"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

POLÍCIA FEDERAL COMEÇA A DESMONTAR A GANGUE DE PICCIANI NA POLÍTICA ESTADUAL


Picciani corrompeu os próprios filhos e Felipe será preso
Na mais importante ofensiva contra a corrupção no Rio de Janeiro desde a prisão do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), em novembro do ano passado, a Procuradoria Regional da República da 2ª Região (PRR-2), em parceria com a Polícia Federal (PF), desencadeou na manhã desta terça-feira a operação “Cadeia Velha”. A PF está nas ruas para cumprir mandados de prisão contra Felipe Picciani, filho do presidente da Alerj, deputado Jorge Picciani, e também gerente da Agrobilara, a empresa que conduz os negócios da família. Há ainda mandados de busca e apreensão nos gabinetes da presidência da Alerj e de Picciani, e dos deputados Paulo Melo e Edson Albertassi, todos do PMDB. Os procuradores também pediram a prisão dos parlamentares, que serão conduzidos coercitivamente a depor neste primeiro momento.
Os mandados de prisão se estendem ainda a Jorge Luiz Ribeiro, braço direito do presidente da Alerj; Andréia Cardoso do Nascimento, chefe de gabinete do deputado Paulo Melo; e do irmão dela, Fábio, também assessor de Melo. E também contra empresários ligados a Fetranspor, Lélis Teixeira, José Carlos Lavouras e Jacob Barata Filho.
SEM FLAGRANTE – Jorge Picciani, Melo e Albertassi só não serão presos neste momento porque a Constituição estadual, no Artigo 120, estabelece como única possibilidade de prisão provisória o flagrante de crime inafiançável, à exceção de casos com licença prévia da Alerj. Mas as três prisões não estão descartadas. No mesmo instante em que a operação ocorre, os procuradores regionais da República responsáveis vão pedir ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), fórum competente para o caso, que considere flagrantes os crimes atribuídos a Picciani, Melo e Albertassi.
A PRR-2 vai pedir as prisões preventivas e em flagrante dos parlamentares. No mesmo pedido enviado ao TRF-2 foi solicitado também o afastamento imediato dos alvos de suas funções políticas na Assembleia.
CRIME CONTINUADO – Os procuradores sustentam que o flagrante existe porque o trio de parlamentares comete até hoje crime continuado de lavagem de dinheiro, já que o esquema não cessou, de acordo com a investigação. Este pedido será submetido pelo relator do caso, desembargador Abel Gomes, ao colegiado da Seção Criminal do TRF-2, formada pelos seis desembargadores das turmas de Direito Penal, em sessão especial provavelmente nesta quinta-feira.
Deputados estaduais, empresários e intermediários são acusados de manter uma caixinha de propina destinada à compra de decisões na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) para o setor de transportes. O esquema, concluíram os investigadores, teria começado nos anos 1990, por Cabral, e hoje seria comandado pelo presidente da Casa, deputado Jorge Picciani, por seu antecessor, deputado Paulo Melo, e pelo líder do governo Edson Albertassi, caciques do PMDB fluminense.
MANDATOS DE PRISÃO – Estão ainda na lista de presos os principais nomes da cúpula da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio (Fetranspor), Lélis Teixeira (presidente), José Carlos Lavouras e Jacob Barata Filho, todos alvos da primeira fase da Operação “Ponto Final”, deflagrada em julho, e que haviam sido libertados por liminar do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
São alvos de condução coercitiva: os deputados Jorge Picciani, presidente da Alerj, Paulo Melo e Edson Albertassi, todos do PMDB. Como alvos de prisão temporária: Felipe Picciani, Ana Cláudia Jaccoub, Márcia Rocha Schalcher de Almeida e Fábio Cardoso Nascimento
Alvos de prisão preventiva: Jorge Luiz Ribeiro, Carlos Cesar da Costa Pereira, Andreia Cardosso do Nascimento, Lélis Teixeira, Jacob Barata Filho e José Carlos Lavouras.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Vamos ver se o ministro/sinistro Gilmar Mendes terá coragem de soltar Jacob Barata novamente. Quanto à Picciani, o nome já diz que se trata de uma famiglia, altamente mafiosa e muito prestigiada, que inclusive participa do Ministério de Michel Temer. (C.N.)


14 de novembro de 2017
Chico Otavio e Daniel Biasetto
O Globo

POLÍCIA FEDERAL ENFIM ACABA COM A FARRA DA QUADRILHA DO PMDB NO RIO DE JANEIRO


Agentes fazem busca no gabinete de Picciani na Alerj
Os tribunais de contas foram criados para evitar a pilhagem dos cofres públicos. Com frequência, fazem o contrário. Tapam os olhos para os desvios e embolsam parte do dinheiro roubado. Em março, a Polícia Federal promoveu uma faxina no Tribunal de Contas do Estado do Rio. Dos sete conselheiros, cinco foram varridos para a cadeia. Um sexto, que delatou os comparsas, passou a cumprir prisão domiciliar.
De acordo com as investigações, o grupo participou ativamente da quadrilha de Sérgio Cabral. O governador armava as negociatas e repassava uma comissão aos fiscais corruptos. O propinoduto operou em diversas áreas, da reurbanização de favelas à partilha de linhas de ônibus.
INDICAÇÃO POLÍTICA – Todos os presos chegaram ao tribunal de contas por indicação política. Quatro foram deputados estaduais. Os outros dois prestaram serviços a governos do PMDB. Ao menos um deles esteve na memorável farra dos guardanapos em Paris.
A Operação Quinto do Ouro deu ao Rio uma chance de começar de novo. O governador Luiz Fernando Pezão, herdeiro político de Cabral, preferiu ignorá-la. Na semana passada, ele indicou outro deputado estadual para uma cadeira no TCE.
O escolhido, Edson Albertassi, é ninguém menos que o líder do governo na Assembleia. Está no quinto mandato e, nas horas vagas, comanda uma rádio evangélica. Para surpresa de ninguém, é filiado ao PMDB.
ERA VEZ DE AUDITOR – A oposição protestou contra a escolha. Pelo que determina a Constituição estadual, o governador deveria ter indicado um auditor de carreira. Ele driblou a regra e optou por mais um político aliado.
Nesta segunda, o Tribunal de Justiça suspendeu a nomeação de Albertassi. Com isso, Pezão ganhou outra oportunidade de nomear um fiscal independente. Ao que tudo indica, ele vai arremessá-la pela janela. Cabral já foi condenado a 72 anos de prisão, mas a farra do PMDB fluminense não terminou.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Nesta terça-feira, a Polícia Federal desbaratou a gangue do PMDB estadual, chefiada por Jorge Picciani, cuja prisão será requerida pela Procuradoria, em um pedido que incluirá também os deputados Paulo Mello e… Edson Albertassi. Um dos filhos de Picciani, Felipe, foi preso em Uberaba. Mas ficou faltando prender Pezão, o novo chefe da quadrilha. E isso é apenas questão de tempo. (C.N.)


14 de novembro de 2017
Bernardo Mello Franco
Folha

PIADA DO ANO: ADVOGADO AINDA NÃO SABE POR QUE O FILHO DE PICCIANI FOI PRESO...

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Depois do filho felipe, Picciani se tornou a boa da vez
A Polícia Federal prendeu em Uberlândia, na manhã desta terça-feira (14), Felipe Picciani, filho do presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Jorge Picciani. A ação foi feita durante Operação Cadeia Velha, um desdobramento da Lava Jato, que acontece no Rio de Janeiro e Triângulo Mineiro. Havia um mandado de prisão temporária contra Felipe. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Uberaba.
Segundo confirmou o delegado-chefe da PF em Uberlândia, Carlos Henrique Cotta D’Ângelo, Felipe foi preso por volta das 6h perto do aeroporto da cidade. Ele havia levado o pai, Jorge Picciani, para embarcar para o Rio de Janeiro. Assim que desembarcou no RJ, Jorge Picciani foi conduzido para depor na sede da PF. Já o filho segue preso em Uberlândia e será levado para o Rio de Janeiro à tarde, em um voo comercial.
SEM INFORMAÇÕES – O advogado Cláudio Fontoura está na sede da PF acompanhando Felipe Picciani e informou que ainda não foram esclarecidas as razões do mandado de prisão. “Nós não temos ciência. A Polícia Federal de Uberlândia tá cumprindo uma ordem que veio de fora. O meu cliente não sabe as razões, eu também não tive acesso. Eu estou aqui apenas para assegurar se está tudo bem”, disse.
Foram presos na operação desta terça o empresário Jacob Barata Filho e o ex-presidente da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor) Lélis Teixeira.
O presidente da Alerj, Jorge Picciani, é suspeito de receber propina da Fetranspor, em um esquema de corrupção no setor que envolveria políticos. Segundo a PF, as empresas de ônibus colocavam dinheiro em uma “caixinha”, destinada ao pagamento de propina a políticos para aprovar leis que beneficiariam o setor. A informação chegou ao Ministério Público Federal (MPF) com a delação premiada do doleiro Álvaro José Novis.
35 MANDADOS – Também são cumpridos 35 mandados de busca e apreensão na operação desta terça-feira. Em Uberaba, a PF cumpriu quatro desses mandados, sendo três em imóveis rurais e um residencial da família Picciani. Documentos foram apreendidos nos imóveis.
Um dos alvos foi uma fazenda às margens da BR-050 onde fica a empresa Agrobilara, que pertence à família Picciani. A Agrobilara é uma das principais fornecedoras de genética de gado nelore do Brasil. Felipe estaria à frente dos negócios, que tem como sócios o pai, Jorge, e os irmãos Leonardo Picciani, ministro do Esporte, e Rafael Picciani, deputado estadual.
Por volta das 6h, equipes da Polícia Federal chegaram à sede da fazenda. Eles foram recebidos por funcionários, que não tinham chaves do imóvel. Um terceiro funcionário chegou e abriu. Por volta das 8h, a equipe da PF deixou a fazenda. Documentos apreendidos foram encaminhados à sede da Polícia Federal em Uberaba.
A Agrobilara Comércio e Participações Ltda já foi citada em investigações da Lava Jato por supostas atividades ilícitas na delação premiada de Jonas Lopes, ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ). Segundo a delação, a compra de gado foi usada para lavar dinheiro de propina.
OUTRAS PRISÕES – O ex-presidente da Fetranspor, Lélis Teixeira, chegou na sede da PF às 9h30. Assim como Barata Filho, ele teve mandado de prisão preventiva – sem prazo definido – expedido pela Justiça na operação Cadeia Velha.
Barata Filho e Lélis Teixeira já tinham sido presos na operação Ponto Final, em julho. Porém, em agosto, foram liberados por decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Trinal Federal. Eles tiveram a prisão revertida em recolhimento domiciliar noturno.
Dono de mais de 25 empresas de ônibus no Rio e filho de Jacob Barata, conhecido como “Rei do ônibus”, Barata Filho é suspeito de pagar propina para políticos em troca de decisões favoráveis a seus negócios, como aumento da tarifa de ônibus. Lélis Teixeira é suspeito de ser o responsável por dar as ordens para o pagamento de propina na ausência de José Carlos Lavouras, que era o presidente do Conselho de Administração da Fetranspor e também foi preso na Ponto Final.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– A Piada do Ano é do advogado da famiglia, que procura saber por que o filho de Picciani foi preso. No presente caso, é uma paródia da velha piada da mulher do árabe. Nem é preciso a Polícia ter motivos para fazer as prisões, porque os envolvidos sabem exatamente por que estão sendo trancafiados. (C.N.)


14 de novembro de 2017
Vanessa Pires e Bruno Sousa
G1 Triângulo Mineiro

VILLAS BOAS NOVAMENTE DESCARTA INTERVENÇÃO E NÃO FALA NADA SOBRE BOLSONARO

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Doente, Villas Bôas vai abandonar o cargo
O general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, comandante-geral do Exército, é um dos responsáveis por assegurar a defesa do país. Ao mesmo tempo, é um homem que trava uma batalha pessoal com a própria saúde. Em março deste ano, ele revelou, em um vídeo institucional divulgado no YouTube, estar enfrentando uma doença neuromotora degenerativa que afeta a musculatura. Cinco meses depois, com a mobilidade bastante restrita e a respiração mais ofegante, ele tem participado de eventos usando uma cadeira de rodas.
Em entrevista à BBC Brasil, por telefone, o próprio comandante classificou a situação dele como “inaudita”. Mas garante que a saúde mais fragilizada, que contrasta com a imagem de um soldado pronto para a guerra, não é, para ele, motivo para ele deixar o posto. O trabalho, diz ele, o ajuda a enfrentar a doença. Nos bastidores da caserna, porém, já se especula quem será seu sucessor.
SEM TUTELA – Questionado sobre os pedidos de intervenção militar que surgiram em certos setores nos últimos anos, o Villas Bôas foi categórico em dizer que a própria sociedade brasileira é capaz de encontrar uma solução para a crise sem que isso ocorra. “O Brasil tem um sistema que dispensa a sociedade de ser tutelada”, declarou.
O comandante falou também sobre o emprego – e limitações – das Forças Armadas para conter a escalada da violência urbana. Para ele, que mais de uma vez já criticou o uso delas em ações para garantir a manutenção da lei e da ordem em cidades, o Exército nas ruas pode melhorar a sensação de segurança apenas de forma passageira.
E chamou ainda de “alarmistas” os críticos do exercício militar que o Exército fez na Amazônia com a participação de representantes de 20 países.
A DOENÇA – Villas Bôas se diz frustrado por não poder percorrer as unidades do Exército, mas garante que o exercício da função o ajuda a enfrentar a doença. “Me fortalece e me anima”, diz, complementando, no entanto, “que não quer dar um caráter heroico ao que está acontecendo”.
O general afirma não ver razão para ir para a reserva e que desde que assumiu publicamente a doença tem recebido “muitas manifestações de solidariedade e apoio”.
Após o comandante assumir a doença publicamente, as especulações sobre sua sucessão ganharam corpo. Há quem acredite que ele esteja resistindo no cargo e enfrentando pressões internas para evitar que nomes mais “linha-dura” e ícones dos “intervencionistas” – como o general Antonio Hamilton Mourão, atual secretário de Economia e Finanças do Exército – assumam o comando da Força.
PERFIL IDEAL – Questionado sobre o perfil de um comandante em tempos de crise política, turbulência econômica e apelos cada vez mais crescentes por intervenção, Villas Bôas diz não ser possível traçar características ideais.
“Com relação ao perfil ideal para comandante do Exército, não se pode traçar um perfil considerado ideal, já que os estilos de liderança são absolutamente individualizados. Cada pessoa estabelece seu estilo de liderança de acordo com as circunstâncias, com sua capacidade, com o ambiente e de acordo com os objetivos que ele estabelece. Não há como traçar um perfil para essa função.”
Sobre os apelos por intervenção militar agregarem complexidade à missão de comandar o Exército e a tropa de mais de 200 mil homens, Villas Bôas diz que não há nenhuma dificuldade interna e salienta a necessidade de ficar longe das disputas político-partidárias.
UNIÃO – “O Exército está coeso e absolutamente consciente de que é uma instituição de Estado e de que não cabe participar de uma dinâmica de caráter político e de caráter partidário”, afirma.
Ele próprio cita 1964, ano em que os militares assumiram o comando do Brasil, para salientar quão diferentes eram as circunstâncias daquela época se comparadas com o momento atual.
“Sempre vêm lembranças relativas ao período de 1964… O Exército continua o mesmo daquele período, com os mesmos valores, os mesmos princípios, os mesmos objetivos, mas as circunstâncias mudaram muito”, diz, acrescentando que eram tempos de Guerra Fria, em que até mesmo a coesão do Exército estava ameaçada. “O Exército estava na eminência de rachar.”
AMADURECIMENTO – Hoje, afirma Villas Bôas, o país tem instituições amadurecidas. “Tanto que a gente vem nessa crise já há algum tempo e as instituições permanecem cada uma cumprindo as suas funções. O Brasil é um país complexo, tem um sistema de pesos e contrapesos que dispensa a sociedade de ser tutelada. Então ela própria, a sociedade, tem que encontrar os caminhos para a superação dessa crise.”
Além de se posicionar contra a necessidade de intervenção militar para resolver a atual crise, o comandante também tem uma visão crítica em relação ao uso das Forças Armadas para conter a violência urbana.
“Quero ressaltar que não se pode esperar que o emprego das Forças Armadas, no nosso caso o Exército, vai resolver o problema de segurança pública. Essa é uma problemática que tem raízes muito profundas e decorre de falência, de não funcionamento ideal de vários outros setores da atuação governamental ou até mesmo de responsabilidade da sociedade”, afirma.
FALTA EDUCAÇÃO – “Aí vem o problema da educação e da disciplina social, das quais a nossa sociedade está carente. Vem o problema de falta de alternativa para a juventude e algo que lhes dê uma esperança no futuro.”
“Faço questão de ressaltar que o emprego das Forças Armadas simplesmente não vai resolver a problemática de segurança pública. Pode contribuir? Sim para a sensação de segurança da sociedade, mas isso é passageiro.”
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Infelizmente, o general não tocou no assunto da sucessão presidencial nem deu sua opinião sobre Bolsonaro. Saber o que ele pensa sobre o candidato seria muito interessante e importante. Ou será assunto-tabu, que o general pediu que não fosse abordado? (C.N.)


14 de novembro de 2017
Deu na BBC Brasil

NA SUCESSÃO PRESIDENCIAL, É PRECISO DISCUTIR AS IDÉIAS E NÃO APENAS AS PESSOAS

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Charge do Nani (nanihumor.com)
Estamos ainda a 11 meses das eleições presidenciais mas, com um presidente com baixíssima popularidade, com inúmeros políticos envolvidos em denúncias de corrupção, com as contas públicas desequilibradas e com a alta taxa de desemprego, é natural que o debate sobre as próximas eleições tenha sido antecipado. O enorme aparelhamento do Estado brasileiro – em benefício de projetos partidários – e a maior recessão da história do país são fatos que trouxeram importantes lições que devem nortear as escolhas que faremos em 2018.
Apesar de alguns sinais de leve recuperação da economia, o modelo de Estado que temos hoje está falido e precisa ser revisto. Essa revisão começa com o diagnóstico, passa pela definição de valores e princípios, pelo debate de propostas e termina no perfil das pessoas que queremos no comando, com uma análise das suas competências.
MUITO A DISCUTIR – Temos questões práticas a serem resolvidas: quais princípios irão nortear as nossas decisões? Qual a forma mais eficaz de combate à pobreza? Qual o modelo de previdência sustentável? Como termos uma representatividade política adequada? Como manter e aprimorar a independência entre os Poderes?
As respostas passam, necessariamente, pela definição de conceitos. O principal deles é saber qual caminho escolheremos: acreditar que as pessoas são capazes e responsáveis pelo seu destino ou apostar em uma classe política superior que, por meio de um Estado intervencionista, determinará o que devemos, podemos e estamos aptos a fazer.
Sou totalmente convicto de que o caminho para a construção de um país admirado e com qualidade de vida para todos é o primeiro, a definição de conceitos.
EM BAIXO NÍVEL – Infelizmente a discussão antecipada sobre 2018 está deixando esse debate de fora. Ela está muito concentrada na avaliação de nomes, quando deveria estar – neste momento e nos próximos meses – direcionada ao debate de ideias.
Ao discutirmos, prioritariamente, a viabilidade eleitoral de candidatos e não as suas competências para a reforma do Estado brasileiro, corremos o risco de – mais uma vez – adotarmos uma solução medíocre.
É lamentável que boa parte dos formadores de opinião e da elite brasileira se mantenha omissa do debate de ideias e continue a adotar o velho roteiro de procurar alguém que possa assumir o papel de salvador da pátria.
SEM CONVICÇÕES – Nesse cenário, a consequência é que vários candidatos passam a se utilizar das pesquisas, e não mais de suas convicções, para definirem os seus discursos. Porém, não podemos nos enganar, as suas práticas serão definidas pelas suas crenças.
A antecipação da discussão sobre o processo eleitoral deveria ser uma ótima ocasião para refletirmos sobre os valores e princípios necessários para a construção de um país desenvolvido, seguro e próspero. Não faltam exemplos pelo mundo.
Não podemos abrir mão dessa oportunidade, cabe a cada um de nós defender e adotar essa agenda para o Brasil.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– João Amoêdo, formado em engenharia civil e administração de empresas, foi sócio do banco BBA e vice-presidente do Unibanco. É um intelectual de grande valor, que fundou o Partido Novo e quer discutir em profundidade os problemas brasileiros. Mas o governo e os políticos não estão nem aí, não querem debater a Previdência, a dívida pública, os privilégios da nossa Nomenklatura, que parecem pior do que na antiga União Soviética… Aliás, não querem discutir nada nem mudar nada. (C.N.)

14 de novembro de 2017
João AmoêdoFolha

NOTA AO PÉ DO TEXTO

Não se pode discutir idéias, sem levar em conta as pessoas que as enunciam. Idéias são meros entes abstratos, conceitos, no entanto pessoas são concretas, seres ativos, portadoras de ações que nem sempre refletem as idéias apresentadas. Há contextos políticos, lugares apropriados para a realização de ações que concretizem as idéias, o que nem sempre, ou quase nunca acontece, visto que o contexto político é como areia de deserto soprada pelo vento do oportunismo, mudando constantemente de lugar, segundo interesses e conluios.
Discursos 'palanqueiros', políticos brasileiros são doutores, mas quando ganham o Congresso, viram as costas aos seus eleitores, às idéias e ao país. Por isso, chegamos onde chegamos: falência das instituições, que se transformaram em caminhos de corrupção, descrédito político e de partidos, do Parlamento e de parlamentares, e até mesmo das instituições.
Um Congresso quase inteiramente corrompido, e quando se fala em intervenção militar, levanta-se um 'auê', como se fosse algo terrível, que iria abalar e até mesmo destruir "as impolutas instituições", que apenas serviram de suporte para todo tipo de crimes e de impunidades.
Não consigo entender quando leio que  o país tem 'condições institucionais' para resolver os graves problemas políticos e de corrupção que o levaram ao caos econômico. 
Afinal de contas, o país se faz representar pelos seus parlamentares, e quem pode acreditar que os políticos que aí estão, os responsáveis pelo que vem acontecendo ao país, teriam a seriedade e a ética para realmente promover uma reforma institucional e política?
Não sei o que possa suceder ao nosso Brasil, se nada acontecer amanhã, dia 15 de novembro, dia tão propagado como o 'dia da libertação nacional' através da intervenção.
A crer no que diz o deputado e candidato a presidente Jair Bolsonaro, 2019 será tarde demais...
Não creio que os brasileiros conscientes estejamos procurando 'salvadores da pátria'. Se há uma forte corrente que se manifesta a favor do candidato Jair Bolsonaro, isso reflete simplesmente um cansaço dessa politicalha velha, rançosa e corrompida, que nada de novo pode aportar ao país. O discurso de Bolsonaro, que vem sendo atacado como 'imprevisível e incompetente', 'populista', 'oportunista' e se apresentando como 'salvador da pátria', revela o poder de uma oligarquia doente, reagindo à mudança que inevitavelmente ocorrerá, revela uma mídia esquerdista, insatisfeita com o surgimento de movimentos conservadores de direita, que a cada dia ganham mais espaço.
Quem viver, verá...
m.americo

MOVIMENTO 'FORA, AÉCIO' CRESCE NO PSDB, EM MEIO À TENTATIVA DE PACIFICAÇÃO

SÃO PAULO, SP - 12.11.2017: CONVENÇÃO ESTADUAL PSDB SÃO PAULO - O prefeito João Doria discursou, durante convenção estadual do PSDB, na manhã deste domingo (12) na ALESP. Na foto o prefeito fala ao lado do governador Geraldo Alckmin, do senador José Serra, do ex-governador Alberto Goldman e de outros representantes do partido. (Foto: Bruno Rocha /Fotoarena/Folhapress) ORG XMIT: 1425894 ***PARCEIRO FOLHAPRESS - FOTO COM CUSTO EXTRA E CRÉDITOS OBRIGATÓRIOS***
Doria já se tornou o principal nome do partido
Para o governador paulista Geraldo Alckmin, o momento era de “união e unidade”. Mas, com gritos de “fora, Aécio”, a convenção estadual do PSDB-SP, realizada neste domingo (12), na Assembleia Legislativa de São Paulo, mostrou que o racha no tucanato não cicatrizou. O mestre de cerimônias do evento bem que tentou: “Eu quero que você abrace a pessoa ao seu lado e fale: ‘Eu amo o PSDB'”. Mas o clima paz e amor dissipava rápido quando o nome do senador mineiro era evocado.
“Ele deveria colocar o pijama e voltar para a casa”, disse à imprensa Pedro Tobias, reconduzido no dia à presidência do diretório paulista da sigla, ao se referir a Aécio Neves. “Quieto ele ajuda mais.”
MUITAS BICADAS – Entre as últimas bicadas internas, destacam-se a permanência do PSDB no governo Michel Temer e a manobra de Aécio para reassumir a presidência nacional da legenda, destituir o senador Tasso Jereissati (CE) da interinidade e indicar o ex-governador de São Paulo Alberto Goldman para o cargo.
No sábado (11), o PSDB-MG fez sua própria convenção, e nela Aécio reconheceu que é hora do partido deixar a administração peemedebista, mas “pela porta da frente, da mesma forma como entramos”. Sem especificar qual cargo disputaria (se Senado, Câmara ou governo mineiro), ele disse que seu nome no pleito de 2018 é garantido.
Aécio se licenciou da liderança tucana após a descoberta de uma gravação em que pede R$ 2 milhões ao empresário e delator Joesley Batista.
COMPRA CAIXÃO – O espaço que reconquistou no partido é danoso, segundo Tobias. “Compra caixão, se sobrar caixão por aí.” Na mesma toada foi o secretário estadual Floriano Pesaro (Desenvolvimento Social), pré-candidato ao governo paulista. Para ele, Aécio “não pode contaminar membros do partido” e deve “se afastar para se defender” das acusações na Justiça.
Na convenção mineira Aécio “deitou e rolou”, afirmou o vereador Mario Covas Neto, que diz ter cogitado abandonar o PSDB, mas suspendeu a decisão por ora. “O ideal será esperar a convenção nacional [em dezembro]” para ver que rumo o tucanato tomará, afirmou. “Se saio agora, o grupo fisiológico ganha mais força.”
Na semana passada, Tasso já havia acusado Aécio de “fisiologismo”, e o senador rebateu dizendo que rechaça essa “pecha”.
BOLA PARA FRENTE –  Alckmin diz que não é hora de “discutir questões pessoais”, e sim de esperar a próxima eleição da diretoria do partido. “Bola para frente.” Também pediu para “aguardar” o desfecho da convenção nacional quando questionado se assumiria a presidência do PSDB.
Trata-se de uma “decisão coletiva do Brasil”, num pleito que já conta com “dois pré-candidatos”, afirmou. Além do cearense Jereissati, o governador de Goiás, Marconi Perillo, também pleiteia o posto.
Como antecipado pelo “Painel”,o governador já admite a aliados que está disposto a assumir as rédeas do partido se for aclamado pelas diversas correntes do partido.
PRESIDENCIÁVEL – A unanimidade, ao menos no diretório paulista, está em torno de Alckmin. A disputa interna entre ele e seu afilhado político João Doria, para ver qual dos dois conquistava a vaga de presidenciável tucano em 2018, parecia página virada na convenção.
“Estamos juntos”, disse o prefeito sobre Alckmin, quando a dupla desembarcou de uma van que trouxe outros caciques do partido em São Paulo, como Goldman, José Serra e José Aníbal.
Estiveram, mas não por muito tempo: Doria saiu antes dos colegas, para ir ao Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1. Antes, disse que aquela era a “convenção da pacificação”.
O prefeito e Goldman, o novo presidente do PSDB nacional, tentam deixar para trás o entrevero que nutrem há meses e que teve seu ápice em outubro, quando Doria chamou o ex-governador de “fracassado” que “agora vive em casa de pijamas”.
PIJAMA PARA GOLDMAN – A vestimenta para dormir, no entanto, foi lembrada por uma claque da base tucana, que fez um coro de “eu pedi pijama!” quando Goldman começou seu discurso.
“A gente leu que o PSDB tinha acabado. Onde, eu não sei. Aqui em São Paulo não acabou, não, e não vai acabar no Brasil”, disse o presidente do PSDB até a convenção nacional que elegerá a nova liderança partidária. “Não temos caciques, coronéis, imperadores, temos líderes que têm que responder à sua base”, afirmou em seguida, sem endereçar críticas a nomes específicos.
Na plateia, uma dirigente do PSDB Mulher cotovelou uma amiga e disse: “Primeiramente, fora Aécio…”.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – O PSDB já foi um grande partido. Agora se divide entre os velhos, de pijamas, e os novos, de cabeça preta. A união é um sonho que jamais será realizado. O maior líder hoje era Geraldo Alckmin, cujo apelido é “Picolé de Chuchu”. Hoje, João Doria é a principal liderança, mas não terá legenda para ser candidato. (C.N.)

14 de novembro de 2017
Anna Virginia BalloussierFolha