"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

domingo, 6 de abril de 2014

OS VERDADEIROS GOLPISTAS


 

O  último 31 de março foi  comemorado por uns e  (des)comemorado por outros. Os primeiros afirmam que o episódio da derrubada do Governo João Goulart foi um CONTRAGOLPE;  os segundos que foi um  GOLPE.

Mas toda essa história tem sido muito mal interpretada, inclusive pelos mais respeitados historiadores, e mesmo pela mídia, que geralmente adotam a versão dos “vencedores”. É mais confortável e rentável.

A questão a ser dirimida, num primeiro momento, é verificar  se os fatos políticos que antecederam aquele 31 de março de 1964 estavam, ou não, ameaçando a ordem constitucional. Caso afirmativo, sem dúvida o governo trabalhista preparava  um “golpe”.

Nesse caso a reação civil-militar não teria se tratado de um GOLPE , como dizem, porém  de um CONTRAGOLPE, que é o oposto. Essa distinção pode ser comparada à análise da “legítima defesa”, na esfera do direito criminal, o que nem sempre é fácil. Às vezes as fronteiras entre uma e outra situação até se confundem. 

Mas demonstrarei que o “golpe” de verdade e definitivo no Governo João Goulart foi dado bem mais tarde, não podendo ser precisado o  exato momento do calendário. Esse golpe foi minuciosamente planejado. Enquanto os antigos líderes trabalhistas eram mantidos à “distância”, seus espaços começaram a ser preenchidos por uma nova “tchiurma” egressa do meio sindical. Como eles estavam buscando seus próprios espaços, é evidente que teriam que fazer todo um esforço para “congelar” os antigos líderes derrubados, que no caso, se tornavam seus “concorrentes”. Era uma “ameaça” objetiva. Tinha que ser combatida.

O clima, portanto, estava perfeito, tanto para o Regime Militar, quanto para os sindicalistas com ambições políticas. Um acordo entre eles mataria definitivamente o trabalhismo deposto. Foi aí que entrou a genialidade do General Golbery. O sindicalista que mais se destacava era um tal de “Lula”. Golbery chamou-o e resolveram que tinham que fundar um novo partido político para abrigar os que não queriam “nada” com os líderes trabalhistas depostos, e sim tomar os seus lugares.

Daí surgiu o PT.

Tudo estava orquestrado. As etapas foram rigorosamente cumpridas. Logo após o CONTRAGOLPE (é minha opinião) de 64,extinguiram todos os partidos políticos existentes e fizeram somente dois, a  ARENA (governista) ,e o MDB (oposição). O partido de Getúlio, Jango, Pasqualini e Brizola, o PTB-Partido Trabalhista Brasileiro, foi para o “espaço”.

Mais tarde, com nova reforma política, os dois partidos (ARENA e MDB) foram extintos  e se retornava então ao regime do pluripartidarismo, substituindo o bipartidarismo. Além da criação do PT, os antigos trabalhistas “bobearam” e a sigla PTB ,que antes lhes pertencia, foi entregue a uns impostores e falsários, também trabalhando para o Regime Militar ,e mais ainda ,para consolidar o PT. A “marca” do trabalhismo, que era a sua grande força (PTB), foi roubada. Essa “engenharia” política, ou seja, o extermínio do antigo PTB e a fundação do PT, é que pode ser considerada o verdadeiro GOLPE. O de “64” já ficava num segundo plano.

Nosso raciocínio não muda nada em vista dos que chegarem à conclusão que “64” foi um GOLPE, não um CONTRAGOLPE. As fronteiras,com  se disse, são muito próximas.  Mesmo que assim fosse, então o PT teria dado o “2º Golpe”, o golpe “mortal", que acabou definitivamente com as chances de retorno do antigo PTB ao poder político. Se incluirmos o atual PTB na relação de “réus”, ao lado do Regime Militar e do PT, esse “crime” que cometeram contra o verdadeiro trabalhismo poderia ser configurado como “crime-de-quadrilha", já que presente o número mínimo de autores exigidos pelos Código Penal (3).

Toda essa introdução é para dizer  que o prêmio “cara-de-pau” deve ser outorgado ao  PT, que não têm nenhuma vergonha  em puxar a fila dos que batem no Regime Militar em vista do “golpe de 64”. No aniversário dos  50 anos que agora uns comemoram, o Governo conseguiu montar um verdadeiro circo em todo o país para “descomemorar” essa data. Quando os historiadores começarem a escrever a verdade, o povo verá quem  foram os verdadeiros golpistas. Sem dúvida foi o pessoal do PT.

O Brasil, meus caros leitores, está cheio de “diagnósticos”. As melhores cabeças dizem que a sua “doença” é muito grave. O país sempre está nas últimas colocações nos “rankings” mundiais em tudo que possa beneficiar o seu povo. Mas tudo é “escamoteado” pela mídia comprada pelo Governo, que só divulga, com grande alarde, os dados manipulados e mentirosos do Governo. Portanto os diagnósticos estão aí. Mas na hora de receitar os “remédios”, a tendência é “se esconder”, ou trazer do passado experiências que também já não deram certo.

Nada se vê realmente de novo. Mas os que ainda conseguem enxergar essa realidade chegam à conclusão que o “Brasil não deu certo”.  Os 500 anos de tentativas não foram suficientes para chegar-se a um modelo satisfatório. Colônia, Império e República foram fracassos. Governos ditatoriais e “democráticos” (oclocráticos), idem.

Para tudo que não deu certo e não tem concerto, a melhor saída é o desmanche. É ditame da natureza. Ora, se o Brasil é um país que “não deu certo", urge desmanchá-lo e oportunizar aos povos de cada uma das suas Regiões o direito de constituir-se em país próprio, independente, soberano, autodeterminado. Não há nenhum crime quando um município ou um estado tenta independenciar-se. O fundo moral é o mesmo. Cada povo saberá conduzir-se com sabedoria e buscar o próprio desenvolvimento.

A “doença” Brasil faz mal a todos, exceto aos que se aproveitam da desgraça dos seus povos. O SUL está determinado a buscar a sua autodeterminação. Sabe-se que outras regiões já pensam o mesmo, especialmente no Nordeste.

O surgimento de novos países no mundo é uma forte tendência. A previsão é dos melhores geógrafos. O mundo está sendo remodelado. Só neste ano devem surgir mais 4 países: o Québec, Veneza, Escócia e Catalunha. Só mesmos as “bestas tupiniquins”  acham o Brasil intocável e “eterno”. Nem os Estados Unidos resistirão. Todos os detalhes dessas tendências mundiais poderão ser buscados no livro “O Sul é o Meu País”, de Celso Deucher.

06 de abril de 2014
Sérgio Alves de Oliveira é Sociólogo, Advogado, Membro do GESUL- Grupo de Estudos Sul Livre.

O QUE É SER AVÔ?


 
O título de Avô é sumamente democrático. Podem ser avô o ministro, o embaixador, o industrial, o funcionário público, o comerciário, o gari. Quando o netinho ou a netinha sorri, o avô, seja rei ou súdito, rico ou pobre, brasileiro ou portador de outra nacionalidade, se desmancha de alegria. Quando o pequenino faz uma arte criativa, o avô e a avó batem palmas incondicionais.

Dizem que avós deseducam, mas não concordo com esta tese. Por que uma criança não tem direito de dar mel ao gatinho, jogar pela janela os selos que o avô ciosamente colecionava, tirar do armário a grinalda que lembra à avó o dia do casamento para desfilar garbosamente pela casa com aquela coroa na cabeça? Os adultos comuns, adultos ordinários, estabelecem regras autoritárias que os avós, adultos especiais, adultos extraordinários, com muita sabedoria, revogam.

Como será o mundo que a netinha que me fez avô encontrará, quando se tornar adulta? Será um mundo civilizado, um mundo de Paz? Ou será um mundo que governantes imbecis, financiados por fabricantes de armas, transformarão em cenário de guerra? Como será o Brasil do amanhã? Um Brasil regido por padrões de Justiça Social, onde Mães deem filhos à luz com segurança, em hospitais públicos de excelente qualidade, confiantes do futuro, ou um país onde a Mãe, para livrar a criança da fome, aborta a vida nascente?

Os avós não são importantes apenas no círculo da família. Exercem também um papel relevante na sociedade. Transmitem às gerações seguintes a experiência que a vida proporcionou. A experiência não é para ser guardada como bem individual. É patrimônio coletivo, como muito bem colocou o filósofo inglês Alfred Whitehead.

A aposentadoria é um direito assegurado por anos de trabalho, mas não tem de implicar, necessariamente, em encerramento de atividades. Pode apenas sinalizar redução de compromissos exigentes. São múltiplas as novas experiências possíveis. Que cada um encontre seu caminho. Que a sociedade não cometa o desatino de desprezar a sabedoria dos mais velhos.

Quando me aposentei, por tempo de serviço, na magistratura e no magistério, fui tomado por uma crise de identidade. O vazio manifestou-se forte quando tive de preencher a ficha de entrada num hotel. Se estava aposentado como juiz e como professor, qual profissão me identificaria? "Ser ou não ser", eis a questão.  Shakespeare, pela boca de Hamlet, percebeu a tragédia humana antes de Freud.

Ah, sim. Já sei. E escrevi na ficha do hotel, resolutamente: Professor itinerante, autodefinição que me fixou um itinerário de vida pós-aposentadoria.

06 de abril de 2014
João Baptista Herkenhoff é magistrado aposentado, Livre-Docente da Universidade Federal do Espírito Santo e escritor. 

NÃO USEM A RÉGUA DO PT PARA MEDIR AÉCIO NEVES



Vocês sabem muito bem de onde veio o PT. O esgoto sindical onde foi parido o partido do Mensalão. A guerrilha sangrenta onde se moldaram as suas maiores lideranças. Este estilo a ferro e fogo dos petistas, expresso no comportamento e nas palavras, esta permanente agressividade, o gosto pela baixaria e pelo jogo sujo, mesmo debaixo de barbas agora bem aparadas ou de loiros cabelinhos chanel, não é o padrão que combina com a democracia. Muito antes pelo contrário, é o estilo bolivariano, chavista, castrista que deseja um Congresso calado e amordaçado por uma maioria forjada pelo suborno, pela propina, pelo fisiologismo.

Aécio Neves tem sido cobrado a encarnar os piores instintos petistas. Logo ele, que é a expressão mas bem acabada de um político limpo, transparente, debatedor do mais alto nível. Um politico da escola de um Juscelino, de um Tancredo, de um Fernando Henrique. Aécio acaba de declarar que acha que Dilma é uma pessoa proba e honesta, mas incompetente. Foi o que bastou para que fosse cobrado pela sua própria militância a chamar a Presidente da República de desonesta. Isto não é papel ou postura de um candidato que, para vencer, precisa conquistar votos convencendo o outro lado. É muito mais fácil provar que um gestor é incompetente do que ladrão. Ou já esquecemos que Lula se reelegeu e elegeu Dilma dizendo que ninguém é culpado até prova em contrário ou até transitar em julgado?

Não usem a régua do PT para medir Aécio. Deixem o homem conversar, convencer, trabalhar!
 
 
06 de abril de 2014
in coroneLeaks

PF ESTOURA PROPINODUTO DA PETROBRAS NA OPERAÇÃO LAVA JATO. DELAÇÃO PREMIADA PODE DERRUBAR GOVERNO DO PT


 
 
Nove fornecedores da Petrobras depositaram R$ 34,7 milhões na conta de uma empresa de fachada controlada pelo doleiro Alberto Youssef, segundo laudo da Polícia Federal obtido pela Folha. A confissão de que a empresa não tem atividade de fato foi feita por um empregado do doleiro, Waldomiro de Oliveira, em nome de quem a MO Consultoria está registrada na Junta Comercial de São Paulo. A Folha teve acesso ao depoimento do funcionário, que decidiu colaborar com a PF na tentativa de receber uma pena menor.
A polícia suspeita que a MO Consultoria servia para repassar propina para funcionários públicos e políticos. Outro laudo aponta que passaram por essa empresa um total de R$ 90 milhões entre 2009 e 2013. Segundo relatório da PF, há "fortes indícios da utilização das contas da empresa para trânsito de valores ilícitos". A consultoria foi descoberta pela PF durante a investigação da Operação Lava Jato, que apura lavagem de dinheiro com uso simulado de importação e exportação.
 

 
Os contratos da suposta consultoria eram uma forma de as empresas darem uma aparência legal a subornos, segundo suspeita da PF. Há notas fiscais das consultorias, mas não há provas de que o serviço foi prestado, de acordo com a polícia. Grandes grupos que pagaram à MO atuam nas obras da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, suspeita de ter sido superfaturada.
Os maiores pagamentos à consultoria foram feitos por duas empresas do grupo Sanko, fornecedor de tubos para empresas contratadas pela Petrobras: R$ 26 milhões. As vendas diretas da Sanko para a Petrobras subiram mais de 7.000% entre 2011 e 2013, segundo a empresa: de R$ 38,7 mil para R$ 2,77 milhões. Os maiores negócios da Sanko, porém, não são feitos diretamente com a Petrobras, mas com fornecedores da estatal. A Sanko diz que faturou R$ 120 milhões em 2013.
 
Também estão na lista de pagadores da consultoria outras empresas que foram contratadas para a obra da refinaria em Pernambuco, como o consócio Rnest, formado por Engevix e EIT (R$ 3,2 milhões), Jaraguá Equipamentos (R$ 1,9 milhão), Galvão Engenharia (R$ 1,53 milhão) e OAS, tanto a construtora quanto a holding (R$ 1,18 milhão na soma). 
 
 
A obra da refinaria começou em 2005, durante o governo Lula, com a estimativa de que custaria US$ 2,5 bilhões (R$ 5,6 bilhões), mas a conta já chegou a US$ 17 bilhões (R$ 38 bilhões). Auditorias do Tribunal de Contas da União apontam que só nos quatro principais contratos da refinaria, que chegam a R$ 10,8 bilhões, o superfaturamento pode chegar a R$ 505 milhões.
Um dos negociadores dos contratos da refinaria foi o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que também foi preso na Operação Lava Jato, por tentativa de ocultar documentos. A PF suspeita que Costa tenha negócios com Youssef e que usava os canais do doleiro para pagar subornos. Policiais estimam que Youssef movimentou R$ 10 bilhões em quatro anos.
Em seu depoimento, Waldomiro Oliveira disse que sua função no escritório do doleiro era "fazer contratos com empresas indicadas por Alberto Youssef e, em seguida, receber depósitos, que seriam posteriormente transferidos para empresas também indicadas por Alberto Youssef". O doleiro usava outras duas empresas para esse fim, segundo o colaborador: Empreiteira Rigidez e a RCI. Youssef é o mesmo doleiro que disponibilizou um jatinho para que o vice-presidente da Câmara, André Vargas (PT-PR), viajasse para o Nordeste com a família.
 
(Folha de São Paulo)
 
06 de abril de 2014
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DOLEIRO QUE EMPRESTOU O JATINHO TAMBÉM PROMETEU "INDEPENDÊNCIA FINANCEIRA" AO PETISTA ANDRÉ VARGAS


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No mosaico acima, André Vargas com Dilma, com Lula, com Gleisi que não quer a CPI da Petrobras, com Gabrielli, Foster e Dutra, ex-presidentes da estatal, onde também aparece Humberto Costa, outro senador petista que, como Gleisi, quer abafar a investigação. Na última foto, André Vargas e Joaquim Barbosa que, pelo foro privilegiado, possivelmente vai estar condenando, em última instância, o ex-deputado a ir varrer o pátio da Papuda com o José Dirceu.
 
Segundo Reinaldo Azevedo, em seu blog, a Veja traz revelações estarrecedoras sobre as ligações tenebrosas e escabrosas entre o petista André Vargas, vice-presidente da Câmara dos Deputados, e o doleiro Alberto Youssef, que rima com Dilma Rousseff. Segundo o blogueiro, André Vargas já é um ex-deputado, por cassação ou por renúncia. Uma parte do diálogo entre o doleiro e o seu sócio, publicada pela Veja a partir de escutas da Polícia Federal, é estarrecedora: 
 
VARGAS – Estamos mais fortes agora. Vi documento com o Pedro. Ele estava no voo de volta de Brasília. Ele estava com o documento da parceria com a EMS
YOUSSEF – Cara, estou trabalhando. Fique tranquilo. Acredite em mim. Você vai ver quanto isso vai valer. Tua independência financeira e nossa também, é claro!
Como a Folha também publica que o propinoduto da Petrobras tem origem no mesmo doleiro, fica fácil entender porque Lula passou três horas trancado com Dilma em um hotel, ontem, para orientá-la a impedir, de qualquer jeito, a CPI da Petrobras
 
06 de abril de 2014
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AÉCIO ACHA O PONTO PARA BATER EM DILMA: PROBA, MAS INCOMPETENTE


 
 
O senador Aécio Neves, pré-candidato do PSDB à Presidência da República, quebrou o protocolo, discursou e recebeu todos os holofotes na cerimônia de transmissão do cargo de governador de Minas do tucano Antonio Anastasia (PSDB) para Alberto Pinto Coelho (PP).
Até então, apenas o governador empossado e o que saía discursavam na transmissão do cargo. Ao justificar sua presença na solenidade, ainda em discurso, o senador disse que estava ali para falar do "orgulho" que sente por Anastasia, que agora deixa o cargo para coordenar o programa de governo do presidenciável tucano. Ele deverá também sair candidato ao Senado.
 
Antes da cerimônia, em entrevista, Aécio afirmou que a presidente Dilma Rousseff (PT) não tem preparo para comandar o país. Ele ressaltou, no entanto, que ela é uma mulher "proba e de bem". A declaração de Aécio se dá num momento em que a oposição está mobilizada no Congresso tentando aprovar CPIs para investigar ações da Petrobras que podem ter dado prejuízos à estatal _ ao menos uma delas teve a aprovação de Dilma, então presidente do Conselho de Administração da empresa.
"A presidente da República é uma mulher de bem, é proba, não há qualquer dúvida em relação ao seu caráter, não há nenhum questionamento em relação à sua correção pessoal", afirmou. "O que há é um enorme questionamento pelos indicadores da economia, pelos atrasos da infraestrutura, pela projeção extremamente preocupante dos indicadores sociais e que ela não estava preparada para assumir a responsabilidade de administrar um país da complexidade do Brasil", completou o senador.
Na despedida, Anastasia elogiou seu padrinho político. Coelho, o novo governador, foi na mesma linha: "O país clama por uma administração pública decente e comprometida com resultados [...]. Acredito que veremos neste ano o reencontro de Aécio e Minas com a história".
 
(Folha de São Paulo)
 
06 de abril de 2014
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AS REVISTAS DA SEMANA


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Divirtam-se com as provas da corrupção petista.

Atualizando...abaixo trecho bombástico da Revista Época:
 
Desde que a Polícia Federal prendeu Paulo Roberto Costa, o ex-executivo mais poderoso da Petrobras, há duas semanas, Brasília não dorme. Dezenas de grandes empresários, entre eles diretores das maiores empreiteiras do país e das gigantes mundiais do comércio de combustíveis, todas com negócios na Petrobras, também não.
 
Paulo Roberto Costa era diretor de Abastecimento da Petrobras entre 2004 e 2012. Era bancado no cargo por um consórcio entre PT, PMDB e PP, com o aval direto do ex-presidente Lula, que o chamava de “Paulinho”. Paulo Roberto Costa detém muitos dos segredos da República – aqueles que nascem da união entre o interesse de empresários em ganhar dinheiro público e do interesse de políticos em cedê-lo, mediante aquela taxa conhecida vulgarmente como propina. E se Paulo Roberto fosse descuidado e guardasse provas desses segredos? E se, uma vez descobertas pela PF, elas viessem a público? Pois Paulo Roberto guardou. Tentava destruí-las quando a Polícia Federal chegou a sua casa, há duas semanas. Mas não conseguiu se livrar de todas a tempo.
 
ÉPOCA obteve cópia, com exclusividade, dos principais documentos desse lote. Foram apreendidos nos endereços de Paulo Roberto no Rio de Janeiro, onde ele mora. Esses documentos – e outros que faziam parte da denúncia que levou Paulo Roberto à cadeia e ainda não tinham vindo a público – parecem confirmar os piores temores de Brasília. Paulo Roberto e o doleiro Alberto Youssef, também preso pela PF e parceiro dele, acusado de toda sorte de crime financeiro na Operação Lava Jato, eram meticulosos. Guardavam registros pormenorizados de suas operações financeiras, sem sequer recorrer a códigos. Era tudo em português claro, embora gramaticalmente sofrível.
 
Anotavam os nomes de lobistas e empresários, quase sempre os associavam a negócios e a valores em dólares, euros e reais. Os registros continham até explicações técnicas e financeiras das operações. Os valores milionários mencionados nos documentos, suspeita a PF – uma suspeita confirmada por três envolvidos ouvidos por ÉPOCA –, referem-se a propinas pagas pelas empresas, nacionais e estrangeiras, que detinham contratos com a área da Petrobras comandada por Paulo Roberto. Os papéis já analisados pela PF (há muitos outros que ainda serão periciados) sugerem que as maiores empreiteiras do país e as principais vendedoras de combustível do planeta pagavam comissão para fazer negócio com a Petrobras.
 
Para compreender o esquema, cuja vastidão apenas começa a ser desvendada pela PF, é necessário entender a função desempenhada por cada um dos principais integrantes dele. Como diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto fechava, entre outros, contratos de construção e reforma de refinarias (do interesse das empreiteiras brasileiras) e de importação de combustível (do interesse das multinacionais que vendem derivados de petróleo).
 
Paulo Roberto assinava os contratos, mas devia, em muitos momentos, fidelidade aos três partidos que o bancavam no cargo (PT, PP e PMDB). Paulo Roberto garantia a Petrobras; lobistas como Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, e Jorge Luz, ligado ao PT e ao PMDB, cujos nomes aparecem nos papéis apreendidos, garantiam as oportunidades de negócio com as grandes fornecedoras da Petrobras – e, suspeita a PF, garantiam também possíveis repasses aos políticos desses partidos. 
Para a PF, a Youssef cabia cuidar do dinheiro. Segundo envolvidos, essa tarefa também cabia a Humberto Sampaio de Mesquita, conhecido como Beto, genro de Paulo Roberto. Ele o ajudava nos negócios e é sócio de uma empresa que tem contrato de R$ 2,5 milhões com a Petrobras. Eram uma espécie de banco do esquema, ao providenciar empresas de fachada para receber as propinas no Brasil e nos paraísos fiscais, ao gerenciar as contas secretas e a contabilidade e ao pagar no Brasil, quando necessário, a quem de direito.
 
06  abril de 2014
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DO LOBISOMEM À LENDA URBANA DA GERENTONA

Lobisomens, vampiros, assombrações e mulas sem cabeça podem ter apavorado muita gente durante séculos, mas a nenhuma dessas figuras foi atribuído um desastre econômico. Nem mesmo a personagem histórica de Vlad III, príncipe da Valáquia, também conhecido como conde Drácula, o Empalador, foi associada ao descalabro fiscal, à estagnação produtiva, a um surto inflacionário ou à demolição de alguma empresa estatal. Ao contrário: era respeitado pela devoção à sua terra, pela coragem e pela severidade na punição dos crimes cometidos por seus, digamos, companheiros. Muito natural, portanto, ver o mundo mais uma vez curvar-se diante do Brasil, primeira economia, e das grandes, submetida a demolição por uma personagem lendária, a administradora Dilma Rousseff, às vezes descrita como gerentona.

O criador dessa lenda pode ter sido um gozador, mas a piada foi levada a sério por uma porção de incautos e até espalhada como verdade por muitos meios de comunicação. Os fatos claramente negaram o mito nos últimos três anos e três meses. Ainda continuam negando, a cada nova revelação sobre as consequências da política econômica - as perdas da Eletrobrás e da Petrobrás, por exemplo, e os estragos no Tesouro. O espetáculo poderia até ser engraçado, mas tem custado bilhões e ninguém sabe quanto ainda poderá custar.

A persistência da inflação, uma das derrotas mais notáveis da política econômica, virou assunto de um complexo estudo comparativo divulgado nesta semana pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). O trabalho inclui a análise de números de 26 países com regime de metas. O tema é especialmente importante, informa-se logo na apresentação, porque a persistência eleva o custo, em termos de produto, do esforço para levar a inflação até a meta.

Em outros países, incluídos vários emergentes, a alta de preços arrefeceu e os repiques se tornaram menos fortes depois de implantado o regime. O Brasil tem sido uma exceção e o trabalho é encerrado com a indicação de algumas explicações possíveis. Uma delas é a permanência de uma forte indexação. Outra hipótese aponta para uma baixa confiança dos participantes do mercado na eficácia da política monetária - ou na disposição das autoridades monetárias responder adequadamente aos choques de preços. Uma resposta forte é indispensável para conter os efeitos de segundo round desses choques e limitar, portanto, seus desdobramentos.

O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, chamou a atenção precisamente para essa função da política, ao mencionar, em depoimento no Senado há poucos dias, o choque dos preços agrícolas e a necessidade de restringir seus efeitos ao curto prazo. O aumento de juros anunciado na quarta-feira, depois da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), deve ser parte desse esforço. Mas esse foi o nono aumento a partir de abril de 2013 e, até agora, o remédio parece ter sido insuficiente - mesmo levando em conta o efeito retardado da política de juros. De toda forma, o longo período de afrouxamento da política monetária, entre o fim de agosto de 2011 e abril do ano passado facilitou o recrudescimento da inflação. Mas a presidente Dilma Rousseff encontrou nessa política uma chance para se vangloriar de haver derrubado os juros no Brasil. Foi mais um numa longa série de erros.

O relaxamento dos juros foi apenas um dos equívocos da política anti-inflacionária. Os demais foram cometidos sem a participação do BC. O novo prejuízo da Eletrobrás, R$ 6,3 bilhões em 2o13, é mais uma consequência da administração tsunâmica implantada pela presidente Dilma Rousseff no governo federal. A contenção de tarifas imposta às empresas de eletricidade custou e continua custando um dinheirão ao Tesouro e às empresas do setor.

Os R$ 8 bilhões previstos no Orçamento da União para compensar as empresas serão insuficientes e será necessário levantar dinheiro de outras fontes. Além disso, será preciso elevar os preços para os consumidores nos próximos dois anos, porque o represamento das tarifas serviu somente para maquiar a inflação e apenas multiplicou os problemas. O aumento das contas em 2015 deverá ficar entre 8% e 9%, segundo noticiou o Estado.

Não está clara, no entanto, a arrumação necessária para compensar o estrago acumulado. Falta levar em conta, entre outros, um detalhe publicado na sexta-feira pelo Valor. Segundo cálculo apresentado por dois minoritários do Conselho de Administração da Eletrobrás, a empresa deixou de arrecadar R$ 19 bilhões em 2013. A perda resultou do esquema imposto pelo governo em dezembro de 2012, quando foram definidas as normas para renovação das concessões.

No caso da Petrobrás, ainda falta uma boa estimativa dos danos acumulados na gestão petista. A lista dos erros é enorme e inclui a compra das instalações de Pasadena, a construção da refinaria Abreu e Lima e as perdas causadas pelo controle de preços, mas esta lista é provavelmente muito incompleta. Uma boa CPI poderia ajudar no esclarecimento das perdas e de como ocorreram, mas o governo tem feito - e deverá fazer - um enorme esforço para impedir a elucidação de uma das histórias mais escandalosas da política brasileira.

Incompetência é apenas parte da explicação do desastre das estatais, do estrago nas contas públicas, da persistência da inflação, da estagnação econômica e dos erros cometidos na política industrial. A gestão de baixa qualidade reflete igualmente uma certa forma de ocupação da máquina governamental. O PT ocupou, loteou e usou o governo, em seus vários níveis, como se, por direito de conquista, se houvesse apropriado legitimamente desse aparelho. Se nada mais puderem fazer, os cidadãos inconformados talvez possam ainda recorrer a um expediente: perguntar se a tão falada função social da propriedade vale também para a máquina transformada em patrimônio privado pelo grupo instalado no poder.

 
06 de abril de 2014
Rolf Kuntz, O Estado de S.Paulo

OS NOVOS FANTASMAS AMBIENTAIS

Os brasileiros no IPCC não podem permitir que triunfem sofismas calcados em interesses comerciais

Os desafios da mudança climática têm ensejado mais palpites e paranoias que resultados concretos, desde que o tema passou a constar na agenda ambiental das Nações Unidas. 

Para abordá-lo, a ONU criou o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima), que se reúne a cada sete anos. A reunião mais recente foi em 2007. Neste ano, portanto, teremos outra, que já mobiliza especialistas em todo o mundo. 

Nos preparativos para o encontro, tem-se a prévia do que o mobilizará. Como de costume --e por falta de conhecimento concreto do tema, ainda um mistério para a ciência--, o ambiente é de tiroteio no escuro: a emoção sobrepondo-se à objetividade, os interesses comerciais por trás de falsos temores. 

No encontro passado, por exemplo, previu-se violento derretimento do gelo do Himalaia, com consequências apocalípticas que não se efetivaram. Como profetas, os cientistas ambientais têm fracassado, o que não lhes reduz o ânimo advinhatório. 

O tema da vez --ou por outra, o fantasma da vez-- é o biocombustível, com destaque para o está- gio denominado "Introdução não técnica do documento preliminar". Parte do princípio de que a tecnologia do campo teve desenvolvimento mais veloz que o amadurecimento do conhecimento urbano, também chamado de "conhecimento não agrícola". 

Pela nomenclatura adotada, percebe-se a confusão conceitual que a permeia. O intervalo de sete anos entre cada reunião tem, entre outros objetivos, o de permitir um domínio cada vez maior da questão. Mas o que se percebe é que tal não ocorre. Os protocolos científicos merecedores de crédito, quando os há, são escassos e limitados. Em compensação, abundam os palpites. 

Fala-se agora que danos residuais ligados a eventos naturais extremos podem ocorrer em diferentes partes do planeta na segunda metade deste século, mesmo havendo corte substancial de emissões de gases de efeito estufa nos próximos anos. Anuncia-se assim mais uma fata- lidade, que, como tal, deveria reu- nir místicos e religiosos, em vez de cientistas. Não havendo nada a fazer, reza-se. 

Não é só: o chamado "Sumário para os formuladores de políticas" analisa (como se os conhecesse) impacto, adaptação e vulnerabilidade do planeta mediante as mudanças climáticas. 

Aponta ainda --sem o demonstrar-- que a população pobre, principalmente de países tropicais como o Brasil, será a mais afetada por situações de seca e inundação, com risco de insegurança alimentar, caso não haja planejamento para adaptar culturas agrícolas às possíveis realidades. 

Eis aí, só para não variar, o ponto: o agronegócio brasileiro. Ignora-se a atual legislação ambiental --o Código Florestal, o mais rigoroso do planeta-- para difundir o pavor diante de consequências hipotéticas cujas causas não estão presentes. 

Vejam o raciocínio: teme-se que os pecuaristas brasileiros vendam suas terras e saiam em busca de "florestas de baixo custo" para transformá-las em pastagens para animais. 

O raciocínio, primário e mal-intencionado, criminaliza previamente a conduta do produtor rural, já que, para que a profecia se cumpra --a degradação de florestas--, seria preciso que se infringisse a lei, que proíbe desmatar sem licenciamento, mesmo em áreas nas quais o desmatamento é passível de autorização. 

O biocombustível, alvo da falsa ira ambiental, não é um produto especulativo nem um modismo --muito menos um produto ornamental. Trata-se de uma conquista da tecnologia do agronegócio brasileiro, desenvolvida com o pleno envolvimento do produtor rural, cuja abundância, bem ao contrário do que se propaga, é aliada da causa ambiental: diminui e até mesmo retira do mercado os potentes poluidores de origem fóssil. 

Os representantes brasileiros no IPCC não podem embarcar nessa canoa furada, permitindo que sofismas de tal ordem, calcados em inconfessáveis interesses comerciais, triunfem. Estamos, mais uma vez, diante das duas clássicas oposições ao desenvolvimento rural brasileiro: de um lado, os que desde sempre são contra, não importam os motivos (sobretudo quando inexistem); de outro, os que temem a competição.
 
05 de abril de 2014
Kátia Abreu, Folha de SP

CIPOAL ELÉTRICO

O grupo Bertin foi financiado pelo BNDES para sair do negócio de carne - para que ele ficasse concentrado no JBS - e entrar em energia, área da qual nada entendia. Os leilões permitiram que a empresa ganhasse muitas termelétricas. O grupo não as entregou. Se essas térmicas estivessem gerando os 5 mil MWh contratados, o nível de água nos reservatórios estaria maior. Este é outro erro na área elétrica.

A crise de energia foi agravada pelo baixo nível de chuvas neste verão, mas o grande problema foi criado pelo próprio governo com suas intervenções atabalhoadas. Quando entra para resolver a crise que criou, produz novos desacertos. Oficialmente, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) nega qualquer desentendimento interno, mas todos sabem no setor que há diretores que não querem assinar o empréstimo e há cotistas que temem o risco de ficar com parte da dívida, em caso de default. Os bancos não querem aderir ao empréstimo de R$ 8 bilhões para uma entidade sem ativos e por isso o Banco do Brasil assumirá o maior risco. E só esse empréstimo - uma parte das manobras para socorrer as elétricas - vai elevar a conta de luz em 8% a 9%, quando as eleições passarem.

Ninguém sabe dizer quanto toda a política, iniciada com a antecipação do fim das concessões, custou até agora. Os jornais de ontem trouxeram a notícia do aumento da conta de luz pelo empréstimo a ser tomado pela CCEE para cobrir apenas uma parte do gasto extra das distribuidoras com a energia das térmicas e as compras no mercado de curto prazo. Se os leilões tivessem sido feitos da forma correta, as empresas não estariam expostas ao mercado livre e haveria um custo a menos.

A manchete do "Valor" de ontem falava de outra questão: a Eletrobrás perdeu R$ 19 bilhões por renovar concessões. Se ela não tivesse aderido ao programa de antecipar as renovações, não teria tido o prejuízo de R$ 6,3 bilhões. Poderia, na verdade, ter tido receita extra de R$ 19 bilhões com a venda da energia no mercado livre. Isso é o cálculo apresentado por membros independentes do conselho de administração.

O ideal, na verdade, é que as distribuidoras não tivessem ficado descobertas. Nesse caso não haveria o ganho calculado por esses membros do conselho. A exposição das empresas foi resultado da má condução dos leilões com a imposição de um preço teto irreal.

Não houve apenas um erro na energia. Foram vários e sequencias. E continuam. O custo total da renovação antecipada das concessões não se sabe. Ela foi feita para trazer para o calendário eleitoral um ganho para o consumidor com o fim das concessões nos anos seguintes. O problema é que só na renovação é que se poderia saber o quanto seria reduzido o custo da energia. Feita por ganância política, a mudança provocou essa série de problemas com a qual o setor se debate.

As geradoras estatais perderam dinheiro, as distribuidoras estão quebradas, o Tesouro acumula um custo fiscal enorme e os consumidores estão ameaçados de aumento maior de energia nos anos vindouros. Entidades do setor privado estão sendo mobilizadas para fazer o que não é sua função, para esconder em parte o custo do Tesouro. Térmicas que não deveriam estar ligadas por tempo longo, talvez tenham que ficar ligadas o ano todo. A balança comercial está pressionada pela importação do combustível para essas térmicas. Eólicas prontas rodam no vazio porque as linhas de transmissão não ficaram prontas. Mesmo assim, recebem, porque é isso que está no contrato e as empresas fizeram a sua parte. O difícil no setor elétrico é encontrar uma decisão sensata. A torcida é para que o governo encontre a saída desse cipoal de fios desencapados.

 
05 de abril de 2014
Miriam Leitão, O Globo

EU SEI O QUE VOCÊ ESCREVEU ONTEM

Enquanto Paulo Malhães lançava corpos em rios, M.C. batia bumbo para o presidente Médici

"Os senhores escravocratas do século 21 ainda se movem ao sabor das crenças de 50 anos atrás (...)", escreveu Mino Carta na revista "CartaCapital" do dia 2/4, para concluir: "Daí a oposição sistemática aos governos Lula e Dilma". Na política, o passado é uma massa de modelagem sempre disponível para servir aos interesses do presente. Sugerir que os críticos do lulismo são reencarnações dos golpistas de 1964 já se tornou um clássico da "imprensa" chapa-branca. Quando, porém, a fábula emana do teclado de Carta, um cheiro de queimado espalha-se no ar.

Nos idos de 1970, Carta ocupava o cargo de diretor de Redação da revista "Veja" e assinava os editoriais com suas iniciais. O que M.C. escreveu em 1º de abril de 1970, sexto aniversário do golpe, está no acervo digital da revista:

"Propostos como solução natural para recompor a situação turbulenta do Brasil de João Goulart, os militares surgiram como o único antídoto de seguro efeito contra a subversão e a corrupção (...). Mas, assumido o poder, com a relutância de quem cultiva tradições e vocações legalistas, eles tiveram de admitir a sua condição de alternativa única. E, enquanto cuidavam de pôr a casa em ordem, tiveram de começar a preparar o país, a pátria amada, para sair da sua humilhante condição de subdesenvolvido. Perceberam que havia outras tarefas, além do combate à subversão e à corrupção --e pensaram no futuro." Fofo?

Enquanto Paulo Malhães lançava corpos em rios, M.C. batia bumbo para Médici. A censura não tem culpa: os censores proibiam certos textos, mas nunca obrigaram a escrever algo. Os proprietários da Abril não têm culpa (ou melhor, são culpados apenas pela seleção do diretor de Redação): segundo depoimento (nesse caso, insuspeito) de um antigo editor da revista e admirador do chefe, hoje convertido, como ele, ao lulismo, Carta dispunha de tal autonomia que os Civita só ficavam sabendo do conteúdo da "Veja" depois de completada a impressão.

Carta foi quercista quando Orestes Quércia tinha poder (e manejava verbas publicitárias). Hoje, é lulo-dilmista até o fundo da alma. Na democracia, não é grave ter preferências político-partidárias, mesmo se essas (mutáveis) inclinações tendem quase sempre na direção do poder de turno. Mas aquilo era abril de 1970, bolas! As máquinas da tortura operavam a plena carga --algo perfeitamente conhecido, não pelo povo, mas por toda a imprensa. A bajulação condoreira a Médici não deve ser qualificada como um equívoco de avaliação: era outra coisa, que prefiro não nomear.

"CartaCapital" de 2 de abril publicou, também, um ensaio histórico sobre as relações entre a imprensa e a ditadura no qual --surpresa!-- não há menção aos editoriais da "Veja" assinados por M.C. em 1970. A revista de Carta faz coro com os arautos do "controle social da mídia", eufemismo de censura em tempos de democracia. Cada um a seu modo, os grandes jornais acertaram as contas com o próprio passado, oferecendo desculpas ("O Globo"), reconhecendo erros (Folha) ou produzindo revisões circunstanciadas ("Estadão"). Carta optou por um caminho diferente: a camuflagem.

O artigo de Carta na "CartaCapital" é uma catilinária contra os "reacionários nativos" que, "instalados solidamente na casa-grande" e "com a colaboração dos editorialistas dos jornalões", perpetraram o golpe de 1964. De tão santa e barulhenta, a indignação editorializada induzirá algum desavisado leitor estrangeiro a imaginar que o autor denuncia, corajosamente, um golpe militar em 2014. Mas, no fim, é mesmo do presente que trata o grito rouco, o adjetivo sonante e o chavão escandido: por meio dessas técnicas, Mino Carta esconde M.C.

Acervos digitais são uma dessas maravilhas paridas pela revolução da informação. A França do pós-guerra não tinha algo assim, para sorte dos colaboracionistas de Vichy. O Brasil de hoje tem. Sorte nossa. 

 
05 de abril de 2014
Demétrio Magnoli, Folha de SP

OLHAR PARA A FRENTE

Dentro de cinco dias me aposento como professor titular da Faculdade de Direito da USP, por força de compulsória ao chegar à sétima década de vida. Foram 45 anos de docência. É hora de olhar para a frente, a partir de como se desenrolou ao longo do tempo o ensino do Direito e em especial da realidade presente.

É antiga a reclamação de o ensino jurídico ser insatisfatório, em "crise permanente", termo em si contraditório. Até 40 ou 50 anos atrás, na expressão de José Garcez Ghirardi, aprendia-se na faculdade, e não pela faculdade, ou seja, o ambiente acadêmico, a convivência, por exemplo, no pátio da São Francisco, propiciava o interesse por assuntos vários, dentre os quais o Direito! Política, sociologia, História, literatura e economia eram campos de curiosidade intelectual suscitados nas conversas entre as aulas, nos bares, nas festas.

"Crise" no ensino do Direito já havia. A deficiência decorria do recurso a métodos expositivos, com análise circunscrita ao universo exclusivo da lei, tendo os professores, especialmente de faculdades privadas, pouca produção científica, muitos apenas profissionais do Direito, promotores, magistrados, advogados, alheios à carreira acadêmica.

O número reduzido de Faculdades de Direito até 1970 levava aos seus bancos alunos com bagagem de estudo fundamental e colegial de qualidade, facilitando a tarefa de fazer pensar o Direito, e não só assimilar manuais descritivos da letra da lei. Pode-se dizer que, se os cursos jurídicos não correspondiam a uma exigência de excelência, se sempre houve "crise" no ensino jurídico, agora, todavia, há um processo de degenerescência crescente.

O aprendizado na faculdade existente no passado com certeza não existe, infelizmente, nas atuais escolas de Direito. Hoje o "conhecimento" se faz por tiras, por sinopses ou resumos mínimos, sendo breve qualquer leitura e o refletir, uma raridade. De 40 anos para cá, a cada passo, o curso de Direito transformou-se em adestramento de massa, com alunos e professores despreparados, tornando-se as faculdades meras fontes arrecadadoras de mensalidades, voltadas antes para o lucro do que para a promoção de estudo aprofundado, na busca da criação de formandos de qualidade.

A situação hoje do estudo do Direito no Brasil confronta, também, com propostas formuladas mais recentemente. Em 2004 o Conselho Nacional de Educação baixou resolução na qual destacava que deveria o ensino privilegiar a pesquisa e a prestação de serviço à comunidade como necessários prolongamentos da atividade de didática, com vista à iniciação científica, mas sem perder a perspectiva de ser o curso de Direito um aprendizado de humanidades e de criação de espírito crítico. Considerava-se, então, que cabia "assegurar, no perfil do graduando, sólida formação geral, humanística e axiológica, capacidade de análise, domínio de conceitos e da terminologia jurídica, adequada argumentação, interpretação e valorização dos fenômenos jurídicos e sociais, aliada a uma postura reflexiva e de visão crítica que fomente a capacidade e a aptidão para a aprendizagem autônoma e dinâmica, indispensável ao exercício da Ciência do Direito, da prestação da justiça e do desenvolvimento da cidadania". Que belo texto!

Mas essa boa intenção desmoronou com a criação incessante de Faculdades de Direito, principalmente na última década. No ano passado o Conselho Federal da OAB conseguiu um acordo para estancar temporariamente a autorização de mais faculdades. Passa-se agora à tentativa de estabelecer um novo marco regulatório do ensino do Direito.

A Associação Brasileira de Ensino do Direito denunciou recentemente a costumeira existência de salas de aula superlotadas, pagamento vil aos professores, no sistema hora-aula, com perda da dignidade da docência superior. Hoje, como ressaltado, não mais se tem o aprendizado na faculdade, prevalecendo a comercialização do ensino, com a admissão indiscriminada de alunos despreparados, vindos do secundário sem o costume de pensar, ler, escrever, criticar, questionar.

Diante da massificação do ensino jurídico, impõem-se algumas medidas para o correto aproveitamento do curso por estes alunos merecedores de mais atenção, vítimas e não culpados da má formação que tiveram. Sugiro, então, a adoção das seguintes linhas:

Aulas diárias de Português, Lógica e História das Ideias e Inglês no primeiro ano, ao lado das disciplinas também fundamentais, como Introdução à Ciência do Direito, Sociologia, Ciência Política.

Efetividade da exigência de carreira universitária para os professores, com realização de concursos de ingresso à docência, tendo por requisito a titulação reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC).

Ensino participativo, com leitura e discussão de textos e estudos de casos, para incentivar a reflexão sobre o Direito, para que o aluno seja um dos artífices do próprio conhecimento. Para tanto o aluno precisa querer não apenas um diploma, mas conhecer e discutir o Direito. O professor não deve tão só saber uma aula a mais que o aluno, cumpre-lhe pesquisar, confrontar ideias, debater com os alunos os textos que escolhe para leitura. As classes devem ser, no máximo, de 50 alunos.

Fechamento das instituições que não correspondam à avaliação do MEC.

A criação de mais faculdades não deve sequer ser pensada. Com mais de 1.200 faculdades e de 600 mil alunos, não há massa crítica suficiente para, com seriedade, preencher a função de professor capacitado. Os resultados do Exame de Ordem, com 80% ou mais de reprovação, mostram a precariedade do ensino do Direito.

Olhar para a frente significa esperança: acreditar em melhoria do ensino do Direito, acima das condições objetivas, com avanços a partir do marco regulatório em elaboração.

 
05 de abril de 2014
Miguel Reale Junior, O Estado de S.Paulo

GESTÃO EM XEQUE


Volta ao centro do debate eleitoral a gestão pública, que durante muitos anos e outras tantas eleições o PT ridicularizou, demonizando a tese do choque de gestão como sinônimo de demissões em massa e desproteção dos trabalhadores, mas dessa vez em outra dimensão, menos favorável ao governo de Dilma Rousseff.
A incompetência da gestão pública do atual governo está cobrando um pedágio pesado dos cidadãos, sem trocadilhos fáceis. A situação de penúria de nossa infraestrutura está sendo enfrentada, com atraso, com as concessões à iniciativa privada da construção e manutenção de rodovias, portos, aeroportos, sem que haja perspectiva de que as obras necessárias estejam prontas a tempo de o país não passar vexame na organização da Copa e das Olimpíadas.

Vendida ao eleitorado como uma grande gerente, os fracassos na administração do país têm gerado consequências na sua popularidade, especialmente pela inflação crescente e o mal-estar provocado pelos péssimos serviços públicos nas grandes cidades, e devem impactar a intenção de votos nas eleições deste ano, em que Dilma ainda aparece como favorita.

Dois de seus principais adversários são ex-governadores que têm justamente na qualidade de suas gestões as bandeiras para tentar captar essa insatisfação do eleitorado. O senador Aécio Neves, do PSDB, ex-governador de Minas Gerais, e o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, do PSB, são destaques da nova geração de políticos e têm características comuns na visão do Estado e como levá-lo de volta à rota do crescimento econômico com desenvolvimento social.

São tão próximas as visões que se pode especular que o provável ministro da Fazenda de Aécio, Armínio Fraga, pode ser convidado por Campos em caso de sua vitória. Para o economista Claudio Porto, presidente da Macroplan, consultoria de atuação nacional especializada em planejamento de longo prazo e que já operou no planejamento estratégico de governos estaduais - com destaque para Minas, no governo de Aécio -, a visão de longo prazo deve ser uma das marcas fortes da campanha de Campos, credenciando-o a entrar no campo nacional para disputar os votos tanto dos eleitores de oposição como dos que se decepcionaram com os métodos de gestão do atual governo.

Porto, envolvido num projeto de longo prazo do governo de Pernambuco, ressalta que não há dúvidas de que as linhas gerais do pensamento e das práticas de Campos na área da gestão pública têm pontos em comum com as do candidato Aécio, precursor, no nível estadual, de uma gestão meritocrática e orientada para resultados, que não evitou privatizações e criou metas e objetivos definidos para a execução orçamentária .

O que mais anima Porto é um fato portador de futuro que está cada vez mais visível: a crescente valorização do planejamento e da visão de longo prazo como uma ferramenta de Estado e de governo, que ultrapasse as metas individuais de uma gestão.

Para corroborar essa análise, os dois futuros candidatos mantêm um programa de governo de longo prazo em seus estados. Um dos principais movimentos de Campos foi o lançamento de uma visão de futuro de Pernambuco para 2035. As metas têm a Educação no papel central: em 20 anos, o objetivo é quase que dobrar o nível de escolaridade dos pernambucanos, alcançando média de 12 anos de estudo em 2035. A visão de longo prazo proposta pelo governador pernambucano se completa com três grandes focos, que vão além da economia: qualidade de vida, prosperidade e coesão social.

Em Minas, o ex-governador Antonio Anastasia, que deve ser o coordenador do programa de governo de Aécio e eventualmente futuro chefe do gabinete civil, lançou ao se desincompatibilizar do governo o livro Do Choque de Gestão à Gestão para a Cidadania - 10 Anos de Inovações Gerenciais em Minas Gerais , que relata os processos e instrumentos instituídos pelo modelo de governança pública que começou a ser implantado em 2003, no 1º mandato de Aécio.

Esse modelo, que tem como base o gerenciamento das ações governamentais, levou Minas a ser o 1º estado a tornar obrigatória a frequência de crianças com seis anos na escola. Em 2013, alunos da rede se sagraram, pela sétima vez consecutiva, campeões da Olimpíada Brasileira de Matemática. E escolas estaduais estão no topo do ranking do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, do Ministério da Educação.`

05 de abril de 2014
Merval Pereira, O Globo

O LULISMO JÁ VOLTOU


BRASÍLIA - O movimento "volta Lula" ainda tem um futuro incerto, mas o lulismo já está reinstalado no Planalto. Com as trocas recentes de ministros, saiu de cena o estilo anódino e subserviente ao modelo arranca-tocos de Dilma Rousseff.

Desde a queda de Antonio Palocci da Casa Civil, em 2011, não se ouvia um assessor direto da presidente pronunciar frases como as de Ricardo Berzoini, novo ministro responsável pela articulação política. De repente, o Palácio do Planalto passou a achar que o PT precisa fazer mais concessões a seus aliados.

Berzoini transformou-se quase num avatar de Lula ao vocalizar esse discurso mais ameno. Há carinho para distribuir aos que no passado Lula chamava de 300 picaretas. Eis dois exemplos da nova linguagem palaciana de conciliação: "Queremos que o PMDB e outros aliados se apropriem dos bons resultados junto com o PT" e "não queremos uma hegemonia só do PT. Queremos uma hegemonia do conjunto da base".

Quando Palocci deixou o Planalto, Dilma enxergou ali uma oportunidade para se livrar de uma vez da pecha de "poste do Lula". Aproveitou e instalou a novata Gleisi Hoffmann como ministra da Casa Civil. Colocou Ideli Salvatti na articulação política. Promessas políticas, as duas reagiam com timidez se a presidente levantava a voz e ordenava-as a virar a cara para aliados no Congresso.

Ocorre que o Brasil tem mais de 30 partidos políticos. O PT tem a maior bancada de deputados, mas isso representa só cerca de 17% da Câmara. Nesse ambiente pulverizado, é ingenuidade achar possível prescindir dos tais 300 picaretas. Não se trata de conceder licença para roubalheira desenfreada, mas estabelecer limites de cooperação mútua decente.

É essa a abordagem atual do Palácio do Planalto. Lula tem papel relevante nessa guinada. O ex-presidente está voltando aos poucos. Só não há como saber até que ponto ele deseja realmente ser protagonista.

05 de abril de 2014
Fernando Rodrigues, Folha de SP

IPEA APARELHADO PELO PT ESTUPROU A PRÓPRIA PESQUISA


 
Daniela Mercury e esposa na campanha que mobilizou o país. 

O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), do governo federal, divulgou nesta sexta-feira uma nota reconhecendo que houve erro na divulgação que chocou o país ao dizer que a maioria dos brasileiros (65,1%) apoia ataques a mulheres que usam roupa curta.

Segundo o Ipea, por uma troca nos gráficos da pesquisa divulgada, o resultado divulgado está errado. Os percentuais corretos são: 26% concordam, total ou parcialmente, com a afirmação "mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas; e 70% discordam total ou parcialmente. Outros 3,4% se dizem neutros.

O diretor da área social do Ipea pediu a sua exoneração assim que o erro foi detectado. A pesquisa, com os dados errados, gerou enorme repercussão e uma campanha em redes sociais com o lema #eunãomereçoserestuprada. A onda de indignação teve apoio até da presidente Dilma Rousseff (PT).
Por meio de nota, o Ipea ainda corrigiu outro par de questões que tiveram os resultados invertidos. Questionados, sobre "o que acontece com o casal em casa não interessa aos outros", 13,1% dos entrevistados discordaram totalmente, 5,9% discordaram parcialmente, 1,9% ficou neutro, 31,5% concordaram parcialmente e 47,2% concordam totalmente.
A presidente usou o twitter para fazer uma preleção ao país..
Diante da sentença "em briga de mulher, não se mete a colher", 11,1% discordaram totalmente, 5,3% discordaram parcialmente, 1,4% ficou neutro, 23,5% concordaram parcialmente e 58,4% concordaram totalmente.
 
De acordo com o instituto, os demais resultados se mantêm, como a concordância de 58,5% dos entrevistados com a ideia de que "se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros". "As conclusões gerais da pesquisa continuam válidas, ensejando o aprofundamento das reflexões e debates da sociedade sobre seus preconceitos", informou a nota. O levantamento ouviu 3.810 pessoas de ambos os sexos entre maio e junho do ano passado.(Folha Poder)
 
05 de abril de 2014
in coroneLeaks