais jovens se encheram de esperança. Era mesmo excitante viver numa cidade tão próspera que assistia à chegada de hotéis de grandes redes, centros comerciais, prédios de luxo e shopping centers, entre outras novidades.

Hoje, a realidade é outra. O cenário é de desolação: os trabalhadores que vieram atrás do Eldorado agora estão desempregados, e vagam sem rumo pelas ruas da cidade sem poder retornar para casa; os aluguéis reduzem e a violência grassa na mesma velocidade em que a economia despenca. Recentemente, uma grande rede hoteleira anunciou a suspensão da construção da segunda unidade no município. Há investidores que sequer vieram buscar as chaves dos imóveis que compraram.

Os cofres públicos sofrem o impacto. A arrecadação de ISS, que já foi de R$ 30 milhões/mês, está em R$ 18 milhões e deverá cair em breve para menos da metade. Como atender à demanda por serviços públicos de uma população que cresceu, segundo o IBGE, mais de 20% em tão pouco tempo? A matemática não fecha. O Brasil acreditou na propaganda do PT. Milhares de incautos caíram na pegadinha do ex-presidente Lula. Agora é preciso responder: quem arca com tamanho prejuízo?


14 de fevereiro de 2015
Hélio Cardozo, O Globo

BATUQUE NA JANELA. PEDRO CAROÇO ESTÁ ENROLADO...

PPS pedirá quebra de sigilos de José Dirceu e das empresas que têm o petista como sócio

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“No primeiro dia de trabalhos da CPI da Petrobras vamos pedir a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático do ex-ministro José Dirceu (PT) e das empresas em que ele consta como sócio”, anunciou nesta sexta-feira (13) o líder do PPS na Câmara dos Deputados, Rubens Bueno (PR).

Deputado cassado e condenado no Mensalão do PT, José Dirceu de Oliveira e Silva, o ex-manda-chuva do Palácio do Planalto voltou para o olho do furacão dos escândalos de corrupção após ser apontado pelo doleiro Alberto Youssef como um dos responsáveis por receber propinas, em nome do PT, do Petrolão.

Bueno espera que o PT e os aliados do governo não trabalhem para barrar a aprovação do pedido. “Se o próprio ex-ministro nega ligação ou participação nesse novo esquema de corrupção não deve temer qualquer quebra de sigilo. Seria uma chance de ele provar que, dessa vez, não é o chefe da quadrilha”, argumentou Rubens Bueno.

Em seus depoimentos, o doleiro Alberto Youssef, delator do esquema na Petrobras, contou ter intermediado o pagamento de R$ 27 milhões em propina para políticos entre 2005 e 2012.
“O dinheiro entregue pelo declarante (Youssef) em São Paulo servia para pagamento da Camargo Corrêa e da Mitsui Toyo ao PT, sendo que as pessoas indicadas para efetivar os recebimentos à época eram João Vaccari e José Dirceu”, relata a transcrição de um dos trechos dos depoimentos.
Empreiteiras e fornecedores

O líder do PPS afirmou também que a bancada do partido já tem prontos os pedidos de quebra de sigilo de todas as empreiteiras e empresas fornecedoras da Petrobras que são alvo da Operação Lava-Jato, da Polícia Federal, inclusive as que teriam pago propina a Dirceu.

“Na CPI Mista da Petrobras apresentamos esses pedidos, mas o governo e sua base impediram a aprovação. Deu no que deu: os executivos das empresas acabaram presos e a comissão, com sua ânsia de proteger poderosos, foi desmoralizada. Espero que agora possamos seguir no rumo certo e levantar provas que, futuramente, sirvam de base para processos de cassação de parlamentares envolvidos no esquema e para a recuperação do dinheiro roubado da Petrobras”, disse Rubens Bueno.

14 de fevereiro de 2015
ucho.info

CAMPO DE BATALHA

Lava-Jato: Ministério Público e PF se aproximam da conexão Gleisi-Paulo Bernardo e Alberto Youssef

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Em meio a tantas informações, os integrantes da força-tarefa da Operação Lava-Jato trabalham para garimpar provas que reforcem a conexão entre o doleiro Alberto Youssef e o ex-ministro Paulo Bernardo da Silva, das Comunicações. Procuradores da República e policiais federais estão debruçados sobre o tema, que pode complicar ainda mais a situação de Bernardo e de sua mulher, a senadora petista Gleisi Helena Hoffmann, acusada de ter recebido R$ 1 milhão do Petrolão, o maior escândalo de corrupção da história.

Identificar a ligação de Paulo Bernardo com Youssef não é tarefa das mais difíceis, pois em tempos outros o ex-ministro, por intermédio do deputado cassado André Vargas, usou o esquema criminoso do doleiro para lavar dinheiro de campanha. O assunto acabou na alça de mira das autoridades, que à época abriram investigação.

A grande questão que tira o sono da equipe que investiga os crimes cometidos no âmbito da Lava-Jato é a rota do dinheiro desviado da obra do anel viário de Maringá, orçada inicialmente em R$ 142 milhões, mas que com o passar do tempo saltou para R$ 179 milhões. Executada sob o guarda-chuva do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, o polêmico DNIT, o anel viário da importante cidade paranaense teve sobrepreço de R$ 10 milhões, de acordo com análise do Tribunal de Contas da União (TCU).
Responsável pela execução da obra, a construtora Sanches Tripoloni rebateu a análise do TCU, mas agora pode estar na mira da força-tarefa da Lava-Jato, o que não é bom sinal para todos os envolvidos no suposto esquema de corrupção.

Com o avanço das investigações, novos personagens foram arrastados para o olho do furacão, além do doleiro Youssef, Paulo Bernardo e Gleisi Hoffmann. No rol dos investigados estão deputados federais do Paraná, além de conhecidos políticos do estado sulista. A situação de Gleisi e Paulo Bernardo, que já não era boa, pode piorar sobremaneira depois do período de ócio carnavalesco. Fora isso, Gleisi e Bernardo foram passageiros constantes no avião King Air, matrícula PR-AJT, de propriedade do empresário Francisco Tripoloni, dono da construtora Sanches Tripoloni, que, como mencionado acima, foi responsável pela construção do anel viário de Maringá.

As autoridades da Operação Lava-Jato querem identificar qual esquema criminoso operado por Alberto Youssef que foi usado para lavar o dinheiro de mais um escândalo envolvendo o Partido dos Trabalhadores, que agoniza sem que os “companheiros” aceitem a dura realidade. Tanto é assim, que os petistas têm se agarrado cada vez a teorias esdrúxulas para manter a legenda na UTI da política nacional.

14 de fevereiro de 2015
ucho.info

AFUNDANDO NA LAMA

Depoimento da contadora do doleiro da Lava-Jato complica a situação do marido de Gleisi Hoffmann

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Os petistas começaram esta quinta-feira (11) com um motivo a mais para seque pensar em folia durante o período momesco. Afinal, a situação da senadora Gleisi Helena Hoffmann, do PT paranaense, piora a cada dia na seara do Petrolão, o maior escândalo de corrupção da história da humanidade.

Denunciada pelos dois principais delatores da Operação Lava-Jato, Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, como beneficiária de R$ 1 milhão, dinheiro que saiu do esquema de corrupção que funcionava na Petrobras, a senadora petista tremeu depois do depoimento prestado na quarta-feira (10) pela contadora do doleiro. Meire Bonfim da Silva Pozza reforçou a conexão do esquema do doleiro com o marido de Gleisi, o ex-ministro das Comunicações, o petista Paulo Bernardo da Silva.

No depoimento, Meire Pozza, que na opinião do UCHO.INFO deveria estar presa e com o registro de contabilista cassado, não apenas ratificou declarações prestadas em outubro passado à CPMI da Petrobras, mas deu mais detalhes sobre o tema mais importante do seu depoimento.

Na ocasião, Pozza relatou à CPMI que, em 12 de março de 2014, falou sobre o aporte de R$ 25 milhões, acertado com o PT, por meio do Postalis, para a compra de debêntures da Marsans Viagens e Turismo, agência que tinha o doleiro como um dos investidores. O Postalis é o fundo de pensão dos funcionários Correios, órgão vinculado ao Ministério das Comunicações, que foi comandado por Paulo Bernardo até 2014.

O envolvimento de Paulo Bernardo no escândalo do Petrolão ficou evidente desde o depoimento do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa. Cumprindo prisão domiciliar no Rio de Janeiro, após ter acordo de delação premiada homologado pelo Supremo Tribunal Federal, Costa afirmou que o então ministro do Planejamento de Lula, Paulo Bernardo, solicitou R$ 1 milhão para a campanha de Gleisi Hoffmann ao Senado.

Desde que a informação começou a circular, o ex-ministro mergulhou em silêncio quase obsequioso, mas a denúncia de Paulo Roberto Costa foi confirmada por Alberto Youssef, que detalhou como o dinheiro foi entregue a Gleisi. Em quatro parcelas de igual valor e consecutivas, a propina foi paga em dinheiro vivo e entregue em um shopping popular no centro de Curitiba.

Com o vazamento da acusação que colocou o casal no olho do furacão da Operação Lava-Jato, Gleisi Hoffmann, que sempre abusou da arrogância e da prepotência, passou a fazer declarações absurdas no âmbito do Petrolão, como forma de defender a si própria e ao governo da “companheira” Dilma Rousseff, a quem serviu como chefe da Casa Civil.

Fora isso, Gleisi, temendo a cassação do mandato, peregrinou durante semanas a fio pelos gabinetes do Senado Federal para implorar aos colegas de Parlamento que evitassem sua convocação na CPMI da Petrobras. Se isso tivesse ocorrido, a petista por certo já teria renunciado ao mandato, que termina em 31 de janeiro de 2019.

14 de fevereiro de 2015
ucho.info


ECONOMIA BRASILEIRA: TIROS NO PÉ, DÓLAR NAS CABEÇAS

Dólar a mais de R$ 2,80 e subindo não pega bem neste ambiente empesteado, em que até a quebra do salto do sapato da presidente pareceria capaz de intensificar a crise. Mas, como de costume, é difícil entender por que o câmbio varia mesmo em um certo ano, que dirá em um certo dia. Aparentemente, uma combinação de más notícias sobre as contas do governo com um salto dos juros nos Estados Unidos contribuiu para dar um tapa para cima no dólar em fevereiro.
O dólar recomeçou a desandar no fim de janeiro, assim como as taxas de juros brasileiras. No fim do mês passado, soube-se que o buraco das contas do governo em 2014 fora mais profundo do que se imaginava. Dilma 1 foi de fato inimaginável.
Percebeu-se, pois, que o conserto desta nossa economia escangalhada deve ser mais custoso e incerto. Além de outras trapalhadas desalentadoras deste mês, soube-se ainda que a coalizão do governo no Congresso pretende detonar o plano de controle de gastos proposto pelo Ministério da Fazenda, sem, no entanto, até agora apresentar alternativa. Por fim, autoridades econômicas brasileiras deram indícios de que, enfim, vão deixar o real se desvalorizar.
Apesar do nosso apreço por darmos tiros no próprio pé, com uma tentação crescente de acertamos a nossa cabeça, parece que não foi apenas a barafunda brasileira que fez o preço do dólar dar uma corrida. Também a partir do final de janeiro as taxas de juros americanas de longo prazo (títulos de dez anos) deram uma corrida em ritmo inédito desde meados de 2013. Eles mesmos não se entendem bem a respeito do que houve.
FECHANDO A TORNEIRA
Em maio de 2013, o Fed, o banco central americano, anunciou que fecharia aos poucos a torneira de dinheiro que despejava na economia americana e, por tabela, mundial. Em seguida, as taxas de juros americanas de longo prazo na praça passaram a subir. O real de imediato passou a se desvalorizar no mesmo ritmo da alta dos juros americanos. Essa relação ficou atenuada a partir de agosto de 2013, quando o BC brasileiro passou a intervir no câmbio. A partir de setembro de 2014, a relação se inverteu: os juros caíam lá, o dólar subia aqui, provavelmente por causa do nervosismo da nossa eleição (mas não apenas).
Logo, em certas condições e a depender do jogo dos donos do dinheiro grosso, a taxa de juros americana dá uma puxada no preço do dólar por aqui. Pode ser o caso deste fevereiro.
Volta e meia ressurge a fofoca de que os Fed vai elevar sua taxa básica lá pelo meio do ano (o que vai causar algum tumulto por aqui no Brasil, com alta do dólar e de juros).
DINHEIRO NA PRAÇA
Mas o assunto é ainda nebuloso. E incerto: as taxas americanas estão altas demais em relação às das geladas economias europeias; Europa e Japão despejam dinheiro na praça; a China deve fazê-lo em breve. O título de dez anos do governo americano paga 2% ao ano. O alemão desceu ao nível de estagnação japonesa, 0,37% ao ano. Nós, para constar: uns 13%, mais que a falida Grécia. Para ser mais justo: em termos reais, americanos e alemães pagam zero ou algo menos; nós, uns 6,2%.
Ainda assim, dada a diferença de juros, por que o real apanha? Porque a coisa está feia e incerta por aqui.

13 de fevereiro de 2015
Vinicius Torres Freire
Folha

CHEGA DE DESCASO NA SAÚDE PÚBLICA E PRIVADA



 
Meu nome é Leandro Farias, tenho 25 anos, e há cinco meses enterrei minha jovem mulher, Ana Carolina Domingos Cassino, 23. Ela foi mais uma vítima de descaso neste país: morreu por causa de uma apendicite – em pleno século 21 – após esperar 28 horas por essa simples cirurgia em um hospital particular da Barra da Tijuca, no Rio.
 
Ana Carolina, como outros 50 milhões de brasileiros, tinha um plano de saúde na falsa certeza de que quando precisasse teria um atendimento digno e humanizado.

A grande mídia detona a saúde pública em seus noticiários e, em seguida, nos empurra goela abaixo propagandas de planos privados, buscando nos fazer acreditar que essa é a solução para todos os nossos problemas. Ledo engano. O governo, por sua vez, incentiva ainda mais a adesão aos planos de saúde – seja por meio de isenções e incentivos fiscais, seja através de uma agência reguladora (ANS).
 
AGÊNCIA INCAPAZ
 
Essa agência sempre deixou bem claro que tem por objetivo defender os interesses dos grandes empresários da saúde. Basta observar a composição da sua diretoria, formada a partir de indicações do governo, com aprovação do Senado, ocupada por diretores de hospitais particulares, administradoras de benefícios (Qualicorp, por exemplo), entre outros. Sem contar a falta de fiscalização em relação à modalidade dos planos coletivos por adesão.
 
Os órgãos e instituições públicas da saúde estão contaminados pelos interesses dos grandes empresários. Ministério da Saúde, ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), Conselho Regional de Medicina, Vigilância Sanitária, entre outros, não cumprem com o seu papel e, com isso, cabe ao Judiciário fazer valer o direito à saúde, como consta do artigo 196 da Constituição Federal.
 
A Justiça fica, com isso, sobrecarregada por demandas que poderiam ser facilmente resolvidas. Faça uma visita ao plantão judiciário de sua região e entenderá do que estou falando. A judicialização da saúde demonstra sua importância, porém não é a única solução. Apenas punir exemplarmente os responsáveis por praticar crimes é enxugar o gelo.

Precisamos conscientizar a sociedade e saber que todos nós temos direitos e deveres. Nesse sentido surgiu o movimento Chega de Descaso (www.chegadedescaso.com.br), organização da sociedade civil que visa estimular a consciência crítica na sociedade, de maneira a retomarmos a vertente da participação social que vem diminuindo desde a construção do SUS (Sistema Único de Saúde).
 
Queremos promover um grande debate e uma maior interação entre profissionais de saúde e usuários. Acreditamos que a solução para o problema da saúde está em um SUS público, 100% estatal, universal e de qualidade. Precisamos valorizar a defesa do direito à saúde por meio do fortalecimento das lutas contra a mercantilização desta.
 
Sabemos que saúde se produz com acesso a recursos, mas para que haja desenvolvimento econômico precisamos de uma população saudável e com qualidade de vida. Nesse cenário, o movimento Chega de Descaso se apresenta como um novo movimento sanitário e convidamos a todos a fazerem parte dessa luta.
 
Leandro Farias, 25 anos, farmacêutico da Fiocruz (Fundação
Oswaldo Cruz), é um dos integrantes do movimento Chega de Descaso.
O artigo foi enviado por Mário Assis.

14 de fevereiro de 2015
Leandro Farias

O DÓLAR VERMELHO INVADE A AMÉRICA LATINA



 
A imprensa internacional destaca o crescimento da economia norte-americana, o que está sendo negado por observadores como o ex-secretário do Tesouro dos EUA John Craig Roberts, que afirma que os números são falsos, fruto de manipulação de dados de financiamento do sistema de saúde.
 
Enquanto isso, cresce o protagonismo diplomático, econômico e geopolítico da China, segunda economia do mundo, dona das maiores reservas monetárias do planeta e principal credora dos Estados Unidos, que substitui Washington e a Europa como fonte de liquidez cambial, empréstimos internacionais Estado a Estado e financiamento para infraestrutura.
 
A ofensiva financeira de Pequim ocorre, também, em regiões em que há forte influência brasileira, e que já foram consideradas, no passado, como um “quintal” exclusivo dos norte-americanos, o que faz com que o “establishment” dos Estados Unidos esteja, há anos, preocupado com o tema.
 
NA AMÉRICA LATINA
 
Já em 2012, um relatório do “Diálogo Interamericano”, produzido pelos economistas Kevin P. Gallagher, Amos Irwin e Katherine Koleski, intitulado “The New Bank in Town” (“Um novo banco na cidade”), abordando o financiamento chinês na América Latina, mostrava que, em 2010, bancos estatais chineses emprestaram a países da região mais do que o Banco Mundial, o Banco Interamericano e o Eximbank juntos, alcançando, de 2005 a 2012, mais de 75 bilhões de dólares.
 
Em 2013, essa quantia já chegava, no caso venezuelano, a 50 bilhões de dólares, na Argentina, a 14 bilhões de dólares, no Brasil, a 13 bilhões de dólares (10 bilhões a serem pagos em petróleo pela Petrobras), no Equador, a mais de 9 bilhões, e a outros países, a quantias menores de 5 bilhões de dólares, porém significativas para o porte de sua economia.
 
Desse montante, 54 bilhões de dólares foram aplicados em infraestrutura, 26 bilhões de dólares em energia e o restante em outras áreas, como a mineração.
 
MAIS INVESTIMENTOS
 
Na primeira semana de 2015 ocorreu em Pequim a reunião ministerial do Fórum China–Celac, com a presença de aproximadamente 20 países.
 
Na ocasião o presidente Xi Jinping afirmou que a China pretende investir 250 bilhões de dólares na América Latina nos próximos dez anos, quantia que poderia chegar a 500 bilhões de dólares com o dinheiro de fundos e investidores privados.
 
Há obras tocadas e planejadas por empresas chinesas em toda a América Latina e Caribe, da futura ferrovia transoceânica Brasil–Peru à remodelação do Porto de Santiago, em Cuba, onde a China pretende seguir o Brasil, na intenção de instalar empresas voltadas para a venda de produtos aos EUA, quando acabar o bloqueio.
 
Enquanto muita gente acha que Pequim está louca de emprestar dinheiro a países como a Argentina e a Venezuela, os chineses avançam, inexoravelmente, ampliando seu poder na região, aproveitando-se da perda de influência dos EUA e da retirada do Brasil, que, devido a “razões de política interna” (pressão contra o BNDES) recua.

14 de fevereiro de 2015
Mauro Santayana
Hoje em Dia

"O MOCHILA", OU SIMPLESMENTE "MOCH"

NA CONTABILIDADE DA PROPINA, VACCARI ERA CHAMADO DE “MOCHILA”


Vaccari jamais se separa da famosa mochila
 
O ex-gerente de Engenharia da Petrobrás Pedro Barusco – primeiro integrante do esquema do PT no escândalo de corrupção da Petrobrás a fechar acordo de delação premiada com a Operação Lava Jato – entregou à Justiça registro da contabilidade de US$ 4,5 milhões de propina do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.
 
“João Vaccari é identificado pela sigla ‘Moch’, que significa mochila”, afirmou Barusco, ao depor à Polícia Federal, no dia 20 de novembro de 2014. Segundo o delator, a sigla foi criada porque “quase sempre presenciava João Vaccari usando uma mochila”. No dia 5, quando foi alvo da nona fase da Lava Jato – Operação My Way -, o tesoureiro estava com a mochila. Nela, policiais federais encontraram apenas um caderno, em branco, e uma agenda pequena com poucas anotações.
 
Metódico, o delator impressionou os investigadores por sua disciplina e organização. Braço direito do ex-diretor de Serviços e Renato Duque – principal canal do PT, via Vaccari, no esquema de corrupção -, ele lançava em seu computador dados relativos a cada contrato, incluindo datas, valores dos negócios e quanto cabia a cada beneficiário da máquina de propinas.
 
Na mesma planilha de contabilidade estão registrados valores de Duque – indicado ao cargo pelo ex-ministro José Dirceu. A sigla para o ex-diretor era “MW” – referência à My Way, música de Frank Sinatra usada por ele para tratar do ex-chefe.
 
PT LEVAVA 1% OU 2%
 
Barusco operava a contabilidade da propina na diretoria, segundo confessou. Por meio da área de Serviços, o PT arrecadava de 1% a 2% de propina em contratos das demais diretorias da Petrobrás, por ser ela quem passou a concentrar as contratações e fiscalizações de obras a partir de 2003. As diretorias de Abastecimento e Internacional seriam cotas do PP e do PMDB na estatal.
 
O valor de Vaccari dos US$ 4,5 milhões entrou para a contabilidade de Barusco, à partir de 2013, segundo ele diz, quando passou a registrar os valores arrecadados com estaleiros em contratos de navios-sondas. A quantia do tesoureiro do PT seria de pagamentos do Keppel Fels, de Singapura.
 
Segundo registro da Polícia Federal, quando Barusco começou a “contabilizar o pagamento de propinas referentes a Keppel Fels, verificou que João Vaccari já havia recebido até aquela data” o valor de US$ 4.523.000.
 
Barusco afirmou ainda que a propina paga entre 2003 a 2013 a “João Vaccari foi adiantada pelo Keppel Fels, pois até tal data (março de 2013) o faturamento não havia sido atingido pelo estaleiro”.
 
FUNDOS DE PENSÃO
 
O negócio envolveu contratos que somaram US$ 22 bilhões para construção de 28 navios-sondas pela Sete Brasil para a Petrobrás. Barusco diz ter participado diretamente da constituição da empresa em 2011, que teve “como principal financiador  o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)”.
 
A Sete Brasil, segundo ele, foi constituída com capital privado e de investidores, entre eles três fundos de pensão de servidores federais – Petros (Petrobrás), Previ (Banco do Brasil) e Funcef (Caixa Econômica Federal) -, a Petrobrás e os bancos BTG Pactual, Bradesco e Santander.
 
Barusco afirma que a esse foi “o maior contrato do mundo interior de sondas de uma só vez”. Ele disse que a licitação foi “dura” e vencida sem acertos. A única concorrente foi a Ocean Ring – que já foi representada no Brasil pelo lobista e operador do PMDB Fernando Antonio Falcão Soares, o Fernando Baiano.
 
COM EMPRESAS DO CARTEL
 
O ex-gerente de Engenharia explicou que para vencer o contrato da Petrobrás, a Sete Brasil negociou com cinco estaleiros a construção das sondas (todos com empresas do cartel integrando a sociedade).
 
“Havia uma combinação de pagamento de 1% de propina para os contratos firmados entre a Sete Brasil e cada um dos estaleiro”, revelou Barusco. Essa combinação de propina teria envolvido o tesoureiro do PT “João Vaccari Neto”, o próprio delator e “agentes de cada um dos estaleiros”.
 
Barusco disse que a divisão da propina era feita da seguinte forma: ”2/3 para João Vaccari e 1/3 para a ‘Casa 1′ e ‘Casa 2′”. O ex-gerente explicou que a terminologia “Casa 1″ era referente aos valores de propina para agentes da Petrobrás. “Especificamente para o Diretor de Serviços Renato Duque e Roberto Gonçalves (que sucedeu Barusco na gerência de Engenharia).”
 
Já o termo “Casa 2″ era referente aos pagamentos de propina para executivos da Sete Brasil, em especial o presidente João Carlos de Medeiros Ferraz, e o diretor de Participações, Eduardo Musa.
 
Barusco identificou na tabela Ferraz como “Mars”, de marshall, “MZB” era a sigla de “muzamba”, para referir-se a Musa, e “Sab”, era sua própria rubrica, referência à Sabrina, nome de uma ex-namorada.
O ex-gerente de Engenharia disse ainda que “achava injusta a distribuição estabelecida por João Vaccari”. “Isso o motivou a negociar por fora o pagamento em seu favor de 0,1%.”

COM A PALAVRA, JOÃO VACCARI NETO
 
O secretário Nacional de Finanças do PT, João Vaccari Neto, negou veementemente que tenha recebido qualquer quantia em dinheiro fruto de propina.
Em nota, na semana passada, Vaccari “esclareceu (à PF), em especial, que enquanto secretário de Finanças do PT jamais recebeu dinheiro em espécie”.
“O PT não tem caixa 2, o PT não tem conta no exterior”, diz o texto divulgado por Vaccari. “Todas as contribuições ao partido, vindas pela Secretaria de Finanças por mim, foram absolutamente dentro da lei.
 
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Dizer que o PT não tem caixa 2 é mais uma Piada do Ano. Basta lembrar que, no Mensalão, o principal argumento do PT era de que o dinheiro utilizada era do Caixa 2 e não saíra dos cofres públicos. O advogado Márcio Thomaz Basto já morreu, mas não custa nada lembrar sua obra… (C.N.)

14 de fevereiro de 2015
Ricardo Brandt e Fausto Macedo
Estadão

DILMA NÃO É PARENTE, QUEM PARA PRESIDENTE?



        
No momento em que as esquerdas estão atônitas com as notícias que pululam de “impeachment” da presidenta e nos partidos que as compõem, digladia-se por impor uma verdade que emergiu de uma eleição suada que uniu partidos da base e foi à rua no último segundo eleitoral para virar a mesa, em um momento em que a candidatura de Aécio democraticamente estava crescendo, agora, setores desta mesma esquerda abandonam o governo e apostam no caos como um filme antigo que todos vimos em 1964.
Os paladinos da “verdade” acham eleitoralmente mais fácil criticar o governo do que defender a Democracia.
 
Há mais de 50 anos, apesar de ter a opinião pública a seu favor, como indicam pesquisas escondidas pela ditadura, Jango lutava para aprovar as “Reformas de Base”, entre elas a reforma política, a eleitoral, a agrária, a urbana e a tributaria entre outras, promovia o encontro com o povo nas ruas e nas praças que só ao povo pertence, nos comícios e debates para pressionar um Congresso conservador que não aceitava os avanços populares contidos na “Mensagem ao Congresso Nacional de 1964”, o mesmo que sequer analisou dita “mensagem”, dado ao evento da queda do governo.
 
CUNHADO NÃO É PARENTE
 
Setores da esquerda que vislumbravam candidaturas no ano subsequente ao Golpe de 64, bravateavam na rua “Cunhado Não parente, Brizola para presidente”. Setores desta mesma esquerda ameaçavam derrotar o pedido do Estado de Sítio, solicitado por Jango ao Congresso Nacional, tendo ele que retirar o mesmo de votação para não sofrer uma derrota que enfraqueceria mais o governo.
 
A Frente Parlamentar de Esquerda, através de porta-vozes, criticava Jango pelo isolamento e pela falta de agilidade em promover as reformas e também pela composição governamental com setores liberais em alguns ministérios, que eram necessários para estabilizar a crise.
Era uma época difícil, tal qual como a que caminhamos se não despertarmos do perigo eminente dos golpistas.
 
Fernando Henrique Cardoso já está de posse de parecer do jurista Ives Gandra encomendado especialmente para enquadrar a presidenta por crime de responsabilidade, por não ter detectado as distorções da Petrobras quando presidente do Conselho de administração da Estatal, não por dolo, mas mesmo assim pode ir para a Câmara este pedido de “impeachment”.
 
EDUARDO CUNHA
 
Teremos aí então um Eduardo Cunha com inspiração suficiente para incorporar em seu terreiro (fertilizado pela caboclagem de um PMDB fisiológico) um verdadeiro Áureo Moura de Andrade, pronto para reaparecer em cena.
 
Enquanto um sorridente Michael Temer faz ensaios com o seu filiado Eduardo Cunha na trincheira comum, porta-vozes e emissários dizem: “Pelo ranger da carruagem desgovernada, a oposição nem precisa perder muito tempo com CPIs e pareceres para detonar o impeachment da presidente da República, que continua recolhida e calada em seus palácios, sem mostrar qualquer reação. O governo Dilma-2 está se acabando sozinho num inimaginável processo de autodestruição.” Ricardo Kotscho, assessor de Lula.
 
Ou, segundo Marta Suplicy, se a presidente tivesse optado pela transparência, “não estaríamos agora tendo de viver o aumento desmedido das tarifas, a volta do desemprego, a diminuição de direitos trabalhistas, a inflação, o aumento consecutivo dos juros, a falta de investimentos e o aumento de impostos, fazendo a vaca engasgar de tanto tossir”.
 
Só falta estes personagens unirem-se ao ninho. Aquele velho ninho golpista de sempre. Em 1964 havia um corvo na espreita. Em 2015 há um tucano no ninho.

14 de fevereiro de 2015
João Vicente Goulart é filho do ex-presidente
Jango e diretor do Instituto João Goulart

O GUARDIÃO DA ÉTICA NO SENADO NÃO TEM NADA DE ÉTICO



Nos bons tempos, João Alberto andava com um 38 na cintura


 
O Congresso deve ter um ano agitado, com a investigação de dezenas de parlamentares citados na Operação Lava Jato. A tensão está no ar, mas ainda há quem diga não estar preocupado com o volume de acusações contra colegas. É o caso do senador João Alberto Souza, do PMDB do Maranhão.
Aos 79 anos, ele vai presidir o Conselho de Ética, que julga os processos de quebra de decoro. Foi indicado por Renan Calheiros (PMDB-AL), um dos principais políticos citados no escândalo da Petrobras.
Na contramão do noticiário, João Alberto diz não saber quais colegas correm o risco de serem denunciados ao Supremo Tribunal Federal por suspeita de receber propina.
“Quem foi citado até agora? Eu ainda não vi nada. Estou no Senado todo dia e não vi”, diz ele. “Não tem nenhum fato concreto. Não existe nada, só especulação”, insiste.
PELA QUINTA VEZ…
O senador presidirá o Conselho de Ética pela quinta vez. Em 2001, tentou arquivar processo contra Jader Barbalho (PMDB-PA), que seria preso meses depois no escândalo da Sudam. “A questão do Jader não me convenceu. Tenho a consciência tranquila”, diz, ao relembrar o caso.
Ele contesta a ideia de que foi escolhido para blindar Renan. “É uma especulação que eu não aceito. Não sou guiado por ninguém”, afirma.
A pressão da opinião pública não costuma dobrar o senador. Em 2013, ele foi o único a votar contra a cassação imediata de colegas condenados a mais de quatro anos de prisão. A proposta passou por 61 votos a 1.
Aliado de José Sarney, o maranhense entrou na política pela Arena, partido que sustentava a ditadura militar. Em 1990, era prefeito de Bacabal e assumiu o governo do Estado após a renúncia de Epitácio Cafeteira. A Assembleia alegou que a posse era ilegal. Ele cercou o palácio e se fechou no gabinete com a faixa no peito e um revólver 38 na mão. “Naquela época, todo mundo andava armado”, justifica. E hoje? “Não ando mais”, responde.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– O jornalista Bernardo Mello Franco foi generoso com o senador João Alberto, uma das figuras mais caricatas da política nacional. Mas o artigo deixa claro que se trata de um político aético. Era bajulador de Sarney, agora é de Renan. Apenas trocou de saco, podemos dizer, grosseiramente. (C.N.)

14 de fevereiro de 2015
Bernardo Mello Franco
Folha