"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

quarta-feira, 15 de março de 2017

LULA DEPÕE, NÃO SABIA DE NADA E NÃO SABE NEM MESMO QUAL É A SUA RENDA MENSAL




PMs reforçaram a segurança no prédio da Justiça Federal para depoimento de Lula
PM fechou a rua de acesso e cercou a Justiça Federal
Em depoimento que durou cerca de 50 minutos durante audiência na 10ª Vara Federal, em Brasília, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) afirmou na manhã nesta terça-feira (14) que sofre um massacre e que as acusações contra ele são falsas. Neste processo, Lula é réu junto com outras seis pessoas acusadas de tentarem impedir o acordo delação premiada de Nestor Cerveró, ex-diretor da área internacional da Petrobras, no âmbito da Operação Lava Jato. O acordo de colaboração foi posteriormente firmado por Cerveró.
“Há mais ou menos três anos tenho sido vítima, eu diria, de um massacre”, disse. “Todo dia, no café da manhã, no almoço, na janta, alguém insinuando: ‘Tal delator vai prestar depoimento e vai delatar o Lula'”, afirmou o ex-presidente. “Eu não sou contra a Lava Jato. Sou contra execrar as pessoas pela imprensa”.
INDICADO PELO PMDB – Lula disse ainda que não tinha relação com Cerveró e que não temia a delação do ex-diretor da Petrobras. “Sobre o Cerveró, eu não o conhecia. Só agora ele ficou famoso. Eu só o vi em reuniões. Portanto, não tinha nenhum interesse de indicá-lo [para a Petrobras].”
O ex-presidente afirmou que Cerveró foi uma indicação do PMDB à diretoria da estatal. “Eu não definia cargos na Petrobras. O presidente não indica, só recomenda ao conselho da empresa a partir da capacidade técnica das pessoas”, disse.
NA CONDIÇÃO DE RÉU – Esta é a primeira vez que um juiz ouve Lula na condição de réu em processo aberto desde o início da Lava Jato, em março de 2014. Além desse caso, ele é réu em mais duas ações penais na 10ª vara de Brasília e em outras duas em Curitiba (PR), na vara do juiz federal Sérgio Moro.
Além de Lula, o ex-senador Delcídio do Amaral também é réu na mesma ação. “O depoimento de Cerveró era um problema para Delcídio e não para mim”, afirmou o ex-presidente. “Só tem um brasileiro que pode ter medo de uma delação do Cerveró. Era o Delcídio. Ele sim era próximo dele. Eu nunca fui próximo do Cerveró”, disse Lula.
Ainda senador, Delcídio Amaral foi preso em novembro de 2015 acusado de tramar a fuga de Cerveró do Brasil. Ele também firmou acordo de delação premiada. “Depois de presos há alguns dias, as pessoas começam a procurar um jeito de sair da cadeia. Acho que isso que aconteceu com o Delcídio”, declarou o ex-presidente.
RELAÇÃO COM BUMLAI – Em sua delação, Delcídio disse que Lula manifestou “grande preocupação com a situação de José Carlos Bumlai em relação às investigações da Lava Jato”, pois temia que o fazendeiro fosse preso “em razão das colaborações premiadas que estavam vindo à tona”, em especial a de Cerveró e a do lobista Fernando Baiano. Um dos pontos investigados pela Lava Jato é um empréstimo tomado por Bumlai com o banco Schain que teria sido destinado ao PT.
Em seu depoimento hoje, Lula afirmou que nunca discutiu negócios com o pecuarista Bumlai, de quem é amigo pessoal. “Bumlai sabe que a relação que ele tinha comigo não permitia que ele discutisse qualquer negócio, porque não levo para casa ninguém pra discutir negócio. Negócio eu discutia no Palácio [do Planalto]”, disse Lula.
Ao ser perguntado sobre se seu nome teria sido usado na negociação do empréstimo, Lula disse não ter conhecimento e que apenas Bumlai e os representantes do Schain poderiam confirmar a informação. “Se o senhor soubesse quanta gente usa meu nome em vão”, disse o ex-presidente.
RENDA MENSAL? – No começo da audiência, respondendo perguntas-padrão do juiz federal substituto Ricardo Augusto Soares Leite, que proibiu fotografar ou filmar o réu, Lula disse ter renda mensal de pelo menos R$ 30 mil — R$ 6.000 de aposentadoria pela anistia e R$ 26 mil ou 30 mil das empresas de palestras–, mas declarou ter dúvida sobre os valores exatos.
Um grupo de cerca de 50 manifestantes aguardou do lado de fora do prédio da Justiça Federal de Brasília o término do depoimento. Durante a saída do carro com Lula, o grupo entoou o coro de “Lula, guerreiro do povo brasileiro”. Antes, durante a audiência, foram ouvidos gritos de “Fora, Temer” e “Olê, olê, olá, Lula, Lula”. Deputados federais do PT também acompanharam a audiência.
COMBATE À CORRUPÇÃO – Na audiência, Lula também afirmou que nenhum outro governo fez tanto pelo combate à corrupção quanto as gestões do PT na Presidência da República e que não há políticos ou empresários que possam apontar nenhum ato ilegal praticado por ele.
“Duvido que tenha um empresário ou político que tenha coragem de dizer que um dia me deu 10 reais, ou que um dia Lula pediu 5 centavos pra ele”, disse. “Se tem um brasileiro nesse momento que quer a verdade nesse país, sou eu”, afirmou o ex-presidente.
Na reta final do depoimento, demonstrando emoção na voz, Lula disse ter interesse em esclarecer as denúncias contra ele para provar sua inocência. “O senhor está diante de um homem que está disposto a prestar tantos quantos depoimentos forem necessários”, disse. “Eu quero defender minha honra, que é valor mais importante que eu tenho”, afirmou.
PROCESSO NO FINAL – Lula foi o último réu a depor no processo, o que indica que a ação já está em sua fase final de julgamento.
Após o depoimento do ex-presidente, o juiz Ricardo Leite deu um prazo de cinco dias para que os advogados dos réus e também o Ministério Público Federal indiquem se querem solicitar mais alguma diligência, como a apresentação de novas provas ou depoimentos.
Depois dessa etapa, a próxima fase da ação é a apresentação de alegações finais pela acusação e pela defesa. Em seguida, o juiz emite sua decisão de julgamento, podendo condenar ou absolver os réus. Não há prazo para que a sentença seja proferida.
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PS –
 Com o fechamento da rua e o cerco da PM à sede da Justiça Federal, anunciado ontem, o PT desistiu da manifestação a favor de Lula. Quanto ao depoimento do ex-presidente, ele não mudou o estilo. Não sabe de nada, nunca viu nada, não fez nada. Não sabe nem quanto ganha. Acha que recebe R$ 26 mil ou R$ 30 mil de sua empresa de consultoria, que há anos não fatura nada, pois Lula não simula mais fazer “palestras” e ninguém o contrata para dar “consultoria”. Trata-se de um bem-sucedido brasileiro das “zelites”, que nem sabe quanto ganha. Como dizia Vinicius de Moraes, que maravilha viver. (C.N.)

15 de março de 2017
Felipe Amorim
Do UOL, em Brasília

TEMER INSISTE E VAI SE REUNIR COM GILMAR, MAIA E EUNÍCIO PARA ABAFAR A LAVA JATO




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Charge do Miguel, reproduzida do JC/PE
Às vésperas do pedido de investigação de dezenas de parlamentares citados na delação da Odebrecht, políticos de diversos partidos, integrantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o próprio presidente Michel Temer resolveram atuar para mudar as regras eleitorais e de financiamento das campanhas em 2018. Os envolvidos no debate sustentam que as alterações servirão para baratear os custos e, com isso, reduzir as irregularidades na disputa. Paralelamente, um grupo de deputados e senadores defende também que se aprove uma regulamentação que permita uma anistia para crimes cometidos em financiamento eleitoral nos últimos anos, e que estão na mira da Lava-Jato.
O presidente Michel Temer agendou para esta quarta-feira, no Palácio do Planalto, uma reunião sobre reforma política com os presidentes do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes, do Senado, Eunício Oliveira, e da Câmara, Rodrigo Maia. Será a primeira reunião formal de Temer para tratar do assunto. Até agora, o presidente vinha afirmando que a reforma política era uma atribuição fundamentalmente do Congresso. Dois pontos centrais devem ser abordados: a adoção de voto em listas partidárias e a criação de uma regra que limite o número de partidos.
FINANCIAR CAMPANHAS – Com a decisão do Supremo Tribunal Federal de proibir as doações de empresas, políticos de todos os matizes e mesmo ministros do TSE defendem a necessidade de se encontrar novas formas de financiamento para as campanhas. Em um almoço na residência oficial de Rodrigo Maia, no domingo, o presidente do TSE, Gilmar Mendes, citou um levantamento do cientista político Antônio Lavareda, mostrando que só os gastos declarados de caixa 1 ao TSE, pelos deputados federais, na última eleição, somaram R$ 5 bilhões, sem contar a campanha de deputados estaduais, senadores, governadores e presidente da República. E os recursos do Fundo Partidário para todas as campanhas não chegam a R$ 5 bilhões.
“Os recursos do fundo partidário não vão dar para cobrir as campanhas de todos os partidos sem financiamento privado. Isso poderia chegar a R$ 15 bilhões, e a sociedade não aceitaria” — argumentou Gilmar, segundo um dos presentes.
VOTO NO PARTIDO – Diante desse cenário, a avaliação do ministro é que seria necessário uma mudança no próprio sistema eleitoral para que ocorra uma redução radical de custos. A opção pelas listas partidárias, na qual o eleitor escolhe apenas o partido e não o candidato, foi apontada como a solução mais viável, uma vez que em vez de cada legenda ter dezenas de candidatos fazendo campanha simultaneamente e concorrendo entre si, haveria uma campanha única.
A alternativa, no entanto, enfrenta enormes resistências entre muitas legendas, especialmente as que têm menor apelo popular. Para valer para as próximas eleições, é preciso que essa minirreforma seja aprovada em cinco meses.
CAIXA 2 “LEGAL” – No almoço, os presentes também conversaram sobre a estratégia para se votar um mecanismo para descriminalizar o caixa 2 — que se trata de recursos de doação não-contabilizada nas prestações de contas ao TSE. A ideia majoritária é que isso seja discutido na votação das dez medidas de combate à corrupção, que será enviada pela Câmara ao Senado assim que a conferência de assinaturas do projeto de iniciativa popular foi concluída.
Segundo um dos presentes, tão logo o projeto chegue ao Senado, será designado um relator que fará um substitutivo ao texto já votado na Câmara, incluindo novas regras para disciplinar o chamado caixa 2.
“Esse assunto de um projeto para clareamento das regras de caixa 2 foi tocado de leve para não haver deturpação. Se vier a acontecer, será no texto das dez medidas. Será feito um substitutivo para votar de forma rápida, meteórica” — contou um dos senadores presentes.
PT DÁ O MAIOR APOIO – Apesar de não ter participado do encontro, o líder do PT, Carlos Zarattini (SP), defendeu na segunda-feira uma lei que trate de forma clara o caixa 2.
“Temos que ter uma legislação que defina claramente essas questões. Não se trata de falar de anistia, mas de estabelecer uma legislação que ponha ordem nessa situação. A partir dessa legislação, vai se fazer uma análise do passado. É o momento de fazer isso, porque da forma como está hoje, qualquer relação entre setor público e privado é considerada um crime. E não necessariamente um dinheiro que foi para um parlamentar é fruto de corrupção. Queremos separar as coisas — afirmou.
PRESENÇAS ILUSTRES – O almoço teve a presença do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), do senador Aécio Neves (PSDB-MG), do ministro Antônio Imbassahy (Secretaria de Governo) e de Gilmar Mendes, além do ministro Moreira Franco (Secretaria-Geral), do presidente do Senado, Eunício de Oliveira (PMDB-CE), e do líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros. Nesta segunda-feira, o presidente e o relator da reforma política, deputados Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) e Vicente Cândido (PT-SP), teriam um encontro com o relator do processo da chapa Dilma-Temer no TSE, Herman Benjamin. O tema seria financiamento eleitoral.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Notem que é uma matéria editorial de O Globo, preservando o repórter (ou os repórteres) para reunir mais informações. O texto mostra que o trator da bancada da corrupção, emprestado pelas empreiteiras, já está fazendo a obra de desmonte da Lava Jato, conforme temos denunciado aqui na TI. Pensam que vai ser fácil, estão enganados. Voltaremos ao trepidante assunto. (C.N.)

15 de março de 2017
Deu em O Globo

NOMEAÇÃO DE RÉ DA LAVA JATO REVELA QUE PEZÃO TAMBÉM ESTÁ REFÉM DE CUNHA




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Charge sem assinatura, reproduzida do Google
O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), nomeou uma aliada do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB), Solange Almeida (PMDB), para o cargo de secretária de Proteção e Apoio à Mulher e ao Idoso. A informação foi publicada no Diário Oficial do Estado desta segunda-feira (13). Ex-prefeita do município de Rio Bonito (RJ), Solange é ré na Lava Jato em um processo com Cunha, em denúncia feita pelo Ministério Público Federal (MPF).
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, acusou o ex-deputado de ter recebido propina no valor de ao menos US$ 5 milhões para viabilizar a construção de dois navios-sonda da Petrobras, no período entre junho de 2006 e outubro de 2012. Solange teria participado do esquema pressionando os operadores pelo pagamento de valores retidos.
RECEBEU PROPINA – Segundo a denúncia, Cunha recebeu vantagens indevidas para facilitar e viabilizar a contratação do estaleiro Samsung, responsável pela construção dos navios-sonda, sem licitação. A intermediação foi feita por Fernando Soares, operador ligado à diretoria internacional da Petrobras, de indicação do PMDB. A propina foi oferecida, prometida e paga por Júlio Camargo.
Janot pediu a condenação do ex-deputado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro e de Solange por corrupção passiva.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Na semana passada, o senador Renan Calheiros deu entrevista ao Globo, confirmando as denúncias da Tribuna da Internet de que o presidente Temer é refém de Eduardo Cunha. Agora, também o governador Pezão demonstra que está na mesma situação. Pezão, que não passa de um subproduto de Sérgio Cabral, está mostrando que, além de corrupto, também é idiota. Essa nomeação é um atestado de baixo QI intelectual e político. (C.N.)

15 de março de 2017
Deu no Estadão

MAIS DOIS CÚMPLICES DE CABRAL SÃO PRESOS NO RIO DE JANEIRO PELA LAVA JATO





Heitor sonhava em escapar morando em Portugal
Em novo desdobramento da Lava-Jato no Rio, a Polícia Federal cumpriu nesta terça-feira pela manhã dois mandados de prisão contra o diretor da RioTrilhos, Heitor Lopes de Sousa Junior, e o subsecretário de Turismo, Luiz Carlos Velloso (ex-subsecretário estadual de Transportes na gestão de Sérgio Cabral). A ação é um consequência da investigação de corrupção, pagamento de propina e contratos suspeitos da Linha 4 do metrô, no esquema chefiado pelo ex-governador.
As investigações são fruto de um acordo de leniência realizado pela Carioca Engenharia, cujos executivos indicaram o esquema de corrupção existente na Secretaria de Estado de Obras do Rio, consistente na cobrança de propina das empreiteiras envolvidas nos bilionários contratos de obras civis, com algumas variações, na Secretaria Estadual de Transporte e na Companhia de Transportes sobre Trilhos do Estado do Rio de Janeiro (Riotrilhos), especificamente no contrato de construção do Metrô Linha 4.
OUTROS MANDADOS – Agentes da PF, procuradores do Ministério Público Federal e auditores da Receita Federal estão nas ruas para cumprir também sete mandados de condução coercitiva e outros de busca e apreensão.
As prisões foram feitas na Lagoa e em Copacabana, na Zona Sul do Rio. Na Lagoa, foi preso Heitor Lopes de Sousa Junior. Ele é investigado por suspeita de recebimento de propina em contratos da Linha 4 do metrô, sempre em espécie e no canteiro de obra. Segundo o MPF, Heitor e a mulher Luciana Cavalcanti Gonçalves estudavam dar entrada em um pedido de cidadania portuguesa, o que indicaria uma possível fuga.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Enquanto isso, no Supremo, continua aquela letargia contagiante, rumo à impunidade institucionalizada. Mas que país é esse, Francelino Pereira? Mais de 40 anos depois, sua pergunta só foi respondida pelo Renato Russo. (C.N.)

15 de março de 2017
Chico Otavio
O Globo

PT ARMA ESQUEMA PARA INVIABILIZAR DEPOIMENTO DE LULA E A PM DECIDIU FECHAR A RUA



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Lula chegou na segunda-feira para mobilizar a militância
O depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Justiça Federal de Brasília, marcado para a manhã de terça-feira, terá reforço na segurança no local e levará até mesmo ao fechamento de uma rua. O ex-presidente é réu em ação penal que apura se ele tentou atrapalhar as investigações da Operação Lava-Jato. Segundo a Justiça Federal, trata-se de uma medida solicitada pela Polícia Militar (PM) para garantir mais segurança e evitar grandes manifestações contrárias ou a favor de Lula. A PM informou que a decisão de montar um esquema de segurança para o depoimento de Lula foi tomada pela Secretaria de Segurança Pública do DF.
O trecho interditado ao trânsito tem aproximadamente 700 metros, começando num supermercado e terminando numa loja de motocicletas vizinha ao prédio da Justiça Federal. Nem mesmo os servidores poderão passar por lá.
APENAS A TV – No local, serão permitidos apenas veículos de equipes de TV. A rua passa pelos fundos, mas é por ela que é possível chegar de carro e ao estacionamento. A frente do prédio fica virada para uma avenida movimentada, onde o acesso é apenas a pé ou de ônibus. O Globo procurou a PM para obter mais detalhes, mas não obteve resposta até agora.
Na semana passada, o juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília, negou o pedido do ex-presidente para depor por meio de videoconferência. Com isso, Lula terá que comparecer pessoalmente na Justiça Federal. Ele queria depor de São Bernardo do Campo, na Região Metropolitana de São Paulo, onde mora.
O juiz destacou que “tem atendido aos pleitos das defesas desde que dentro de suas possibilidades técnicas”, acrescentando: “Todavia, não poderá acolher postulação que envolva logística fora de suas capacidades, a par da indisponibilidade de videoconferência no dia 14/03/2017 com São Paulo e com São Bernardo do Campo”.
DEPOIMENTO ADIADO – A data do depoimento já tinha sido marcada no começo do mês passado. Inicialmente, Lula falaria no dia 17 de fevereiro, mas a audiência foi adiada a pedido da defesa do ex-presidente.
Lula e mais seis pessoas, incluindo o ex-senador Delcídio Amaral e o banqueiro André Esteves, são acusados de ter tentado comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, que estava negociando uma delação com o Ministério Público Federal (MPF). Delcídio chegou a ser preso por isso.
No fim, Cerveró e, posteriormente o próprio Delcídio, se tornaram delatores e passaram a colaborar com as investigações. Também são réus o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula; o filho dele, Maurício Bulai; Diogo Ferreira, ex-assessor de Delcídio; e Edson Ribeiro, ex-advogado de Cerveró.
SILÊNCIO DE CERVERÓ – O Delcídio foi preso em novembro de 2015 após ser flagrado em gravação tentando comprar o silêncio de Cerveró. Posteriormente, ele se tornou colaborador e foi solto. Em sua delação premiada, o ex-senador acusou Lula de participação na tentativa – frustrada – de derrubada da delação de Cerveró. Segundo Delcídio, o ex-presidente agiu para que a família Bumlai interferisse – inclusive financeiramente – nos rumos da colaboração do ex-diretor da Petrobras.
Delcídio disse ter procurado Maurício Bumlai e obtido repasses em dinheiro vivo. O próprio senador disse ter feito um repasse de R$ 50 mil ao advogado de Cerveró, Edson Ferreira. Os dados bancários mostram uma movimentação financeira pouco antes dos repasses em dinheiro vivo, conforme a denúncia. Ainda segundo a delação, André Esteves participou da trama. A assessoria do banqueiro alega que, depois disso, em 16 de maio deste ano, em entrevista ao programa “Roda Viva”, Delcídio isentou Esteves de culpa.
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NOTA DA REDAÇÃO DO GLOBO
 – O fechamento da rua foi determinado porque o PT pretende fazer uma grande manifestação diante da sede da Justiça Federal, com participação de parlamentares federais, ativistas do partido, militantes de movimentos sociais, sindicalistas e simpatizantes. A palavra de ordem do PT é bagunçar a Justiça Eleitoral, para evitar o depoimento de Lula, que chegou a Brasília nesta segunda-feira e participou de um congresso da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais, com a participação do secretário-geral da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Leonardo Ulrich Steiner, dos presidentes das centrais sindicais CUT e CTB e de parlamentares. Vamos ver se conseguirão inviabilizar o depoimento de Lula. Com o fechamento da rua, fica mais difícil. Mas tudo é possível no Brasil de hoje.(C.N.)

15 de março de 2017
André de Souza
O Globo

ESFORÇO DE GILMAR MENDES PARA EVITAR A CASSAÇÃO DE TEMER DESMORALIZA A JUSTIÇA


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Charge do Pataxó (pataxocartoons.blogspot.com)

Em meio à esculhambação institucional que caracteriza o Brasil nesta fase sinistra e sombria, ganha destaque o empenho do ministro Gilmar Mendes para evitar a cassação do mandato do presidente Michel Temer por crime eleitoral,  cometido na campanha de 2014 pela chapa PT/PMDB, encabelada pela então presidente Dilma. Na condição de integrante do Supremo e presidente do Tribunal Superior Eleitoral Rousseff, o ministro se esforça ao máximo para inocentar Temer, assumindo uma postura antiética, ilegal e deplorável. Ao mesmo tempo, tem defendido teses sob medida para abafar a Lava Jato.
AMIGO DE TEMER – Recentemente, Gilmar Mendes acompanhou Temer numa viagem à Lisboa, a repercussão foi péssima e ele se desculpou dando uma entrevista a O Globo, na qual alegou ser amigo de Temer há mais de 30 anos, revelação que depõe contra ele, que passa a estar obrigado a se considerar suspeito para julgá-lo, conforme determina expressamente o Código de Processo Penal.
Mas a lei não será cumprida, porque o digníssimo ministro jamais irá se declarar impedido, vejam a que ponto chegamos, com juiz e réu viajando e comemorando juntos.
ALTA CRIATIVIDADE – É deprimente constatar essa decadência do Judiciário, com um ministro do Supremo e do TSE a dar declarações como se fosse advogado de um réu que irá a julgamento justamente nos dois tribunais em que o magistrado atua.
Em busca de abrir brechas à defesa do velho amigo, Gilmar Mendes não mede esforços e demonstra alta criatividade jurídica. A primeira iniciativa do presidente do TSE foi inventar a tese de que pode haver separação de réus, com base em um suposto precedente envolvendo a chapa encabeçada pelo governador Ottomar Pinto, de Roraima, mas na verdade essa separação jamais existiu nos autos. Pelo contrário, no TSE existe jurisprudência totalmente contrária. firmada em três outros casos de cassação de governadores – Jackson Lago, do Maranhão, Cássio Cunha Lima, da Paraíba, e Marcelo Miranda, do Tocantins.
Nesses três julgamentos, não houve separação de chapa e os vices foram cassados. Da mesma forma, no processo contra Ottomar Pinto (que morreu antes da decisão final), também não houve separação e o vice só ficou no governo porque a chapa foi considerada inocente por falta de provas.
NOVA INVENÇÃO – Ainda não satisfeito, na semana passada Gilmar Mendes voltou a sair em defesa de Temer e criou a estranha tese de que as doações não declaradas, o chamado caixa 2 de campanha, não constituem crime, porque não passam de ilícitos fiscais e eleitorais.
A teoria imediatamente ganhou entusiásticos adeptos, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (que em seu governo nomeou Mendes para o Supremo), o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e toda a gigantesca bancada da corrupção, que é amplamente majoritária no Congresso.
Mas há controvérsias, como diria o grande ator Francisco Milani. O ministro Luís Roberto Barroso, por exemplo, fez questão de declarar à Folha que “caixa dois e corrupção podem, de fato, ser coisas diferentes, mas ambos são crimes” – tese defendida também pela presidente do STF, ministra Cármen Lúcia.
PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA? – Com esse posicionamento, Gilmar Mendes tenta criar uma presunção de inocência em crime comprovadamente praticado. Até os contínuos do TSE sabem que caixa dois é crime eleitoral, operado em dinheiro vivo e que configura abuso do poder econômico e tráfico de influência, que vão redundar em improbidade administrativa, associação para fraude em licitação, corrupção ativa e passiva.
Essa tese de que caixa dois não passa de ilícito fiscal e eleitoral, sem implicações penais, deve ser defendida por advogados e pelos réus, jamais por magistrados, especialmente quando se trata de um ministro do Supremo que se encontra na presidência do Tribunal Superior Eleitoral. Pega muito mal e desmoraliza a Justiça, justamente num momento em que ocorre um esforço extraordinário para moralizá-la, através do empenho da nova geração que toca a Lava Jato.
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PS – O mais estarrecedor foi constatar, nesta segunda-feira, que o empresário Emilio Odebrecht e o ex-ministro José Eduardo Cardozo, ao depor no TSE, defenderam a mesma tese da griffe jurídica de Gilmar Mendes, que merece ser aplaudido de pé pelos integrantes da bancada da corrupção. Foi tudo combinado, conforme denunciamos aqui na Tribuna da Internet. Mas isso não significa que já esteja tudo dominado. A Lava Jato ainda não morreu. Pelo contrário, está cada vez mais viva. (C.N.)

15 de março de 2017
Carlos Newton 

A SUCESSÃO NA ESTACA ZERO



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Charge do Mariano, reproduzida da Charge Online
Aécio Neves e Geraldo Alckmin estão na lista de Janot, a ser divulgada em breve. Há rumores de que José Serra também. Não há cláusula de inelegibilidade para nenhum dos três, pelo menos enquanto não forem condenados em segunda instância. Mas se forem, ficarão afastados da sucessão de 2018. Sobrará espaço para João Dória Júnior, apesar de suas sucessivas declarações de que cumprirá até o fim o mandato de prefeito de São Paulo.
De repente, instaura-se a dúvida no ninho dos tucanos. Certeza também não há no PMDB, porque se a recuperação econômica naufragar, Henrique Meirelles ficará de fora. Como Michel Temer, pelos mesmos motivos e mais o juramento de que não disputará o segundo mandato.
O leque de outras opções não anima ninguém.  Marina Silva eclipsou-se, Ciro Gomes não é mais o mesmo, Jair Bolsonaro marcha de pé trocado, Ronaldo Caiado não rompe os limites de Goiás, Joaquim Barbosa sumiu e quaisquer outros nem lembrados são.
A conclusão é de que apagaram o quadro negro, restando apenas o Lula, que esta semana confirmará sua candidatura pelo PT. Também cercado de obstáculos e armadilhas da operação Lava Jato.
Em suma, a sucessão presidencial volta à estaca zero. Como só daqui a um ano a disputa ressurgirá, aguarda-se o aparecimento de novas hipóteses.
QUEM SERÁ O CHEFE? – A Segunda Guerra Mundial aproximava-se o fim e perguntaram ao maior líder militar da Inglaterra, Bernard Montgomery, a razão de seu sucesso. Cheio de arrogância e empáfia, ele disse aos jornalistas ser porque não bebia, não fumava, não jogava e não prevaricava.
Winston Churchill agastou-se e chamou os repórteres, dizendo: “Podem escrever que eu bebo, fumo, jogo e prevarico, mas sou o chefe dele…”
O episódio se recorda a propósito das mudanças que o presidente Michel Temer promoverá no ministério, assim que divulgada a segunda lista do Janot.

15 de março de 2017
Carlos Chagas

O VERDADEIRO APOCALIPSE TIRANDO MITOS DA LITERATURA ILUSÕES HUMANAS!

MODELOS DE PENSAMENTOS QUE NOS ESCRAVIZAM! 3 FATORES! SOLUÇÃO PARA ISSO?

OS DESAFIOS HUMANOS ENFRENTADOS POR JESUS (HAROLDO DUTRA DIAS)

BRASIL, O PAÍS DA LOUCURA