"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

TE4M CAROÇO NESSE ANGU! SE SEGURA BRASIL!!!

AS LIÇÕES QUE VÊM DO LESTE

Como três ex-repúblicas soviéticas, em menos de 30 anos, superaram a herança autoritária para se tornarem algumas das economias mais livres do mundo?

Dos muitos dados presentes no Índice de Liberdade Econômica da Heritage Foundation, divulgado no Brasil pela Gazeta do Povo em parceria com o Instituto Monte Castelo, algumas comparações entre países são de impressionar e mostram como o Brasil tem perdido oportunidades seguidas de tomar medidas que promovam o desenvolvimento. Como explicar, por exemplo, que todos os países da antiga Cortina de Ferro, incluindo as ex-repúblicas soviéticas (à exceção do Turcomenistão, 169.º lugar na lista), estejam à frente do Brasil, o 153.º no ranking? Mais ainda: como três nações – Estônia, Geórgia e Lituânia – passaram, em menos de 30 anos, de uma herança de autoritarismo estatista para figurar entre os 20 países mais livres economicamente do globo, à frente de Alemanha, Coreia do Sul, Japão e outras potências?

Em 1995, quando o Índice de Liberdade Econômica foi criado, a Estônia já era considerada uma economia “moderadamente livre”, mas Geórgia e Lituânia figuravam entre as economias “reprimidas” em 1996, quando o índice passou a compilar os dados desses países. O grande salto da Geórgia ocorreu no meio da década passada, especialmente em três dos itens medidos pelo índice: liberdade de investimento, liberdade comercial e liberdade de trabalho (quesito no qual o país chegou à pontuação máxima em 2008). Enquanto isso, o Brasil permanece empacado no lodaçal da obsessão por regulamentações. Não há categoria que não peça uma lei afirmando quem pode exercer quais profissões, de preferência exigindo diplomas ou certificados que recebem mais valor que os talentos individuais. E parlamentares ávidos por prestígio (e votos) junto a essas categorias são rápidos em encampar tais demandas, criando mais e mais reservas de mercado, asfixiando a liberdade daqueles que têm plena capacidade de exercer uma profissão, mas se veem impedidos de fazê-lo porque não cumpriram esta ou aquela exigência totalmente desproporcional.

Enquanto outros países privilegiam a liberdade profissional, o Brasil permanece empacado no lodaçal da obsessão por regulamentações


Os pontos fortes de Estônia (que ocupa o 7.º lugar no ranking da Heritage Foundation) e Lituânia (19.º) incluem a saúde fiscal, com notas 99,8 e 96,7 respectivamente. O quesito só passou a ser avaliado a partir da edição de 2017, impedindo uma comparação histórica, mas basta-nos ver como o Brasil figura na outra ponta da lista, com nota 7,7, para compreender o tamanho de nosso problema. Ainda que os dias das “pedaladas” e da “contabilidade criativa” tenham ficado para trás, a matemática continua a não ser o forte da classe política e do sindicalismo, dada a quantidade dos que ainda hoje negam o déficit da Previdência, a ponto de consagrar essa tese em relatórios de CPIs. O país gera déficits primários bilionários ano após ano e a dívida pública segue em trajetória de alta constante, podendo ultrapassar os 100% do PIB em poucos anos (sim, outros países desenvolvidos devem porcentagens bem maiores de seu PIB, mas o fazem a juros baixíssimos e com alta capacidade de rolagem, o que não é exatamente o caso brasileiro). Fruto, mais uma vez, da irresponsabilidade e do paternalismo que marcam a relação entre eleitores e eleitos no Brasil, já que responsabilidade fiscal também não é assunto que cative o eleitorado, acostumado que ficou ao Estado provedor de tudo.

Entre as reformas relevantes introduzidas nos últimos anos por essas três ex-repúblicas soviéticas, a Heritage Foundation destaca a emissão, na Estônia, de vistos de “e-residência” que facilitam a vida de estrangeiros que desejam abrir um negócio no país; e a reforma trabalhista feita pela Lituânia em 2017 para desengessar os contratos de trabalho – pelo menos neste aspecto, se a Justiça do Trabalho não atrapalhar, o Brasil terá algo para mostrar na próxima edição do ranking, cujos dados ainda não contemplavam a aprovação e entrada em vigor da reforma trabalhista brasileira. Em comum, esses três países também exibem forte abertura ao comércio exterior, com baixíssimos impostos de importação.

O salto desses três países mostra que é possível ao Brasil seguir a mesma trilha e deixar de ser uma economia “majoritariamente não livre”. Mas, para gerar um clima de mentalidade econômica, como afirmamos dias atrás, o país precisa de uma mudança radical de mentalidade: deixar para trás a obsessão por regulações e regras que asfixiam o empreendedor que gera renda e emprego; abandonar de vez o “capitalismo de compadres” que privilegia “amigos do rei” e distorce a concorrência; compreender que o motor da economia é a iniciativa privada, e não um Estado superpoderoso e provedor; acreditar mais nas pessoas e menos em carimbos e diplomas. Missão que deve ser compartilhada entre governantes e governados.


13 de fevereiro de 2018
editorial Gazeta do Povom PR

HIPERREGULAMENTADOS

O ato de regulamentar é essencialmente sem custos para o regulador e só gera custos para os empreendedores e os consumidores

O fenômeno do nosso tempo não é o aumento dos impostos, mas o da regulamentação. A carga tributaria tem um limite natural (veja a Curva de Laffer), mas a regulação é potencialmente infinita. A regulamentação estatal está aumentando no mundo inteiro, mas por aqui talvez estejam exagerando.

Cada dia é uma nova, até mais de uma por dia! Eis algumas das mais recentes: obrigatoriedade de manutenção periódica do ar-condicionado (os técnicos da área agradecem); regulamentação do esporte eletrônico (imagine que lindo um sindicato de gamers!); multas para pedintes nas ruas; subsídios a food trucks que vendem comida local; obrigatoriedade de colocar rádio nos celulares (lobismo de quem?); criação de um novo tipo de carteira para carros automáticos; proibição de uso de celular em local de trabalho; proibição de cobrança para orçamentos (não existe orçamento grátis); proibição de desconto para mulheres em boates e bares; uma lei que define se a espuma da cerveja é cerveja ou não; uma lei que dificulta a compra e o uso de fogos de artifício, e outra que quer proibi-los para não incomodar os cachorros (se o incômodo fosse para crianças, velhos e doentes ninguém ligava); proibição de porte de armas brancas; faróis do carro ligados até de dia (ninguém diga que é para arrecadar, é claro que é para a sua segurança); proibir às empresas telefônicas a limitação de dados na internet fixa (para que ter livre concorrência quando se pode ter um oligopólio hiperregulamentado?); regulamentação da profissão do administrador; proibição da cobrança mínima em bares (como assim, não posso sentar na sua mesa sem consumir nada?); reservar uma vaga para jovens nos ônibus; e, claro, a “segunda sem carne” – tudo isso só em dezembro!

É assim que se perde a liberdade, com uma regulamentação por dia

Ampliando um pouco o horizonte temporal, vale lembrar de palitos, canudos e guardanapos no plástico; antibióticos com prescrição medica; curativos só no hospital; proibição de primeiro socorro por telefone dos planos de saúde; proibição de venda de álcool liquido puro; regulamentação da profissão de fotografo, designer, DJ, músico, esteticista etc.; extintor no carro (salvo depois para retirar a regulação); personal trainer na academia; instrutor de ginástica nas praças; proibição de sal na mesa etc.

A variedade das propostas, do rádio no celular ao esporte eletrônico, da segunda sem carne aos guardanapos no plástico, mostra que o Estado não é um “ator único racional”, mas a “estrutura através da qual todo mundo quer viver à custa de todo mundo”. Nunca um agente único poderia pensar todas estas coisas! Estas demandas vêm do lobismo de minorias organizadas diretamente interessadas.

Todas as áreas mais importantes são regulamentadas. Saúde e finanças são as mais regulamentadas no mundo inteiro (mitos à parte); a regulamentação ambiental é a que mais está aumentando; no urbanismo a mentalidade de que tem de regulamentar tudo é tão enraizada que quase nem se debate. A sua profissão é regulamentada. A sua comida, a sua roupa, seu carro, todas as atividades de lazer também, para nem falar da escola de seus filhos. E, agora, até o que você pode dizer.

Mas há também o fenômeno da microrregulamentação (rótulos de comida, palitos no plástico, sal na mesa, faróis ligados etc.) geralmente acompanhada por alguma justificativa de higiene, de saúde publica, de irracionalidade dos consumidores.

Algumas regulamentações são menos danosas pois não são aprovadas. O jurista McChesney mostra que o objetivo é extorquir dinheiro do regulado a fim de retirar a proposta (menos pior). Talvez seja o caso de Uber e da profissão dos fotógrafos.

Em geral, a regulamentação aumenta por três motivos: o ato de regulamentar é essencialmente sem custos para o regulador e só gera custos para os empreendedores e os consumidores; cada associação de categoria, vendo uma regulação aprovada em outro setor, quer aprovar uma também no próprio setor para encarecer o processo produtivo e, assim, jogar fora do mercado os concorrentes, é o “efeito emulação”; e, por fim, população acaba aceitando.

A retórica ajuda, claro. Esconder os interesses reais atrás do bem comum compensa. Vivemos em um país onde não é clara a diferença entre “irregular” e “não regulamentado”, ou entre “regulamentação estatal” e “regulamentação de mercado”. Afinal, se o Estado não regulamentasse, não teria regulação nenhuma, não é mesmo? A regulamentação estatal é feita para o bem comum, não é? E as consequências são só positivas, certo? A tão amada fiscalização não gera oportunidade de corrupção, certo? Quem paga o custo, afinal, não é o consumidor, não é?

E é assim que se perde a liberdade, com uma regulamentação por dia. Não resta que esperar para ver o que vão nos regulamentar amanhã.


13 de fevereiro de 2018
Adriano Gianturco é professor de Ciência Política do IBMEC-MG.
Gazeta do Povo, PR

O TST E OS JUÍZES ATIVISTAS

A queda de braço entre as instâncias inferiores e superiores da Justiça do Trabalho, no que se refere à interpretação das novas normas trabalhistas que entraram em vigor há três meses, por meio da Lei n.° 13.467/17, dá a medida das confusões jurídicas causadas pelo crescente ativismo da magistratura.

O exemplo mais ilustrativo desse problema pode ser encontrado no ensino superior, onde as instituições privadas costumam aproveitar o final e o começo do ano letivo para adequar o número de professores à demanda de matrículas, aumentando ou reduzindo o tamanho do corpo docente. Por causa da crise econômica, entre dezembro de 2017 e as primeiras semanas de 2018 as universidades privadas mais demitiram do que contrataram docentes para seus cursos de graduação. No Rio Grande do Sul, a UniRitter anunciou a demissão de 150 professores. Na Paraíba, a Sociedade Paraibana de Educação e Cultura demitiu 75. Em Ribeirão Preto, o Centro Universitário Estácio dispensou 150 docentes. E, no Rio de Janeiro, a Estácio de Sá despediu 1,2 mil.

As novas regras que disciplinam demissões coletivas sem justa causa, como essas, são claras e objetivas. Pelo artigo 477-A da Lei n.° 13.467/17, desde que paguem todos os direitos de rescisão contratual, os empregadores podem promover demissões em massa no momento em que quiserem e sem “necessidade de autorização prévia de entidade sindical ou de celebração de convenção ou acordo coletivo de trabalho para sua efetivação”. Contudo, acionados por líderes sindicais, juízes e desembargadores trabalhistas concederam liminares suspendendo os desligamentos promovidos sem intermediação de sindicatos de professores.

Afrontando a Lei 13.467/17, alguns magistrados alegaram que ela conteria dispositivos inconstitucionais. Outros afirmaram que, apesar de o artigo 477-A ser taxativo, continuaria em vigor um entendimento da Seção de Dissídios Coletivos do Tribunal Superior do Trabalho (TST) que, desde 2009, exige negociação coletiva prévia, mesmo na ausência de leis específicas que regulamentem a matéria. A confusão jurídica só não é maior porque as universidades particulares não hesitaram em recorrer à última instância da Justiça do Trabalho. E seu presidente, Ives Gandra Filho, que respondia pela Corte durante o recesso forense, teve o bom senso de cassar as liminares concedidas a sindicatos de professores por juízes e desembargadores, suspendendo as demissões e obrigando as universidades a se reunirem com sindicatos e representantes do Ministério do Trabalho.

Tão ou mais importante do que a iniciativa de validar dispensas coletivas sem intermediação sindical são os argumentos que invocou para justificá-la. Para o ministro Ives Gandra Filho, ao fundar a concessão dessas liminares com base em doutrinas e precedentes judiciais inteiramente superados pela Lei 13.467/17, as instâncias inferiores da Justiça do Trabalho estariam deixando-se levar pelo “voluntarismo jurídico”, abusando “superlativamente” de suas prerrogativas funcionais.

Como as novas regras trabalhistas são precisas em seu enunciado, permitindo demissões em massa sem negociação prévia com entidades sindicais, decidir de forma acintosamente contrária a elas seria uma afronta “ao princípio da legalidade”, possibilitando assim uma “intervenção da Corregedoria-Geral da Justiça do Trabalho para restabelecer o império da lei”, argumentou o presidente do TST. Também lembrou que a insegurança causada pelo ativismo da magistratura pode colocar em risco alguns dos princípios fundamentais do regime democrático, como a segurança do direito e a independência dos Poderes.

Diante da literalidade dos textos legais, não se pode aceitar que magistrados ativistas afirmem “que o que a lei diz não é o que ela realmente diz”, sob pena de gerar o caos, conclui Gandra Filho. No que tem toda razão.

13 de fevereiro de 2018
Editorial O Estadão

AVANÇO ESSENCIAL

A reforma foi uma solução inteligente para remover o entulho getulista de inspiração fascista

Coube ao vice-presidente Michel Temer receber uma herança de fato maldita da presidente Dilma Rousseff — a maior recessão já registrada (8% em dois anos, 2015/16), 14 milhões de desempregados e inflação de dois dígitos. Com uma competente equipe econômica e a experiência de longa quilometragem no Congresso, em especial na Câmara, o novo presidente conseguiu avanços inesperados. Até que o método de Temer e de seu grupo de fazer política, de forma patrimonialista e fisiológica, permitiu que o presidente mantivesse uma conversa nada republicana com Joesley Batista, nos porões do Palácio do Jaburu, gravada pelo empresário, em fase de acerto com a procuradoria-geral da República (PGR) de uma delação premiada.

Esta gravação, divulgada pelo GLOBO, dificultou as ações do governo, e duas acusações da PGR o levaram a gastar tempo e capital político para barrar na Câmara o pedido para que as denúncias fossem aceitas e encaminhadas ao Supremo. Restou a tentativa da aprovação crucial da minirreforma da Previdência no Congresso. Mas outros avanços essenciais foram conseguidos, entre eles uma importante modernização trabalhista.

Devido a razões históricas, políticas e ideológicas, o movimento sindical e grupos de esquerda foram hipnotizados por Getúlio Vargas, ditador (1937-45) dos mais ferozes e depois presidente eleito (1951-54), canonizado por ter aprovado a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), em 1943, ainda na ditadura do Estado Novo.

Não se discute a necessidade de se regular as relações de trabalho em um país de industrialização ainda incipiente e pouco urbanizado. O populismo varguista, no entanto, plasmou líderes e partidos no Brasil — mesmo quem dizia ser contra Vargas, como Lula —, e a CLT se tornou intocável. Mesmo que a tecnologia e os sistemas de produção evoluíssem, assim como as relações de trabalho.

O custo ao empregador imposto pela CLT, em nome da “proteção do trabalhador”, foi aos poucos inviabilizando o emprego formal, com carteira assinada. A ponto de a informalidade abranger mais da metade do mercado de trabalho. Mesmo quando a economia, no lulopetismo, cresceu pouco mais de 7%, em 2010, pico de uma fase de expansão, ainda havia 40% dos trabalhadores ativos na informalidade. A CLT e sua rigidez criou dois mundos: o da carteira assinada, com todos os direitos, e os informais, sem qualquer direito.

O ponto-chave da reforma, reivindicada até por sindicalistas, é que entendimentos entre patrões e sindicatos de trabalhadores sejam aceitos na Justiça, por sobre a CLT, desde que direitos como o salário mínimo continuem intocáveis. Foi uma forma inteligente de remover o entulho getulista, de raízes fascistas, em que o Estado é tutor da sociedade. Há, ainda, mudanças que já haviam sido feitas, para formalizar novas relações trabalhistas, a fim de legalizar o inexorável. Por exemplo, a terceirização. Sindicatos deveriam comemorar a reforma.

13 de fevereiro de 2018
Editorial O Globo

O PROBLEMA NÃO É A REFORMA

A Previdência atual é a maior fonte de desequilíbrio fiscal do Estado, afetando todas as áreas de atuação do poder público
Aproxima-se a data prevista para a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/16, que altera as regras para a concessão de aposentadorias e pensões, e verifica-se uma estranha inversão da realidade. A proposta de reforma apresentada pelo governo federal, que deveria ser a solução para a Previdência, parece ser encarada, por uma parcela dos parlamentares, como sendo justamente o problema a ser resolvido.

Por mais absurdo que seja, uma parte da base aliada parece ignorar o déficit da Previdência e as desigualdades do atual sistema. Esses deputados agem como se não existisse um grave problema na Previdência a ser resolvido pelo Congresso. A ter por base o comportamento dessa turma, a impressão é de que a discussão sobre a Previdência poderia ser adiada, sem maiores inconvenientes, para 2019. Fazem, assim, o jogo da oposição, que nunca esteve interessada de fato em debater a Previdência e sempre se aninhou na irresponsabilidade.

O mais estranho, no entanto, é que esse eventual adiamento da reforma da Previdência para o ano que vem é visto por alguns parlamentares da base aliada como algo desejável. Deixam parecer que tentaram votar em 2018, mas não foi possível. Suas atitudes transmitem uma mensagem estranha: a de que não querem, seja qual for o custo que o País terá de pagar, votar a reforma em ano eleitoral. Acham que, para eles, um eventual adiamento da reforma seria uma vitória política.

É desolador constatar tal fenômeno. O voto do cidadão confere aos representantes eleitos a responsabilidade de construir soluções para os problemas nacionais. Como ficou patente nos últimos meses, o atual sistema da Previdência é a maior fonte de desequilíbrio fiscal do Estado, afetando todas as áreas de atuação do poder público, em especial, a sua capacidade de investimento social. Além disso, as regras vigentes são profundamente injustas, conferindo privilégios a uma pequena fatia do funcionalismo público, em detrimento de toda a população.

É evidente, portanto, a responsabilidade pela situação da Previdência que recai sobre os atuais parlamentares. O problema está patente e o Congresso é que tem competência institucional para resolvê-lo. No entanto, em vez de arregaçar as mangas e trabalhar para aprovar a solução atualmente disponível, apresentada pelo governo federal, alguns parlamentares buscam, de todas as formas, esquivar-se de sua responsabilidade, dizendo que isso pode esperar um pouco mais.

Com essa atitude, os deputados descumprem o encargo que a população lhes conferiu pelo voto. E aqui não cabe falar em diferentes posições partidárias ou ideológicas. Todos os parlamentares, sejam quais forem as suas opiniões políticas e a sua base eleitoral, assumiram o compromisso de buscar soluções para os problemas nacionais. No entanto, o que se tem visto, em alguns parlamentares, é uma criminosa indiferença em relação àquele que talvez seja o principal problema nacional. A situação da Previdência não permite adiar a reforma para 2019.

A completar uma estranha inversão de prioridades, esses parlamentares dão a entender que fogem da principal responsabilidade que o cargo lhes confere - assumir os problemas nacionais e buscar-lhes solução - porque estão interessados na reeleição. Ignoram a experiência ocorrida em 1998, quando os votos a favor da reforma da Previdência na ocasião não afetaram as chances de reeleição dos deputados, e seguem empedernidos achando que ser favorável à PEC 287/16 dificultaria obter votos nas próximas eleições.

Não apenas descumprem a tarefa que o cargo lhes dá, como o fazem buscando manter-se no cargo. Se estão insatisfeitos com as responsabilidades que o cargo lhes dá, não faz sentido se perpetuarem na função. O titubeio de algum parlamentar da base aliada com a reforma da Previdência é sinal inequívoco, portanto, de que não faz jus ao cargo que ocupa. Ainda bem que há eleições neste ano. O eleitor poderá mandar essa turma para casa.


13 de fevereiro de 2018
Editorial O Estadão

OUTRAS REFORMAS

Fazenda defende medidas destinadas a conferir maior solidez a contratos privados

Com a perspectiva palpável de derrota na reforma da Previdência e o início da campanha eleitoral, os principais líderes do governismo se prontificam a prometer o que chamam de agenda positiva.

De olho no próprio capital político, o presidente Michel Temer (MDB), o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD), procuram atenuar o eventual fracasso com a defesa explícita ou velada de algum programa substituto para 2018.

Boa parte das medidas aventadas trata de melhorias na área econômica, de fato meritórias e, em alguns casos, urgentes. Será enganoso, contudo, apresentá-las como alternativa às mudanças essenciais no sistema de aposentadorias e pensões —as iniciativas deveriam caminhar lado a lado.

Da parte de Meirelles, indica-se prioridade ao que se chama de pauta microeconômica —ou, vale dizer, de normas voltadas para as relações entre os agentes privados, caso de empresas e consumidores.

Entre as mais importantes estão uma nova lei de recuperação judicial e falências, o aperfeiçoamento do cadastro positivo de devedores e regras mais claras para a entrega de garantias na tomada de empréstimos bancários.

A aprovação de tais providências deve conferir maior solidez jurídica aos contratos e resultar em ganhos de eficiência, com efeitos decisivos de longo prazo.

Nas recuperações judiciais e falências, há que dar celeridade aos processos e facilitar o acesso das empresas em dificuldades a financiamentos, de modo a equiparar a legislação brasileira ao melhor padrão internacional.

Quanto ao cadastro positivo, cumpre implementá-lo na prática. Em vigor desde 2011, o instrumento busca registrar o histórico de crédito dos clientes da rede bancária —os bons pagadores tendem a ser disputados pelas instituições financeiras, elevando a concorrência e levando a juros menores.

A ideia, porém, não tem funcionado porque hoje os registros dependem de autorização dos interessados. Segundo projeto já aprovado pelo Senado, a inclusão passa a ser automática, exceto para quem solicite sua exclusão.

Por fim, no caso dos empréstimos, pretende-se tornar imperativo que inadimplentes entreguem bens e outras garantias a seus credores. A lei ainda tem brechas suficientes para tornar esse direito incerto, demorado e caro.

O que se almeja, afinal, é a garantia de direitos de propriedade e o combate à insegurança jurídica e ao desperdício burocrático. São ajustes de baixo custo e fundamentais para um ambiente menos insalubre para os negócios no país.

13 de fevereiro de 2018
Editorial Folha de SP

IDÉIAS FORA DE LUGAR

O Santo Guerreiro precisa do Dragão da Maldade: a ausência de Lula tende a esvaziar o discurso de Jair Bolsonaro

As ideias já estavam fora de lugar antes da condenação de Lula pelo TRF-4 e sua consequente inelegibilidade. O voto unânime dos três magistrados mudou radicalmente o panorama político-eleitoral. As ideias moveram-se junto com os votos, girando 180 graus — e continuaram fora de lugar. Não era verdade, antes, que as eleições presidenciais necessariamente ficariam reféns da polarização entre populistas de esquerda e de direita. Não é verdade, agora, que o espectro dos populismos simétricos tenha sido conjurado. Agora, como antes, o enigma situa-se em outro lugar: a crise do centro político no Brasil.

Antes da sentença do TRF-4, as sondagens atribuíam a Lula algo em torno de 35% das intenções de voto, enquanto Jair Bolsonaro atingia cerca de 15%. O número relevante, que passava quase imperceptível, era 50% — não a soma dos potenciais eleitores de ambos, mas a metade do eleitorado avesso às duas alternativas populistas. Num cenário em que a massa menos informada dos cidadãos só sabia da existência daquelas duas candidaturas, 50% declaravam rejeitá-los. O espaço para uma candidatura vitoriosa de centro ampliou-se, obviamente, com a virtual destruição da postulação de Lula. Mas o centro não triunfará se persistir na sua crônica incapacidade de formular um discurso político popular.

O outono do lulismo reflete-se na fragmentação do campo do populismo de esquerda. Ciro Gomes (PDT), Manuela D’Ávila (PCdoB) e Guilherme Boulos, presumível candidato pelo PSOL, já disputam seu espólio eleitoral, enquanto o PSB tenta atrair o interesse de Joaquim Barbosa. Tudo indica, porém, que o PT erguerá uma candidatura própria. Nutrido a partir da campanha fantasmagórica de Lula, que promete a restauração de uma mítica “idade de ouro” e exibe-se como vítima da “perseguição das elites”, mister X, o candidato do PT, tem chances apreciáveis de ultrapassar a barreira do primeiro turno. Nessa hipótese, uma imagem holográfica de Lula reunificaria, no segundo turno, o bloco do capitalismo de compadrio, do corporativismo e do paternalismo estatal.

Na ponta oposta (ao menos, aparentemente), o populismo de direita apresenta-se unificado desde o início. Bolsonaro investiu no promissor mercado eleitoral do ódio ao lulismo, mesclando sua alma original ultranacionalista a uma agenda ultraliberal fornecida por seitas ideológicas das catacumbas da internet. O Santo Guerreiro precisa do Dragão da Maldade: a ausência de Lula tende a esvaziar o discurso de Bolsonaro. Contudo, por enquanto, sua candidatura progride, alimentada pela ilusória candidatura de Lula. Dias atrás, num evento patrocinado pelo BTG Pactual, o sombrio deputado foi ovacionado por mais de dois mil investidores, uma reiterada comprovação de que a idiotia política e a habilidade para ganhar dinheiro não são mutuamente excludentes.

Mister X (Lula em holografia ou Ciro Gomes, ou mesmo Boulos) versus Bolsonaro? Mesmo agora, não pode ser descartada a hipótese de um tóxico segundo turno, uma “escolha de Sofia” entre a tradição varguista e a nostalgia da ditadura militar, uma recusa absoluta a encarar os dilemas do presente. Contudo, só seremos arrastados a essa encruzilhada impossível se o centro político concluir sua trajetória de implosão.

O PSDB avançou, de olhos abertos, rumo ao abismo engalfinhando-se durante 15 anos nas estéreis lutas intestinas entre seus caciques, firmando um pacto faustiano com Eduardo Cunha em nome do impeachment e, finalmente, perfilando-se com o Aécio Neves do malote de dinheiro da JBS. Mas o colapso tem raízes mais profundas: desenhou-se lá atrás, quando o partido de FHC não soube formular uma política social alternativa ao programa paternalista de estímulo ao consumo privado conduzido pelo lulismo triunfante. O vazio de ideias da candidatura de Geraldo Alckmin espelha um impasse antigo, que se manifesta agonicamente nas periódicas celebrações tucanas dos aniversários do Plano Real.

“Exemplo de lealdade no ninho: enquanto Alckmin tenta consolidar sua candidatura, FHC busca um Macron para chamar de seu”, disparou um obscuro deputado petista, acertando o alvo. Duvidando do candidato tucano, FHC descreve círculos especulativos ao redor da potencial candidatura de Luciano Huck, qualificando-a como “boa para o Brasil”, capaz de “arejar” o cenário e “botar em perigo a política tradicional”. O Macron da França surgiu no vórtice de uma crise dramática, criou um partido centrista viável e ofereceu à nação um ousado projeto de reformas econômicas, sociais e institucionais. Já o Macron de FHC emerge como fenômeno exclusivamente midiático: uma estrela brilhante na constelação das celebridades.

Macron — como, em circunstâncias nacionais diferentes, o argentino Mauricio Macri e o partido espanhol Cidadãos — evidencia que o centro político é capaz de se reinventar diante do desafio populista. O Macron de FHC é o exato oposto disso: um atestado de falência do nosso centro político.

13 de fevereiro de 2018
Demétrio Magnoli é sociólogo
O Globo

DERRUBAR PARTIDOS TRADICIONAIS É A ÚLTIMA MODA NO OCIDENTE

Ecos de energias selvagens estarão presentes na eleição brasileira de outubro

Tempos interessantes, na acepção cínica do termo, vive o establishment político ocidental. A empáfia da liderança conservadora no Reino Unido, que dava como certa a anuência bovina nas urnas para continuar tocando os negócios como sempre, foi castigada com o pesadelo do Brexit.

Nos EUA, um empresário gabola desceu da Trump Tower para subjugar oligarquias acomodadas na máquina centenária do Partido Republicano. Depois arrematou a façanha ao colocar de joelhos a linhagem dourada do progressismo de nariz empinado, encabeçada por Hillary Clinton.

Dissolveu-se na Alemanha a antinomia entre social-democratas e democratas-cristãos, que marcou o pós-guerra naquele país. Juntaram-se ambos num bloco para resistir ao assalto extremista, mas a fortaleza não dá garantias com prazo longo.

Na França, onde a união de socialistas e gaullistas seria impraticável e a ameaça da direita radical era mais concreta, o edifício das forças tradicionais veio abaixo numa implosão. Uma nova liderança, Emmanuel Macron, com um novo partido arrebatou o poder nacional num chofre.

Ecos dessas energias selvagens que levaram ao colapso arranjos partidários enraizados estarão presentes na eleição brasileira de outubro. Sem nunca ter feito campanha majoritária, o vingador Jair Bolsonaro é a única certeza de presença no segundo turno se a eleiçãofosse hoje.

A centro-esquerda fez uma aposta de 30 anos numa só liderança e agora está a um passo da pulverização, debilidade que acomete a centro-direita já faz algum tempo. À direita e à esquerda, forças tradicionais resistem à renovação e à autocrítica.

Partidos passam a mão na cabeça de correligionários que tiveram a reputação fulminada em escândalos de corrupção. Condenados e investigados por gravíssimas imputações continuam filiados, alguns dando cartas nas negociações políticas. Enquanto isso, os bárbaros esperam.


13 de fevereiro de 2018
Vinicius Mota, Folha de SP

PREVIDÊNCIA, RESGATAR OU COMPRAR RENDA?


Quem tem plano de previdência deve decidir se compra seguro de renda mensal

Os planos de previdência (VGBL e PGBL) são apresentados como se um investimento fossem. Embora não seja mentira, não se trata de produto de investimento tradicional, como depósitos bancários, Tesouro Direto, fundos de investimento.

Mas, se não é investimento, o que é um plano de previdência? O VGBL é classificado como seguro de vida, e o PGBL, um plano de previdência complementar. A principal diferença entre os dois reside no tratamento tributário dispensado a um e outro. Não por acaso são produtos administrados por companhias seguradoras, e não por bancos. O Banco Central e a CVM não têm nada a ver com essa indústria, regulada e fiscalizada pela Susep.

Para entender melhor como funcionam, imagine duas fases muito distintas: uma fase de acumulação e uma fase de benefício de renda. A primeira pode ser entendida como investimento; o investidor (segurado, no caso do VGBL, e participante, no caso do PGBL) deposita recursos livremente. O saldo acumulado é remunerado de acordo com a estratégia de investimento do tipo de fundo que escolheu. Resgates podem ser feitos livremente.

A segunda fase terá início (ou não) na data definida pelo comprador do produto. Nessa data, avalia se deseja ou não converter todo o capital acumulado em um seguro de renda mensal, escolhendo uma das modalidades oferecidas pela seguradora, ou se deseja manter o dinheiro investido, disponível para retiradas de acordo com sua necessidade.

A importância da decisão a ser tomada é gigantesca. Na primeira hipótese, você transfere o risco da longevidade para a seguradora, pagando um prêmio equivalente a 100% do capital investido. Ao comprar o seguro, o dinheiro não lhe pertence mais e não será transmitido aos herdeiros.

Suponha que você tenha contratado renda mensal vitalícia e venha a morrer um ano depois. O dinheiro pode ser resgatado pelos herdeiros? Não, o capital acumulado na primeira fase não está mais disponível para resgate, foi convertido em renda.

Ah, mas então não vale a pena, deve estar pensando você. Esse é o grande X da questão. Se você morrer cedo, não, não vale a pena.

Se você viver até os cem anos, dirá: Bendita a hora em que decidi comprar o seguro!. Quem arrisca apostar uma bolada e acertar a idade da morte?

Embora tenhamos certa expectativa de sobrevida, não é possível afirmar por quantos anos vamos viver. É exatamente esse risco, certo porque vamos morrer um dia, incerto quanto ao momento da ocorrência, que está em jogo.

Se decidirmos manter o dinheiro livre em aplicações financeiras, correremos o risco de o dinheiro acabar e faltar recursos para a subsistência nossa e de nossos dependentes. Se decidirmos por transferir o risco para uma seguradora, contratando uma renda mensal, correremos o risco de morrer cedo e privar os herdeiros de ficar com o capital poupado na fase de acumulação.

Quando faz sentido optar pela aquisição da renda mensal? Você acha que vai viver muito e não quer correr o risco de ficar sem dinheiro.

Disciplina não é o seu forte e, se o dinheiro estiver livre, disponível para resgate, é alto o risco de o dinheiro acabar antes do tempo. Proteger uma pessoa com necessidades especiais assegurando que receberá uma renda mensal quando você faltar. Garantir uma pensão para um neto, cujos pais são pouco responsáveis.

Quanto maior for o risco da seguradora, menor será a renda mensal contratada. Renda vitalícia (muitos pagamentos potenciais) será menor do que renda por prazo certo (menor quantidade de pagamentos). Se reversível a um beneficiário, menor ainda será a renda. Após a morte do primeiro beneficiário, a seguradora pagará ao segundo, e o menor valor da renda mensal refletirá esse risco.

Ricardo, 60 anos, tem um saldo de R$ 215 mil em um VGBL e obteve da seguradora a seguinte simulação: renda mensal bruta de R$ 1.716 durante dez anos ou R$ 1.172 durante 15 anos. Fez os cálculos comparando com uma aplicação financeira e apurou que a renda (0,54% ao mês durante 15 anos) é semelhante à que pode obter no mercado financeiro sem abrir mão do capital investido, que continua sendo dele.

Talvez você não tenha pensado em nada disso quando comprou um plano de previdência, não é mesmo? Mas vai ter que pensar. Ou simplesmente resgatar o investimento se foi essa a intenção desde o início.

13 de fevereiro de 2018
Márcia Dessen, Folha de SP

PRÉ-CANDIDATOS À PRESIDÊNCIA EVITAM EXPOSIÇÃO DURANTE OS FESTEJOS DO MOMO


Desde que a Operação Lava-Jato começou a levar políticos das tribunas para as penitenciárias, a folia não tem sido a mesma para as autoridades brasileiras. Figuras cativas de grandes festas, como no desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro e nos camarotes do Carnaval de Salvador, governantes têm evitado, nos últimos anos, as aglomerações.
Segundo especialistas, quando um país atravessa uma crise política, ética e financeira, não é bom que um postulante, principalmente, a um cargo majoritário, seja visto fazendo festa. 
RECLUSOS – Com camarote próprio no Sambódromo, um dos mais emblemáticos foliões era o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (MDB), sempre ao lado do ex-prefeito da cidade e correligionário Eduardo Paes. Em 2009, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva curtiu a festa com a dupla. Hoje, Cabral está preso e condenado a 87 anos de cadeia, pelo menos. Sem muito apoio popular, Paes não confirmou presença na festa, e Lula ficará recolhido em casa sem agendas públicas.
Condenado em segunda instância a 12 anos e 1 mês de detenção, o petista evitará tumultos no Carnaval e se concentrará nas estratégias de defesa para evitar a prisão no próximo mês e manter a pré-candidatura à Presidência da República. Assim como Lula, praticamente todos os pré-candidatos ao Palácio do Planalto evitarão o tumulto carnavalesco neste ano.
CARAVANA – Depois de ter adiado uma viagem no Ano Novo com a família por problemas de saúde, o presidente Michel Temer — que ainda não se colocou oficialmente como postulante à reeleição — passará o fim de semana de folia na base naval da Restinga da Marambaia, no Rio de Janeiro. Inicialmente, o chefe do Executivo tinha solicitado uma comitiva de 60 pessoas para acompanhá-lo, mas críticas o fizeram diminuir o contingente para 40 pessoas.
Focado nas prévias internas do PSDB contra o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ficará em casa com a família, assim como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que está com o quinto filho, Felipe, recém-nascido. “No momento em que estamos, o melhor que eles podem fazer é ficar em casa. Participar de festas de Carnaval não acrescenta votos para políticos que buscam cargos majoritários e, pior, pode se transformar em um momento de constrangimento. Há um risco muito grande de ele virar um meme nas redes sociais e a propaganda ser negativa”, comenta o professor de Ciência Política da PUC-RJ Ricardo Esmael.
REFORMA – Ainda sonhando com uma candidatura e com a aprovação da reforma da Previdência na Câmara, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, também ficará em casa, no Rio de Janeiro, mesma opção feita pelo presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, pré-candidato do PSC ao Planalto.
Em luto pelo falecimento do pai, o conforto do lar também foi a escolha da ex-senadora Marina Silva para os dias de folia. Para o professor e cientista político da Universidade de Brasília (UnB) David Fleischer, já não é mais tempo de se misturar política com carnaval, só se for para fazer sátiras. “O país não está muito bem e eles saírem da imagem de pessoa séria para brincar carnaval pode ser interpretado de forma errada. Não dá mais para sobreviver do lema ‘falem mal, mas falem de mim’”, diz.
RECUPERAÇÃO – Após uma viagem a Dourados (MS), o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL-RJ) manterá a rotina de se recolher durante a festa, já que nunca foi muito de foliar. O mesmo fará o senador Alvaro Dias (Podemos), que aproveitará o feriadão para descansar em casa em Curitiba para retomar a pré-candidatura logo após a quarta-feira de Cinzas. Já o pré-candidato do PDT, Ciro Gomes, conhecido pelo samba no pé e por apreciar a festa, passará os próximos dias quieto, em recuperação de uma cirurgia de septo nasal.
Mais atuantes nas redes sociais, o presidenciável do Novo, João Amoedo, ficará em casa porque, segundo aliados, o Carnaval já perdeu há tempos o caráter de festa popular. “Até a Daniela Mercury extinguiu a pipoca do bloco dela”, comentou um amigo próximo. E, sem perder a temática, a presidenciável do PCdoB, Manuela D’Ávila, postou um vídeo descontraído nas redes sociais dando dicas de como curtir a festa com responsabilidade e respeito. Ela aproveitará o descanso para terminar a dissertação do mestrado em políticas públicas.
LIBERADOS – Os dois “quase” presidenciáveis que ainda têm liberdade para aproveitar a festa sem perigo de questionamentos, já que não são políticos, são o ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa e o apresentador de televisão Luciano Huck. Barbosa prometeu dar uma resposta ao PSB até o fim do mês sobre uma possível candidatura e deve passar o carnaval com amigos. Já Luciano Huck, fã de carteirinha da festa na Sapucaí e famoso por promover grandes eventos em casa, flertou com o PSDB na última semana e ficou de responder se entrará na disputa ao Planalto, mas só depois dos festejos de Momo.

13 de fevereiro de 2018
Paulo de Tarso Lyra 
Natália Lambert
Correio Braziliense

CORREIO DA MANHÃ ASSEGUROU PARA SEMPRE SEU LUGAR NA HISTÓRIA DO BRASIL


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Correio da Manhã, às vésperas do golpe
De todos os jornais brasileiros que desapareceram ao longo do tempo, o Correio da Manhã, na minha opinião, é o único que assegurou um lugar permanente na História do Brasil e o único cuja memória, quarenta e quatro anos após seu naufrágio, é cultuada por muitos que lá trabalharam e também pelos historiadores modernos do país. Testemunhando a história, participando das tormentas próprias da política, o Correio da Manhã foi responsável pela produção de vários episódios históricos.
Um deles foi destacado pelo jornalista Roberto Pompeu de Toledo, num belo e emocionante artigo publicado na revista Veja que está nas bancas. Pompeu de Toledo comparou a bravura do CM com a que marca a também inesquecível história do Washington Post, que motivou um excelente filme que se encontra em cartaz. O Washington Post enfrentou as tormentas que marcaram a revelação de documentos secretos da Casa Branca sobre a Guerra do Vietnã e também foi protagonista decisivo do escândalo Watergate, cujo desfecho levou o Presidente Richard Nixon à renúncia.
CORTE NO TEMPO – A comparação, entretanto, produz um corte no tempo. O jornal Washington Post pulsa vibrantemente até hoje, enquanto o Correio da Manhã submergiu para sempre em 1974. Eu estava lá, e continuo entre os sobreviventes que não esqueceram as páginas marcantes que nortearam a vida do jornal. Pompeu de Toledo destacou principalmente a resistência de Niomar Moniz Sodré Bittencourt à ditadura que se instalou no Brasil em 1964. Porém, muitos outros episódios vibrantes ocorreram na história do jornal desde sua fundação em 1901, no alvorecer da República.
São muitos. Com o duelo à bala que colocou frente a frente o senador Pinheiro Machado e o jornalista Edmundo Bitencourt, pai de Paulo. O duelo foi ao primeiro sangue, Edmundo saiu ferido. Na década de 20, o jornal foi cercado pelas tropas ao governo Artur Bernardes, que suspendeu arbitrariamente sua circulação, em represália à publicação de cartas aos militares apontadas como de autoria do próprio presidente da República. Há historiadores, como Hélio Silva, que focalizaram a hipótese de as cartas serem falsas, porém falsificadas no Palácio do Catete.
POSSE DE JK – Passaram-se pouco mais de duas décadas e o Correio da Manhã, sob a direção de Antonio Callado, defendeu com ardor a posse de Juscelino Kubitschek, vitorioso nas urnas de 55, mas objeto da tentativa de golpe liderada por Carlos Lacerda, que aliás começara sua vida no jornal como colunista do CM. Sua coluna chamava-se “Da Tribuna da Imprensa”. Ele levou o nome para fundar, em 1949, outro jornal que também desapareceu no tempo.
Falei em 1955 e esse ano marca também o desafio do então Senador Juraci Magalhães a Paulo Bittencourt para um duelo à pistola no Uruguai. No Uruguai,  porque a lei brasileira proibira esse tipo de confronto.
O Correio da Manhã apoiou a candidatura JK, embora fazendo ressalvas à presença de João Goulart que integrava a chapa vitoriosa.
RENÚNCIA DE JÂNIO – Saltamos aqui para 1961. O presidente Jânio Quadros renunciou. Rei morto, rei posto nas palavras do mesmo Juraci Magalhães. Houve nova luta pela legalidade na trajetória do Correio da Manhã. O jornal, já agora com Luiz Alberto Bahia no comando, enfrentou a polícia de Lacerda e forças militares sublevadas, integrando-se na defesa da investidura de Jango, cuja eleição o jornal não apoiara, mas defendia o cumprimento da Constituição, com a garantia da posse ao vice-presidente eleito.
Goulart afastou-se da estrada da lei e o Correio da Manhã com três artigos “Basta”, “Fora” e “Basta e Fora”, defendeu seu impedimento. Dois desses artigos são lembrados por Pompeu de Toledo. Mas existem um terceiro e um quarto. Os três primeiros escritos por Edmundo Muniz. O quarto editorial: “Basta, Fora a Ditadura,” teve Otto Maria Carpeaux como autor. Os historiadores de agora não devem esquecer o último da série em que Carpeaux previa os anos de chumbo.
VEIO O AI-5 – Depois, em 1968, o jornal defendeu o deputado Marcio Moreira Alves, que era um de seus colunistas. A tragédia do Ato Institucional nº 5 desabou sobre o país e arrastou o jornal, que nascera no despontar do século XX, para o precipício de 1974. 
Não havia mais comando na redação, tantos foram os percalços. O jornal morreu nas minhas mãos. Mas continua vivendo na História e para sempre será assim.        
Roberto Pompeu de Toledo ajudou a iluminar uma curva no passado.

13 de fevereiro de 2018
Pedro do Coutto

LÍDERES DE REDES SOCIAIS REJEITAM OFERTA DO GOVERNO PARA DEFENDER A REFORMA


Planalto diz que é uma prática comum de mercado
Pelo menos três influenciadores digitais relataram, em suas redes sociais, que receberam ofertas do governo federal para fazer postagens em defesa da reforma da Previdência. Flavia Gamonar (professora da Universidade Estadual Paulista, com 674 mil seguidores no LinkedIn), Murillo Leal (jornalista e palestrante, com quase 256 mil seguidores) e Matheus de Souza (blogueiro, com 85 mil seguidores) dizem que recusaram a proposta.
“Hoje fui abordada por uma grande instituição para escrever sobre um assunto polêmico e que grande parte da população é contra. Mais do que isso, uma verdadeira caixinha de surpresas. Inicialmente até me interessei, por entender que eu poderia dizer o que desejasse, mas não era isso. Era pra falar bem”, escreveu Flavia Gamonar num post, no LinkedIn.
ÉTICA – A professora explica por que decidiu não aceitar a oferta: “Receber uma proposta dessa e poder cobrar o que você quiser pode mexer com a cabeça de muita gente. Mas por uma questão ética e de valores pessoais decidi não aceitar. Sei de minha responsabilidade como comunicadora e respeito muito minha comunidade”
O jornalista Murillo Leal conta que recebeu um telefonema de alguém que dizia representar “a parte publicitária do governo”: “Era um ‘convite’ do Governo Federal. Sendo influenciador aqui, queriam que eu escrevesse (positivamente) sobre a reforma da Previdência. Não acreditei. Chequei e era real. Estão investindo em publicidade. Obviamente, este dinheiro alto seria bem vindo na minha conta. Claro, não aceitei”.
DESCRÉDITO – Já o blogueiro Matheus de Souza relatou, no LinkedIn, que acordou com um “convite do governo federal para falar bem da reforma da Previdência”, mas não aceitou: “Em 2017 participei de algumas ações no LinkedIn. Todas elas realizadas com empresas que conheço e confio. Nesse caso, não confio na empresa (Governo), nem no produto (Reforma da Previdência)”.
Em nota, o governo diz que não autorizou a contratação de influenciadores: “É uma prática comum do mercado de comunicação utilizar-se de porta-vozes para transmitir mensagens à sociedade.Também é pratica usual de empresas que oferecem esse tipo de serviço, atuarem proativamente e apresentarem propostas comerciais a marcas e governos. Para isso, consultam antecipadamente, os possíveis contratados, para saber de sua disponibilidade em participar ou não com tais depoimentos. O Governo não solicitou os contatos aos usuários do Linkedin e a proposta apresentada não foi autorizada”.

13 de fevereiro de 2018
Deu no O Globo

TEMER DESISTE DO CARNAVAL E VAI A RORAIMA PARA CONHECER O EXÔDO VENEZUELANO

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Mais de 30 mil venezuelanos já estão em Boa Vista
Pela primeira vez em quase dois anos, desde que assumiu a Presidência da República, o interno Michel Temer (MDB) fará sua primeira viagem oficial para Boa Vista. Ele embarca rumo à capital de Roraima na manhã desta segunda-feira (12) para discutir medidas emergenciais para a crise do êxodo venezuelano, que vem gerando diversos problemas na região. A previsão é de que o presidente retorne no mesmo dia. “Finalmente eles se conscientizaram do drama da situação. É uma crise humanitária, que não se trata de números, mas de pessoas”, declarou a prefeita de Boa Vista, Teresa Surita (MDB).
Na manhã desta segunda, está marcada uma reunião entre Temer, Surita, a governadora de Roraima Suely Campos (PP), o líder do governo no Senado, Romero Jucá (MDB-RR), e outras autoridades. O Judiciário foi acionado, assim como os congressistas do Estado.
40 MIL REFUGIADOS – A estimativa é de que hoje existam cerca de 40 mil venezuelanos só em Boa Vista, o que equivale a 10% da população de cerca de 330 mil moradores da capital roraimense, em situações não raro degradantes.
Segundo a Polícia Federal, de 2014 a 2017 os pedidos de refúgio de venezuelanos saltaram de 21 para 14.231. Ainda de acordo com o órgão, somente no ano passado entraram em Roraima 70 mil venezuelanos. Em janeiro deram entrada no país 12,1 mil.
O fluxo crescente começa a despertar reações xenofóbicas na população local. Para a Conectas Direitos Humanos, os incidentes, propositais, são resultado da falta de uma resposta clara e articulada dos poderes federais, estadual e municipais na acolhida adequada do recente fluxo migratório de venezuelanos para o Brasil. A Venezuela vive uma grave crise econômica, que começou com a queda do preço de petróleo, principal produto de exportação do país.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Temer está em campanha pela reeleição, sentiu o impacto negativo da pretendida viagem à base naval no Rio, com mordomia e 60 assessores, e voltou atrás. Primeiro, reduziu para 40 o número de aspones. Depois, abriu uma janela para ir a Roraima, com objetivo de conseguir alguma repercussão positiva, em meio ao “vendaval” Segóvia. Na verdade, Temer só pensa “naquilo”… — a reeleição. (C.N.)

13 de fevereiro de 2018
Deu em O Tempo

O HUMOR DO DUKE...

Charge O Tempo 11/02/2018
13 DE FEVEREIRO DE 2018