"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

AS ELITES RECÉM-DESPERTAS

 

Parte das “zelites” acordou. Dá-se conta de que é atacada por inimigos até então invisíveis. Pior, financiados por ela própria.
 
Quando é assaltada, vilipendiada e acuada, dizem os arautos do mal que são “movimentos sociais”.
 
Quando procura instintivamente se defender, chamam-na de “reacionária”.
 
Tentaram desarmá-la totalmente mas o tiro saiu pela culatra.
 
Hoje grande parte se rearmou, discretamente, para não sofrer o “rigor seletivo” dos Torquemadas de plantão.
 
Doravante quem tiver a sua casa assaltada, a família violentada ou cicatrizes causadas por bandidos protegidos pelo aparato ideológico vigente, saberá revidar aos verdadeiros responsáveis que prevaricam e escarnecem da sociedade digna e ordeira,  a quem aplicam a alcunha pejorativa de “burguesia”.
 
Daqui algum tempo voltaremos à barbárie.
 
“Olho por olho, dente por dente”.
 
Não haverá então quem proteja as “excelências” da fúria dos que sofrem por sua displicência ou conivência com o crime organizado.

05 de janeiro de 2015
Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

AUTONOMIA E INDEPENDÊNCIA DA CVM

 

Criada por meio da Lei 6385/76, a Comissão de Valores Mobiliários, em tempos de crise, demonstra sua fragilidade e a necessidade de uma nova legislação compatível com o século XXI, em harmonia com a proliferação dos fundos, e o estado particular da chamada desgovernança corporativa.
O que simplesmente aconteceu no mercado recentemente muito se deve ao papel do órgão regulador.

Sem uma regulamentação autônoma e independente nada ou quase nada é feito, exceto cumprir a vontade cegamente do detentor do controle acionário. Essa questão foi alvo de muitas reviravoltas nos EUA em 2008, quando antes Nouriel Roubini trazia à baila uma comprometedora desregulamentação e seus efeitos perversos.

O que houve com a subprime espalhando seus efeitos globalizadamente não pode deixar de ser alvo de análise em relação à Comissão de Valores Vobiliários. Primeiro aspecto, uma legislação consentânea com o mercado e amplitude dos fundos. Segundo aspecto, a autonomia financeira da autarquia por intermédio de repasses das corretoras fundos e operações feitas no mercado aberto ou de balcão.

Terceiro ponto e o mais importante, o preenchimento dos cargos. Nenhum cargo poderá ser confiado por mero conhecimento ou indicação. Todos dependerão de regras expressas a serem cumpridas. A diretoria da Comissão de Valores Mobiliários terá o mandato de três anos sem qualquer possibilidade de reeleição e ao presidente competirá um mandato de 4 anos.

Todos os cargos, repita-se uma vez mais, serão preenchidos por meio de provas e títulos dos interessados, brasileiros natos ou naturalizados por concurso regularmente organizado, envolvendo matérias específicas e submetidos ainda, por fim, à prova oral.

Com o novo leque de aptidão oportunizado pelo caminho da prova de habilitação cessa de uma vez por todas qualquer mecanismo de apadrinhamento ou de estreita ligação entre as entidades de funcionamento do setor. A idade mínima para o interessado seria de 35 anos e a máxima de 55 anos. Todos os habilitados seriam enquadrados pela ordem de classificação e a nomeação seria feita por esse exclusivo parâmetro. Não há outro caminho ou direção a ser desenhada na hipótese,

Os fracassos acontecidos no mercado sucedem por força de falha ou medidas preventivas. Consequência lógica, os EUA colocaram todo o sistema brasileiro em xeque com o modo de ações coletivas processando a Petrobras, seus diretores e administradores, por falta de informação, a denominada full disclousure. Enquanto estiver subordinada à pasta da Fazenda, jamais a CVM terá autonomia e muito menos independência. O que diria em termos de empresas estatais, as sociedades de economia mista, maiores responsáveis pelos descalabros do mercado, a exemplo de Petrobrás, Eletrobrás, sem falar dos fundos de pensão e os limites da contaminação ainda desconhecidos?

Quando se cogitou da privatização de setores da atividade econômica muitos colocaram em dúvida a necessidade, mas hoje é invulgar reconhecer que o controle administrativo exercido pelos órgãos de regulação é extremamente distante da realidade, do sentido do mercado, da visão do consumidor.

E a mudança geral deve ter inicio a partir dessa renovação dos elementos e dos predicados para que a comissão de valores mobiliários funcione por meritrocracia, tenha autonomia financeira mediante recursos próprios e independência plena.

Além do que as multas aplicadas, quando não irrisórias, são pagas pela empresa ou seguradora o que representa uma distorção ao modelo de fiscalização e supervisão do mercado.

O renascimento do mercado acionário brasileiro passa inexoravelmente pela reconstrução das pilastras da CVM, e quanto mais demorarmos piores as expectativas de sobrevivência do investidor e a derrocada de grandes empresas em futuro breve.

05 de janeiro de 2015
Carlos Henrique Abrão, Doutor em Direito pela USP, Bolsista em Coimbra e Pesquisador convidado na Alemanha, é Desembargador no Tribunal de Justiça de São Paulo.

2015: NAVALHA NA CARNE DA ECONOMIA BRASILEIRA


No seu discurso de posse, após quatro anos de desmandos na política macroeconômica que carimbou o seu último desgoverno, Dilma se esforçou para explicar por que o ano de 2015 será de ajuste na economia, já que busca agora redirecioná-la, ao adotar um plano construído por uma equipe de estirpe conservadora formada por tucanos de exuberante plumagem.

A presidente deixou claro, na solenidade de posse, que a nossa economia encontra-se literalmente desajustada, tentando explicar e justificar a situação face aos comentários informais que apareceram após a sua reeleição; referiu-se aos ajustes que possivelmente seriam adotados quando passaram a ser mal interpretados pelos brasileiros, principalmente pelo segmento de pessoas que veneram a dialética da seita petista, aqueles que só pensam nos benefícios e jamais cogitam em pagar pelo ônus do caos econômico que se encontra instalado no País.

Muitos já têm um razoável conhecimento sobre as necessidades de ajuste após a indicação da nova equipe econômica, mas ignoram completamente a forma “como” isso será realizado, uma vez que se trata de uma etapa imprescindível na composição de um  planejamento estratégico inevitável para a sua plena execução.

O futuro foi sinalizado, ao ser utilizada uma linha circunspecta que fala laconicamente de um equilíbrio nas deterioradas contas públicas, na recondução da inflação ao centro da meta, na demolição do déficit das contas externas, na ressurreição dos investimentos e no restabelecimento da confiança que adormece debilitada para assegurar o crescimento do PIB e a manutenção do pleno emprego.
 
O atual ambiente macroeconômico internacional também não se encontra favorável para que sejam implementadas ações ortodoxas visando à revitalização da nossa economia. Estamos atravessando um período de declínio nos preços das commodities, as quais contribuem com aproximadamente 50% das nossas exportações.

O Federal Reserve – FED (Banco Central dos EUA) deverá iniciar, provavelmente até o final do segundo semestre deste ano, uma reversão na sua política monetária iminentemente expansionista, o que proporcionará uma redução considerável de circulação de dólares nos mercados globais.
Dessa forma, o Brasil terá que pagar mais caro pelos financiamentos em moeda estrangeira e isso é extremamente preocupante nas circunstâncias atuais.

Para Europa e Japão, a atividade econômica ainda não se encontra consolidada e a economia chinesa está em notória desaceleração. Trata-se de um quadro afunilador para os mercados internacionais, que poderá ser suavizado se a economia americana continuar se restabelecendo, como assim desejamos.


Em nosso ambiente doméstico, neste ano que se inicia, jamais poderemos considerá-lo como um marco na retomada do crescimento econômico, pois esta fase aguda que estamos atravessando exige privações que impõem o balanceamento das nossas contas públicas.

Segundo a média de projeções estabelecida pelo mercado financeiro (Focus- Banco Central) até o presente momento, o crescimento deve situar-se em torno de aproximadamente 0,5% para 2015.  Pelo visto, será mais um exercício em que o crescimento econômico será igualmente ridículo, implicando na perpetuidade declinante na tendência de arrecadação do setor público.

Estamos chegando ao final do ciclo de repressão dos preços controlados pelo governo, particularmente da energia elétrica e das tarifas dos transportes urbanos, contribuindo com generosidade para a elevação da inflação e, consequentemente, propiciando a alavancagem dos juros.
Não podemos deixar de considerar a corrupção desvairada que sangra os cofres da administração pública, os escândalos que brotam diariamente em todos os cantos do Brasil e o esfacelamento do patrimônio da Petrobras, fontes inesgotáveis que aumentarão consideravelmente as dificuldades a serem superadas.

A equipe econômica que está assumindo conta com ampla aceitação dos mercados e do segmento empresarial, mas deverá defrontar-se com uma vigorosa obstinação política que será desencadeada por importantes segmentos da irresponsável seita petista. Se o ajuste previsto será exitoso ou não é uma dúvida que nos oprimirá daqui pra frente. É indispensável imaginar que será uma realidade, porque caso não aconteça positivamente, restará uma única alternativa que será recomeçar mais uma vez.

O grande questionamento da sociedade para a área econômica é se teremos mudanças profundas no modelo de política econômica. Não resta dúvida de que a questão tem máxima relevância, pois, para muitos analistas econômicos, a economista Dilma ainda não evoluiu no seu jeito de ser. Para ela, basta que os indicadores econômicos assinalem uma pequena recuperação, para que aflore o seu peculiar comportamento intempestivo que a faz abdicar do fortalecimento dos fundamentos macroeconômicos e retornar às experiências desastradas que já vivenciamos na sua última inconsequente administração.

Outra interrogação passa pela expectativa semelhante ao primeiro período de Lula quanto ao aspecto conservador adotado na política econômica, que seja predominante e evolutivo até o final do seu segundo mandato.
O jeito, por enquanto, ao meu ver, é aguardar com atenção e cautela os próximos seis meses para se ter um melhor sentimento de como as coisas irão acontecer.

06 de janeiro de 2015
Arthur Jorge Costa Pinto é Administrador, com MBA em Finanças pela UNIFACS (Universidade Salvador).

ECONOMIA E GEOPOLÍTICA



Diz-se que, na política nacional, podem ocorrer mudanças no transcurso de uma semana. Nas relações internacionais, as transformações costumam acontecer num ritmo pausado, às vezes imperceptíveis para observadores desprevenidos.
Quando estes subitamente tomam conhecimento do ocorrido, a transcendência do fato cresce e resulta em alentada cobertura noticiosa. Foi o caso do anúncio da normalização das relações diplomáticas entre os Estados Unidos e Cuba, dia 17 de dezembro.
Esta decisão encerrou uma etapa de hostilidade recíproca que já durava 53 anos.

Ainda estão por ser vistas as implicações que terá a nova relação com Washington para o regime de Raúl Castro. Para Barack Obama, o entendimento com Cuba cumpre dois objetivos. Na frente interna, libera o trato das relações com Havana da agenda política do exílio cubano. Na frente diplomática, remove uma tema de controvérsia com a América Latina e cria condições para abertura de uma nova etapa nas relações hemisféricas.

Se bem que tenha chegado como uma surpresa, a decisão de normalizar as relações bilaterais não foi produto de improvisação. Foi o resultado de meses de negociações confidenciais entre um grupo reduzido de negociadores dos dois países, auspiciadas pelo governo do Canadá e pelo Vaticano.
Diferentemente do ocorrido em ocasiões anteriores, quando os presidentes Carter e Clinton viram frustradas suas tentativas de melhorar as relações bilaterais por parte do governo cubano, a iniciativa do presidente Obama foi bem recebida.

O temor dos dirigentes cubanos diante do eventual colapso econômico da Venezuela é fator ao qual se atribui Havana ter preferido o pragmatismo à rigidez ideológica para responder à proposta americana.
A aproximação com os Estados Unidos, nas circunstâncias atuais, equivale a uma apólice de seguros contra o risco da perda do petróleo subsidiado venezuelano. Do ponto de vista do governo cubano, a virada pode ser interpretada como um voto de desconfiança em relação ao manejo econômico e à estabilidade do regime venezuelano.

As autoridades cubanas dispõem de informação privilegiada acerca da inépcia do regime venezuelano e do desastre econômico pelo qual é o responsável. As dimensões do desastre são ocultadas pela supressão da publicação das estatísticas oficiais.
Para Nicolás Maduro, o que aconteceu, além de desconcertante, é uma péssima notícia. Seus mentores e aliados estão conscientes de que a Venezuela se encontra à beira da insolvência.

O novo clima de distensão estará em evidência na Cúpula das Américas, em abril, no Panamá, com a participação de Cuba e dos Estados Unidos. É previsível que o evento transcorra num ambiente menos conflitivo do que o que prevaleceu na reunião de 2005.

Naquela ocasião, Mar del Plata serviu de cenário para que os presidentes Chávez, Kirchner e Lula, respaldados pelo ideólogo argentino Diego Maradona, rechaçassem o livre comércio com o Canadá e os Estados Unidos. Um triunfo que resultou menos brilhante do que acreditavam seus protagonistas.
 
06 de janeiro de 2015
Rodrigo Botero Montoya é economista e foi ministro da Fazenda da Colômbia. Originalmente publicado em O Globo em 5 de janeiro de 2015.

A BANDIDAGEM REVOLUCIONÁRIA

 Texto para Obama ler na cama
 
"Meu povo está subjugado na mais negra miséria. Torturam-se pessoas e um quinto da população fugiu por razões políticas. O povo cubano vive esperando o abraço solidário dos mandatários ibero-americanos. Estes, porém, o negam às vítimas e o oferecem ao carrasco
(Armando Valladares, poeta que passou 22 anos nas masmorras cubanas).

 
O Diretório Geral de Informações (DGI) é um dos serviços de Inteligência do Estado cubano. Está sob a jurisdição do Ministério do Interior (MININT), sendo que o seu diretor, durante mais de 30 anos foi Manuel Piñero Losada (falecido em 1998, em Havana, em um estranho acidente de automóvel dirigido por ele próprio). Ele assumiu a chefia dos serviços de segurança e informações ainda quando a guerrilha castrista combatia em Sierra Maestra. Após a tomada do Poder, Piñero recebeu de Fidel a tarefa de exportar a revolução, o que lhe permitiu realizar um sem número de ações fora do território cubano.
 
O efetivo do DGI está integrado por sociólogos, psiquiatras, jornalistas, advogados, psicólogos, médicos, líderes religiosos e estudantis, locutores, cientistas e outros profissionais.
 
Todos os organismos da administração central do Estado, assim como as empresas, estabelecimentos, instituições de investigação científica, meios de difusão, organizações sociais, etc., são sistematicamente supervisionadas por oficiais do DGI. Em cada quadra há uma ou mais pessoas classificadas pelo DGI como “pessoal de confiança”. Essas pessoas geralmente mantêm uma falsa atitude de crítica ativa ao sistema ou de pouca militância política.
 
Seu objetivo consiste em informar ao DGI o que ocorre em seus locais de residência. Sua missão é independente daquela que realizam os membros dos CDR (Comitês de Defesa da Revolução), cuja estrutura organizativa possui um “Responsável de Vigilância” que também colabora com o DGI, porém sem a capacitação e alcance do “Pessoal de Confiança”.
 
O DGI também organiza, assessora, capacita e mobiliza as temíveis Brigadas de Resposta Rápida encarregadas de reprimir com violência as atividades dos movimentos de oposição política. Há numerosos testemunhos de oposicionistas do regime que sofreram ataques dessas Brigadas. Em cada comunidade foram criados pelo DGI os Sistemas Únicos de Exploração e Vigilância, formados por pessoas adeptas incondicionais do regime, dirigidas por militantes do Partido Comunista.
 
A partir de 1967, em sua tarefa de exportar a revolução, inclusive antes do triunfo de Allende, começaram a chegar ao Chile agentes da Inteligência cubana sob a cobertura de “bolsas de estudo”. Essa afirmação é de Rafael Nuñez, um ex-funcionário cubano que cumpriu várias missões em Santiago durante o governo da Unidade Popular. Segundo ele, o objetivo era converter o país em uma base de apoio à subversão na América Latina: “Desde a embaixada cubana em Santiago se administravam as operações na Argentina, Brasil e Uruguai”.
 
O próprio Manuel Piñero esteve várias vezes no Chile antes da deposição de Allende e em uma dessas visitas conheceu a chilena Marta Harnecker, uma militante do MAPU (Movimento Unificado de Ação Popular), que seria sua segunda esposa.
 
Em 1974, a fim de potenciar a exportação da ação revolucionária a todo o Continente, Fidel Castro criou um aparato de Inteligência próprio, paralelo ao DGI e às Tropas Especiais, que já existiam sob a dependência do Ministério do Interior. Essa nova entidade, que ficou a cargo de Piñero, foi denominada Departamento América, dentro do organograma do Comitê Central, com orçamento próprio e ampla autonomia. Por quase duas décadas, esse organismo foi o oxigênio da insurgência continental e, mais tarde, com o desmanche do socialismo real, o foco dirigente da chamada “bandidagem revolucionária”, o “Ministério da Revolução”, como o batizou Fidel Castro.
 
Com seu espírito conspirativo, Manuel Piñero moldou a seu modo a sua gente da América Latina, em sua maioria jovens humildes aos quais transmitiu o gosto por “los fierros” (armas).
 
Os membros do Departamento América foram distribuídos sob a cobertura das embaixadas cubanas, coordenando todas as operações nos diversos países. Após a deposição de Allende, como no governo Pinochet não havia representação cubana no Chile, o lugar das operações foi transferido para Buenos Aires, de onde os grupos terroristas chilenos eram ajudados com dinheiro, informação, armas e documentação falsa para viagens a Cuba, quase sempre via Lima, Peru, e daí para Havana, pela Cubana de Aviación.
 
Em dezembro de 1989, quando do seqüestro do empresário Abílio Diniz, no Brasil, por um grupo de argentinos, chilenos e canadenses, em algumas agendas apreendidas com os seqüestradores figurava o nome do embaixador de Cuba na Argentina, Santiago Eduardo Díaz Paez, codinome “Terry”, membro do Departamento América desde, pelo menos, 1985. Nessa época, 1989, o Conselheiro Político da embaixada na Argentina era Daniel Enrique Herrera Perez, subchefe do DA para o Cone Sul.
 
As operações dirigidas pelo Departamento América, que chamamos de “bandidagem revolucionária” foram inúmeras, todas ou quase todas utilizando a mão de obra ociosa do MIR chileno, que era considerado “o filho predileto” de Piñero. Essas operações consistiam basicamente em seqüestros e assaltos a bancos.
 
O Departamento América apontava os alvos, organizava as ações e grupos compostos por guerrilheiros de distintos países as realizavam. Um dos personagens mais importantes dessa estrutura era o chileno René Valenzuela Bejas (“El Gato”), que chefiou no Brasil o seqüestro de Abílio Diniz, embora na época não tenha sido identificado, tendo sido posteriormente detido, em 1992, na Espanha por participar de seqüestros junto com a organização Eta-Basca. Valenzuela era, então, um dos dirigentes do MIR chileno, responsável pela obtenção de “solidariedade no exterior”.
 
Foram realizados vários assaltos a bancos no México e um dos seqüestros mais comentados ocorreu em 1984, quando militantes do MIR chileno se apoderaram do empresário panamenho Sam Kardensky, no Panamá, que foi libertado quase um ano depois no Equador. O resgate pago foi de US$ 9 milhões.
 
Os seqüestros de Luiz Salles, Geraldo Alonso, Antonio Beltran Martinez, Washington Olivetto e Abílio Diniz, todos em São Paulo, foram operações do Departamento América. O objetivo era arrecadar fundos destinados às guerrilhas ainda existentes na América Latina, em face da escassez de recursos decorrente do desmantelamento do socialismo real, que pôs um fim ao fluxo do chamado “ouro de Moscou”. Observe-se a coincidência da modalidade do primeiro contato, em todos esses seqüestros, com as famílias dos seqüestrados, feito através de cartas acompanhadas de ramos de flores.
 
Alguns livros confirmaram a “bandidagem revolucionária”: “A Utopia Desarmada” do mexicano Jorge Castañeda (editado no Brasil em 1994), “Fin de Siglo em Havana”, dos jornalistas franceses Jean Pierre Fogel e Bertrand Rosenthal, lançado em Bogotá, Quito e Caracas em 1994, e “Uma Questão de Justiça”, da jornalista canadense Isabel Vincent, lançado simultaneamente no Brasil e Canadá em 1995. Segundo ela, “o cartel (de seqüestros) teria ramificações em mais de doze países, incluindo terroristas do grupo separatista basco Eta-Basca”.
 
Também o atentado ao general Pinochet (“Operação Século XX”) em 1986 – quando cinco militares da sua segurança foram mortos e dez ficaram feridos -, o atentado que causou ferimentos ao general Gustavo Leigh, bem como o seqüestro de Christian Edwards Del Río, filho do proprietário do jornal “El Mercúrio”, em 1991, contaram com a assessoria da Inteligência cubana.
 
O poder de Piñero já vinha sofrendo danos com o fortalecimento dos “Contras” na Nicarágua, com o fim da guerrilha em El Salvador, mediante um acordo de paz e, fundamentalmente, pela queda do bloco soviético, nos anos de 1989, 1990 e 1991. Finalmente, a demissão de Piñero da chefia do Departamento América, em 24 de fevereiro de 1992, parece ter sido em conseqüência da “bandidagem revolucionária”, pois para os Serviços de Inteligência da América Latina não era mais segredo a responsabilidade cubana nos bastidores.
 
Observe-se que no ano de 1978 Manuel Piñero respaldou a chamada “Operação Retorno”, do MIR, mediante a qual voltaram ao Chile, clandestinamente, inúmeros militantes com formação militar em Cuba. Não obstante, essa operação fracassou, sendo detida a maior parte dos retornados, desarticulado o núcleo urbano e aniquilado o “Foco Guerrilheiro” que havia sido instalado na região de Netume. Apesar desse fracasso, Piñero sobreviveu na chefia do DA graças ao saldo acumulado pela participação na vitória sandinista, em 1979, na Nicarágua e ao estabelecimento de um regime pró-castrista em Granada.
 
Finalmente, uma referência deve ser feita ao Departamento de Operações Especiais, órgão a cargo das Tropas Especiais, unidade paramilitar vinculada ao Ministério do Interior, através do qual militantes dos chamados movimentos de libertação nacional, escolhidos pelo Departamento América, recebem treinamento militar em Cuba. Embora oficiais desse Departamento mantenham contatos diretos com membros do aparato militar de determinados movimentos de libertação, a supervisão de tais contatos é, no entanto, do DA.
 
Observe-se que em 26 de agosto de 2004, a presidente do Panamá, Mireya Moscoso, decidiu soberanamente indultar quatro anticastristas presos sob a acusação de conspirar para matar Fidel Castro. Imediatamente o governo cubano divulgou uma nota anunciando o rompimento das relações diplomáticas entre os dois países, tachando a presidente do Panamá de “cúmplice e protetora do terrorismo”.
 
O governo cubano, descaradamente, conta com a falta de memória da mídia e dos povos para acusar a outros daquilo que sempre fez e que constitui o bê-a-bá de sua política externa: a bandidagem revolucionária.
 
06 de janeiro de 2015
Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

COMPROMISSO COM A MEDIOCRIDADE


jose_neumanne_17Direitistas do peito, antigos delinquentes e derrotados denotam governo medíocre

Quando a presidente reeleita Dilma Rousseff anunciou o executivo da área financeira Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda, a direita reagiu com espanto e a esquerda, com raiva.

No entanto, ela apenas seguiu o figurino de seu primeiro governo, inspirado em seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva.

No caso específico, ela foi buscar o profissional para decepar os nós da economia a serem enfrentados no segundo governo em dois lugares confiáveis: o segundo escalão da assessoria do adversário tucano, Aécio Neves, e a indicação do banqueiro amigo Lázaro de Mello Brandão, chefe do segundo maior banco privado do País e velho aliado.

O chamado mercado ficou perplexo porque não contava com a astúcia de nossa figura “chapolinesca”. Por falta de desconfiômetro e de sagacidade, os magnatas do negócio financeiro contavam com mais uma figurinha acadêmica carimbada do PT, nos moldes de Guido Mantega, o descartado, ou Aloizio Mercadante Oliva, a bola da vez na sinuca de madame. Ledo e “ivo” engano, dir-se-ia antigamente.

Este escriba, precavido, não se surpreendeu por dois motivos: primeiramente, por ter aprendido a entender os atos da alta cúpula petralha no poder, sempre opostos à retórica da propaganda com a qual engana o eleitorado; e, em segundo lugar, por se lembrar de, em palestra no Conselho de Economia da Fiesp, o respeitado macroeconomista Octavio de Barros, vice-presidente do Bradesco, ter feito em priscas eras apaixonadíssimo discurso de louvação à gestão econômica do nosso padim Ciço do Agreste.

Surpreenderam-se os desatentos que não prestaram atenção nesses aparentes detalhes, que, na verdade, são essenciais. O filmete dos banqueiros tomando a comida do trabalhador para associar Neca Setubal, do Itaú, com a adversária Marina Silva era apenas uma patranha de marqueteiro.
Como Napoleão espalhou a sábia lição de que “do traidor só se aproveita a traição”, aviso dado antes de mandar fuzilar o alcaguete que lhe delatou as posições das tropas inimigas, Dilma sabe que se ganha o voto com a mentira do marketing político, mas se governa com quem conhece o caminho real das pedras.

Pois então: avisou que ia convidar o presidente do banco amigo, Luiz Trabuco, e o recebeu na companhia de seu Brandão, que vetou a solução, mas apresentou uma saída razoável na pessoa de Levy, ex-luminar da gestão lulista. O discurso do banqueiro rapace serve para levar os votos dos tolos.
A boa gestão recomenda o uso da frieza dos dedos de tesoura disponíveis – a velha fábula de ganhar com a esquerda e guiar com a direita. Até porque, se não der certo, é só trocar. Não faltarão nomes no colete de seu Brandão.

Os futuros ministros do segundo governo que vêm sendo indicados também não foram inspirados nos discursos do palanque eletrônico, mas nas lições do mestre Maquiavel de Caetés. Que importa se a presidente da Confederação Nacional da Agricultura, Kátia Abreu, assumiu a defesa sub-reptícia de uma “ordem medieval do trabalho” (apud Miriam Leitão) ao recorrer ao Supremo Tribunal Federal contra a implementação de normas explícitas a serem obedecidas pelos proprietários rurais, acusando-as de “preconceito ideológico contra o capitalismo”? A futura ministra é uma direitista do peito, amarrada à chefe por laços de afeto e admiração mútuos, assim como a Graciosa da Petrobrás.

Antes de nomear os novos ministros, a presidente tentou transferir parte de sua responsabilidade para o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pedindo acesso à delação premiada de Paulinho do Lula e de Beto Youssef para evitar nomear receptadores de propinas da roubalheira da Petrobrás.

O ex-relator do mensalão Joaquim Barbosa chamou a iniciativa de “degradação institucional”. O loquaz ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, confessou o absurdo, em vez de dar uma de João sem braço. Ficou claro que na nomeação de seu primeiro escalão a chefe do governo leva em conta apenas as notícias do dia, em vez de compulsar os prontuários de seus futuros auxiliares.
O líder da minúscula bancada governista do PRB na Câmara, George Hilton, vai tomar conta do Ministério do Esporte durante a Olimpíada no Rio, mesmo já tendo sido flagrado pela polícia carregando R$ 600 mil em pacotes de dinheiro vivo num avião privado. Kátia Abreu, Eduardo Braga e Hélder Barbalho são réus na Justiça. Aldo Rebelo tem ficha limpa, mas isso não basta para, com as palavras de ordem pré-históricas do PCdoB, comandar a pasta de Ciência e Tecnologia. Deus nos acuda.

Cid Gomes foi escolhido para o Ministério da Educação, apesar de ter sido acusado de pagar com dinheiro público o aluguel de um avião particular para viajar com a família (a sogra inclusive) para a Europa. E de ter conquistado com mérito a fama de Mecenas do semiárido por pagar cachês altíssimos a cantores como Ivete Sangalo e Plácido Domingo.

Não o recomenda ao cargo a acusação de ter reagido a uma manifestação de professores afirmando: “Quem quer dar aula faz isso por gosto, não por salário. Se quer ganhar dinheiro, deixa o ensino público e vai pro privado”. Sua saída do Partido Socialista Brasileiro (PSB), traindo Eduardo Campos para ficar com a presidente, que obteve votação espetacular no Ceará, o recomendou para o cargo muito mais do que o trabalho pioneiro de seu secretário adjunto de Educação, Maurício Holanda Maia, mais adequado para o cargo.

A reunião de bons burgueses com antigos delinquentes e derrotados nas urnas e o “museu de novidades” (apud Josias de Souza) não bastarão, contudo, para definir com justiça a Esplanada dos Ministérios sob Dilma 2. Sua principal característica genérica é a mediocridade ampla, geral e irrestrita. A mediocridade tirânica, que não se basta, que tudo faz para se impor e governar, é a marca do governo que nos espera e do destino que nos fará engolir.

06 de janeiro de 2015
José Nêumanne Pinto

EU NÃO SEI DE NADA... NÃO VI NADA... NÃO OUVI NADA... É ASSIM, LULA?




                                                             06 de janeiro de 2015

AS MÁSCARAS NO CHÃO

As máscaras não caíram porque já estavam no chão faz muito tempo. No caso, máscaras da presidente Dilma, do PT, do Lula e até de parte da mídia. No crepúsculo do ano, o governo dos trabalhadores aproveitou para suprimir mais algumas fatias dos direitos trabalhistas.
Claro que na recente campanha presidencial, foram eles que acusaram Aécio Neves e o PSDB de, se eleitos, dilapidarem o que restou da herança social um dia estabelecida por Getúlio Vargas.
Pois garantido o segundo mandato, partiram para demonstrar sua desfaçatez e falta de vergonha. Com o adendo de aguardarem o recesso do Congresso para anunciar as maldades, evitando críticas.
 
Perderiam a eleição se tivessem afirmado durante a campanha que cortariam pela metade o abono salarial a que todo trabalhador faz jus, quando recebe até no máximo dois salários mínimos. A partir da entrada em vigência da nova Medida Provisória, ontem, não basta ao miserável haver no ano anterior trabalhado um mês em determinada empresa. Exige-se, agora, seis meses.
 
Destroçaram, também, o seguro-desemprego, que ampara quem foi mandado embora sem motivo justo depois de seis meses com carteira assinada. De agora em diante só recebe o seguro-desemprego quem trabalhou no mínimo 18 meses.
 
O auxílio-doença terá fixado um teto para quem dele precisar valer-se, não mais pela média dos oitenta últimos salários, mas algo bem menor.
 
As pensões por morte do cônjuge até hoje eram integrais e vitalícias, mas passam a ser cortadas pela metade, acrescendo que para recebê-las a viúva ou o viúvo precisarão provar que o ente falecido contribuiu no mínimo por dois anos para a Previdência Social. Isso se tiverem dois anos de casamento ou união estável. E mais de 35 anos. A nova regra vale para os funcionários públicos.
 
Mas tem mais, nesse saco de maldades: o pescador artesanal deixará de receber automaticamente um salário mínimo no período em que a pesca é proibida. Perderá o benefício se não provar três anos de profissão anteriores e se não estiver contribuindo para a Previdência Social há um ano.
 
É bom nem fazer as contas sobre quantos milhares de trabalhadores serão atingidos nesse patamar que a dignidade humana deixou para trás. Legisla-se para pior em torno da mentira do salário mínimo. Como Dilma, Lula, Mercadante e todo o bando jamais souberam o que é viver com o salário mínimo, lavam as mãos e dão de ombros.
 
O grave em mais essa investida contra os direitos do trabalhador é que a CUT não protestou. Assim como a chamada grande imprensa até aplaudiu. Sem tirar nem pôr, desde o governo Lula que o PT segue a cartilha neoliberal, ou seja, dificuldades econômicas se enfrentam às custas dos mais humildes. Estes que paguem a conta através da supressão de direitos, cortes nos projetos sociais, aumento de juros e desemprego. O perfil do segundo mandato vai-se desenhando e é horrível.
 
06 de janeiro de 2015
Carlos Chagas

AGRADECIMENTO POR MAIS UM ANO DE VIDA NO PLANETA TERRA

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

E A OPOSIÇÃO, VOLTA PARA BRASILIA AMANHÃ?


 
As redes sociais deveriam ser proibidas para políticos da Oposição, pelo menos em momentos como estes. O escândalo da Petrobras assumiu proporções absurdas, com a revelação de que um escritoriozinho laranja comandou superfaturamento de bilhões.
 
Não dá mais pra tuitar, facebuquear, uatizapear e youtubear. É preciso gerar fatos novos, para que o povo e até mesmo a Imprensa tenham noção da gravidade do que está acontecendo no país. A Oposição precisa inovar. Amanhã os ministros começam a trabalhar em Brasília e a Oposição não tem direito de continuar na praia ou na fazenda ou numa casinha de sapê. Nos foi prometido um governo paralelo.
 
Queremos.
Queremos que a Oposição chame uma coletiva com a Imprensa internacional onde seja entregue o relatório paralelo da CPI em inglês, espanhol e alemão.
Queremos que a Oposição entregue ao país uma proposta de intervenção na Petrobras, porque nem Dilma nem ninguém tem mais condições de gerir a empresa.
Queremos que a Oposição visite oficialmente todos os órgãos envolvidos nas investigações: TCU, CGU, PGR, STF e PF, exigindo investigações.
Queremos uma representações da Oposição mostrando ao país que pode propor soluções para este momento de crise.
Queremos a Oposição em Brasília.
Queremos a Oposição na Bolsa de New York mostrando a real situação das investigações para os investidores internacionais.
Queremos a Oposição em Davos. Senhores senadores e deputados, se preciso for, subam a rampa do Planalto, batam na porta e exijam um audiência com Dilma.
 
Ela é a presidente da República. Entreguem a ela uma solução para a Petrobras. Constranjam a Presidente da República! Constranjam este governo corrupto!
Sabemos que a Oposição existe, atuou e tem cumprido o seu papel.
Só que o papel mudou.
É outro papel. Não é mais o velho papel. O Brasil precisa e agradece.

MERCADO NÃO PERDOA AMADORISMO DE DILMA


 
Obviamente que há um certo exagero no tuíte acima, publicado no último sábado, em comentário à ordem dada por Dilma Rousseff para que o seu ministro do Planejamento, em nota oficial,  simplesmente comprovasse ao país que não manda nada. Nelson Barbosa tinha dito que haverá mudanças na fórmula de cálculo do salário mínimo e Dilma não gostou da verdade, preferindo continuar em cima do palanque mentiroso da sua campanha eleitoral.
 
O resultado está aí. A Bovespa abriu com dólar acima de R$ 2,70 e com a ação da Petrobras a R$ 9,00, com queda de 3%. Diz a notícia de O Globo: 
 
O cenário externo desfavorável, com preocupações sobre a Grécia e desaceleração na China, e as informações desencontradas do governo sobre ajustes na economia fazem a Bolsa brasileira iniciar a semana em terreno negativo. Os papéis da Petrobras voltaram a ser negociados abaixo de R$ 9. Às 10h56m, o Ibovespa, principal índice do mercado acionário local, operava em queda de 2,01%, aos 47.554 pontos. Já no mercado de câmbio, o dólar comercial avançava 0,59% ante o real, a R$ 2,707 na compra e a R$ 2,709 na venda.
 
05 de janeiro de 2015
in coroneLeaks  

AS ELITES ALARMADAS


 
Em uma reunião canina internacional, antes da queda do Muro de Berlim, encontraram-se três cães pastores : um norte-americano, um soviético e um brasileiro.

O primeiro perguntou aos demais:

- Quando na hora do almoço os seus treinadores demoram em lhes trazer o suculento bife vocês reclamam muito?

O soviético disse:
 
- O que é reclamar?

O brasileiro:
 
- O que é suculento bife?
 
A falta de conceitos leva à falta de diálogo.
 
As elites estão alarmadas porque não entendem a inação da elite armada diante de tantos ataques à Constituição e a Soberania. Talvez não tenham lido “Guerra e Paz”.  O comandante russo, General Mikhail Kutzov (1745-1813), atraiu Napoleão até o ponto de não retorno.
 
Há muito tempo sabem que o judiciário se transformou num clube de vaidosos, preguiçosos e covardes, coniventes com as barbaridades cometidas pelos poderosos do dia; não confiam mais nele.
 
Começam a vislumbrar que todos os partidos são farinha do mesmo saco e que os políticos são bonecos num teatrinho do João Minhoca, todos manipulados pela mesma entidade controladora.
 
A última partilha do boi foi tragicômica.
 
A boiada está inquieta; um dia estoura.
 
05 de janeiro de 2015
Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

A NAU DOS INSENSATOS


 
A nau sem rumo parte com destino a lugar nenhum… O porão está cheio de ratos, o mar proceloso e a comandante é inepta, arrogante e ignorante. Não tem Pronatec que dê jeito. Não esqueçam do seu criador, que, por ora, absconso em São Bernardo do Campo, faz cara de paisagem como se nada fosse com ele. E la nave va… O pior de tudo é que estamos todos embarcados nela.
 
E o que é este ministério? Um bando incapaz de formular qualquer proposta para sair do imbróglio em que este presidencialismo de latifúndio nos meteu. Aliás, adoro o termo “ministério de porteira fechada”, é como se fosse um direito de lavra, uma concessão pública para se apoderar e explorar o aparelho de Estado. A presidente reeleita chegou ao paroxismo de pedir folha corrida do candidato a ministro antes de nomeá-lo. É só ver a lista para concluir que, para o PT, ministério é prêmio de consolação para quem é derrotado nas urnas.
 
Alguém pode me explicar por que todo ministro de Inclusão Social (aliás, para que serve isso?) tem que ser afrodescendente? É monopólio? Será que não existe nenhum caucasiano, caboclo, mameluco ou cafuzo capaz de promover a tal “integração”?
 
Joaquim Levy, nem tomou posse, já está desmoralizado. No apagar das luzes o Tesouro mandou mais 40 bilhões de reais para os cofres do BNDES e a presidente mandou distribuir 400 milhões para o Congresso atropelar a Lei de Responsabilidade Fiscal. Joaquim Levy é bobo e vítima da própria vaidade.
 
E lá vamos nós em direção a 2015! As “esquerdas modernas”, bando de picaretas ingênuos, vão perceber que os “avanços sociais dos governos do PT” têm pés de barro, vitória de Pirro. Não se sustentam num país que está com as finanças quebradas. O único avanço que tivemos nos governos lulopetistas foi o avanço no dinheiro público.
A verdade é que o “sistema” se exauriu. É disfuncional. Chegou a ter uma sobrevida de 30 anos, depois da redemocratização do país (o que em termos de História não é nada). Mas numa democracia plena e com os avanços na tecnologia de controle individual do cidadão – com tudo de bom e ruim que isso enseja –, para se roubar a sociedade há que se ter mais competência e sutileza.
 
O criminoso patrimonialismo petista não sobrevive nas democracias contemporâneas.
 
Feliz Natal? Pra quem? Próspero Ano Novo? Como?
 
E tenho dito.

05 de janeiro de 2015
Marcelo Madureira é Humorista.