"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

A CULPA DA VIOLÊNCIA É DA COCA, BASTA LEMBRAR COMO TUDO COMEÇOU, SÉCULOS ATRÁS

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Charge do Nani (nanihumor.com)
Coloca um punhado de folhas de coca num pilão, pila e faz uma massa; mistura pó de concha calcinada à massa; pega uma colherada dessa massa e gruda no céu da boca. Vai aos poucos engolindo a seiva da mistura misturada à sua saliva. E passa o dia trabalhando, nas mais altas altitudes da América (oxigênio muito ralo), sem ter fome nem sentir cansaço.
O mesmo resultado os seringueiros obtém raspando e ingerindo o pó da semente de guaraná, na Amazônia. A coca é benéfica como o guaraná, para o trabalhador comum.
ACONTECEU – O europeu chega às Américas, encontra índios vivendo em fartura, e resolve tomar o ouro, ocupar as terras e escravizar os índios para o trabalho… Na tentativa de minar a força destes índios, resolvem destruir as plantas de coca.
Os Incas se escondem nas montanhas e perguntam o motivo desses europeus ao espírito da planta… Mama Coca responde que, da mesma maneira como destruíam a coca naqueles tempos, um dia chegaria em que seriam destruídos por ela…
Não deu outra. Não foi a maconha, o tabagismo ou o alcoolismo que transformaram no Rio de Janeiro num cenário de crime, nem mesmo o roubo de cargas. Foi a coca… E enquanto existir coca, o crime irá proliferar.
Resolvam a equação…
26 de fevereiro de 2018

SOMOS O QUE TEMOS EM COMUM, A DIFERENÇA É QUE NOS MATA

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Charge do Tacho (Jornal NH)
Vivemos momentos de desvarios, insensatez. Mas é necessário. Faz parte da evolução civilizatória uma trajetória de altos e baixos, ápices e decadências. O diagnóstico de fim de era tem sintomas historicamente visíveis: promiscuidade sexual, abuso de bebidas e drogas, perda de autoridade e liderança por corrupção e compadrio, desigualdade social, para ficar entre as principais.
Descremos na política, na Justiça, nos sistemas sociais e econômicos. Falta de fé e de crença uns nos outros faz desabar a estrutura social.
NADA A TEMER – Por isso, não há nada a temer. Somos privilegiados construtores de uma história que daqui a séculos será estudado como uma das fases mais importantes da civilização: a era da tecnologia, da inteligência artificial, da robotização em seres humanos que foram regredindo no afeto, animalizando, sentindo ódio por questões de cor, religiosas, de origem racial, nível social.
Usamos alta tecnologia para dizimar cidades, criar muros para isolar pobres, pretos, cinzas, amarelos, marrons e brancos. Elites vivendo em universo digital e excluídos tecnológicos vagando mundo afora buscando água e comida, sem saberem ao menos a ler. Esses bárbaros da atualidade estão descendo dos morros, dos porões, do submundo espalhando a violência, o terrorismo dos famintos e que se julgam injustiçados.
NOS PARAÍSOS – A elite ergue muros, usa carros blindados, voa, finge que não vê, esconde seu dinheiro nos cada vez mais raros paraísos fiscais.
Até que um dia tudo termine, num desastre natural, num bug de ciberterrorismo, num surto viral, numa explosão solar que destrua as redes de satélites e as fibras óticas, deixando os dependentes eletrônicos e os tecnofílicos nus, estarão de volta ao século XIII, precisando da ajuda dos pobres, dos pretos, dos marrons, dos amarelos, aqueles que sabem caçar, colher, pescar, sobreviver sem Google,sem tecnologia. Tremenda guerra tribal.
Assim foi com os gregos, com os romanos, com os egípcios, com os babilônios e será com o os EUA e com o Vale do Silício, ainda mais com a atual guerra de secessão do general Trump versus os meninos da internet das coisas, além do Maquiavel moderno que atende pelo codinome de Putin.
EM COMUM – Somos o que temos em comum, não o que nos difere. Humanos, imperfeitos, animalescos em busca de evoluirmos para a divinização.
Engatinhamos, mal compreendemos o que vemos, ouvimos, cheiramos, tocamos, degustamos. Vaidosos bárbaros brincando de ser máquinas.

26 de fevereiro de 2018
Eduardo Aquino
O Tempo

GUEDES CONVENCE BOLSONARO A PRIVATIZAR PETROBRAS, BB, CAIXA E TODAS AS ESTATAIS


Plano de Guedes é acabar com todas as estatais
Ex-capitão do Exército com posições estatizantes, Jair Bolsonaro conferiu a um ultraliberal a tarefa de criar seu programa econômico. Aos 68 anos, Paulo Guedes tem doutorado pela Universidade de Chicago, instituição que se tornou o símbolo do liberalismo, alma mater de 29 prêmios Nobel de Economia, entre eles Milton Friedman, ícone dessa escola de pensamento econômico.
Com uma próspera carreira na área bancária, ele encontrou no presidenciável um aliado improvável. Desde novembro, os dois têm tido conversas quinzenais de quatro a cinco horas sobre temas econômicos. Falam-se com frequência por WhatsApp.
O presidenciável, segundo Guedes, tem aceito sua receita  de privatização radical, corte de impostos e independência do Banco Central. Bolsonaro já avisou que, se eleito, ele será seu ministro da Fazenda.
Qual o eixo do programa econômico que o sr. está escrevendo para Bolsonaro?
A Constituição de 88 previu a descentralização de recursos. Ela foi imperfeita, porque nós perdemos tempo no combate à inflação. A morte do Tancredo [Neves, em 1985] foi uma infelicidade. O Tancredo era um veterano de 1964, quando ele viu a democracia se perder pelo problema inflacionário. Quando ele vê a inflação subindo, entra dizendo: é proibido gastar, vou controlar os gastos públicos. Quando nós fomos para congelamento de preços, Cruzado, esse tipo de coisa, nós nos perdemos, nós fomos na direção da Venezuela, para a hiperinflação.
Como fazer na prática?No programa do Afif [para presidente, que ele coordenou, em 1989], eu propunha privatizar tudo. Para zerar a dívida mobiliária, a dívida pública federal interna.
Vender patrimônio para pagar dívida é boa política?É só fazer a conta: dois anos atrás foram R$ 500 bilhões e ano passado, R$ 380 bilhões de juro da dívida. Bota isso 25 anos. Dava para ter acabado com a miséria?
Mas privatizar tudo? Privatizasse um pouco que fosse. Vá olhar hoje a despesa pública. Será que valia a pena? Ou pagar um superavit fiscalzinho, só para não deixar a dívida crescer muito? O país continua sendo um paraíso dos rentistas e inferno dos empreendedores. Os impostos subindo, os gastos públicos saindo de 18% do PIB quando os militares entraram para 45%, quando Lula e Dilma saíram, sendo 38% de impostos e 7% de deficit. É um governo totalmente disfuncional. O governo é muito grande, bebe muito combustível. Mas se você olhar para educação, saúde, ele é pequeno. Já que a democracia vai exigir a descentralização de recursos para Estados e municípios, o governo federal tem que economizar. Onde? Na dívida. Se privatizar tudo, você zera a dívida, tem muito recurso para saúde e educação. Ah, mas eu não quero privatizar tudo. Privatiza metade, então. Já baixa metade da dívida.
Tem clima para privatizar?A pergunta é o contrário: tem clima para não privatizar? Onde começou o mensalão, Bradesco ou Correios? Onde se acusa o Eduardo Cunha? Caixa, loterias, fundos de pensão. Onde foi o petrolão? Petrobras. Você vê clima para continuar com as estatais?
Sempre há resistência.Resistência de quem? O povo brasileiro é contra? Ou será que são vocês [imprensa]? Eu nunca escutei isso do povo. Eu escutei isso da Folha, de jornalistas tucanos, petistas…
As joias da coroa, Petrobras, Banco do Brasil, Caixa, tudo isso é privatizável?Por que não pode vender o Correio? Por que não pode vender a Petrobras? E se o mundo for para um negócio de energia solar? E o shale gas [gás de xisto]? E se o petróleo, daqui a 30 anos, estiver valendo US$ 8 [o barril]? Você sentou em cima de um totem, ficou adorando o Deus do óleo. Por que uma empresa que assalta o povo brasileiro tem que continuar na mão do Estado?
O sr. fala de corrupção nas estatais, mas a Odebrecht, por exemplo, é privada.Evidentemente, há piratas privados e criaturas do pântano político.
Então o sr. admite que corrupção não ocorre apenas no setor estatal?Tira o oxigênio. Já viu alguém do Bradesco corromper alguém do Itaú? Alguém do “Jornal do Brasil” corromper alguém da Folha? O privado não corrompe o privado, quando corrompe é preso. Não digo privatizar a qualquer preço, estou falando de gestão de patrimônio público.
Bolsonaro tem histórico intervencionista, é ele o indicado para liderar essa agenda?Tem algum problema a Dilma ter sido presidente porque foi guerrilheira? Teria algum problema um sujeito que foi capitão do Exército tentar ser presidente?
Ele se converteu ao liberalismo?Tem que perguntar para ele. Ele me pediu um programa econômico. Esse grau de intervenção do Estado na economia dá um poder extraordinário. Por que as pessoas têm medo do Bolsonaro? Será que é porque a máquina de moer na mão dele deve doer?
O que é a máquina de moer?O tamanho do Estado. O Leviatã.
Ele vai domar o Leviatã?A pergunta é: vocês acham que está bom do jeito que está? Crescimento baixo, desemprego… Será que depois de 30 anos de social-democracia esse grau de intervenção do Estado na economia corrompeu, degenerou? Eu acho que sim. A Lava Jato é uma denúncia disso. É possível fazer uma aliança de centro-direita, onde em vez de aumentar imposto seja reduzido gasto público? Em vez de criar 150 estatais, como o PT, seja reduzir e privatizar de verdade? Em vez de combater a inflação só com juros na Lua, fazer a parte fiscal com juro baixo?
Previdência é a principal reforma hoje?O governo fez o teto sem ter feito a casa. O teto cai. A reforma da Previdência é parte da reforma fiscal. A Previdência tem várias bombas. Uma é a demográfica, por isso tem que empurrar a idade para cima. Tem a da desigualdade, entre o sistema privado e o do funcionalismo. Tem uma terceira, que é a do financiamento. Você deixa 50 milhões sem carteira assinada para a outra metade poder ter emprego, porque cada emprego custa outro em encargos. O sistema liberal-democrata é o chileno. Não é repartição, é capitalização. Não é gestão pública, o governo garante o resultado, mas terceiriza a gestão, numa nova indústria. É capitalismo na veia. Em vez de o recurso ser dissipado, é acumulado.
Haveria uma transição?Sim. Você tem que criar para a juventude, liberta pelo menos seu filho. O sujeito tem 18 anos, tem duas opções: carteirinha azul, com proteção da Justiça Trabalhista etc., entra na velha Previdência. Quer a porta da direita? Carteirinha verde-amarela. Não tem encargo trabalhista, zero. Se você quer a carteira verde-amarela, você aumenta a sua empregabilidade, porque você está recusando a Justiça Trabalhista. Tem outro problema, o sistema mistura assistência com Previdência. Às vezes o cara não contribuiu, precisa de uma renda mínima, não é Previdência.
Seria mantido o Bolsa Família?Isso se chama voucher educação. Milton Friedman, 1960 em Chicago. E foi aplicado depois no Chile. O PT precisa pagar royalties.
O sr. ouviu críticas por sua aproximação com Bolsonaro?É possível a ordem conversar com o progresso? O progresso não é Paulo Guedes, o progresso são as ideias liberais.
E a ordem é Bolsonaro?A ordem é Bolsonaro. São os valores tradicionais e conservadores. Pode juntar trotskista com marxista, socialista, social-democrata e fazer governos de coalizão de esquerda? Pode. É possível uma aliança política entre o liberal econômico e conservador em costumes? É por aí que pode vir a governabilidade, uma aliança de centro-direita. É um novo eixo. É mais Brasil e menos Brasília. É não ter toma lá, dá cá, não ter 40 ministérios.
Dá para cair para quantos?Eu sugeri 10. Bolsonaro gosta do número 15.
Como o sr. trataria a questão dos impostos?Tem que simplificar e reduzir as alíquotas. Tem alíquota de 40%, mas o cara é isento. A de 37,5% e o isento. A Inconfidência Mineira ocorreu quando os impostos chegaram a 20%. Eu acho que nenhuma alíquota no Brasil podia ser mais de 20%. Em vez de ter o isento e o de 37%, vamos para o 20%? Paga todo mundo. Tem que reduzir drasticamente o número de impostos, são 54, quando você soma as contribuições. Tem que cair para 8, ou 10 no máximo. Agora, você não vai fazer isso num dia.
Quais?Imposto de Renda, IVA, IPTU, poucas coisas. Mas temos que conversar ainda.
O estilo do Bolsonaro incomoda o sr.?Ele tem os valores dele: Deus, pátria, família. “Ah, mas é a favor da tortura”. Ele é realmente, torturou alguém?
Ele elogiou torturador [Brilhante Ustra]. O Ustra disse que não torturou ninguém. Quem está falando a verdade, quem não está? E um dos direitos do parlamentar é o de opinião.
Ele não se excede?Todos nós, né? Você nunca se excedeu? O negócio de não merece ser estuprada [refere-se à frase dita contra a deputada Maria do Rosário] eu vi, a mulher estava defendendo um estuprador. E inverteu, de repente ele era o estuprador. Visivelmente foi um cara enfurecido, falando algo onde perdeu temporariamente a razão. Conheci muito políticos de maneiras civilizadas e crápulas de comportamento. E estou vendo uma pessoa que todos dizem que é bruta, mas que tem demonstrado muita retidão comigo.

26 de fevereiro de 2018
Fábio Zanini

CHEFÕES DO TRÁFICO MANDAM A BANDIDAGEM SE AQUIETAR ATÉ AS COISAS SE ACALMAREM

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Charge do Cazo (blogdoafr.com)
Embora tenha sido decidida às pressas, para se tornar um instrumento político-eleitoral de apoio ao presidente Michel Temer, a intervenção militar na segurança do Rio de Janeiro deve ser saudada e enaltecida, até porque a situação deveria piorar se nada fosse feito. E o primeiro resultado já pode ser comemorado, porque os chefões do narcotráfico interromperam a permanente guerra civil travada entre as facções criminosas, mandaram a bandidagem suspender o fogo e aguardar, para se adaptarem a nova realidade no Estado.
Os donos dos guetos entendem que não é momento de enfrentar as autoridades, muito pelo contrário. Mas sabem também que as forças estaduais de segurança, mesmo sendo comandadas e reforçadas pelos militares, não têm condições de erradicar a criminalidade. A acomodação é apenas uma questão de tempo.
FAÇAM AS CONTAS – O delegado Manoel Vidal, ex-chefe da Polícia estadual e que é considerado um mito na corporação, por sua competência e honradez, explica  que se trata de um problema aritmético.
“A chamada região do Grande Rio tem mais de mil favelas. Se forem destinados 50 policiais para pacificar cada uma dessas comunidades, seria necessário mobilizar 50 mil homens, algo impensável. E alocar 50 policiais em cada favela ainda seria pouco, porque eles não são máquinas para trabalhar 24 horas por dia, precisam ter folgas, como qualquer trabalhador”, assinala o delegado.
Devido a esta realidade meramente numérica, Vidal jamais acreditou no sucesso das UPPs, que o governador Sérgio Cabral e o secretário José Mariano Beltrame manipulavam com interesses político-eleitorais.
CORRUPÇÃO – Outro ponto fraco da política de segurança é o envolvimento de autoridades com os chefões do tráfico, situação recentemente denunciada pelo ministro da Justiça, Torquato Jardim, com base em levantamentos dos serviços de inteligência da Polícia Federal e das Forças Armadas. E isso jamais foi novidade.
Em tradução simultânea, pode-se prever que haverá enormes dificuldades para o general Braga Netto e sua equipe desenvolverem o trabalho, mas é certo que a intervenção terá resultados altamente positivos, porque vai diminuir a corrupção policial e a criminalidade, como um todo, reduzindo consequentemente os confrontos entre facções e número de vítimas de balas perdidas.
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P.S. 1 –
 Como se sabe, a estatística é uma forma de torturar os números até que eles confessem os resultados que almejamos. No caso das 60 mil vítimas anuasi de homicídios no Brasil, é preciso fazer descontos. Estes números incluem os mortos nos combates entre facções, os criminosos executados pelas milícias e os traidores mortos pelas próprias quadrilhas, como acaba de acontecer com Gegê do Mangue, Fabiano Paca e Cabelo Duro, três importantes lideranças do PCC (Primeiro Comando da Capital).
P.S. 2 – Esses tipos de homicídio não podem ser considerados “chacinas”, pois a denominação correta seria “faxinas”. E ainda há quem pense que não existe pena de morte no Brasil… (C.N.)  

26 de fevereiro de 2018
Carlos Newton

PT TAMBÉM PRESSIONA CÀRMEN LÚCIA A PAUTAR PRISÃO APÓS SEGUNDA INSTÂNCIA

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Gleisi Hoffmann critica a demora no Supremo
A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), afirmou neste sábado, 24, não acreditar que o Supremo Tribunal Federal (STF) julgue o habeas corpus preventivo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a tempo de evitar uma prisão do petista. Em seminário realizado em Brasília e transmitido pelas redes sociais, a senadora criticou a “demora” do STF em pautar o pedido de Lula, que está na corte.
A defesa do petista tenta no STF evitar uma prisão antes do processo transitar em julgado, ou seja, chegar ao Supremo. O pedido já foi negado pelo ministro Luiz Edson Fachin, que enviou o caso ao plenário. A decisão de pautar o assunto cabe à presidente da corte, Cármen Lúcia.
CONTRA OU A FAVOR – “A gente não consegue que o Supremo Tribunal Federal se manifeste sobre o habeas corpus que está lá, que pelo menos paute isso e se manifeste contra ou a favor”, comentou a presidente do PT. “Eu acho que a tendência é eles deixarem o TRF-4 julgarem os embargos e aí confirmar a sentença”, completou
No Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), os advogados do petista entraram com embargos de declaração para questionar o julgamento que confirmou sua condenação e aumentou a pena para 12 anos e um mês de prisão, em janeiro. Se a apelação for negada, a prisão poderia ser decretada na sequência, antes de recursos ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao STF.

PARA HUMILHAR – Para Gleisi Hoffmann, não basta à Lava Jato impedir que Lula dispute a eleição presidencial, condenando o petista em segunda instância, mas “tem que prender para humilhar”.
Admitindo a possibilidade de o ex-presidente ficar de fora da eleição, a senadora afirmou que a defesa do PT vai além de uma candidatura. “Nós queremos o Lula candidato, o PT quer, acredita nisso e vai lutar por isso, mas a candidatura do Lula, o direito de ser candidato, representa toda essa luta que estamos fazendo, essa resistência consubstancia isso, porque se não nós vamos ter uma eleição manietada”.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – O PT sabe que, no caso de Lula, a parada está praticamente ganha, com a maioria do Supremo já pronta para evitar a prisão dele. Só falta pautar o julgamento. Mas a ministra Cármen Lúcia está resistindo bravamente. Só não se sabe até que ponto conseguirá suportar às pressões internas e externas. (C.N.)


26 de fevereiro de 2018
Deu em O Tempo
(Agência Estado)

É SUSPEITA A CRIAÇÃO DO "OBSERVATÓRIO" PARA "ACOMPANHAR" A INTERVENÇÃO NO RIO

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Afinal, o que pretende Maia com o “Observatório”?
A ocasião em que esse tal Observatório Legislativo da Intervenção Federal da Segurança Pública do Estado do Rio foi criado pelo deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) me leva a tê-lo por suspeito. Certamente produzirá mais polêmica e confronto com a atuação dos militares das Forças Armadas, sob o comando do general Braga Netto, do que colaboração e ajuda. Estamos no início das operações militares no combate à criminalidade e na defesa da segurança pública. Tudo será difícil e haverá muitos confrontos e mortes. É uma guerra, fuzis de um lado, fuzis de outro. Militares armados de um lado e meliantes armados de outro.
O campo das batalhas é desfavorável aos soldados da lei e favorável aos “soldados do crime”, que bem conhecem o terreno, suas trilhas, esconderijos e escapes. E entre os confrontantes está o vai-e-vem da população ordeira, vitimada e trabalhadora.
DIREITOS HUMANOS? – Vamos aguardar o que os observadores do Observatório vão observar, o que vão fazer, como vão agir. Que não venham atrapalhar e atuar como defensores de quem não tem e nem merece ter preservado estes tão decantados “Direitos Humanos”, porque não se pode dar a quem rouba da população o maior e mais sagrados dos Direitos Humanos, que é o Direito à Paz e à Incolumidade, pessoal e coletiva.

26 de fevereiro de 2018
Jorge Béja

CABRAL ESTÁ ENVOLVIDO EM FRAUDES QUE DESPERDIÇARAM TONELADAS DE REMÉDIOS


Agentes públicos e empresários atuavam no esquema 
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) ajuizou uma ação civil pública para apurar a prática de corrupção relacionada ao desperdício de toneladas de medicamentos em dois estoques da Secretaria estadual de Saúde. De acordo com as investigações, as imagens de incontáveis caixas de remédios vencidos, que tiveram repercussão nacional em 2016, foram causadas por um esquema de fraudes montado pelo ex-governador Sérgio Cabral com a ajuda do secretário de Saúde de seu governo, Sérgio Côrtes. 
REI ARTHUR – Outra peça central no esquema é o empresário Arthur Soares, o Rei Arthur, dono das empresas responsáveis pela gestão da Central Geral de Abastecimento (CGA) da Secretaria. Além de Cabral, Cortes e Soares, outras 17 pessoas, entre agentes públicos e empresários, são alvos do processo. O MP conduz uma investigação para a apurar as responsabilidades civil e penal relacionadas ao desperdício dos medicamentos, encontrados em depósitos em Niterói e Nova Iguaçu, no Grande Rio.
Ambos os locais eram administrados por empresas de Arthur Soares. De acordo com o ex-subsecretário estadual de Saúde Cesar Romero, delator premiado da Lava-Jato no Rio, a licitação para a escolha do gestor da CGA foi fraudada. A disputa foi vencida pelo consórcio Log Rio – formado pelas empresas Facility e Prol, ambas do empresário Arthur Soares, o Rei Arthur – que levou um contrato de R$ 255 milhões. Este contrato durou sete anos, até ser suspenso em abril de 2016, logo depois que uma inspeção encontrou no local mais de 300 toneladas de medicamentos vencidos.
SEM EXPERIÊNCIA – A ação civil pública, distribuída à 2ª Vara de Fazenda Pública, é o primeiro dos desdobramentos do inquérito sobre os estoques de medicamentos. Na delação, Cesar Romero afirmou que as empresas assumiram a gestão da CGA sem ter qualquer experiência em logística de saúde. Isso teria ocasionado, segundo ele, graves problemas no armazenamento e distribuição de medicamentos aos hospitais e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Romero garantiu que, em reiteradas ocasiões, medicamentos com prazo de validade vencidos foram destruídos em desacordo com as normas estabelecidas pela Anvisa.
O ex-subsecretário explicou que o esquema de corrupção nos estoques consistia em fraudar as contratações e superfaturar o serviço, transformando o excedente em propina, que seria assim distribuída: 5% para Cabral, 2% para Cortes, 1% para o próprio Romero, 1% para os conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e 1% para o “esquema”, como eram chamados os demais agentes públicos envolvidos no golpe.
PARTILHA NA FRAUDE – De acordo com a delação, já homologada pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, havia uma partilha no esquema de fraudes na Secretaria de Saúde. Enquanto o empresário Miguel Iskin, amigo pessoal de Cortes, controlava as compras feitas pela Secretaria de Saúde, ficavam com Arthur Soares, os serviços continuados que dizem respeito à gestão dos estoques, à alimentação, à limpeza, à manutenção predial e de elevadores, ao apoio administrativo, à refrigeração, ao recolhimento de lixo e às campanhas de publicidade.
Oficialmente, Arthur Soares assumiu a central de abastecimento em 2010, com o consórcio LogRio. Mas as investigações mostram que o empresário, que encontra-se foragido, já estaria envolvido com os estoques de medicamentos desde 2007, quando a logística das duas unidades e da distribuição dos insumos para todas as unidades foi entregue à TCI, empresa pernambucana, em contrato emergencial no valor de R$ 20 milhões por 180 dias.
LOGRIO – Após a contratação, Arthur virou sócio da empresa por imposição do Sérgio Cortes, afirmou Cesar Romero. No ano seguinte, foi feita uma licitação, na qual a mesma empresa ganhou. O contrato subiu para R$ 70 milhões, de 12 meses, prorrogáveis. No meio do caminho, sustentou o delator, Rei Arthur teria se desentendido com os sócios pernambucanos e montado um consórcio, o LogRio, para assumir no lugar da TCI.
A administração da CGA pela Log Rio gerou polêmica desde a sua contratação. Na época, as empresas de Arthur Soares desbancaram a TCI, empresa especializada em gestão de logística. Acusada de não ter expertise no setor de saúde, a Log Rio acabou tendo seu contrato suspenso por falhas na administração da CGA. Segundo a Secretaria de Saúde, foi instaurada uma auditoria para apurar possíveis irregularidades na gestão da CGA, que também é alvo de auditoria do TCE.
A TEIA – O esquema de corrupção comandado pelo ex-secretário estadual de Saúde Sérgio Côrtes afetou a distribuição de medicamentos para hospitais, UPAS e outras unidades da rede pública do Estado do Rio. O delator César Romero Vianna gravou conversas com seu primo, Sérgio Eduardo Vianna Junior, cunhado de Côrtes.
Trechos indicam que uma concorrência viciada entregou a gestão da Central Geral de Abastecimento (CGA) para a Log Rio, criada pelo empresário Arthur Soares, o Rei Arthur. A Central é responsável pelo armazenamento, logística e distribuição dos medicamentos e materiais médico-cirúrgico para unidades de saúde.
A força-tarefa do Ministério Público Federal e da Polícia Federal investiga uma nova ramificação do esquema montado por Sérgio Côrtes e empresários para direcionar contratos de prestação de serviços com a Secretário Estadual de Saúde do Rio durante sua gestão (2007-2013).

26 de fevereiro de 2018
Chico Otavio 
Daniel Biasetto
O Globo