"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

sábado, 9 de setembro de 2017

JANOT ACABA DE EXPEDIR A PRISÃO PREVENTIVA DE JOESLEY BATISTA DA JBS



URGENTE! JANOT(PGR) ACABA DE EXPEDIR A PRISÃO PREVENTIVA DE JOESLEY BATISTA DA JBS .A CASA CAIU!
Portal Direita Brasil - Endireitando o País
09 de setembro de 2017

TORQUATO JARDIM AUTORIZOU A PF INVESTIGAR GILMAR MENDES

BRASIL LEVA CALOTE DE R$ 12 BILHÕES DA VENEZUELA E GOVERNO SE CALA

A ESQUERDA VELHA COMO É, JÁ TEM SEUS CLICHÊS COMPORTAMENTAIS

Há muito me ocupo do que seria uma tipologia da esquerda contemporânea. Calma! Um dia chegarei a tipologia da direita, aguardo apenas um pouco porque essa, pelo menos entre nós brasileiros, apenas começa a se acomodar em clichês suficientes para formar uma tipologia minimamente científica. A esquerda, velha como é, já tem seus clichês comportamentais.

Primeiro, a clássica, que deixaria a esquerda pós-moderninha, criada nos campi das universidades, em pânico. Essa esquerda confessa suas taras: que morram todos os reacionários. Corrupção é uma ferramenta válida, desde que usada para o partido e a revolução. Multiculturalismo, e sua mania de parques temáticos étnicos, é coisa de gente riquinha besta, com medo de sangue. Essa é a esquerda que, de fato, teme dizer seu nome.

Quase extinta porque sonhou em destruir o capitalismo. E ninguém tem nada para botar no lugar do capitalismo sem por em risco seu próprio capital.

Existe também a esquerda sindicalista. Essa, se retirada a metafísica social de redenção do "mundo do trabalho", é quase sempre formada de gente que adora a contribuição sindical obrigatória, nunca "trabalhou de fato", e enche as ruas com infelizes que ganham um lanche para fazer número. É bastante agressiva quando colocam em risco a sua renda paga pelos cofres públicos.

A esquerda dos "sem" e das vítimas está sempre cobrando algo da chamada "sociedade" -esse conceito vago, mas de grande utilidade retórica. Essa esquerda se alimenta do velho ressentimento humano, produzido em larga escala pelo capitalismo e seu método de produção de riqueza pela competição selvagem.

Há também a esquerda descendente dos hippies. Gente que quer mudar o mundo com a horta da varanda de sua casa e ainda acha o uso de drogas algo "questionador do sistema". Tem pouco dinheiro e se dedica a "arte e política".

Claro, a esquerda dos campi universitários é essencial. Composta de gente da classe média ou média alta, professores e alunos (os funcionários são, na sua maioria, ligados à esquerda sindical porque são mais pobres e nunca vão a congressos que discutem a desigualdade social), se constitui naquela que impacta a cultura e a opinião pública.

Gosta de tramar contra a desigualdade social comendo queijo e tomando vinho, quando não organizando festivais literários, de cinema ou teatro. Quando "prega", quase ninguém entende porque mistura jargão psicanalítico com um marxismo banhado numa jacuzzi cheia de óleos naturais para a pele e geleia "sugarless".

Não esqueçamos da esquerda de Hollywood e seus prêmios pautados por "race, class and gender", faturando milhões com super-heróis Marvel. Essa adora chorar em público.

A esquerda "sexual" é obcecada por suas idiossincrasias individuais que tentam transformar em pautas pedagógicas para crianças recém saídas do berço. Ligadas a essa, está toda a gama de pautas de gênero genéricas.

Há a esquerda dos "recursos humanos" e das palestras corporativas sobre capitalismo consciente. A mais aguada de todas, quase um marketing vagabundo. Usa expressões como "gestão do futuro" e "humanismo empresarial". Não gaste dinheiro com ela.

Também existe a esquerda da moçada que mora perto de onde trabalha e, por isso, confunde seu bairro com uma Amsterdã universal. Pode chegar suada no trabalho porque é dona do próprio negócio. São os "hackers urbanos", tem vocação para experimentalismo urbano e sonha com o Haddad como presidente dos EUA.

A multiculturalista só sobrevive quando tem muito investimento para deixar todas as culturas ali expostas num estado que agrade todo mundo que as visita.

Claro que não podemos esquecer da esquerda artística em geral, que delira com o politicamente correto e tem de si uma tal imagem de santidade política que deixaria Jesus envergonhado. Bienais de todos os tipos são seu templo.

E a "esquerda de mercado"? É a que sabe que para se vencer no mercado cultural deve-se gritar "Fora Temer!". E para não dizer que não falei de religião, existe a esquerda católica, essa mesma que domina o mercado da teologia. Amém.


09 de setembro de 2017
Luiz Felipe Pondé, Folha de SP

BYE, BYE, LULA!

Este dia, 6 de setembro de 2017, parece destinado a passar à História como o que selou o destino do mais popular e carismático líder político brasileiro desde Getúlio Vargas, o presidente que se matou com um tiro no peito para não ser derrubado.

Em menos de duas horas, ficou-se sabendo que o poderoso ministro dos governos Lula e Dilma, Antonio Palocci, entregou o “pacto de sangue” firmado pelo PT e a construtora Odebrecht. E que Lula e Dilma foram denunciados outra vez, desta por obstrução de Justiça.

Ao PT, segundo Palocci, a Odebrecht pagou propinas num valor de R$ 300 milhões – parte para financiar campanhas do partido, parte para a compra de uma nova sede do Instituto Lula, e R$ 4 milhões, “uma merreca”, diria Lula, para o ex-presidente.

Depois de ter disparado uma flecha contra o próprio pé no caso da delação do Grupo JBS, Rodrigo Janot, Procurador Geral da República, disparou outra em Lula e Dilma – essa por conta da manobra que tornaria Lula chefe da Casa Civil do governo Dilma.

A manobra tinha como objetivo proteger Lula, que fora conduzido coercitivamente para depor à Lava Jato e que corria o risco de ser preso a qualquer momento. Como ministro, Lula só poderia ser processado pelo Supremo Tribunal Federal. Escaparia de Curitiba.

Preso em Curitiba, à espera de ser condenado por corrupção, Palocci finalmente cedeu às pressões dos seus advogados e contou ao juiz Sérgio Moro o que sabe. Se não contou tudo, contou o suficiente para que Lula, em breve, venha a ser condenado pela segunda vez.

Revelou que Lula acompanhou cada passo do andamento das operações de repasses ilícitos que culminaram com a compra de um novo imóvel para o Instituto Lula. E que Lula em pessoa, acertou com a Odebrecht o pacote de propinas no valor de R$ 300 milhões.

Destaque-se que o depoimento de Palocci a Moro não fez parte de nenhuma delação premiada, porque delação ainda não há. Certamente Palocci guardou revelações inéditas para oferecer mais tarde em troca do prêmio por delatar.

O que disse a Moro, porém, já é suficiente para que seja apontado no futuro como o maior algoz de Lula, aquele que rompeu o pacto de silêncio dos principais líderes do PT para impedir que o demiurgo da esquerda acabasse punido.

A Lula e aos seus advogados, resta esgrimir com o falso argumento de que Palocci mentiu para livrar-se de muitos anos de cadeia. Ao PT, procurar outro candidato para disputar a vaga de Michel Temer no próximo ano. Game over. Fim de jogo.


09 de setembro de 2017
Ricardo Noblat, O Globo

POLÍCIA FEDERAL PRENDE GEDDEL, QUE AGORA SÓ PENSA EM FAZER DELAÇÃO PREMIADA

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Charge do Kacio (kacio.art.br)
A Polícia Federal prendeu o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), que deixou sua residência cobrindo o rosto com uma pasta. O ex-ministro, que estava em prisão domiciliar, foi levado diretamente para o aeroporto e viajou para Brasília. Ele deve ficar inicialmente na carceragem da PF e depois pode ser transferido para o presídio da Papuda. Desde que o montante de R$ 51 milhões foi encontrado, a defesa do ex-ministro não se pronunciou e nem atendeu mais ligações. Antes, o advogado vinha negando acusações.
A PF chegou ao prédio de Geddel, em Salvador, no bairro Jardim Apipema, por volta de 5h40, em dois carros. Um vendedor ambulante foi escolhido para subir ao apartamento do ex-ministro como testemunha.
BUZINAÇO – Houve aplausos e buzinas de pessoas que passavam quando a PF deixou a garagem com Geddel no banco de trás da viatura.
A decisão de prender novamente Geddel foi tomada pela 10ª Vara Federal de Brasília. O pedido acontece após a PF ter encontrado na terça-feira (dia 5) R$ 51 milhões em espécie escondidos em caixas e malas em um “bunker” ligado ao peemedebista, também em Salvador. Foram encontradas digitais dele e de uma pessoa próxima no local.
Geddel cumpria até este momento prisão domiciliar, desde o dia 12 de julho. Ele foi preso no dia 3 de julho, acusado de tentativa de obstrução de Justiça, e depois conseguiu habeas corpus.
CUI BONO – A Operação “Cui Bono?” (A quem beneficia?) apura a atuação de Geddel e outras pessoas na manipulação de créditos e recursos realizada em duas áreas da Caixa Econômica Federal.
O ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e o corretor de valores Lúcio Funaro são também alvos da investigação, que começou no ano passado.
Geddel é acusado de ter recebido R$ 20 milhões de propina em troca de aprovação de empréstimos no banco ou de liberação de créditos do FI-FGTS para beneficiar empresas.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – É uma sexta-feira de muitas lágrimas. Geddel, chorando copiosamente porque foi preso, perdeu o dinheiro e vai cumprir muito anos de cadeia; e a turma do Planalto e do PMDB, chorando porque sabe que Geddel é um cagão, que vai fazer delação premiada e acabar com o que resta de todos eles. Como cantava Linda Batista, “Chorar, como eu chorava, ninguém pode chorar. Chorava que dava pena…”(C.N.)


09 de setembro de 2017
João Pedro Pitombo e Camila Mattoso
Folha

FUNARO DENUNCIA PROPINAS DE R$ 13,5 MILHÕES PAGAS A TEMER, DIZ A REVISTA VEJA


Funaro delatou Temer, Cunha, Geddel e mutos mais
O presidente Michel Temer teria recebido R$ 13,5 milhões em propina, segundo trechos da delação do doleiro Lúcio Funaro obtidos pela revista “Veja”. De acordo com a publicação, Funaro afirma em seu acordo de colaboração premiada nunca ter conversado sobre dinheiro diretamente com Temer, porém, disse que era informado pelo deputado cassado Eduardo Cunha sobre as divisões.
Ainda segundo a revista, Funaro afirmou em sua delação que Temer “sempre soube” de todos os esquemas tocados por Cunha. “Temer participava do esquema de arrecadações de valores ilícitos dentro do PMDB”, diz a reportagem.
VÁRIAS ORIGENS – Entre as propinas destinadas a Temer, Funaro cita, segundo “Veja”, repasses de R$ 1,5 milhão do grupo Bertin, R$ 7 milhões da JBS e outros R$ 5 milhões de Henrique Constantino, do Grupo Constantino, com parte do dinheiro usado na campanha do então deputado Gabriel Chalita à prefeitura de São Paulo, em 2012.
O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou nesta terça-feira a delação de Funaro, apontado como operador de políticos do PMDB em esquemas de corrupção. A expectativa é que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, use as informações fornecidas por Funaro na segunda denúncia que pretende fazer contra o presidente Temer.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Com a homologação, o procurador-geral Rodrigo Janot já pode utilizar a delação de Funaro para robustecer a segunda denúncia criminal contra Temer, a flecha de prata a ser disparada nos próximos dias, porque Janot está “dormindo na pontaria” , como se dizia antigamente.(C.N.)


09 de setembro de 2017
Deu em O Globo

MEDINA OSÓRIO, QUE DENUNCIOU A OPERAÇÃO ABAFA, DIZ QUE ATAQUE AGORA É OSTENSIVO


Medina diz que a Lava Jato resistirá aos ataques
O gaúcho Fábio Medina Osório, de 50 anos, foi demitido há um ano do cargo de advogado-geral da União. Na época, disse ter sofrido represálias por tentar cobrar ressarcimento ao Erário das empreiteiras envolvidas em corrupção e afirmou que havia um esquema para abafar a Operação Lava-Jato. Após um ano, ele é taxativo: “O ataque à Lava-Jato está mais ostensivo”. De acordo com ele, algumas instituições têm conseguido se defender, e o combate à corrupção, mesmo com seus paradoxos, avança.
Um ano após sua saída, o senhor ainda acredita que haja uma operação para abafar a Lava-Jato?Hoje essa operação ocorre de forma mais ostensiva, porque há muitos investigados que detêm poder e ocupam cargos públicos relevantes, como o presidente da República. É natural que eles façam uso da máquina pública para tentar estancar a sangria.
Quais são os sinais de que isso está acontecendo?Mais do que as palavras, são as ações administrativas que pesam.Veja o orçamento das instituições que investigam. Sempre que um poder quer diminuir a atuação de determinado órgão, ele reduz os recursos. Outro sinal é o uso, pelo presidente da República, da assessoria de comunicação social para se defender ou atacar a Procuradoria-Geral da República, o que está errado.
As instituições estão conseguindo se defender?O Brasil tem sido um dos países mais ativos do mundo no combate à corrupção. É notória a visibilidade positiva que o país tem ganhado com a apuração dos fatos e a resistência promovida pelas suas instituições. Por exemplo: avalio como uma postura correta a advogada-geral da União, Grace Mendonça, não ter defendido o presidente Michel Temer na acusação de denúncia no Congresso, preservando a instituição.
Nesse contexto, como o senhor avalia o fato de o Congresso não ter aceitado a denúncia de corrupção contra o presidente?O combate à corrupção tem seus paradoxos. Algumas decisões dependem mais de fatores políticos do que jurídicos. O certo é que temos um presidente que pode ser alcançado pelas autoridades investigadoras. Mas o Congresso é soberano para escolher o momento de o presidente responder às acusações. E o próprio Congresso será julgado por suas escolhas perante os eleitores.
Diante do fato de a denúncia ter sido rejeitada, muitos questionam a imunidade concedida aos delatores da JBS. Qual é sua opinião sobre isso?Em tese, o conjunto de informações, a quantidade de pessoas delatadas e a importância dos personagens talvez recomendassem os benefícios oferecidos. O fato de o acordo ter sido generoso não quer dizer que foi ilegal. Mas não tenho dúvida de que a regulamentação das delações terá de ser aperfeiçoada. As delações não podem ser engessadas nem permitir muita discricionariedade. Teremos de encontrar um equilíbrio.
O que poderia ser feito para reduzir as brechas da corrupção?Proibir o financiamento de empresas privadas nas campanhas foi um erro. Não foi isso que causou a corrupção no país, mas a promiscuidade. O financiamento de empresas poderia ocorrer se houvesse mais transparência e regulação.
O que deve restar desse processo todo no país?O Brasil, inexoravelmente, tem de trilhar uma agenda anticorrupção para avançar com a econômica. Apenas com empresas com sustentabilidade ética e compliance (controle interno para evitar corrupção) é que o risco-país será reduzido, atraindo investimentos. Portanto, essas agendas são indissociáveis para o progresso do país.

09 de setembro de 2017
Flávia Furlan
Exame

JANOT TEM DE DECIDIR SE PEDIRÁ ANULAÇÃO DOS BENEFÍCIOS E A PRISÃO DE JOESLEY

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Janot tem de refletir muito, antes de tomar a decisão 
Depois de ouvir os depoimentos dos executivos da JBS sobre os áudios em que falam da negociação da própria delação, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, decidiu anular os benefícios concedidos a Joesley Batista e Ricardo Saud e deve pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) nos próximos dias a prisão preventiva de ambos. O ministro Edson Fachin, relator do caso, estaria disposto a determinar a prisão dos dois colaboradores se avaliar que existem indícios mínimos da necessidade de tomar essa medida.
O pedido de prisão deverá ser encaminhado junto com a rescisão do acordo de colaboração premiada firmado por eles com a Procuradoria-Geral da República (PGR). Como o acerto previa imunidade total aos delatores, ele terá de ser revisto para que os dois possam ser presos.
SEGUNDA-FEIRA – A expectativa é que Fachin não tome qualquer decisão antes de segunda-feira. Outros ministros do STF têm procurado o relator para convencê-lo da necessidade de prender logo os dois delatores. Desde a última terça-feira, quando o áudio com o diálogo entre os executivos veio à tona, o sentimento de indignação tomou conta da mais alta Corte do país. Como o grampo atingiu também a reputação do procurador-geral, a prisão dos delatores seria uma forma de melhorar a imagem de Janot quando ele se prepara para deixar o cargo, no fim da semana que vem.
Joesley e Saud prestaram depoimento ontem na sede da PGR, em Brasília. Hoje, deve ser ouvido o depoimento do ex-procurador Marcello Miller, suspeito de ter atuado para beneficiar a JBS na elaboração das cláusulas do acordo. Janot só deve bater o martelo sobre a data do pedido de prisão depois de todos apresentarem suas versões.
FAVORECIMENTO – No diálogo gravado, os executivos insinuam que o procurador-geral sabia que Miller estaria favorecendo a JBS na elaboração do acordo. Também falaram em tentativa de envolver integrantes do STF na delação. Na sessão da última quarta-feira, o ministro Luiz Fux deu voz à indignação dos colegas e defendeu, em plenário, que os dois deveriam trocar o exílio em Nova York pelo exílio na Papuda, a penitenciária de Brasília.
Ao tratar da prisão dos delatores, Fachin vai precisar analisar também a revisão dos benefícios dos delatores definidos pela PGR para decidir se homologa a nova versão do acordo ou não. A delação da J&F contém cláusulas que tratam especificamente da rescisão. Um item diz que, “em caso de rescisão do acordo por sua responsabilidade exclusiva, o colaborador perderá automaticamente direito aos benefícios que lhe forem concedidos em virtude da cooperação com o Ministério Público Federal, permanecendo hígidas e válidas todas as provas produzidas, inclusive depoimentos que houver prestado e documentos que houver apresentado, bem como válidos quaisquer valores pagos ou devidos a título de multa”.
MENTIR OU OMITIR – Outro item determina que o acordo perderá efeito “se o colaborador mentir ou omitir, total ou parcialmente, em relação a fatos ilícitos que praticou, participou ou tem conhecimento”. Essa cláusula seria aplicada a Ricardo Saud, que declarou somente na semana passada que mantém conta no Paraguai. Na avaliação da Procuradoria, o executivo descumpriu o trato, porque a declaração patrimonial, inclusive com a estipulação do valor da multa e da eventual perda dos valores ilícitos, deve ocorrer no momento da apresentação de anexo patrimonial, antes do oferecimento da premiação.
A questão do aproveitamento ou não das provas apresentadas pelos dois delatores da JBS deve ser definida pelo plenário do STF, depois que Fachin tomar as primeiras decisões no caso.
PROVAS VÁLIDAS – Ao menos seis dos 11 integrantes da Corte são contrários à anulação de todas as provas e indícios entregues pelos executivos. Para esses ministros, a imunidade dos colaboradores pode ser suspensa sem necessariamente invalidar as provas. Com isso, os inquéritos abertos a partir das delações poderiam continuar tramitando normalmente. É o caso das investigações contra o presidente Michel Temer.
Na análise de um ministro da Corte, no entanto, mesmo que as provas não sejam retiradas das investigações, elas perderiam a força depois do áudio dos delatores — ou seja, não teriam mais tanta credibilidade perante os integrantes da Corte. Pela regra penal, a delação não é a única prova sobre a qual pode ser baseada uma condenação. O juiz precisa analisar, também, outras provas obtidas depois da abertura do inquérito.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – É forte a pressão dos ministros do Supremo para que Janot peça ao relator Edson Fachin a anulação da delação e a prisão de Joesley e Saud. A raiva não é boa conselheira e os ministros do Supremo precisam agir com a cautela recomendável, especialmente em denúncia de tal gravidade contra o presidente da República. Na forma da lei, é preciso identificar exatamente as omissões e mentiras dos delatores. Depois, tem de ser levado em conta que muitos delatores também mentiram e omitiram, como Otavio Azevedo (Andrade Gutierrez) e Sergio Machado (Transpetro), e não houve (nem há)  açodamento em anular as delações. Os ministros precisam considerar que todos são iguais na forma da lei, embora este conceito já tenha sido esquecido por alguns dos integrantes do STF. Além do mais, Joesley tem uma circunstância atenuante – tornou-se delator voluntariamente. (C.N.)


09 de setembro de 2017
Carolina Brígido
O Globo

FUSÃO DE JBS E DA BERTIN, COM APOIO DO BNDES, ENVOLVEU EMPRESA DE FACHADA

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As investigações apertam o cerco a Luciano CoutinhoO emprsário Joesley Batista contou à Procuradoria-Geral da República (PGR) que sua família sempre foi a verdadeira dona da Blessed, offshore com sede em Delaware, nos Estados Unidos, e até agora considerada uma empresa de fachada para camuflar um sócio oculto da JBS. O relato consta dos novos anexos da delação premiada dos irmãos Joesley e Wesley Batista entregues à PGR. Pode deixar a JBS sujeita a multas da Receita Federal e da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) por evasão fiscal e fraude contra os acionistas minoritários. Os dois órgãos já investigam o assunto e desconfiam de que a Blessed tenha sido um instrumento que permitiu que a família Batista adquirisse, em 2009, o frigorífico Bertin por uma fração do valor anunciado na época da fusão entre as duas empresas.
Nos dados apresentados ao mercado, duas seguradoras, com sedes nas Ilhas Cayman e em Porto Rico, apareciam como donas da Blessed. A verdade, porém, era outra. Essas seguradoras atuavam como representantes da família Batista. No documento entregue aos procuradores, Joesley explica que seus filhos e os do seu irmão Wesley são beneficiários de apólices emitidas pelas seguradoras. Em última instância, eles seriam os donos da Blessed.
EM 2009 – O empresário relata que a offshore foi criada em 16 de dezembro de 2009, às vésperas da conclusão da fusão entre JBS e Bertin. Uma semana depois, a Blessed adquiriu 70% da participação dos Bertin na nova empresa por apenas US$ 10 mil. Em março do ano seguinte, as seguradoras US Commonwealth Life e da Lighthouse Capital se tornaram donas da Blessed. Esse arranjo societário alterou completamente os termos do negócio que criou a maior empresa de proteína animal do planeta.
Em setembro daquele ano, as famílias Batista e Bertin haviam informado em fato relevante que se tornariam sócias numa holding, a FB Participações, que controlaria a “nova JBS”. Dentro da holding, os Batista teriam 60% e os Bertin 40%. O negócio foi anunciado com uma fusão bilionária, que avaliou a JBS em R$ 18 bilhões e o Bertin em R$ 12 bilhões. Descontando a dívida de R$ 4 bilhões, o valor do Bertin chegava a R$ 8 bilhões.
EVASÃO E FRAUDE – Se ficar comprovado que essa estimativa foi inflada, a JBS pode ser condenada por evasão fiscal e por fraude aos minoritários, que foram diluídos no negócio. A manobra também teria beneficiado o BNDES, evitando que o banco assumisse uma perda em seu investimento no Bertin. Na época, o BNDES estava sendo criticado por sua política de apoio aos “campeões nacionais”.
No início de 2008, a BNDESPar, braço de investimento em empresas do BNDES, adquiriu uma participação de 27,5% no Bertin por R$ 2,5 bilhões. O objetivo era ajudar a empresa a se internacionalizar.
O Bertin, porém, começou a enfrentar problemas logo depois. Com a quebra do Lehman Brothers, surgiram rumores de que teria perdido dinheiro com derivativos. Além disso, o mercado ficou desconfiado da solvência do grupo, em razão do seu alto endividamento.
ATRÁS DE UM SÓCIO – A solução era encontrar um sócio para engolir o Bertin por um valor que preservasse o investimento do BNDES. O banco já tinha uma fatia da JBS, mas a participação no Bertin era maior. Para se livrar do problema, o BNDES dobrou a aposta e injetou mais R$ 2 bilhões na JBS. A capitalização foi uma exigência de Joesley para reduzir a dívida da JBS.
Segundo executivos que acompanharam as tratativas, o BNDES não teria tido conhecimento dos termos acertados entre as famílias. E os Bertin só aceitaram as condições exigidas pelos Batista porque estavam quase quebrando. O frigorífico ameaçava atrasar pagamento de funcionários e fornecedores.
Três anos depois, os Bertin se desentenderam com os Batista. Eles se queixavam que não haviam recebido quase nada por sua fatia e partiram para a briga com ajuda do doleiro Lúcio Funaro, que hoje está preso.
BRIGA E ENTENDIMENTO – Os Bertin contrataram advogados e acusaram os Batista de fraudar suas assinaturas na venda de sua participação para a Blessed. O caso chegou aos jornais e os Batista diziam não saber quem eram os donos da offshore. Surgiram até especulações de que o sócio oculto fosse o filho do ex-presidente Lula.
O imbróglio não chegou a ser julgado. Os ex-sócios se entenderam. Segundo pessoas próximas aos Batista, Joesley pagou R$ 800 milhões aos Bertin para que saíssem de vez da JBS, em 2014. Em março daquele ano, Joesley e Wesley Batista compraram a participação da Blessed na JBS por US$ 300 milhões. Alegam que o plano é que esse dinheiro seja entregue pelas seguradoras aos filhos de ambos quando os pais morrerem. Seria uma forma de transferir o montante sem pagar imposto sob herança.
Procurada, a J&F disse que o assunto está sob sigilo da colaboração premiada. Os Bertin também não se manifestaram.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Um negócio complicado, cheio de idas e vindas, requer tradução simultânea. O fato concreto é que se armou no exterior uma tremenda negociata para evitar pagamento de impostos. E o pior de tudo foi a participação direta do BNDES presidido por Luciano Coutinho, que já teria sido algemado, se o Brasil fosse um país sério. Na verdade, o que PT fez com o BNDES foi algo verdadeiramente criminoso. Os ex-ministros Guido Mantega e Fernando Pimentel também deveriam ser algemados. Pimentel chegou ao absurdo de mandar o BNDES contratar sua amante, Carolina Oliveira, com salário superior à 25 mil, na época, para não fazer nada. Depois, se casou com ela, que hoje é a primeira-dama de Minas Gerais. Como dizia Ibrahim Sued, em sociedade tudo se sabe. (C.N.)


09 de setembro de 2017
Raquel Landim
Folha

IRMÃOS CHEBAR PROMETEM DEVOLVER MAIS DINHEIRO E JÓIAS DE CABRAL E ADRIANA

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Os irmãos Chebar já devolveram R$ 270 milhões
Delatores da Operação Lava Jato no Rio, os irmãos Marcelo e Renato Chebar prometeram entregar às autoridades brasileiras mais dinheiro e joias que pertenceriam à organização criminosa chefiada pelo ex-governador do Rio Sérgio Cabral que continuam escondidos no exterior. Os irmãos, que operavam os valores para a quadrilha, já tinham devolvido R$ 270 milhões. Renato e Marcelo Chebar fecharam o acordo de delação premiada em janeiro desse ano. Eles eram responsáveis por administrar contas no exterior de Cabral e de outros integrantes da quadrilha.
Os investigadores descobriram que, desde 2002, Sérgio Cabral guardava o dinheiro da propina em contas no exterior. Foi nessa época que ele começou a usar os serviços dos irmãos Renato e Marcelo Chebar.
PAGAR SERVIDORES – Do montante entregue pelos irmãos, R$ 250 milhões foram usados para pagar servidores do Rio de Janeiro. A devolução foi autorizada pelo juiz Marcelo Bretas. Pelo menos 146 mil aposentados e pensionistas, que estavam com o 13º atrasado, receberam o dinheiro.
No último dia 29 de agosto, o Ministério Público Federal cobrou a defesa dos doleiros para que eles deem prosseguimento à devolução de mais dinheiro e joias que continuam no exterior.
Na terça-feira (dia 5), a defesa dos Chebar deu então uma resposta. Disse que diamantes avaliados em cerca de US$ 2 milhões e quatro quilos e meio de ouro avaliados em US$ 250 mil vão ser devolvidos. Essas joias estão em dois cofres em Genebra, na Suíça.
Os documentos autorizando a repatriação dos bens já foi assinado. Além disso, US$ 74 mil que também estão em uma conta num banco em Genebra devem ser transferidos em 90 dias. Outra quantia de US$ 2 milhões, em Andorra, permanece lá fora porque o banco está sob intervenção e os correntistas não podem transferir os recursos, de acordo com os advogados de defesa dos doleiros.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Sérgio Cabral é um caso patológico. Criou uma verdadeira fábrica de corrupção, que lhe dava um enorme trabalho para administrar. O resultado aí está. Está arriscado a ficarna cadeia pelo resto de seus dias, e a mulher, Adriana Ancelmo, seguirá no mesmo caminho, em breve deixará de pedir refeições sofisticadas e drinques em sistema “delivery” do restaurante Antiquarius.  (C.N.)


09 de setembro de 2017
Marcelo Gomes
GloboNews