"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

LULA DETONA COMUNICAÇÃO DE DILMA E DO PT


Lula chegando ao ato no Rio em que a milícia do PT agrediu violentamente cidadãos que criticavam os desmandos da Petrobras. Ele acha que vai resolver a imensa crise moral e econômica que ele criou no país, à base de porrada e de "guerra de comunicação". 
 
(Estadão) Em jantar com senadores do PT, nesta quarta-feira, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a estratégia de comunicação do governo Dilma sobre o ajuste fiscal. Ao ouvir um rosário de queixas sobre as mudanças anunciadas na economia, Lula disse que o governo falha ao não explicar por que haverá alterações em benefícios previdenciários e trabalhistas e onde se quer chegar com o "sacrifício".
 
"Esse ajuste precisa ter um objetivo. Ele não está sendo feito porque achamos que é bom, mas, sim, para apontar um horizonte. Falta dizer, então, por que essas medidas estão sendo tomadas. É para aumentar o emprego? Para adotar novas políticas sociais? Nós todos temos falhado um pouco ao não explicar que não se trata de um fim em si mesmo nem de uma coisa isolada", afirmou o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), após o jantar com Lula, realizado na casa do colega Jorge Viana (AC).
 
Durante três horas e meia, os petistas fizeram várias reclamações sobre o estilo centralizador da presidente Dilma Rousseff e a articulação política do Palácio do Planalto. Dos 12 senadores da bancada, só faltaram Marta Suplicy (SP), de malas prontas para deixar o PT, e Ângela Portela (RR), que está doente.
Quando a conversa chegou ao ajuste fiscal, os senadores disseram que a equipe econômica não conseguirá aprovar as restrições a benefícios como seguro desemprego, abono salarial e pensão por morte se não recuar e amenizar a proposta. Muitos deles afirmaram, ainda, que não estão dispostos a perder apoio nas bases sociais em nome de um ajuste ortodoxo nas contas públicas, que sempre combateram.
 
Lula concordou com as críticas, mas animou a plateia ao lembrar que ele pode ser o candidato à sucessão de Dilma, em 2018. Ao traçar um cenário sobre as consequências políticas da fragilidade econômica, ele disse que é necessário combater a inflação "sem trégua", o mais rapidamente possível, para evitar que tudo desande. "O que nós queremos que esteja acontecendo no dia 31 de dezembro de 2018?", perguntou Lula, segundo relato do senador Humberto Costa. "Qual País nós queremos entregar ao sucessor de Dilma?" 
 
Petrobrás. O ex-presidente cobrou dos petistas uma reação à ofensiva dos adversários para carimbar o partido como "corrupto", na esteira do mensalão e do escândalo na Petrobrás. "Ele perguntou se a gente ia ficar quieto ouvindo esses caras falarem de corrupção, de propina. Qual a moral que eles tem? Não dá para ficar vendo esses caras bancando os vestais", afirmou o líder do PT no Senado, ao lembrar o escândalo do cartel de trens e Metrô, em São Paulo, que atingiu o PSDB. "No nosso caso é roubo e no deles é compromisso ideológico das empreiteiras?", ironizou.
A lista que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviará nos próximos dias ao Supremo Tribunal Federal (STF), contendo nomes de políticos suspeitos de desvio de dinheiro da Petrobrás, preocupa o governo e o PT. No jantar desta quarta-feira, Lula baixou uma ordem unida sobre a Operação Lava Jato, da Polícia Federal: disse que a estratégia do partido para reconstruir sua imagem não pode depender da desgraça alheia.
 
"Essa visão de que se aparecer um monte de bandido do PSDB ou de outro partido resolve o problema está equivocada. Não é bem assim, não", argumentou Costa, repetindo o raciocínio de Lula. "O PT tem de se preocupar em mostrar a sua posição, em se defender das calúnias e, se tiver irregularidades, quem as praticou deve ser punido."
 
O líder do PT chegou a ser citado pelo ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, em acordo de delação premiada, como beneficiário do esquema na Petrobrás. À época, ele negou com veemência a denúncia e disse estar "à disposição" dos órgãos de investigação, tornando disponíveis os seus sigilos bancário, fiscal e telefônico à CPI da Petrobrás, a Janot e ao ministro do Supremo Teori Zavascki. Nesta quarta-feira, Costa admitiu que há preocupação generalizada com o impacto da "lista de Janot" sobre as votações no Congresso.
 
Na tentativa de jogar água na fervura do PMDB, que reclama de não participar do núcleo político do governo, Lula tomará café da manhã, nesta quinta-feira, com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e com senadores do partido. Na Câmara, Lula quer que o PT vire a página da briga com o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que derrotou Arlindo Chinaglia (PT-SP) e já impôs um revés atrás do outro ao governo.
 
"Lula acha que a disputa acabou e que Eduardo Cunha deixou de ser adversário. Sendo assim, o partido tem de se relacionar com ele", insistiu Costa. No Senado, o ex-presidente avalia que é necessário reerguer pontes destruídas com a ala do senador Luiz Henrique (PMDB-SC) -- que perdeu a eleição para Renan --, além de levar o PSB de volta para a base aliada e organizar a tropa, que nem líder do governo tem até hoje, após a transferência de Eduardo Braga (PMDB-AM) para o Ministério de Minas e Energia.
26 de fevereiro de 2015
in coroneLeaks  

CÂMARA APROVA FIM DA FUSÃO DE PARTIDOS ANTES DE CINCO ANOS


Mendonça Filho (DEM-PE), autor do projeto
 
(Folha) A Câmara aprovou nesta quarta (25) regras mais rígidas para criação e fusão de partidos. As medidas podem ter efeito nos planos políticos do ministro Gilberto Kassab (Cidades) e da ex-senadora Marina Silva, entre outros. Pelo projeto, que segue para votação no Senado, a união de siglas só será permitida cinco anos após a sua criação. Ficou estabelecido ainda que, para a criação de novos partidos, só serão aceitas assinaturas de apoiamento de eleitores que não sejam filiados a qualquer legenda, exigência que não existe hoje. Para ter seu registro oficializado, uma sigla precisa de cerca de 485 mil assinaturas. 
 
A votação representa mais uma derrota para a presidente Dilma Rousseff. Patrocinado pelo PMDB, o projeto ganhou o aval do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que se aliou à oposição para barrar uma articulação apoiada pelo Planalto para diluir o peso do PMDB na base governista. Nos bastidores, a norma ganhou o apelido de "lei Kassab", já que o ministro, fundador do PSD, atua agora, com aval do governo, na criação do novo PL (Partido Liberal). Sua intenção é inflar a sigla, que já nasceria governista, com deputados da oposição e do PMDB insatisfeitos.
 
As regras da fidelidade partidária permitem a migração para novas legendas sem risco de cassação do mandato. Criado o PL, Kassab o fundiria ao PSD, criando talvez a maior sigla do Congresso. O movimento começou em 2014 e ganhou força na reforma ministerial, quando Dilma prestigiou Kassab. As negociações irritaram o PMDB e partidos da oposição, que acertaram a reação, até com a possibilidade de recorrer à Justiça. 
 
O texto praticamente sepulta as articulações pró-PL, já que seria pouco interessante para um deputado ficar cinco anos em um partido que não teria praticamente nenhum tempo na propaganda eleitoral, o principal trunfo das campanhas políticas. A proposta aprovada favorece especialmente partidos da oposição, que correm o risco de desidratação com o movimento pelo PL, como DEM, PSDB, PSB.
 
Na votação da Câmara, o PSD, o PR e o PROS se manifestaram contrários às mudanças. Para evitar desgaste público, o PT e a liderança do governo liberaram seus deputados. A regra também atinge Marina Silva, que trabalha pela criação da Rede. Ela obteve assinaturas tanto de pessoas filiadas como de não filiados. Em 2014, o projeto da Rede não decolou por falta de assinaturas, o que levou Marina a disputar a Presidência pelo PSB. Para não ter que reiniciar a coleta, Marina precisa apresentar o pedido de registro à Justiça Eleitoral antes da aprovação da lei no Senado e eventual sanção pela presidente.
 
Hoje o país conta com 32 partidos, 28 deles com representação na Câmara. Autor do projeto, o líder do DEM, Mendonça Filho (PE), disse que o objetivo das novas regras é frear a "indústria" de criação de partidos. Líder do PSD, Rogério Rosso (DF) reclamou: "Esse texto extrapolou os acordos feitos em plenário", disse.

PRESIDENTE DO BNDES TENTA IMPEDIR CPI PARA NÃO REVELAR TENEBROSAS TRANSAÇÕES


Governos do PT: BNDES dá empréstimo de R$ 2 bilhões para Cuba, ao dólar do dia, fazer um porto. Ninguém sabe com quais garantias.
(Folha) O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Luciano Coutinho, procurou parlamentares da base aliada do governo Dilma Rousseff nesta quarta-feira (25) para pedir que o Congresso barre a instalação de uma CPI para investigar contratos de financiamento feitos pelo banco nas gestões do PT.
A Folha apurou que Coutinho entrou em contato com pelo menos três senadores para argumentar que o pedido de criação da comissão elaborado pela oposição era meramente político e poderia prejudicar operações sigilosas do BNDES. 
 
O presidente do banco demonstrou preocupação com a divulgação de informações sobre contratos estratégicos e internacionais na CPI, o que poderia provocar prejuízos para o BNDES. Aliados de Dilma argumentam reservadamente que a comissão poderia prejudicar a imagem do banco, assim como ocorreu com a Petrobras. 
 
O pedido de investigação da oposição cita irregularidades em empréstimos concedidos pelo banco "a partir do ano de 2006", no fim do primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entre os alvos da CPI estão empréstimos que beneficiaram empreendimentos no exterior, como Cuba, Venezuela, Equador e Angola. O governo teme que a oposição use a comissão para atacar o financiamento das obras do porto cubano de Mariel. 
 
O requerimento de criação da comissão também quer investigar contratos com empresas brasileiras como a JBS e a Sete Brasil, fornecedora de navios plataformas e sondas para exploração da Petrobras no pré-sal. Segundo a Folha apurou, emissários de grandes empresas beneficiadas pelo BNDES procuraram aliados do governo em busca de apoio para barrar a CPI, temendo uma devassa dos contratos do banco com o setor privado. 
 
Até a tarde desta quarta-feira, 15 senadores haviam assinado o requerimento de instalação de uma CPI mista para investigar as operações do BNDES. Para a criação da comissão, são necessárias assinaturas de 27 senadores e de 171 deputados. Aliados do governo pretendem trabalhar para que parlamentares de partidos da base aliada não assinem o requerimento.
 
26 de fevereiro de 2015
in coroneLeaks

ME ENGANA QUE EU GOSTO


Digamos que sim, a presidente Dilma Rousseff tem razão. Se o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tivesse mandado investigar a Petrobras em 1996, 1997, poderia ter descoberto o esquema de corrupção que o gerente Pedro Barusco montara. E talvez outros gerentes também tivessem seus esquemas.

Mais ainda. Se a denúncia de Paulo Francis, de que diretores da Petrobras tinham contas secretas na Suíça, tivesse sido investigada, talvez se tivesse descoberto antes as roubalheiras na Petrobras. Não houve nenhuma denúncia na época contra Barusco, e Francis não tinha nenhuma prova sobre as contas secretas, mas, vá lá, o governo poderia ter descoberto coisas 20 anos antes do petrolão.

Por esse raciocínio, porém, também o governo petista poderia ter investigado, a partir de 2003, todos esses malfeitos anteriores que o governo tucano havia negligenciado.

Nesse caso, sabemos exatamente o que aconteceria se o governo petista, ao assumir a Presidência da República, tivesse feito uma devassa na Petrobras: não teria sido montado o esquema que hoje conhecemos por petrolão, e que, segundo os depoimentos dos empreiteiros e ex-diretores da Petrobras envolvidos, começou a funcionar no mesmo ano em que o PT chegou lá.

O problema do PT e de seus governantes é que eles falam muito e fazem pouco do que cobram dos adversários. "Fazer concessões no pré-sal é privatizar, é dar a empresas privadas um bilhete premiado", acusou a presidente Dilma diversas vezes, afirmando que a campanha atual visa entregar nossas riquezas aos estrangeiros. É o mesmo mote da CUT na convocação para um protesto a favor da Petrobras, e também a base do documento de alguns intelectuais petistas lançado por esses dias. Só que o governo Lula licitou, utilizando o sistema de concessão, vários blocos do pré-sal sem que houvesse necessidade de fazê-lo. Estava privatizando nossas riquezas? Com relação à privatização da Vale, que os petistas acusam de ter sido vendida a preço de banana, o governo petista teve uma ocasião perfeita para revertê-la em 2007, quando o deputado Ivan Valente, do PSOL, apresentou um projeto nesse sentido que foi analisado na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio da Câmara.

Já contei essa história aqui antes, mas vale a pena repeti-la. O relator do projeto foi o deputado José Guimarães, hoje líder do PT, irmão de José Genoino, aquele mesmo cujo assessor fora apanhado com dólares na cueca num aeroporto na época do mensalão.

O relator petista votou pela rejeição ao Projeto de Lei, alegando que "não há como negar que a mudança das características societárias da Companhia Vale do Rio Doce foi passo fundamental para estabelecer uma estrutura de governança afinada com as exigências do mercado internacional, que possibilitou extraordinária expansão dos negócios e o acesso a meios gerenciais e mecanismos de financiamento que em muito contribuíram para este desempenho e o alcance dessa condição concorrencial privilegiada de hoje".

Segundo o petista, "a privatização levou a Vale a efetuar investimentos numa escala nunca antes atingida pela empresa, (.) o que, naturalmente, se refletiu em elevação da competitividade da empresa no cenário internacional". José Guimarães assinalou que com a privatização a Vale fez seu lucro anual subir de cerca de US$ 500 milhões em 1996 para aproximadamente US$ 12 bilhões em 2006. E o número de empregos gerados pela companhia também aumentou desde a privatização - em 1996 eram 13 mil e em 2006 já superavam mais de 41 mil.

Também a arrecadação tributária da empresa cresceu substancialmente: em 2005, a estatal pagou R$ 2 bilhões em impostos no Brasil, cerca de US$ 800 milhões ao câmbio da época, valor superior em dólares ao próprio lucro da empresa antes da privatização. Todos esses fatos mostram que o que o PT sabe fazer mesmo é luta política, sem se importar com a veracidade do que é dito, nem com as consequências de suas palavras.


26 de fevereiro de 2015
Merval Pereira, O Globo

NOTAS POLÍTICAS DO JORNALISTA CLAUDIO HUMBERTO


PSB DEVE VIABILIZAR CRIAÇÃO DA CPMI DO PETROLÃO

Sob pressão do presidente do PSB, Carlos Siqueira, os seis senadores socialistas deverão apoiar, por unanimidade, a criação de CPMI para investigar esquema de corrupção na Petrobras. A decisão do PSB, que será oficializada em reunião nesta terça-feira (24), viabilizará a criação da comissão, cujo requerimento – articulado pelo líder do PSDB, Cássio Cunha Lima (PB) – já tem 24 assinaturas das 27 necessárias.

NUMA PAULADA SÓ
Além da CPMI da Petrobras, o líder do PSB, João Capiberibe (AP), deve levar para a bancada a discussão de apoiar a CPMI do BNDES.

CAIXA PRETA
O líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO) diz que só faltam os votos do PSB para criar CPI que investigará a caixa preta do BNDES.

JOAQUIM QUEM?
Empossado há dois meses, Joaquim Levy ainda não foi listado pela CGU, no Portal de Transparência, como ministro da Fazenda.

NINGUÉM MERECE
O efetivo da Polícia Civil do Distrito Federal é menor que há 22 anos, quando a havia 1 milhão de habitantes. Hoje, são quase 3 milhões.

TRÁFICO É QUE NÃO DEIXA EXPLODIR CAIXAS NO RIO
A explosão de caixas eletrônicos, cada vez mais comum no País, e particularmente grave em São Paulo, não é sequer um problema para a polícia do Rio de Janeiro. A Febraban, federação dos bancos, trabalha com a informação de inteligência segundo a qual os bandidos não explodem caixas no Rio porque são impedidos pelos chefes do tráfico de drogas, e não pela ação das forças de segurança pública do Estado.

HISTÓRIA
No Rio, são conhecidos acordos “históricos” entre governos e traficantes estabelecendo áreas de “atuação” desses bandidos.

PACOTE DE MEDIDAS
Em São Paulo, o pacote de medidas contra explosão de caixas inclui a inutilização de cédulas, por incineração ou tinta, e emissão de fumaça.

PROIBIÇÃO INÚTIL
A Febraban pretende que a fabricação de dinamite seja proibida. Bobagem: o Brasil também não fabrica os fuzis usados pelos bandidos.

À BEIRA DE UM ATAQUE
O PT prevê reunião difícil de sua Executiva, quinta (26), dia em que a CPI da Petrobras será instalada. Os petistas andam nervosos desde a revelação de que empreiteiros envolvidos no roubo à Petrobras pediram interferência de Lula para assegurar impunidade para eles.

MALDADE
Nos corredores do Palácio do Planalto chamam maldosamente de “PCC” o trio que representa o poder em ascensão no PMDB: (Luiz Fernando, o governador) Pezão, (Eduardo) Cunha e (Sérgio) Cabral.

ROYALTIES NA PAUTA
O PMDB do Rio tenta influenciar na escolha do substituto de Joaquim Barbosa no Supremo Tribunal Federal. É que os ministros do STF vão julgar ainda este ano a redefinição dos royalties do petróleo.

DISCUSSÃO INÚTIL
O PT quer discutir na reunião de sua executiva, dia 26, o fato de o seu tesoureiro João Vaccari ter sido levado coercitivamente para depor na PF. Tolice. A verdade é que saiu barato para Vacari: ele não foi preso, não foi algemado, nem andou na parte de trás de um camburão.

GOVERNO TRAPALHÃO
O insulto de Dilma à Indonésia complica a situação do traficante que está no corredor da morte, e também atrapalha o diplomata Rubem Barbosa, indicado para assumir a embaixada do Brasil em Jacarta.

PALPITES CAROS
Só um funcionário que produz “análise de comunicação” recebeu da estatal EBC exatos R$ 53.487,60 em dezembro de 2014. E não é o único nessa tarefa extenuante. São os palpites mais caros do mundo.

ÔNUS DA PROVA
Para o ministro Oreste Dalazen, do TST, não é violação ilegal do sigilo bancário monitorar contas de empregados de instituição financeira. O ex-presidente da OAB-RJ Wadih Damous reagiu: “A decisão expressa os tempos que vivemos: todos são criminosos até prova em contrário”.

PRÊMIO DE CONSOLAÇÃO
O PDT se reúne nesta terça (24) para acomodar deputados que ficaram de fora da CPI da Petrobras. Foram escolhidos Félix Mendonça (BA) como membro titular e Weverton Rocha (MA) como suplente.

CULPANDO O MORDOMO
Braço sindical do PT, a CUT protestará em março, “em defesa da Petrobras”, contra a oposição e, claro, a imprensa que denuncia falcatruas petistas.


26 de fevereiro de 2015
 

NOTAS DIVERSAS


Que alma corajosa se oferece para aconselhar a presidente Dilma a renovar seu vocabulário, começando por descartar lugares comuns do tipo "Não ficará pedra sobre pedra" e "Doa em quem doer"? Lugares comuns arranham os ouvidos. E com frequência se voltam contra os que gostam de usá-los. Um exemplo? "Não ficará pedra sobre pedra" da política externa brasileira depois da passagem de Dilma pelo poder.

FORCEI A BARRA? Tentarei ser mais justo: não ficará pedra sobre pedra da política externa brasileira depois da passagem de Lula e Dilma pelo poder. Este gigante econômico e cultural, chamado de "anão diplomático" em julho do ano passado pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, sempre contou com uma das diplomacias mais respeitadas e bem-sucedidas do mundo.

HÁ FARTO conhecimento adquirido com aplicação e afinco. Relativa grandeza. E coerência política secular. Tamanho patrimônio, infelizmente, repousa, hoje, quase esquecido nos subterrâneos do Itamaraty. O retrato de José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco, patrono da diplomacia brasileira, ainda enfeita paredes de gabinetes acarpetados. Mas como dói observá-lo.

NA SEMANA passada, com muitos quilos a menos, mas sem ter perdido um grama de arrogância, Dilma emergiu do carnaval disposta a ocupar por todos os meios o espaço que a mídia costuma lhe oferecer com generosidade. E assim foi. Sem pejo, remeteu ao governo Fernando Henrique Cardoso a origem da roubalheira na Petrobras, que só se tornou sistêmica a partir de 2003.

E COMO SE não bastasse tal agressão à verdade, resolveu brigar com um país situado do outro lado do mundo - a República da Indonésia, um arquipélago com mais de 17 mil ilhas. No momento, a Indonésia deveria ser o último país com quem o Brasil almejasse arranjar briga. Ali, em 17 de janeiro último, o brasileiro Marcos Archer, um traficante de drogas, foi executado a tiros.

ARCHER HAVIA sido preso há 10 anos, julgado e condenado à morte. A legislação da Indonésia contra a droga é uma mais rígidas do mundo. Dilma empenhou-se em salvar a vida de Archer. Reagiu à sua morte chamando de volta o embaixador do Brasil por lá. Era tudo o que não deveria ter feito - afinal, há outro brasileiro na Indonésia condenado à morte por tráfico de droga.

SE HAVIA uma tênue esperança de que à diplomacia fosse possível evitar um segundo fuzilamento, ela se dissipou com outra decisão desastrosa tomada por Dilma na última sexta-feira. Novos embaixadores de outros países estavam reunidos no Palácio do Planalto para apresentar suas credenciais a Dilma. Por ordem, o primeiro deles seria o embaixador da Indonésia.

UMA VEZ cumprido o rito, o embaixador desceria a rampa do palácio, entraria no seu carro e iria embora. Não foi o que aconteceu. O ministro das Relações Exteriores do Brasil chamou o embaixador para uma conversa a sós. Comunicou que Dilma não receberia mais suas credenciais. O embaixador saiu humilhado pelos fundos. A Indonésia é quem foi humilhada na figura dele. E para quê?

SACA O ESTADO Islâmico - aqueles loucos que degolam e incineram pessoas? Dilma já recomendou que se dialogasse com eles. A Venezuela deixou de ser uma democracia. Mas Dilma faz de conta que ali ainda existe uma. Os interesses superiores do país deixaram de orientar nossa política externa. Cederam a vez à ideologia pessoal do governante da ocasião. Pobre barão do Rio Branco. Pobres de nós.


26 de setembro de 2015
Ricardo Noblat, O Globo

NÃO VÊ QUEM É IDIOTA

Gostaria de tecer uma pequena colcha com os retalhos que podemos ler por aqui mesmo e que abundam no território da blogosfera:
Empreiteiros reclamam que o governo aproveita o Petrolão para não pagar ninguém, apostando na desordem institucional.
Ministros tentam melar o Petrolão na surdina. Ninguém sabe ao certo até agora quem são os políticos envolvidos na lambança, embora os capitalistões continuem presos preventivamente, obrigados a evacuar em reuniões constrangedoras, na frente uns dos outros.
Lula ainda é considerado “presidente” por boa parte da imprensa acocorada. Ainda não perdeu a majestade torpe nem a corte que o acompanha na vigarice.
O grande cretino faz um ato em defesa da roubalheira e pede que seus “exércitos” o defendam nas ruas.  João Pedro Stedile é nomeado general da banda podre dessa comarca.
O celerado evoca seu irmãozinho ditador Saddam Hussein como exemplo de governante a ser seguido para um buraco na decência. O problema é que não temos do outro lado o exército dos Estados Unidos para defender nossa democracia desse ditadorzinho de araque.
Nós, da tribo dos idiotas, achamos tudo isso muito exótico e engraçadinho. Não é. O que se desenha no horizonte é a vontade declarada de implodir nossas instituições e partir para o confronto armado, exatamente como estampado nas cartilhas gramscianas dos Foros de São Paulo e afins. Eles querem tomar o poder e torná-lo absoluto, evacuando em público e andando para os verdadeiros foros democráticos que não se mexem por aqui. Eles sabem que não terão outra chance de tornar a tal “Pátria Grande” um projeto hegemônico de poder e querem receber a polícia à bala, em suas casamatas e posições de defesa.
Enquanto as “oposições” que a nada se opõem dizem o que deve e o que não deve ser escrito nos cartazes das manifestações de 15 de março, apostando na capitulação antes mesmo do começo da briga por nossos direitos, a turba da mortadela se arma como pode. E dizem que isto aqui é uma república democrática. FHC foi feito refém de surpresa. Único político com um tênue discurso oposicionista, não sobra muita coisa na política brasileira para pisotear e enfrentar com porradaria e truculência.
Eles querem o confronto; ninguém entendeu ainda? Quem não enxerga nisso o desenho de um golpe de estado ou é imbecil ou é cretino; escolham um lado para ficar, meus caros leitores. Essa gente está flertando com o perigo. Com a desordem institucional. Apostam que tomarão o poder de assalto e não ofereceremos resistência, pois continuamos a confiar numa oposiçãozinha ridícula, acanhada, com suas cabeças de aves raras enfiadas na lama até o talo.
Cadê essa turma? Protagonizam o quê? Que projeto alternativo a isso que aí está estão nos oferecendo? Que caminhos legais estão discutindo para uma saída democrática para o confronto que se avizinha? Quem são seus porta-vozes? Fala serio. Nunca me senti tão traído. E pelas oposições. Bando de covardes. Dissimulados. Oportunistas. Vagabundos. Gente com fleugma e circunstância diante da guerrilha urbana que se aproxima.
Já disse e repito: o Estado Islâmico é aqui mesmo. Basta começar a faltar papel higiênico e já estamos quase lá. Ninguém está levando a serio o que está em andamento. Ninguém entende a cabeça de um ditadorzinho de lerda como Lula. Vão pagar para ver a refundação e a reafundação do Iraque aqui mesmo. O cara está escondido num esgoto. Tirem ele de lá (e sua boneca de mamulengo) enquanto é tempo. FUI.
26 de fevereiro de 2015
Vlady Oliver

PANO QUENTE

Acordos de leniência na Lava-Jato podem invadir a competência do Judiciário, afirma a Ajufe

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A celebração de acordos de leniência entre a Controladoria-Geral da União (CGU) e as empresas envolvidas na Operação Lava-Jato, da Polícia Federal, pode invadir a competência do Poder Judiciário e impedir a aplicação de penas por parte da Justiça Federal. O assunto foi discutido nesta quarta-feira (25) em reunião entre o presidente da Ajufe, Antônio César Bochenek, e representantes de diversas entidades da sociedade civil.

Estiveram presentes representantes da Associação Nacional dos Auditores de Controle Externo dos Tribunais de Contas (ANTC), da Associação da Auditoria de Controle Externo do Tribunal de Contas da União (AUD-TCU), da Associação Nacional do Ministério Público de Contas (AMPCOM) e da associação Contas Abertas.

O entendimento predominante entre eles é que possíveis atos de leniência com empreiteiras investigadas na Lava-Jato objetivam impedir que empresários complementem as delações premiadas, salvaguardando, assim, políticos e integrantes do Executivo comprometidos no escândalo.

“No momento em que o governo diz: calma, estamos juntos, vocês não serão consideradas inidôneas, ele dá um recado muito claro aos empresários – não partam para a delação premiada”, afirmou Gil Castelo Branco, presidente da Contas Abertas.

O vice-presidente da AMPCON, Júlio Marcelo de Oliveira, Procurador do Ministério Público de Contas junto ao TCU, lembrou que a CGU não pode celebrar acordos de leniência com os acusados na Operação Lava-Jato porque a investigação não está a cargo do órgão, que faz parte do Poder Executivo.

“Quem está investigando é o Ministério Público Federal e a Polícia Federal. O acordo de leniência é um instrumento para desenvolver a investigação – as empresas só fazem jus se estiverem colaborando. Se a CGU não está investigando, como ela pode pensar em fazer acordo de leniência?”, questionou Júlio Marcelo de Oliveira.

Já a presidente da ANTC, Lucieni Pereira da Silva, enfatizou o fato de o acordo de leniência permitir às empresas suspeitas de integrarem o cartel na Petrobras receber benefícios fiscais e creditícios. “O BNDES ficará livre para beneficiar as empresas com empréstimos e outros investimentos”, exemplificou.
Representações
Para evitar a celebração dos acordos de leniência, o Procurador do Ministério Público de Contas junto ao TCU apresentou uma representação com pedido de cautelar ao TCU solicitando ao tribunal que impeça a CGU de celebrar os acordos de leniência.
Lei Anticorrupção
Os representantes das entidades presentes à reunião também apresentaram críticas à lei anticorrupção – a qual, por não ter sido debatida com as entidades representativas da magistratura e do Ministério Público, dá margem à celebração de acordos de leniência que possam prejudicar as investigações em curso.
Posição da Ajufe
Ao final da reunião, o presidente da Ajufe, Antônio César Bochenek, afirmou que os acordos de leniência não podem comprometer um trabalho que vem sendo adequadamente executado pelos órgãos constitucionalmente competentes: Ministério Público Federal, Polícia Federal e Justiça Federal, no caso, a do Paraná.
“O juiz Sérgio Moro está fazendo um trabalho fantástico, reconhecido por toda sociedade, que tem sido confirmado não apenas pelos desembargadores do TRF, como também pelos ministros do STJ e do STF”.
Bochenek também se comprometeu a levar o tema para o debate dos associados da Ajufe, de modo que o conjunto decida qual papel a entidade deve assumir nessa questão.

26 de fevereiro de 2015
ucho.info

CORREÇÃO DE RUMOS

Ministro da Fazenda admite que economia pode ter encolhido em 2014, cenário que talvez se repita em 2015; país precisa voltar a investir

Em palestra para investidores nos EUA na semana passada, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, admitiu que a economia brasileira pode ter encolhido em 2014, dado que será conhecido em março.

Analistas esperam nova queda do PIB em 2015, talvez de 1%. Se isso se confirmar, será não só a maior contração desde o Plano Collor como também uma inédita sequência de dois anos de recessão.

A experiência "desenvolvimentista" perseguida pelos governos petistas desde a crise de 2008, e reforçada no primeiro mandato de Dilma Rousseff, fracassou.

"Desenvolvimentismo", a rigor, é um termo infeliz. Busca contrastar uma política econômica pretensamente progressista com o rumo conservador que teria norteado as administrações de Fernando Henrique Cardoso e a primeira de Lula.

Se havia algum fundo de verdade nessa dicotomia, a prática dos últimos anos transformou a expressão numa caricatura, sinônimo de expansão desmedida de gastos públicos, interferências setoriais desastradas, leniência com a inflação e protecionismo como ferramenta anacrônica de industrialização.

Pelo menos desde 2011 a realidade global recomendava um curso distinto, mas o governo não foi capaz de perceber as novas circunstâncias --ou simplesmente não quis dar o braço a torcer.

A insistência no malfadado caminho não levou ao desenvolvimento, mas à inflação persistente, à desorganização das finanças e à redução do investimento e das possibilidades de crescimento.

À beira do abismo, Dilma mudou o rumo. A nova política econômica procura recolocar o país nos trilhos. O conserto das contas públicas é um passo essencial para evitar um colapso da qualidade de crédito brasileiro. Outro é o controle da inflação, infelizmente com aumento de juros, dados os desequilíbrios acumulados.

A junção de orçamento apertado com contenção monetária (além de restrições de energia e de água) reforçará a recessão em 2015. É a parte mais dolorosa do ajuste. Mas, se houver persistência e às medidas emergenciais forem adicionadas ações estruturais para destravar o investimento, será possível almejar bons resultados a partir do ano que vem.

A agenda positiva de simplificação tributária, maior previsibilidade nas ações do governo, retomada das concessões de infraestrutura e abertura econômica precisa ser adotada sem demora.

Que o Brasil combine deficit externo de 4% do PIB com crescimento zero é evidência de que consome mais do que pode e investe menos do que deve.

Na atual conjuntura, não é possível que o consumo continue puxando a economia; esse papel deve ser cumprido pelo investimento.

26 de fevereiro de 2015
Editorial Folha de SP

O HUMOR DO DUKE

Charge O Tempo 24/02
 
26 de fevereiro de 2015


SE O LULA PODE NEGAR, EU TAMBÉM POSSO... NÃO SEI DE NADA, NÃO VI NADA, NÃO OUVI NADA...

BR DISTRIBUIDORA PAGOU R$ 3 MILHÕES A COLLOR, DIZ DOLEIRO

 
O doleiro Alberto Youssef afirmou a procuradores que investigam o esquema de corrupção na Petrobras que o senador e ex-presidente da República Fernando Collor de Mello (PTB-AL) recebeu propina de R$ 3 milhões resultante de negócio da BR Distribuidora, subsidiária da estatal.
Segundo o doleiro, a operação com a BR Distribuidora foi intermediada por um emissário de Collor e do PTB, o empresário e consultor do setor de energia Pedro Paulo Leoni Ramos. Nessa ocasião, segundo Youssef, Ramos trabalhou como um operador do esquema, intermediando suborno.
 
PP, como Ramos é conhecido, é amigo do senador desde a juventude. Foi ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos no governo Collor (1990-1992) e é dono de uma empresa de consultoria que também fazia negócios com Youssef, a GPI Participações e Investimentos.
 
De acordo com Youssef, a propina resultou de um contrato no valor de R$ 300 milhões assinado em 2012 entre uma rede de postos de combustíveis de São Paulo e a BR Distribuidora.
 
O negócio era para que a rede deixasse uma marca de combustíveis e passasse a integrar o grupo de revendedores da BR Distribuidora.
 
INCENTIVO
Em contratos regulares de troca de marca, em geral a empresa distribuidora dá um incentivo para que o posto de gasolina mude de bandeira. A ajuda serve para financiar obras e melhorias na rede.
 
Em 2012, foi nesse tipo de operação que teria sido negociada a propina no valor de 1% do total do contrato, o que corresponde a R$ 3 milhões.
 
O valor, segundo Youssef, foi arrecadado nos postos, em dinheiro vivo, em três parcelas de R$ 1 milhão, e depois repassado a Leoni. O dinheiro era destinado a Collor, afirma o doleiro.
De acordo com o delator, todos sabiam que Leoni era um emissário do senador.
 
Em seu depoimento, Youssef não detalhou como a propina teria chegado a Collor. Ele também não apontou nomes de diretores da BR Distribuidora que estariam envolvidos no esquema.
 
Em outro depoimento que prestou aos procuradores, Youssef disse que, em maio de 2013, mandou entregar R$ 50 mil em dinheiro vivo no apartamento de Collor em São Paulo. O senador nega a acusação.
 
COLLOR NEGA
O senador e ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTB-AL) negou ter recebido propina e ter mantido “relacionamento pessoal ou político” com o doleiro Alberto Youssef em pronunciamento no Senado em maio de 2014.
 
Na ocasião, após a imprensa divulgar investigações que indicavam a entrega de R$ 50 mil de Youssef para Collor, o senador disse que era vítima de uma campanha difamatória da mídia, que não se conformava em vê-lo inocentado das acusações que levaram a seu impeachment em 1992.

26 de fevereiro de 2015
Estelita Hass Carazzai e Flávio Ferreira
Folha

DIRCEU, VACCARI E PALOCCI SÃO OS PRIMEIROS ALVOS DA CPI



Dirceu terá de explicar “consultoria” a empreiteira
 
A oposição ao governo federal se articula para intensificar o ataque à presidente Dilma Rousseff logo no início da nova CPI da Petrobras, que será instalada na quinta-feira. O líder do PSDB na Câmara, deputado Carlos Sampaio (SP), informou que vai propor aos demais líderes oposicionistas uma série de requerimentos de quebra de sigilos, convocações e compartilhamento de documentos a serem protocolados no colegiado. O principal objetivo é aprovar a convocação dos ex-ministros José Dirceu e Antônio Palocci, além do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.
 
A sigla também tentará criar três subrrelatorias, com o intuito de conferir maior agilidade aos trabalhos. São elas: Sistematização, com o objetivo de organizar todo o acervo probatório da comissão; Operacional, que conduzirá a investigação propriamente dita; e Núcleo Político, a fim de apurar a atuação de agentes políticos na organização criminosa que se instalou na petroleira.
 
“As investigações que estão em curso mostram que a maior estatal brasileira foi alvo de um esquema criminoso, que desviou bilhões de reais e que atuava de forma organizada e sofisticada. O que a sociedade espera saber é onde os recursos foram parar e quem se beneficiou dessa roubalheira sem precedentes na história”, afirmou Sampaio.

26 de fevereiro de 2015
Deu no Correio Braziliense

LA DOLCE VITA DA POLITICALHA BRASILEIRA

AGNELO ENVERGONHA A MIM E AO POVO DO DF, DIZ SEU EX-ADVOGADO



Agnelo foi “descansar” em Miami e não voltou mais
 
- O senhor foi advogado de Agnelo Queiroz e passava a impressão de que eram muito próximos. O desgaste do governo dele o envergonha?
 
Luiz Carlos  Alcoforado  

Sempre tive com Agnelo uma relação de natureza técnica. Um profissional que é dedicado procura sempre estar próximo para cuidar do cliente de uma maneira muito mais satisfatória e protetiva. O papel do advogado nessas horas corresponde a uma expectativa de, às vezes, profissionalismo e, às vezes, afeto. Daí porque eu acho que a situação de agora não só deve envergonhar a mim, como deve envergonhar a todo o povo do Distrito Federal.
 
- O senhor advertiu Agnelo quando os problemas surgiram de que poderiam acarretar ação judiciais?
 
– O meu papel, na verdade, não foi de fazer uma advocacia preventiva. Nas oportunidades em que fui provocado, sempre externei minhas opiniões com muita sinceridade, objetividade e segundo alguns princípios que devem nortear o administrador cuidadoso, criterioso e eficiente.
 
- Acha que as ações de improbidade já ajuizadas pelo Ministério Público e outras que ainda poderão surgir indicam que o ex-governador pode acabar sendo enquadrado na Lei da Ficha Limpa?
 
– Existe realmente um risco significativo, pelo cenário das ações e pelo conjunto de informações que hoje vêm à opinião pública. É preciso ter muito cuidado para enfrentar essas questões porque vão deixar sequelas muito profundas na vida dos administradores que não foram cuidadosos e criteriosos.
 
- Houve algum desentendimento entre vocês?
 
– Não houve desentendimentos. Cumpri um ciclo profissional. Fiz um trabalho com fidelidade e eficiência. Fiz também, modéstia à parte, com competência porque o ex-governador não teve nenhuma condenação em nenhum dos processos dos quais eu cuidei profissionalmente, Para mim, isso é uma bandeira significativa porque o profissional vive desses resultados. Talvez seja o único governador que não tenha sido denunciado, nem condenado em nenhuma esfera da justiça brasileira, nem do Tribunal de Contas.
 
- A campanha do Agnelo deu um calote no seu escritório?
 
– Não posso negar que fiquei para o restos a pagar (risos). Não posso desdizer a verdade.
 
- Acredita que esse compromisso será honrado por Agnelo?
 
– Quem assumiu essa dívida foi o PT. Espero que o partido cumpra os seus compromissos profissionais porque eu me dediquei profundamente na campanha.

26 de fevereiro de 2015
Ana Maria Campos e Helena Mader
Correio Braziliense

ESTRATÉGIA DE CULPAR FHC NÃO VAI DAR CERTO PARA DILMA E LULA


Quando a ainda presidente Dilma Rousseff reapareceu em cena, toda serelepe, por ter emagrecido 13 quilos e ter dado um retoque plástico no rosto, que foi o verdadeiro motivo de seu prolongado sumiço, ela trouxe o dever de casa bem decorado. A estratégia estabelecida por Lula e burilada pelo marqueteiro João Santana leva Dilma repetir que nunca antes na história do Brasil se investigou tanto. Que a corrupção já existia, mas não era investigada. Que o governo fará tudo dentro da legalidade, mas não se furtará em punir quem cometeu malfeito etc. e tal.
De uma certa maneira, essa parte da estratégia até funciona. Mas a coisa fica ridícula e patética quando ela começa a usar o resto do dizer de casa, para atribuir ao governo FHC a culpa de existir corrupção na Petrobras. Para tanto, foi instruída a se referir a uma frase do depoimento do ex-gerente Pedro Barusco, que admitiu ter começado a receber propina em 1997.
O argumento é ardiloso e desonesto, porque na mesma ocasião Barusco esclareceu que a corrupção ocorria apenas entre ele (alto funcionário da Petrobras) e as empresas, sem participação de políticos e de partidos. E revelou também que foi no governo do PT que a corrupção passou a ficar fora de controle.
Portanto, a acusação de Dilma é falaciosa e recebeu pronta resposta, pois FHC logo espalhou no Twitter que ela lançou mão da tática infamante “da velha anedota do punguista que mete a mão no bolso da vítima, rouba e sai gritando pega ladrão”.
DIFERENÇA BRUTAL
Realmente, existe uma brutal diferença entre a corrupção nos governos tucanos e a que passou a se praticada nas gestões petistas. A partir do primeiro governo Lula, o que ocorreu foi a montagem de um megaesquema criminoso para bancar o PT e a base aliada, visando a perpetuar o PT no poder. Esse esquema atuava em várias áreas, duas delas já comprovadas (Mensalão e Petrolão), faltando apenas confirmar as demais ramificações – Fundos de Pensão, BNDES, Eletrobras etc.
A força-tarefa do Petrolão já levantou ter alcançado R$ 640 milhões o valor pago em propina para a diretoria de Serviços da Petrobras (que é da cota do PT no esquema de corrupção) em contratos que eram da área de Abastecimento. Falta levantar os valores em contratos diretos da área de Serviços. Se falar nas outras áreas (Perfuração, Gás etc.). No final, os valores das propinas ao PT serão estratosféricos.
Em matéria de corrupção, a grande diferença foi a inovação feita pelo PT, que passou a cobrar percentual sobre os contratos. Simples assim. Mas parece que a presidente Dilma, embora seja supostamente doutorada em Economia, ainda não percebeu essa questão meramente aritmética, talvez porque nas universidades não se ensine a fazer contas.

26 de fevereiro de 2015
 Carlos Newton

O CUSTO DAS OBRAS ATRASADAS


O atraso nas obras de usinas de geração de energia elétrica já custou R$ 65 bilhões ao País, fez crescer o risco de apagões e tornou crítico o quadro de abastecimento. Isso exige uma urgente mudança de atitude dos responsáveis pelo setor, pois só assim será possível acelerar a construção de novas unidades geradoras e de linhas de transmissão. O estudo da Federação das Indústrias do Rio Janeiro (Firjan) sobre o custo do atraso na execução dos projetos na área de energia elétrica, que mostra esse quadro, acrescenta cifras ao conjunto de problemas que já vinham sendo apontados por especialistas do setor privado e até pelo Tribunal de Contas da União (TCU). São problemas decorrentes em boa parte de falhas de gestão da política energética nos governos petistas, pois o estudo avalia a situação das obras entre 2006, ainda no primeiro mandato de Lula, e 2014, último ano do primeiro mandato de Dilma Rousseff.

A Firjan pesquisou a situação das obras de geração em andamento, de todas as fontes (hidráulica, eólica e térmica, com o uso de combustíveis como carvão, gás natural, biomassa e óleo combustível), e constatou que 272 estão atrasadas, com atraso médio de 4,1 anos (a que está em pior situação, a Usina Cubatão, tem atraso de 15 anos). Essas usinas disporão de 420 turbinas, com potência de 10.376 megawatts (MW). Isso representa 8% da capacidade atual do Sistema Interligado Nacional (SIN), cuja capacidade é de 129,9 mil MW, em boa parte não disponível no momento, por causa do baixo nível dos reservatórios, da manutenção ou falta de combustível em usinas termoelétricas, da falta de linhas de transmissão ou de outros problemas técnicos.

Para chegar ao valor da perda em que o País incorreu por causa do atraso dessas obras, a Firjan considerou o valor do megawatt-hora (MWh) oferecido pelos concessionários nos leilões em que arremataram as usinas, corrigiu esse valor pela inflação do período e o comparou com o valor efetivamente gasto no período para repor a energia que deixou de ser produzida pelas novas unidades. Quando as usinas hidrelétricas não produzem o suficiente para abastecer todo o sistema, as autoridades determinam o acionamento de unidades térmicas, que operam a custo mais alto, de que resulta um acréscimo na conta de luz.

Se estivessem prontas, as usinas em atraso poderiam suprir metade do consumo da indústria. Sem elas, o setor teve de pagar um preço mais caro, mas que nem sempre cobriu o custo da energia disponível, gerada pelas termoelétricas (a diferença foi coberta pelo Tesouro, que agora está repassando a conta para os consumidores).

Entre as causas dos atrasos, a Firjan apontou erros de planejamento do governo, que colocou em licitação obras sem a existência de projetos executivos e sem licenciamento ambiental prévio e tecnicamente viável. Sem esses requisitos, as obras não puderam ser iniciadas no prazo previsto e, na sua execução, o cronograma foi sendo descumprido.

Outra falha identificada pelo estudo na ação do governo foi a falta de coordenação entre os órgãos públicos, o que resultou em descompasso entre obras de geração e de transmissão - unidades geradoras não puderam operar tão logo foram concluídas por falta de linhas de transmissão - e atraso na concessão do licenciamento ambiental para obras consideradas prioritárias.

É um quadro semelhante ao identificado por auditores do TCU em maio do ano passado e que levou o plenário da Corte de contas a concluir, no início deste mês, que há "fortes indícios de que a capacidade de geração de energia elétrica no País se configura estruturalmente insuficiente para garantir a segurança energética". Entre as causas da "insuficiência estrutural" do sistema elétrico brasileiro, o TCU apontou falhas no planejamento da expansão da capacidade, superavaliação da capacidade das usinas, problemas nas usinas termoelétricas e atraso nas obras de geração e transmissão.

Além de confirmar esse quadro, o estudo da Firjan mostra quanto o País já pagou por tantos erros. A isso deve se somar o custo que poderá ser imposto por apagões ou pelo racionamento cada vez mais iminente.


26 de fevereiro de 2015
Editorial O Estadão