"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

REACENDE-SE O ÁLCOOL

Foram dois anos de sucessivas más notícias, mas em 2013 surgiram sinais de que o setor de etanol ensaia uma retomada do seu potencial inegável, mesmo após o solavanco imposto pela crise internacional e por políticas equivocadas.

No ano passado, a produção do setor alcooleiro cresceu 18%. Retornou aos níveis dos picos de 2008 e 2010, acima dos 27 bilhões de litros. Assim, o Brasil reafirma-se como segundo maior produtor mundial. Só perde para os Estados Unidos, com 50 bilhões de litros, registra em relatório a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do governo federal.

Vários foram os fatores que contribuíram para esse impulso de recuperação. A melhor novidade é que o Planalto parece enfim ter despertado para a necessidade de apoiar a área combalida: liberou mais recursos do BNDES, elevou de 20% a 25% a mistura de álcool anidro na gasolina e desonerou o etanol das contribuições PIS e Cofins.

Foram favoráveis, ainda, o aumento de 7,7% na produtividade e o baixo preço internacional do açúcar, que estimulou a destinação de parcela maior da cana colhida para a fabricação de álcool.

Retomou-se, finalmente, a reforma dos canaviais, abandonada nos últimos anos. Parece ter sido decisivo para isso o Programa de Apoio à Renovação e Implantação de Novos Canaviais, que atendeu demanda de R$ 2,65 bilhões em 2013, quase o dobro de 2012.

Com a produção maior e mais estável de etanol e um recuo na importação de gasolina, o preço do biocombustível de cana recuou para 68% do da gasolina, na média de 2013. Tornou-se, assim, de novo atrativo para o consumidor, que reagiu: a participação do etanol avançou de 33% para 38% do consumo total para veículos leves.

Tal resposta rápida só é possível porque a base de automóveis flex continua a expandir-se no país. Estes já representam 88,5% das unidades novas e 59% da frota nacional de 35 milhões de veículos leves.

Seria imprudente, porém, concluir que tudo vai bem com o etanol. Por ora, a recomposição dos canaviais e o aproveitamento da capacidade ociosa permitem suprir o incremento na demanda, mas logo se apresentarão as limitações geradas pelo desinvestimento. Havia 440 usinas operando em 2010; em 2013, esse número caíra para 388.

O maior desafio ainda se encontra à frente do setor: organizar-se, internacionalizar-se e capitalizar-se o suficiente para voltar a construir usinas. A maior ajuda que o governo poderia dar seria reverter a política que mantém artificialmente baixos os preços da gasolina.
 
23 de junho de 2014
Editorial Folha de SP

O COTIDIANO POLÍTICO


23 de junho de 2014
Jornalista Claudio Humberto

QUEM É TROUXA LEVANTE A MÃO!




A eleição deste ano já é diferente: nem precisou começar a campanha para ter a certeza de que estão nos fazendo de trouxa. Não dá para saber se somos nós que amadurecemos e ficamos mais céticos ou se é a cara de pau que se emprega com maior desfaçatez e pressa.

Enquanto Uruguai x Costa Rica não começava, deu tempo de assistir à convenção do PT de Minas Gerais e aliados pela TV Assembleia. O encontro sacramentou a candidatura de Fernando Pimentel ao governo. Perante a claque numerosa, o ex-prefeito desancou a administração do Estado dos últimos 12 anos.

Disse que, enquanto o país crescia e se desenvolvia durante a gestão petista no Planalto, Minas, governada pelo PSDB, perdia o bonde. Ele acusou os últimos governadores de, por exemplo, não terem conseguido diversificar a economia mineira, ainda dependente de café e minério de ferro.

Mas as propagandas do governo de Minas não são tão positivas? Não nos vendem a impressão de vivermos numa espécie de Suíça tropical? Nossos alunos não são os que se alfabetizam mais cedo e com mais facilidade? Não são campeões da matemática? O candidato do PT diz que não: bastaria conversar com um professor. Curioso.

MESMA ESTRATÉGIA

Quando o senador Aécio Neves parte para o ataque contra o governo Dilma, como opositor, utiliza-se da mesma estratégia. A palavra mágica é “eficiência”, que, segundo o tucano, garantiu ao governo de Minas uma capacidade maior de se desenvolver do que a obtida nacionalmente nos últimos 12 anos. Aécio quer vender ao eleitorado uma imagem paquidérmica da administração federal: inchada, lenta e (o antônimo mágico) ineficiente. Contra a incapacidade de crescer, promete dinamismo, menos impostos, menos ministérios e lustra sua gestão e a de Anastasia como vitrine, que Pimentel agora apedreja. Quem tem razão?

Para início de conversa: candidatos discursam para passar a certeza de que todos os erros e acertos coletivos são consequências da administração pública. Os esforços da iniciativa privada não contam? A conjuntura internacional, a depender do sentido das correntes de ar, não propulsiona otimismo ou pessimismo inclusive em quem governa?

Em segundo lugar, se a gestão estatal é tão essencial assim na vida das pessoas, convém lembrar que sua atuação, muitas vezes, é compartilhada. Na saúde, na educação e na assistência social, por exemplo, as políticas não funcionam bem sem as devidas contrapartidas da União, dos Estados e dos municípios.

Então, se um programa dá certo ou errado, por que o sucesso (ou o fracasso) deve ser creditado só a um partido? Ficamos perdidos no meio desse fogo cruzado, e resultados estatísticos oferecem possibilidades de leitura ao gosto do freguês. Nessa nossa política binária, há sempre um lado que mente ou os dois que omitem. O circo de balelas e bravatas já está armado com três meses de antecedência. E, durante esse tempo, como diria o Gaspari, somos todos Eremildos. Aqui procês, oh!

(transcrito de O Tempo)

23 de junho de 2014

João Gualberto Jr.

A SOCIEDADE NÃO CONTROLA AS MISTERIOSAS COLIGAÇÕES



 
O que acontece em meio às articulações para montagem das coligações, neste período pré-eleitoral, é um mistério. De longe, é natural pensar que promessas de cargos e de espaços nos governos eleitos é a negociação mais comum. Mas, certamente, essa é uma visão correta, mas muito rasteira.
As negociações vão muito além deste lado visível.

Os partidos têm interesses que nem sempre são externados. A necessidade de fazer caixa para campanha, de organizar as diversas instâncias partidárias e, principalmente, de criar condições internas de sucesso nos futuros pleitos abrem possibilidades de negociações diversas e, nem sempre, completamente lícitas.

SEM TRANSPARÊNCIA

Episódios como o do mensalão, embora tenha sido punido, não estão eliminados da política brasileira. E isso acontece porque os partidos ainda possuem ferramentas muito eficientes para se manterem escondidos. A transparência é algo que passa bem longe dessas instituições.

Os mistérios que rondam as legendas brasileiras são muitos. O maior deles, certamente, diz respeito à aplicação dos recursos recebidos pelo poder público, o Fundo Partidário. Ninguém nem órgão algum fiscaliza efetivamente essa verba, que tem origem nos impostos pagos pelos cidadãos brasileiros. O fundo, que foi criado para permitir a organização e aprimoramento dos partidos, é invariavelmente destinado às campanhas eleitorais.

Mas como as legendas também possuem outras fontes de renda – como doações de pessoas físicas e jurídicas –, fica impossível saber como o fundo é aplicado, já que ele se mistura a todas as outras receitas do partido em uma espécie de caixa único. Daí surge uma nova pergunta, como essas doações podem ser submetidas a algum controle social?

A resposta não é fácil. É necessário lembrar que as doações diretas para a legenda é uma maneira comum de esconder os nomes daqueles que estão contribuindo para as campanhas.

TUDO MUITO CONVENIENTE…

Ao doar para o partido, o doador tem seu nome conhecido, mas do caminho entre a sigla e o candidato, a verba perde seu carimbo de origem. Tudo isso é muito conveniente para o candidato e para o generoso doador.
Na prestação de contas do candidato, a única informação que será encontrada é o registro do repasse do partido. Não sabendo quanto e quem doou, o eleitor fica totalmente impossibilitado de acompanhar se seu candidato está a serviço de seu financiador ou se representa mesmo a sociedade.

Com toda essa liberdade para atuação, os partidos ficam muito à vontade para negociar suas alianças mais do ponto de vista financeiro e pragmático do que programático.
Sendo assim, não há como exigir coerência política das coligações que estão se formando agora para a disputa de outubro.

(transcrito de O Tempo)

23 de junho de 2014
Carla Kreefft

A "ELITE" E OS OUTROS MAIS



Enquanto a Copa rola, impressionantemente melhor do se imaginava, tanto na organização como nos confrontos entre os times que foram travados até aqui, os políticos vão planejando suas ações para entrar de cabeça na disputa eleitoral a partir de 14 de julho se a seleção brasileira for até a final, marcada para um dia antes, porém a antecipação é certa caso Felipão e seus comandados não consigam superar as limitações que apresentam dentro das quatro linhas.
Com os nomes colocados e as alianças definidas, terá início a disputa propriamente dita. O fim do torneio internacional, porém, não anulará as consequências do belo e intenso “circo” montado pela Fifa com o questionável subsídio do poder público brasileiro.
Se antes era certo imaginar que uma competição desse nível ajudaria o PT a se perpetuar no poder (certamente dessa forma pensava Lula ao forçar a barra para trazer o Mundial para cá), os dias de hoje, porém, não permitem a ninguém dizer que a estratégia deu certo.
Da mesma forma, se antes a vitória do Brasil no futebol significava uma situação mais cômoda para a presidente Dilma Rousseff no desenvolvimento de sua campanha, atualmente, com tudo o que se tem visto, isso também não é tão certo assim.
VERDADE PELA METADE
Como gosta de dizer Lula, as vaias e os palavrões contra Dilma foram desferidos pela “elite” e espalhadas pela maldade da imprensa. O ex-presidente não está de todo errado. Ao rever os vídeos, é fácil perceber que a “elite” a que se refere Lula reproduziu o som que se iniciou nas áreas VIPs do Itaquerão. É uma verdade, mas dita pela metade, pois, ao mesmo tempo, black blocs e outros “sem-Copa” quebravam os centros das capitais e as lojas dos patrocinadores do Mundial.
Conhecido pelo petismo fanático, o ministro Gilberto Carvalho acabou indo de encontro ao seu líder. Foi o primeiro a levantar a voz para dizer que as vaias não são “somente da elite”. Os “repetidos discursos” (não seriam fatos?) que rotulam o PT como um partido corrupto estariam se impregnando na sociedade, “descendo como gotas de uma elite, passando pela classe média e chegando aos meios populares”.
CANTO DA SEREIA
Carvalho talvez tenha captado o verdadeiro sentimento da sociedade. Afastando-se do viés de sua análise e substituindo algumas palavras, o canto da sereia, mesmo sendo entoado pela mesma voz rouca de Lula, anda desafinando. O resultado é mais uma queda de popularidade do governo Dilma, que se aproxima cada vez mais dos 26% de aprovação com que FHC deixou seu governo.
O PT, entre quatro paredes, pergunta-se o que fazer. Mas a compreensão do que virá pela frente é tarefa dificílima. O Brasil, ficando com o título da Copa, agrada à tal “elite”, que lota estádios e vaia a presidente. Com a derrota, o discurso de quem sai para as ruas e apronta quebradeiras irá encontrar um símbolo a mais para externar a raiva latente, aumentando o sentimento geral de insatisfação com o país. O mau humor ou bom humor da sociedade, neste momento, é a maior incógnita para o PT.

(transcrito de O Tempo)

23 de junho de 2014
Heron Guimarães

O QUE PENSARIA BRIZOLA DE TUDO ISTO?

 
ESTÁ FEIA A COISA: PDT GAÚCHO FAZ CONVENÇÃO ESTADUAL E IGNORA CANDIDATURA DE DILMA



Nem um só orador referiu-se a Dilma Roussef durante a Convenção do PDT no sábado em São Borja. Entre os que não falaram na candidata e usaram da palavra estão: Vieira da Cunha, candidato a governador; Lasier Martins, candidato a senador; Romildo Bolzan Júnior, presidente estadual do PDT; Afonso Mota, ex-secretário do governo Tarso Genro; Carlos Lupi, ex-ministro de Dilma e presidente nacional do PDT; e José Fortunati, prefeito de Porto Alegre.

Na verdade, o PDT do Rio Grande do Sul decidiu liberar seus filiados no quesito eleição presidencial, apesar de o partido estar coligado ao PT nacionalmente .
E o candidato do PDT gaúcho ao Senado, jornalista Lasier Martins, falou mal do PT da primeira até a última palavra na convenção estadual do PDT.
Os 3 mil convencionais gostaram do discurso.

23 de junho de 2014
Polibio Braga

SERÁ POSSÍVEL QUE AINDA QUEIRAM SABER O QUE PRETENDEM O LULA, O PT E A DILMA?!

Empresários querem saber o que Dilma pretende no segundo mandato

A gestão de Dilma Rousseff foi  marcada pela interferência pesada do governo na economia. Além de segurar os reajustes dos combustíveis, minando o caixa da Petrobras, mudou, unilateralmente, os contratos de energia elétrica para reduzir as tarifas.
Parte da conta caiu no colo do Tesouro Nacional, que foi obrigado a dar um socorro de mais de R$ 12 bilhões às distribuidoras. Outra parcela será bancada pelos consumidores, porque a conta está ficando mais cara. Por causa do represamento das tarifas públicas, a inflação projetada para 2015 é de 7%.

A expectativa dos investidores é de que, candidata formal, e com a aprovação do governo despencando, Dilma adote agora um discurso mais favorável aos investimentos produtivos. E, sobretudo, indique qual será a equipe econômica a partir de 2015, caso saia vitoriosa das urnas.

Os donos do dinheiro reconhecem que, recentemente, já de olho das eleições, o governo começou a mudar o discurso. Reempacotou medidas a fim de estimular a indústria. Mas, no entender deles, ainda é pouco para reverter a onda de desconfiança que nocauteou o PIB.

OBRAS NA CAMPANHA

A Secretaria de Relações Institucionais convocou representantes de todos os ministérios para uma reunião no Palácio do Planalto com uma pauta bem clara: a lista de obras a serem inauguradas neste ano.
O governo quer fazer barulho nas cerimônias, ainda que só com a presença dos ministros de cada pasta — candidata à reeleição, a presidente Dilma Rousseff não poderá aparecer nos eventos a partir de julho.

23 de junho de 2014
Correio Braziliense

A CANDIDATURA DILMA CONTINUA A DEPENDER DE LULA



Para aqueles que encaram a candidatura de Dilma Rousseff como definitiva, pode-se dizer que “há controvérsias”, como dizia o célebre comediante Francisco Milani, que chegou a ser vereador no Rio de Janeiro pelo Partido Comunista Brasileiro, em 1992.

A respeito da Convenção Nacional do PT que confirmou a candidatura de Dilma Rousseff, o jurista José Carlos Werneck, uma das pessoas mais bem informadas de Brasília, nos enviou a seguinte mensagem:
 
Isso que aconteceu na Convenção petista era esperado, mas nada que preocupe os partidários do “Volta Lula”. Corria solto,sem nenhum segredo: ”Lula é candidatíssimo à presidência da República”, este ano. O PT aguarda o final do prazo,concedido pela Justiça Eleitoral, para a substituição dos candidatos que é de VINTE DIAS ANTES DA DATA MARCADA PARA A ELEIÇÃO
.
LULA, O DONO DO PT
 
Conforme já explicamos aqui, no PT tudo depende exclusivamente de Lula, que comanda o partido com mão de ferro e esvaziou todas as lideranças que poderiam cerscer para ameaçar sua primazia, como Aloizio Mercadante, Marta Suplicy e Tarso Genro. O PT faz tudo o que ele determina, ninguém tem coragem de contestá-lo. Exerce uma ditadura personalíssima e irremovível.
 
Foi assim com a escolha de Dilma para candidata em 2010, não ouviu ninguém. Foi também assim com a nomeação dos ministros e dos cargos das estatais no início do governo dela. E continuou sendo assim na escolha de Fernando Haddad para disputar a prefeitura de São Paulo em 2012 e na indicação de Alexandre Padilha para candidato ao governo de São Paulo.
 
Ninguém sabe o que passa na cabeça dele. Na convenção deste sábado, deu ordens para desmobilizar a militância do movimento “Viva Lula” e votar em Dilma. Amanhã, pode trocar de ideia.

23 de junho de 2014
Carlos Newton

DILMA E O PTB SE MERECEM




No meio de tanta lambança verificada na operação de compra e venda entre os partidos e o governo, neste final de mês, uma sobressai de todas: o desembarque do PTB do bloco de apoio à presidente de adesão, muito menos que uma legenda não possa rever posicionamentoDilma e sua adesão à candidatura Aécio Neves. Não que o candidato tucano devesse rejeitar qualquer tipo s e trocar de candidatos.
O problema está nos motivos que levaram os trabalhistas a mudar de lado. São vergonhosos, menos pela decisão ter sido tomada na cadeia, onde se encontra Roberto Jefferson, seu líder maior, mais por haver-se tratado de uma vil e escancarada operação fisiológica.

O PTB vingou-se da presidente e do PT por não ter sido aquinhoado com um ministério, na última reforma do governo, como também pelo fato de um de seus dirigentes, indicado pelo palácio do Planalto para uma vaga no Tribunal de Contas da União, ter sido logo depois abandonado.
Como, acima de tudo, por fazer de sua atuação no Congresso um balcão de negócios. E isso dias depois de haver se comprometido a apoiar a reeleição da presidente, num jantar de gala a ela oferecido.
Um papelão digno dos melhores momentos das patuscadas dos três patetas ou da dupla Oscarito-Grande Otelo, para ficarmos à margem dos modernos comediantes de hoje.

O PTB, tal como se encontra disposto no quadro partidário, exprime a distorção completa do velho PTB fundado por Getúlio Vargas. A partir do fim da ditadura militar, vendeu-se por muito menos de trinta dinheiros, quando a adesista Ivete Vargas, apoiada pelo general Golbery do Couto e Silva, garfou Leonel Brizola e apoderou-se do partido.
De lá para cá, deixou de ser o abrigo do trabalhador e de suas reivindicações para tornar-se o escoadouro de negócios escusos, a concretização de sinecuras e o abrigo das piores camadas que evoluíam em torno dos governos.

Aderiu ao Lula, como não poderia deixar de ser, e ficou com Dilma em troca de parcelas do poder. Cultivou a corrupção, ficando exposto quando vieram a público as primeiras denúncias referentes ao engajamento de seus filiados nas falcatruas praticadas à sombra do palácio do Planalto.
Mas cumpriu as obrigações, locupletando-se e votando com o governo no Congresso, sem fazer caso de suas antigas propostas de redenção do trabalho diante do capital.   Virou um partido das elites e da burguesia corrupta, mas, ao menos, manteve a coerência do compromisso em torno da máxima do  “é dando que se recebe”.

O que degrada ainda mais o PTB é a traição. Claro que a presidente Dilma deveria ter-se precavido contra a previsível reviravolta de falsos aliados, mas faltou-lhe coragem para expeli-los, como havia faltado quando os deglutiu.  Acabou convencida de precisar permanecer na lama, junto com outros partidos empenhados em valer-se das benesses da administração pública. O problema é que até as partidas disputadas no esgoto tem suas regras éticas. A lealdade, mesmo entre bandidos, parece uma delas.
Pois o que acaba de acontecer? A quebra dos compromissos firmados à sombra dos piores exemplos de ganância política. Também, pior para todos, de Dilma ao PTB. Eles se merecem.

23 de junho de 2014
Carlos Chagas

O HUMOR DO ALPINO

 
 
23 de junho de 2014


A ANTI-UTOPIA PELEGA

                 

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Volta à cena o discurso do ódio. Já não é plantação, é colheita. Nenhum ódio tem sido desprezado pelo partido do “nós” contra “eles”, este que patrocina o exército de apedrejadores profissionais que patrulha a internet.
Está morto o Brasil em que Gilberto Freyre viveu e há muitos outros ódios no forno. Mas o ódio por tras de todos os outros; o ódio cujo nome o PT que sobrou não ousa mencionar é o ódio ao merecimento.
Ha uma boa razão para isso.
 
O PT não é causa, o PT é consequência. Essa corrupção toda não está no ponto de chegada, está no ponto de partida.
 
O que é essa “expertise” em se apropriar das bandeiras alheias e perverte-las para sustentar a Contra Revolução em nome da Revolução senão o velho expediente “corporativista” que Portugal inventou lá atrás para “fazer a revolução antes que o povo a fizesse” e, assim, abortar a da igualdade perante a lei, da meritocracia e dos representantes submetidos aos representados que vinha derrubando monarquia atrás de monarquia pela Europa afora?
 
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O PT que sobrou é o resultado dessa receita na versão retemperada por Getúlio Vargas apud Benito Mussolini e Juan Domingo Perón. O produto do sindicalismo pelêgo que saltou do papel de “coadjuvante assalariado” para o de dono do cofre e do Poder, ele próprio.
 
Essa evolução de “subornado” para “subornante” a que nós todos assistimos não foi apenas natural, portanto, era inevitável.
A receita não poderia resultar em coisa muito diferente.
 
Junte meia dúzia de "companheiros" dispostos a tudo e funde um sindicato sem trabalhadores associados que o governo vai lhe dar uma teta eterna no grande úbere do imposto sindical. Trate, daí por diante, apenas de não perde-la nas “eleições” por aclamação desse seu sindicatozinho do nada. É a primeira etapa do curso. Use dinheiro, use intimidação, use a imaginação: vale tudo nesse jogo sem juiz.
 
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Como força auxiliar dessa “forja de lideranças”, monte uma justiça paralela e diga a todo sujeito que trabalhou para alguém um dia que contrato, neste país, não vale nada: se ele mentir, inventar e trair, e se cabalar quem se preste a coadjuvá-lo nessa milonga depois de finda a relação, ganha um monte de dinheiro no mole.
 
“Seja desonesto que o governo garante!”, é a mensagem que desce do Olimpo. Essa sempre próspera indústria custou R$ 51 bi aos empregadores brasileiros só no ano passado.
 
Repita a mesma receita para a criação de partidos do nada. Adicione ao dinheiro do Fundo Partidário o tempo de TV negociável no mercado "spot" da governabilidade e você estará selecionando a “elite” dos mais sem limites entre os que não se põem limites para disputar esse tipo de “liderança”.
 
Cubra tudo com uma categoria de brasileiros “especiais” que, uma vez tocados pela mão que loteia o Estado nunca mais perde o emprego, nem que não trabalhe, nem que seja pego roubando.
 
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Decore com elementos da pornografia comportamental – essa em que todo mundo trai todo mundo dentro e fora da família; os filhos às mães e estas a eles e daí para baixo tudo, e “Tudo bem! Ai de quem disser o contrário!” – em que todo brasileirinho e toda brasileirinha é sistematicamente treinado pela televisão desde o nascimento.
Está pronto! “Reserve” e deixe fermentar.
 
Que tipo de país pode resultar dessa mistura? Este cuja festa nacional evoluiu da ingênua “pátria em chuteiras” de ha pouco para esta Copa da corrupção com 57 mil soldados do Exército nas ruas para garantir a paz que não há, um para cada brasileiro assassinado no ano passado?
Não é um palpite absurdo...
 
Enquanto procura a resposta sobre se “é a arte que imita a vida ou a vida que imita a arte”, vá se perguntando que argumento tem uma mãe da favela para convencer seu filho a não entrar para o tráfico e continuar estudando nas nossas escolas publicas porque este é o pais onde quem se esforça vai pra frente!
 
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Esse é o único jeito de jogar o jogo do poder que o PT entende; aquele em que o partido nasceu e foi criado. Eventualmente “lá”, até por falta de qualquer outro tipo de repertório, é inevitavelmente mais do mesmo que o carregou até ali que o partido fará para manter o que conquistou.
 
Mas as contas, agora, são outras. Será preciso comprar 50% + 1 de todas as lealdades o que pode custar a destruição da economia. Para que essa relação de causa e efeito não seja percebida será necessário falsificar as contas nacionais. A confiança do investidor será, porém, a primeira vítima.
E então o dilema se apresentará: para que os investimentos voltem será preciso admitir a verdade; mas para admitir a verdade será preciso admitir que se estava mentindo antes. Como, então, manter “aprovada” a farsa exposta senão substituindo a regra de maioria pela do “onguismo pelêgo”? A lei terá de passar a ser feita na rua; no porrete. Mas isso só será possível se o jornalismo livre for substituído por um “jornalismo” também “pelego”...
 
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Não é, portanto, uma questão de ideologia ou de coerência – e quem se importa com elas? – a progressão da anti-utopia pelêga do lulopetismo. É um imperativo de sobrevivência.
 
Há um Brasil submetido à meritocracia – senão por outra razão porque a internacionalização do jogo econômico o impõe implacavelmente – no qual educação é a única medida do merecimento, e há um Brasil que, a um preço cada vez mais proibitivo para o outro, só subsiste se conseguir mante-la longe dele. Esses dois Brasis são mutuamente excludentes na nova realidade globalizada. A opção hoje está em entrar nele pelo mérito ou sair do mundo e viver bolivarianamente à margem dele.
 
Pense nisso antes de decidir qual das alternativas de caminho postas à sua frente conduz ao beco sem saída do ódio e qual a que, com todas as dificuldades que houver, deixa aberta a porta da esperança. Sua escolha vai decidir o destino de toda uma geração.
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23 de junho de 2014
vespeiro, artigo publicado em O Estado de S. Paulo

AÉCIO GANHA APOIO DO SOLIDARIEDADE E DIZ QUE GOVERNO DE DILMA É TÃO RUIM QUE ATÉ O PT QUER MUDÁ-LO

 
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O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, disse, ontem, que o governo da presidente Dilma Rousseff é “tão ruim que até o PT quer mudá-lo”.
O tucano aproveitou a coincidência de receber o apoio do Solidariedade (SDD) em São Paulo no mesmo horário em que os petistas realizavam convenção nacional, em Brasília, para criticar a sua principal adversária na corrida eleitoral.
Em sua mais difícil disputa presidencial desde 2002, o PT adotará o slogan “Mais Mudanças, Mais Futuro”, e Dilma deve reforçar o discurso de que só quem fez no passado tem credibilidade para fazer mais de agora em diante.
“Sabe qual é a palavra que mais se fala hoje na convenção do PT? É mudança! A constatação que eu faço é que esse governo é tão ruim que até o PT quer mudá-lo”, afirmou Aécio Neves, aplaudido pelo novos aliados.

23 de junho de 2014
Deu em O Tempo

DESMONTE DA MÁQUINA PÚBLICA TERÁ DE SER DEMORADO

Técnicos do governo que conhecem muito bem as entranhas da máquina pública garantem que, caso a oposição vença as eleições em outubro próximo, o futuro presidente da República levará pelo menos dois anos para desmontar a estrutura de poder montada pelo PT.
“Indicados pelo partido estão espalhados por todas as áreas. Mesmo nos níveis mais baixos de salário, eles estão presente, a despeito de não terem capacitação para o cargo”, enfatiza um servidor do Ministério do Planejamento. “Trata-se de um aparelhamento sem precedentes”, completa.
 
Sinal amarelo
O julgamento do mensalão acendeu o sinal amarelo nas grandes empresas, preocupadas com os crimes de gestão temerária e fraudulenta. Com a Lei Anticorrupção em vigor, as companhias acenderam o alerta máximo. Pesquisa do escritório Vinhas e Redenschi Advogados demonstra que os crimes financeiros impactam em quase 50% da reputação corporativa, um problemão para a imagem das firmas. A seguir, aparecem a perda financeira e o rompimento das relações de negócio.
 
Corrupção em alta
A corrupção em empresas privadas avança a passos largos, a despeito do fraco crescimento do país. Nota-se que 64% dos subornos e corrupção são de natureza interna, sendo que 35% dos funcionários trabalham há mais de seis anos na empresa prejudicada e muitos têm cargo de média gerência.
 
Seguros para executivos 
Os investimentos em seguros para proteger executivos de acusações de fraude e de roubo pularam de R$ 8 bilhões, em 2012, para R$ 11 bilhões no ano passado. Foram analisadas 232 companhias com ações na bolsa de valores e, desse total, 81%, segundo a KPMG, revelaram os respectivos montante.

23 de junho de 2014
Vicente Nunes
Correio Braziliense

A DEMOCRACIA NO BRASIL



23 de julho de 2014

O PALHAÇO DA ALVORADA

 

Com medo de ser xingada mais uma vez pelo povão da elite branca, a presidenta Dilma Roskoff ainda não decidiu se vai pintar no estádio Mané Garrincha

Com medo de ser xingada mais uma vez pelo povão da elite branca, a presidenta Dilma Roskoff ainda não decidiu se vai pintar no estádio Mané Garrincha (Roberto Stuckert Filho/PR)
 
         
Agamenon Mendes Pedreira

Graças à Copa, o Brasil está melhorando, e isso ninguém tem coragem de dizer!
Sigam-me no meu raciocínio: tem feriado  todo dia, todo mundo parou de trabalhar no governo, o trânsito anda uma beleza, a polícia só está batendo nos chilenos e até os assaltantes resolveram tirar férias pra assistir à Copa.
Já estou aqui em Brasília e estacionei meu Dodge Dart 73, enferrujado, na porta da Arena Zé Mané Garrincha. O bilionário estádio foi assim batizado não em homenagem ao grande Garrincha, mas em honra ao Zé Mané, o torcedor contribuinte, que pagou esta obra superfaturada PATRÃO FIFA. 

Bola da VEJA: 

A grande discussão aqui na capital federal é o que vai ser feito com o enorme e luxuoso estádio de futebol depois que a Copa acabar. Como em Brasília não se pratica muito o futebol (o esporte local é a roubalheira), minha sugestão é transformar o Mané Garrincha em presídio após o Mundial.
E depois trancar lá dentro todos os políticos, empreiteiros, lobistas e funcionários públicos que meteram a mão nas verbas da Copa.
O problema é que não ia ter vaga pra todo mundo. E a Papuda (que é uma penitenciária Padrão FIFA) já está lotada de mensaleiros do PT (Partido da Tranca).

Enquanto membro da imprensa golpista de direita da elite branca, fui prestar solidariedade à presidenta Dilma Roskoff, que ainda está entalada com os xingamentos chulos, de baixo calão, que recebeu da torcida no Itaquerão. Indignada com os apupos, Dilma se trancou no palácio com sua amiga, a presidenta da Petrobras, “Graça” Foster. Palácio do Jaburu, é claro.

Dilma me confessou que não sabe se vai ao jogo, com medo de ser vaiada. Sugeri então à Angela Merkel brasileira ir ao estádio disfarçada de mulher. Como se fosse o cartunista Laerte.
Assim, travestida, no meio do povão da elite, Dilma ia poder lavar a alma, xingando o Renan, o Collor, o Michel Temer, o Gilberto Cascalho e todas as outras autoridades que estivessem presentes. 
E atenção, torcida brasileira: vamos secar bastante os Camarões! E fazer um vatapá!

23 de junho de 2014
Agamenon é jornalista superfaturado