"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

PREPARAÇÕES PARA UMA VINDOURA GUERRA?


 Artigos - Globalismo

 As mobilizações militares que vemos nos dias de hoje coincidem não apenas com o completo desarmamento do Ocidente, mas com uma campanha de longo prazo de sabotagem contra o próprio instinto.
 
Dia 26 de março, o Daily Mail noticiou a seguinte manchete: “Kim Jong-Um disse aos chefes militares de seu país para se prepararem para a guerra com a Coreia do Sul em 2015, diz mídia de Seul”. O ditador do Norte, é claro, está sempre ameaçando com novas guerras. Entretanto, essa é a primeira vez que esse tipo de informação aparece com calendário definido (em termos de especificação do ano do ataque). O que é digno de nota nesse caso é como ele é concordante com o que disseram as autoridades chinesas. Em um discurso de agosto de 2005, proferido pelo ex-Ministro da Defesa Chinês Chi Haotian, intitulado A guerra se aproxima de nós, pode-se ler na sua transcrição:

“... apenas com um poder que possa ser capaz de extinguir totalmente o Japão e debilitar os Estados Unidos, nós poderemos conseguir a paz. O problema de Taiwan não pode ser prolongado por mais 10 anos – e haverá guerra dentro deste prazo!”

O Gen. Chi proferiu um discurso ainda mais aterrador para a elite do Partido. No discurso intitulado A guerra não está longe [de acontecer] dos EUA e ela será a parturiente do Século Chinês, Chi concluiu o discurso com a seguinte observação:

“O comitê central [do Partido Comunista Chinês] acredita que, tão logo resolvamos nosso problema com os Estados Unidos com um golpe, nossos problemas domésticos estarão prontamente resolvidos. Sendo assim, nossas preparações militares para a batalha parecem estar direcionadas para Taiwan, mas elas estão na verdade direcionadas para os Estados Unidos e estão muito além do alcance de ataques aéreos ou satélites”.


Na mesma toada, podemos conjecturar se a atual “preparação para o combate” dos russos parecem estar sendo apenas direcionadas para a Ucrânia ou se “estão na verdade direcionadas para os Estados Unidos...”. Isso deveria causar alguma preocupação, especialmente por conta da liderança americana ter se mostrado tão incauta. Todavia, antes de engalfinharmo-nos nas profundezas da negligência, há uma delicada questão moral a se tratar com os leitores. Semana passada, um leitor sugeriu que eu passasse uma mensagem mais animadora e esperançosa. Eu certamente preciso agradecer a essa mensagem, então eis: Se há alguma verdade nas minhas palavras, então há também, por definição, esperança. Em todas as situações e em todas as épocas, falar a mais dificultosa das verdades requer a maior quantidade possível de fé. E aqueles que não têm tal fé, não podem ter a verdade, a esperança e, por fim, o futuro. Isso é tudo o que precisa ser dito acerca do assunto “mensagens esperançosas”.

Retornando ao assunto: O que Rússia e China estão fazendo, o que eles preparam para o futuro, agora é feito para quem quiser ver. A enganação total acabou. Mesmo assim, apesar de tudo isso, nossa sociedade continua comprometida com ideologias suicidas e mitos (aquecimento global, feminismo, multiculturalismo, socialismo e paz mundial). Ignoramos o perigo real que jaz lá fora como se fôssemos de alguma forma invulneráveis. Nossos líderes, analistas e experts sabem aquilo que é popular, aquilo que é esperado e o que dá dinheiro.
Pensar fora desses parâmetros é decretar o fim da própria carreira. Assim, nossos analistas e experts não reconhecem a estratégia inimiga (eles a rebaixam à irrisão). Eles não conseguem conectar um fato com o outro ou vislumbrar os indícios subjacentes. De muitas características eles estão atentos, mas eles não conseguem ver a armadilha a qual a civilização caiu. A ordem liberal burguesa já continha aspectos defeituosos desde a sua origem por conta da implacável lógica democrática, da anarquia dos partidos políticos, da demagogia dos políticos, da crença no progresso e do poder nivelador da igualdade. A sociedade tornou-se melíflua; feminina; incoerente ao ponto de chegar às raias da desintegração. Isso não é obra apenas das décadas recentes, mas dos séculos recentes.

Eis um exemplo da incoerência que leva ao ponto de desintegração: Ao reagir à ameaça russa de invadir a Ucrânia, o Presidente Obama disse: “A Rússia é uma força regional que está ameaçando alguns dos seus vizinhos imediatos, mas não por causa da sua força, mas sim por sua fraqueza”. Talvez seja por isso que ninguém na Europa tenha feito nada acerca da anexação russa da Crimeia.
Como corolário da formulação de Obama, a Europa não pode impedir a Rússia porque a Europa é demasiadamente forte (em comparação com a Rússia). Quanto a ser uma mera potência regional, é o caso de perguntarmos o que significam os ICBMs russos. E o que significa Jens Stoltenberg se tornar o próximo Secretário-Geral da OTAN?
O ex-Primeiro Ministro norueguês é conhecido pelo seu ativismo na área de “mudanças climáticas”. Mas o que dizer do seu passado quando liderava a Liga da Juventude Trabalhista e seus frequentes encontros com o oficial da KGB da embaixada soviética que deu a Stoltenberg o codinome “Steklov”?

Evidentemente, por que alguém seria contra encontrar um oficial da KGB que trabalha disfarçado de diplomata soviético, não? Diz-se que não há problemas nessas pessoas trocarem ideias, pois cada um tem seu ponto de vista e às vezes até se ganha com isso.
O plano de fundo do Sr. Stoltenberg não é mais danoso que, por exemplo, a reciclagem feita pela Heritage Foundation do artigo escrito por James Carafano para o National Interest intitulado Cinco razões pela qual não estamos correndo o risco de outra Guerra Fria [isso supõe-se, evidentemente, que a Guerra Fria anterior tenha de fato acabado]. Não apenas Carafano concorda com Obama que a Rússia não é uma força global, como ele diz que a Rússia não é “um Império do Mal”, não é uma competidora global, não está engajada no conflito ideológico, não é uma URSS rediviva e, portanto, não tem nada a ver com os verdadeiros problemas da América.

As crenças que agora dominam nossa sociedade, controlam nossas escolas e elegem nossos políticos são todas derivadas do comunismo (que há muito tempo se comprometeu com a supostamente extinta URSS). Isso inclui o atual status elegante da homossexualidade (não que a homossexualidade seja algo que a revolução proletária em teoria abrace, mas ela usa como estratégia – algo totalmente esquecido pelos não-estrategistas).
Se o comunismo morreu em 1991, como pode ser que ele seja tão vitorioso nos dias de hoje? Como é possível que de repente a URSS tenha voltado à vida? Furando os próprios olhos, muitíssimos analistas falharam em perceber as implicações inerentes à defesa do ambientalismo, do feminismo e do ativismo homossexual (assim como os republicanos falharam em vislumbrar o significado da abertura de longo prazo à China promovida por Nixon).
Portanto, as mobilizações militares que vemos nos dias de hoje coincidem não apenas com o completo desarmamento do Ocidente, mas com uma campanha de longo prazo de sabotagem contra o próprio instinto. O que, afinal de contas, significa o feminismo e a homossexualidade se não um ataque ao instinto?

07 de abril de 2014
Jeffrey Nyquist

50 ANOS DO CONTRA-GOLPE DE 1964

 
Artigos - Cultura 

“Ninguém vai dominar a política de um país sem garantir um espaço na alta cultura e nas universidades. O debate intelectual deve começar primeiro. O debate científico dentro das universidades deve desbancar e desmoralizar todos esses office-boys da KGB que estão escrevendo uma história mentirosa há 50 anos.

O perigo comunista existia, sim, era muitíssimo grave, e a KGB cometeu com isso, o maior atentado contra a soberania nacional que já aconteceu. Com a cumplicidade do próprio presidente da república.”
 
07 de abril de 2014
 
 

NADA COMO UM DIA APÓS O OUTRO...

Conselho de Ética vai investigar quebra de decoro de André Vargas. E Justiça Federal manda o petista para as mãos de Joaquim Barbosa.
Nada como um dia após o outro...

O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, acatou nesta segunda-feira o parecer jurídico da Mesa Diretora da Casa e decidiu encaminhar à Corregedoria Parlamentar o pedido de investigação por quebra de decoro feito hoje pelo Psol para apurar as denúncias contra o 1º vice-presidente, deputado Andre Vargas (PT-PR), que pediu  licença por 60 dias do seu mandato a partir desta segunda (7).

A Mesa Diretora, por meio do presidente Henrique Alves, também encaminhou ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar a representação feita pelo PSDB, DEM e PPS, nesta segunda-feira, também por quebra de decoro. Lá o processo será aberto, um relator será sorteado e testemunhas serão ouvidas.

A Justiça federal no Paraná decidiu remeter para o Supremo Tribunal Federal a parte da investigação da Operação Lava Jato que contém diálogos e mensagens do deputado federal André Vargas (PT-PR), vice-presidente da Câmara dos Deputados, com o doleiro Alberto Youssef.

No despacho que encaminha parte da investigação ao Supremo, o juiz da 13ª Vara Federal diz: "Revendo os autos constato que, entre os diversos fatos investigados, foram colhidos, em verdadeiro encontro fortuito de provas, elementos probatórios que apontam para relação entre Alberto Youssef e André Vargas, deputado federal".

LIÇÃO DE ECONOMIA PARA O PRIMEIRO MUNDO

Lembram quando Dilma dava lição de economia para o primeiro mundo? Financial Times decreta "sentença de morte" para a estratégia burra do PT
A arrogância de Dilma criticando o modelo de austeridade adotado pela Europa, em 2012. Quem estava certo?

Em um texto crítico, nesta segunda-feira, o “Financial Times” lembra que o governo da presidente Dilma Rousseff falava como orgulho sobre a sua “nova matriz” de política econômica —com juros baixos, câmbio depreciado e incentivos fiscais —, capaz de reanimar a economia. 

A ideia era levar a expansão do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) à casa de 4%. Mas, neste mês soou a sentença de morte para o modelo, com pressões inflacionárias persistentes, que forçaram a alta da taxa de referência para 11%, com possibilidade de mais aumentos.

Credibilidade em xeque, crescimento frágil e o rebaixamento pela agência de classificação de risco Standard & Poor´s (S&P) também são lembrados pelo “FT”, que afirma: “a maioria dos economistas acredita que o governo começou a tropeçar em 2012, após o início da crise da zona do euro”.

O periódico britânico aponta que, a partir daquele momento, o governo brasileiro promoveu uma redução de juros sem precedentes — a taxa chegou ao piso histórico de 7,25% em 2012 — e adotou medidas heterodoxas de combate à inflação, como forçar a Petrobras a praticar internamente preços menores que os do mercado internacional e medidas para redução de tarifas de energia.

“Contudo, as autoridades também introduziram políticas contraditórias que estimularam a inflação, como apoio a uma moeda mais fraca contra o dólar e estímulos à indústria e à demanda do consumidor por meio de benefícios fiscais temporários.”

O “FT” lembra que o Brasil este ano deve crescer cerca de 2% e a inflação deve atingir 6,3%. E cita a opinião do economista Alberto Ramos, do Goldman Sachs: “O problema com os políticos brasileiros é uma obsessão com as questões cíclicas e uma falta de vontade política para resolver os problemas estruturais enraizados do país”.
 
(O Globo)
 
07 de abril de 2014
in coroneLeaks

VALISNERIA ESPIRAL

O mais sedentário dos homens, mesmo aquele que nunca saiu de sua aldeia, não sabe, mas é um grande viajor. Pode ser mais parado que água de poço, mas ele e o poço a cada ano rodam 930 milhões de quilômetros em torno ao sol. É uma viagem respeitável. Esta minha 67ª foi a mais aziaga de todas as órbitas.

Comecei meus turismos interplanetários – e no fundo sempre os mesmos – em um 02 de abril. Mas só fui registrado no 02 de julho. Em meus pagos, naquele Saara verde quase deserto de homens, os cartórios ficam longe. O mais próximo de meu rancho ficava a três léguas de distância. Melhor dar um tempo para ver se a cria vinga e não perder uma cavalgada.

Embora não celebre nenhum, tenho dois aniversários: hoje e daqui a três meses. Foi nos últimos anos que comecei a fazer um balanço de minhas órbitas.

Em um de meus primeiros textos literários, lá pelos 20, com a arrogância típica dos jovens, escrevi: “estranha ageusia axiológica”. Foi logo após ter perdido minha fé. Queria dizer simplesmente que minha existência havia perdido seus valores.

Jovem acha que usar palavras raras é escrever bem. Nunca mais usei este hapax – que agora já não é hapax – e vejo que de novo, depois de velho, incorro no vício. Calma, leitor. Não precisa sair desta página e correr ao Google. Já explico. Hapax é aquela palavra empregada uma única vez em uma obra. E ageusia é ausência de paladar.

Ironia da vida, nesta fase crepuscular, fui vítima de meu hapax juvenil. Há uns bons três anos perdi o paladar, devido a radioterapias para combater um carcinoma na orofaringe. Quando adolescente, não tinha idéia de gastronomia. Em meus pagos, gastronomia era arroz, feijão e charque. Em Dom Pedrito, não se ia muito longe disso, com a diferença que se tinha não salgada. Culinária foi algo que comecei a descobrir em Porto Alegre. Mais tarde, em viagens. Nada mais pedagógico nesta área do que viajar. Foi batendo pernas pelo mundo que descobri a bona-xira.

Minha fase sem valores durou o que duram as rosas. Logo olhei em torno a mim e vi uma montanha de coisas boas a meu alcance. Para começar, sexo. E sexo era bom, particularmente quando exercitado sem culpa, como deveria ter dito Jeová aos dois inquilinos do Éden – mas não disse. Havia a amizade, a descoberta de amigos e amigas, as leituras, a música. Na época, ainda não havia descoberto as viagens. E viajar também era bom.

Agora já não é. Quando estamos degustando um cochinillo em Madri, um jarret de porc em Paris, um smörgåsbord na Escandinávia, uma cataplana de bacalhau em Lisboa, achamos bom o prato, é verdade. Mas nem sequer temos idéia do quanto era bom. Isto só se avalia quando não mais lhe sentimos o sabor. Passamos por um grande momento da vida sem saber quão grande era o momento. Comer a palo seco? Melhor ficar em casa.

Como viajar sem beber? Passei os últimos 30 anos de minha vida viajando só para ir de um restaurante a outro. Hoje isto perdeu o sentido. O vinho, bom e fiel amigo de tantas décadas, que jamais faltou a um encontro, me queima a garganta. O uísque me sabe como uma brasa sobre a língua, se é que alguém sabe como seja uma brasa sobre a língua.

Quando meus médicos me proibiram o álcool, pensei levá-los à barra dos tribunais. Impetraria um veemente habeas copus contra este grave atentado aos direitos humanos. Hoje, meu habeas copus perdeu sua razão de ser.

Valores ou sabores? A pergunta é capciosa, pois o sabor é também um valor. Olhando para trás, me resta o consolo de bem ter preenchido minha vida com sabores. Agora, como decía Fierro,

solo queda al desgraciao
lamentar el bien perdido.

Dante colocou os gulosos no terceiro círculo do inferno, onde são flagelados por uma chuva putrefacta e são vigiados pelo mitológico Cérbero, o cão de três cabeças. Atolados numa lama suja e espessa e atormentados por uma tempestade fortíssima de granizo, gelo, neve e torrões de água suja que caem sem parar, os gulosos jazem imersos no próprio vômito. Cérbero, com apetite insaciável, arranha, esfola, esmaga, dilacera e esquarteja os espíritos dos gulosos. O prazer solitário da gula é ampliado no inferno, onde estes estão solitários na lama, sem falar com seus vizinhos.

Decididamente, não é meu caso. Nunca fui guloso, sempre comi pouco e vejo o comer e beber associado à boa companhia e à boa charla. Quando eu bebo, as palavras flueeeeemmm, como me dizia o Toto Ferreira, lá nas Três Vendas. Comer é o melhor tempero de uma boa conversa. No entanto, como Dante não prevê pena alguma aos viajores, mesmo sóbrio, suponho que me colocaria debaixo dessa chuva pestilenta. Se dela escapei, fui condenado em vida ao purgatório da ageusia.

Foi o escritor Dyonélio Machado, comunista ferrenho e homem generoso, quem me introduziu na leitura de Renan e nas epístolas e viagens de Paulo. Renan, para quem não sabe, foi um ensaísta ateu que escreveu uma fascinante história do cristianismo em sete volumes – que se lêem com o sabor de um romance - e outra história do judaísmo em outros tantos tomos. Foi incluído no Index Prohibitorum, comenda máxima que poderia receber um escritor em seu dias.

Dyonélio nos recebia às quartas-feiras – eu e a Baixinha – e Adalgisa se apressava em trazer-nos vinho e biscoitos. “Pas de vin sans biscuit" – pontificava Dyonélio. Dito isto, nos conduzia a um atril, onde repousava eternamente uma bíblia, puxava de suas estantes o volume Paulo, da história do cristianismo de Renan, e começávamos a viajar pelo Mediterrâneo.

Anos mais tarde, navegando pelo Egeu, estive numa ilha, onde Paulo desembarcou, trazendo consigo os miasmas da doença. A praia onde aportou estava cheia de suecas nuas. Ali a peste não havia vingado.

Dyonélio também me levou ao conhecimento da valisneria espiral. É uma planta submersa que se espalha pelo chão dos oceanos e às vezes forma altos prados submarinos. Folhas com pontas arredondadas surgem em cachos de suas raízes. As flores brancas de uma única planta fêmea crescem para a superfície da água em hastes longas. As flores masculinas crescem em caules curtos, se destacam e flutuam até a superfície. O fruto é como uma cápsula de banana com muitas sementes minúsculas. Na superfície das águas, ocorre a fecundação. Dyonélio, marxista e ateu empedernido, alimentava a esperança póstuma de fecundar, como a valisneria, as futuras gerações. Sou um de seus frutos.

Nietzsche, inimigo declarado do deus cristão – considerava Renan um romântico - enfrentou em vida com destemor a Indesejada das Gentes. Pelo contrário, por ela nutria um certo xodó. Em um de seus apólogos, o rei Midas pergunta a Sileno qual dentre as coisas era a melhor e a preferível para o homem. Responde Sileno:

“Estirpe miserável e efêmera, filhos do acaso e do tormento! Por que me obrigas a dizer-te o que seria para ti mais salutar não ouvir? O melhor de tudo é para ti inteiramente inatingível: não ter nascido, não ser, nada ser. Depois disso, porém, o melhor para ti é morrer depressa”.

Verdade que Nietzsche não teve chance de enfrentá-la cara a cara. Foi envolto pela insânia na última década de sua vida e certamente não percebeu a chegada da Moira Torta. Pudesse com ela dialogar, certamente lhe daria as boas vindas.

Há dois dias, fiz a penúltima aplicação de quimioterapia. O tumor já foi reduzido em 80 % e parece que deste escapo. Será uma vitória de Pirro, pois sairei um tanto desvalido e mais ou menos incapacitado para novas viagens. Resta-me, como a Xavier de Maistre, viajar em torno a meu quarto. Onde há ainda muitas léguas a percorrer. Tenho leitura e música para um cerco mais prolongado que o de Leningrado e a rede me conecta com o mundo e os amigos. Tornei-me o caniço pensante de Pascal. Caniço porque mudo e quase imóvel. Pensante porque pensante. À meia-boca, a vida continua.

Foi um outro ateu empedernido, Luis Buñuel, em seu relato autobiográfico, Mon dernier soupir, que me chamou a atenção para uma voz dissonante na Bíblia, que parece ter escapado à vigilância dos hagiógrafos. No Livro da Sabedoria, II:1,7, lemos:
Disseram pois os ímpios no desvario de seus pensamentos: o tempo de nossa vida é curto e cheio de tédio, e não há nenhum bem a esperar depois da morte, e também não se conhece ninguém que tenha voltado dos infernos.
Pois do nada somos nascidos e depois desta vida seremos como se nunca tivéssemos sido. Pois a respiração de nossos narizes não passa de fumaça; e a razão é como faísca para mover o nosso coração.
Apagada ela será e nosso corpo reduzido a cinza e o espírito se dissipará como um ar sutil. E a nossa vida se desvanecerá como uma nuvem que passa e se dissipará como um nevoeiro que é afugentado pelos raios de sol e oprimido pelo seu calor.
E o nosso nome com o tempo ficará sepultado no esquecimento, e ninguém se lembrará de nossas obras.
Pois nossa vida é a passagem de uma sombra, e não há regresso depois da morte. Pois, lacrada, dela ninguém retorna.
Vinde portanto, e gozemos dos bens presentes, e apressemo-nos a usar das criaturas como na mocidade.
Enchamo-nos de vinho precioso e de perfume e não deixemos passar a flor da primavera.
Coroemo-nos de rosas antes que murchem; não haja prado algum em que a nossa intemperança não se manifeste.
Nenhum de nós falte às nossas orgias. Deixemos em toda parte sinais de alegria, porque esta é a parte que nos toca e esta é a nossa sorte.


Ah sim, não deixei de gozar dos bens presentes, usei das criaturas como na mocidade, não fui frugal na fruição dos bons vinhos nem deixei passar a flor da primavera. Em prado algum minha intemperança deixou de manifestar-se, sempre bati ponto em nossas orgias e procurei deixar, por onde andei, sinais de minha alegria.

Sábio era Sileno. Tudo que respira morre. Todo ateu, devemos confessar, almejamos viver na memória das gentes pelo menos alguns segundos, do ponto de vista histórico. Se meus esporos, como os da valisneria, fecundarem ainda meus pósteros mais próximos, já está de bom tamanho.

Seja feita a vontade da vida.


07 de abril de 2014
janer cristaldo

TOLERÂNCIA & INOCÊNCIA

 
07 de abril de 2014


2014 COM JUROS MAIORES, PIB MENOR E MAIS INFLAÇÃO, APONTAM ANALISTAS.

                                                            Tchau, Dilma!
 
 
Os analistas do mercado financeiro elevaram suas expectativas para a inflação e reduziram as apostas para o crescimento da economia neste ano, de acordo com o boletim Focus, do Banco Central (BC), que colhe estimativas entre cerca de cem instituições.
 
A mediana das projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu pela quinta semana consecutiva, de 6,30% para 6,35%, um nível bem próximo do teto do intervalo da meta a ser perseguida pelo BC, de 6,5%. A projeção para 2015 também subiu, de 5,80% para 5,84%. Na leitura em 12 meses, a expectativa para o avanço do IPCA cedeu pela segunda semana, de 6,14% para 6,07%. A previsão para o aumento do IPCA de março, que será divulgado na quarta-feira, ficou em 0,84%.
Os analistas não mudaram as projeções para a taxa básica de juros, a Selic. A mediana para o fim de 2014 seguiu em 11,25% e, para o fim de 2015, em 12%. Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 11% ao ano.
 
Os analistas Top 5 – os que mais acertam as projeções – não alteraram suas expectativas para a inflação, que são maiores que as do mercado em geral. A mediana de médio prazo para o avanço do IPCA em 2014 seguiu em 6,57% e para 2015, em 6%. Para a Selic, esse grupo reviu sua expectativa referente a este ano, de 12% para 11,88%, mas manteve a do próximo calendário em 13%.
 
Quanto à economia, o Focus mostra que a projeção do mercado para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2014 saiu de 1,69% para 1,63%. A estimativa para o desempenho econômico de 2015 permaneceu em 2% de expansão.
 
No caso da taxa de câmbio, os agentes esperam dólar a R$ 2,45 no fim de 2014, em vez de R$ 2,46, e projetam que a moeda americana esteja a R$ 2,55 no encerramento do próximo ano, inalterada.
 
(Valor Econômico)

PRESIDENTE DO PT DIZ QUE DENÚNCIAS CONTRA ANDRÉ VARGAS "NÃO SÃO COMPROVADAS".

  
Vargas e Falcão: uma conhecida afinidade com a corrupção como prática partidária.
 
Hoje o presidente do PT, Rui Falcão, dá uma entrevista aloprada tentando desqualificar os resultados da pesquisa Datafolha, pela qual Dilma Rousseff perdeu quase 16% das intenções de voto, uma queda de seis pontos percentuais. Deixando no ar que Lula pode voltar, o petista soltou uma frase que mostra o DNA do partido, a sua ligação umbilical com grandes esquemas de corrupção. Questionado sobre que fatos poderiam ter causado a queda de Dilma nas pesquisas, ele incluiu o caso do companheiro Vargas, declarando:
 
"E, por último, essas denúncias, não comprovadas, envolvendo um deputado do PT [André Vargas] em particular."
 
Como assim "não comprovadas"? O deputado André Vargas, vice-presidente da Câmara dos Deputados, primeiro negou o uso do jatinho do doleiro Alberto Yousseff, preso na Operação Lava Jato. Depois, disse que pagou a gasolina. Por último, reconheceu que nem mesmo o combustível pagou. Aí disse que conhecia o doleiro superficialmente. Mentira! Gravações da Polícia Federal comprovam que ele é sócio do doleiro em várias empreitadas e que uma delas daria a ele, nas palavras de Yousseff, a sua "independência financeira".
Como assim "não comprovadas"? O que fica comprovado, mais uma vez, quando ainda está na memória de todo o país a condenação do PT no processo do Mensalão, durante o qual passou quase dez anos negando tudo, é que o partido de Rui Falcão tem uma propensão a negar o que está provado, como se o eleitor fosse um estúpido. Mais dia, menos dia, André Vargas pedirá licença da Câmara. Mais dia, menos dia estará em Catanduvas, o presídio de segurança máxima do Paraná, estado pelo qual se elegeu. 

AÉCIO CONSOLIDA IMAGEM COMO O CANDIDATO DA OPOSIÇÃO


 
As circunstâncias políticas mudaram e junto com elas o comportamento do pré-candidato do PSDB a presidente, senador Aécio Neves. Antes discreto, o tucano está agora na ofensiva, que deve ser ampliada a partir desta semana com uma bateria de comerciais do PSDB no rádio e na televisão. A CPI da Petrobras é o sujeito atrás dessa virada.
 
Contrariando o estilo de político de bastidor, o pré-candidato do PSDB tomou a frente das articulações para a criação da CPI, quando a presidente Dilma Rousseff deixou-se enredar na trama da compra de uma refinaria, a preço superfaturado, pela Petrobras, em Pasadena, no Texas (EUA). Uma iniciativa de risco, dez vez que o governo é amplamente majoritário no Senado.
 
Para viabilizar a CPI, Aécio precisava de 27 assinaturas, um terço do Senado. Conseguiu 28, com a ajuda definitiva do governador de Pernambuco e pré-candidato do PSB, Eduardo Campos. Mas Campos não seria decisivo, se o pré-candidato do PSDB não tivesse antes garimpado autógrafos na própria base do governo. Foi nesse instante que a mudança na conjuntura ajudou.
 
Em abril de 2013, o PSDB tentou explorar as mesmas denúncias contra a gestão do PT na Petrobras, mas não encontrou receptividade na base governista. Agora, não só contou com uma rebelião no PMDB, como também novos parceiros de oposição (o Solidariedade, por exemplo). E a eleição, que em abril do ano passado era um fato longínquo, já determinava, desde o início de 2014, novos alinhamentos políticos.
 
Exemplo: o presidenciável tucano sempre manteve boas relações com o PP, partido da base governista. Mas a senadora gaúcha Ana Amélia, candidata do partido ao governo do Estado, só assinou o requerimento da CPI, a pedido de Aécio, depois que DEM, PSDB e Solidariedade decidiram jogar juntos na sucessão estadual.
 
Foi a semana perfeita de Aécio. Na segunda-feira ele esteve em São Paulo numa reunião com empresários. Foi aplaudido de pé, ao contrário do que aconteceu em outras incursões que fez no PIB paulista, quando teve recepção fria. Uma pesquisa entre os presentes indicou que ele ganharia a eleição, se a escolha ficasse a cargo desse grupo de empresários: 56% contra 28% de Dilma e 13% de Eduardo Campos.
À saída, também fez sua melhor intervenção na pré-campanha desde que foi eleito presidente do PSDB, em maio de 2013. Diante das ameaças de setores do PT de recorrer ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na hipótese de queda acentuada da popularidade de Dilma, Aécio declarou que "não importa se é o ex-presidente Lula ou Dilma [o adversário]. O que eu quero é mudar um modelo que não vem fazendo bem ao Brasil".
Em uma só manifestação expôs o queremismo petista e disse que não teme enfrentar Lula: Aécio acredita que as pistas seguidas pela oposição indicam que o ex-presidente da República também é vulnerável ao escândalo da compra da refinaria de Pasadena, cujos principais trâmites ocorreram nos seus dois mandatos no Palácio do Planalto.
Em encontros com jornalistas, Aécio sempre repetiu que eles estavam conversando "com o futuro presidente da República". Desde sua eleição para presidente do PSDB, em maio do ano passado, as avaliações sobre sua viabilidade eleitoral eram reticentes, sobretudo diante da atuação apagada do senador por Minas Gerais.
Segundo aliados, antes de avançar como candidato, Aécio precisava pacificar o PSDB, empreitada difícil, mas que o senador julga hoje ter levado a cabo. Prova disso é que o ex-governador José Serra, seu maior adversário no partido, indica que será candidato a deputado federal, o que pode levar o PSDB a eleger uma boa bancada por São Paulo, um colégio eleitoral chave para as pretensões de qualquer candidato a presidente da República.
 
Outra demonstração de que Aécio tem o partido nas mãos e a candidatura presidencial sob controle ocorreu quando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso recuou de uma posição contrária à criação da CPI, tão logo Aécio deixou claro que aquela era uma decisão partidária. Não fazia sentido FHC ficar contra Aécio - e fragilizar o candidato tucano -, quando a Polícia Federal já havia aberto mais de um inquérito para investigar o negócio de Pasadena.
Outra boa notícia da semana: o prefeito de Salvador, Antonio Carlos Magalhães Neto, deixou claro aos aliados que está fechado com a candidatura Aécio Neves, o que assegura um precioso minuto de tempo de televisão no horário eleitoral gratuito para o tucano - no comando da cidade que detém o terceiro maior colégio eleitoral do país, ACM Neto se manteve afastado o quanto possível da questão eleitoral, a fim de preservar suas relações com o Planalto.
 
Ainda há dificuldades na composição com o deputado Ronaldo Caiado, que insiste em disputar contra o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), mas o presidente do DEM, Agripino Maia, também trabalha pela reedição da aliança PSDB-PFL.
 
A maior ameaça à semana perfeita de Aécio veio de seu próprio quintal, quando na quarta-feira o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), admitiu a possibilidade de deixar o cargo para disputar o governo do Estado. Um fato novo com potencial para desarrumar o cenário que Aécio desenhara para a sucessão em Minas e, o que seria mais grave, envenenar as relações amistosas com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos.
 
Segundo o PSB, Eduardo Campos não teve influência na decisão de Márcio Lacerda. Não estimulou sua candidatura, não pediu e até o início da semana trabalhava com a informação de que Lacerda não seria candidato. O prefeito, na realidade, movia-se por injunções da política local. Bastou uma boa conversa com Aécio Neves, na quinta-feira, para que o prefeito voltasse atrás.
 
Aécio e Campos querem o mesmo lugar, a cadeira de Dilma, mas sabem que em algum momento, depois do fim de junho, a atual relação amistosa deve abrir espaço para a disputa de quem vai para o segundo turno com Dilma, se houver segundo turno. O desafio dos dois pré-candidatos é manter uma disputa saudável, de modo que possam estar juntos mais adiante.
 
Aécio Neves retoma o protagonismo num momento importante da pré-campanha, quando Eduardo Campos parece magnetizar todos os holofotes. Com menos de 20% nas pesquisas de intenção de voto divulgadas até sexta-feira, Aécio está distante do desempenho histórico do PSDB nas eleições presidenciais. O figurino de oposição parece assentar melhor no governador Eduardo Campos.
Essa percepção é que Aécio pretende mudar ao assumir o comando da CPI. No momento exato em que uma overdose de PSDB e Aécio deve tomar conta da propaganda partidária no rádio e televisão a partir de 8 de abril com dezenas de inserções de 30 segundos do PSDB que serão exibidas até o dia 15, quando então será levado ao ar o programa partidário de dez minutos.
 
(Valor Econômico)

NO GOVERNO DILMA, PETROBRAS GASTOU R$ 90 BILHÕES SEM LICITAÇÃO

Corrupção, superfaturamento e acusações de propina viraram rotina na estatal.

 
A Petrobras assinou pelo menos R$ 90 bilhões em contratos nos últimos três anos sem fazer qualquer tipo de disputa entre concorrentes, escolhendo, assim, o fornecedor de sua preferência. O valor contratado sem licitação corresponde a cerca de 28% dos R$ 316 bilhões gastos pela Petrobras entre 2011 e 2013 com empresas que não pertencem à estatal ou que não são concessionárias de água, luz, entre outras.
 
As modalidades normalmente adotadas pela administração pública, como concorrência e tomada de preços, representam menos de 1% dos contratos da Petrobras. Em 71% dos casos, a forma de controle é mais branda, como carta-convite.
 
O levantamento da Folha foi feito em registros de extratos de contratos disponíveis da companhia. Eles apontam ainda que compras bilionárias, serviços previsíveis e outros sem complexidade foram dispensados de concorrência. Em suas justificativas, a estatal alega, principalmente, que o contratado era um fornecedor exclusivo ou que havia uma emergência.
 
Para dispensar as disputas, a Petrobras se baseia num decreto de 1998 que lhe dá poderes para firmar contratos de forma mais simplificada que a prevista pela Lei de Licitações, promulgada em 1993. Esse decreto usa os mesmos termos da lei --como concorrência, convite, dispensa, inexigibilidade-- para classificar as formas de contratação. A principal diferença é que a estatal pode dispensar a disputa em compras de valores elevados, o que é proibido pela Lei de Licitações.
 
Desde 2010, a companhia briga na Justiça com o Tribunal de Contas da União, que a proibiu de contratar por esse formato. O TCU alega a necessidade de uma lei para que a estatal possa realizar os procedimentos simplificados. Para continuar assinando contratos com base no decreto, a Petrobras se vale de uma decisão provisória (liminar) do Supremo Tribunal Federal, que lhe permitiu manter o procedimento até uma decisão definitiva da corte.
Em 2009, a análise dos contratos sem concorrência foi um dos focos da CPI da Petrobras no Senado, que acabou praticamente sem nada investigar. Caso vingue a instalação de uma nova CPI, em discussão no Congresso, essas contratações estarão na mira dos congressistas. A análise dos contratos indica que o volume sem disputa começou a diminuir em 2012, com a chegada da nova diretoria da estatal comandada por Graça Foster.
 
Mas, como em 2013 também foram reduzidos os gastos totais da empresa, o percentual contratado sem concorrência voltou a aumentar e chegou a 30%. No caso do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro), por exemplo, chamam a atenção os valores: duas obras --R$ 3,9 bilhões e R$ 1,9 bilhão-- não tiveram concorrência em 2011.
A Petrobras apresentou como justificativa para as obras das estações de tratamento de água e esgoto do complexo dessa refinaria, tocada por um consórcio liderado pela UTC Engenharia, falta de tempo hábil para uma disputa. As obras estão anunciadas desde 2006.
 
No caso da obra chamada Pipe Rack (suportes para tubulações), cujo consórcio é liderado pela Odebrecht, a Petrobras achou o preço da concorrência elevado e preferiu chamar um grupo de construtoras para fazê-la. Mas, como recebeu vários aditivos depois, a obra está mais cara que o previsto inicialmente.
 
Duas companhias, a Vallourec Tubos e a Confab Industrial, são contratadas em valores que ultrapassam os R$ 20 bilhões, sob a alegação de que o material delas é exclusivo. Ambas são fornecedoras de tubos. A exclusividade também foi a justificativa para contratar a BJ Services e a Schlumberger, responsáveis pela cimentação de poços de petróleo.
Até contratos como terceirização de pessoal dispensam concorrência. Em 2012, a Personal Services ganhou R$ 38 milhões sem disputa sob a alegação de emergência para oferecer apoio administrativo.
 
(Folha de São Paulo)

07 de abril de 2014
in coroneLeaks

PARA ECONOMISTA E PROFESSOR DA FGV, MODELO DESENVOLVIMENTISTA "DEU ERRADO"

 


Samuel Pessoa, um físico que leciona economia, estreitou as relações com o PSDB na campanha presidencial deste ano. O senador Aécio Neves, candidato dado como certo para a legenda, anunciou que ele é um de seus assessores. Pessoa faz duras críticas à atual política econômica. "Eu chamo de ensaio nacional desenvolvimentista - foi uma tragédia para o País e tem de ser revertido." Em sua avaliação, a reversão deve ser seguida por reformas que possam dar eficiência ao Estado sem que seu tamanho seja reduzido. "A sociedade quer educação, sistema de aposentadoria, programas sociais - é impossível reduzir o Estado", diz na entrevista que segue.
 
Como o sr. vê o atual momento da economia?
 
Vou falar o que repito em todo lugar porque acho importante. Quando se olha a formulação de política econômica no Brasil, acho que há duas agendas muito diferentes. A primeira eu chamo de contrato social da redemocratização. Ela está com a gente desde a democratização. É uma agenda estrutural. Uma opção que a sociedade brasileira fez na Constituição, lá em 88. Essa opção vem sendo referendada e repactuada a cada eleição. Expressa o desejo da sociedade de construir um Estado de bem estar social muito abrangente, nos moldes dos países da Europa continental. É um desejo da nossa sociedade avançar na questão da equidade. Há outra agenda, que veio de 2009 para cá - da equipe econômica do Mantega (Guido Mantega, ministro da Fazenda) e da presidente Dilma e do final do governo Lula - eu chamo de ensaio nacional desenvolvimentista. Eu separo bem as duas agendas. Acho que essa segunda é petista puro sangue. É o Estado decidindo a alocação de capital. É o Estado fazendo microgerenciamento das políticas de impostos e das tarifas de importação para incentivar alguns setores escolhidos segundo certos critérios. É o Estado fazendo microgerenciamento da política de intermediação financeira. É uma agenda grande. Esse pacote não é da sociedade. É de um grupo que está no centro da formulação da política econômica e que avalia que essas medidas são necessárias para acelerar o crescimento econômico. A minha avaliação é que o ensaio nacional desenvolvimentista deu errado. Foi uma tragédia para o País e tem de ser revertido.
 
Como o PSDB poderia conciliar a questão fiscal, hoje com limitações, com essa agenda da população?
 
Não sei. Mas quero esclarecer que não falo aqui pelo PSDB. Sou colunista da Folha. Todo mundo sabe quais são minhas ideias. Tenho um vínculo grande com o partido há muitos anos. Fui assessor do senador Tasso Jereissati por sete anos. Adicionalmente, acho que o presidente Fernando Henrique Cardoso foi o melhor presidente que a gente teve. Avaliar o país que ele pegou e o país que ele legou mostra isso. Gosto muito do Lula. O primeiro mandato do Lula foi espetacular. Tenho conversado com o senador Aécio Neves. Acho que ele é um candidato espetacular. Aécio cumpriu o caminho legislativo brasileiro inteiro. É um jovem com a experiência de um velho. Mas não estou discutindo com o candidato detalhes de política econômica.
 
Mas qual é a sua opinião?
 
O que nós economistas podemos mostrar sãos os custos e os benefícios das diversas opções. Mas a decisão do que fazer nem é do candidato, é da sociedade. Eu já falei muita bobagem na minha vida. É difícil encontrar uma pessoa que atue na minha área que não tenha falado uma bobagem. Mas entre todas, a que mais me causa arrependimento ocorreu num episódio em 2003 ou 2004, quando fui chamado para audiência pública no Senado para falar de salário mínimo. Eu falei contra o aumento do salário mínimo e sobre as questões fiscais. Minha mensagem foi careta - e estava tudo certo na mensagem careta. (Superávit) Primário tem de pagar dívida, juros têm de cair, tem de fazer primário. Mas quando se fala em política de valorização do salário mínimo é preciso lembrar que existem milhões de pessoas que vivem de salário mínimo. Tratar o aumento como algo não importante é uma enorme falta de sensibilidade política. Sobre a questão do contrato social, tenho a mesma ideia desde 2006. Eu, Mansueto Almeida e Fábio Giambiagi (economistas especialistas em contas públicas) falamos sobre isso em uma notinha no apêndice de um relatório de conjuntura econômica que havia no Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e nunca mais mudei de ideia: o contrato social requer que o gasto cresça mais do que o PIB.
 
Mas como resolver?
 
A solução é política e os políticos terão de resolver. O que a economia diz é: ou repactuamos, para que o gasto cresça mais lentamente, ou aumentamos a carga tributária, o que é legítimo, ou não fazemos nada e se soluciona com inflação - o que eu acho que a sociedade não quer. Se eu disser o que quero, não vou falar como economista, vou falar como cidadão. Aliás, eu não sou economista. Eu sou professor de economia e físico, apenas formado em física. Posso falar pelo cidadão Samuel, que é rico - todos nós aqui fazemos parte do 1% da sociedade mais rica. Até hoje, eu me penitencio pela aquela ida ao Senado, travestido de técnico. No fundo eu representava o cidadão. Eu confundi as duas personas. Por isso, acredito que agora não é momento para eu falar. Algum candidato contrário ao Aécio pode pegar alguma coisa que eu falar e apresentar: está vendo? O Aécio quer fazer isso. Um dos assessores dele disse que ele deve fazer isso.
 
Olhando para a outra agenda, a nacional desenvolvimentista que o sr. criticou muito, o que é preciso mudar?
 
É preciso reduzir os créditos do Tesouro para bancos públicos. Foi um excesso. Foram os anos 70 voltando. O Geisel voltando. Parece um trem fantasma. É preciso consertar os preços. Novamente, isso também é um trem fantasma. Por várias vezes, tentamos controlar preços segurando tarifa pública. Fizemos isso desde os anos 50. Nunca deu certo. O preço precisa ser real. Não gosto da política de desoneração. Acho que o senador tem uma opinião diferente nesse aspecto. Eu sou um fiscalista. A gente entrou numa crise muito profunda em 2008 e 2009 e houve muita competência por parte da equipe do ministro Mantega para enfrentá-la. Um dos instrumentos adotados foi a desoneração. Mas reproduzir a prática em 2011, 2012 foi um erro gigantesco. Por causa dessa política desastrada ficamos com ônus sem bônus. O Tesouro Nacional ficou com os ônus, mas o País não teve os bônus da política.
 
O que fazer para o País sair da chamada armadilha de baixo crescimento?
 
Crescer dói. Não é fácil. A China cresce 7% ao ano. A taxa de poupança de uma família chinesa é de 50% da renda. Poupando 50% da renda dá para crescer muito. Pergunta: a sociedade brasileira que poupar isso para crescer mais rápido? A sociedade brasileira escolheu crescer pouco. A agenda da sociedade brasileira hoje não é crescimento. É equidade. O Brasil tem crescido e tem melhorado, mas no nosso ritmo. Por outro lado, o ensaio nacional desenvolvimentista piorou a situação, porque tira eficiência da economia. O Brasil está crescendo hoje 2 pontos porcentuais a menos do que antes. O mundo cresce 0,6 a menos. A América Latina, 0,7 a menos. Alguma coisa aconteceu e fez com que nossa desaceleração fosse maior. Bom, 0,6 ponto porcentual de queda foi provocada pelo mundo. E o resto? Você tem o esgotamento do fator trabalho, que deve explicar cerca de meio ponto. Mas tem cerca de um ponto porcentual de perda - talvez um pouco menos - que, no meu entender, vem da ineficiência econômica e de uma certa desorganização que existe na economia. São consequências na mudança do regime econômico. Revertendo essa política, voltando ao regime anterior e avançando a partir de onde a gente estava antes, isso muda. Temos de desfazer as coisas erradas e continuar naquela toada.
 
Continuar na toada inclui o que?
 
Para atender as ruas, uma parte do trabalho é melhorar a eficiência do Estado. O governo petista não conseguiu tocar essa agenda. A questão da reforma administrativa inclui dar ao Estado instrumentos de gestão para fazer com que as pessoas que passaram no concurso público, mas que sejam funcionários ruins, possam ser demitidas. Hoje o cara só é mau funcionário público se roubar. Se tiver um desempenho ruim que penalize a comunidade, ele fica. Essa é uma agenda importantíssima para que se possa melhorar os serviços de saúde, educação e segurança. Tem também a eterna agenda da reforma tributária. A presidente Dilma reconheceu e os economistas que trabalham com ela estão cientes e se esforçaram para levar adiante. No entanto, acredito que perdemos uma chance preciosa. O ensaio nacional desenvolvimentista destruiu a situação fiscal. O (superávit) primário recorrente neste ano, desconsiderando receitas extraordinárias, provavelmente vai ser 0,8% do PIB. O primário em 2002 era 3%. Perdemos a oportunidade de usar o espaço fiscal lá atrás para fazer a reforma, negociando com os Estados. Trágico.
 
O sr. considera a possibilidade de reduzir o tamanho do Estado com privatizações?
 
A sociedade quer educação pública. Quer um sistema abrangente de aposentadoria. Quer um sistema abrangente de seguros público - abono salarial, seguro desemprego - e programas sociais. Como a sociedade quer tudo isso, é impossível reduzir o Estado. Eu como cidadão posso preferir a Suécia aos Estados Unidos. A sociedade brasileira já tomou a sua decisão - prefere a Suécia. Essa escolha não está em discussão nessa eleição. O que se discute é o modelo de intervenção na economia. É preciso mudar.
 
A disputa será acirrada na eleição?
 
Essa é uma pergunta para consultor político. Acho que vai ter segundo turno. Apesar de Aécio e Campos não serem conhecidos nacionalmente, são políticos profissionais. Por causa dessa experiência, a Dilma vai ter dificuldades no debate no segundo turno.
 
"Foram os anos 70 voltando. O Geisel voltando. Parece um trem fantasma"
 
07 de abril de 2014
Alex Salomão e Ricardo Gribaum / Estadão

DEPUTADOS DO PP COBRARIAM "PEDÁGIO" PARA EMPRESAS COM CONTRATO COM PETROBRAS

 


Os deputados federais Luiz Argôlo (SDD-BA) e Mário Negromonte (PP-BA) foram apontados pela revista Veja como participantes de um esquema de “pedágio” para negócios com a Petrobras.

De acordo com a publicação, documentos apreendidos com o doleiro Alberto Youssef – preso há três semanas na Operação Lava Jato, da Polícia Federal – mostrariam depósitos para assessores de “deputados menos expressivos” como Argôlo, que deixou recentemente o PP.

Trocas de mensagens entre Youssef e alguém identificado como “LA” – que os investigadores suspeitam ser o próprio parlamentar – confirmariam a transferência de 120 (supostamente R$ 120 mil) para a conta de um dos seus funcionários. O “LA” chegaria a cobrar pelo valor. "Me dá notícia o que vc tem pra depositar hj. Tenho vários compromissos", diria em uma das conversas, segundo a Veja.

Na relação de beneficiários do esquema, estariam ainda parentes do ex-ministro das Cidades, como Adarico Negromonte, irmão do deputado Mário Negromonte. O parlamentar, contudo, afirmou que só viu o doleiro “uma vez na vida”.
A origem do dinheiro seria um “pedágio” cobrado a empresários que quisessem vender produtos ou prestar serviços à Petrobras. Os interessados deveriam pagar “comissões” que facilitavam o acesso ao cadastro de fornecedores da estatal.

O ex-diretor da empresa Paulo Roberto Costa – também preso na operação da PF – decidia quando, como e de quem comprar suprimentos, máquinas e serviços, enquanto o doleiro definia quem poderia vender. A firma de fachada MO Consultoria, que pertence a Youssef, teria permitido a lavagem de dinheiro.

Uma das companhias que mais contrataram a firma foi a Sanko-Sider, fornecedora de tubos de aço, que repassou R$ 24 milhões para a MO. A  Sanko confirma: "Nunca foi algo explícito, não posso dizer que fomos achacados, mas era fortemente recomendado contratar essa empresa", disse Henrique Ferreira, diretor da empresa. "A gente não faz ideia de para onde esse dinheiro ia", completou.
De acordo com a publicação da Veja, a investigação da polícia aponta como quase certo que os receptores dos valores eram políticos e partidos.

07 de abril de 2014
De Bahia Notícias

CONTRATO DE MINISTÉRIO DA SAÚDE FIRMADO NA BAHIA APONTA FRAUDE DE R$ 34 MILHÕES

Protesto de índios na Câmara pede maior atenção à saúde indígena


Pesa sobre um contrato de R$ 34 milhões para fornecer carros com motorista ao Ministério da Saúde a suspeita de ter havido fraude na licitação com a participação de servidores.
 
Esse é um dos alvos da devassa que a Controladoria-Geral da União faz em licitações na saúde indígena, revela pela Folha no mês passado. O próprio ministério admite haver "falhas" e "oscilação expressiva" nos valores dos contratos.
 
Oito servidores já foram afastados preventivamente, mas a CGU não informa os nomes dos investigados.
 
Uma das licitações sob suspeita aconteceu no DSEI (Distrito Sanitário Especial Indígena) da Bahia, em março de 2013, e foi acompanhada in loco por Beatris Gautério de Lima, uma consultora à época do Ministério da Saúde.
 
A vencedora foi a empresa San Marino Locação de Veículos, de Brasília, defendida em licitações pelo escritório Jacoby Fernandes & Reolon.
 
Seis meses depois da licitação, Beatris deixou de ser consultora do ministério, onde ganhava R$ 5.250 mensais. No mesmo mês em que saiu do governo federal, ela fechou um contrato de trabalho com o escritório que atendia a San Marino.
 
Beatris ganhou, segundo o próprio escritório, R$ 25 mil por cinco meses de trabalho para alimentar um blog e ajudar na produção de um livro.
 
PREGÃO

Outro consultor, Paulo Cambraia, representou uma das empresas derrotadas no pregão, a Investcar. Até dez meses antes, ele trabalhava para a San Marino em um contrato em Manaus, em que há suspeita de superfaturamento de R$ 3,8 milhões e que rendeu a Cambraia e à empresa uma ação de improbidade administrativa.
 
O dono da Investcar, José Máximo, chegou a dizer à Folha, pessoalmente e por telefone, que não participou da licitação e que nem sequer conhecia Cambraia. Dias depois, por meio de um advogado, mudou a versão e confirmou que contratou o consultor para representar a empresa na licitação na Bahia.
 
A Investcar e a San Marino funcionam no mesmo centro comercial em Brasília.
 
Como a contratação prevista era acima de R$ 10 milhões, a licitação teve que ser autorizada pelo então ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), hoje pré-candidato ao governo de São Paulo. Desde 2010, a saúde indígena está subordinada à pasta.
 
Foi a única licitação presencial do Ministério da Saúde para locação de veículos entre outubro de 2012 e dezembro de 2013. Outros 20 pregões foram feitos para serviço similar no período, todos de forma eletrônica.
 
Apesar de feita pelo DSEI da Bahia, a licitação previa o fornecimento de até 988 veículos em 16 Estados. Menos de 10% do total eram para atender à demanda da Bahia.
 
OUTRO LADO

O Ministério da Saúde informou que o contrato foi de responsabilidade do distrito de saúde indígena da Bahia.
 
A assessoria de Padilha diz que o contrato não passou por ele e que, "ao ter conhecimento de inconsistências relativas a esses processos, tomou a iniciativa de pedir a imediata apuração".
 
A ex-coordenadora do DSEI da Bahia, Nancy da Costa, disse que havia parecer jurídico favorável ao pregão presencial. A empresa San Marino informou que "nunca participou de atos ilícitos ou conluio orquestrado".
 
O escritório Jacoby Fernandes & Reolon Advogados Associados disse que não havia impedimentos legais para contratar Beatris Gautério. Ela e o consultor Paulo Cambraia não foram localizados.

07 de abril de 2014
De Aguirre Talento / Folha

78% DOS BRASILEIROS ACREDITAM QUE HÁ CORRUPÇÃO NA PETROBRAS



Para 78 por cento dos brasileiros, existe corrupção na Petrobras e para 29 por cento deste contingente a corrupção na empresa é maior do que em outras estatais do país, de acordo com pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda-feira, 7.
 
Apenas 5 por cento dos entrevistados disseram que não existe corrupção na Petrobras, enquanto 18 por cento não souberam responder a pergunta, segundo o levantamento publicado pelo jornal Folha de S.Paulo desta segunda-feira.
 
Quarenta por cento dos entrevistados consideram que a presidente Dilma Rousseff tem "muita responsabilidade" na compra da refinaria de Pasadena pela Petrobras, de acordo com o jornal. Para 26 por cento, a presidente tem pouca responsabilidade, enquanto 9 por cento isentaram Dilma.
 
Os problemas com o negócio em Pasadena são investigados há vários anos, mas ganharam novo contorno no mês passado depois que Dilma, que presidia o Conselho de Administração da estatal na época da aprovação da compra, afirmou que a operação se baseou em um resumo executivo "técnica e juridicamente falho", preparado na época pelo então diretor da área internacional da companhia
Em 2006, a estatal comprou 50 por cento da refinaria no Texas por 360 milhões de dólares, sendo 170 milhões de dólares referentes à compra de estoque de óleo, mas, em seguida, amargou uma batalha judicial com o parceiro no projeto, a Astra, e acabou desembolsando um total de 1,2 bilhão de dólares para adquirir a refinaria integralmente.
 
O caso de Pasadena e outras denúncias de irregularidades na Petrobras levaram a oposição a tentar emplacar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso para investigar a estatal.
Os que mais culpam Dilma na pesquisa Datafolha pelo suposto mau negócio em Pasadena são os mais bem informados sobre o tema (71 por cento), de acordo com o jornal. Para 39 por cento, a compra da refinaria foi feita por um valor acima do preço para beneficiar pessoas envolvidas na transação.
Pesquisa Datafolha divulgada no sábado mostrou queda tanto na aprovação do governo Dilma como nas intenções de voto na presidente.
 
O levantamento foi feito nos dias 2 e 3 de abril em 162 municípios, com 2.637 entrevistas. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
 
07 de abril de 2014
Reuters

YOUSSEFF INTERMEDIAVA DOAÇÕES DE FORNECEDORAS DE ESTATAL A PP E PMDB

 
SÓ EU?! CADÊ OS OUTROS?

Documentos da Operação Lava Jato da Polícia Federal mostram que o doleiro Alberto Yousseff teria intermediado doações para deputados e diretórios do PP e para o PMDB de Rondônia nas eleições de 2010. Ele está preso desde o dia 17, por suspeita de comandar um esquema de lavagem de dinheiro. Yousseff ainda é investigado por suas ligações com o ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, também detido pela PF.
 
As negociações foram flagradas pela PF com a quebra de sigilo de e-mails do doleiro. Em um dos endereços eletrônicos atribuído a Yousseff ele trata das doações com representantes das empresas Queiroz Galvão e Jaraguá Equipamentos, ambas fornecedoras da Petrobrás em empreendimentos como a construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. A PF acusa Costa de corrupção passiva em relação a esse projeto da estatal.
 
Os interlocutores de Yousseff são Othon Zanoide de Moraes Filho, diretor-geral de desenvolvimento comercial da Queiroz Galvão, e Cristian Silva, da Jaraguá. Ambos tratam com o doleiro de dados bancários e emissão de recibos das contribuições eleitorais.
 
Cruzamentos feitos pelo Estado mostram correspondência entre os valores mencionados nos e-mails com o montante declarado pelos beneficiários à Justiça Eleitoral. O PP nacional aparece em uma conversa entre Yousseff e Moraes em 17 de agosto de 2010 como destinatário de uma doação de R$ 500 mil que deveria se registrada em nome da Vital Engenharia, empresa que faz parte do grupo Queiroz Galvão. O diretório aparece em outra troca de e-mails entre os dois como beneficiário de R$ 2,040 milhões. Ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o PP relata ter recebido R$ 2,240 milhões da Vital Engenharia e R$ 500 mil da Queiroz Galvão.
 
O PP baiano foi outro agraciado com doações da construtora que aparece nos documentos da investigação. O diretório é presidido pelo deputado Mário Negromonte, ex-ministro das Cidades e apontado como um dos padrinhos da indicação de Costa na diretoria da Petrobrás. Por e-mail, o executivo cobra de Yousseff um recibo de doação de R$ 500 mil. No TSE, há duas doações de R$ 250 mil cada.
 
O mesmo ocorre com o diretório pernambucano do PP. O executivo pede recibo para uma doação de R$ 100 mil. Na Justiça Eleitoral constam três doações - uma é de R$ 100 mil.
 
Parlamentares. Deputados do PP também são citados nos e-mails do doleiro. Nelson Meurer (PR) foi beneficiário de R$ 500 mil, Roberto Teixeira (PE) recebeu R$ 250 mil e Roberto Britto (BA) ficou com R$ 100 mil. Todos declararam esses valores ao TSE. Aline Corrêa (SP) aparece em uma mensagem como beneficiária de R$ 250 mil. No total, ela declarou R$ 350 mil. Aline é filha do ex-presidente do PP Pedro Corrêa, condenado no processo do mensalão.
 
Também condenado no processo, Pedro Henry (MT) é citado pelo doleiro como beneficiário de R$ 100 mil. O valor foi declarado ao TSE. O deputado é ainda beneficiário de uma doação da Jaraguá. E-mail enviado por Cristian Silva informa os dados da empresa que devem constar no recibo. A doação registrada no TSE é de R$ 100 mil.
 
Além dos diretórios do PP, o regional de Rondônia do PMDB é citado nos e-mails de Yousseff. Presidente licenciado em Rondônia, o senador Valdir Raupp está a frente do diretório nacional em virtude da licença do vice-presidente da República, Michel Temer. A doação referida nos e-mails é de R$ 300 mil. A prestação de contas do diretório regional informa o recebimento de R$ 500 mil da construtora. Um dos recibos é de R$ 300 mil.
 
07 de abril de 2014
Do Estadão