As recentes notícias que chegam do mundo, não são nada alvissareiras, diria mesmo que são assustadoras.
Não transito nos bastidores, as informações que recolho, são dos comentaristas mais responsáveis e menos alarmistas, pois que não buscam manchetes, mas procuram com seriedade passar informações com credibilidade e veracidade.
Aqui, na América Latina, no Brasil propriamente, onde os acontecimentos de qualquer natureza, sempre chegam com alguns anos de atraso, exceto os esportivos - a grande cachaça nacional - ficam sempre com cara de aperitivo, cujo verdadeiro acepipe, quando aparecem, ficam com aquela cara de alguém que peidou na reunião.
Dizem os entendidos, que o autor da flatulência de baixa qualidade, com a cara amarelada, sempre acusa, com olhares suspeitos, o seu vizinho mais próximo. O amarelo sempre paga o pato...
Mas voltando ao que interessa, o artigo VENEZUELA SACRIFICADA, revela alguns cenários importantes, porém enigmáticos, pois integram políticas de Estado, estratégias de consolidação de posições geopolíticas no mapa dos interesses de poder e dominação.
O jogo EUA, China e Rússia, oculta mais do que revela, com lances meticulosos, silenciosos e sombrios, avança com estratégias operando no novo modelo de relações políticas, onde a flexibilidade é regida por interesses, colocando um fim nos acordos e contratos de fidelidade, onde o compromisso era estável, e valia inflexivelmente.
Parece-me que essas alterações assinalam um futuro ainda não de todo visível, na geopolítica da nova ordem nascente, e cujos conflitos evitam repercutir ruídos incomodos.
Aquele universo de políticas bem definidas em seus acordos internacionais, creio que está se finando, se esgotando diante de um novo mundo que chega com as inovações, ainda imprevisíveis de tecnologias nascentes, rompendo laços estáveis da ordem "constituída" e ameaçando a "realidade estável" e os condicionamentos sociais e culturais que, de alguma forma "domesticavam" os impulsos de "colonização" e controle, em busca da expansão dos domínios possíveis e justificáveis da usurpação das riquezas naturais de outros continentes.
Alguns conceitos começam a se dissipar, como o de "soberania", quando eles afrontam ou dificultam as estratégias de exploração e controle. Ou quando ferem e interferem em tais forças.
O que me parece estar acontecendo, com o surgimento de uma nova configuração política do mundo, é a reestruturação de uma nova ordem global, com uma nova linguagem geopolítica, onde forças de gigantes se posicionam na arena dos continentes, elaborando novos conceitos que servirão de justificativa e âncora, para o novo desenho de poder que delineará o lugar de cada potência.
Aos demais, resta assistir ao espetáculo estrondoso e fatigante, que transformará o planeta em um novo Anfieatro Flaviano, ou Coliseu, que também servia a espetáculos públicos, tais como simulações de batalhas marítimas, caças de animais selvagens, execuções, encenações de batalhas e a representação de dramas baseados na mitologia clássica. Mas ficou mais conhecido como a arena dos gladiadores.
Servem portanto como o lugar ideal para os "modernos gladiadores", representantes dos dramas políticos contemporâneos, se enfrentarem até a morte, por suas "verdades relativas", e que de nada servem à grande plateia, ou melhor, a população planetária, que será enterrada com eles.
Nesse momento penso em Machado de Assis, e no que escreveu em um de seus romances:
"Ao vencedor, as batatas!"
28 de janeiro de 2026
prof. mario moura
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