"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

domingo, 29 de janeiro de 2017

QUANDO FOI ALVO DA POLÍCIA EM 2008, EIKE TAMBÉM FOI "INFORMADO" ANTES E VIAJOU


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O delegado Romero Menezes chegou a ser preso em 2008
Não foi a primeira vez que agentes da Polícia Federal (PF) bateram à porta do empresário Eike Batista e descobriram que ele estava em uma viagem ao exterior. Em julho de 2008, ele foi alvo de mandados de busca e apreensão (mas não de prisão preventiva, como agora) em sua residência na operação Toque de Midas, que investigava fraudes na licitação da Estrada de Ferro do Amapá, que fora concedida à MMX, a mineradora do grupo EBX.
VAZAMENTO INVESTIGADO – Na ocasião, a PF abriu um procedimento para apurar um possível vazamento de informações com base em dois fatos — advogados da EBX foram à Justiça buscar informações sobre o caso uma semana antes da deflagração e Eike se encontrava em Nova York na data que os agentes saíram às ruas.
Quase nove anos depois, Eike voltou a ser alvo da Polícia Federal, desta vez pela acusação de ter pagado propina ao ex-governador Sérgio Cabral na Operação Eficiência, um desdobramento da Lava Jato no Rio. E ele novamente estava em Nova York, para onde teria viajado na última terça-feira. A PF já o considera como foragido e incluiu o seu nome na lista de difusão vermelha da Interpol. E mais uma vez informou que irá apurar o vazamento de informações.
DIRETOR PRESO – Em relação ao caso de 2008, a PF acabou prendendo o diretor-executivo do órgão Romero Menezes sob a suspeita de ser o autor dos vazamentos. Depois, ele foi liberado.
Mais um ponto em comum entre as duas investigações. O então vice-diretor da MMX, Flávio Godinho, também foi alvo de buscas e – olha só – ele também estava nos Estados Unidos, mais precisamente em Miami. Nesta quinta-feira, o ex-executivo da EBX que hoje era vice-presidente de futebol do Flamengo não teve tanta “sorte” e foi detido na Eficiência, acusado de envolvimento na ocultação de propina que era paga pelas empreiteiras a Sérgio Cabral.
OUTROS PROCESSOS – Eike Batista também já é réu em uma ação penal que tramita na Justiça Federal do Rio de Janeiro por crimes contra o mercado de capitais. Segundo a denúncia que é originária do Ministério Público Federal de São Paulo, ele é acusado de manipulação de mercado e uso de informação privilegiada na negociação de ações da OSX, sua empresa de construção naval. Em outro processo, Eike foi absolvido dos crimes de formação de quadrilha, falsidade ideológica e crimes contra a economia, em março de 2016.
Por esses e outros casos, o empresário já teve os bens bloqueados pela Justiça em pelo menos duas ocasiões, o que contribuiu para a desidratação da sua fortuna que já foi uma das maiores do país. O último bloqueio às suas contas foi decretado pela Justiça das Ilhas Cayman no valor de 63 milhões de dólares. A informação data de outubro do ano passado, mas foi divulgada nesta terça-feira.

29 de janeiro de 2017
Eduardo Gonçalves
Veja

FAMÍLIA DE ZAVASCKI NÃO ACEITA VERSÃO DO ACIDENTE E PEDE RIGOR NA INVESTIGAÇÃO


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Cármen Lúcia atendeu ao pedido da filha de Zavascki
A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, recebeu na manhã desta sexta-feira, 27, em seu gabinete a advogada Liliana Zavascki, filha do ministro Teori Zavascki. O encontro durou cerca de quarenta minutos. A presidente do STF também chamou para a conversa o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello – a PF apura as causas do acidente aéreo que matou o ministro em Paraty.
Liliana chegou ao gabinete de Cármen acompanhada do marido, Fernando. “Cármen sempre colocou a família de Teori em primeiro plano, estando sempre à disposição”, disse um auxiliar da ministra. Depois do encontro com Cármen, a filha de Teori foi ao apartamento funcional do ministro, localizado na Asa Sul, bairro nobre de Brasília.
HOMOLOGAÇÃO – Mais tarde, Cármen foi ao gabinete de Teori, localizado em um edifício anexo ao da Presidência do STF, acompanhada pelo juiz-auxiliar Márcio Schiefler. Schiefler participou pela manhã de audiência sigilosa com o empreiteiro Marcelo Odebrecht que faz parte do acordo de homologação da delação.
Ao deixar o gabinete de Teori, a ministra evitou responder a perguntas sobre quem assumirá a relatoria da Lava Jato. Cármen também não quis falar sobre uma eventual homologação da delação premiada da Odebrecht. “Nada a declarar. Estou exatamente hoje com 83 liminares (de outros casos) pra examinar”, desconversou.
PAUTA DA SEMANA – Além das dúvidas quanto à relatoria da Lava Jato e à homologação das delações da Odebrecht, Cármen Lúcia precisa definir a pauta de julgamento do STF da próxima semana. Dos 10 processos previstos para julgamento na primeira sessão plenária do STF no ano, marcada para a próxima quarta-feira, oito são de relatoria de Teori.
Segundo auxiliares da ministra, a pauta será alterada. A previsão é a de que a presidente do Supremo passe o final de semana em Brasília.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Esse tipo de matéria sempre exige tradução simultânea. Se a filha de Zavascki foi ao Supremo e não foi visita de cortesia, porque a presidente Cármen Lúcia convocou o diretor-geral da Polícia Federal, isso significa que a família do ministro não aceita a versão de acidente causado por mau tempo e falha do piloto. É o óbvio ululante que Nelson Rodrigues tanto procurava. Simples assim(C.N.)

29 de janeiro de 2017

Deu na IstoÉ
(Agência Estado)

O AMIGO BILIONÁRIO, QUE AJUDAVA QUALQUER PARTIDO


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Eike Bastista mostrava intimidade total com o poder
Nos últimos anos, poucos empresários brasileiros foram tão próximos do poder quanto Eike Batista. Sua ascensão meteórica foi impulsionada por uma intensa troca de favores com políticos. O dono do grupo X era o amigo bilionário, sempre disposto a bancar campanhas, emprestar jatinhos e abrir portas no mundo dos negócios. O empresário procurava agradar a todos, sem distinção partidária. Em 2006, fez doações idênticas de R$ 1 milhão para Lula e Geraldo Alckmin. Em 2010, repetiu a dose com Dilma Rousseff e José Serra. Até Marina Silva, que não tinha chances de vitória, recebeu sua cota de R$ 500 mil.
A lei permitia o financiamento privado, e Eike dizia que seu objetivo era contribuir com a democracia. Suas tacadas dependiam de ações do poder público, como a liberação de licenças ambientais e empréstimos do BNDES, mas ninguém parecia preocupado com o conflito de interesses. Se todos estavam felizes com o patrocínio, quem haveria de reclamar?
PARCEIRO DO PT – Em Brasília, o então bilionário era visto como um parceiro das gestões petistas. No governo Lula, virou campeão de multas por desmatamento, mas foi recebido com festa pelo ministro do Meio Ambiente. No governo Dilma, conseguiu vestir a presidente da República com o macacão laranja de sua petroleira.
No Rio, Eike investiu pesado na relação com Sérgio Cabral. Além de apoiar campanhas, financiou vitrines da gestão do peemedebista, como as unidades de polícia pacificadora e a candidatura para sediar os Jogos Olímpicos. Em 2008, quando a PF levantou as primeiras suspeitas sobre o empresário, o governador abriu o palácio para defendê-lo. Foi um amor eterno enquanto durou.
Nove anos depois, Cabral está preso em Bangu e Eike é procurado pela Interpol, acusado de ocultar dinheiro de propina. O mecenas que bancava os poderosos já deixou de ser bilionário. O próximo passo é deixar de ser amigo, quando tiver que escolher entre a cadeia e o acordo de delação.

29 de janeiro de 2017
Bernardo Mello Franco
Folha

É PRECISO ACREDITAR NO ADVOGADO E AGUARDAR QUE EIKE VOLTE E SE ENTREGUE À JUSTIÇA


As especulações sobre o caso Eike Batista são muitas. Com método e razão, vamos abordar o assunto. Primeiro, é preciso esclarecer a confusão que é feita a respeito de cidadania e nacionalidade. Cidadania toda pessoa humana tem. É um direito natural e decorre da própria vida humana. E os direitos de cidadania são inúmeros e se encontram consagrados em todas as Cartas Políticas de todos os povos e de todas as nações. O maior diploma internacional a respeito é a Declaração Universal dos Direitos do Homem (das pessoas humanas). Já nacionalidade é instituto diverso da cidadania. Toda pessoa humana tem cidadania. Mas nem toda pessoa humana tem nacionalidade. Exemplo desta excepcionalidade é o apátrida. Mas voltemos ao caso Eike, que ocupa o noticiário e se tem lido muitas bobagens e inutilidades.

Comecemos pela palavra de seu advogado, que, publicamente e perante à Polícia Federal e aos Procuradores da República, garante que Eike vai se apresentar. A garantia é de um advogado. E nela devemos acreditar.

Eike não contratou um advogado qualquer, irresponsável e inculto. Quem o defende é advogado de nomeada que não vai emprestar seu nome e sua reputação para garantir algo que não seja verdade, mas mentira.

CARTA DE PRINCÍPIOS – Os advogados são responsáveis pelo que dizem, nos autos e fora deles. Está na Carta de Princípios da advocacia e nos Códigos de Processo que o advogado tem o dever de expor os fatos de forma verdadeira, sendo-lhe vedado mentir, falsear a verdade, cumprindo-lhe, sempre, agir com independência e decência. Está na mídia a declaração do defensor de Eike que seu constituinte vai se apresentar. É preciso acreditar nisso.

Eike tem a nacionalidade brasileira decorrente do “jus solis”. Nasceu no solo, no território brasileiro. Paralela e secundariamente, Eike tem também a nacionalidade alemã, por descender de mãe (ou outro ascendente) alemão. Daí, a dupla nacionalidade que deriva do “jus sanguinis”. Questão de sangue, portanto. Secundariamente, porque a nacionalidade primeira, originária, precedente, de berço e maior de todas é a nacionalidade brasileira. A alemã, Eike a adquiriu depois, tornando-se, portanto, nacionalidade secundária, acessória, que fica num segundo plano hierárquico.

FINALIDADE DEPLORÁVEL – A dupla, tripla ou até mais nacionalidades que o Direito Internacional instituiu para os cidadãos, para toda a Humanidade, não foi criada para proteger autores de delitos, para beneficiar malfeitores e protegê-los contra a responsabilização deles pelos crimes que tenham cometido no seu (ou nos seus) outros paÍses dos quais são também nacionais.

Seria vergonhosa a existência de um instituto de âmbito internacional para tão deplorável finalidade. A Humanidade e as Nações a rejeitariam, tão vergonhosa e acumpliciadora de crimes seria. A multiplicidade de nacionalidades é para o bem de todos os povos. É para facilitar, para honrar seus antepassados e ascendentes. Jamais, para dificultar a ação da Justiça e para desonrar o sangue daqueles que pertenceram às gerações passadas.

RECIPROCIDADE – Independentemente da existência de pacto, tratado, convenção ou jurisprudência, que são as fontes do Direito Internacional, há uma outra fonte de igual ou maior peso, que é a reciprocidade, a conjugação de esforços e medidas que todos os países naturalmente assumem e se responsabilizam quando se deparam com situações como esta, de Eike Batista. Ele tem prisão decretada pela Justiça do Brasil. E não será o governo alemão que vai lhe dar refúgio para impedir que responda pelos crimes dos quais é acusado na sua pátria-mãe, pátria-primeira, pátria-originária.

Não é crível e não passa pela cabeça de pessoas de bem e nações republicanas e democráticas um veredicto, administrativo ou judicial que pudesse ser retratado ou dito assim: “Embora o senhor Eike Batista esteja com prisão decretada pela Justiça Federal do Brasil, sua pátria de nascimento, e acusado de crimes de corrupção e lesa-pátria no Brasil onde nasceu e se criou, a Alemanha decidiu não extraditá-lo e conservá-lo em solo alemão por ser ele também descendente de alemão e protegê-lo das punições penais previstas nas leis brasileiras”.

Ninguém pode acreditar neste desfecho. Seria tão ou mais grave do que os crimes que o “alemão” Eike cometeu aqui no país em que nasceu.


29 de janeiro de 2017
Jorge Béja

SANTANA, O MARQUETEIRO, REVELA QUE DILMA O AVISOU DE QUE SERIA PRESO NA LAVA JATO



Para ser libertado, Santana pagou fiança de R$ 31 milhões
Na tentativa de destravar seu acordo com a Lava Jato, parado desde o fim do ano passado, o marqueteiro João Santana afirmou, em roteiro para sua delação premiada, que ele e a mulher, Mônica Moura, receberam recado da então presidente Dilma Rousseff de que seriam presos.
Em fevereiro de 2016, quando foram alvo da 23ª fase da Lava Jato, Santana e Mônica estavam na República Dominicana, onde comandavam a campanha presidencial para a reeleição de Danilo Medina. Após receberem o mandado judicial, embarcaram para o Brasil e se entregaram na sede da Polícia Federal em Curitiba, onde passaram quase seis meses presos.
Segundo a Folha apurou, o publicitário baiano resolveu incluir o relato que implica Dilma no plano de sua delação como uma espécie de trunfo, já que os procuradores da Lava Jato travaram as negociações com seus advogados.
Pessoas com acesso às investigações afirmaram à reportagem que Santana diz ter sido avisado de sua prisão por um aliado de Dilma, a pedido da então presidente, com quem o publicitário tinha uma relação de amizade.
FIANÇA ELEVADA – Santana e Mônica saíram da prisão no início de agosto, após pagarem fiança de mais de R$ 31 milhões. Ainda na carceragem, começaram a negociar um acordo com a força-tarefa, temendo permanecerem presos após uma possível condenação.
Procuradores ouvidos pela Folha reservadamente relataram que, até o momento, os fatos contados pelo marqueteiro e sua mulher não despertaram interesse da Procuradoria-Geral da República e da força-tarefa de Curitiba.
Os investigadores alegam que os detalhes dos pagamentos feitos pela Odebrecht no exterior para o casal, por exemplo, já foram esclarecidos em depoimentos de executivos da empreiteira e, portanto, esperam que a delação do marqueteiro e de sua mulher sejam mais abrangentes, com inclusão de fatos novos.
FORA DA PAUTA – Desde o início deste ano a defesa de Santana e Mônica não conseguiu agendar audiências com integrantes do Ministério Público Federal para tentar retomar as negociações.
Ex-integrantes do governo da petista dizem que, caso Dilma tenha realmente alertado Santana sobre sua prisão, o fez com base em “boatos” que, segundo eles, “estavam fortes na época”.
Procurado pela Folha, José Eduardo Cardozo, advogado de Dilma e ministro da Justiça na época da prisão de Santana e Mônica, afirmou que nem ele nem a então presidente tinham “informações privilegiadas sobre as investigações” e que, portanto, o relato “não procede”. Já os advogados de Santana e Mônica não quiseram se manifestar sobre o tema.
A PRISÃO – Em 12 de fevereiro de 2016, a Folha revelou que a Lava Jato investigava indícios de pagamentos feitos pela Odebrecht em contas de Santana na Suíça e, uma semana depois, o juiz Sergio Moro negou aos advogados do marqueteiro acesso aos autos que faziam referência e ele. De acordo com petistas, o ato de Moro “levantou a tese” de que Santana estava mesmo sendo investigado e que, portanto, poderia ser preso.
A prisão do casal, responsável pelas campanhas presidenciais do PT em 2006 (Lula), 2010 e 2014 (Dilma) veio 11 dias depois. A principal acusação era que Santana e Mônica receberam US$ 7,5 milhões no exterior de Zwi Skornicki, lobista de um estaleiro que tem negócios com a Petrobras, e de offshores ligadas à Odebrecht. Segundo o juiz Moro, Mônica sabia que os recursos recebidos eram de origem ilícita.

29 de janeiro de 2017
Marina Dias e Bela Megale
Folha

PIADA DO ANO: DEFESA DE ADRIANA ANCELMO ALEGA QUE NEM TODAS AS JOIAS ERAM DELA


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Algumas das 189 joias da coleção de Adriana Ancelmo
A defesa da advogada Adriana Ancelmo, mulher do ex-governador Sérgio Cabral, atualmente presa em Bangu em razão da operação Calicute, afirma que a denúncia formulada pelo Ministério Público Federal contra ela “beira o preconceito de gênero”. A afirmação é feita em documento de resposta à denúncia do MPF endereçado nesta sexta-feira (27) ao juiz da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, Marcelo Bretas.
A questão do suposto preconceito de gênero é apresentada quando a defesa questiona a imputação do crime de lavagem de dinheiro por meio da compra de joias em espécie pelo casal. A investigação aponta que o casal adquiriu 189 peças desde 2007, tendo gasto no total R$ 6,5 milhões. Essa seria uma forma de lavar dinheiro proveniente de propina, segundo o MPF.
A defesa de Adriana Ancelmo diz que a Procuradoria somou as compras da mulher com as de seu marido na hora de imputar-lhe crimes.
LEGALIDADE – O documento questiona a legalidade da denúncia contra a ex-primeira dama e diz que os procuradores fazem ilações sem provas para implicá-la no suposto esquema de corrupção liderado por seu marido.
Segundo o documento, os procuradores assumiram que todas as joias compradas por Cabral teriam como destino a sua mulher, o que beiraria o “preconceito de gênero”. Na peça assinada por seis advogados, a defesa alegal que houve compras de jóias por Cabral, por exemplo, no período em que o casal esteve separado. Também sustenta que não há provas no inquérito de que as jóias foram adquiridas com dinheiro ilegal.
“Não há qualquer motivo para somar as condutas supostamente perpetradas por seu companheiro, Sérgio Cabral Filho, às dela, pois o simples fato de se relacionarem não implica concurso necessário, sobretudo, quando, além de não ser acusada pela prática de corrupção, não há indício de que todas as joias compradas por Sergio tenham Adriana como única destinatária e, ainda que assim o fosse, não há prova sequer de que delas usufruía, beirando o preconceito de gênero supor que todas as peças servirão para uso ou regalo a uma mulher”, afirma.
A defesa questiona também o número apresentado, de 189 joias. Diz que a soma das compras de Cabral e sua mulher chega ao total de 72 peças. Ancelmo foi imputada em 64 atos de lavagem de dinheiro.
NOTAS FISCAIS – Segundo a defesa, duas joalherias apresentaram documentos que mostram que ela comprou um total de 36 peças no período. Apenas duas jóias não teriam nota fiscal emitida no dia da compra, sustenta a defesa.
Os advogados questionam também a maneira como as imputações foram feitas. Diz que em certos momentos, Ancelmo adquiriu mais de uma joia em uma mesma compra.
Caso fosse comprovada ilegalidade, sustenta, deveria haver imputação por apenas uma operação de branqueamento de capitais e não uma para cada item adquirido.
A defesa apresentou planilhas com os valores de imposto de renda de Adriana para mostrar que ela tinha condição de comprar joias de luxo, uma vez que era advogada de escritório bem sucedido.
Em 2005, a advogada declarou patrimônio de R$ 1,170 milhão. Dez anos depois, em 2015, declarou patrimônio de R$ 10,4 milhões.
OUTROS CRIMES – A defesa apresenta também argumentos contra outras imputações da denúncia. Diz que Adriana não pode responder por formação de quadrilha simplesmente por ser mulher do suspeito considerado o líder do esquema.
A lei diz que configura associação criminosa quando três pessoas ou mais se reúnem para cometer crimes.
“Ademais, como já exposto à exaustão, a incoativa pretende a responsabilidade penal de Adriana por um viés objetivo, porque sua condição de companheira de Sergio Cabral é o único elemento trazido aos autos pelo MPF para atribuir a ela ciência e dolo quanto aos crimes em comento, despindo-se do ônus da acusação ao não evidenciar a suposta unidade de desígnios entre a defendente e os demais membros da quadrilha”.
NO ESCRITÓRIO – Segundo a denúncia, o escritório de advocacia de Adriana Ancelmo era responsável por receber recursos e simular contratos de prestação de serviços para encobrir propinas. A defesa nega a prática. Em dois casos, na prestação de serviços para o resort Portobello e para a Reginaves, a defesa apresenta trechos do depoimento em que os donos dessas empresas afirmam ter contratado o escritório para consultoria em questões judiciais.
A defesa rebate também depoimento de funcionária do escritório de Ancelmo que disse que o operador financeiro do esquema Carlos Bezerra ia semanalmente ao local e entregava altas quantias em espécie, que eram depositadas em um cofre. “Verificou-se que, no período 2010 a 2016, ele esteve no Ancelmo Advogados apenas 19 (dezenove) vezes, jogando por terra a acusação formulada pelo MPF”, sustenta a defesa.
Também afirma que não está sendo respeitado o amplo direito a defesa. Alega que os procuradores utilizam supostas provas obtidas em outros inquéritos em que Ancelmo não é ré, sem, contudo, colocar as íntegras a disposição da defesa, que pede rejeição da denúncia de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha contra a advogada.
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – De início, parecia que a defesa era séria, redigida por seis advogados. Depois, nota-se que é uma pegadinha, candidata à Piada do Ano. A defesa insinua, por exemplo, que Cabral tinha outras mulheres, porque nem todas as joias eram compradas para Adriana Ancelmo. Realmente, uma anedota sensacional. Aliás, a defesa inteira é recheada de boas piadas, tipo zorra total. Alega até que Adriana Ancelmo é perseguida por ser mulher… Realmente, um primor. (C.N.)

29 de janeiro de 2017
Lucas Vettorazzo
Folha

É MELHOR A MINISTRA CÁRMEN LÚCIA SE APRESSAR...


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Prazo para Cármen Lúcia vai acabar nesta quarta-feira
Os políticos ameaçados pela Lava Jato querem que o Supremo Tribunal Federal deixe a delação da Odebrecht para depois. Até a semana passada, a coalizão de investigados tinha pouca esperança de atrasar o acordo da empreiteira com a Justiça. O relator Teori Zavascki estava decidido a homologar os depoimentos em fevereiro. Com isso, o fim do mundo chegaria antes do Carnaval. A morte do ministro deu um alento a quem sonha em frear a operação. Isso explica o impasse e as disputas em torno da indicação do novo relator dos casos. A escolha será decisiva para o futuro de deputados, senadores, ministros e do presidente Michel Temer, citado 43 vezes por um lobista da construtora.
Como não é possível garantir que o novo relator seguirá o ritmo de Teori, as delações correm um risco real de acabar na geladeira. Isso não ocorrerá se a presidente do Supremo, Cármen Lúcia, homologar os depoimentos até a próxima terça, último dia do recesso do Judiciário.
ESTANCAR A SANGRIA – Se a ministra confirmar o acordo, ninguém mais será capaz de “estancar a sangria”, pelo menos nesta fase das investigações. É por isso que Cármen tem sido aconselhada a homologar logo as delações, numa “homenagem” à memória de Teori.
No início da semana, dois movimentos abriram caminho para essa solução. Numa das frentes, o procurador Rodrigo Janot fez um pedido formal de urgência para o caso. Na outra, a presidente do Supremo autorizou os três juízes que auxiliavam Teori a retomar os trabalhos. Agora a decisão final está nas mãos da ministra.
Enquanto ela não age, as pressões se avolumam. Na quarta-feira (dia 25), o ministro Gilmar Mendes foi visitá-la e declarou que aceitaria com “naturalidade” a tarefa de ser o novo relator da Lava Jato. No domingo (dia 22), ele passou horas fechado com Temer no Palácio do Jaburu. Segundo a assessoria do ministro, tratou-se de um encontro de “amigos há mais de 30 anos”. É melhor Cármen se apressar.

29 de janeiro de 2017
Bernardo Mello Franco
Folha

PERÍCIA APURA SE O PILOTO DO KING AIR ADOTOU A PRÁTICA INFORMAL DE POUSO EM PARATY


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Mais uma tese para explicar acidente que matou Zavascki
O voo que levava o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Teori Zavascki pode ter seguido um procedimento não homologado pelas autoridades para pousar em Paraty (RJ) antes de sua queda, no último dia 19. Esse procedimento informal é uma forma de pousar na cidade em dias de mau tempo, de acordo com pilotos ouvidos pela Folha. O uso desse procedimento é uma das questões que estão sendo investigadas pelas autoridades aeronáuticas.
Segundo Carlos Camacho, piloto aposentado e analista de acidentes aeronáuticos, as indicações até agora são de que a manobra que teria sido feita com o avião, descrita por testemunhas do acidente, condiz com o que está previsto nesse procedimento.
“Se o piloto tivesse vindo direto para sua aproximação e pousado, poderia pensar melhor. Mas quando fez uma primeira aproximação e a perdeu, ele estava se enquadrando no procedimento Mandrake”, afirmou.
POUCA VISIBILIDADE – Os pilotos que voam em Paraty usam essa carta de aproximação para pousar no aeroporto quando as condições de visibilidade não permitiriam o pouso apenas por visual. O papel tem orientações para pouso “por instrumento” e de como fazer o procedimento em caso de “aproximação perdida” (arremetida).
Paraty não opera com qualquer tipo de instrumento, o que faz com que os pousos só possam ser realizados quando o piloto pode ver o aeroporto a cinco quilômetros de distância e 1,5 mil pés (cerca de 450 metros) de altitude. Quando as condições não são essas, os pilotos devem ir para outra pista.
Havia chuva e nebulosidade no momento do acidente, mas não está confirmado se o aeroporto tinha condições de pouso. As autoridades apuram ainda qual teria sido o procedimento do piloto.
ARREMETIDA – Na carta “Mandrake”, os pilotos são orientados a fazer a arremetida em 600 pés de altitude (menos de 200 metros) e a cerca de três quilômetros de distância da pista.
Segundo Camacho, as testemunhas apontam que a aeronave estaria em posição ainda mais baixa que a recomendada pelo documento não homologado. Essa também é a informação que circula entre pilotos da região.
De acordo o técnico, outro problema é a ausência de copiloto, o que, naquelas condições, não era recomendável. “Com chuva intensa sobre o mar, existe uma condição de espelhamento que confunde o piloto. Com atenção voltada para as partes internas do avião e procurando enxergar a pista, o piloto pode ter descuidado da altitude e quando viu estava entrando na água”, disse o técnico, lembrando que o copiloto auxiliaria nesse ponto.
Relatos de pilotos que voam na região mostram que procedimentos fora das normas são comuns, também por pressão dos donos de aviões

29 de janeiro de 2017
Dimmi Amora
Folha

FAMÍLIA DE TEORI ZAVASCKI TEM RAZÃO AO EXIGIR INVESTIGAÇÕES MAIS APROFUNDADAS


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Afinal, quem pode garantir se foi um acidente ou um atentado?
A família do ministro Teori Zavascki teria mil motivos para não continuar com as investigações, caso não houvesse dados suspeitos. Mas o que realmente me intriga são os extremos sobre o caso: de um lado aqueles que têm certeza que não houve crime e de outro os que têm certeza que houve assassinato, isso no segundo dia. Pensamentos extremistas levam ao fanatismo e não contribuem para com o esclarecimento, porque fecham a questão. Fico impressionada com isso!
Uma coisa que sempre me inquieta são as definitivas certezas, seja de um lado, seja de outro. Isso sempre me assusta. Assisti a vários casos em que mal o crime aconteceu e já haviam”linhas de investigação incontestáveis”; todas deixaram lacunas. Prefiro não citá-las, motivos óbvios.
Não digo que o ministro foi assassinado e não digo que não foi. Prefiro uma postura digamos, mais científica. Infelizmente, precisamos de respostas imediatas. A troco de quê???
RACIONALIDADE – Sobre a relação entre ideologia e racionalidade, podemos encontrar ensaios nas obras de vários pesquisadores e estudiosos clássicos, em Sociologia, Antropologia, Filosofia e Psicologia.
Gosto muito do filósofo, musicista e sociólogo alemão T. Adorno, que se baseia na teoria do conhecimento, e sobretudo de Freud, quando afirma que ”a razão é permeada pela irracionalidade”.
Para Freud, qualquer elaboração da razão é perpassada por elementos como pensamento, memória e fantasias, e neste último quesito destacam-se as necessidades, emoções e sentimentos humanos. Por isso (entre tantas coisas), o ser humano, assim como a racionalidade, é tão complexo e contraditório.

29 de janeiro de 2017
Silvia Zanolla

O HUMOR DO DUKE...

Charge O Tempo 28/01/2017
29 de janeiro de 2017

DEFESA DE EIKE GARANTE QUE ELE CHEGA AO RIO NA SEGUNDA-FEIRA, DIZ LAURO JARDIM


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Charge do Chico, reproduzida de O Globo
Nas conversas que tiveram com a Polícia Federal nas últimas 24 horas, os advogados de Eike Batista garantiram que o ex-bilionário desembarcará no Rio de Janeiro na segunda-feira para ser preso. Mais: a garantia foi dada por escrito. Não foi feito qualquer acordo para que Eike seja levado a uma prisão especial. Ficará, portanto, num presídio designado a presos que não têm formação universitária.
Tanto a Polícia Federal quanto a Procuradoria da República estão aguardando que Eike cumpra o prometido — embora, seguro morreu de velho, a Interpol mantenha o alerta vermelho sobre o paradeiro de Eike.  Afinal, ele pode estar querendo ganhar tempo e fugir para a Europa.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – O excelente colunista Lauro Jardim recebeu a informação com exclusividade, mas é cauteloso e fez a ressalva. Pode ser que aconteça ou não. A informação mais importante a ser checada é se a mulher de Eike, a estonteante Flávia Sampaio, que está com ele em Nova York, carimbou ou não o passaporte para a Alemanha. Sou cauteloso como Lauro Jardim, mas acho que Eike vai voltar. Se estivéssemos na Inglaterra, onde se aposta em tudo, eu até arriscaria alguns euros, que ainda estão circulando por lá, se é que a libra esterlina vai mesmo voltar com o Brexit(C.N.)

29 de janeiro de 2017
Lauro Jardim
O Globo