"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

NOTAS POLÍTICAS DO JORNALISTA JORGE SERRÃO

Exército denunciou para Dilma esquema de venda de votos, com título de eleitor duplicado, no RJ


A grande duvida: Marina tem consistência ou é fruto das incríveis pesquisas?

 Em várias “comunidades” do Rio de Janeiro, principalmente no Complexo da Maré e na Baixada Fluminense, existem vários cidadãos com dois títulos de eleitores. Eles recebem dinheiro em troca do voto. Este mecanismo eleitoral do crime organizado foi denunciado, oficialmente, pela inteligência do Exército à Presidenta Dilma Rousseff – candidata à reeleição. Generais revoltados com tal escândalo já falam em “risco de ruptura institucional”, dependendo do resultado. Eis a verdadeira Zona Eleitoral... Ainda mais quando as pesquisas indicam até uma vitória de Marina Silva sobre Dilma Rousseff, com Aécio Neves ficando de fora.

Até então guardada sigilosamente pelo governo e pelo Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, a informação sobre a vergonhosa manipulação de votos no Rio de Janeiro vazou no final da tarde de ontem. O grupo político de Aécio Neves tomou conhecimento. Espera-se que parta para alguma denúncia mais consistente e formal. Do contrário, ficará o informado pelo não dito. Concretamente, por falta de poder ofensivo, a candidatura do neto de Tancredo Neves corre tanto risco de naufrágio quanto o PTitanic.

Como de hábito no atual desgoverno, se for questionada sobre o explosivo tema, Dilma dirá que é “invenção” e que nada sabia sobre tal denúncia. Independentemente do que for dito, o resultado eleitoral já não merecia muito crédito – por causa da urna eletrônica, da transmissão de dados e do processamento de votos sem chances de auditoria externa. Agora se torna absolutamente inconfiável.

A descoberta concreta de fraude eleitoral, até agora mantida em “sigilo de Estado”, ocorreu durante as ocupações militares. Foram encontrados títulos eleitorais duplicados. Este mesmo golpe é aplicado em alguns estados do Nordeste e do Norte. No Maranhão, por cada voto a mais, o eleitor duplicado recebe até R$ 300 reais. O mesmo valor seria negociado nas áreas carentes do Rio de Janeiro – ainda dominadas por milícias urbanas.

Só a identificação biométrica, individualizada, do eleitor, cruzando dados do número do cadastro do eleitor, da carteira de identidade e do CPF, poderia evitar tal duplicidade de títulos ou a chance de alguém votar no lugar de alguém que já morreu – mas continua eleitoralmente ativo. Mas o Tribunal Superior Eleitoral não agiu com a necessária velocidade para fazer o recadastramento geral dos eleitores. Mais grave ainda: a oposição sequer cobrou tal celeridade que deveria ser prioritária e urgente para impedir a fraude eleitoral na hora da votação. A urna só é liberada para o voto se reconhecer as digitais do eleitor.

No Rio de Janeiro, por exemplo, só os 402.146 eleitores de Armação de Buzios e Niterói (universo ínfimo de 3,3% do total) usarão o sistema de identificação biométrica para votar. O eleitorado total fluminense, agora sob suspeita, é de 12.141.145 cidadãos. Quem não se recadastrou até 7 de maio não poderá participar da eleição. Em todo o Brasil, o recadastramento é feito gradualmente, obedecendo à Resolução 23.335 do TSE, atualmente presidido por José Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal e, em um passado não muito distante, advogado do Partido dos Trabalhadores.

A meta do TSE era contar, neste ano, com 22 milhões de eleitores identificados pela impressão digital. Em julho, chegou a um total de 23.851.673 aptos a votar com biometria. O eleitorado brasileiro total habilitado a votar este ano é de 142.822.046 eleitores – conforme as estatísticas eleitorais de 2014 do TSE.

A equipe treinada da Justiça Eleitoral realiza a coleta das impressões digitais, além de fazer a fotografia dos eleitores de maneira rápida e fácil. Um escâner de altíssima resolução permite uma leitura de qualidade das impressões digitais. Um programa de computador faz o controle de qualidade automaticamente. Na prática, os “fantasmas” devem desaparecer com o recadastramento.

Banqueiragem

Os bancos continuarão obtendo lucros recordes, com juros altos, carga tributária elevada como sempre e custo de vida aumentando ligeiramente. Eis a única previsão concreta para a economia brasileira em 2015, seja quem for eleito para o trono do Palácio do Planalto. Os demais prognósticos são uma grande incógnita. Cartomantes têm mais chances de acerto que os economistas que embarcam na conversinha nada fiada do desgoverno.

Uma pesquisa da Confederação Nacional do Comércio indicou um recorde de brasileiros endividados. Ao mesmo tempo, outro estudo do Banco Central revela que a inadimplência está no menos nível desde 2011. No final das contas, os bancos continuam faturando em cima de quem é forçado ou induzido a pegar dinheiro emprestado. Passam sufoco os encalacrados com juros e taxas dos cartões de crédito e os que incorporam o cheque especial ao cada vez mais apertado orçamento mensal, corroído pela “inflação”. No fundo, o brasileiro se vira na economia informal – o que minimiza os efeitos diretos das crises midiaticamente anunciadas.

Quem deve nem sempre teme, No entanto, se aporrinha muito. Bancos, financeiras e escritórios de advocacia contratados para recuperação de dívidas dadas como perdidas promovem um ataque constante, via telefone, SMS e cartas para a residência dos inadimplentes. Não há facilidades nas negociações – a não ser quando o “calote” já é dado como certo e a dívida já foi contabilizada pelo banco como “perda”. O termo é um humor econômico de baixo calão, já que as tarifas e os juros embutidos nos empréstimos já renderam muita coisa até se transformar no suposto “prejuízo”.

Curiosamente, tal cenário não é devidamente tratado na campanha presidencial. O Brasil desenhado pelos marketeiros não tem gente encalacrada. Além disso, comprometidos com o sistema financeiro, a maioria esmagadora dos candidatos (pelo menos aqueles com alguma chance concreta de vencer a eleição) fogem do polêmico assunto. Na vida real, todos bem de vida, não sabem a pressão psicológica sofrida por quem fica devendo ao banco ou tem o nome “negativado” nos serviços de proteção ao crédito.

As soluções concretas para os problemas do Brasil Capimunista (carestia, cartelização, cartorialismo, corrupção e canalhice) continuam fora da agenda dos candidatos. Por isso, pouco se pode esperar do resultado das urnas, seja ele qual for.   

Ameaçado pela promessa alheia



Soma fatal



                           
Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus.

27 de agosto de 2014
Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor.

CONGRESSO BOLIVARIANO DOS POVOS


 
“O Congresso Bolivariano dos Povos (CBP) é um espaço novo que nasce sob o calor das urgências dos povos latino-americanos e caribenhos. O Congresso Bolivariano dos Povos será o lugar onde as forças populares, democráticas e patrióticas de Nossa América poderão discutir e resolver as linhas comuns de ação no caminho da integração e da unidade”. (http://www.congresobolivariano.org/modules.php?name=Content&pa=showpage&pid=28)


Integram o CBP
 “todas as organizações populares, democráticas e patrióticas que levantem as bandeiras da unidade latino-americana e caribenha”. Do Brasil essas organizações “democráticas e patrióticas”, que são:

Federação Única de Petroleiros - CUT,
 
Partido Comunista do Brasil (PCdoB) 
Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (CEBRAPAZ), 
Federação das Associações de Favelas do Estado do Rio de Janeiro (FAFERJ)
Círculos Bolivarianos Leonel Brizola 
Federação Democrática Internacional de Mulheres
 

O I Congresso do Congresso Bolivariano dos Povos foi realizado em 15/27 de novembro de 2003, em Caracas, inaugurado por Hugo Chávez. Na Declaração Final desse Congresso são listados, resumidamente, os seguintes objetivos do CBP que, na realidade, constituem o programa de ação do CBP:

- Apoiar as lutas dos povos latino-americanos e caribenhos contra o modelo neoliberal;

- Fomentar a unidade bolivariana em nível regional e continental, desenvolvendo uma formação cidadã que incorpore uma consciência crítica social, uma memória histórica e uma identidade cultural;

- Substituir o modelo de democracia representativa por uma democracia participativa e protagônica que possibilite a participação e intervenção das pessoas, movimentos sociais e forças políticas na tomada de decisões (vide Decreto 8243...);

- Constituir uma alternativa à integração neoliberal, que priorize o livre comércio e os investimentos;

- Buscar uma maior inserção dos movimentos sociais em outros processos de integração que se desenvolvem na região, como o MERCOSUL, Comunidade Andina e outros;

-Priorizar a formulação de políticas públicas, reformas políticas e programas de desenvolvimento das expectativas, direitos e propostas dos amplos setores camponeses, indígenas, mulheres, jovens, afro-descendentes e nativos, que com suas lutas atuais constituem setores sociais e políticos determinantes nas mudanças e transformações sociais;

- Desenvolver um parlamentarismo bolivariano que contribua na construção de uma alternativa bolivariana de integração entre os povos;

- Luta pela desmilitarização, o desmantelamento das bases militares norte-americanas, e pela oposição aos exercícios militares coordenados pelo Comando Sul;

- Desenvolver uma solidariedade efetiva entre os povos de Nossa América, em particular contra o bloqueio a Cuba, contra a agressão militar na Colômbia e as manobras antidemocráticas contra a revolução bolivariana da Venezuela. Exigir a liberdade dos cinco patriotas cubanos prisioneiros nos EUA;

- Saudar as lutas do povo salvadorenho contra o modelo neoliberal, particularmente a solidariedade à Frente Farabundo Martí de Libertação (FMLN) na luta político-social pelas mudança;

- Saudar a mobilização do povo mexicano em defesa da indústria energética ameaçada, pela privatização, de ser entregue ao capital internacional;

- Dar solidariedade ao povo uruguaio e à Frente Ampla por seu triunfo no referendo contra a privatização da empresa petrolífera;

- Combater o colonialismo em todas as suas formas e manifestações; a descolonização de Porto Rico e a soberania argentina sobre as ilhas Malvinas;

- Apoiar a demanda da recuperação de saída ao mar pela Bolívia;

- Saudar o 200º aniversário de independência do Haiti;

- Saudar o aniversário da revolução cubana:

Em dezembro de 2004 foi realizado o II Congresso Bolivariano dos Povos, novamente em Caracas. Esse Congresso reafirmou a decisão de lutar unidos pela definitiva independência dos povos latino-americanos e caribenhos, bem como as decisões do I Congresso. Além disso, a Resolução Final decidiu:

- Trabalhar para converter o Congresso Bolivariano dos Povos num movimento internacional que aglutine as forças políticas e sociais da América Latina e Caribe, impulsione sua unidade e articule suas lutas em função da autodeterminação e bem-estar de todos, tendo sempre como referência o pensamento emancipador de Simon Bolívar;

- Apoiamos a construção da Comunidade Sul-Americana de Nações;

- Acordamos criar um Secretariado Político permanente, com sede inicial em Caracas, donde estejam representadas, em forma rotativa, as distintas forças políticas e sociais que integram o CBP .

Integram o Congresso Bolivariano dos Povos, organizações políticas e movimentos ditos sociais dos seguintes países: Argentina, Bolívia
 Brasil,Chile, Colômbia, Cuba, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Porto Rico, Republica Dominicana, Uruguai e Venezuela.

Representantes de organizações políticas, sindicais e movimentos, dito sociais, do Brasil, que participaram do II Congresso Bolivariano dos Povos:

Federação Única de Petroleiros
 - CUT, João Antonio Moraes 
Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (CEBRAPAZ), José Reinaldo Carvalho 
Federação das Associações de Favelas do Estado do Rio de Janeiro (FAFERJ) e Círculos Bolivarianos Leonel Brizola, Aurélio Fernandes 
Federação Democrática Internacional de Mulheres, Marcia Cardoso Campos.
 
27 de agosto de 2014
Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

GLAUBER ROCHA - O SANTO GUERREIRO

Reveja a antológica “reportagem cinematográfica” de Glauber Rocha: “Maranhão 66 – a Posse do Governador José Sarney”. Também antológica captação de som de Eduardo Escorel, em um filme do velho Barretão...

https://www.youtube.com/watch?v=cWPrjBHbqOY&feature=player_embedded
Glauber Rocha morreu exatamente no dia em que escrevo este artigo: 22 de agosto de 1981. A essa hora eu estava na casa de saúde ali na Rua Bambina com amigos, junto à sua cama, como em volta de um barco que ia partir. Glauber estava intubado, agonizante, de olhos fechados.

De repente, ele se ergueu. Quase sentou, abriu os olhos e olhou em volta. Achamos que era um milagre. Barretão segurou sua mão e falou animado: “Glauber, estamos aqui, pode acordar!”. Aí, ele deitou de novo e morreu.

O médico explicou que aquilo era uma espécie de falsa “visita da saúde”, uma complicação respiratória que provocava uma súbita aparência de ressurreição. E Glauber partiu assim, como quem toma “um trem em direção às estrelas,” como escreveu Artaud num texto genial sobre Van Gogh.

Muita gente fala: “Porra, vocês do Cinema Novo ficam só falando em Glauber, Glauber! Afinal de contas, qual é a importância desse cara? Vocês estão exagerando”. Não. A importância de Glauber não foi apenas no cinema, com quatro obras-primas: “Deus e o diabo na terra do sol”, “Terra em transe” e o “Dragão da maldade contra o santo guerreiro”, além do curta-metragem sobre o enterro de Di Cavalcanti, que ganhou a Palma de Ouro de Cannes.

Parece mentira, mas Buñuel falou para mim, junto de Fritz Lang em Veneza, 1967, quando passou o “Belle de Jour”. Estávamos na mesa eu, Glauber e os dois gênios, tomando aquavit, sei lá o quê. Glauber se levantou para pedir uma “birra analcólica”, e Buñuel me disse: “‘Deus e o diabo’ é belo e importante na história do cinema”. Fritz Lang concordou.

Aí, ele fez “Terra em transe”, e a esquerda odiou. Adiante, eu conto sobre esse filme. Depois, quando fez o “Dragão da maldade,” ganhou a Palma de Ouro de melhor direção, e o Visconti deu uma festa para ele em Positano. Glauber estava com tudo em cima e foi convidado para filmar nos EUA, mas inventou um jeito de escrachar os produtores americanos, a quem ele jamais se submeteria.

Voltou para a Europa e fez dois filmes, “Cabeças cortadas” e “O leão de sete cabeças”. Aí, a crítica europeia, que o idealizava, caiu de pau em cima dele: “Ahh... o Glauber já era, seus últimos filmes não têm lógica etc...”.
Nunca tinha visto Glauber sofrer tanto. Ele engoliu o choro, mas a partir daí foi piorando da cabeça.

Glauber foi perdendo contato com a realidade, ou melhor, intuiu que talvez não houvesse mais lugar para seus sonhos intergaláticos de filmar a verdade do mundo. Seu narcisismo “do bem” não aguentou. Hoje, Glauber estaria louco de vez, loucura que já se manifestava em “A idade da Terra”, que é um filme de um homem doente.

Alguns classificam Glauber como um “maluco beleza”, dadas as ousadias e contradições que ele assumia em sua arte/vida, que para ele eram a mesma coisa. Eu dei uma entrevista para um documentário que tendia a tratá-lo como um curioso caso de “piração genial”, quando ele na realidade estava perdendo a saúde física e mental. Eu falei sobre isso, e o cara do documentário tirou minha fala porque ela atrapalhava o sentido que ele queria dar ao filme: Glauber, maluco beleza. Fiquei puto. Tudo bem. Mas eu falava sobre sua importância para além do cinema.

No filme “Terra em transe”, que é uma obra ainda mais esclarecedora para os outros cineastas e para os intelectuais, ele realizou a primeira análise profunda e profética para o pensamento da esquerda oficial. Trata-se da cena em que (para quem viu o filme) uma escolinha de samba dança em volta de um demagogo populista (o genial Modesto de Souza), e o herói revolucionário do filme (Jardel Filho) agarra um sindicalista burro que falava sobre o Brasil, dizendo bobagens, tapa-lhe a boca e olhando para a plateia, diz: “Este é o líder sindical Jerônimo; já imaginaram Jerônimo no poder?”. Não deu outra. Estamos vendo o resultado.

Essa mesma cena, para além da crítica aos dogmas da “luta de classes e motores da História”, abriu um pensamento que deu no tropicalismo, no teatro de Zé Celso (“Rei da vela” e “Roda viva”) e para a obra-prima de Rogerio Sganzerla, “O Bandido da Luz Vermelha”, que é uma derivação apocalíptica e “godardiana” de “Terra em transe” e que inaugurou nosso cinema contemporâneo. Glauber e (justiça feita) Paulo Francis em seu artigo célebre “Tempos de Goulart” iniciaram a revisão das certezas da esquerda “soviética” e introduziram a dúvida em nossa reflexão política.

Glauber teorizou “Estética da fome”, mas nunca utilizou a miséria como lamentação oportunista. Ele viu a dinâmica do atraso do país, mostrou como a miséria e a loucura andam juntas, mostrou que, apesar da sordidez política, havia e há uma estranha mutação promissora que se tece sozinha por baixo da terra brasileira. Nunca perdeu tempo com filmes que tinham o bem de um lado e o mal do outro, filmes para provar que a justiça é injusta.

Glauber sempre pensou em alternativas para a estupidez tradicional de dividir a vida em burguesia e proletariado. Ele falava num general que considerava “progressista”, que era o Euler Bentes Monteiro, e também no Geisel, que falava em “abertura gradual”. Ele tinha esperança ingênua de que algum deles pudesse se “conscientizar” e melhorasse o país, porque o beco sem saída da luta armada e da incompetência ideológica não daria em nada.

Aí, sempre nessa esperança, ele elogiou o superministro general Golbery, que era intelectual e “poderia” entendê-lo.

Por causa disso, inclusive para se vingarem de “Terra em transe,” ele passou a ser o alvo demonizado pelos imbecis e canalhas que viviam às custas do impossível, que se enobreciam na condição de “vítimas de ditadura”, que até hoje é um galardão, um estandarte para vagabundos. Mas isso já passou. 

Os mais jovens não lembram nem sabem, mas Glauber foi um dos primeiros nomes de uma nova esquerda no país. Glauber nos ajudou a compor um pensamento moderno. Há uma charada no ar que ele nos deixou.

27 de agosto de 2014Arnaldo Jabor é Cineasta e Jornalista.Originalmente publicado em O Globo e no Estadão em 28 de agosto de 2014.

SEGURO E OBJETIVO, AÉCIO DOMINA DEBATE E ARRANCA PARA O SEGUNDO TURNO


Quem assistiu ao debate da Band viu um só candidato com todas as credenciais para ocupar a presidência do país: Aécio Neves. Preciso, com respostas objetivas e papo reto, o tucano venceu o embate com as rivais Marina Silva, com o seu projeto sonhático e nenhum programa compreensível, assim como uma confusa Dilma Rousseff, enfileirando números, misturando programas e não respondendo nenhum pergunta. Quem esperava e desejava um Aécio agressivo e indo para o ataque, viu uma Dilma e uma Marina com esta postura enquanto o tucano bateu duro, mas com elegância e assertividade, em todos os momentos. 
 
Em conversa com a imprensa no Rio, antes do debate, Aécio Neves  falou sobre o crescimento de Marina Silva (PSB) nas pesquisas antes da divulgação dos números do Ibope, que mostraram a ex-senadora 10 pontos percentuais acima dele. A entrevista, no comitê carioca do Leblon, na zona sul do Rio, foi sua única atividade externa do dia. O tucano tem apostado na campanha na cidade nos últimos dias: desde a sexta-feira ele vem realizando atividades na capital fluminense, intercaladas com viagens.
 
O candidato do PSDB disse que está confiante de que irá ao 2º turno. "É preciso mudar e apontar em que direção queremos esta mudança. Tenho absoluta convicção de que, quanto mais claras ficarem as propostas, mais claro ficará que a nossa é aquela que poderá levar o Brasil para o resgate de sua credibilidade, impacta nos investimentos, na recuperação dos empregos." 
 
"Vou dizer com absoluta sinceridade: cada vez acredito mais na nossa vitória", disse o tucano, que um dia antes (25) havia comparado a candidatura de Marina a uma "onda". "Houve uma reviravolta no quadro eleitoral, ao menos circunstancialmente. Politica e eleições funcionam muitas vezes como o mar, as ondas vêm", disse. Ele acha que na segunda semana de setembro o quadro eleitoral estará mais próximo do "real".

Alguns momentos:
O candidato à Presidência da República pela Coligação Muda Brasil, Aécio Neves, foi o único a apresentar propostas concretas para realizar as mudanças desejadas pela população brasileira durante debate na Rede Bandeirantes, que reuniu sete candidatos ao Palácio do Planalto, na noite desta terça-feira (26/08). Ao se dirigir aos eleitores durante as considerações finais, Aécio anunciou que o ministro da Fazenda de seu governo será o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, numa demonstração clara de que garantirá previsibilidade e segurança na condução da política econômica.
 
Em aproximadamente três horas de debate, Aécio detalhou suas propostas para áreas de segurança pública, mercado de trabalho, jovens carentes, reforma política, energia e mobilidade urbana.  Além disso, mostrou que é o candidato com propostas mais firmes para fortalecer a saúde, a educação e o emprego. Aécio também reiterou que vai adotar uma política econômica para enfrentar a inflação em alta e o baixo crescimento do país.
 
“O Brasil não comporta novas aventuras, improvisos. Ofereço o caminho da segurança, da responsabilidade fiscal. Se eleito presidente da República, se merecer a sua confiança, [quero] dizer de forma clara aquilo que pretendo fazer: nomearei como ministro da Fazenda um dos economistas mais respeitados do mundo, o ex-presidente do Banco Central, um dos formuladores do tripé macroeconômico, Armínio Fraga”, anunciou Aécio. 
 
Críticas 
 
O candidato criticou a maneira como a presidente Dilma Rousseff, candidata do PT à reeleição, conduziu o Brasil nos últimos quatro anos e alertou para incoerências e contradições da candidata do PSB, Marina Silva. Ao ser questionado sobre o que fará em segurança pública, Aécio voltou a defender que é preciso adotar uma política nacional para combater a criminalidade, unificar as ações das polícias civil e militar, reformar os códigos penal e processual penal e não bloquear o repasse de recursos para a área, além de realizar parcerias com os Estados.
 
“É preciso uma articulação definitiva do poder central com os Estados. Todos sabemos que o tráfico de drogas e o tráfico de armas não são responsabilidade dos Estados. É responsabilidade da União. E as nossas fronteiras infelizmente não vêm tendo a segurança e os investimentos prometidos há quatro anos. Uma Política Nacional de Segurança Pública coordenada pelo governo federal é essencial para diminuirmos a insegurança no Brasil”, afirmou .
 
Exemplos  
 
Aécio afirmou que fará no Brasil o que já realizou durante seus dois mandatos à frente do governo de Minas Gerais. A taxa de homicídios, entre 2003 e 2010 no Estado, teve redução de 18%. Em 2010, chegou a 14,7 homicídios por grupo de 100 mil habitantes, uma das mais baixas do país. Já a taxa de homicídios do Brasil ficou 1,8% maior nesse mesmo período. Com Aécio Neves no governo, Minas foi o Estado que mais investiu em segurança no Brasil: foram 13,4% dos gastos totais do Estado.
 
Ao ser questionado pela candidata do PT, a atual presidente, Dilma Rousseff, sobre qual sua política para o mercado de trabalho, Aécio criticou o governo petista dizendo que a atual administração não tem proposta para melhorar o futuro dos brasileiros, tampouco capacidade de gerar emprego e confiança dos investidores. “Estamos preparados para fazer o Brasil voltar a crescer e gerar empregos cada vez de melhor qualidade”, disse.
 
Eficiência 
 
Além de propor ações para retomar a geração sustentável e crescente de emprego, Aécio prometeu conter a disparada da inflação, lembrando que o poder de compra da população nas feiras livres, por exemplo, foi corroído nos últimos seis meses. Para demonstrar a maior capacidade de administrar o Brasil, o candidato aproveitou para lembrar suas experiências como governador de Minas Gerais, estado que se tornou referência internacional ao implantar a avaliação de desempenho de 100% dos servidores públicos.
 
“Quando assumi o Governo de Minas, reduzi 1/3 das secretarias e enxuguei os cargos comissionados. Elegemos a educação como prioridade. Chegamos ao final do mandato como a melhor educação do Brasil”, afirmou Aécio. “Falta no Brasil eficiência na gestão pública, que foi entregue a um punhado de partidos”, acrescentou.
 
Como exemplo na área educacional, Aécio reiterou o compromisso de levar para todo o Brasil o programa Poupança Jovem, alternativa para estudantes que precisam de financiamento para manter seus estudos. “Não é uma política de assistencialismo. Dá alternativa ao jovem, que pode ter como concorrente o tráfico e o crime”, afirmou.
 
Reforma política e fortalecimento da Petrobras 
 
Aécio defendeu ainda uma reforma política com adoção do voto distrital misto e fim da reeleição, com mandato de cinco anos para todos os cargos eletivos. Ele reforçou, no entanto, que essa não é posição consensual dentro do PSDB.
 
O candidato também sublinhou o compromisso de fortalecer a Petrobras e lançou um desafio à presidente ao perguntar se ela se desculparia junto ao povo brasileiro pela gestão irresponsável na estatal. “É realmente uma leviandade a forma que a Petrobras vem sendo administrada. É a Polícia Federal que diz que há uma organização criminosa lá. Um colega seu de diretoria está preso hoje. As denúncias que aí estão são extremamente graves e a senhora não pode se esquivar de respondê-las”, afirmou.
 
Aécio Neves fez uma defesa em favor da democracia representativa e do fortalecimento das instituições brasileiras. “A democracia pressupõe instituições sólidas. Participação popular é essencial, mas a formatação que busca trazer o PT é algo que já de início avilta o poder soberano que é eleito pela sociedade brasileira”, afirmou Aécio. 

PT QUER QUEIMAR DILMA E TRAZER LULA


 
O resultado da pesquisa Ibope e de levantamentos informais, que mostraram queda nas intenções de voto de Dilma Rousseff (PT) e uma possível derrota no segundo turno para Marina Silva (PSB), acenderam o sinal amarelo na cúpula da campanha dilmista. Pela primeira vez, o governo fala em risco de derrota na eleição presidencial deste ano, o que até a entrada de Marina na disputa era visto como improvável. 
 
Segundo um interlocutor da presidente Dilma, a campanha está alerta porque a expectativa inicial era que apenas Aécio Neves (PSDB) caísse, mas os levantamentos indicaram que a petista também perdeu votos. Dilma oscilou no Ibope de 38% para 34%. Aécio, de 23% para 19%. Marina teve 29%.Agora, petistas avaliam a melhor estratégia para desconstruir a imagem de Marina, visando principalmente a disputa de um segundo turno com a candidata do PSB. No Ibope, Marina vence a petista na reta final, com 45% contra 36%. 
 
Integrantes da cúpula petista, ministros e secretários executivos foram convocados para uma reunião nesta terça-feira (26) à noite no comitê petista para discutir os rumos da campanha. A queda das intenções de voto de Dilma e a subida de Marina levaram lulistas a defender, nos últimos dias, mais uma vez, a troca de candidatura no PT, hipótese rechaçada pelo ex-presidente Lula. Defensores do movimento "volta, Lula" dizem que a opção pelo ex-presidente teria sido mais "segura", diante do novo cenário eleitoral. Admitem, porém, que a esta altura dificilmente o petista toparia o desafio.
 
O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) minimizou o crescimento de Marina."Qualquer pesquisa nesse momento tem que ser tomada como uma coisa muito provisória. Não é por causa desses números, mas eu já tenho dito há alguns dias que lá pelos dias 7 a 10 de setembro nós teremos uma fotografia mais aproximada do embate eleitoral. Porque nós estamos sob a influência, o lançamento da novidade e da exposição enorme que a Marina teve", disse.
 
(Folha)

MAS AFINAL, QUEM É QUE ESCAPA DA FOGUEIRA DA INSANIDADE POLÍTICA?!

JN estoura o caixa dois da campanha de Marina Silva. Laranjas, fraude, provas e mais provas de escandaloso crime eleitoral no aluguel do jatinho que matou Campos.

 
O Jornal Nacional obteve, com exclusividade, documentos importantes da operação de compra e venda do jato Cessna, que era usado pelo candidato do PSB à presidência, Eduardo Campos. O dinheiro que teria sido usado para pagar o avião em que morreu o candidato Eduardo Campos passa por escritórios em Brasília e São Paulo, e por uma peixaria fantasma em uma favela do Recife. 
 
“Rapaz, eu estou até desnorteado. Como é que eu tenho uma empresa uma empresa sem eu saber?”, questiona um homem.
 
O Jornal Nacional teve acesso com exclusividade aos extratos da conta AF Andrade – empresa que, para a Anac, é a dona da aeronave. Mas a AF Andrade afirma que já tinha repassado a aeronave para outro empresário, que emprestou para a campanha de Campos.
 
Os extratos que já foram entregues à Polícia Federal mostram o recebimento de 16 transferências, de seis empresas ou pessoas diferentes. Num total de R$ 1.710.297,03. Nos extratos aparecem os números do CPF das pessoas físicas ou do CNPJ, das empresas que transferiram dinheiro para a AF Andrade. Com esses números foi possível chegar aos donos das contas. 
 
A empresa que fez a menor das transferências, de R$ 12.500, foi a Geovane Pescados. No endereço que consta no registro da peixaria encontramos Geovane, não a peixaria. “Acha que se eu tivesse uma empresa de pescado eu vivia numa situação dessa?”, diz Geovane. 
 
Outra empresa, a RM Construções, fez 11 transferências, em duas datas diferentes. Cinco no dia 1º de julho e mais seis no dia 30 de julho, somando R$ 290 mil. O endereço da RM é uma casa no bairro de Imbiribeira em Recife. Mas a empresa de Carlos Roberto Macedo não funciona mais lá. “Tinha um escritório. Às vezes, guardava o material o outro”, conta ele. 
 
Tentamos falar por telefone com Carlos, mas ele pareceu não acreditar quando explicamos o motivo da minha ligação.
 
Repórter: Você andou depositando dinheiro para comprar de um avião?

Carlos: Tem certeza disso?
 
Já um depósito de quase R$ 160 mil saiu da conta da Câmara & Vasconcelos, empresa que tem como endereço uma sala vazia em um prédio e uma casa abandonada. Os dois lugares em Nazaré da Mata, distante 60 quilômetros do Recife. A maior transferência feita para a AF Andrade foi de R$ 727 mil, no dia 15 de maio, pela Leite Imobiliária, de Eduardo Freire Bezerra Leite. E completam a lista de transferências João Carlos Pessoa de Mello Filho, com R$ 195 mil, e Luiz Piauhylino de Mello Monteiro Filho, advogado com escritórios em Brasília, Recife e São Paulo, com uma transferência de R$ 325 mil.
Luiz Piauhylino de Mello Monteiro Filho disse que realizou, em junho, uma transferência bancária de R$ 325 mil e que esse valor é referente a um empréstimo firmado com o empresário João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho.
O empresário João Carlos Lyra declarou que, para honrar compromissos com a empresa AF Andrade, fez vários empréstimos, com o objetivo de pagar parcelas atrasadas do financiamento do Cessna. A Leite Imobiliária confirmou que transferiu quase R$ 730 mil para a AF Andrade  como um empréstimo a João Carlos Lyra. 
Já o PSB declarou, nesta terça-feira (26), que o uso do avião foi autorizado pelos empresários João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho e Apolo Santana Vieira. E que o recibo eleitoral, com a contabilidade do uso do Cessna, seria emitido ao fim da campanha de Eduardo Campos. 
O PSB afirmou que o acidente, em que morreram assessores do candidato, criou dificuldades para o levantamento de todas informações.
 
27 de agosto de 2014
in coroneLeaks

DEMOCRACIA x OLIGARQUIA

 

Initiative 1Já lhes contei, neste espaço, alguns aspectos do que os suíços chamam democracia direta.
 
Na Confederação Helvética ― nome oficial do país ―, qualquer cidadão tem o direito de lançar o que no Brasil se chama PEC (Projeto de Emenda Constitucional). É direito inalienável, para usar expressão da moda.
Na prática, a coisa se complica um pouco porque regras rigorosas têm de ser seguidas, sob pena de invalidar o processo.
 
Dado que um simples cidadão dificilmente disporia dos meios imprescindíveis para levar adiante o empreendimento, o mais das vezes as diligências ficam a cargo de um coletivo de cidadãos ou de um partido político.
 
A base do sistema é a iniciativa popular. Um grupo de pessoas ― ou um partido ― faz saber às autoridades que deseja que o povo seja consultado sobre a instauração de nova lei ou sobre a modificação de texto existente. A proposição é então analisada por juristas constitucionalistas e, caso não entre em colisão com a Constituição do país, a colheita de assinaturas será autorizada.
 
A partir desse momento, será concedido ao grupo organizador um certo número de meses para angariar um determinado número de assinaturas. Ao final, uma cerimônia é geralmente organizada. Ocorre em Berna, em frente ao Palácio Federal. Caixas de papelão contendo as folhas com nome, endereço e assinatura dos apoiadores são entregues a quem de direito.
 
Essa papelada vai ser checada minuciosamente por especialistas. Se as exigências tiverem sido cumpridas (quantidade de assinaturas válidas coletadas dentro do prazo determinado), um voto popular terá de ser organizado.
 
Initiative 2
 
O povo ― na Suíça chamado de «o soberano» ― votará. Se o resultado do voto popular for favorável, o projeto de emenda será oficializado. Entrará para a Constituição, seja como modificação de artigo existente ou como novo artigo. É processo demorado. Entre o registro da ideia junto às autoridades até a promulgação da nova lei, há que contar dois ou três anos.
 
No Brasil, após a imposição do Decreto n° 8243, o assunto da participação popular esporádica entrou na pauta das reflexões políticas. O modelo injungido aos brasileiros pelo ucasse presidencial está a léguas de distância da visão que se tem, na Suíça, de democracia direta. Na Confederação Helvética, todos os cidadãos são convidados a dar sua opinião através do voto.
 
Já o decreto de dona Dilma ― considerado anticonstitucional por muitos ― delega decisões importantes a um punhado de grandes eleitores capitaneados por uma pessoa só: o secretário-geral da presidência da República, homem «de confiança» do chefe do Executivo.
 
Αυτή δεν είναι η άμεση δημοκρατία. Αυτό είναι άμεση ολιγαρχία.
Isso não é democracia direta. É oligarquia direta.
 
27 de agosto de 2014
José Horta Manzano

PESQUISA IBOPE

Confirmado: Marina abre 10 pontos sobre Aécio e venceria Dilma no 2º turno   


 
 
Como substituta de Eduardo Campos na candidatura a presidente pelo PSB, Marina Silva chegou a 29%, segundo nova pesquisa Ibope encomendada pelo Estado e pela Rede Globo. A ex-ministra se isolou na segunda colocação e ficou a cinco pontos porcentuais atrás da presidente Dilma Rousseff (PT), que ainda lidera sozinha, com 34%. Aécio Neves (PSDB) está com 19%, em terceiro lugar. Em um segundo turno, se a eleição fosse hoje, Marina seria a vencedora.
 
A margem de erro máxima da pesquisa é de 2 pontos porcentuais, para mais ou para menos. Não há empate técnico no primeiro turno, porque Marina poderia ter no máximo 31% e Dilma, no mínimo 32%. Nem Aécio poderia estar em segundo lugar, porque chegaria no limite da margem a 21%, enquanto Marina teria ao menos 27%.
 
O Pastor Everaldo (PSC) marcou 1% das intenções de voto estimuladas, o mesmo porcentual de Luciana Genro (PSOL). Os outros candidatos não chegaram individualmente a 1%, mas juntos somam 1%. Há ainda 7% de eleitores que pretendem anular ou votar em branco, e outros 8% que estão indecisos. A soma dos adversários de Dilma dá 51%, 17 pontos a mais do que os 34% da presidente.
SEGUNDO TURNO
 
Na simulação de segundo turno, Marina seria eleita com 45%, contra 36% da petista. Há, porém, ainda 11% de indecisos e outros 9% que anulariam. Contra Aécio, Dilma ainda seria reeleita: 41% a 35%. Nesse cenário, há mais indecisos e eleitores que anulariam: 12% em cada grupo.
 
Embora o cenário de primeiro turno testado pelo Ibope seja diferente do da pesquisa anterior – pois aquela ainda media as intenções de voto em Eduardo Campos (PSB) -, percebe-se que Marina, ao entrar na disputa, tirou eleitores de tudo e de todos: Dilma e Aécio perderam 4 pontos cada um; os nanicos perderam 3 pontos; a taxa dos que anulariam ou votariam em branco está 6 pontos menor; e há 3 pontos a menos de indecisos.
 
Na pesquisa espontânea – pergunta-se a intenção de voto do eleitor sem mostrar para ele a cartela circular com os nomes dos candidatos -, Dilma segue na liderança, com 27%. Marina chega a 18%, e Aécio tem 12%. O número de eleitores indecisos na espontânea despencou de 43% para 28%, em relação à pesquisa anterior do Ibope, de 6 de agosto.
 
Dos três primeiros colocados, Marina tem a menor rejeição. Apenas 10% dizem que não votariam nela de jeito nenhum, contra 36% que não votariam em Dilma, e 18% que rejeitam Aécio. Destacam-se ainda a rejeição ao Pastor Everaldo (14%) e a Zé Maria (PSTU), que tem 11%. Os demais candidatos têm menos de 10% de rejeição.
 
27 de agosto de 2014
José Roberto de Toledo e Daniel Bramatti
Estadão

AH! SE HOUVESSE DEBATE TODO DIA... APESAR DO PÚBLICO NOVELEIRO.

Se houvesse debate todo dia, Aécio Neves e Marina Silva passariam para o segundo turno facilmente



O debate dos presidenciáveis na Band, que o jornalista Ricardo Boechat conduziu com a categoria de sempre, foi muito importante para quem está indeciso, sem saber em que votar. Sete candidatos à Presidência da República participaram.
Além da presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT), o confronto contou também com a presença de Marina Silva (PSB), Aécio Neves (PSDB) Pastor Everaldo (PSC), Luciana Genro (PSOL), Eduardo Jorge (PV) e Levy Fidelix (PRTB).

No primeiro bloco, todos os candidatos responderam à mesma pergunta. O debate só esquentou a partir do segundo bloco, quando os participantes fizeram perguntas entre si, com livre escolha. É claro que Dilma Rousseff, Aécio Neves e Marina Silva tinham de ser os mais assediados.
E nesse entrechoque de opiniões, com direito a réplica e tréplica, Dilma Rousseff somente se saiu bem ao fazer suas duas perguntas, porque as trouxera escritas… Quando teve que falar de improviso, era aquela tragédia. Muito nervosa, acabava se atrapalhando.

Correndo atrás do prejuízo nas pesquisas, Aécio Neves estava seguro e agressivo. Fez sua primeira pergunta a Marina Silva e não a poupou, batendo pesado na crítica às posturas da adversária, que ficou nervosa e se atrapalhou um pouco. Esse segundo bloco foi dominado por Aécio, o único que conseguiu conciliar agressividade e humor.

Detalhe importante: Levy Fidelix, Luciana  Genro, Pastor Everaldo e Eduardo Jorge estavam bem no debate e como participavam sempre vergastando o governo do PT, deixavam Dilma Rousseff em dificuldades.
E a candidata do PT saía-se mal nas respostas, sempre atrapalhadas, no seu estilo personalíssimo. Saiu-se muito mal, por exemplo, quando perguntada pelo Pastor Everaldo Fidelix sobre o financiamento ao moderníssimo porto de Mariel em Cuba, enquanto os portos do Brasil estão obsoletos.

AÉCIO E DILMA

No terceiro bloco, houve perguntas de jornalistas da Band, com réplica e tréplica dos candidatos, e Marina Silva se saiu um pouco melhor, mas Aécio Neves continua tendo a melhor atuação, mostrando estar realmente preparado para a candidatura.  E citava sua experiência no governo de Minas.
Num confronto com Dilma, ela tentou ironizar a situação dos professores do Vale do Jequitinhonha, e Aécio deu-lhe um baile. Foi patético.
Pressionado por Eduardo Jorge, de quem é amigo pessoal, Aécio saiu-se bem respondendo porque é contra o aborto.

O quarto bloco foi semelhante ao segundo, com os candidatos fazendo perguntas entre si. Aécio Neves deixou a educação em casa e bateu pesado em Dilma, exigindo que ela pedisse desculpas ao povo pela situação em que está a Petrobras, porque a empresa passou a frequentar mais as páginas policiais do que as páginas econômicas dos jornais.
Ela respondeu que as acusações contra a Petrobras eram uma leviandade, fez um pronunciamento tentando passar um quadro otimista da estatal, citando números que levara numa pasta, mas na réplica Aécio voltou a vergastá-la, exigindo novamente que ela pedisse desculpas.

Marina Silva também se saiu bem neste bloco, em diálogos com o candidato verde Eduardo Jorge sobre reforma política e reforma tributária. Em suas participações, ela fazia questão de se livrar de qualquer radicalismo contra bancos, empresários e produtores rurais, enquanto Luciana Genro e Levy Fidelix aproveitavam para bater para valer nos bancos. firmando posição.
Marina deu show ao responder por que o Brasil não precisa de “gerentona”, mas de um presidente que conheça “estratégia política”. Só ficou mal no caso da independência do Banco Central e suas ligações com Neca Setubal e Guilherme Leal.

MAIS MÉDICOS

No quinto bloco, os jornalistas voltaram a fazer perguntas. E Dilma foi indagada sobre o programa Mais Médicos. Deu as explicações de sempre e repetiu uma afirmação estarrecedora, dizendo que graças ao Mais Médicos “50 milhões de brasileiros passaram a ter assistência médica”.
Ora, 50 milhões representam um quarto da população brasileira, e o programa Mais Médicos tem menos de 15 mil médicos. Como poderiam estar cuidando de 50 milhões de pacientes? É um número alucinado…

Dilma teve de responder sobre os conselhos populares e também sobre a pretendida regulamentação da mídia. Ficou mal ao tentar se explicar, porque no sorteio Aécio estava como comentarista do tema e ele teve condições de bater novamente nela.

Na rodada final, com cada um falando livremente, eles deram seu recado e o destaque foi o Eduardo Jorge, que aproveitou para fazer uma bem sustentada defesa da importância dos Partidos Verdes no Brasil e no mundo. É um grande político, deveria ser candidato ao Congresso, onde faz muita falta.
Traduzindo tudo isso: se a eleição dependesse só dos debates, Aécio e Marina iriam fácil para o segundo turno.

Quanto a Dilma, francamente… A mãe do PAC, o programa das obras inacabadas, da superusina de energia eólica sem linha de transmissão.

27 de agosto de 2014
Carlos Newton

O RESTO É SILÊNCIO...

                                   Eleição sem tesão  


 
Só hoje conheceremos os percentuais de audiência do debate da noite de ontem entre os presidenciáveis, na TV-Bandeirantes. Com certeza as novelas ganharam, como ficou demonstrado segunda-feira no debate entre os candidatos a governador de São Paulo, no SBT. Foram registrados 2.9 % de telespectadores que assistiram o programa, levando a emissora a cair da posição de vice-liderança para a quarta colocação.
 
Caso não sobrevenham inusitados, os debates seguirão o mesmo caminho. Primeiro porque são chatos, depois porque o eleitorado não se ligou na disputa sucessória. Como também pelo mais recente fenômeno político dos tempos atuais, o desprezo dedicado pelo cidadão comum aos seus pseudo representantes que, faz muito, nada representam.
 
Não há tesão pela eleição, como diria Paulo Scaf. Persiste o sentimento de revolta expresso nas ruas pela população, há pouco mais de um ano. Mesmo com o súbito ingresso de Marina Silva na corrida, já ocupando a pole-position, pouca coisa foi modificada. Dilma, Aécio e Marina exprimem, para o eleitor, o mesmo conjunto de promessas amorfas, insossas e inodoras. Até os beneficiados pelo bolsa-familia ou pelo “minha casa, minha vida” dão de ombros para a troca de diatribes entre os pretendentes ao palácio do Planalto.
 
Parece encerrado o ciclo da participação popular no processo de escolha de seus governantes. Há que ser inventada outra forma de seleção dos responsáveis pela condução dos negócios públicos. Não dá para fazer vestibular ou concurso de provas e de títulos entre eles, como também parece impossível, graças a Deus, voltarmos ao tempos em que os alto-comandos militares se reuniam e decidiam sobre quem seria o general-presidente de plantão. O problema é que assim a equação não se resolve mais: campanhas e debates ultrapassaram os limites das atenções gerais. E da paciência nacional.
 
27 de agosto de 2014
Carlos Chagas

O HUMOR DO ALPINO





27 de agosto de 2014

COM A PROPAGANDA ELEITORAL EM MARCHA, PESQUISAS VÃO DEFINIR OS RUMOS

 

 
O tempo da propaganda eleitoral na televisão e no rádio começou, e, logicamente os candidatos vão definir suas estratégias realçando as diferenças entre eles, como destacaram as reportagens de O Globo e Folha de São Paulo, nas edições de quarta-feira 20. No Globo, o texto foi assinado pela repórter Maria Lima. Na Folha de São Paulo, um conjunto de matérias divididas em blocos, sem assinatura. Convergem entretanto para o mesmo tema. Escrevo este artigo na quarta-feira, antes portanto da primeira aparição de Marina Silva como candidata do PSB, tendo como vice o deputado gaúcho Beto Albuquerque, da corrente menos reformista do partido.
Os desempenhos na TV são fundamentais para os avanços das campanhas, razão pela qual as exposições, como sempre, serão acompanhadas pelas pesquisas no sentido de medir seus efeitos na opinião pública, no eleitorado como um todo. Eventuais equívocos e posturas não adequadas serão corrigidos no passar dos dias, uma vez que os três principais candidatos, Dilma Rousseff, Marina Silva e Aécio Neves, também vão se expor em seus horários três vezes por semana, além das inserções diárias de 30 segundos cada uma. São inserções múltiplas, com a presidente da república tendo direito a 36 ou 38 comerciais  por semana ao longo de diversos horários. Aparecem repentinamente nas telas nos momentos mais diversos.
PESQUISAS 
As medições quanto aos efeitos que produzem já podem ser avaliados a partir desta semana, pois o quadro estará completo com a homologação, pelo PSB, de Marina Silva como candidata da legenda que lidera uma coligação de pequenos partidos. Vamos observar, a partir de então, os reflexos mais concretos do confronto, reduzido o impacto da emoção pela trágica morte e pelo sepultamento de Eduardo Campos.
Deve-se levar em conta, inclusive, que os quadros que formam no apoio a Dilma Rousseff e Aécio Neves já se encontram consolidados. Os em torno de marina Silva ainda não totalmente. A indicação do candidato a vice, por exemplo. O deputado Beto Albiquerque conta com o apoio do agronegócio, como afirmou na Folha de São Paulo o repórter Felipe Bachtoldt, edição do dia 20. O agronegócio enfrenta resistência da candidata Marina Silva. Ela terá também que equacionar ou conviver com a candidatura de Márcio França  a vice-governador de São Paulo na chapa de Geraldo Alckmin. Márcio França é o presidente da seção paulista do PSB. Vai ter que equacionar ou superar o apoio do Partido Socialista Brasileiro à candidatura Linbergh Farias que é do PT, ao governo do Estado do Rio de Janeiro. Enfim nada insuperável, mas nem por isso deixa de exigir sensibilidade para as circunstâncias e trabalho para superá-las.
O PASTOR E A PETROBRAS
O pastor Everaldo, que alcança 3% nas pesquisas do Ibope e Datafolha quanto as intenções de voto, foi entrevistado na noite de terça-feira por William Bonner e Patrícia Poeta no Jornal Nacional. Foram quinze minutos de diversão, uma vez que a candidatura do Partido Socialista Cristão só pode ser levada a sério como capaz de assegurar a realização do segundo turno. Três pontos podem ser decisivos sob este aspecto. Fora daí, não tem o menor sentido, a não ser conduzir ao divertimento. Basta dizer que defendeu, se eleito, a privatização da Petrobrás. Quem poderia comprar a estatal? Somente uma empresa internacional, já que Eike Batista está fora de cogitações. Qual seria o preço? O próprio pastor Everaldo não faz ideia.
 
27 de agosto de 2014
Pedro do Coutto

ANTES ERA ABRE-TE SÉSAMO, HOJE É "REMUNERAÇÃO VARIÁVEL". AS PALAVRAS MÁGICAS QUE DÃO ACESSO AO DINHEIRO FÁCIL...

Natal antecipado: Fundo de Pensão do Banco do Brasil dá R$ 500 mil para cada diretor

 
Os participantes da Previ, fundo de previdência dos funcionários do Banco do Brasil, foram surpreendidos com a recente informação de que os membros de sua diretoria se concederam uma participação de, aproximadamente, R$ 500 mil para cada um, a pretexto de “remuneração variável”.

Diante da repercussão negativa do caso, o presidente da Previ, Dan Conrado, encaminhou e-mail explicativo a todos os participantes, explicando: “A mais recente reunião deste Conselho, realizada em 31/07/2014, não discutiu o direito à remuneração variável da Diretoria Executiva, e não fixou o valor desta remuneração, porque são equivalentes aos vigentes no Banco do Brasil, conforme determinam o contrato de cessão de 2005 e a Política de Gestão de Pessoas da PREVI de 2008. O que o Conselho Deliberativo definiu nessa reunião foi o critério pelo qual o pagamento da remuneração variável é acionado. Trata-se da definição de indicadores de gestão ligados à atividade de um fundo de pensão, e cujos valores estavam previstos no orçamento de despesas administrativas.”
 
Informou, ainda, que “a Previ é uma entidade sem fins lucrativos que tem por missão pagar benefícios aos seus associados. Portanto, não cabe falar em bônus, nem em participação nos lucros. Trata-se de remuneração variável”.

E eu que pensava que quem tinha problema com o nome das coisas eram os tucanos…
METAS SECRETÍSSIMAS…

Pois a tal “remuneração variável” retrocedeu a 2011 e atingiu, inclusive, ex-diretores. O conselho diretor, que tinha em sua composição dois sindicalistas petistas, teria anteriormente definido metas e, recentemente, reuniu-se e decidiu que atingiu tais metas, e pronto, teve direito a uma “remuneração variável”.

As metas são secretíssimas, pois não foram reveladas no e-mail de Dan Conrado e não se sabe onde é possível verificá-las, mas é estranho que um fundo de pensão fechado, que por isso mesmo não disputa mercado, encontre alguma dificuldade para mensurar metas.

Deve-se considerar que os diretores da Previ já tem um complemento de renda maravilhoso, com as vagas de conselheiros nas empresas que a Previ tem assento de acionista. Na verdade são prepostos, mas recebem como conselheiros.

OUTROS FUNDOS…

Diante das notícias de que o fundo de pensão Postalis, dos Correios, opera com déficit e teve enorme prejuízo com operação financeira junto ao banco americano NY Mellon, e de que o Petros, da Petrobrás, aparece nos malfeitos do ex-diretor preso Paulo Roberto Costa e de que a Previ achou por bem pagar aposentadorias superiores a R$ 45 mil para a cúpula do BB, o que esperar para o futuro desses e de outros fundos de pensão?

As entidades sindicais e os diretores sindicalistas eleitos da Previ não se manifestaram sobre a questão. Tomaram o troco na eleição de maio/2014, em que foram derrotados, e olha que a notícia ainda nem tinha chegado, mas se quiserem, ainda é tempo de esclarecer.
 
27 de agosto de 2014
Márcio Gomes