"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

domingo, 19 de abril de 2015

O MAIOR PROBLEMA DO BRASIL SÃO OS SEUS GOVERNANTES


A educação é a base do progresso. Infelizmente, da ditadura para cá os governos incentivaram o ensino privado em detrimento do ensino público. É como na saúde: os planos de saúde foram permitidos pelos governos para se desobrigarem do atendimento à população.
O grande problema do Brasil são os presidente eleitos. Nenhum dele teve compromisso com a nação, apenas com seus interesses próprios e do partido a que pertenciam. O presidente Sarney, com o Plano Cruzado, elegeu governadores em todos Estados, com exceção de apenas um, no Nordeste, e até o Moreira Franco foi eleito no Rio de Janeiro, num disputa com Darcy Ribeiro.
Collor confiscou o dinheiro da poupança e ainda isentou do IPI carros com motor menor que 1000 cm3, o que levou as montadoras estrangeiras, instaladas no Brasil a lançar quase instantaneamente carros com preços menores que os da BR 800 da Gurgel, que não resistiu a concorrência. Itamar Franco é uma exceção, mas em 2 anos pouco pode fazer.
Veio FHC e começou as privatizações escandalosas de empresas estratégicas. Depois, chegou a vez do PT, com Lula e Dilma, em gestões que dispensam comentários. Um país que tem esse tipo de governante nem precisa ter inimigos.
MONTADORA NACIONAL
Se os governo as incentivassem, o Brasil hoje poderia ter várias indústrias automobilísticas totalmente nacionais, como a FNM, a Gurgel, a Santa Matilde, a Puma e outras. Há quem defenda as multinacionais, alegando que pagam muitos impostos, mas com o dinheiro que ganham aqui, têm mesmo é de pagar. As empresas nacionais também pagam muitos impostos, mas com uma grande diferença, o lucro fica aqui e ajuda o enriquecimento do país, enquanto o lucro das multinacionais sai sem volta para enriquecer outro país.

19 de abril de 2015
Nélio Jacob

DECLARAÇÕES DO ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO COMPLICAM DILMA



Ao invés de defender, Adams complicou Dilma
A afirmação do advogado-geral da União (AGU), Luís Inácio Adams, de que as controversas “pedaladas fiscais” do governo Dilma Rousseff são uma prática recorrente, é considerada por parlamentares do PSDB como mais um argumento para embasar um possível pedido de impeachment da presidente. Na tentativa de defender o governo da manobra fiscal, Adams fez nesta quinta-feira, segundo os tucanos, uma espécie de “delação não premiada”.
“Desde 2001, quando foi criada a Lei de Responsabilidade Fiscal, esta sistemática de pagamentos acontece. Por que só agora estão questionando isto?”, questionou Adams, que ainda hoje pretende recorrer da decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) de cobrar explicações da alta cúpula da equipe econômica do primeiro governo Dilma sobre as pedaladas fiscais.
A manobra do time do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega fazia parte da estratégia do governo de segurar pagamentos devidos a bancos públicos com o intuito de registrar gastos menores. Com isso, o governo conseguia melhorar artificialmente suas contas para engordar a meta de superávit primário – que é a economia feita para o pagamento dos juros da dívida pública. A operação é considerada irregular, pois fere a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
DELAÇÃO NÃO-PREMIADA
Desde que o TCU responsabilizou, na última quarta-feira, a equipe econômica pelos atrasos nos repasse de recursos federais para os bancos como forma de melhorar artificialmente o resultado das contas públicas, um grupo de analistas contratos pelo PSDB avalia ponto a ponto a decisão para verificar se a presidente Dilma pode ser incluída entre as responsáveis pela medida e, com isso, se abrir caminho para um processo de impeachment por crime de responsabilidade.
“Com aquela defesa, Adams fez um libelo das pedaladas. Foi uma delação não-premiada que dá um ponto para o impeachment porque significa que a presidente tinha conhecimento das manobras. As pedaladas eram uma operação oficial”, disse ao site de Veja o líder do PSDB no Senado Cássio Cunha Lima (PSDB-PB).
Apesar de o PSDB ter projetado que até a próxima terça-feira poderia concluir essa avaliação, o jurista e ex-ministro da Justiça Miguel Reale Jr. recomendou ao partido mais cautela e tempo para que o pedido de afastamento, quando for apresentado, seja mais substancioso. Com isso, os tucanos trabalham com novos prazos de pelo menos mais duas ou três semanas para concluir os argumentos pró-impeachment. Nos bastidores, além das pedaladas fiscais, eles consideram como tese para o impeachment a declaração de que dinheiro desviado da Petrobras foi repassado pelo tesoureiro petista João Vaccari Neto para uma gráfica ligada ao PT.
PAGAMENTO À GRÁFICA
Os investigadores da Operação Lava Jato descobriram indícios de que Vaccari usou recursos desviados da Petrobras e da Sete Brasil para quitar dívidas com uma gráfica ligada ao partido – e que foi multada por fazer campanha irregular para a presidente Dilma Rousseff em 2010. A informação surgiu em depoimento do executivo Augusto Ribeiro, da Setal Oléo e Gás (SOG), ao Ministério Público Federal e foi uma das razões listadas pelo juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal em Curitiba, para decretar a prisão preventiva do petista. A mando de Vaccari, duas empresas controladas por Augusto Ribeiro – Tipuana e Projetec – realizaram pagamentos que somam 1,5 milhão de reais à Editora Gráfica Atitude, entre 2010 e 2013, por meio de repasses mensais.
Os depósitos foram comprovados pelo Ministério Público. Ribeiro disse, porém, que Vaccari teria pedido o pagamento de 2,5 milhões de reais em troca de supostos anúncios impressos em revistas da gráfica e editora.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG - É impressionante a incompetência das autoridades petistas. Ao admitir que a pedalada existe, Adams deu uma mancada jurídica. Com advogados desse gabarito, Dilma nem precisa de acusadores. (C.N.)

19 de abril de 2015
Larissa Borges
Veja

PALOCCI "FATUROU" R$ 12 MILHÕES DURANTE A CAMPANHA DE DILMA



Capa edição 880 (Foto: divulgação)
Em 3 de dezembro de 2010, a petista Dilma Rousseff, eleita havia poucas semanas para seu primeiro mandato como presidente da República, mandou anunciar o nome do ministro mais poderoso de seu governo. Dali a dias, Antonio Palocci – ex-ministro da Fazenda, ex-deputado federal, ex-prefeito de Ribeirão Preto e hoje alvo ilustre da Operação Lava Jato – assumiria a chefia da Casa Civil. Era a improvável ressurreição política de Palocci, ceifado do governo Lula anos antes, quando, após resistir a toda sorte de acusações de corrupção, acabou por não resistir ao escândalo da quebra dos sigilos do caseiro Francenildo. Perdeu o cargo, mas não a influência.
Palocci ressurgiu na eleição de Dilma. Coordenou a campanha e atuou como arrecadador informal da petista, ao lado do tesoureiro do PT, João Vaccari, hoje preso. A nomeação para a Casa Civil, na qual sucederia a Erenice Guerra, premiava seus bons serviços na campanha. Nas palavras de Dilma, Palocci fora “um dos artífices da jornada vitoriosa” que a elegera. Estava claro quem mandaria em Brasília no terceiro mandato petista.
No mesmo dia do anúncio, Palocci recebeu R$ 1 milhão do escritório do criminalista Márcio Thomaz Bastos, segundo documentos da empresa do petista, em poder do Ministério Público Federal (MPF) e obtidos por Época. MTB, como era conhecido o advogado, morreu no ano passado. Em 2010, após uma longa passagem pelo Ministério da Justiça do governo Lula, na qual fez muitas tabelinhas com Palocci, resistia como principal conselheiro jurídico da cúpula do PT.
SEM CONTRATOS
O dinheiro foi repassado sem que houvesse sequer contrato formal. Era um contrato de boca. Duas semanas depois, Palocci recebeu mais R$ 1 milhão de MTB. Os R$ 2 milhões somavam-se aos R$ 3,5 milhões repassados durante a campanha e a pré-campanha de Dilma. No total, 11 pagamentos. Sempre sem contrato. Sempre em valores redondos – R$ 500 mil, no auge das eleições, e R$ 250 mil, antes. Sempre depositados, segundo o próprio Palocci, na conta da Projeto, a empresa de consultoria criada por ele após deixar o governo Lula.
No dia em que foi anunciado como ministro de Dilma, Palocci recebeu R$ 1 milhão em sua consultoria
Qual a origem do dinheiro? O Pão de Açúcar, dizem os advogados de Palocci e do escritório de MTB. Por que o Pão de Açúcar pagaria uma pequena fortuna a Palocci? Para que o petista, um médico sanitarista que passava aqueles dias de 2010 na intensa faina de uma campanha presidencial, ajudasse na fusão entre o grupo de Abilio Diniz e as Casas Bahia. Não se sabe como Palocci poderia ser tão valioso numa negociação dessa natureza – nem por qual razão o Pão de Açúcar não o contratara diretamente. Mas ele prestou algum serviço?
A renomada consultoria Estáter, contratada de forma exclusiva pelo Pão de Açúcar para tocar a fusão, informou ao MPF que, por óbvio, não – Palocci não prestou qualquer serviço, o que despertou suspeitas entre os investigadores. Fontes que participaram das negociações confirmaram a ÉPOCA que Palocci não participou de qualquer reunião, conversa informal ou troca de e-mails durante o negócio.
CONTRATO INFORMAL
Em ofício ao MPF, o Pão de Açúcar disse que “em função da relação de confiança desenvolvida” é comum que os “serviços de assessoria jurídica sejam contratados de modo mais informal”. Palocci não é advogado. Procurado por ÉPOCA, o Pão de Açúcar informou que não vai se pronunciar.
Palocci não tardou a cair novamente. Pouco após assumir a Casa Civil, o jornal Folha de S.Paulo revelou que ele comprara um apartamento avaliado em R$ 6,6 milhões, antes de voltar a Brasília. Palocci, que não tem herança e sempre foi político, se recusou a explicar a origem do dinheiro. Disse apenas que provinha dos clientes que contratavam a Projeto, sua empresa de consultoria. Preferiu deixar a Casa Civil a revelar os nomes deles – e a declinar para que fora exatamente contratado.
Agora, Época teve acesso a documentos internos da empresa de Palocci, a uma investigação sigilosa do MPF sobre ela e a uma lista com 30 nomes de empresas que pagaram o ex-ministro. Os papéis oficiais, assim como a investigação dos procuradores, revelam que a prosperidade da empresa de Palocci coincidiu com o momento em que ele assumiu as tarefas de coordenar a campanha de Dilma – e de arrecadar para ela.
PAGAMENTOS SUSPEITOS
Em 2010, Palocci recebeu, ao menos, R$ 12 milhões em pagamentos considerados suspeitos pelo MPF. Além dos pagamentos do escritório de Márcio Thomaz Bastos, supostamente em nome do Pão de Açúcar, os procuradores avaliaram como suspeitos os pagamentos do frigorífico JBS e da concessionária Caoa. Eles somam R$ 6,5 milhões. São suspeitos porque, na visão do MPF, Palocci, mesmo depois de ouvido, não conseguiu comprovar que prestou serviços às empresas – ou foi desmentido por quem estava envolvido, como no caso da consultoria Estáter e do Pão de Açúcar.
Ademais, para o MPF, a inexistência de contratos para muitos dos pagamentos reforça os indícios de que as consultorias foram, na verdade, de fachada. Por que grandes empresas gastaram tanto com Palocci? E qual o destino final do dinheiro? Ninguém sabe ainda.
LAVA JATO
A investigação à qual Época teve acesso corre em Brasília, mas será requisitada por procuradores que trabalham nos dois maiores casos de corrupção sob investigação no país: a Lava Jato. No petrolão, a Procuradoria-Geral da República abriu inquérito para apurar a acusação de que o petista arrecadou R$ 2 milhões – para a mesma campanha de Dilma em 2010. A denúncia foi feita pelo delator Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras.
Como Palocci não tem foro privilegiado, o processo contra ele corre no Paraná, sob a guarda do juiz Sergio Moro. Com base no trabalho dos procuradores de Brasília, a Força-Tarefa de Curitiba espera avançar mais rapidamente no rastro do dinheiro que circulou pelas contas associadas ao ex-ministro. Eles preparam o pedido de quebra dos sigilos de Palocci, entre outras medidas.
DIRCEU E VACCARI
Com o avanço em Palocci, que também está sob investigação em outras frentes da Lava Jato, a Força-Tarefa do Paraná atinge a tríade responsável pela arrecadação de dinheiro no PT desde a queda de Delúbio Soares. Além de Palocci, a tarefa cabia ao ex-ministro José Dirceu e ao tesoureiro João Vaccari. No caso de Vaccari, já preso, as evidências de participação no esquema são abundantes. Os procuradores também abriram uma investigação específica para Dirceu.
À semelhança de Palocci, Dirceu enriqueceu como consultor, após sair do governo em desgraça. Ele é suspeito de forjar contratos de consultoria para receber propina das empreiteiras. Ele e as empresas negam. No total, José Dirceu recebeu como consultor pouco mais de R$ 29 milhões entre 2006 e 2013. “Uma das principais sistemáticas para o pagamento de propina para agentes públicos era justamente a celebração de contratos simulados com empresas de consultoria. Há suspeita de que a JD assessoria tenha sido utilizada para essa finalidade”, escreveram os procuradores ao pedir a quebra de sigilo da empresa de Dirceu.
O ano de 2010, quando Dilma foi eleita, também foi próspero para o petista. Sua empresa de consultoria faturou R$ 7,2 milhões. Para os procuradores, as operações de Dirceu e Palocci são siamesas no método e, suspeitam, na finalidade.

19 de abril de 2015
Thiago Bronzatto e Filipe Coutinho
Época

ADVOGADO DIZ QUE VACCARI ESTÁ "INCONFORMADO" COM A PRISÃO




Vaccari mostra ser um grande chefe de família
Preso desde quarta-feira na Operação Lava Jato, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto disse a um de seus advogados que está “contrariado” e “inconformado” com sua prisão. “Ele vinha respondendo [às acusações] em liberdade e não praticou nenhuma conduta inconveniente nesse período. Pelo contrário, sempre colaborou e esteve à disposição da Justiça”, disse o advogado Elias Mattar Assad, que visitou Vaccari.
Segundo o defensor, apesar disso, o ex-tesoureiro, suspeito de ser um dos operadores do desvio de verbas na Petrobras, está “calmo e tranquilo”.
Vaccari disse estar dividindo a cela com outra pessoa (não detalhou com quem) e pediu roupas e itens de higiene pessoal, como escova de dentes.
Segundo o advogado Luiz Flávio Borges D’Urso, Vaccari pretende demonstrar, por meio de documentos e declarações do Imposto de Renda, que seu patrimônio e de sua família é compatível com suas atividades – esse foi um dos motivos que fundamentaram a prisão.
“Essa prisão não tem fundamentos jurídicos, e é injusta”, afirmou D’Urso à Folha. “Antes que seja demonstrada a origem dos recursos, fundamenta-se a prisão. Tudo tem origem lícita, foi declarado e isso vai ser demonstrado.”
VACCARI NEGA
Vaccari nega envolvimento com o esquema de corrupção na Petrobras, e diz que não foi beneficiário de recursos ilegais.
Segundo a ordem de prisão preventiva, cinco delatores apontaram o ex-tesoureiro como operador do esquema de corrupção na Petrobras. Disseram que ele ordenava que se fizessem doações legais ao PT e depósitos a uma gráfica ligada a sindicatos a título de pagamento de propina.
O advogado nega. “Isso não é verdade. Ele nunca pediu esse tipo de doação, não tem nada a ver com a gráfica”, afirmou D’Urso. “Palavra de delator não é prova.”
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – 
Vaccari e seus advogados fazem declarações patéticas. Instituiu a corrupção em família e se diz inocente, com todos os rendimentos declarados à Receita Federal… Seria cômico, se não fosse triste. E a jovem filha dele, Nayara, que já acumulou patrimônio de R$ 1 milhão sem nunca ter tido um emprego com salário que a fizesse pagar Imposto de Renda? Como eram empregos furrecas, e Nayara deve ser um fenômeno empresarial do tipo do filho de Lula, que era vigia do Zoológico e fico rico de repente(C.N.)

19 de abril de 2015
Estelita Hass Carazzai
Folha

O PROBLEMA É QUE DILMA ROUSSEFF PODE TER UMA RECAÍDA...




O melhor mesmo seria Dilma renunciar
Definitivamente, Deus não é brasileiro! Se fosse, teria mexido uns pauzinhos e homens como Antonio Ermirio de Moraes, Paulo Brossard e até mesmo Tancredo Neves, que chegou a botar a mão na faixa, teriam tido chance de serem presidentes. 

E de uma coisa tenho certeza: não seriam piores que mediocridades como José Sarney, Fernando Collor e Dilma Rousseff que atualmente nos desgoverna.
Muito pelo contrário, tenho certeza de que seriam melhores que FHC, Lula e até mesmo Itamar Franco, que talvez tenha sido o melhor ou (menos pior) dos últimos presidentes.
O Brasil tem tudo para voltar a deslanchar, porém há necessidade de um evento, sem o qual nada de bom vai acontecer: a saída da atual presidente. E a melhor maneira possível seria uma simples carta de renúncia, qualquer outra maneira será traumática.
A saída de Dilma Rousseff é uma condição necessária e acredito, de uma maneira otimista, que seja suficiente para a recuperação do país. Ainda que na prática já vivamos um parlamentarismo branco, esta não é a situação ideal. 
A presidente está cada vez mais refém de personagens com muito mais capacidade do que ela, como Michel Temer, Joaquim Levy e Lula (cada vez menos, e tomara que continue assim).
UMA AMEAÇA
O problema disso tudo é que nada impede que essa arrogante presidente volte a ter seus rompantes imbecis, tão típicos do seu comportamento. 
É um risco que todos corremos e que pode colocar por água abaixo todo um esforço de arrumação da casa, executado principalmente pelo Levy.
Por isso, a palavra de ordem, mais do que nunca, continua sendo: “Fora, Dilma”, e leve o PT junto.

19 de abril de 2015
Willy Sandoval

O GOVERNO PISCA

BRASÍLIA - Depois de uma semana em que más notícias turvaram algumas boas novas para o Planalto, o governo Dilma Rousseff exerceu com galhardia sua vocação para o tiro no pé nesta sexta (17).

Em vez de responder tranquilamente à condenação do TCU (Tribunal de Contas da União) às pedaladas fiscais de 2014, Dilma mandou nada menos do que dois ministros fazerem uma defesa exaltada e politizada, avocando novamente a palavra impeachment para si.

E não são titulares quaisquer. São o ministro da Justiça, supostamente o baluarte do republicanismo, e o advogado-geral da União, teoricamente estandarte da boa governança.

Ocorre que José Eduardo Cardozo e Luís Inácio Adams se apresentaram como militantes partidários de um governo acossado. Adams foi explícito, aliás, ao falar em um "ambiente de estresse econômico, fiscal e político". Desceram ao nível de um Sibá Machado, o líder cuja envergadura tem servido de epitáfio para o partido que o PT já foi no Congresso.

Cardozo, por sua vez, repetiu um papel recorrente, o de porta-voz do contraditório à oposição. Reclamou de quem pede o impeachment por causa do "casus belli" encarnado no desrespeito às regras do jogo.

A questão das pedaladas é séria e passível de punição, mas só ultrapassa o nível do Ministério da Fazenda em direção ao campo político se realmente houver um clamor pelo impedimento de Dilma.

Os mais de 60% de brasileiros que hoje defendem a medida são uma régua, e as ruas, menos estridentes mas presentes, outra. O PMDB mandando de fato no governo está, por sua vez, avaliando essas variáveis enquanto a banda toca.

Isso dito, por ora temos um acirramento natural da oposição querendo inflamar uma bandeira --como o PT já fez no seu tempo de militância.

Ao piscar tão nervosamente, o governo dá a exata medida do temor que se encerra em seu coração.

19 de abril de 2015
Igor Gielow, Folha de SP

O OUTRO LADO DO "OUTRO LADO"

O PT apoia sua estratégia de controle hegemônico do Brasil na reafirmação sistemática de mentiras essencialmente porque isso funciona. É uma técnica especialmente desenvolvida, testada e aprovada. O dano colateral do uso dessa arma é virtualmente irreversível, mas o poder é sexy o bastante para contar sempre com quem esteja disposto a matar e morrer por ele.

Na quarta-feira, 15, este jornal publicou extensa reportagem do Guardian sobre o assunto, no mínimo, angustiante.

Hoje todo mundo já nasce com os recursos de manipulação de imagens nas mãos e vive a maior parte da vida em mundos virtuais, de modo que a primeira coisa de que estamos treinados a desconfiar é daquilo que nossos olhos veem. Mas não foi sempre assim. 
A humanidade custou a recuperar-se do advento do registro cinematográfico. A edição de imagens destruiu a última barreira sólida que havia entre o nosso equipamento cognitivo e a realidade exterior. "Eu vi com meus próprios olhos" já foi o argumento que encerrava qualquer controvérsia. Hoje não existem mais certezas. Tudo pode ser nada.

Os totalitarismos e os genocídios do século 20 não teriam sido possíveis sem as falsas emoções e "realidades" que era possível plantar como reais antes que a humanidade aprendesse a redefinir o valor do que seus olhos viam e seus ouvidos ouviam.

Na ponta contrária, desenvolver essas técnicas em ciências se transformou numa credencial obrigatória de acesso ao poder e num imperativo de sobrevivência para os Estados nacionais. 
Enquanto os dois lados tinham objetivos diferentes a atingir, tratava-se de antecipar as reações do adversário, algumas jogadas adiante, e induzi-lo a erro ou a reações previsíveis por meio de informações falsas.

Mas os tempos ingênuos da "desinformação" ficaram para trás. Agora, na era do poder para nada, na era do poder pelo poder, não se trata mais de convencer, ainda que pela mentira. O que conta é conquistar e manter o poder, seja como for, não "para isto" ou "para aquilo", mas apenas para tê-lo, apenas para desfrutá-lo.

O Guardian descreve, então, como o celerado Putin, ex-KGB e agora czar de todas as Rússias, retomou a obra de onde a tinham deixado os soviéticos para adaptá-la à nova realidade das armas tão destrutivas que não podem mais ser usadas, em que as tiranias se impõem e se mantêm como se tudo não passasse de uma disputa entre advogados desonestos que se confrontam nos fóruns e tribunais internacionais, na qual o objetivo é manter-se sempre nas intersecções da regra e "destruir a ideia mesmo de prova" capaz de caracterizar uma determinada ação como estando em conflito com alguma delas, num universo em que nada é moralmente superior a nada, não há mais fatos, só versões, e onde a realidade "pode ser constantemente recriada".

Como é que se faz isso?

A Pequena Enciclopédia e Guia de Referências sobre Operações de Informação e Guerra Psicológica, compilada a partir do momento, em 1999, em que o marechal Igor Sergeyev, então ministro da Defesa, admitiu que a Rússia não tinha mais condição de competir militarmente com o Ocidente e era preciso partir para "métodos alternativos" para levar as guerras para a "psicosfera", onde as armas são outras, explica didaticamente o caminho. "Trata-se menos de métodos de persuasão e mais de influenciar as relações sociais (...) de desenvolver uma álgebra da consciência (...) As armas de informação funcionam como uma radiação invisível que atua contra alvos que sequer ficam sabendo que estão sendo atingidos e, assim, não acionam seus mecanismos de autodefesa."

Aproveitando o momento vulnerável da imprensa americana, que, no nível historicamente mais baixo de sua credibilidade por ter embarcado na mentira das armas químicas de Saddam Hussein sem checar suficientemente fontes alternativas, tentava redimir-se obrigando-se a dar um "outro lado" a toda e qualquer história que publicasse, Putin sentiu que estava na mão a oportunidade de levar a sua "guerra da psicosfera" para um patamar mais elevado.

Criou, então, a RT, uma espécie de BBC russa de televisão transmitida para diversos países, a começar pelos próprios Estados Unidos, chefiada por Margarita Simonyan, cujo mantra é "não existem reportagens objetivas. E se elas não existem, todas as versões são igualmente verdadeiras". 
Na velocidade da internet (Putin também paga um exército de blogueiros para inundar a rede de "provas" e "versões" do seu interesse para todo e qualquer fato que surge na imprensa mundial, de modo a tornar impossível apurá-los e desmenti-los a todos), os russos passam a testar a fidelidade dos jornalistas americanos à nova regra. "Especialistas" são convocados a todo momento às bancadas da RT para dar versões estapafúrdias de todo e qualquer acontecimento, que os jornalistas nunca desafiam, apenas reproduzem sob o onipresente título/álibi: "O outro lado". Assim nascem histórias bizarras que chegam a correr mundo como as de que o Ebola foi criado pela CIA para destruir populações de países pobres, a derrubada do avião da Malaysia Airlines pelos invasores russos da Ucrânia foi um erro dos americanos, que pensavam estar atacando o jato particular de Putin, e por aí afora.

Um mercado tinha sido criado. Bastava aos russos atender à demanda por "outros lados". "Se a objetividade é mesmo impossível e todas as versões, por mais bizarras que sejam, merecem ser apresentadas numa base de igualdade, então nenhum órgão de imprensa é mais confiável que os outros" é a conclusão dos auxiliares de Putin.

O projeto evolui, assim, para "uma espécie de sabotagem linguística da infraestrutura da razão: se a mera possibilidade de uma argumentação racional for soterrada num nevoeiro de incertezas, não há mais espaço para o debate e o público acabará desistindo de saber quem tem razão", efeito que, notam os estatísticos, "já é mensurável na Europa, onde as pesquisas registram um nítido desgaste da identidade coletiva e uma sensação geral de perda de controle".

Qualquer semelhança com o Brasil do PT não é mera coincidência.

19 de abril de 2015
Fernão Lara Mesquita, O Estado de S.Paulo

HAJA PEDALADA!!!

TCU descobre que Petrobras "pedalou" R$ 8,1 bilhões no Comperj. Custo da obra é quase 60% maior. Dilma não sabia?

O RISO FÁCIL DO CINISMO E DA IMPUNIDADE. ATÉ QUANDO? E os dois já riam muito na inauguração...

(O Globo) Sobram mistérios na Petrobras. Um deles é o custo real das obras em Itaboraí, na Região Metropolitana do Rio. Há uma década, começaram a ser construídas duas unidades de refino de petróleo, para produção de combustíveis e insumos petroquímicos. Ano passado, na esteira de uma crise gerencial e de endividamento, a companhia estatal reduziu o “complexo” a apenas uma refinaria — investimento bilionário e alvo de múltiplos inquéritos por suspeita de corrupção. 

A Petrobras tem ocultado informações sobre seus gastos no Comperj, diz o Tribunal de Contas da União (TCU), cujos auditores atravessaram o segundo semestre de 2014 conferindo a contabilidade do projeto e concluíram: “Não é possível identificar de forma precisa os investimentos totais”, tanto os realizados quanto os necessários à conclusão do empreendimento. A Petrobras informou que prefere não comentar.

A estatal, segundo eles, “não tem divulgado de maneira fidedigna” informações financeiras sobre a obra. As disponíveis são “conflitantes” e não refletem “o total de investimentos já comprometidos” — escreveram, frisando que não há “a preocupação formal” de divulgar dados exatos sobre o Comperj aos investidores, aos ministérios das Minas e Energia e Planejamento, e às comissões de valores mobiliários de Brasil e Estados Unidos.

Exemplificam: em abril de 2014, a Petrobras divulgou um total de investimento no Comperj de US$ 13,5 bilhões, em publicações para investidores — os Planos de Negócios de 2013 e 2014. Confirmou em relatório ao tribunal. 

No mesmo mês, porém, a Petrobras apresentou informe divergente à comissão americana de valores mobiliários (SEC, na sigla em inglês). Conhecido na burocracia como “Formulário 20-F”, é documento da rotina de fiscalização da SEC imposto às companhias com títulos negociados na Bolsa de Nova York. A estatal relatou à SEC os gastos na refinaria assim: “Completamos cerca de 66,3% da construção e investimos US$ 7,6 bilhões”. 

CUSTO É 59,2% SUPERIOR AO DIVULGADO

Diante da incoerência, em maio o TCU pediu as planilhas de investimentos no Comperj. Os auditores constataram outra realidade: “De acordo com a Estratégia Corporativa da Petrobras” — anotaram —, “o conjunto de obras necessárias para que o Trem 1 (primeira unidade) da refinaria entre em operação monta a US$ 21,6 bilhões, e esses investimentos já estariam integralmente comprometidos, contratados”. Os arquivos são datados de dezembro de 2012. 

Significa que, três anos antes, as contratações para a primeira refinaria do Comperj já somavam US$ 21,6 bilhões. Ou seja, 59,2% mais do que a empresa havia informado aos investidores, ao governo e aos órgãos de fiscalização em 2014.

Essa diferença de US$ 8,1 bilhões nas despesas divulgadas, segundo o TCU, tem origem na confusão gerencial que se espraia pela base de dados Sipe — abreviatura de “Seletividade de Investimentos do Plano Estratégico”. Ela é a provedora dos números usados nos papéis oficiais. Seus registros financeiros sobre o projeto em Itaboraí são “desconexos”, “inconsistentes” e “incompletos”, na avaliação do tribunal. 

Quando concluída, a refinaria do Comperj poderá processar 165 mil barris de petróleo por dia. Consideradas as variações nos dados enviados ao TCU e à SEC, é possível concluir que a produção da Petrobras em Itaboraí tanto pode custar US$ 80 mil quanto US$ 130 mil por cada barril de óleo refinado. A diferença de US$ 48 mil expressa a falta de clareza. 

As perdas da Petrobras no Comperj derivam de um padrão gerencial similar ao modelo aplicado na refinaria Abreu e Lima (PE), onde cada um dos 230 mil barris de óleo refinados custará no mínimo US$ 87 mil — acima do dobro da média internacional. Após uma década de gestão submissa a intenso loteamento político, a estatal será proprietária de um par dos mais caros empreendimentos da indústria mundial de petróleo. 

As sequelas da crise são visíveis na Região Metropolitana do Rio. Da ponte sobre a Baía de Guanabara, por exemplo, avista-se um improvisado estacionamento de rebocadores. — Estamos sob uma tempestade perfeita — diz Ronaldo Lima, presidente da Associação das Empresas de Apoio Marítimo. Ele diz que parte dos serviços de apoio à produção de petróleo foi cortada. A estatal nega. Nas ruas de Itaboraí, peões vagueiam atrás de ajuda para receber indenizações de fornecedoras da Petrobras, insolventes e sob investigação.

19 de abril de 2015
in coroneLeaks

A ROCAMBOLESCA INVENÇÃO DA "MÍDIA PARALELA"

Contra apoio crescente ao "impeachment", Dilma tenta criar uma "midia paralela" para mentir aos pobres.


Sem poder botar a cara na TV devido aos panelaços e tendo que ser mais detalhista nas explicações tendo em vista que elas não correspondem aos fatos, Dilma e o PT partem para fazer jornalismo paralelo, em vez de comerciais. 
Quando era para destruir adversários com mentiras na campanha eleitoral, 15 segundos serviam. Agora vão precisar de programetes de três minutos para engambelar o povão.
A matéria abaixo é do Estadão.

O governo decidiu adotar nova estratégia para enfrentar o agravamento da crise política. Surpresa com o movimento da oposição para revestir de legalidade a tese do impeachment, a presidente Dilma Rousseff traçou um roteiro de emergência para tirar o governo das cordas. Além de forte ofensiva de marketing, com campanhas na TV para mostrar que o governo não está parado, a reação prevê a "pronta resposta", em contraste com o silêncio dos primeiros meses do segundo mandato, e uma distância regulamentar do PT. 

Dilma reuniu ministros no Palácio da Alvorada, na sexta-feira, e deu a senha para o contra-ataque. Na avaliação do governo, é preciso demonstrar a "total falta de amparo jurídico" no discurso do impeachment e, ao mesmo tempo, criar uma espécie de "cordão sanitário" em torno do Planalto, para proteger a presidente dos sucessivos escândalos de corrupção.

A preocupação dos conselheiros de Dilma é com as suspeitas, alimentadas pela Operação Lava Jato, de que o dinheiro arrecadado pelo então tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, tenha chegado de alguma forma ao comitê da reeleição. Vaccari foi preso pela Polícia Federal e obrigado a se afastar do cargo.

"Todo o processo de arrecadação financeira foi coordenado por mim e se deu dentro da legalidade", insistiu o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, que foi tesoureiro da campanha de Dilma, em 2014. "Não houve nada informal."

Na última semana, o senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, elevou o tom contra Dilma, aproveitando a prisão de Vaccari, acusado de desviar recursos da Petrobrás para abastecer o caixa do partido. Depois veio a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), que considerou irregulares as manobras fiscais feitas pelo governo, de 2013 a 2014. Foi outro prato cheio para a oposição, que tenta colar em Dilma o carimbo do "crime de responsabilidade".

"O candidato derrotado na eleição presidencial está adotando um revanchismo despropositado", disse ao Estado o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, numa referência a Aécio. "Falar em impeachment é mais uma tentativa de manter viva uma chama que não existe, porque não tem vela", ironizou o titular da Advocacia Geral da União, Luís Inácio Adams. Questionado sobre ações jurídicas para barrar pedidos com esse teor, Adams respondeu: "Não luto contra fantasmas".

Propaganda. Para reagir à crise, o governo vai inaugurar, a partir de maio, a temporada de propagandas no rádio, na TV e na internet. Uma delas, com o mote "Ajustar para Avançar", explicará as medidas do ajuste fiscal. Outra campanha, intitulada "Dialoga, Brasil", incentivará a população a escolher as prioridades do governo no Plano Plurianual (PPA). Além disso, o Planalto lançará uma ofensiva regional para divulgar programas sociais bem avaliados, como Minha Casa, Minha Vida."Queremos que a informação sobre nossas ações chegue sem ruídos, para que todos saibam onde o dinheiro dos impostos está sendo gasto", disse Edinho Silva.

Em outra frente, o Planalto iniciará a distribuição dos cargos de segundo escalão aos aliados. Estão na lista cadeiras em estatais e agências reguladoras, como a Anvisa. A articulação política com o Congresso é coordenada pelo vice Michel Temer e será reforçada pelo novo ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).

"Estou pronto para entrar em campo com chuteira, camisa e calção", brincou Alves, que é amigo do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A nomeação de Alves, que também comandou a Câmara, foi feita para agradar a Cunha, um desafeto do governo, mas acabou descontentando o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Motivo: Vinícius Lages, afilhado de Renan, foi desalojado do Turismo. 

Na operação para apaziguar os ânimos no PMDB, Dilma jantou com Cunha na quinta-feira, no Alvorada. O diagnóstico do Planalto é que sua base de sustentação no Congresso está "instável" e propensa a traições. A força-tarefa para debelar a crise inclui o corpo a corpo no Senado, por onde passará a indicação do novo ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fachin.

19 de abril de 2015
in coroneLeaks

A BIKE DA DILMA

Ela "pedalou" o nosso PIB: primeiro trimestre pode ter queda de 3,5%!


(Estadão) Projeções de bancos e consultorias vão de 1,2% a 3,5% de recuo em relação ao mesmo período do ano passado; se o número mais pessimista se confirmar, será a maior queda desde o primeiro trimestre de 1992, no governo de Fernando Collor de Mello

As previsões econômicas para o primeiro trimestre indicam que o desempenho da economia brasileira foi muito pior do que o esperado. A rápida deterioração dos indicadores econômicos pode ter levado o Produto Interno Bruto (PIB) - soma de todas as riquezas produzidas no País - a ter a maior queda trimestral em duas décadas.

Nas projeções de bancos e consultorias, a economia deve ter uma retração de 1,2% a 3,5% entre janeiro e março na comparação com o mesmo período de 2014. Se o resultado mais pessimista for confirmado, será a mais brusca queda trimestral do PIB em bases anuais desde o primeiro trimestre de 1992. Naquela época, com o País envolvido nas denúncias de corrupção que tirariam do poder o presidente Fernando Collor de Mello, a economia brasileira encolheu 3,2% (ver quadro).

Na sexta-feira, 17, o diretor do Departamento de Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI), Alejandro Werner, disse, em Washington, que o Brasil está passando pela mais séria desaceleração da economia desde o começo dos anos 90.

“Embora faltem alguns dados econômicos de março, todos os indicadores mostram um comportamento bastante negativo no primeiro trimestre”, afirma Alessandra Ribeiro, sócia da Tendências Consultoria Integrada. Ela estima uma retração de 3,5% no primeiro trimestre ante o mesmo período de 2014.

Há uma combinação perversa que tem levado a essa retração: a economia brasileira enfrenta um duro ajuste fiscal, a inflação está elevada - em abril, o IPCA-15 chegou a 8,22% em 12 meses, nível mais alto desde janeiro de 2004 -, o mercado de trabalho começou a dar sinais de piora, o investimento se tornou anêmico e o desempenho da indústria e dos serviços piorou. O que já era ruim foi agravado pelos desdobramentos da Operação Lava Jato, que investiga contratos da Petrobrás e levou grandes construtoras à recuperação judicial, agravando o cenário do emprego.

“Os problemas da Petrobrás e de toda a cadeia da construção pesada dão um quadro dramático para a economia brasileira no primeiro trimestre”, diz Julio Gomes de Almeida, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Na avaliação dele, a economia pode ter recuado mais de 3% no primeiro trimestre. “Espera-se que o ajuste beneficie as expectativas lá na frente, mas ele deixa o crescimento ainda mais deprimido à medida que reduz o poder de compra da população com o aumento de impostos e promove o corte de gastos.”

Serviços. O tamanho da piora econômica pode ser mensurado pelo setor de serviços. Em fevereiro, a receita nominal do setor cresceu apenas 0,8% na comparação com o mesmo mês de 2014, segundo o IBGE. Foi o menor avanço registrado desde o início da série histórica, em janeiro de 2012. “O encolhimento do setor de serviços é a grande novidade”, diz o diretor de Pesquisas da GO Associados, Fabio Silveira. Para o primeiro trimestre deste ano, ele projeta retração de 2,5% no PIB em relação a igual período de 2014.

O setor de serviços costumava ter uma inércia que atenuava a retração da atividade, mas agora não é possível contar com esse motor para retomar o crescimento da economia brasileira. “Além da desaceleração da indústria, estamos vendo na parte de serviços uma piora que não era comum no passado recente. O desempenho mais negativo ocorre tanto na parte de comércio como na de serviços ligados à indústria, transporte, e prestados à família”, diz Rodrigo Miyamoto, economista do Itaú. O banco projeta uma retração de 1,9% entre janeiro e março na comparação com o primeiro trimestre de 2014.

Na avaliação do diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, Octavio de Barros, o primeiro trimestre foi marcado por uma queda acentuada do consumo das famílias e uma forte retração dos investimentos, afetados pela construção civil e pela produção de bens de capital. Do lado da oferta, o PIB industrial deve mostrar estabilidade em relação ao trimestre anterior, enquanto o de setor de serviços deve seguir o comportamento do consumo das famílias, com queda de 1%.

“Os dados recentes de atividade apontam para uma desaceleração profunda da economia brasileira nesse primeiro semestre”, diz Barros. Ele projeta queda do PIB de 2,1% no primeiro trimestre em relação a igual período de 2014.

Futuro. A piora apurada no setor de serviços ampliou a expectativa de retração da economia e turvou o cenário para os próximos meses, segundo Thiago Biscuola, economista da RC Consultores - a consultoria prevê uma queda de 1,2% do PIB no primeiro trimestre. “O cenário deve piorar”, afirma

Barros acredita que a retração do primeiro trimestre deverá ser seguida por outra mais intensa no segundo trimestre, que, na projeção dele, deve marcar o pior momento do desempenho do PIB no ano. A avaliação de piora no quadro econômico no segundo trimestre é compartilhada por Silveira, da GO. “Será um primeiro semestre doloroso.”

19 de abril de 2015
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