"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

domingo, 12 de outubro de 2014

ACORDO PROGRAMÁTICO

As negociações para que a candidata terceira colocada, Marina Silva, una-se à campanha de Aécio Neves neste segundo turno da eleição presidencial, chancelando uma decisão que já foi tomada pela maioria de seus eleitores, podem ter um final feliz neste fim de semana se prevalecer o entendimento em torno de pontos programáticos que estão sendo discutidos pelos dois grupos.

Ambos estão tratando o assunto com muita delicadeza, pois não querem constranger a outra parte e desejam que a união, se ocorrer, faça-se em torno de pontos de acordo que signifiquem avanços no que seria uma unidade para dar ao país um governo progressista que ressalte o melhor do espírito da social democracia encarnada pelo PSDB.

Marina tem deixado claro que não tem interesse em derrotar o PT apenas para vencer a disputa eleitoral, por vingança contra a presidente Dilma pela maneira com que foi tratada na campanha eleitoral, mas para proporcionar ao seu partido de origem condições de rever seus erros e retornar às suas raízes, que teriam, na visão dela, sido perdidas nas disputas políticas dos últimos anos.

Ela vê no momento em que o PSDB chega ao segundo turno a chance de os tucanos ressaltarem seus laços sociais, que deram origem ao Plano Real e a diversas ações para a criação do que Fernando Henrique chamava à época de "rede de proteção social". Dentro desse espírito, foram criadas a Bolsa Escola, o Auxílio Gás, o Bolsa Alimentação e o Auxílio Alimentação, que originaram o Bolsa Família quando o governo Lula, por sugestão do governador tucano Marconi Perillo, unificou esses programas.

A preocupação dos dois lados durante as negociações foi sempre enfatizar que acordos estavam sendo negociados em torno de programas, e não de cargos ou futuras posições num eventual governo. Marina, por seu lado, tem ressaltado em conversas nos últimos dias, inclusive com membros do PSDB, que não faria nunca um acordo político que não fosse baseado em políticas públicas, e que não se coloca como dona das melhores práticas nem das melhores ideias.

Quer apenas salientar que um acordo programático como o que está sendo costurado será um avanço na negociação política no país, e que tanto ela quanto Aécio Neves têm o mesmo objetivo, que é o de unir forças para fazer as mudanças de que o país necessita. Ela sabe que o resultado das urnas deu a Aécio Neves a primazia das propostas, e apresentou sugestões que, a seu ver, ressaltarão o empenho social do PSDB.

A união nessas bases servirá também para que a campanha do tucano rebata as acusações que vêm sendo feitas pela candidata Dilma, colocando a disputa como sendo entre pobres e ricos, Norte e Nordeste contra Sul e Sudeste. O resultado das eleições desmente essa visão simplista do que saiu das urnas, como analisa o cientista político Cesar Romero Jacob, da PUC do Rio de Janeiro. Ele e sua equipe desenvolveram um trabalho de análise dos resultados eleitorais com base na divisão geográfica dos votos e têm um banco de dados das eleições presidenciais desde a redemocratização do país em 1989.

Se a geografia do voto petista se alterou radicalmente de 2002 para 2010, a da recente eleição presidencial é bastante semelhante à anterior, em que Dilma foi eleita pela primeira vez. O que difere essa das demais eleições, segundo o professor Romero Jacob, é a divisão socioeconômica do voto nas mesmas geografias. O resultado é mais complexo do que dividir a posição do eleitorado em polos opostos, pois existem na mesma região eleitores de diversos tipos e classes sociais.

Dizer que apenas os pobres votaram em Dilma no Nordeste é um engano, adverte Romero Jacob, pois as classes mais altas também se beneficiam da economia reforçada pelo programa Bolsa Família. (Amanhã, os desafios dos candidatos).

11 de outubro de 2014
Merval Pereira, O Globo
 

O HORÁRIO ELEITORAL E A NATUREZA DA POLÍTICA


11 de outubro de 2014
Oliveiros S. Ferreira, O Estado de S. Paulo

DESEMPREGO E "ESTATÍSTICA CRIATIVA"


11 de outubro de 2014
Bernardo Santoro
Gazeta do Povo, PR

O BRASIL FICA PARA TRÁS

O Brasil não pode mais continuar fazendo de conta que a forte desaceleração de sua economia é algo sem importância. Nem mesmo o velho truque de debitar o mau resultado da atual política econômica brasileira a fatores externos - argumento que já não se sustenta - pode servir de biombo para a urgência de uma mudança de rumos e métodos.

Não há como esconder que, este ano, o Produto Interno Bruto (PIB) terá desempenho inferior ao de anos recentes, quando se cunhou a expressão "pibinho" para identificar o baixo crescimento de 2,7% verificado em 2011, de apenas 1% em 2012, e de 2,3% em 2013. Para este ano, nem os mais otimistas esperam mais de 0,5% e não faltam analistas que apostam em crescimento zero.

Isso é muito mais do que uma série estatística ou uma mania de economista que não trabalha para o governo. É o cardiograma de um doente que caminha acelerado para perigoso estado de precarização. Essa situação chama a atenção do mercado e de organismos internacionais que, até recentemente, viram o Brasil surgir como um dos países emergentes de maior dinamismo. Instituições do mercado financeiro, como as agências internacionais de verificação de risco (rating), chegaram a elevar a classificação do país como destino confiável de capitais e seguro para a concessão de créditos.

Desencantadas, essas agências sinalizam com rebaixamento das notas dadas ao Brasil. Já o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) não param de alertar para o fato de que a perda de fôlego do país vem ganhando dimensão preocupante, pior que a média de nossos vizinhos e das demais economias emergentes.

Na quinta-feira, a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, ao comentar o último relatório sobre a economia mundial, foi clara ao colocar o Brasil entre os países que, ao caminhar mais lentamente que os demais no rumo da recuperação econômica depois da crise de 2008/2009, estão ficando para trás.

Ela não sugere nada desconhecido dos que sabem que o país precisa de nova condução da política econômica: investimentos em infraestrutura para animar a retomada do crescimento e a manutenção de programas sociais, como o Bolsa Família, para evitar o aumento da pobreza enquanto o crescimento permanecer tão baixo.

Christine, como qualquer economista atualizado, sabe que a manutenção por mais tempo de crescimento tão medíocre como o dos últimos quatro anos (em 2010, o PIB tinha crescido 7,5%) vai comprometer importantes conquistas sociais e, principalmente, colocar em risco o emprego e a renda da população. Menos de 24 horas depois, o IBGE divulgou a quarta queda mensal seguida do emprego na indústria brasileira.

O que a chefe do FMI não disse é que, se a retomada do crescimento depende dos investimentos em infraestrutura e na ampliação dos negócios, nada vai sair do lugar enquanto persistir a falta de confiança na política econômica e a perda da credibilidade do governo, que tem abusado do improviso na política de incentivos e da criatividade na administração fiscal.

11 de outubro de 2014
Editorial Correio Braziliense
 
 

APARELHAMENTO CRIMINOSO

Apesar do contexto eleitoral em que estão sendo divulgadas, as gravações dos depoimentos dos chamados delatores do esquema Petrobras _ o ex-diretor Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef _ merecem a atenção dos brasileiros, pois confirmam não apenas o loteamento político da estatal como também o desvio sistemático de recursos para os partidos que se apropriaram de parte da administração pública.

As informações dos beneficiários da delação premiada revelam um organizado esquema de corrupção, com empresas formando um cartel para superfaturar contratos com a Petrobras e pagando propinas em dinheiro vivo para os políticos ocupantes das diretorias da estatal _ tudo com a anuência do governo, que afinal é o responsável pela distribuição de cargos.

O aparelhamento político de empresas públicas é duplamente danoso para o país, pois compromete a eficiência dessas organizações e abre caminho para as fraudes.

Corruptos e corruptores se valem do despreparo e da frouxidão moral destes dirigentes políticos para sugar recursos do povo brasileiro, sob o olhar cúmplice de governantes que colocam seus projetos de poder acima dos interesses do país.

Tal deformação não é exclusividade do atual governo, embora tenha assumido proporções absurdas nas últimas administrações.

Por isso, independentemente de quem a população brasileira escolher para comandar o país pelo próximo mandato, o eleito deve assumir o compromisso de desinfetar a administração federal e as estatais desta praga chamada corrupção.

Também está mais do que na hora de uma reação contra os financiadores do propinoduto, que só pensam nos seus interesses e se submetem ao jogo sujo dos contratos condicionados ao pagamento de percentagens a políticos.

Claro que os maiores responsáveis são os homens públicos que traem a confiança dos eleitores, mas quem forma cartel e superfatura obras e serviços também não pode alegar inocência.

Nenhum governante tem o direito de se apropriar do Estado e muito menos de dividir a administração pública entre amigos e apoiadores para sustentar seu projeto de poder. Num regime democrático, o Estado pertence ao povo e cabe a cada cidadão, pelo voto, escolher quem tem idoneidade para receber a concessão temporária da administração.
 
11 de outubro de 2014
Editorial Zero Hora

A BARRA VAI PESAR

Deu a lógica nos resultados iguais das primeiras pesquisas dos dois maiores institutos brasileiros, Ibope e Datafolha, sobre a intenção de voto para o segundo turno da eleição presidencial: o oposicionista Aécio Neves à frente de Dilma Rousseff, 51% contra 49% dos votos válidos, por enquanto dentro da margem de erro. Deu a lógica porque, afinal, a soma dos votos recebidos pelos dois principais candidatos oposicionistas no primeiro turno - Aécio Neves e Marina Silva -, no total de 57 milhões (56,8%), superou com folga os 43,2 milhões (41,8%) dados a Dilma Rousseff.

Esses números dizem que a considerável maioria dos brasileiros quer mudança. E mudança significa apear o PT do poder. Se alguém tem alguma dúvida sobre o caráter antipetista dos votos dados a Marina Silva no primeiro turno, basta lembrar que a própria campanha de Dilma Rousseff se encarregou, de forma brutal e indigna, de estigmatizar a candidatura do PSB. É difícil de acreditar que o eleitor de Marina deixe de se ater agora à opção que lhe resta: votar em Aécio.

Mas também é óbvio que nem todos os votos que Marina teve em 5 de outubro serão automaticamente transferidos para Aécio. Mas o forte efeito psicológico tanto, por um lado, da tendência de crescimento da candidatura tucana nas últimas três semanas quanto, por outro lado, da frustrante reversão das expectativas petistas, somado ao substancial apoio a Aécio anunciado por antigos adversários e lideranças políticas ao longo da semana que passou - e ainda as recentes más notícias para Dilma Rousseff e o PT a respeito do desempenho da economia e do escândalo da Petrobrás -, tudo isso certamente influenciará a decisão do eleitor.

É preciso levar em conta, contudo, que na defesa de seu projeto de poder o lulopetismo não terá escrúpulos de apelar a qualquer recurso que estiver a seu alcance, como a ominosa falácia de que o PT tem o monopólio da virtude e todos os seus adversários são também inimigos do povo que só pensam em sacrificar os despossuídos em benefício das elites perversas.

É claro que só quem é mal informado acredita em patranhas como a de que qualquer presidente eleito que não seja do PT acabará com todos os projetos sociais dos governos petistas, principalmente o Bolsa Família. E Lula e Dilma decidiram também proclamar agora que a infâmia está em afirmar que há pessoas mal informadas no Brasil, deturpando deliberadamente declaração feita pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

A direção em que os ventos eleitorais estão soprando indica que a tropa de choque petista terá trabalho pesado até o dia 26. Por exemplo, uma vez que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, está cumprindo aviso prévio e anda com a credibilidade em baixa, Dilma designou Aloizio Mercadante, atual ocupante do Gabinete Civil, para não deixar sem resposta qualquer ataque da oposição na área da Economia. Aloizio tem credenciais para a missão: foi, em 1994, o arauto petista do fracasso antecipado do Plano Real.

Na Comunicação, além do notório João Santana, marqueteiro do Brasil dos Sonhos e das Malvadezas, anda assoberbado o jornalista Franklin Martins, aquele que desde que era ministro da Comunicação Social de Lula está obcecado pela ideia de decretar o "controle social" da mídia. No comando do site oficial da campanha de Dilma, Martins tem a responsabilidade de municiar a militância que atua nas redes sociais com toda sorte de informação que não pega bem na boca de quem fala oficialmente em nome do PT e de sua candidata.

À frente do partido permanece vigilante Rui Falcão, com a importante missão, que não lhe tem dado descanso nos últimos dias, de protestar com indignação contra as denúncias de corrupção no governo que a mídia se vê na obrigação de divulgar todos os dias e de prometer que vai processar criminalmente quem quer que seja que se atreva a questionar os elevados padrões morais da companheirada.

É esse o circo de horrores que provavelmente os brasileiros serão obrigados a assistir nas duas próximas semanas, como preço a pagar pela ousadia de cogitar a alternância no poder.
 
11 de outubro de 2014
Editorial O Estadão

A INDECISÃO DE MARINA

 
11 de outubro de 2014
Editorial Gazeta do Povo, PR

FUNDO POÇO

Escândalo na Petrobras adquire grandes proporções às vésperas do segundo turno; efeito eleitoral do episódio ainda é incerto

Depois de Delúbio Soares, Silvio Pereira e outros tantos nomes do mensalão, já nem parece o caso de qualificar como estarrecedoras as revelações do doleiro Alberto Youssef e de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, sobre os desvios de recursos na empresa.

Em depoimentos à Justiça Federal, estimulados pelo instituto da delação premiada, os dois personagens descreveram com naturalidade o esquema de propinas nos contratos firmados com a estatal.

Na Diretoria de Abastecimento, controlada por Costa, PT e PP dividiam a messe da corrupção. Ao primeiro partido estavam reservados 2% do valor dos contratos arranjados, enquanto 1% ia para a segunda sigla e intermediários.

Reencontram-se, na participação do PP, nomes conhecidos do público. Obtiveram notoriedade durante o mensalão o deputado José Janene, morto em 2010, e seu assessor João Cláudio Genu. No PT, o nome de Delúbio Soares é substituído pelo do novo tesoureiro da agremiação, João Vaccari Neto.

Segundo os relatos, mais garfadas alimentavam o caixa petista. Em outras diretorias, que não foram objeto da partilha de cargos com a base aliada, o PT garantia a integralidade da propina.

Quanto ao PMDB, contentava-se com o 1% da Diretoria Internacional, para a qual indicara Nestor Cerveró, um dos principais arquitetos da operação Pasadena.

Nenhuma empresa deixava de pagar a propina, conta Paulo Roberto Costa. Referia-se a um conjunto de empreiteiras do qual faziam parte --segundo confirma Alberto Youssef-- Camargo Corrêa, OAS, Odebrecht, Andrade Gutierrez e outras de menor notoriedade.

Diferentemente do episódio que envolve o metrô de São Paulo e o PSDB, não surge neste inquérito uma delação por parte das próprias empresas corruptoras --declarações de um ex-diretor da Siemens foram decisivas para desencadear o escândalo tucano. Ao contrário, todas as citadas negam participação no esquema.

Apesar dessas objeções, e mesmo que nada, por enquanto, esteja comprovado e ainda menos julgado, o caso Petrobras muito provavelmente terá efeitos sobre o cenário eleitoral. Com que intensidade, porém, não se sabe.

As revelações reforçam as críticas do PSDB ao aparelhamento do Estado pelos governos do PT, mas não é especialmente confortável para os tucanos o papel de defensores inflexíveis da ética pública.

Talvez o melhor que possam fazer os candidatos, nesta altura, seja propor reformas mais amplas do ponto de vista do controle sobre os negócios do Estado e do próprio sistema político, de modo a minimizar o que há de estrutural nos mecanismos de corrupção.

Não é fácil; em meio à facilidade das acusações, um interessado silêncio predomina nesse aspecto.

 
11 de outubro de 2014
Editorial Folha de SP

UM EXEMPLO POSITIVO DE NEGOCIAÇÃO POLÍTICA

EM DESESPERO DIANTE DA COMPROVAÇÃO QUE O PT ROUBOU A PETROBRAS, DILMA DESTILA ÓDIO NO NORDESTE PARA TENTAR DIVIDIR O PAÍS


 
Em mais um dia de campanha pelo Nordeste, a presidente Dilma Rousseff (PT) afirmou nesta quinta-feira (9) que seus rivais promovem uma "oposição ridícula" entre o Sudeste e o Nordeste."É uma visão preconceituosa e elitista. [Eles estão] dizendo que meus votos são os dos ignorantes e dos letrados são os deles. Eles não andam no meio do povo, não dão importância ao povo. Querem desqualificar, destilar um ódio mal resolvido", afirmou a presidente em entrevista a rádios locais. 

A presidente associou o PSDB de seu adversário Aécio Neves ao "conservadorismo" e disse que o povo "tem que lutar pelas conquistas dos últimos 12 anos". E mirou nos eleitores que ascenderam socialmente, dizendo que "criou" a classe média que cresceu nos últimos anos. "Temos de ter foco nos mais pobres. Mas também fizemos política para classe média ascendente que nós mesmos criamos", afirmou. 

Em discurso em Salvador, Dilma voltou a criticar o economista Armínio Fraga, que foi presidente do Banco Central durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Aécio declarou que Armínio será seu ministro da Fazenda caso ele vença a eleição."Esse senhor [...] não gosta do salário mínimo. Eles acham que o salário mínimo é recessivo. É um escândalo", afirmou. Em nota, Armínio disse que ela "está mal informada ou distorce os fatos". 

Em Sergipe, Dilma pediu que o Nordeste faça uma "onda" pela sua reeleição: "Eu já pedi uma onda na Bahia para ganhar no segundo turno. Agora, estou pedindo uma onda sergipana, uma onda forte, que nos leve a um segundo turno vitorioso".  

ONDA DE LAMA AFUNDA A CANDIDATURA DE DILMA

A divulgação das primeiras pesquisas do segundo turno e o devastador depoimento de Paulo Roberto Costa coroaram nesta quinta-feira (9) a "tempestade perfeita" que atinge a campanha de Dilma Rousseff (PT). O termo designa a convergência de fatores negativos que agudizam uma situação já difícil. No caso da campanha da presidente, a saber: 

1. Seu oponente Aécio Neves (PSDB) teve um desempenho acima do previsto no primeiro turno. Ganhou fôlego. 

2. O desastre eleitoral em São Paulo colocou o PT em pé de guerra. Lideranças emergentes questionam a velha guarda paulista do partido, e até Lula virou alvo de críticas. 

3. Enquanto isso, Aécio amealhou apoios ao longo da semana, inclusive o do arredio PSB. A principal "noiva", Marina Silva, indicou estar à beira do "sim", embora isso ainda esteja em aberto. 

4. Na quarta (8), encadearam-se diversas más notícias para Dilma. Gente ligada ao PT foi pega com malas de dinheiro, a inflação estourou o teto da meta e uma autoridade econômica sugeriu que o povo comesse frango no lugar de carne, a Procuradoria-Geral da República descartou acusação criminal petista contra Aécio no caso do aeroporto de Cláudio e, por fim, foi divulgado que o delator da Petrobras citou PT, PMDB e PP como receptores de dinheiro desviado da estatal na campanha de 2010. 

5. A divulgação do depoimento de Costa, de própria voz. É peça única no anedotário da corrupção e atinge o centro do grupo no poder.

6. A perda da vantagem que Dilma manteve durante toda a campanha nas simulações de segundo turno, e ainda sem o impacto pleno do caso Petrobras, com ultrapassagem numérica de Aécio.

(Folha de São Paulo)

ASSIM COMO NEGA O "MENSALÃO" ATÉ HOJE, PT TAMBÉM DIZ QUE O "PETROLÃO" NÃO EXISTIU. MAS AGORA O POVO JÁ CONHECE A QUADRILHA.


João Vaccari substituiu Delúbio Soares. O mensalão deu lugar ao petrolão. O milhão roubado virou bilhão. Dinheiro, que além de enriquecer os companheiros, também foi usado para pagar a riquíssima campanha de 2010, que elegeu Dilma Rousseff, segundo revelaram os delatores que operavam o esquema para o PT.

Após a divulgação do conteúdo dos depoimentos do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, e do doleiro Alberto Youssef, o PT informou, por nota oficial, que o presidente nacional do partido, Rui Falcão, negou as acusações de Costa e disse que a legenda “estranha a repetição de vazamentos de depoimentos no Judiciário, tanto mais quando se trata de acusações sem provas”. 

Ainda segundo a nota, o partido diz repudiar com “veemência e indignação” as “declarações caluniosas” do ex-diretor da estatal, “proferidas em audiência perante o mesmo juiz que, anteriormente, acolhera seu depoimento, sob sigilo de Justiça, no curso de um processo de delação premiada”.

“O PT desmente também a totalidade das ilações de que o partido teria recebido repasses financeiros originados de contratos com a Petrobras”, diz a nota de Rui Falcão. O líder petista prossegue dizendo que “todas as doações para o Partido dos Trabalhadores seguem as normas legais e são registradas na Justiça Eleitoral”. 

Para finalizar, a nota afirma ainda: “Lamentamos que estejam sendo valorizadas as palavras do investigado, em detrimento de qualquer indício ou evidência comprovada”. “A Direção Nacional do PT, por intermédio de seus advogados, analisa a adoção de medidas judiciais cabíveis.”

Em depoimento à Justiça, Costa disse que o esquema de corrupção na diretoria de Serviço da estatal era operado pelo PT. Segundo ele, dos 3% de cada contrato cobrado como propina, 2% era “para atender o PT”. Em outro depoimento, Costa disse que o partido ficava com o total do dinheiro desviado, de 3%. Ainda de acordo com o depoimento, o esquema da Diretoria de Serviços era operado pelo tesoureiro da sigla, João Vaccari.

Indagado pelo juiz Sérgio Moro sobre quem distribuía o dinheiro dentro da diretoria de Serviços, afirmou que a ligação era diretamente com o tesoureiro. No PMDB, quem era responsável pela articulação era Fernando Soares, o Fernando Baiano.

A Secretaria Nacional de Finanças do partido também enviou nota respondendo as acusações de Costa. Segundo o texto, o secretário João Vaccari Neto "nunca tratou sobre contribuições financeiras do partido, ou de qualquer outro assunto" com o ex-diretor de Abastecimento da estatal. De acordo com a nota, "o depoimento prestado por ele à Justiça está carregado de afirmações distorcidas e mentirosas".

"Essas acusações, difundidas insistentemente por meio de notícias na imprensa, sem possibilidade de acesso de nossos advogados aos depoimentos, impedem o direito ao exercício constitucional da ampla defesa", diz o texto. A nota diz ainda que "as contribuições financeiras recebidas pelo PT são transparentes e realizadas sempre de acordo com a legislação em vigor", e que Vaccari vai processar "civil e criminalmente aqueles que têm investido contra sua honra e reputação".

TRANSPETRO TAMBÉM NEGA ACUSAÇÕES
 
A Transpetro, também citada no depoimento de Costa, também negou as acusações por meio de nota à imprensa. Ao ser questionado pelo juiz Sérgio Moro se empresas subsidiárias a Petrobras participavam do esquema de propina, Paulo Roberto Costa afirma não ter conhecimento sobre o esquema na BR Distribuidora, mas que ele sabia do funcionamento na Transpetro, onde, segundo depoimento, “também tinha repasse para políticos”. 

— O senhor recebeu propinas da Transpetro? — questionou Moro

— Recebi uma parcela. R$ 500 mil. Quem me pagou foi o Sergio Machado, presidente da Transpetro, em 2009 ou 2010, não lembro direito o ano. Da Transpetro recebi numa única oportunidade. Contratação de alguns navios pela Transpetro. Foi me entregue no apartamento dele, no Rio de Janeiro. Saiu em 2012 — respondeu Costa.

— O esquema continuou depois que ele saiu da Petrobras? — insistiu Moro.

— Eu tinha algumas pendências a receber. Eu recebi através de contratos de prestação de serviços com essas empresas. Para justificar repasses, mas valores eram relativos ao 1% que eu tinha que receber do que ficou para trás. Tinha recursos a receber do Youssef.

Por nota, a Transpetro diz que “o presidente da Transpetro, Sergio Machado, nega com veemência as afirmações feitas a seu respeito pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. As acusações são mentirosas e absurdas. Machado faz questão de ressaltar o seu estranhamento com o fato de que as declarações estejam sendo divulgadas em pleno processo eleitoral. Machado jamais foi processado em decorrência de qualquer dos seus atos ao longo de 30 anos de vida pública. E tomará todas as providências cabíveis, inclusive judiciais, para defender a sua honra e a imagem da Transpetro”.

(O Globo)

A CORRUPÇÃO FOI "INSTITUCIONALIZADA" NA PETROBRAS, AFIRMA AÉCIO.

                          Dilma tem comando na estatal desde 2003

 
 
Como ministra das Minas e Energia, presidente do Conselho de Administração da empresa e presidente da República, Dilma Rousseff tem comando na Petrobras desde que o PT assumiu o poder.

O candidato à Presidência do PSDB, Aécio Neves, afirmou nesta quinta-feira (9) que a corrupção foi "institucionalizada" pelo PT na Petrobras. Ele se referia ao suposto envolvimento do tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, nos casos de desvio de verbas da estatal. "O vazamento da delação premiada aponta na direção de algo institucionalizado, que envolve diretamente o tesoureiro do partido político que governa o Brasil há 12 anos. Agora começamos a compreender quais seriam aqueles belos serviços que constavam da ata de afastamento do diretor Paulo Roberto [Costa]", disse Aécio. 

Ele ironizou, indiretamente, a presidente Dilma Rousseff, que afirma não interferir nas investigações da Polícia Federal sobre "malfeitos" na estatal. "Aquilo que era chamado de malfeito, de desvio de conduta ou de caráter, agora chega de forma institucional ao partido político", disse o tucano. Aécio lembrou a prisão do ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, condenado no mensalão e buscou ressaltar o envolvimento de altos dirigentes petistas para sustentar o que chama de corrupção "institucionalizada". 

"O ex-tesoureiro do PT foi condenado e foi preso exatamente por utilizar dinheiro público. Ele foi sucedido por esse tesoureiro, que foi denunciado pelo próprio grupo, da própria quadrilha", afirmou. "Não é a oposição quem está denunciando. É um diretor que foi nomeado por esse governo e um doleiro que atuava dentro desse esquema que dizem que alimentava diretamente o partido que está no governo. Em qualquer país do mundo isso seria talvez o maior escândalo da história", concluiu Aécio. 

O tucano defendeu a "profissionalização da empresas públicas e agências reguladoras". Afirmou que, se eleito, vai "diminuir o tamanho do Estado e de cargos comissionados". "O Estado brasileiro tem que ter compromisso com resultados, e não com a companheirada", disse o senador.

(Folha de São Paulo)

SAIBA QUEM DESCOBRIU O BRASIL

sábado, 11 de outubro de 2014

POLÍTICA DO COTIDIANO, DO JORNALISTA CLAUDIO HUMBERTO

NOTAS POLÍTICAS DO JORNALISTA JORGE SERRÃO

Lava Jato vai se transformar em Pizza Suprema?


 
O maldito forninho da injustiça brasileira já fabrica uma de suas mais nojentas pizzas com sabor de impunidade. Dificilmente, os processos da Lava Jato vão atingir, em cheio, tantas “autoridades” com o absurdo direito a foro privilegiado para questões criminais. Nos bastidores do judiciário e da politicagem, já se prevê que a “colaboração premiada” de Paulo Roberto Costa, Alberto Youssef e demais companheiros de lavagem de grana vai se restringir ao escândalo que agora inferniza a campanha reeleitoral do segundo turno presidencial. Será?!

A aposta na impunidade é baseada na atual composição política, pró-governo petista, do Supremo Tribunal Federal. Os semideuses do STF é quem cuidarão dos eventuais denunciados por Costa e Youssef. Não existe previsão de quando isto vai acontecer. Certo é que não será durante o processo eleitoral. E, dificilmente, deve ocorrer este ano. A tendência é que demore bastante. Assim desejam os caríssimos advogados já mobilizados pelos ilustres envolvidos – alguns até reeleitos recentemente. Quanto mais demorar, mais benefício direto para os políticos ladrões do dinheiro público.  

Inteligentíssimo foi o juiz Sérgio Fernando Moro, da 13ª Vara Federal em Curitiba. Conhecido nos meios judiciais como “Homem de Gelo”, pela frieza técnica com que cuida de seus julgamentos e audiências, Moro tomou o cuidado de administrar a “delação” de Paulo Roberto, Alberto Yousseff e demais asseclas, restringindo as acusações diretas a pessoas jurídicas e físicas absolutamente sem cobertura de foro privilegiado. Assim, tudo que foi dito, com as devidas provas reunidas, garantirá condenações em primeira instância. A elas, evidentemente, caberão infinitos recursos previstos na louca legislação processual brasileira. Mas as manobras protelatórias ficam prejudicadas pelo bem estruturado “Acordo de Colaboração Premiada” firmado de “livre e espontânea vontade”.

A “Colaboração Premiada” é um instrumento jurídico tão sério que foi homologado pelo STF. Não pode ser avacalhado pela nossa corrupta e desmoralizada classe política. O acordo se baseia no artigo 129 da Constituição Federal, bem como nos artigos 13 a 15 da Lei 9807/99 e no artigo 1º, parágrafo 5º, da Lei 9613/98.  Apoia-se nos artigos 4º a 8º da Lei 12850/2013. Também tem respaldo internacional, no artigo 26 na Convenção de Palermo e no artigo 37 da Convenção de Mérida. Um dos principais objetivos é a “recuperação das vantagens econômicas ilícitas oriundas dos cofres públicos, distribuídas entre diversos agentes públicos e particulares ainda não identificados, bem como na investigação da corrupção de agentes públicos de diferentes setores e níveis praticados mediante oferecimento de vantagens por grandes empresas”.

Graças à agitada conjuntura eleitoreira, fazem o maior sucesso nas agitadas redes sociais e nos frenéticos e-mails os vídeos com as confissões bombásticas do Paulinho (como Luiz Inácio da Silva se referia ao “companheiro” Paulo Roberto Costa, ex-diretor de abastecimento da Petrobras) e seu comparsa, o doleiro Alberto Youssef. Os depoimentos infernizam a petralhada e sua candidata Dilma Rousseff que classifica a liberação de tais áudios como “um golpe em meio ao processo eleitoral”. O pior é que a Dilma, PT da vida, parece estar certíssima. Tanto que, psicologicamente, acusou o “golpe”. 


Melhor ainda é o depoimento do “colaborador” Alberto Youssef, que começa dizendo não ser o “chefe do esquema ou mentor da organização criminosa”. Alegando ser apenas “uma engrenagem”, o doleiro revela que o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (atualmente sem foro privilegiado) cedeu aos políticos de partidos acusados de participar das fraudes na Petrobras e empossou Paulo Roberto Costa na diretoria de Abastecimento da empresa. Garantiu que os pagamentos a Costa eram feitos em dinheiro vivoYoussef denunciou que "agentes políticos" ameaçaram trancar a pauta do Congresso.


Repito por 13 vezes 13: depois da divulgação do conteúdo de apenas parte das denúncias de Paulo Roberto Costa, Dilma Rousseff deveria renunciar ao cargo de Presidenta e à candidatura reeleitoral ao Palácio do Planalto, se o Brasil fosse um País normal, sério e com segurança jurídica. Todo mundo concorda que o Brasil precisa mudar, mas os poderosos de plantão só querem que ele mude para ficar a mesma coisa... Dificilmente tal sina será alterada – a não ser por um milagre (coisa nada fácil de acontecer).

Falsa Xerifa
 

De novo, vamos para mais uma eleição nos comportando como torcedores fanáticos... Cada um torce por seu time e distorce a realidade conforme as conveniências ideológicas. O problema brasileiro é muito mais profundo. Não definimos o que queremos deste País. Na década de 50, a elite da Coreia do Sul definiu que a prioridade deles seria a Educação - e o resto seria consequência... Veja o que eles são hoje e podem ser no futuro... E nós? Não definimos nada. Por isso, ficamos aqui em discussões inúteis sobre PT e PSDB - que são partidos primos, da mesma matriz que sempre comandou o Brasil, com a parceria criminosa do PMDB e outros aliados menos votados, porém vorazes, como o PP... E, claro, com a parceria das empreiteiras que financiam a politicagem a cada dois anos, quando temos eleições...

Enfim, precisamos definir um projeto para o Brasil. Mudar para ficar a mesma coisa não nos levará a lugar algum... O sistema do crime politicamente organizado já está assando sua nova pizza... Será que a sociedade brasileira, conivente e leniente com a corrupção generalizada, vai engoli-la, como de costume? Ou as elites morais, formadas pelos segmentos esclarecidos, vão reagir, de forma inédita? 

As classes armadas e as alarmadas aguardam pela resposta...

Leia também: Dilma e o Site Maracutaias na Petrobras, de João Vinhosa.

Ata e desata
 
Do historiador Carlos Azambuja sobre a mais recente cascatinha da Presidenta:
 
“Kamaradas: Agora, à noite, na propaganda eleitoral, a Dilminha Bang Bang voltou a mentir, dizendo, com a maior cara de pau, ter demitido da Petrobras "aquele indivíduo que faz delação premiada". Referia-se ao "Paulinho", como é chamado pelo Lula. Não é verdade! De acordo com uma ata da reunião do Conselho da Petrobras, o "Paulinho" não foi demitido. Pediu demissão e ainda foi elogiado pelos bons serviços prestados. Isso está escrito lá na ata! Mas tem gente que acredita no que a Dilminha Bang Bang fala...”

Para quem ainda não viu, o Alerta Total repete o que já divulgara: a agora famosa ata em que Paulinho é elogiado por Guido Mantega, presidente do Conselhão da Petrobras, pelos relevantes serviços que prestou à empresa...

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Clima eleitoreiro

Do psicanalista Mtnos Calil, do Instituto Mãos Limpas Brasil, definindo bem nosso momento presente:

“Como tenho dito, a saída do PT do poder vai ser benéfica para o combate à corrupção, que é um dos pontos chaves do programa dos dois candidatos. Como Aécio já foi escolhido pelo mercado – e pelos donos do poder mundial, ou pelo menos da parte ocidental deste poder – ele não precisa provar nada, tendo apenas que usar a estratégia de marketing eleitoral mais indicada para sensibilizar (vale dizer seduzir) os eleitores de Marina. Essa estratégia consiste simplesmente nisso: falar o que o eleitor quer ouvir e da forma (emocional) que ele gosta”.

Repeteco do Doutor Humberto


Para ódio da petralhada, um repeteco do videotexto do médico Humberto de Luna Freire Filho contra a megaquadrilha que assalta o Brasil.

Direito e Justiça em Foco


Confira o programa dominical do desembargador aposentado e excelente entrevistador Laércio Laurelli.

São Francisco está PT da vida

 
                           
Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus. Nekan Adonai!
 
11 de outubro de 2014
Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor.