"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

sábado, 13 de maio de 2017

DILMA PODE PEGAR ATÉ OITO ANOS DE PRISÃO POR OBSTRUIR A JUSTIÇA, DIZ CRIMINALISTA


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A ex-presidente Dilma Rousseff pode pegar de três a oito anos de reclusão, e multa, pelo crime de obstrução à Justiça, segundo o professor Thiago Bottino, da FGV Direito, ouvido pelo GLOBO. Em delação premiada, a publicitária Mônica Moura, mulher de João Santana, relatou que Dilma tinha conhecimento da conta que o casal mantinha na Suíça. Por diversas vezes, a ex-presidente teria perguntado se a conta era segura. Além disso, também teria sugerido que o endereço fosse mudado da Suíça para Cingapura. “Neste caso, sim (poderia ser enquadrada no crime de obstrução), porque tem relação direta com investigação” — explicou Bottino.
Como demonstrou o criminalista, o caso da ex-presidente se enquadraria no Art. 2º: Promover, constituir, financiar ou integrar, pessoalmente ou por interposta pessoa, organização criminosa. O parágrafo primeiro, no qual Dilma se encaixaria, diz: “Nas mesmas penas incorre quem impede ou, de qualquer forma, embaraça a investigação de infração penal que envolva organização criminosa”.
CODINOME – A ex-presidente, segundo Mônica Moura, também mantinha um e-mail com codinome Iolanda, usado para manter a comunicação com o casal. Por meio deste canal, Dilma teria comunicado que os publicitários, à época no exterior, seriam presos quando retornassem ao país. De acordo com Bottino, porém, o simples aviso não seria crime de obstrução:
“Avisar, simplesmente, que haverá uma prisão não me parece que se enquadre (como obstrução à Justiça), porque a prisão não é um “ato de investigação”, comentou.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Com todo o respeito à opinião do o ilustre criminalista, é preciso ressalvar que Dilma (ou Wanda, ou Estela ou Iolanda) pode ser enquadrada em obstrução por avisar Santana sobre o mandado de prisão, cuja decretação lhe foi comunicada pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Tudo indica que o aviso foi feito com o intuito de que ele se evadisse. Caso contrário, a informação da delatora seria dada assim: “Dilma pediu que Santana se entregasse à Polícia”. Como se vê, existe uma diferença enorme entre as duas concepções do fato. (C.N.)

13 de maio de 2017
Maurício Ferro
O Globo

DELAÇÃO DE PALOCCI VAI ENVOLVER O SISTEMA FINANCEIRO E GRANDES EMPRESAS



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Delação de Palocci vai demolir Lula, Dilma e o PT
O ex-ministro Antonio Palocci decidiu negociar um acordo de delação premiada com os procuradores da Operação Lava Jato. 
Na tarde desta sexta (12), ele avisou seu advogado de defesa, o criminalista José Roberto Batochio, para se afastar do caso ainda nesta sexta-feira. A negociação do acordo será feita por dois advogados de Curitiba, Adriano Bretas e Tracy Reinaldeti. 
Os dois já haviam sido contratados por Palocci, mas, sem maiores explicações, o ex-ministro rompeu o acerto inicial.
Nesta semana Palocci retomou as conversas com Bretas e Reinaldeti e decidiu que partiria para a delação. Réu em dois processos em Curitiba, Palocci teme que suas condenações possam ultrapassar os 30 anos de prisão. 
A reportagem apurou que o afastamento de Batochio foi uma exigência da força-tarefa da Lava Jato porque o criminalista é contrário a esse tipo de acordo.
JÁ SE SABIA – A Folha de S.Paulo havia publicado nesta sexta-feira (12) que o ex-ministro tinha retomado as negociações com o advogado Adriano Bretas sobre delação. O próximo passo para Palocci será desistir do pedido de habeas corpus que está para ser julgado peloSupremo Tribunal Federal.
O ministro Edson Fachin decidiu que o pedido não será julgado pela segunda turma do Supremo, que soltou quatro investigados da Lava Jato em menos de uma semana: o ex-ministro José Dirceu, os empresários Eike Batista e José Carlos Bumlai e o ex-tesoureiro do PP João Cláudio Genu. 
A decisão de Fachin foi vista pela defesa de Palocci como uma manobra para evitar mais uma derrota.
Pesou na decisão de Palocci a operação que a Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (dia12), em torno de repasses do BNDES para o grupo JBS, num total de R$ 8,1 bilhões.
INTERMEDIÁRIO –  Palocci é apontado nas investigações como um dos intermediários dos financiamentos que geraram supostas propinas para o PT. 
Uma das hipóteses investigadas pela PF e pelos procuradores é que o partido ficava com parte dos repasses do BNDES.
Outra influência na decisão de Palocci foi a delação da Odebrecht. Documentos apreendidos pela Polícia Federal, depois incluídos no acordo da Odebrecht, apontam que o ex-ministro foi responsável por administrar repasses no valor de R$ 128 milhões entre 2008 e 2013.
Palocci era chamado de “Italiano” nos comunicados internos da Obebrecht sobre repasses para o PT. O ex-ministro ficou negando por meses que era o “Italiano”, mas o codinome foi confirmado por Marcelo Odebrecht, ex-presidente do grupo que leva o seu sobrenome.
OPERAÇÃO OMERTÀ – Ex-ministro da Fazenda de Lula e chefe da Casa Civil de Dilma, Palocci foi preso em setembro do ano passado numa fase da Lava Jato chamada Omertà, que quer dizer “lei do silêncio” no linguajar dos mafiosos italianos e era, ao mesmo tempo, uma referência ao apelido que o ex-ministro tinha nos registros da Odebrecht.
A delação de Palocci é vista com potencial explosivo para atingir o sistema financeiro porque ele era o principal interlocutor do PT junto aos bancos. Alguns dos maiores empresários do país, como Joesley Batista, da JBS, e Abílio Diniz.
Uma auditoria interna do Pão de Açúcar apontou que uma empresa de Palocci recebeu R$ 5,5 milhões do grupo entre 2009 e 2010 sem comprovação de que os serviços de consultoria que justificavam o pagamento fossem comprovados. Procuradores suspeitam que o pagamento possa ter alguma relação com a campanha de Dilma Rousseff (PT), de 2010, na qual foi eleita presidente pela primeira vez.
O OUTRO LADO – Procurado pela reportagem, o grupo JBS informou que não iria se manifestar.
Abílio Diniz afirma em nota que a auditoria que apontou a inexistência prestados por Palocci foi realizada pelo grupo Casino e no período analisado (2009-10) ele não exercia função executiva na empresa. Ocupava o conselho de administração junto com o francês Jean Charles Naouri. Segundo a nota, a relação do Pão de Açúcar “sempre foi com o escritório de Márcio Thomaz Bastos, nunca com Antonio Palocci”.
Diniz diz que “o contrato da Projeto Consultoria, de Antonio Palocci, com o escritório de Márcio Thomaz Bastos, inclusive, já foi objeto de investigação, tendo sido encerrado por não apresentar indícios de irregularidades”.

13 de maio de 2017
Mario Cesar Carvalho
Folha

CALOTE DOS PRECATÓRIOS É UM DOS MAIORES CRIMES CONTRA A CIDADANIA


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Quando escrevi o artigo sobre o “Sistema” ser o grande inimigo do povo – um texto bem acolhido pelos meus colegas – não me lembrei de um crime cometido pelos governadores dos Estados, a respeito do qual o Planalto surpreendentemente está isento, que diz respeito ao calote dos precatórios. É um dos mais contundentes e indiscutíveis atestados de que este “Sistema” opera mesmo contra o povo. Governos estaduais e municipais praticam este crime imperdoável contra aqueles que, tendo obtido ganho de causa na Justiça sobre questões pendentes de pagamento de seus órgãos pagadores estaduais, passam a fazer parte de um exército de enganados, ludibriados, desprezados pelo “Sistema” de forma ampla e absoluta porque o réu (o poder público), mesmo condenado, alega não ter recursos para saldar a dívida, simplesmente desprezando a ordem da Justiça para saldar o débito!
Em qualquer outra circunstância, o réu teria o seu patrimônio penhorado até honrar o pagamento, mais isso não acontece em relação aos Estados e municípios.
SOB IMPEACHMENT – Os governadores só cumprem a lei que os torna passíveis de impeachment se atrasarem os valores que devem creditar ao Judiciário e ao Legislativo, basta que atrasem suas obrigações um dia, mais nada, apenas 24 horas. Quanto ao povo, a ralé, a plebe ignara, esta que espere e morra na fila aguardando receber o que tem de direito.
Portanto, quando classifico o “Sistema” de ladrão e assassino, e incluo os Três Poderes, os precatórios seriam o modelo mais clássico e legítimo que encontro para comprovar a intenção deste “Sistema” com relação à cidadania, obrigando-me a concluir que até mesmo a Constituição não passa de um roteiro teatral, de uma pantomima, pois é rasgada e cuspida pelos Três Poderes quanto hipoteticamente – e somente desta forma – contempla alguns artigos e itens relativos às garantias e direitos do cidadão.
DIREITO NEGADO – Os Precatórios, créditos legítimos negados pelos governadores e prefeitos, contabilizam milhares de pessoas mortas que jamais verão o dinheiro que a própria Justiça admitiu como incontestável o pleito. Porém, os magistrados não responsabilizam o governante ladrão, mau administrador, incompetente, a não ser que tenha a ousadia de atrasar as verbas que os outros dois Poderes devem receber, sob pena de a punição ser a destituição do cargo. Configura-se, evidentemente, uma intolerável omissão criminosa do Judiciário em relação ao créditos que são devidos ao povo, a subespécie de seres humanos, os indivíduos de segunda classe.
Até dois, três anos passados, o servidor público trocava a ilusão de receber o seu crédito – sabe-se lá quando – pela chamada RPV (Restituição de Pequeno Valor), porque os governos estaduais pagavam imediatamente quantias limitadas em 40 salários mínimos. Mas no Rio Grande do Sul isso já mudou.
PREJUÍZO ACEITÁVEL – Ora, se eu tenho um precatório sem data prevista para ser pago, no valor de R$ 100 mil, por exemplo, muitos cidadãos aceitavam perder a maior parte dessa quantia, mas receber a RPV ainda em vida, que seria R$ 37.480,00 (salário de hoje).
Entretanto, o sórdido governo gaúcho de José Ivo Sartori, o covarde do PMDB, em 16 de novembro de 2015 alterou esta norma, decretando que o governo só pagaria RPV até dez salários mínimos. Em outras palavras: quem, em sã consciência, substituiria um crédito de R$ 100 mil, pelo recebimento de apenas R$ 9.370,00?!
É assim que o poder público trata o contribuinte, que é severamente punido se atrasar qualquer imposto, seja federal, estadual ou municipal.
SEM DIREITOS – Injustiças e tratamentos diferenciados quanto aos direitos da cidadania, se confrontados quanto às garantias dos Poderes “constituídos”, estabelecem de forma inexorável as desigualdades que caracterizam a sociedade brasileira, em que o trabalhador é explorado e massacrado pelos governantes, parlamentares e juízes, que somente são autoritários contra o cidadão que praticou qualquer ilicitude, porém continuam benevolentes em relação aos crimes que as autoridades praticam contra a cidadania.
Eis o “Sistema”, cruel, desumano, autoritário e totalitário, que no Brasil comanda e determina quem vive e quem morre, desgraçadamente!
E ainda querem discutir comigo e tentar me convencer de que o Brasil é “democrático”?!…

13 de maio de 2017
Francisco Bendl

EIKE TEM TRÊS DIAS PARA PAGAR R$ 52 MILHÕES OU VOLTA PARA A CADEIA


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Eike está perto de voltar para a cadeia de Bangu 9
Após suspender o prazo de cinco dias para que o empresário Eike Batista pagasse a fiança de R$ 52 milhões para não voltar à Bangu, o juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, decidiu, nesta sexta-feira, que o empresário pague o valor estipulado em três dias úteis, a partir do momento em que for notificado da decisão.
O prazo inicial, que venceria nesta terça-feira, foi suspenso após Bretas enviar um ofício à juíza Rosalia Monteiro Figueira, da 3ª Vara Federal Criminal, solicitando informações sobre ativos do empresário bloqueados por aquele juízo. A juíza diz no ofício enviado para Bretas que os valores bloqueados junto ao Bacenjud, sistema eletrônico de comunicação entre o Poder Judiciário e as instituições financeiras, “são insuficientes para a garantia deste Juízo”.
SEM DEFINIÇÃO – O advogado de Eike, Fernando Martins, afirmou que a defesa está avaliando quais medidas serão tomadas: “Vamos verificar essa questão para avaliar o que será feito” — explicou.
A defesa do empresário havia alegado que Eike teve R$ 240,8 milhões bloqueados no processo a que ele responde por manipulação do mercado financeira. A decisão judicial, porém, limitaria os bloqueios a R$ 162,6 milhões. À Bretas, o advogado de Eike pede que a fiança seja paga com o dinheiro bloqueado de forma excedente.
Para esclarecer a questão, Bretas pediu que a 3ª Vara Criminal se manifestasse sobre se de fato tem de devolver o que foi bloqueado a mais a Eike.
PRISÃO DOMICILIAR – Eike Batista deixou a Penitenciária Bandeira Stampa (Bangu 9), no Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste do Rio, no dia 30 de abril, após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes determinar sua libertação.
A decisão estabelece medidas cautelares. Eike continua afastado da administração de suas empresas e também não poderá ter contato com qualquer pessoa investigada na Lava-Jato. O juiz determinou ainda que Eike terá que concordar com o levantamento permanentemente do seu sigilo telefônico. O ex-empresário terá também que entregar o passaporte e só poderá receber visitas de parentes e advogados.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Eike tem dinheiro malocado, tem condições de pagar os R$ 52 milhões tranquilamente, mas não pode fazê-lo, porque está cheio de dívidas e os credores pedirão que a fiança seja impugnada e os recursos bloqueados. Apenas isso. Ele criou uma armadilha para si mesmo. Como diz Jorge Benjor, “se malandro soubesse como é bom ser honesto, seria honesto só por malandragem, caramba!”. (C.N.)

13 de maio de 2017
Rayanderson Guerra e Daniel Gullino
O Globo

SANTANA E MÔNICA COMPROMETERAM LULA E DILMA QUE SERÃO CONDENADOS



Mônica Moura fez um depoimento arrasador
Sem dúvida, o dia de ontem, sexta-feira, foi muito ruim para o ex-presidente Lula e a ex-presidente Dilma Rousseff: os depoimentos de João Santana e Mônica Moura, liberados pelo ministro Edson Fachin, expuseram muito mal os comportamentos dos ex-presidentes Lula da Silva e Dilma Rousseff. Sabiam de tudo, em matéria de caixa 2 e de corrupção consentida. Tinham pleno conhecimento. Ficaram expostos agora ao julgamento da opinião pública e também da Justiça. Não podem, assim, alegar inocência, uma vez que participavam das tramas arquitetadas nos bastidores onde se decidia a distribuição e aplicação dos recursos faturados ilegalmente. São muitos milhões, talvez até bilhões de reais injetados em suas campanhas políticas e fornecidos por empreiteiras, que por sua vez superfaturavam os contratos para realização de obras públicas.
O esquema tinha por base a liberação de recursos públicos para Odebrecht, OAS e Andrade Gutierrez, entre outras empresas que forneciam o dinheiro destinado à injeção nos quadros políticos. Esta é uma face do esquema. A outra face, essencial no processo, materializava-se no que as empreiteiras cobravam da Petrobrás e de outras fontes do poder público.
EXEMPLO DE PASADENA – Complicou-se a situação do ex-presidente e também da ex-presidente da República. Afinal de contas as contas da Petrobrás eram acrescidas de fatores capazes de duplicá-las pelo menos. Não espanta assim que a refinaria de Pasadena tenha custado à Petrobrás o triplo de seu valor.  O governo pagou 900 milhões de dólares por uma unidade que agora está colocando a venda aproximadamente por 1/3 do valor desembolsado. Um escândalo sob todos os aspectos agora exposto ao conhecimento geral pela própria Petrobrás.
A partir desta sexta-feira torna-se mais que possível, provável, a condenação pelo menos de Lula tal seu grau de comprometimento na sombras do esquema batizado de Petrolão. A partir de ontem, nem Lula tampouco Dilma Rousseff podem alegar que desconheciam a teia implantada entre o governo e o esquema de empresas privadas através do qual realizava-se uma onda de corrupção até então inédita no Brasil.
SABIAM DE TUDO – Tornou-se difícil, como destaquei há pouco, a absolvição dos ex-presidentes, pois agora não podem mais alegar desconhecimento completo do que acontecia às margens do Palácio do Planalto. O comprometimento espúrio prolongou-se durante os 8 anos de Lula e os 6 anos de Dilma Rousseff. Soma-se assim um total de 14 exercícios anuais, através dos quais o poder central era ao mesmo tempo autor e executor de normas financeiras contrárias profundamente às leis do país.
Vê-se agora que não só João Santana e Mônica Moura são as testemunhas da verdade, como também Renato Duque não está mentindo quando veio a público sustentar que Luis Inácio da Silva tinha lhe determinado ocultar de qualquer maneira a existência de conta na Suíça abastecida por estranhas e indevidas transações.
O que Lula e Dilma Rousseff pretendiam? Eles próprios não sabem ao certo, a não ser que as cascatas de dólares energizavam as fortunas e bens pessoais dos agentes do poder. O depoimento de João Santana e Mônica Moura tornou-se sem dúvida uma explosão que culminou com uma condenação a eles próprios.
SÃO CULPADOS – Não podem mais alegar desconhecimento nem tampouco colocarem-se no papel de vítimas de uma engrenagem ao mesmo tempo sinuosa e tenebrosa. Eles sabiam de tudo e agora foi rasgada a cortina que os ocultava como personagens principais de um esquema do qual tentavam se apresentar como vítimas.
Os dois não são vítimas. Seus vultos projetam-se como atores principais do mar de corrupção que tragou a administração pública e foi tão intenso que cobriu de espanto e vergonha o próprio país. Parece difícil – e é – achar-se a possibilidade de um ex-presidente da República vir a ser condenado. Era difícil, mas agora, examinando-se o conjunto de fatos e fatores, conclui-se que não é tão difícil assim.
João Santana e Mônica Moura comprometeram profundamente os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff.

13 de maio de 2017
Pedro do Coutto

RECORDAR É VIVER: GILMA MENDES JÁ SUGERIU IMPEACHMENT DE MARCO AURÉLIO MELLO



Marco Aurélio e Gilmar Mendes, no duelo de titãs
É uma reedição jurídica do western “Sem lei e sem alma” (Gunfight at the O.K. Corral), de John Sturges, agora reencenado no Supremo Tribunal Federal entre Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello, sem que se saiba quem faz o papel do xerife Wyatt Earp ou do jogador Doc Holliday. A comparação é válida, porque atualmente o Supremo decaiu tanto que em breve será necessário instalar um curral em suas dependências, para abrigar as bestidades.
FOGO CERRADO – Como se sabe, Gilmar está sob fogo cerrado da Procuradoria-Geral da República, que pediu o impeachment dele por não ter se declarado “impedido” para julgar e libertar o empresário Eike Batista, que é defendido pelo escritório de advocacia no qual trabalha Guiomar Lima, mulher do ministro. Trata-se de fato público e notório que nem pode ser contestado, embora o titular Sérgio Bermudes tenha alegado que só assinou a defesa de Eike para prestigiar os colegas criminalistas Ary Bergher e Raphael Mattos, vejam que bela candidatura à Piada do Ano.
Ao redigir a nota destinada a defender o amigo Gilmar, o processualista Bermudes nem reparou que estava se tornando réu confesso, ao admitir ter descumprido a Lei 8906 (Estatuto da Advocacia), em seu artigo 34, inciso V: : “Constitui infração disciplinar: (…) assinar qualquer escrito destinado a processo judicial ou para fim extrajudicial que não tenha feito, ou em que não tenha  colaborado“. Mas amigo é para essas coisas, costuma-se dizer.
VELHOS RIVAIS – O enfrentamento de Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello faz lembrar também outro clássico de Sturges, “Duelo de Titãs” (Last Train from Gun Hill), porque os ministros são velhos adversários e há tempos trocam ofensas no Supremo, onde se comportam como “inimigos cordiais”, se é que isso existe.
O mais recente disparo de Marco Aurélio foi indireto, mas ricocheteou e atingiu frontalmente Gilmar Mendes. No meio do tiroteio causado pelo pedido de impeachment feito pelo procurador Rodrigo Janot, o ministro Marco Aurélio enviou ofício à presidente do Supremo, Carmén Lúcia, para se declarar impedido de participar de votações que envolvam clientes de seus parentes.
Foi uma atitude premeditada, que representou uma provocação direta a Gilmar Mendes, que jamais se considera suspeito e atua no julgamento de pessoas intimamente ligadas a ele, como Michel Temer e Aécio Neves, procedendo da mesma forma como se comportam Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli, que julgam abertamente amigos como José Dirceu e Paulo Bernardo, sem se considerarem impedidos, em afronta ao Código de Processo Civil e a outras leis e normas.
ERAM INIMIGOS – Gilmar Mendes e Sérgio Bermudes hoje são grande amigos, mas nem sempre foi assim. Em dezembro de 2000, quando Gilmar era advogado-geral da União, ridicularizou Bermudes no programa “‘Opinião Brasil”, da TV Cultura, e recebeu uma carta devastadora. Entre outras coisas, Bermudes anunciou que ia processar Gilmar civil e criminalmente, além de representar contra ele na OAB e demolir sua candidatura ao Supremo:
“Gilmar, você agrediu-me brutalmente; agrediu, virulentamente, os processualistas; agrediu os advogados brasileiros e conspurcou a dignidade do cargo que imerecidamente ocupa.
Insistindo em mostrar as patas, você, muito obviamente, questionou a minha seriedade profissional.
Minha esperança é que você deixe o cargo que ocupa e que não merece por causa do seu desequilíbrio, do seu destempero, da sua leviandade, e que abdique da sua propalada pretensão de alcançar o Supremo Tribunal Federal, onde se requer, mais que um curso no exterior, reflexão e serenidade, em vez do açodamento e da empáfia que você exibe”, metralhou Bermudes.
GALHO DENTRO – Gilmar Mendes amedrontou-se e não respondeu a Bermudes. Pelo contrário, botou o galho dentro, como se dizia antigamente, pediu desculpas e os dois ficaram amigos, vejam a que ponto chega a arte do cinismo. E hoje os dois se autoajudam, é um relacionamento realmente admirável, mas fica feio para um ministro do Supremo, que está usando a mesma toga de Adaucto Lúcio Cardoso e tantos outros luminares. Em dezembro, Gilmar fez lobby para Bermudes emplacar no Conselho Nacional de Justiça o jovem advogado Henrique Ávila, de apenas 33 anos, que trabalha em seu escritório. E agora Gilmar vem a público denunciar que há “ministros covardes” no Supremo, sem se olhar no espelho, é claro.
Bem, voltando à crise atual, o fato concreto é que os dois veteranos ministros se odeiam.  Em dezembro último, quando uma liminar de Marco Aurélio afastou Renan Calheiros da presidência do Senado, Gilmar Mendes imediatamente sugeriu o impeachment do ministro-relator, usando o jornalista amigo Jorge Bastos Moreno, de O Globo. Sem citar Marco Aurélio, disse que o caso era de “reconhecimento de inimputabilidade ou de impeachment”. E arrematou, ridicularizando o fato de o desafeto ser alagoano: “No Nordeste se diz que não se corre atrás de doido porque não se sabe para onde ele vai”.
BATENDO PESADO – Agora, Gilmar acaba de levar o troco, com a decisão de Marco Aurélio se julgar impedido em processos do escritório de advocacia no qual uma sobrinha atua.  Gilmar ficou furioso e respondeu usando mais uma vez o blog do amigo Jorge Bastos Moreno: “Os antropólogos, quando forem estudar algumas personalidades da vida pública, terão uma grande surpresa: descobrirão que elas nunca foram grande coisa do ponto de vista ético, moral e intelectual e que essas pessoas ao envelhecerem passaram de velhos a velhacos. Ou seja, envelheceram e envileceram“, disse, sem citar Marco Aurélio nem os autores das máximas usadas (Ulysses Guimarães, com “velhos e velhacos“, ao responder ao então presidente Fernando Collor; e Rubem Braga, com “envelhecido e envilecido“, no poema “Auto-Retrato”).
Agora, Marco Aurélio vai revidar. O suspense é de matar o Hitchcock, como diria o genial compositor e publicitário Miguel Gustavo, meu vizinho aqui no Edifício Zacatecas. Aguardem os próximos capítulos.

13 de maio de 2017
Carlos Newton

O FOGO AMIGO DO MARQUETEIRO É DEVASTADOR


O marqueteiro João Santana e a esposa Mônica Moura chegam ao TRE da Bahia, nesta segunda-feira (24) em Salvador, para depor em julgamento da chapa Dilma-Temer.
Santana, chegando ao TRE para destruir Lula e Dilma
João Santana é um personagem central na história do PT no poder. Quando a crise do mensalão ameaçou varrer o partido do mapa, Lula recorreu a ele para reconstruir sua imagem. O marqueteiro bolou um slogan sob medida para calar os críticos. Com o mote “Deixa o homem trabalhar”, o petista superou o desgaste e se reelegeu.
No segundo mandato, Santana recebeu uma missão impossível. Precisava transformar uma ministra de nome difícil, com fama de turrona, em herdeira da popularidade do chefe. Sem ter disputado uma eleição na vida, Dilma Rousseff chegou lá.
O mago das campanhas ganhou prestígio e virou eminência parda do governo. Passou a opinar sobre tudo e foi apelidado de “40º ministro”. Quando Dilma recebeu a notícia de que podia comemorar a reeleição, voltou a pedir o seu socorro: “Vou com roupa de que cor?”
ALVO COLATERAL – Santana caiu em desgraça junto com o petismo. Virou alvo colateral da Lava Jato, que rastreou pagamentos secretos à sua empresa. Em fevereiro de 2016, ele foi preso com a mulher, Mônica Moura. Depois de uma temporada na cadeia, o casal de marqueteiros assinou acordo de delação. Nesta quinta-feira (dia 11), o Supremo liberou os depoimentos.
Santana disse que Lula dava a “palavra final” no esquema de caixa dois. Mônica contou que Dilma usou um e-mail secreto para vazar investigações. As delações não são atestado de culpa, mas agravam muito a situação dos ex-presidentes e também de Palocci, que fará delação.
AÉCIO, MARINA E TEMER – Em 2014, Aécio Neves e Marina Silva atribuíram suas derrotas ao bombardeio do publicitário. O que eles sofreram não se compara ao dano que o fogo amigo de Santana promete causar a Lula e Dilma. O mago que recuperou a imagem do petismo agora ajuda a desconstruí-la.
Quanto a Michel Temer, ele festeja um ano no cargo com uma proeza: aprovado por 9%, é mais impopular que a antecessora às vésperas do impeachment.

13 de maio de 2017
Bernardo Mello Franco
Folha

MÔNICA MOURA CONFIRMA A BRIGA LULA x DILMA EM 2014


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“Eles negavam, mas é verdade”, disse Mônica Moura
Em depoimento a procuradores, a empresária Mônica Moura afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva queria ser o candidato à Presidência em 2014 e que isso causou um estremecimento na relação entre ele e a então presidente Dilma Rousseff, que decidiu concorrer à reeleição. A delatora disse também que “Dilma escanteou o PT totalmente” naquela campanha.
“Em 2014, houve um certo estremecimento entre Lula e Dilma, acho que isso é do conhecimento de todos. Os jornais veiculavam, mas eles negavam, mas é verdade. Porque o Lula queria ser candidato, e a Dilma não aceitou. Era a reeleição dela. Ela se sentia forte”, disse Mônica Moura, mulher do marqueteiro João Santana, na delação premiada homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
QUERIA VOLTAR – “Essa era a conversa dela com João. Eu nunca tive esse tipo de conversa com a Dilma. Depois João vinha me contar, que Lula queria ser candidato de 2014. Voltar. 2010 ele sai, e bota a apadrinhada dele lá, e em 2014 ele volta para ser candidato”, disse Mônica Moura.
O “estremecimento”, segundo Mônica Moura, refletiu-se em um baixo engajamento de Lula na própria campanha de Dilma, tanto na exposição quanto na organização. “Ele [Lula] ia lá na produtora da gente, de vez em quando ele gravava apoio para ela, não queria colocar em risco também”, disse a publicitária, fazendo alusão às chances de o PT alcançar nas urnas mais um mandato.
A campanha de 2014 foi bem diferente da de 2010, quando Lula trabalhava para eleger a sucessora e, segundo a delatora, teria aprovado os custos da campanha, da ordem de R$ 54 milhões, estabelecidos após negociação entre o então ministro Antonio Palocci e o casal de marqueteiros. “Esses R$ 54 milhões foram aprovados por Lula. Palocci só fechou comigo depois de aprovado por ele”.
LULA E OS ATRASOS – A delatora diz que ouvia constantemente de Palocci a informação de que Lula estava ciente, mas ela mesma nunca teria tratado diretamente sobre dinheiro com o presidente. Lula era procurado quando havia atrasos nos pagamentos, segundo ela, por João Santana. Os atrasos eram constantes, segundo ela.
Em 2010, o casal teve dificuldades para receber pagamentos que estavam sob a responsabilidade de João Vaccari, tesoureiro da campanha. Mônica Moura conta que Dilma “escanteou ele (Vaccari) completamente”. Em vez de Palocci e Vaccari, as conversas eram com Guido Mantega e Edinho Silva.
“Edinho, a parte oficial”, disse a publicitária. E Guido fazia a comunicação com a Odebrecht – ele era o pós-Itália na lista do departamento da propina do grupo baiano, em alusão ao fato de ser o sucessor de Palocci, o italiano.
MANTEGA E PALOCCI – “Guido também delegou para falar com a Odebrecht. Como Palocci fazia também (em 2010), ele dizia: ‘conversei lá, já tá acertado, eles já sabem quanto vão ter de pagar. Vá lá e acerte o modus operandi como você quer’”, disse Moura.
“Eu estava até mais tranquila porque não ia ter pagamento do PT, porque eu sabia que isso seria mais uma vez dor de cabeça. Como a Dilma escanteou o PT totalmente, eu nem fui lá, nem conversava com o Vaccari. Mas com a Dilma tive vários. Eu mesma falava da dívida”, disse Moura.
Mônica Moura afirmou também que a petista “era um poste, realmente, para eleger”. “Uma campanha como a da Dilma, em 2010, dificílima de fazer, todo mundo apostava que ia perder, era impossível, era um poste realmente para eleger. E o João não aceitava que ficassem 10, 12 pessoas do PT dando opinião sobre o programa”, afirmou Mônica Moura.
MISSÃO DIFICÍLIMA – “O João colocava no início como cláusula que não aceitava que ficasse conglomerado de gente”, afirmou. Diante da missão “dificílima”, a delatora disse que o casal resolveu restringir a Lula e a Palocci os palpites na campanha.
“Quem dava opinião era o Palocci, era o Lula. O Rui Falcão era muito difícil chegar perto nesta época. Ele quase não era aceito no pequeno grupo”, disse.
Ela explicou que não interferia em outras áreas. “A nossa parte era marketing. A gente não fazia comício. Essa parte a gente nem sabia como é que fazia. Nossa parte era comunicação, marketing, era televisão, rádio, música, jingle, camiseta, essas coisas”, disse.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Três anos depois, estão confirmadas as notícias publicadas aqui na Tribuna da Internet, com absoluta exclusividade, sobre a briga entre Lula e Dilma em 2014, quando a criatura conseguiu impedir a candidatura de seu criador. Mônica Moura disse que “os jornais veiculavam, mas eles negavam, mas é verdade”. No entanto, não foi bem assim. O fato concreto é que a Tribuna da Internet cobriu solitariamente este assunto, os jornais praticamente não tocaram na briga, que foi seriíssima, saiu uma ou outra nota, a grande mídia não deu importância, achava-se que a candidatura de Dilma à reeleição era normal… Sem falsa modéstia, é por publicar esse tipo de matéria exclusiva que o Blog se tornou cada vez mais importante na política nacional. A publicitária Mônica Moura tocou agora no assunto apenas por alto, mas  aqui na Tribuna da Internet, com total exclusividade, revelamos até a bala de prata de Dilma disparou contra Lula, para conseguir que ele desistisse da candidatura. Vocês lembram? Não? Então vamos todos relembrar, porque vamos reproduzir aqui um dos artigos publicados à época. Vale a pena ler de novo, porque recordar é viver (C.N.) 

13 de maio de 2017
Deu na IstoÉ
(Agência Estado)