"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

CARROS DE COLLOR ESTÃO EM NOME DE EMPRESA E DE POSTO

FERRARI E LAMBORGHINI DEVEM MAIS DE R$ 330 MIL EM IPVA AO FISCO
EMPRESA ÁGUA BRANCA, DE COLLOR E ESPOSA, EM SÃO PAULO, É DECLARADA COMO ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA, MAS NÃO HÁ PLACA DO GRUPO NO LOCAL (FOTO: PEDRO LADEIRA/FOLHAPRES)


Dois dos três carros de luxo apreendidos pela Polícia Federal na Casa da Dinda estão em nome de uma empresa do senador Fernando Collor (PTB-AL). A Ferrari 458 Itália e o Lamborghini Aventador LP-700-4 Roadster, avaliados em R$ 4,3 milhões, foram financiados no Bradesco pela Água Branca Participações, segundo registros do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran).

A empresa, com capital social de R$ 1,3 milhão, tem sede numa casa do Jardim Europa, área valorizada de São Paulo. O senador e a mulher, Caroline Serejo Medeiros, constam como sócios.

A reportagem esteve no endereço e encontrou no local um escritório de advocacia que funciona em uma casa. A informação foi dada por interfone por um suposto funcionário do local. Questionado sobre quais advogados trabalhavam no escritório, ele se recusou a responder. Não havia no local nenhuma placa com o nome do grupo. Uma das vizinhas, que se identificou apenas como Cristina, disse que sabia quem eram os advogados, mas não quis passar os nomes "por respeito a eles".

A Água Branca foi declarada por Collor ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em sua última campanha. Os carros não figuram na lista de bens enviada pelo ex-presidente à Justiça. A estratégia de colocar patrimônio de uso pessoal em nome de empresas é usada por muitos políticos para não dar transparência à sua real condição financeira.

O senador afirmou, por meio de nota, que "é controlador e sócio majoritário da empresa Água Branca, conforme sempre devidamente declarado às autoridades competentes, inclusive por meio da sua declaração de Imposto de Renda (...). Tendo em vista se tratar de empresa de participações, vários ativos de uso do Senador estão nela registrados, inclusive carros".

Os três carros apreendidos pela PF têm débitos de IPVA que somam R$ 343,4 mil, conforme os Detrans de São Paulo e Alagoas. Os débitos, diz a nota do senador, "estão em processo de quitação". O Porsche Panamera S está registrado em nome da Jatobá Comércio de Combustíveis, cujos donos, Bruno Jatobá e Gabriel Jatobá Neto, não foram localizados pela reportagem. (AE)


16 de julho de 2015
diário do poder

FILHO DO PRESIDENTE DO TCU TEM R$ 13 MILHÕES EM IMÓVEIS

TIAGO CEDRAZ É CITADO NA LAVA JATO POR TRÁFICO DE INFLUÊNCIA
A MAIOR PARTE DOS BENS FOI ADQUIRIDA POR MEIO DA CEDRAZ ADMINISTRADORA DE BENS PRÓPRIOS, CRIADA PELO ADVOGADO EM SOCIEDADE COM A MÃE (FOTO: REPRODUÇÃO/TV JUSTIÇA)


Alvo da Operação Politeia, o advogado Tiago Cedraz, de 33 anos, ergueu patrimônio milionário à frente de uma banca que atua no Tribunal de Contas da União (TCU), órgão presidido pelo pai, Aroldo Cedraz. Em paralelo à atuação da banca na corte de contas, em menos de três anos ele fechou a compra de imóveis de quase R$ 13 milhões e, até abril, figurava como dono de um jatinho Cessna, de dez assentos, conforme levantamento do Estado. A maior parte dos bens foi adquirida por meio da Cedraz Administradora de Bens Próprios, criada pelo advogado em sociedade com a mãe, Eliana Leite Oliveira, mulher do ministro.

Formado em 2006 em direito, Tiago é tido como persona influente no órgão dirigido pelo pai, embora não atue formalmente nas dezenas de processos que seu escritório mantém na corte - outros advogados do escritório é que têm procurações nos autos. Conforme autoridades do tribunal, circula por gabinetes discutindo processos e já se encarregou até de colher sugestões para a montagem da equipe de secretários de fiscalizações, nomeados pelo ministro.

A atuação na corte e o sucesso nos negócios estão agora sob suspeita, diante de denúncias do empresário Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia, delator da Lava Jato. Em depoimento, ele disse ter pago R$ 1 milhão ao advogado para que um processo da empreiteira fluísse conforme seus interesses. Conforme o Ministério Público Federal (MPF), há indícios não comprovados de que o dinheiro seria repassado ao ministro Raimundo Carreiro, relator de processos da construtora.

O delator ainda mencionou pagamentos a Tiago para obter informações do TCU. Diante das suspeitas de tráfico de influência e corrupção, o STF autorizou buscas em imóveis de Tiago em busca de mais provas para instruir a investigação. O advogado e o ministro negam as acusações.

A joia mais cara do patrimônio imobiliário do advogado é uma chácara de 10 mil metros quadrados no Lago Sul, área mais nobre da capital federal. Foi adquirida por R$ 7,2 milhões em 2013 e abrigava, até pouco tempo, mansão de 1,5 mil metros quadrados, com seis suítes, piscina, sala para seis ambientes e casa anexa exclusiva para hóspedes. A compra foi fechada com Sultan Rashed Sultan Alkaitoob, embaixador dos Emirados Árabes Unidos no Brasil, e posta em nome da Cedraz Administradora de Bens próprios.

No mercado de Brasília, a aquisição é considerada um "negócio das arábias", ante à possibilidade de que a área seja loteada para um condomínio. Conforme fonte que participou da negociação, o ministro Cedraz, na ocasião, foi pessoalmente à embaixada buscar as chaves. O imóvel, que já chegou a ser posto à venda por Tiago por R$ 12,5 milhões, não tem mais construção.

Na Asa Sul, desde 2013 Tiago fechou a compra de dois apartamentos num mesmo prédio, por quase R$ 6 milhões. Cada um tem 250 metros de área privativa. Um custou R$ 2,72 milhões à empresa aberta por Tiago e a mãe. O outro foi negociado pelo advogado a R$ 2,95 milhões, sendo R$ 662 mil pagos no ato e o resto financiado pelo Banco do Brasil em 61 prestações (cinco anos).

A Cedraz Administradora tem capital social de R$ 20 milhões. Além dos imóveis, até abril a empresa figurava nos registros da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) como dona de um Cessna, operado pela Sane Participações e Investimentos, com atuação nos setores de energia e construção. De lá para cá, os registros foram alterados e a Sane aparece agora como proprietária.

O escritório vasculhado pela PF anteontem, de padrão nababesco, fica numa casa de 1,5 mil metros quadrados, em nome de Tiago, que ele ergueu em 2012.

Na Bahia, terra dos Cedraz, outra frente de negócios do advogado era a Euroconsult Consultoria, Projetos e Participações, aberta em sociedade com o primo Luciano Araújo, tesoureiro do Solidariedade, também citado na delação de Pessoa - segundo o empresário, ele buscava os pagamentos da UTC.

Questionado, Tiago informou que a Euroconsult foi fechada em 2014. Em nota, ele explicou que os bens estão declarados e são "compatíveis com a atuação destacada do advogado, cujo escritório, com mais de 35 mil processos em todos os ramos do direito, é um dos mais procurados e respeitados de Brasília".

Tiago sustenta que a mãe tem apenas R$ 1 mil em cotas da Cedraz Administradora e que só figura como proprietária devido à imposição legal de no mínimo dois sócios para constituir uma empresa limitada. O escritório de Tiago classifica a ação da PF de "violência sem precedentes" e alega que Pessoa "mente a fim de se beneficiar". (AE)


16 de julho de 2015
diário do poder

NOTAS E OBSERVAÇÕES DE LAOVIAH RAZIEL

DUNGA, O IMBATÍVEL

Desta feita, a vítima da Seleção do Dunga foi Honduras, um selecionado que não vai disputar nem mesmo a Copa América. E o resultado foi um acachapante 1 a 0, gol não sei de quem, que entrou pelo meio das pernas do arqueiro hondurenho. A grande novidade, em matéria de termos táticos é que Neymar entrou no segundo tempo. Mas foi só para garantir o resultado. Robinho também deu as pedaladas dele. Ah, sim... Quem entrou em campo também no segundo tempo foram as vaias para o moderno e evoluído futebol brasileiro. E de Seleção da CBF deu pra bola.

NADA DE BOM

A Câmara aprovou nesta quarta-feira mandato de cinco anos para todos os cargos e rejeitou a coincidência de eleições. Pois então, se você já esperava que desse mato não sairia coelho, sua espera está sendo perfeitamente atendida. Essa pandilha não nos representa.

CENSURA, NÃO

O Supremo Tribunal Federal derrubou ontem a censura que tinha o apelido de exigência de autorização para publicação de biografias. Essa mordaça é igual à censura que o PT vem há anos tentando impor à internet e às redes sociais, sob o codinome engendrado por Lula de Marco Regulatório das Comunicações e chamado por Dilma de Governança da Internet. Nada há que justifique essas tentativas de cerceamento à liberdade de expressão em um país que já tem na sua legislação sanções e penas previstas para os crimes de injúria, calúnia e difamação.

PIZZOLATO A PERIGO

Estou preocupado com o mensaleiro fujão Henrique Pizzolato. Ele deve ser extraditado para o Brasil na semana que vem. É que ele disse do fundo do coração que preferia morrer a curtir uma prisão no sistema carcerário brasileiro. EU ainda sou daqueles que acredito nos homens. Acho que ele vai se matar.

OPOSIÇÃO ACORDOU AGORA

A parte que toca para a oposição na CPI-2 do Petrolão agora quer a quebra de sigilo do Instituto Lula. É que, como se fossem pessoas e não políticos, eles ficaram sabendo que as empresas de Lula receberam, não se sabe bem pra quê, R$ 4,53 milhões da empreiteira Camargo Corrêa. Até parece que foi só isso, mas em todo caso os oposicionistas parece que acordaram de um sono letárgico que já dura 12 anos e meio.

LÁ SE VAI O PRONATEC

Governo Dilma Vana acaba de cortar 60% das vagas do Pronatec. Quer dizer, a fábrica de oportunidades está fechando. A menina dos olhos das gabolices sociais do governo está com catarata. E o desencanto vem em cascata.

O QUE É BOM PARA O PT É BOM PARA O INSTITUTO LULA

No já distante dia 2 de julho de 2012, portanto há três anos dourados e nove dias precisamente, a empreiteira Camargo Corrêa depositou R$ 1 milhão na conta do PT e R$ 1 milhão no caixa do Instituto Lula. Um pra lá, outro pra cá, isso quer dizer que o salário de êxito da lavanderia é igual e nada menos do que 100%.

O PT até que nem tem tanto o que justificar, a não ser que tenha usado a grana para outros fins que não sejam campanhas eleitorais. Tratando-se da sigla que se trata, isso é inimaginável.

Já o vendedor ambulante de palestras e conferências, vai ter que explicar quanto ele cobra pela saliva que gasta nas suas orações pelo mundo afora, onde realiza seus melhores negócios.

A história, como cantaria Fafá de Belém, foi assim, como um resto de sol no mar / como a brisa da preamar / que o rolo se deu... A Camargo Corrêa que para boba não serve, registrou em sua contabilidade a doação de R$ 1 milhão para o Diretório Nacional do PT, no mesmo dia em que registrou o repasse de idêntico R$ 1 milhão para o Instituto Lula.

Mas isso não foi só. E vai ver que também não foi só a Camargo Corrêa. Mas isso ainda está no terreno das conjeturas.

No que toca às investigações até aqui da Lava-Jato, verifica-se que a Camargo Corrêa, além dessa bufunfa no dia 2 de julho de 2012, ainda pagou mais R$ 3 milhões para o Instituto Lula e R$ 1,5 milhão para a LILS Palestras Eventos e Publicidade, tanto uma como outra, organizações de Luiz Inácio Lula da Silva, entre os anos de 2011 e 2013.

A coisa só parou por que a Lava-Jato chegou. E cessou tudo que a antiga musa cantava: Foi assim / quando o mundo era quase seu / nós chegamos ao fim... Mas, sabe como é, quando a música é boa, não para de tocar. No caso desse instituto, a gente é que se coscuvilha e a música não toca.


PIZZOLATO VAI SER EXTRADITADO, MAS TALVEZ NÃO VENHA...

Epa! Caiu o último bastião de Henrique Pizzolato na Itália. A justiça italiana, autorizou a sua extradição para o Brasil. Sua extradição deveria ter sido feita em 6 de maio, mas estava suspensa por recurso da defesa do mensaleiro. Ele deve ser extraditado na semana que vem. Meu palpite é que ele não vem. No início de maio, antes do primeiro julgamento, ele disse que preferia "morrer a ser preso no Brasil". Ah, coitado, ele vai se matar.

16 de julho de 2015

A CONCEPÇÃO SOVIÉTICA DE TEMPO E A REGRA KEYNES-RAMSEY: O MAPA DE MOSCOU


Um estrangeiro visitando Moscou no início da década de 30 e consultando um mapa recentemente publicado estranharia o fato de que as ruas, as avenidas, as estações de metrô e os edifícios indicados no mapa não existiam na realidade. 
O mapa não representava a cidade como ela era, o mapa representava o plano mestre de Moscou, isto é, a Moscou do futuro. O visitante então recorria aos mapas antigos, de dez, vinte anos atrás. Para sua surpresa esses mapas também eram inúteis, pois a maior parte da cidade de Moscou representada neles havia sido destruída. 
A inutilidade dos mapas de Moscou curiosamente mapeia a realidade temporal soviética compreendida intuitivamente por Karl Mannheim em seu Ideologia e Utopia. Mannheim notou que os marxistas concebem o tempo como uma série de pontos estratégicos na rota para o futuro utópico. 
O futuro molda o presente e define o curso da história. A forma Bolchevique para alcançar  o futuro, i.e.,  o comunismo, é simples: Faz um plano para o futuro, destrói tudo o que existe no presente que não se conforma com o plano e constrói o futuro de acordo com o plano. 
Eis a explicação para o mistério da inutilidade dos mapas de Moscou, o mapa presente é o plano para o futuro. A cidade presente está em mudança, onde tudo que não está planejado está sendo destruído, e supostamente uma nova cidade planejada está em construção.
Frank Ramsey era o enfant terrible de Cambridge na década de 20 e como muitos da sua geração estava fascinado com essa concepção de tempo bolchevique em que o futuro planejado molda o presente e que aparentemente torna possível a construção de um futuro melhor. 
Para os leigos Ramsey é conhecido como o garoto que orientou a tese de doutorado do super-fruta paranóico Wittgenstein. Além de ser um lógico e filósofo muito superior ao austríaco, Ramsey era um matemático de escol e palitava os dentes quando falava de economia. 
Era o único ser vivo que dobrava a fleugma de Keynes, o mesmo Keynes que desdenhava os mestres Marshall e Pigou, que rejeitava os papers de Wicksell, que ignorava Schumpeter e Mises e que tratava Hayek como peso pena.
Num papo informal numa common room bebendo umas xícaras de chá Keynes ajudou Ramsey a conceber economicamente a concepção soviética de planejamento central, bastavam duas variáveis, consumo e investimento, e o princípio elementar de economia de que todas as escolhas geram trade-offs. 
A idéia é que há um trade-off entre consumo presente e futuro, consumir menos para investir mais hoje gera maior produção e mais consumo no futuro. 
Em equilíbrio a taxa marginal de substituição entre consumo presente e futuro deve ser igual a taxa marginal de transformação da produção. Eis a regra Keynes-Ramsey que nenhum economista soviético pode formular  porque a maioria dos economistas que sabiam somar e subtrair tinham sido fuzilados e só restaram os economistas campineiros cuja função era aplaudir a ditadura de Stalin e justificar o assassinato de 10 milhões de camponeses durante o primeiro plano quinquenal.

Apesar da sua elegância, o problema da regra Keynes-Ramsey é que ela não captura a essência do planejamento central soviético que é a destruição no presente daquilo que representa o passado. 
Em Keynes-Ramsey há apenas a construção do futuro, enquanto na realidade soviética a construção do futuro só se inicia depois do estágio da destruição do passado. 
Mesmo as mentes brilhantes de Keynes e Ramsey ignoraram esse pequeno detalhe de economia política: a essência de uma revolução é a destruição e descontinuidade com o passado. 
Se aquilo que representa o passado -  os recursos materiais e humanos,  a combinação de ambos em tradições culturais e funções de produção - desaparece, sobre o que [e com o que] o futuro será construído? 
Nada, resta apenas a miséria generalizada. A riqueza e abundância sonhadas e planejadas são inatingíveis. 
O socialismo é a parábola dos mapas de Moscou.

16 de julho de 2015
in selva brasilis

QUANDO SETEMBRO CHEGAR

Sob condições normais de temperatura e pressão, deputados e senadores costumam priorizar leis, emendas e remendos que favoreçam a perpetuação da espécie. É biológico. Agora coloque-os sob uma investigação a jato. Tome suas Ferraris, prenda seus financiadores, importune seus familiares e vasculhe suas gavetas. A resposta será uma só: exacerbar seu já aguçado e egoístico instinto de sobrevivência. O que era ruim fica pior.

Reformam a legislação eleitoral para facilitar sua reeleição. Proíbem o eleitor de ter acesso às pesquisas eleitorais que eles próprios contratarão para saber quem está na frente. Mas isso é quase um detalhe, em comparação ao resto.

O alvo final da reação é o governo. Projetos importantes para o Executivo viram, automaticamente, moeda de troca para tentar diminuir a pressão sobre os congressistas. As medidas para controlar os gastos públicos e, mais à frente, tentar retomar o crescimento da economia passam a enfrentar resistência dobrada tanto da oposição quanto de supostos aliados. Ministro da Fazenda, Joaquim Levy coleciona desaforos. Mas não só ele.

Os parlamentares intimam o ministro da Justiça a controlar o incontrolável. José Eduardo Cardozo não consegue interferir nos rumos da Lava Jato, queira ou não. A Polícia Federal e esse inquérito em especial têm mais do que autonomia, têm independência, vida própria. Goste-se ou não, é fato.

A convocação do ministro é mais um blefe do que uma quadra de reis. Esconde o jogo real dos donos do Congresso: impedir a recondução de Rodrigo Janot como procurador-geral da República. Talvez o 14 de Julho de Janot – que já investira contra Renan Calheiros (PMDB) e, na terça-feira, voltou-se contra Fernando Collor (PTB), Fernando Bezerra (PSB) e Ciro Nogueira (PP), entre outros – tenha sido sua guilhotina. Se for barrado, o procurador já tem uma boa explicação: terá sido cassado por sua caça.

Mesmo que esteja entre os mais votados pelos procuradores, Janot ainda precisa ser indicado por Dilma Rousseff e aprovado pelos senadores (14 dos quais ele investiga). Isso acontecerá em setembro, quando termina seu mandato. No calendário dos salões e balcões brasilienses, setembro é o mês em que a presidente estará lutando por sua cadeira. Será logo após a Câmara confirmar a eventual reprovação de suas contas – o que, em tese, permitiria a abertura de processo de impeachment contra Dilma.

Será sob essa lâmina que ela terá que tomar a decisão de apresentar ou não o nome de Janot para o Senado referendar. Se não o fizer, Dilma arcará sozinha com todas as acusações de tentativa de abafar as investigações da Lava Jato. Se peitar os aliados do PMDB, fragilizará ainda mais sua já precária situação no Congresso e poderá somar contra si os fatais 342 deputados – número mínimo de votos para impedir o presidente da República. E, mesmo assim, Janot ainda poderia ser indeferido pelo Senado.

Como se vê, o que está ocorrendo no Congresso é um movimento articulado de sobrevivência dos presidentes das duas Casas, de dezenas de deputados e senadores investigados e de centenas de outros que devem ser implicados na Lava Jato. Levantamento do Estadão Dados mostra que 199 deputados estaduais, 178 deputados federais, 17 governadores e 16 senadores têm financiadores de suas campanhas eleitorais presos pela Polícia Federal.

Não é pouca coisa, sob nenhum aspecto. Os empreiteiros detidos doaram R$ 64 milhões para deputados federais e senadores eleitos. Não se trata apenas de honrar o investimento, mas do que eles podem contar a Janot além do que já falaram até agora. Ou o que eles não revelarão, se o procurador-geral for outro.

Por isso, quando setembro chegar, Janot vai estar junto a Dilma. Na mesma berlinda e enfrentando os mesmos adversários. Seus destinos poderão se cruzar em uma cerimônia de posse ou no aeroporto de Brasília.


16 de julho de 2015
José Roberto de Toledo

A CRISE DENTRO DA CRISE

O Homo brasiliensis tem vivido dias de intensa salivação em torno da expectativa de vacância do poder, o que levou a uma sucessão de ajustes dentro do “ajuste” que logo degeneraram num arremedo de campanha eleitoral em circuito fechado que, neste país indigente de repertório político e propostas concretas de reforma institucional, se traduz no mesmo torneio de golpes baixos que levou à instalação desta crise.

A ofensiva de Dilma para “defender o mandato” apoia-se cada vez mais em expedientes idênticos aos utilizados na ofensiva para conquistar o mandato, que, por sua vez, se reproduzem com sinal invertido nos atos de sabotagem dos 30 e tantos “partidos”, até há pouco todos “de esquerda”, agora todos “de oposição”, inclusive o da própria presidente da República. De um lado, acena-se com cargos e isenções aos sacrifícios do “ajuste” para setores com força bastante para fazer diferença na hora de a onça beber água. Do outro, a brincadeira é aprovar medidas temerárias capazes de destruir o que resta da confiança no País para forçar Dilma e o PT a vetos que exponham a demagogia a que sempre recorreram.

Dá até para entender a tentação de devolver ao PT o veneno que ele fez os outros tragarem a vida toda. Mas quem se permite essa indulgência passa a fazer jus à mesma adjetivação com que brindava o PT quando era ele a fazer gato e sapato do futuro da Nação para extrair de cada crise o máximo de virulência – isso não é mais que usar o povo como bucha de canhão num jogo de chantagem de quem só pensa no poder, e não no interesse nacional.

A resposta de Dilma é repetir mecanicamente que a crise “é do mundo”, e não sua ou do PT, que, por sua vez, “não vê” crise nenhuma, só “um problema de comunicação” entre a Presidência e o Congresso, sanável com mais injeções de “graxa”. Por via das dúvidas, os dois cuidam, cada um segundo a figura penal incorrida, de “amaciar” o poder titulado para julgar o “núcleo político” da Lava Jato, que, lá do Olimpo, brada, para começar, que “exige” aumento de 78% deste Brasil que cambaleia à beira do abismo, numa espécie de disputa para ver quem arrebenta mais o que resta da credibilidade e da certeza jurídicas, pressupostos do desenvolvimento.

A cobertura que faz a imprensa dessas derrotas acachapantes do Brasil – aceitando os termos dos que disputam a carniça ao tratar cada golpe como “derrota do governo” ou “vitória da oposição” – incentiva políticos em busca de 15 minutos de fama a persistirem nesse comportamento deletério, enquanto aqui fora o desempego come solto, multiplicando a potência da bomba social que vai explodir logo adiante.

Vem de longe esse descarrilamento geral. “Ajuste para quê”? O PT nunca o disse nem lhe foi perguntado, quer pela oposição, quer pela imprensa. O problema não é, portanto, de “falha de comunicação”, é de ausência de objetivo estratégico. Nenhum dos lados em disputa vai além dos expedientes táticos, uns para não perder o poder, outros para tomá-lo. Ninguém tem nada a propor sobre o que fazer com o poder conquistado; tudo se esgota na conquista mesmo. A causa fundamental da crise brasileira continua intocada. Ninguém em Brasília fala nela; ninguém fora de Brasília exige que Brasília fale nela.

Já foi o tempo em que os Estados nacionais podiam fechar-se ao mundo e manter uma estabilidade relativa, ainda que entrincheirados no passado. Hoje o mundo atropela impiedosamente quem atrasa o passo. Nesta arena de “chinas”, o Brasil não voltará à porta de entrada do mercado global antes de reduzir à metade ou à terça parte o peso do Estado, da corrupção e do custo do trabalho e construir um aparato institucional que legalize a honestidade e seja leve e flexível o bastante para não travar o País a cada soluço de um mundo em constante mudança.

A obra é ciclópica e requer, apenas para ser iniciada, anos de um disciplinado exercício de sintonia do senso crítico da Nação em torno de um projeto estratégico apoiado nos fatos, cuja mera existência a maioria jurássica da nossa “intelligentsia” século 20 ainda não reconhece, e de persistente cobrança da sua execução.

De que tamanho é o Estado brasileiro hoje? Quantos são, entre nós, os que vivem de contribuições e os que são instados a enfrentar o mundo carregando esses outros nas costas? Como a riqueza nacional está distribuída entre eles? Como se comparam os salários e aposentadorias versus a carga de trabalho deles, nossos e da comunidade meritocrática planetária? Com quanto contribuiu para o “ajuste” este governo que acaba de confiscar de quem ganha até dois salários mínimos a metade do abono anual? Como bate a crise em Brasília?

Os grandes números da equação brasileira são eloquentes. A carga tributária oficial está em 35% do PIB. O déficit é de outros 6%. O Brasil que não produz e, alegando falta de verba, não investe nem em infraestrutura, nem em educação, nem em segurança, nem em saúde – e que não contribuiu com um tostão de “seu” para o “ajuste” – consome por ano, considerado apenas o “por dentro”, 41% do PIB, que equivalem a R$ 2.400.000.000.000,00 (dois trilhões e quatrocentos bilhões de reais) apenas com salários, mordomias, aposentadorias e pensões desfrutados pela casta dos sócios do poder.

Mas, apesar da clamorosa enormidade desses números, você nunca viu uma reportagem mostrando ao Brasil do desemprego, dos doentes no chão e dos 56 mil assassinados por ano como vive este “outro lado” que tanto tem sem ter feito por merecer; qual a minúcia dos números do seu mundo comparado ao nosso; se, quando e como eles pagam as suas contas; como vivem as suas famílias, comparadas às nossas.

Enquanto esse não for o tema obsessivo e diário de todos os jornais, rádios e televisões do País; enquanto não se tornar impossível mencionar qualquer número nesta terra sem referi-lo a essa realidade; enquanto ela não for conhecida de cabo a rabo por todos e cada um dos brasileiros, o Brasil não tem a menor chance de voltar para dentro do mundo.


16 de julho de 2015
Fernão Lara Mesquita

CHEGOU A VEZ DOS MAUS POLÍTICOS

Não se pode dizer que sejam surpreendentes – pois correspondem de alguma maneira ao que era de esperar –, mas são certamente impressionantes tanto os resultados como as reações à Operação Politeia, deflagrada na terça-feira pela Polícia Federal (PF) com o cumprimento de 53 mandados de busca e apreensão em Brasília e em seis Estados expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Trata-se da primeira fase das investigações da Operação Lava Jato que, por envolverem suspeitos com direito a foro privilegiado, correm sob a supervisão da Suprema Corte.

Ninguém esperava que os figurões eventualmente investigados pela Lava Jato reagissem passivamente à associação de seus nomes às investigações que poderão instruir seu julgamento pelo STF, caso se tornem réus de ações penais.

Mas reações como as do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e de seu conterrâneo Fernando Collor (PTB-AL) são uma estarrecedora demonstração da mentalidade dominante entre os poderosos da política, que por se julgarem atingidos em seu sagrado direito à impunidade contra-atacam tentando desqualificar moral e institucionalmente seus investigadores.

O senador Renan Calheiros tem ampla experiência como alvo de acusações e investigações relativas a improbidade administrativa e tráfico de influência. Chegou a renunciar a seu segundo mandato como presidente do Senado, em 2007, como resultado de negociação com seus pares para se livrar de possível cassação de seu mandato de senador pelo Conselho de Ética da Casa. Não é alvo da Politeia, mas seu nome integra a relação de políticos investigados pela Lava Jato e é possível que, mais adiante, o STF autorize a PF a bater em sua porta. Sua reação, portanto, pode ser considerada preventiva e movida pelo mesmo espírito que o tem levado a retaliar o governo Dilma, a quem responsabiliza por seu envolvimento na Lava Jato.

A nota oficial lida por Calheiros acusa a Operação Politeia de usar “métodos que beiram a intimidação” e “são uma violência contra as garantias constitucionais em detrimento do Estado Democrático de Direito”. Afirma ainda que a PF cometeu uma “invasão” nas dependências do Senado porque a missão de busca e apreensão que empreendeu seria da alçada da Polícia Legislativa – um argumento que maliciosamente procura identificar a PF como órgão “do governo”, ou seja, do Executivo, quando na verdade ela é a Polícia Judiciária da União, enquanto a Polícia Legislativa cumpre ordens dos parlamentares.

A reação de Collor foi mais contundente, certamente porque ele se sente mais vulnerável, dado seu histórico político. A apreensão de três carros de luxo em sua residência em Brasília – a “Casa da Dinda”, de triste memória – escancarou a imagem de “marajá” do antigo candidato à Presidência da República que se elegeu exatamente prometendo ir à caça dos maus brasileiros que usavam a política para enriquecer. O cidadão Fernando Collor tem todo o direito de ostentar uma coleção de carros de luxo importados que valem mais de R$ 5 milhões. Mas o homem público que representa um dos Estados mais pobres da Federação não pode reclamar, nem apresentar-se como vítima de “prejulgamento” e de “atroz constrangimento”, quando lhe é apresentada a conta de sua hipocrisia.

Já o procurador-geral Rodrigo Janot fez esclarecimentos indispensáveis a respeito da operação policial: “As medidas são necessárias para o esclarecimento dos fatos investigados no âmbito do STF, sendo que algumas se destinaram a garantir a apreensão de bens adquiridos com possível prática criminosa e outras a resguardar provas relevantes que poderiam ser destruídas”. Mais claro, impossível.

A Operação Politeia – sugestiva referência à cidade ideal onde a ética prevalece sobre a corrupção, descrita por Platão – está fadada a continuar provocando reações impressionantes, na medida em que inevitavelmente colocará em cena outros figurões. Até agora tem demonstrado que o julgamento do mensalão não foi um episódio isolado, mas o primeiro passo importante para moralizar minimamente a vida pública. O País precisa de muito mais do que isso, mas já é um bom começo.


16 de julho de 2015
Estadão

CONFIRA 21 EXEMPLOS DE ESTUPIDEZ ESQUERDISTA





As bobagens ditas pela chatíssima atriz Fernanda Torres inspiraram um artigo escrito por João Luiz Mauad no site do Instituto Millenium. De fato, a inconsistência intelectual da esquerdinha carioca é de doer. 

Ela, a esquerdinha, acha que petrificar-se na obtusidade é coerência, a ponto de, como fez a ex-mulher de Chico Buarque, Marieta Severo, fugir de uma pergunta no Programa do Faustão para não criticar o governo Dilma. 
Não é à toa que a UFRJ elegeu um esquerdista pré-1989 como reitor. Rio de Janeiro? 
Dispenso:

Um amigo me enviou um texto do meu colega Alexandre Borges em que este fazia uma crítica, bastante pertinente, à inconsistência intelectual, ou, se preferirem, à incoerência da atriz e colunista de Veja, Fernanda Torres, que, em artigo recente, defendeu a legalização do Uber, uma ideia francamente liberal e bem distante do fetiche regulatório que povoa as mentes do pessoal de esquerda, grupo ao qual aquela escrevinhadora pertenceria.

Na verdade, esse tipo de inconsistência é bastante comum nos esquerdistas, a ponto de ser possível escrever um livro a respeito. 
 Esclareço que não estou me referindo aqui à hipocrisia da sinistra, tão bem retratada por Rodrigo Constantino em seu já famoso “Esquerda Caviar”. Hipocrisia é agir de forma diferente daquilo que prega. 

Quando falo de inconsistência intelectual, refiro-me apenas ao mundo das idéias, que se chocam muitas vezes de forma irremediável quando analisadas logicamente, nos levando a concluir que a filosofia dita progressista repousa muito mais em idiossincrasias e subjetividades do que propriamente no pensamento rigoroso.

Para aqueles que ainda têm alguma dúvida, seguem abaixo 21 exemplos clássicos da inconsistência intelectual presente nas ideias da imensa maioria dos esquerdistas, ressalvando que esta relação não é, de forma nenhuma, exaustiva (contribuições à lista serão bem vindas):

Esquerdistas em geral acreditam piamente no chamado “consenso científico” a respeito do aquecimento global antropogênico e das mudanças climáticas, mas se recusam a levar em conta o mesmo “consenso” sobre a salubridade dos alimentos geneticamente modificados.

Esquerdistas em geral são a favor da liberdade de escolha da mulher em relação ao aborto, mas querem reduzir essa mesma liberdade quanto à escolha da forma de parto e, não raro, pregam que o governo interfira no mercado para limitar o número de cesáreas, que, segundo alguns especialistas, poderiam prejudicar o bebê. Tão preocupados com a saúde dos fetos e tão indiferentes à sua vida.
Esquerdistas em geral são intransigentes defensores dos direitos da mulher e da igualdade de gênero nos países ocidentais, mas costumam fazer vista grossa ao que acontece com elas nos países islâmicos, onde muitas vezes são tratadas como escravas, privadas dos direitos individuais mais elementares.

Esquerdistas em geral, acertadamente, acreditam que aumentos de preços, via impostos, incentivam a redução do consumo de cigarros, gorduras e açúcares, mas acham que aumentos no salário mínimo não terão qualquer conseqüência no consumo da mão de obra pouco qualificada. Para eles, a lei econômica da oferta e da demanda é opcional.

Esquerdistas em geral favorecem a liberação da maconha e de outras drogas, em nome da liberdade individual de escolha, mas estão engajados em verdadeiras “jihads” contra o cigarro, as guloseimas, os refrigerantes e as gorduras trans. Ou seja, a liberdade de escolha depende da substância e não do discernimento do consumidor.

Esquerdistas em geral consideram que as mulheres estão sub-representadas em diversas áreas da sociedade, como no Congresso Nacional e nos altos cargos de direção empresarial, e não raro defendem a implantação de políticas afirmativas (cotas) para “solucionar” o “problema”. Porém, não ligam a mínima que o mesmo aconteça nas prisões e nas profissões de alto risco, por exemplo, onde o número de homens é também muito maior que o de mulheres.

Esquerdistas em geral são defensores intransigentes da ecologia e da vida animal, a ponto de promoverem verdadeiros linchamentos públicos sempre que alguma empresa petrolífera é responsável por vazamentos de óleo, mas fecham os olhos ao intenso massacre de pássaros promovido, por exemplo, pelas hélices geradoras de energia eólica e pelas fazendas de energia solar, não por acaso as formas de energia de seus sonhos.

Esquerdistas em geral consideram que os menores de 18 anos – e maiores de 16 – estão aptos a votar, formar sociedades empresariais, ter vida sexual ativa e até mesmo dirigir automóveis, mas são ao mesmo tempo absolutamente imaturos e incapazes de assumir eventuais responsabilidades por seus delitos.

Esquerdistas em geral deram apoio solidário e irrestrito à decisão da maioria no plebiscito grego sobre a dívida pública daquele país, mas se recusam a aceitar o resultado do plebiscito brasileiro sobre o desarmamento. 
O importante não é a democracia, mas o resultado do pleito.
Esquerdistas (pelo menos alguns) concordam que a carga tributária brasileira é alta e acham que deveria baixar, mas não pensam duas vezes na hora de apoiar qualquer nova política pública que aumente os gastos do governo.

Esquerdistas em geral são ferozes opositores do famigerado “consumismo desenfreado” praticado nas sociedades capitalistas, entretanto são os primeiros a propor políticas de incentivo que visem ao aumento do consumo, em períodos recessivos. Nessas horas, alguns chegam a apontar a poupança como ação antipatriótica.

Esquerdistas em geral costumam vituperar contra os altos salários dos executivos (vide o Movimento Occupy Wall Street), mas se calam diante dos altíssimos salários de seus artistas e desportistas prediletos, os quais, muitas vezes, ganham tanto ou mais do que aqueles.

Esquerdistas em geral reclamam dos altos preços dos produtos e serviços cobrados pelos gananciosos empresários capitalistas, ao mesmo tempo em que defendem, sistematicamente, o protecionismo mercantil, que reduz a concorrência e, consequentemente, ajuda a manter elevados os preços.
Esquerdistas em geral reclamam da corrupção, mas nunca desistem de querer aumentar o poder e o dinheiro nas mãos dos governos. Privatização? Nem pensar!

Esquerdistas em geral defendem, com justíssima razão, os direitos dos homossexuais, embora venerem alguns de seus maiores algozes, como Che Guevara e Fidel Castro, dois símbolos da perseguição contra os gays.

Esquerdistas em geral acham que a liberdade de expressão deve ser restringida quando, por exemplo, ela agride a imagem do Profeta Maomé, mas não estão nem aí para as agressões contra símbolos cristãos ou judeus.

Esquerdistas em geral foram às ruas e levantaram bandeiras a favor do impeachment constitucional de Collor, assim como passaram anos pedindo o impeachment de FHC, mas acusam de golpistas os que hoje pedem o impeachment de Dilma.

Esquerdistas em geral discursam contra os grandes conglomerados empresariais das economias capitalistas, mas não se cansam de apoiar políticas públicas de apoio às grandes empresas, não raro fomentadoras de monopólios e oligopólios, como as praticadas, por exemplo, pelo BNDES.
Esquerdistas em geral são favoráveis à quebra de patentes farmacêuticas e, em muitos casos, até à sua completa extinção, mas costumam defender como intocáveis os direitos autorais de seus escritores e artistas preferidos.

Esquerdistas em geral, em época de eleição, costumam elevar os eleitores à condição de sábios (especialmente quando votam majoritariamente neles), mas tratam esse mesmo eleitor como alguém totalmente incapaz de tomar as decisões mais comezinhas do dia-a-dia, devendo ser tutelado até mesmo a respeito do que comer, beber, ler ou assistir.

Esquerdistas em geral almejam viver numa sociedade sem distinção de classes ou raças, mas não raro são os primeiros a dividi-la de acordo com a classe social ou a cor da pele. Quantas vezes, você, amigo liberal, já foi chamado de “coxinha”, “burguês”, “branquelo” e outras alcunhas do gênero?

16 de julho de 2015
in blog do orlando tambosi

DUAS NOTAS DE CARLOS BRICKMANN

‘Os Azares desta Vida’ e ‘A Grécia é Aqui’


Os azares desta vida

O escritor francês André Maurois dizia que “tais são os azares da vida que todo acaso se faz possível”. O presidente do Supremo, Ricardo Lewandowski, é do tipo que atravessa a rua para pisar numa casca de banana do outro lado.
Quando o Supremo aceitou a ação penal do Mensalão, ele foi jantar num restaurante e falou por celular com seu irmão. Disse que a tendência era amaciar para José Dirceu mas que todos votaram com a faca no pescoço, acuados pela imprensa. Na mesa ao lado, uma boa repórter que Lewandowski não conhecia, Vera Magalhães, da Folha de S. Paulo, anotou tudo e tudo publicou.
Desta vez, ele estava em Coimbra, e soube que o avião de Dilma, em vez de fazer escala em Lisboa, por acaso desceria no Porto. Viajou então uns 130 km e, no Porto, se encontrou por acaso com a presidente. Sigilo total. Ou quase total: o repórter Gérson Camarotti, deO Globo, soube do encontro e o divulgou. Os dois presidentes, da República e do Supremo, explicaram que a conversa tinha sido apenas sobre o aumento dos servidores do Judiciário. Então, tá.
Poderiam ter conversado em Brasília, onde um trabalha a pouco mais de cem metros do outro, e sem precisar do sigilo.
E mais ainda
O caro leitor acha que é muita falta de sorte? Pois tem mais: o terceiro participante do encontro Dilma-Lewandowski, ministro José Eduardo Cardozo, depôs na CPI da Petrobras nesta quarta-feira.
Qual foi o assunto preferido das perguntas?

A Grécia é aqui

Na discussão (já chatamente partidarizada) sobre a Grécia, pouco se diz como os gregos se enfiaram no buraco. Nada que nos espante, a nós, brasileiros.
1- Cada carro oficial dispõe de 50 motoristas contratados pelo Governo;
2- O Lago Kopais é protegido por 1.763 funcionários públicos. Pena que o lago não mais exista: secou há 85 anos. Dele só restou a equipe administrativa;
3 – O Metrô de Atenas fatura € 19 milhões por ano. E custa € 500 milhões. Um ministro propôs que fosse fechado e que os passageiros usassem táxi, por conta do governo. Seria mais barato;
4 – Como em todo o mundo, há aposentadorias especiais, precoces, para quem exerce profissões perigosas. Na Grécia, entre os beneficiados, há músicos especializados em instrumentos de sopro, cabeleireiros, apresentadores de TV.
Com esse estudo da Comissão Europeia fica mais fácil entender as coisas.

16 de julho de 2015

TRÊS NOTAS. UM ASSUNTO.


Elio Gaspari:De um psicanalista de botequim:
 ‘A frequência com que Dilma Rousseff tem se referido aos seus dias de cadeia e tortura nos anos 70 pode indicar a força de sua personalidade, mas também pode ser uma regressão a um tempo em que ela se sentia só e vulnerável.’”

Bernardo Mello Franco:Para o tucano [senador paulista Aloysio Nunes], um pedido de impeachment pode jogar o país num ambiente de instabilidade. ‘Esses processos demoram, geram tensionamento. Pode haver um desdobramento dramático’, alerta. ‘O clima de radicalização é preocupante. O Lula vai tentar mobilizar esse pessoal, e a Dilma dá a impressão de que não vai se render facilmente. Ela vai brigar, vai lutar pelo mandato.’” 

Marco Aurélio Mello:Temos que pensar na pátria em primeiro lugar. O impeachment de Dilma não faria bem ao Brasil. Ela acabou de ser eleita pelo voto popular. A presidente está isolada e isso não é bom. É preciso sensatez e união para corrigir o que é necessário.

16 de julho de 2015

ENTRE CORRUPTOS E LADRÕES,SALVAR-SE-ÃO TODOS?


As eminências pardas

Não venham com anúncios de rompimento, que na verdade são convites para conversas. É isso que está ocorrendo. É jogo de cena. É puro teatro. Está começando a acontecer o previsível. As quadrilhas estão se unindo, buscando pontos de confluência, equilibrando as chantagens de lado a lado. Avaliando as retaliações. O PMDB e o governo petista estão voltando a conversar para transformar a Operação Lava Jato numa grande pizza. Por mais que os tribunais trabalhem, o Congresso Nacional pode julgar e não condenar, comandado pela troika Temer, Cunha e Renan. Aliás, como sempre. Aliás, ao que parece, chegaram à conclusão que nenhum dos lados têm força para destruir o outro. Então a palavra mágica volta a ser aliança, loteamento do poder, novas oportunidades futuras de assalto aos cofres públicos. Sempre foi assim. A única esperança é o povo na rua. Mas não pra gritinhos e sussurros. Pra botar pra quebrar. A matéria abaixo é do Estadão.

O governo decidiu intensificar as conversas com os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), um dia depois de a Polícia Federal realizar buscas e apreensões de bens e documentos em casas de políticos da base aliada, como o senador Fernando Collor (PTB-AL), no âmbito da Operação Politeia.

No Palácio do Planalto é comum o comentário de que Cunha e Renan serão as próximas "vítimas" da Lava Jato, mas não há consenso sobre as consequências dessa ação. Embora ministros digam que, se isso ocorrer, a ala do PMDB pró-impeachment da presidente Dilma Rousseff ficará fragilizada e sem munição para o ataque, não são poucos no governo que temem as retaliações. 

"A lâmina de Eduardo Cunha aumenta conforme as circunstâncias", resumiu um auxiliar de Dilma ao Estado, sob a condição de anonimato. "Além disso, Renan já deu provas de que não está ouvindo nem o ex-presidente Lula." Apesar do discurso de que não temem investigações, tanto o presidente da Câmara como o do Senado ameaçam infernizar a vida de Dilma com CPIs e projetos que aumentam as despesas do governo, se forem denunciados pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. 

Até agora, o vice-presidente Michel Temer, articulador político do Planalto, e o ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha, são os interlocutores escalados para jogar água na fervura e vão propor uma trégua a Cunha e Renan. Os novos capítulos da crise ocuparam boa parte da conversa entre Dilma e Temer, na noite de ontem, no Palácio do Planalto. 

Em depoimento à CPI da Petrobrás, ontem, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, lançou mais uma vacina em defesa do governo. Disse que as decisões referentes à Operação Politeia partiram de Janot e do ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, por envolverem políticos com foro privilegiado. "A Polícia Federal foi apenas executora", argumentou. 

O Planalto avaliou que Cardozo mostrou segurança e "passou no teste" da Câmara. Na tentativa de pressionar o governo, a CPI convocou o titular da Justiça para falar sobre a Lava Jato e os vazamentos das investigações. Ministros avaliaram, porém, que o tiro da oposição "saiu pela culatra" porque Cardozo desmontou "intrigas", dando até mesmo detalhes de recente reunião entre ele, Dilma e o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, na cidade de Porto, em Portugal, para tratar do aumento dos servidores do Judiciário. 

"Quando vivemos uma fase em que os nervos estão à flor da pele, qualquer situação vira misteriosa. Mas eu garanto que não tratamos da Operação Lava Jato. Se fosse para tratar disso, a conversa seria com o ministro Teori", insistiu Cardozo ontem na CPI. 

Agora, além da apreensão com o clima de turbulência no Congresso, o governo está preocupado com o impacto da nova etapa da Lava Jato sobre nomes influentes do PT. Motivo: informações reservadas indicam que, nos próximos dias, os ex-ministros José Dirceu e Antonio Palocci também estarão na mira da Operação Politeia.

16 de julho de 2015
in coroneLeaks

CONTROLE DE NATALIDADE

Saiba a verdade que a mídia esconde da sociedade.

CÚPULA DO PMDB DEFENDE CANDIDATURA PRÓPRIA À PRESIDÊNCIA

QUEREMOS SER CABEÇA DE CHAPA EM 2018, AVISA TEMER

PMDB É O MAIOR ALIADO DO PT NA BASE, MAS TEM DEMONSTRADO INSATISFAÇÃO (FOTO: FOTO LUCAS SALOMÃO/G1)


Em evento para anunciar investimento nas redes sociais, dirigentes do PMDB defenderam nesta quarta-feira, 15, o lançamento de candidatura própria para as eleições de 2018. O encontro reuniu o vice-presidente da República, Michel Temer, os presidentes do Senado, Renan Calheiros (AL), e da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), o ex-presidente da República José Sarney (AP), além de deputados e senadores. Todos defenderam que o partido tenha candidato à Presidência nas próximas eleições.

"Estamos abertos a todas as alianças com todos os partidos. Apenas o que está sendo estabelecido é que o PMDB quer ser cabeça de chapa em 2018", disse Temer. "Hoje é uma postulação de todo o PMDB, de todos os setores do PMDB, e neste particular, a Fundação Ulysses Guimarães, que é o centro de estudos do PMDB, levando adiante esta tarefa vai mobilizar toda militância do partido e, posteriormente, o povo brasileiro nas eleições", afirmou o vice-presidente e articulador político do governo.

O objetivo formal do evento era apresentar a estratégia para fortalecer o PMDB nas redes sociais. "O objetivo é habilitar o PMDB para as eleições de 2016 e, sequencialmente, para 2018. A interação com as redes sociais é uma coisa fundamental nos dias atuais", disse Temer.

Renan disse que a atual aliança com o PT é "circunstancial" e disse que o governo já está avisado que o PMDB terá candidato próprio nas próximas eleições presidenciais. "O PMDB tem uma aliança com PT, uma aliança estratégica, circunstancial, porque ela deveria acontecer em torno de um programa, apenas de um programa. Mas o PMDB, desde logo, está deixando claro, absolutamente claro, que vai ter um projeto de poder que vai ter um candidato competitivo a presidente da República", afirmou o presidente do Senado.

"Hoje é dia 15, dia do PMDB. É o dia mais propício para que a gente possa dar a largada no processo político ao qual o PMDB volta definitivamente para o berço da busca do seu caminho. Seu caminho de identificação com a população, de busca de defender as suas teses, seu caminho de chegarmos a 2018 com o direito de disputar o eleitor com as nossas ideias", afirmou Eduardo Cunha.

"Nós estamos num momento político delicado. O PMDB faz parte de uma aliança, mas o PMDB sabe que, em 2018, ele quer buscar o seu caminho e não é com essa aliança", disse o presidente da Câmara.

Para Cunha, como "time que não joga não tem torcida", o PMDB precisa enfrentar as eleições. "O PMDB, se não disputar eleições, não vai ter admiradores, não vai ter quem defenda as suas ideias. Então, o PMDB tem que se posicionar no processo político para a busca daquilo que ele sempre teve, a sua identificação real com o eleitorado". (AE)


16 de julho de 2015
diário do poder

CONTRÁRIOS A GESTÃO

UNIÃO DOS ADVOGADOS PÚBLICOS DIZ ‘REJEITAR’ ADAMS
SEGUNDO PESQUISA DA PRÓPRIA UNIÃO 99% REJEITAM LUIZ INÁCIO ADAMS

RECLAMAM QUE DILMA NÃO ACOLHEU A LISTA TRÍPLICE FOTO: FLICKR UNAFE


Seguindo a Presidente Dilma Rousseff, que sofre uma queda vertiginosa de popularidade em seu governo, o Advogado-Geral da União, Luis Inácio Adams, segundo pesquisa da União dos Advogados Públicos Federais do Brasil – UNAFE, tem rejeição de quase 99% entre os membros da AGU.

Em pesquisa realizada pela UNAFE e divulgada nesta terça-feira, 14, os Advogados Públicos Federais que participaram da consulta rejeitaram, quase que por unanimidade, o atual modelo de gestão implantado pelo Advogado-Geral da União, Luis Inácio Adams na AGU.

A UNAFE, que representa as quatro carreiras jurídicas da AGU: Advogados da União, Procuradores Federais, Procuradores da Fazenda Nacional e Procuradores do Banco Central, tem alertado em protestos o caos administrativo instalado na Instituição.

A entidade mobilizou durante o primeiro semestre deste ano a entrega coletiva de cargos de chefia e recusas de viagem a trabalho dos membros da AGU. O objetivo foi chamar atenção da sociedade e do Governo para as precárias condições de trabalho. Prédios com ordem de despejo, instalações com infiltrações, ratos e baratas, sobrecarga de processos por Advogado, entre outras reclamações tem sido informadas pela UNAFE.

Na enquete realizada pela entidade foi feita a seguinte pergunta: “Você aprova a gestão do ADAMS à frente da AGU?”. 98,65% dos participantes da enquete votaram “NÃO”, desaprovando a condução administrativa do atual dirigente; 1,15% responderam “EM PARTE”; e apenas 0,20% optaram pela opção “SIM”.

Para o Diretor-Geral da UNAFE, Roberto Mota, a postura inexpressiva e ausente do Advogado-Geral da União na busca de soluções viáveis para os problemas dos Advogados Públicos Federais foi um fator determinante para que o movimento ganhasse força.

“Falta liderança, falta postura proativa de realmente buscar resolver os problemas e conferir à Advocacia-Geral da União a importância que ela tem. Nunca estivemos em uma crise tão grande. A defesa judicial e extra-judicial da União está comprometida e os Advogados Públicos Federais estão à deriva nesse caos. Sem dúvida a pesquisa da UNAFE só comprova que a rejeição de Adams não é perseguição política como tentam mostrar, mas sim uma questão de emergência para salvar a AGU e seus membros”, afirma Roberto Mota.

LISTA TRÍPLICE

Em janeiro deste ano, a UNAFE emitiu nota pública em que lamentava a decisão da Presidente Dilma de não acolher a lista tríplice conduzida democraticamente por entidades da Advocacia Pública Federal. A lista elegeu três membros qualificados da Instituição (um Procurador Federal, um Procurador da Fazenda Nacional e um Advogado da União).

Durante a divulgação da lista tríplice, que já ocorre em outros órgãos como Ministério Público Federal e Defensoria Pública da União, a UNAFE alertava sobre a insatisfação dos Advogados Públicos Federais com a condução administrativa da AGU.




16 de julho de 2015

diário do poder

ESCRITÓRIO DE FILHO DE CEDRAZ CONSEGUIU VITÓRIA MIRABOLANTE NO TCU

CONTAS DECLARADAS IRREGULARES TERMINARAM SEM MULTA OU PENALIDADE

TIAGO CEDRAZ, AOS 33 ANOS, JÁ COLECIONA FEITOS NOTÓRIOS NO EXERCÍCIO DO DIREITO.


O advogado Tiago Cedraz, filho do presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Aroldo Cedraz, tem apenas 33 anos, mas coleciona feitos notórios no exercício do Direito. Alvo de um mandado de busca e apreensão na manhã de terça-feira, Cedraz é citado como "facilitador" de negócios junto ao TCU, segundo o termo de delação premiada do empreiteiro Ricardo Pessoa, presidente da UTC. O delator disse ter pago uma mesada ao advogado para abrir caminhos no Tribunal e viabilizar a construção de Angra 3. Contudo, bem antes da Lava Jato, o escritório do jovem bacharel já colecionava vitórias de causar inveja às mais famosas bancas do país.

Uma delas, alcançada em 2010, dá mostras de sua, digamos, competência. Detalhada investigação do TCU levantou irregularidades na prestação de contas da Federação Agrícola do Estado de São Paulo (Faesp), gerida pelo empresário Fábio de Salles Meirelles. 
O relatório do Tribunal, de autoria do ministro Marcos Bemquerer, apontava má gestão, repasse de recursos públicos sem comprovação, favorecimento de familiares e omissão de dados na prestação de contas. Apenas em multas, o relatório recomendava o pagamento de 500.000 reais, além da recomposição ao erário. 
As contas da Faesp são analisadas pelo TCU porque a entidade recebe repasses do Sistema S (financiado por depósitos compulsórios de trabalhadores de diversos setores), e constantemente eram aprovadas com ressalvas.

As contas irregulares apontadas pelo relator se referiam ao repasse de verbas ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), que é gerido pelas federações estaduais, ou seja, entidades como a Faesp. 
O exercício em análise era o de 2005, mas o processo foi julgado apenas em 2010, após cinco anos de auditoria e explicações prestadas pela Federação. 
O relator julgou as justificativas insuficientes e reprovou sumariamente as contas. 
Mas um poderoso recurso protocolado pela Faesp mudou os rumos da apuração. A essa altura, entrou no processo o ministro José Múcio, também ex-ministro do governo Lula, no papel de revisor. Ao analisar o texto, Múcio pediu que o colegiado dispensasse "um pouco mais de atenção" às explicações da Faesp.

Ao final, contrariando todos os pontos levantados pelo relator, o revisor decidiu - com aval da maioria - que as falhas administrativas, as contratações indevidas e as despesas incompatíveis com os objetivos institucionais da entidade teriam origem na falta de normas para acompanhar o relacionamento entre o Senar e o sistema confederativo. O argumento da ausência de norma do qual Múcio se valeu também isentou de responsabilidade os executivos da Faesp, abrindo perigoso precedente para o gasto de dinheiro público por federações. 

Enquanto o papel do revisor é aprimorar o relatório, com a sugestão de ressalvas ao texto principal, o caso da Faesp surpreende pela diferença entre as avaliações do revisor e do relator. 
Tudo graças à hábil defesa apresentada pelos advogados, já na etapa dos recursos. À época, também era sócio de Cedraz o ex-deputado Sérgio Tourinho Dantas, primo do banqueiro Daniel Dantas e aliado histórico de Antonio Carlos Magalhães. O ministro Aroldo Cedraz, por sinal, foi indicado por ACM ao posto no TCU.

Segundo consta do próprio acórdão do TCU, o advogado da entidade era um dos sócios de Cedraz, Romildo Peixoto Júnior. Para outros processos que não os do TCU, em especial os que tramitam no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o defensor da Faesp continua sendo o próprio Cedraz. 

Já a relação da Federação com o TCU manteve-se sempre azeitada. A tal ponto que, no ano passado, Fábio de Salles Meirelles foi agraciado com honraria auferida a poucos brasileiros: o Grande-Colar do Mérito do Tribunal de Contas da União. Ao entregá-lo, o ministro Múcio enalteceu os feitos do empresário. 
"É um daqueles empreendedores que, no dia a dia, se arriscam no competitivo e essencial ramo do agronegócio para que todos nós tenhamos nossas mesas abastecidas".

Já Cedraz, que concilia as funções de advogado e assessor jurídico do partido Solidariedade - o qual ajudou a fundar - talvez tenha de dar uma pausa em suas atividades profissionais mais arrojadas. 
Enquanto a PF chafurda em seus negócios, o bacharel pode ter de explicar situações mal contadas do passado, como ter sido citado na Operação Vaucher, da PF, que apurou fraudes no Ministério do Turismo e derrubou o então ministro Pedro Novais. Polivalente, o jovem também atua na área de contratos em operações de cifras nada desprezíveis. 

Segundo reportagem do jornal O Globo publicada em 2013, o escritório de Cedraz ganharia 10 milhões de dólares se concretizasse a venda da refinaria de San Lorenzo, na Argentina, especificamente ao empresário do ramo de cassinos Cristóbal López. Trata-se de uma cláusula contratual à qual a Polícia Federal teve acesso depois de iniciar investigações sobre pagamento de propina na venda da refinaria. 

Segundo a PF, há indícios de que o empreendimento da Petrobras tenha sido vendido a López abaixo do preço de mercado. Enquanto o empresário havia se disponibilizado a pagar, inicialmente, 50 milhões dólares, o negócio foi fechado por apenas 36 milhões de dólares, em 2010. Cedraz, contudo, negou ao jornal que a cláusula em questão tivesse rendido os tais milhões ao escritório.


16 de julho de 2015
diário do poder (da revista Veja)