"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

O ÓPIO DO POVO


Foi bom parar de falar na crise e na política. 
Não quero nem pensar na próxima segunda-feira, essa espécie de quarta-feira amplificada que nos aguarda ali na esquina, sem Olimpíada, sem uma festa emendando na outra, sem todas as línguas do mundo se misturando no calçadão e no Boulevard; não quero nem pensar na cidade sem Guarda Nacional, ou nos estádios vazios; não quero nem pensar na conta.

Fui contra a realização da Olimpíada no Rio, assim como fui contra a Copa do Mundo: acho que o país tinha, e continua tendo, outras prioridades. 

Não me conformo com o desperdício dos estádios construídos para a Copa nos lugares mais inviáveis, e me revoltam as muitas demolições e reconstruções do Maracanã, em particular, assim como a arrogância da Fifa e do COI, em geral, exigindo equipamentos insustentáveis de primeiro mundo num país com tantas dificuldades. 
A lista de absurdos é imensa, e algo me diz que ainda vamos ter muitas surpresas desagradáveis ao longo do tempo à medida que formos contabilizando os prejuízos.

Por outro lado, não posso negar que foi bom viver essa pausa na enxurrada de más notícias dos últimos tempos. Foi bom parar de falar na crise e na política, dois motivos de permanente depressão, e usar um pouco de indignação para defender o Biscoito Globo.

Foi bom ver as redes sociais cheias de especialistas em esportes aos quais nunca prestamos atenção, e ver o Rio transformado em centro do mundo; apesar de todas as reportagens negativas, valeu ver a nossa cidade sendo filmada com amor e, eventualmente, sendo descrita com entusiasmo. 
O Rio não é só beleza, mas também não é só violência; agradeço aos colegas de todos os países que se deram ao trabalho de tentar explicar a nossa complexidade aos seus leitores sem cair nos velhos chavões.

Foi bom — é sempre bom — ver como os outros nos veem. Ao contrário do que imaginam as pessoas que não convivem com estrangeiros, têm horror a estrangeiros e acham que qualquer cortesia feita a um estrangeiro é um golpe no amor próprio da Pátria, descobrir o olhar do outro é sempre interessante, ainda que às vezes nos cause desconforto.

Tenho uma secreta inveja de cidades como Veneza ou Nova York, que têm vastas bibliografias em qualquer língua conhecida, e são cenário de tantos filmes e romances diferentes. 
Gosto de comparar versões e experiências, e adoro saber como tanta coisa que me parece familiar e trivial é vista por gente para quem tudo é novidade. 

Não sei se o Rio já foi uma cidade mais turística do que é hoje, se o Brasil já foi mais educado e gentil, mas foi triste ver a repercussão do post de uma universitária que, apesar de falar inglês, se vangloriava de ter negado informações a um estrangeiro: “Gringo tá no Rio e eu que tenho que falar inglês?”.

Para muita gente imbuída de uma noção perversa de patriotismo, a moça tomou a decisão certa. Como assim, dar informação a uma pessoa que, visitando o Brasil, não se deu ao trabalho de aprender português?! Coisa tão fácil, tão simples...

Quero ver como essa turma vai se virar na próxima Olimpíada, em Tóquio. 
Por falar em patriotismo — segundo o dr. Johnson, “o último refúgio dos canalhas” —, a medalha da vergonha vai, sem dúvida, para o judoca egípcio que se recusou a apertar a mão do rival israelense. 
Ela pode ser compartilhada com todos que acharam a atitude louvável.

O Comitê Olímpico do Egito fez o que se esperava e desligou o infame El Shehaby da delegação. Parabéns para o comitê. E parabéns para a nossa torcida, que o cobriu de vaias.

Essa foi a única vez, aliás, que concordei com as vaias. Na maioria dos casos me senti profundamente envergonhada: nenhum atleta que esteja competindo de forma limpa e digna, dando o melhor de si, merece vaia. 
Torcer pelos brasileiros é uma coisa, vaiar as demais equipes e demais atletas é o suprassumo da baixaria.

Não entendi os comentaristas que tentaram relativizar o péssimo comportamento das nossas arquibancadas. Não há “alegria”, “espontaneidade” ou “autenticidade” que justifique isso. 

A medalha da crueldade vai para o cavaleiro brasileiro Stephan Barcha, desclassificado na disputa do salto por abusar das esporas e ferir seu parceiro Landpeter do Feroleto. Ele tem muito a aprender com Adelinde Cornelissen, da Holanda, que desistiu da competição para poupar o cavalo Parzival, que havia estado doente. Pode começar a aprendizagem pela leitura do post que ela escreveu no Facebook:

“Desisti, para protegê-lo... Meu camarada, meu amigo, o cavalo que sempre fez tudo por mim na sua vida não merece isso... De modo que saudei (a plateia) e me retirei da arena”.

A ferida de Landpeter foi considerada “uma fatalidade” pela equipe. Questiono esse tipo de “fatalidade” na barriga de um animal que, para começo de conversa, nunca pediu para competir. 

As casas dos vários países foram um dos pontos altos da Olimpíada. Queria que elas ficassem aqui para sempre, com a sua música, os seus sabores, a sua troca de culturas e o seu jeitinho de Feira da Providência. 

Levo um saldo pessoal muito positivo da Rio-2016: conheci Buzz Aldrin, o astronauta, um dos meus ídolos da vida toda, vi o primeiro jogo da nossa seleção feminina contra a Suécia (aquele, o bom!) e tive o privilégio de ver Simone Biles ganhar uma medalha de ouro.

Nunca pensei que tudo isso pudesse acontecer num espaço tão curto de tempo.

18 de agosto de 2016
Cora Ronai, O Globo

O SHOW ESTÁ CONFIRMADO: CARDOZO ANUNCIA QUE DILMA VAI RESPONDER AOS SENADORES



Cardozo diz que Dilma está tranquila e não tem receio de nada
O advogado da presidente afastada Dilma Rousseff, o ex-ministro José Eduardo Cardozo, disse ao Globo que o objetivo da petista é responder aos questionamentos dos senadores, durante o julgamento final do processo de impeachment, que se inicia na próxima quinta-feira, embora não seja obrigada a respondê-los. Dilma decidiu se defender pessoalmente no plenário do Senado, o que acontecerá, pelo calendário definido, no dia 29 de agosto. A presidente afastada falará por 30 minutos, mas poderá ter seu tempo prorrogado a critério do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski.
“A presidente Dilma comparecerá e vai responder às perguntas, e, portanto, podem ter absolutamente clareza de que ela atenderá àquilo que for solicitado. A presidente nunca teve receio, não tem e não terá receio dos efeitos de qualquer situação porque ela tem sua consciência absolutamente tranqüila” — disse Cardozo, que conversou com Dilma nesta quarta-feira.
A presidente afastada poderá ser interrogada pelos senadores, pela acusação e pela defesa. Cada um terá cinco minutos para fazer suas perguntas. Os aliados petistas comemoraram sua decisão de comparecer.
RITO DA SESSÃO – Lewandowski e os líderes no Senado sacramentaram nesta quarta-feira as regras para o julgamento final, que poderá durar até sete dias. Presidente do processo de impeachment, o ministro foi convencido pelos senadores a realizar sessões no fim de semana, caso seja necessário. O cronograma prevê o início do julgamento na próxima quinta-feira, mas a votação final só deverá ocorrer na madrugada do dia 31. O acordo é só interromper o julgamento depois de ouvidas todas as testemunhas, duas de acusação e seis de defesa.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – As declarações de Cardozo significam que a presidente afastada não vai renunciar. Portanto, o espetáculo do impeachment está confirmado em todo o  esplendor, porque Dilma proclamou que não tem medo de nada, já passou por tensões piores e vai enfrentar os senadores. As emissoras de TV estão decepcionadas. A audiência de seus programas na quinta-feira vai desabar, porque a exibição da mulher sapiens, falando de improviso, ao vivo e a cores, durante várias horas seguidas, será de arrasar a concorrência.(C.N.)


18 de agosto de 2016
Christiane Jungblut

O Globo

SEM CONSEGUIR APOIO NO BRASIL, PT AGORA TENTA CONQUISTAR ADEPTOS NO EXTERIOR



Em inglês e francês, Lula tenta conseguir apoio no exterior
O PT lançou um documento em quatro idiomas (português, inglês, espanhol e francês) defendendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva das acusações contra ele na Justiça brasileira e afirmando que há uma “caçada judicial” do líder petista no País. O documento reproduz o conteúdo de uma postagem divulgada pelo Instituto Lula no dia 20 de julho em seu site.
Segundo a assessoria de imprensa do PT, o partido bancou a impressão de 5 mil exemplares do documento, que tem oito páginas, e está enviando para alguns veículos de imprensa e parlamentares. A assessoria não informou os destinatários do que chamou de “cartilha”. A íntegra também está na página do PT na internet.
A publicação faz acusações às investigações do Ministério Público e Polícia Federal e reitera que não foi encontrado “rigorosamente nada capaz de associar Lula aos desvios na Petrobras, investigados na Operação Lava Jato, ou a qualquer outra ilegalidade”. Logo na abertura, o texto diz que adversários promovem um julgamento pela mídia, “na mais violenta difamação contra um homem público em toda a história do País”.
PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA – Segundo o texto, foram violados os direitos à presunção da inocência, ao sigilo das comunicações telefônicas, à preservação de dados pessoais, ao direito de resposta, ao exercício de função pública e até “o direito de ir e vir”, em referência à condução coercitiva de Lula no dia 4 de março.
A publicação cita o ministro Gilmar Mendes, o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, e o juiz Sergio Moro nos apontamentos. “Agentes partidarizados do Estado, no Ministério Público, na Polícia Federal e no Poder Judiciário, mobilizaram-se com o objetivo de encontrar um crime – qualquer um – para acusar Lula e levá-lo aos tribunais”, diz o texto.
Apresentando uma lista de inquéritos abertos na Justiça, o documento também traz quais foram as investidas de Lula com recursos e defesas na Justiça.
A publicação divide as principais acusações em tópicos e traz uma versão de defesa para cada caso: o apartamento no Guarujá, o sítio em Atibaia, as palestras do ex-presidente, as doações ao Instituto Lula e as alegações de obstrução da Justiça. Por fim, o documento termina trazendo um link com a íntegra do depoimento de Lula aos delegados e procuradores da Operação Lava Jato, quando houve a condução coercitiva do político até o aeroporto de Congonhas.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Chamar de “documento” esse tipo de propaganda política é realmente forçar uma barra, com dizem os jovens. E vem aí o “Documentário do Golpe”, uma versão televisionada do impeachment de Dilma Rousseff, gravada e patrocinada pelo PT com recursos públicos do Fundo Partidário. (C.N.)

18 de outubro de 2016
Deu em O Tempo
(Agência Estado)

DEFESA DO BRASIL NA ONU SOLICITA O IMEDIATO ARQUIVAMENTO DA DENÚNCIA DE LULA

Conselho da ONU já confirmou o recebimento da defesa do Brasil


É um gesto inédito. Cinco brasileiros (um aposentado, dois advogados, um jornalista e um médico) tomam a iniciativa de se dirigir ao Conselho de Direitos Humanos da ONU para apresentar a Defesa do Estado Brasileiro contra a denúncia que o ex-presidente Lula da Silva apresentou contra o Brasil.

Redigida pelo jurista Jorge Béja e subscrita também pelo advogado João Amaury Belem, o aposentado Francisco Bendl, o médico Ednei Freitas e o editor daTribuna da Internet, a defesa sustenta a preliminar de que basta ser brasileiro para ter direito a defender seu pais, pois a defesa do Estado Brasileiro é dever de todos e a nacionalidade brasileira serve de mandato, natural e congênito, para que possam representar a nação.

O documento demonstra que Lula da Silva apresentou à ONU denúncias falsas e levianas, ao alegar ter sofrido prisão arbitrária e invasão de privacidade, além de afirmar que lhe estão sendo negados o direito a um tribunal imparcial e o direito de proteção a sua honra.

Ao final, a Defesa do Estado Brasileiro demonstra que, de acordo com as normas que regulam o Conselho de Defesa dos Direitos Humanos da ONU, a denúncia apresentada pelo ex-presidente sequer pode ser examinada, por se enquadrar na regra que prevê arquivamento automático. 

O documento, encaminhado em inglês à sede do Conselho, na Suíça, é do seguinte teor:

Senhores Membros do Conselho de Defesa dos Direitos Humanos da ONU.

( Resolução 60/251, Assembleia Geral da ONU)

Referência – Denúncia de Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente do Brasil.
Data da Denúncia: 28.7.2016

Objetivo da presente petição: Defesa do Estado Brasileiro na denúncia do ex-presidente Lula da Silva.

Autores da Defesa: cidadãos brasileiros identificados no final.

Os subscritores da presente pedem que suas razões sejam consideradas pelos membros do Conselho. Independentemente de existir ou não existir previsão no direito positivo, nacional ou internacional, os nacionais de um Estado-Membro também têm o direito e, fundamentalmente, o dever de defender seu país, seu Estado, em razão de uma denúncia apresentada a este Conselho. É uma das muitas prerrogativas da Cidadania. E a nacionalidade brasileira é a credencial. É a procuração. É o mandato natural (“mandatum, procuratione, delegatione congenitum et naturalis ex patriae“). O direito que o Pacto Internacional Sobre os Direitos Civis e Políticos (ICCPR) confere a uma pessoa para recorrer a este Conselho com uma denúncia contra seu Estado é o mesmo que os demais nacionais-patrícios também possuem para defender o mesmo Estado denunciado e apresentar contestação em defesa de seu país.

Os subscritores da presente leram o conteúdo da denúncia que o senhor Luiz Inácio Lula da Silva apresentou contra o Estado Brasileiro, do qual foi presidente da República de 2003 a 2010. Os fatos e os fundamentos não justificam a denúncia apresentada. O ex-presidente acusa que o Estado Brasileiro, por intermédio do Poder Judiciário Federal, cometeu contra ele prisão arbitrária, que lhe são negados o direito a um tribunal independente e imparcial, o direito de ser considerado inocente até que se prove sua culpa, o direito de ser protegido contra interferências arbitrárias ou ilegais na sua privacidade, de sua família, de seu lar, de sua correspondência e que se encontra desprotegido contra ofensas ilegais à sua honra e reputação. O ex-presidente Lula faz referência aos artigos 9 (1) e (4), 14 (1) e (2) e 17, do ICCPR, que aponta por violados. Esta é a síntese da denúncia.

Soberania é o exercício da autoridade de um povo e que se pratica por meio de seus órgãos constitucionais representativos. No âmbito do Direito Internacional, a soberania refere-se ao direito de um Estado para exercer seus poderes. A República Federativa do Brasil é um Estado soberano. A Constituição do Brasil tem como princípios fundamentais e pétreos, entre outros, a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, a prevalência dos direitos humanos.

A Magna Carta do Brasil garante que todos são iguais perante a lei, que aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. Que ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal (“due process of law”). Que ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória. Que ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente. O Capítulo I do Título II, da Constituição da República Federativa do Brasil, enumera perto de uma centena de Direitos e Garantias Fundamentais e de Direitos e Deveres Individuais e Coletivos. É um diploma primoroso.

O ex-presidente Lula reclama a este Conselho que foi vítima de prisão arbitrária (artigo 9, (1) e (4) do ICCPR). Não é verdade. Após cumprir 8 anos na presidência do Brasil, o ex-presidente nunca sofreu prisão. Menos, ainda, prisão arbitrária. Ele jamais foi preso. Nunca foi levado ao cárcere. Contra um decreto de prisão ilegal, a legislação brasileira (Constituição Federal e Código de Processo Penal) prevê o remédio do Habeas Corpus: preventivo para impedir que a pessoa venha ser presa, e repressivo para libertar a que foi presa. E não se tem notícia de que o ex-presidente tenha usado este remédio legal. Não usou porque dele não precisou. É verdade que o ex-presidente foi conduzido de sua casa à presença da autoridade para prestar esclarecimentos necessários para a descoberta da verdade em regular procedimento penal e a fim de possibilitar uma sentença justa. E assim foi determinado por um juiz federal.

O Código de Processo Penal do Brasil autoriza, em qualquer fase do inquérito ou da instrução criminal, que o juiz decrete a prisão preventiva de uma pessoa para garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente da sua autoria (artigo 312). Quem pode mais, pode menos. Quem tem o poder legal, por conveniência da instrução criminal, para decretar a prisão preventiva de uma pessoa também tem o poder para ordenar que a pessoa seja conduzida à presença da autoridade apenas para prestar esclarecimento e depois ser liberada e voltar para sua casa. É um poder que o ordenamento jurídico nacional confere aos magistrados brasileiros.

No Brasil o Poder Judiciário não atua ex offício, mas somente quando procurado e provocado pela parte (“Nenhum juiz prestará a tutela jurisdicional senão quando a parte ou o interessado a requerer, nos casos e formas legais” ). O ex-presidente foi levado à presença da autoridade por ordem de um juiz federal e a requerimento do Ministério Público Federal. Esta determinação judicial não contém a menor ilegalidade nem o menor abuso de poder.

A Constituição do Brasil e a legislação infraconstitucional garantem múltiplos recursos aos investigados, indiciados e denunciados no âmbito do processo penal: Habeas Corpus, Mandado de Segurança, Agravos, Reclamação, Apelação, Recurso Especial, Recurso Extraordinário… As decisões do juiz federal Sérgio Moro (magistrado alvo da denúncia do ex-presidente a este Conselho), bem como de qualquer outro juiz de primeira instância, não são absolutas, finais e definitivas. As decisões ficam sujeitas à revisão pelos Tribunais de Justiça da localidade em que atua o juiz.

Também as decisões destes Tribunais locais não são absolutas e definitivas. Elas ficam sujeitas à revisão por parte de dois outros tribunais superiores: o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e acima deste, o Supremo Tribunal Federal (STF), este, sim, é a instância máxima e final. E a lei permite que todos os recursos, até serem apreciados e julgados, sejam recebidos com efeito suspensivo. Isto é, sem o prévio cumprimento da pena criminal imposta.

Quando uma pessoa tem motivos justos para não ser julgado por um juiz que a pessoa entende não ser um juiz imparcial, existe na legislação instrumento legal para afastar o juiz do processo. É a denominada Exceção de Suspeição. Quando apresentada e acolhida, o juiz é afastado e outro magistrado passa a presidir o processo.

A legislação penal brasileira é segura e bastante ampla e abrangente para garantir uma prestação jurisdicional isenta, justa e sem mácula, sem vício e sem malícia. É a plena garantia a todos assegurada de um julgamento limpo, por um tribunal independente e imparcial.

Quando necessário, e a requerimento da autoridade policial ou do Ministério Público e em busca da verdade real, a legislação penal brasileira dá aos juízes o poder de interceptar correspondências epistolares, telefônicas e decorrentes de outros avanços tecnológicos de qualquer pessoa, seja um santo ou um ex-presidente da República. Todos são iguais perante a lei. E do Poder Judiciário nada pode ser escondido. A todos cumpre o dever de colaborar com a Justiça para quem não pode existir segredo ou ocultação de fatos e provas.

Não se trata de um devassamento da privacidade, e sim de instrumentos legais para que a verdade não seja subtraída e a distribuição da Justiça possa ser feita com segurança e de forma rigorosamente justa. A sociedade não pode ser iludida, principalmente quando a pessoa investigada é um ex-Chefe da Nação, que a governou por oito anos consecutivos, período em que ocorreram as mais tenebrosas e diabólicas tramas de corrupção generalizada e consumada contra o dinheiro do povo.

Para finalizar. Há um pressuposto, uma etapa intransponível que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não cumpriu antes de recorrer a este Conselho. É princípio cardeal e insuperável estabelecido pela Organização das Nações Unidas, que para uma pessoa recorrer ao Conselho dos Direitos Humanos da ONU é preciso que sua defesa esgote todos os recursos no seu país de origem. Eis a advertência da ONU: “É preciso ficar claro que as denúncias só devem ser feitas quando estiverem esgotados todos os recursos jurídicos no país de origem da denúncia”.

Não se tem notícia de que o ex-presidente Lula tenha esgotado os múltiplos recursos jurídicos que o ordenamento brasileiro dispõe como instrumentos de defesa. Esta é uma prova indispensável a cargo do ex-presidente. Caso contrário, sua denúncia contra o Estado Brasileiro merece ser extinta de imediato, de plano, e a peça levada para o arquivo.


18 de agosto de 2016
Carlos Newton

ROGER SCRUTON




18 de agosto de 2016

O "TROUXA" E A "INOCENTA"


Dilma e Bumlai, o amigo de Lula, culpam o PT por suas dores. Ela se acha traída. Ele se vê como o otário usado para pagar a conta de uma suposta chantagem contra Lula

Ela se considera vítima do próprio partido e da oposição, traída pelos aliados e até hoje perseguida pelos assassinos e torturadores da ditadura acabada 31 anos atrás. Ele se acha “trouxa”, otário, simplório, fácil de ser enganado.

Foi dessa forma que a ex-presidente Dilma Rousseff e o pecuarista José Carlos Bumlai se apresentaram nos últimos dias.

Dilma, em defesa prévia, culpou o PT por “responsabilidade” no pagamento ilícito de US$ 4,5 milhões aos publicitários João Santana e Mônica Moura para saldar dívidas da sua campanha presidencial de 2010.

O dinheiro teve origem em propinas cobradas pelo ex-secretário de Finanças do PT João Vaccari sobre os contratos da Petrobras com o um estaleiro de Cingapura, Keppel Fels — contou no tribunal o engenheiro Zwi Skornicki, intermediário de repasses mensais de US$ 500 mil para Santana, via Suíça, entre setembro de 2013 e outubro de 2014, quando Dilma foi reeleita.

Era um segredo das campanhas presidenciais de 2010 e 2014: “Achava que isso poderia prejudicar profundamente a presidente Dilma”, disse Santana, em juízo, ao explicar por que não contara antes. “Eu que ajudei, de certa maneira, a eleição dela, não seria a pessoa que iria destruir a presidente. Nessa época (da sua prisão, em fevereiro deste ano), já se iniciava um processo de impeachment”.

Há mais coisas ocultas. Envolvem o fluxo de dinheiro da Odebrecht para campanhas de Dilma, Lula e outros do PT. Ficaram reservadas à colaboração premiada cujo desfecho talvez coincida com o impeachment no Senado.

Nesse outro processo, a “presidenta inocenta” — segundo o golpismo gramatical da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) — apresentou sexta-feira uma defesa de 675 páginas. Nela se definiu como vítima de uma “farsa” marcada pelo “desvio de poder, pela traição, pela desonestidade e pela ilegalidade”. Amaldiçoou quem discorda: “Nunca poderão afastar das suas mentes a lembrança dos que morreram e foram torturados.”

Se confirmado o epílogo, Dilma estará fora do baralho, inelegível aos 68 anos de idade. E, sem imunidade, passa ao centro das investigações sobre corrupção na Petrobras. Isso porque os publicitários confirmaram seu aval para operações ilegais com fornecedores da estatal.

Como Dilma, o pecuarista Bumlai também culpa o PT por suas dores. Apresentou uma defesa em 70 páginas na sexta-feira. Delas emerge como o “amigo de Lula” que aos 72 anos coleciona doenças, carros (23) e imóveis (23) — entre eles, uma fazenda de R$ 90,4 milhões. Bumlai se define, literalmente, como “um trouxa usado pelo PT e pelo Banco Schahin” na lavagem de R$ 12 milhões.

Esse dinheiro teria sido usado, em parte, para pagamento de uma suposta chantagem sobre Lula, quando era presidente da República. O objetivo era evitar revelações sobre o sequestro, a tortura e o assassinato do prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel, no ano eleitoral de 2002. A vítima teria descoberto desvio dos cofres municipais para o caixa do PT.

O caso permaneceu à sombra por 14 anos. Ressurgiu no juízo de Curitiba pela voz de Bumlai, agora no improvável papel de “trouxa” — confissão que lhe abriu o caminho para um acordo de delação premiada.


18 de agosto de 2016
José Casado, O Globo

TORTURA COMUNISTA, "LEOPOLDO LÓPEZ", "MADURO","REFERENDO REVOCATÓRIO"

TORTURA COMUNISTA "LEOPOLDO LÓPEZ" " MADURO " " REFERENDO REVOCATÓRIO "

  • 11 horas atrás
  • 769 visualizações
Por ter outra opinião e não aceitar a " Ditadura " " Comunista " da "Venezuela " de " Maduro " , a Miséria , fome , mortes; O Político e Ex Prefeito do " Município de " Chacao " em " Caracas " " 

18 de agosto de 2016
postado por m.americo

DILMA FALA EM DEMOCRACIA NA CARTA E ESCONDE QUE É MILITANTE TERRORISTA DA DITADURA COMUNISTA

NÃO SE TRATA APENAS DE IMPEACHMENT E SIM ELIMINAR UMA ORGANIZAÇÃO COMUNISTA CRIMINOSA

TE CUIDA MILITARES, SENADORES E BRASIL!

NÃO HÁ LIMITE PARA A OUSADIA DESSA GENTE

NÃO HÁ LIMITE PARA A OUSADIA DESSA GENTE


18 de agosto de 2016
postado por m.americo

RITO DO JULGAMENTO FINAL DE DILMA

SENADOR DO PT ADMITE O FRACASSO DO COMUNISMO/SOCIALISMO

CUSTO DO ESTATISMO

Os números realmente impressionam: 
43 empresas estatais criadas em 13 anos dos governos do PT. E foram 47 nos 21 anos do governo militar. Duas foram abertas e fechadas logo depois, como a Empresa Brasileira do Legado Esportivo. O estudo do Instituto Teotônio Vilela (ITV) está publicado no site da entidade, e apesar da linguagem partidarizada os fatos são eloquentes o suficiente e falam por si.

O ITV é órgão do PSDB e o objetivo do estudo, claro, é criticar seus adversários políticos. Mas há fartos motivos e números para isso. A Empresa de Planejamento e Logística (EPL) foi criada pela presidente Dilma na época em que seu presidente Bernardo Figueiredo era homem forte e comandaria a construção do trem-bala. O trem foi abandonado, Figueiredo teve uma perda súbita de prestígio e deixou o governo, mas a estatal ficou.

As 28 empresas não financeiras criadas pelo PT deram um prejuízo de R$ 8 bilhões na soma de todos estes anos e o custo da folha de salários foi de R$ 5 bilhões, segundo mostrou ontem o jornal “Valor”. Os maiores rombos foram de duas subsidiárias da Petrobras, a Petroquímica Suape e a Petrobras Biocombustíveis, que juntas deram um prejuízo de R$ 5 bilhões.


O erro não é criar empresa estatal, porque, eventualmente, elas podem ser necessárias para suprir um serviço de interesse público ou desenvolver um produto que o setor privado não queira correr o risco de produzir. 

Nestes casos, o melhor é a empresa ser criada, mas com objetivo bem claro, limite de gastos, transparência, obrigação de prestação de contas, profissionalização de gestão e tudo o mais que proteja o contribuinte dos costumeiros abusos. 
É preciso ficar claro que se ela não for necessária será fechada. Inaceitável é criar centros de prejuízo que se eternizam.

A Amazul foi criada para absorver tecnologia que possa sustentar um projeto, que sempre foi importante para a Marinha, de ter um submarino de propulsão nuclear no Brasil e até agora ela tem um déficit de R$ 27 milhões apenas com as provisões para despesas trabalhistas, porque todos os seus custos são cobertos pelo Tesouro. É uma empresa da qual não se espera mesmo que tenha lucro, porque não exerce atividade econômica. A Amazul informa que “uma das principais razões que motivou a criação da empresa foi conter a evasão de talentos”. E diz que tem uma estrutura enxuta e seu trabalho beneficia a sociedade porque “ajuda a consolidar nossa base estratégica de defesa”.

Não há dúvidas de que há funções do Estado que têm que ser desenvolvidas pelo Estado. Mas são inúmeras as estatais criadas neste período de 13 anos que não tinham razão de existir. A proliferação fazia parte da ideologia de que todo o desenvolvimento tem que ser conduzido e controlado pelo governo. Muitas vezes a ideologia foi apenas o pretexto para se criarem cabides de emprego, não importando o custo para os contribuintes brasileiros.

As estatais já existentes tiveram os seus cargos entregues à mais descarada das ocupações partidárias. Um exemplo: João Vaccari Neto foi nomeado membro do conselho de administração de Itaipu como compensação por não ter sido indicado para a presidência da Caixa, como ele queria. Vaccari hoje está preso e condenado por corrupção. Que qualificação mesmo tinha Vaccari para ser dirigente de Itaipu?

Existem ao todo 149 estatais no país, e as maiores delas, como Petrobras, Eletrobrás, Correios, Valec, Telebras, entre outras, tiveram prejuízos nos últimos anos. O da Eletrobras foi, entre 2011 e 2015, de R$ 26,8 bilhões; o da Valec chegou a R$ 3,3 bilhões e o da Chesf, R$ 5,8 bilhões.


Algumas empresas foram afetadas por má gestão, outras, vítimas de corrupção, todas tiveram dirigentes escolhidos pelo partido no poder ou seus aliados. 


Estatais foram criadas sem planejamento, foco, ou plano de gestão. E tudo isso foi encoberto pelo discurso de que o Estado é que tem que conduzir o desenvolvimento do Brasil. 

Desmontar esta estrutura, corrigir os abusos, fechar as ineficientes vai levar vários anos. Um dos casos malucos foi a criação do Banco Popular do Brasil, sem que houvesse qualquer explicação plausível para criar mais um banco público. 
O BPB deu prejuízo em cinco dos seus seis anos de existência.

18 de agosto de 2016
Miriam Leitão, O Globo

SUMIÇO DA FAIXA PRESIDENCIAL MOSTRA A ESCULHAMBAÇÃO QUE REINAVA NO GOVERNO


O broche foi roubado e reapareceu debaixo de um armário…


O icônico broche de ouro com 21 brilhantes da faixa presidencial foi encontrado empoeirado debaixo de um armário no Palácio do Planalto. 
O caso já é de polícia: a Polícia Federal interditou a sala do chefe do Cerimonial e colheu impressões digitais do faxineiro que achou a joia. 
Nos bastidores, é cogitado que alguém tenha “devolvido” o broche depois que o Planalto abriu uma sindicância, ou até que houve sabotagem de algum funcionário da presidente afastada Dilma Rousseff.

Um dia depois de o Planalto abrir uma sindicância para encontrar objetos desaparecidos do patrimônio da Presidência, um faxineiro achou o broche quando limpava a sala do chefe do Cerimonial, o diplomata Pompeu Andreucci, que era assessor diplomático da vice-presidência. 

Quando o funcionário da limpeza afastou um armário para tirar a poeira debaixo dele, encontrou a joia de ouro 18 quilates cravejada com 21 brilhantes, que é pregada à faixa presidencial. Além do brasão da República, há a imagem de uma mulher no broche, simbolizando a liberdade na pintura A Liberdade Guiando o Povo, de Eugène Delacroix.

A Polícia Federal foi chamada, e a área foi cercada. Impressões digitais do faxineiro foram colhidas, e a PF faz uma análise do broche e da área sob o armário. Não há prazo para resultados sobre essa investigação.

O local em que o broche estava já levantou duas hipóteses, reservadamente, no Planalto: arrependimento de furto ou sabotagem do governo afastado. A avaliação é que é muito provável que a joia tenha sido colocada lá propositalmente, por ter sido debaixo de um armário. Uma possível sabotagem petista seguiria a linha de considerar o impeachment um “golpe”, e de negar a legitimidade de Temer no cargo.

A faixa, que foi instituída por decreto há mais de um século pelo presidente Hermes da Fonseca, será utilizada no próximo desfile de 7 de setembro. Ela é de seda, com detalhes em ouro e diamantes. O broche é colocado no encontro das duas pontas do tecido.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – De repente, foram encontradas duas faixas e o broche estava estrategicamente debaixo de um armário. O fato é que o sumiço da faixa presidencial é a demonstração cabal da esculhambação que se implantou na República. 
O valiosíssimo broche é parte integrante da faixa, uma coisa não existe sem a outra. 
A responsabilidade pela guarda da peça é do chefe do Cerimonial da Presidência, no caso de a presidente Dilma ter devolvido a faixa a ele após usá-la na cerimônia da posse. 
Se não devolveu, a responsabilidade é da própria Dilma. Logo saberemos. (C.N.)


18 de agosto de 2016
Eduardo Barretto e Simone Iglesias
O Globo