"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

O GRANDE ENGANADOR



Queiróz Filho, paulista, professor, jornalista, conta que o general gaúcho Flores da Cunha se reconciliou com Getúlio Vargas em 1936 e foi visitá-lo. Getúlio estava preocupado com a sucessão:
– Sabe, Flores, os tempos são outros. Vou fazer eleições e a dificuldade em que me encontro é a de escolher um homem verdadeiramente à altura do cargo, que possa continuar minha obra.
– Quem sabe o Aranha.
– Tenho pensado nele, mas não serve. O Oswaldo comprometeu-se demasiadamente com os norte-americanos e considero essa política de submissão muito perigosa.
– Talvez o Zé Américo.
– José Américo é um grande romancista mas um péssimo político.
– Quem sabe se, esquecendo ressentimentos pessoais, não teria chegado o momento de você indicar o Eduardo Gomes.
– Impossível. O brigadeiro é honesto, íntegro, mas isso não é tudo. É um carola. Só vive metido entre padres e bispos. Com ele no poder, a religião absorveria inteiramente o Estado.
– E o Góis Monteiro?
– O Góis bebe demais. Não pode ser o timoneiro do barco nacional.
– Então só nos resta o Ademar.
– Deus nos livre do Ademar, Flores.
– Bem, nesse caso, você está num beco sem saída.
Getúlio deu uma longa baforada no charuto:
– Flores, quem sabe se não é isso mesmo que eu quero?
Getúlio já estava construindo o golpe de 1937 para continuar
LULA
Lula finge que está preocupado com o destino do governo Dilma. Rifou o Aloizio Mercadante e entregou a política do governo ao PMDB. Tudo farsa. Como o personagem de Chico Anísio, ele quer mais que Dilma ‘se exploda”. Ele só pensa em 2018. E acha que só com o desastre de Dilma ele pode querer voltar como “salvação nacional”.
Lula é o grande enganador.
A CLT
Em toda a história dos trabalhadores e das lutas sociais no Brasil a maior vitoria foi a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), de 1942. Por mais que alguns partidos, grupos políticos e empresariais em algum tempo tenham tentado, ninguém conseguiu rasgar a CLT; salário mínimo, férias, previdência, dezenas da direitos intocáveis. É uma vitória da Historia.
Na Constituinte de 1946, os sábios bacharéis da UDN não ousaram atacá-la. O governo do general Dutra manteve-a. Voltou Getulio que a ampliou. Juscelino foi o grande herdeiro. Jânio respeitou. Jango reforçou.
Os generais da ditadura deixaram-na intocada. Collor também : afinal o avô dele, Lindolfo Collor, primeiro ministro do Trabalho e da Previdência, foi seu principal autor. Itamar era um trabalhista de verdade. Fernando Henrique chegou a anunciar “o fim da era Vargas”. Mas deixou a CLT intacta. Foi preciso vir um falso Partido dos Trabalhadores, liderado por um falso operário, para estuprar a CLT com essa criminosa lei da Terceirização. Há meses o Congresso discute e vota o projeto. E não se ouviu uma palavra de Lula. Como sempre, escondido. O silencio é o estilo dos farsantes.
FUNDOS
Três coisas sempre orgulharam os brasileiros e todas amarelinhas: a camisa da Seleção,o Banco do Brasil e os Correios Agora estão implodindo o Postalis (como também há perdas bilionárias que atingem o Previ do Banco do Brasil, o Petrus da Petrobrás, o Funcef da Caixa Econômica).
A Secretaria de Previdência Complementar, agregada ao Ministério da Previdência, que deveria ser o poder fiscalizador, é omissa.
POSTALIS
O Fundo Postalis dos Correios aplicou parte dos seus recursos nos Bancos Cruzeiro do Sul e BVA que quebraram. E nas empresas do grupo X, do notório Eike Batista, que viraram pó. E aplicou em papéis da dívida pública na Argentina e Venezuela. O Postalis tem um déficit de R$ 5,6 bilhões. O rombo vem de dívida de R$ 1,1bilhão dos próprios Correios.
Os R$ 4,5 bilhões são de gestão irresponsável. A solução revolta os funcionários dos Correios: os contracheques dos aposentados e pensionistas vêm tendo um corte de 25,98%. Já os servidores, entre 1,71% e 24,28%.
Era a Petrobras. Depois Fundos, Caixa, Saúde. O PT é insaciável.

13 de abril de 2015
Sebastião Nery

LAVA JATO JÁ RECUPEROU R4 635 MILHÕES EM DINHEIRO VIVO



Um carro de luxo dado como presente desencadeou a investigação que já levou à cadeia três ex-diretores da Petrobras e executivos das maiores empreiteiras do país e à abertura de inquéritos contra três dezenas de congressistas da base aliada do governo Dilma Rousseff. A Land Rover que Alberto Youssef deu ao ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa foi descoberta em uma interceptação telefônica, em 2013, no curso de uma investigação sobre doleiros no Paraná.
“Os americanos se vangloriam de terem prendido o Al Capone por causa do Imposto de Renda. Para mim, é de uma incompetência enorme só terem provado a sonegação. Da Land Rover puxamos um fio, com cuidado, que deu nisso tudo”, disse o procurador Carlos Fernando Lima, 50.
“Isso tudo” é a Operação Lava Jato : quase 500 pessoas e empresas sob investigação por crimes que envolvem ao menos R$ 2,1 bilhões e que escancarou suspeitas de corrupção na Petrobras.
Já foram recuperados R$ 635 milhões, principalmente de contas secretas no exterior, e um valor ainda não calculado de bens foi bloqueado: imóveis, hotéis, carros de luxo, helicóptero, aviões e obras de arte.
13 de abril de 2015
Graciliano Rocha
Folha

CONFESSO QUE CHOREI, NO FINAL DA MANIFESTAÇÃO


Em Porto Alegre, protesto reúne menos pessoas e se direciona contra Dilma e Lula Omar Freitas/Agencia RBS
Em Porto Alegre, protesto pediu o impeachment de Dilma
Domingo, quando entrei no carro, no final da passeata, chorei convulsivamente, como há muito tempo não fazia. Sim, eu estava sensibilizado pelas muitas e generosas manifestações de carinho que recebi ao longo da tarde, traduzidas em gestos, abraços e fotos com amigos. Mas, principalmente, chorei de felicidade por ver, pela segunda vez, em menos de trinta dias, o meu Brasil diferente. Vi o meu país como sempre quis que ele fosse. Democrático, alegre, mas intransigente com a criminalidade instalada no poder. Antes aos meus 70 anos do que nunca!
Agora, já posso dizer que vi. Vi nossa gente clamando por um país decente. Vi, Brasil afora, milhões saírem de casa para dizer basta! Chega! Já foram longe de mais! Ponham-se no olho da rua, malfeitores!
Os que se acreditavam senhores da Nação, jamais conseguiram mobilizações semelhantes, mesmo que a peso de ouro, mesmo contratando celebridades e promovendo shows, pagando diária, transporte e alimentação.
Por duas vezes, neste mesmo período, tentaram se contrapor e não tiveram eco. Pagaram mico, deram vexame. É difícil reunir fiéis à infidelidade.
MAR VERMELHO
O Brasil está atravessando o mar vermelho. O PT está acossado, o petismo acuado pelos próprios pecados, pelos próprios fantasmas.
O PT fez o diabo? Ou foi o diabo que fez o PT?
O que sei, sim, e com isso respondo uma pergunta que circulava entre os manifestantes de domingo: essa casa vai cair? Vai, pela irresistível força da gravidade, quando as estruturas de sustentação entram em colapso. E a base do governo está em franca decomposição.
Esse governo não tem como chegar ao fim. Além disso, que Constituição seria essa nossa se servisse para proteger uma quadrilha no poder e não para proteger o povo dessa quadrilha?
13 de abril de 2015
Percival Puggina

ASNICES...

12 DE ABRIL - MUITOS MILHARES VÃO ÀS RUAS, NO BRASIL INTEIRO, CONTRA O GOVERNO DILMA, O PT E AS ESQUERDAS. CONSTA QUE PLANALTO SUSPIRA ALIVIADO. ENTÃO É MAIS BURRO DO QUE PARECE!



Há mais de uma semana o governo decidiu pautar a cobertura da imprensa, que, com raras exceções, aceitou gostosamente a orientação. Com variações, destaca-se que há menos pessoas nas ruas neste 12 de abril do que naquele 15 de março. 
Assim, fica estabelecido, dada essa leitura estúpida, que um protesto político só é bem-sucedido se consegue, a cada vez, superar a si mesmo. Isso é de uma tolice espantosa, na hipótese de não ser má-fé. 
A população ocupou as ruas em centenas de cidades Brasil afora. Mais uma vez, PT, CUT, ditos movimentos sociais e esquerdas no geral levaram uma surra também numérica. 
Mais uma vez, o verde-e-amarelo bateu o vermelho da semana passada. E é isso o que importa.

De resto, é impossível saber o número de manifestantes deste domingo. Algum veículo de imprensa mandou jornalista cobrir o protesto em Januária, em Minas; em Orobó, em Pernambuco, ou em Ourinhos, em São Paulo? 

Haver menos gente na Avenida Paulista ou na orla de Copacabana, no Rio, não tem nenhuma importância. Dá para afirmar, sem medo de errar, que o "Fora Dilma" foi ouvido em todas as unidades da federação. E - daqui a pouco chego lá - contem com o PT para turbinar os próximos protestos.

Consta que o governo respirou aliviado com o número menor, embora o Palácio do Planalto, ele mesmo, tenha, desta vez, resolvido se calar. Parece que não haverá Miguel Rossetto e José Eduardo Cardozo paracutucar a onça com a vara curta. A boçalidade ficou por conta da militância virtual e paga (farei um post a respeito). 

Respirou aliviado por quê?
Respirou aliviado no dia em que o "Fora Dilma" se faz ouvir de norte a sul do país?
Respirou aliviado no dia em que o Datafolha aponta que 63% apoiam o impeachment da presidente?
Respirou aliviado no dia em que a pesquisa revela que 60% consideram o governo ruim ou péssimo?

Respirou aliviado no dia em que essa mesma pesquisa evidencia que 83% acreditam que Dilma sabia da roubalheira da Petrobras e nada fez?
Respirou aliviado no dia em que esse mesmo levantamento demonstra que a crise quebrou as pernas de Lula, pesadelo com o qual o petismo não contava nem nos momentos mais pessimistas?

Por que, afinal de contas, suspira aliviado o governo? Com que jornada futura de boas notícias e diminuição dos sintomas da crise ele espera contar? Sim, a indignação com a roubalheira é um dos principais fatores de mobilização dos milhares de brasileiros que foram às ruas. Mas há muito mais do que isso. Há a crise econômica propriamente dita e a sensação, que corresponde à realidade, de que o governo está paralisado.

Acontece que esse mal-estar só vai aumentar porque o pacote recessivo ainda não surtiu todos os seus efeitos. Mais: ninguém nunca sabe quando a operação Lava Jato vai chegar a um fio desencapado, como é o caso de André Vargas, por exemplo. Consta que o ex-vice-presidente da Câmara e petista todo-poderoso, ora presidiário, está bravo com o partido, do qual havia se desligado apenas formalmente.

Acabo de chegar da Avenida Paulista. Havia menos gente do que no dia 15 de Março? Sem dúvida! Mas também sei, com absoluta certeza, que, desta feita, o protesto se deu num número maior de cidades no Estado. No dia 15, encontrei verdadeiras caravanas oriundas de cidades do interior e de outras unidades da federação. Aquele foi uma espécie de ato inaugural. Havia nele a vocação de grito de desabafo, era um enorme "Chega!". A partir deste dia 12, a tendência é que haja mesmo uma diminuição de pessoas em favor de uma definição mais clara da pauta.

Mas é evidente que se trata de um erro cretino imaginar que menos gente na rua implique que está em curso uma mudança de humor da opinião pública. Não está, não! E que se note: se o protesto do dia 15 tivesse reunido o número de pessoas deste de agora, muitos teriam, então, se surpreendido. Acontece que aquele superou expectativas as mais otimistas. Tomá-lo como régua de um suposto insucesso dos atos deste dia 12 é coisa de tolos ou de vigaristas. Mas o governo e o PT têm direito ao auto-engano.

Vejo a coisa de outro modo: os eventos deste domingo, 12 de abril, comprovam o que chamo de emergência de uma nova consciência. Até torço para que o Planalto e o petismo insistam que os atos deste domingo foram malsucedidos. É o caminho mais curto da autodestruição. Esses caras ainda não perceberam que os que agora protestam não querem apenas o impeachment de Dilma. Essa é a pauta contingente. Eles falam em nome de uma pauta necessária, que é apear as esquerdas do poder, ainda que esse esquerdismo, hoje em dia, não passe de uma mistura de populismo chulé com autoritarismo.
Tenham a certeza, petistas e afins: a luta continua!

13 de abril de 2015
Reinaldol Azevedo

EU GOSTEI QUE A MOBILIZAÇÃO NAS RUAS CAIU PELA METADE

E o governo comemora a redução do número de manifestantes que foram às ruas neste domingo, como se tivesse feito um golaço. Dilma acha que fez um golaço; O PT acha que fez um golaço; os agentes da corrupção acham que marcaram um golaço. E agora então vão botar sebo nas canelas e tocar bola pra frente que atrás vem menos gente. Deixa assim como está que o jogo tá bom.

De minha parte eu achei foi bom. Eu já estava transferindo os medos que tenho desse governo, desse poder instalado na democracia do meu país, para as notáveis redes sociais tipo Vem Pra Rua, Movimento Anti-Corrupção, Revoltados Online, Brasil Livre e assemelhadas.

Seus mobilizadores já se acharam, tomaram ares de novos heróis, e com trejeitos de verbo se fazendo carne, passaram a dar entrevistas quase que com o mesmo ranço dos contadores da História Oficial. Aí, a coisa já estava me parecendo descambar para um novo tipo de poder que sugere emanar do povo, mas que não tem ainda todo aquele cheiro de povo que contagia e multiplica as massas.

Eu achei bom, achei mesmo é que foi bom ter caído pela metade o movimento das ruas neste domingo. É que isso me parece um sinal de que, as redes sociais têm um belíssimo poder de mobilização, mas não todo o poder que emana do povo.

A metade que saiu às ruas, saiu muito bem. ordenada, verde-amarela, comportada, sem baderna. Saiu de casa num domingo, sem sorteios, sem rifas, sem shows de axé, de pagode, ou duplas sertanejas. Saiu para mostrar sua insatisfação com Dilma, com o PT, Com Lula, com a corrupção.

A outra metade que ficou em casa, está mandando um recado: eu fui em março, agora em abril eu quero mais, bem mais que cartazes Fora Dilma, Fora Lula, Fora PT, Abaixo a Corrupção...

A outra metade aplaude os que voltaram às ruas e, de dentro de casa, avisa que é muito mais do que o dobro dos que foram às ruas; essa "metade" é muito mais, é coisa de 87% da população brasileira que reprovam o governo Dilma, as elucubrações de Lula, as manobras do PT, a roubalheira geral, a corrupção desenfreada.

O recado dos que não foram nesse domingo às ruas, é que agora é tempo de agir. E, por enquanto esta sociedade atenta e indignada com os atropelos e desmandos dos que tomaram de assalto o seu país, está contando com a Operação Lava-Jato executada de maneira eficaz e independente pela Polícia Federal, com a parceria do Ministério Público e da Vara do juiz Sérgio Moro.

A luta contra a corrupção, contra as malfeitorias do governo Dilma, contra a má influência de Lula, contra o PT do Mal & Siglas Associadas está apenas começando. E muito bem até, por que a Lava-Jato usa contra os proprietários indébitos do Brasil, a arma que eles mais temem:  a cadeia.

13 de abril de 2015
Laoviah Raziel, in governo invisível

RECONTO PORQUE É QUASE UMA PARÁBOLA, ESSA HISTÓRIA DO MINISTRO DE PATOS

O MINISTRO DE PATOS


Ministro Cardozo mais parece o delegado de Patos, na Paraíba
Sebastião Nery
João Grande, lá na Paraíba, era um tropeiro muito alto e muito forte, de mãos enormes, pernas arqueadas e botas cravadas de ferro. Levou uma tropa para Patos, cidade vizinha, depois sentou-se no bar, pediu uma cerveja e ficou ali olhando a praça e o povo.Percebeu que, na calçada em frente, as pessoas iam andando e, de repente, quando chegavam diante de uma casa, desciam da calçada, davam uns passos na rua, subiam novamente a calçada e seguiam.
Foi ver o que era. Era a casa do delegado, que tinha posto uma placa na porta proibindo qualquer pessoa de passar pela calçada da casa dele, para não fazer barulho, porque ele gostava de tirar uma madorna, uma soneca, toda tarde.
JOÃO GRANDE
João Grande ficou indignado. Arrancou a placa e começou a andar na calçada proibida, batendo forte no chão com suas botas cravadas de ferro. O delegado, irado, saiu de lá de dentro como uma fera, os olhos esbugalhados, abriu a porta, viu aquele homenzarrão de botas barulhentas, deu um sorriso amarelo, afinou a voz:
– Boa taaarde!
João Grande não disse nada. O delegado também calou e não disse nada. Na calçada, já pronto para descer, andar pela rua e subir novamente a calçada, como fazia o dia inteiro, a semana toda, vinha vindo um homenzinho baixinho, pequenininho, trotando, quase correndo, com um cesto na cabeça, equilibrando numa rodilha de pano. Quando viu a cara amofinada do delegado, parou, olhou bem para ele e gritou:
– Olha o abacaxi!!!!
Nunca mais, a partir daquele dia, o homenzinho do abacaxi desceu da calçada do delegado. Ele nem ninguém. João Grande jogou a placa na rua e voltou para sua terra com as mãos enormes e as botas cravadas de ferro.

JOSÉ EDUARDO CARDOZO
Em 1969, logo depois do AI-5, Carlos Petrovich, diretor do Curso de Teatro da Universidade de Brasília, ocupada e estrangulada pela ditadura, convidou o saudoso Ariano Suassuna, gênio rebelde de “A Pedra do Reino” e “Auto da Compadecida”, para uma palestra. O auditório estava cheio de arapongas do SNI. Suassuna começou contando a história de João Grande.
Esta semana, o ministro da Justiça, Eduardo Cardoso, foi apanhado em flagrante reunindo-se às escondidas, no próprio ministério, com um punhado de advogados dos réus do escândalo da “Operação Lava a Jato”, na roubalheira da Petrobrás para dar dinheiro ao PT e seus aliados.
Ora, o processo é uma gravíssima e indispensável operação da Policia Federal, do Ministério Publico Federal e do Supremo Tribunal Federal para desbaratarem “o maior escândalo financeiro da historia do pais”. O ministro da Justiça não tem o direito de estuprar a legalidade para tentar desviar e obstruir o encaminhamento das atribuições da Polícia Federal, da Procuradoria Geral da Republica, da Controladoria Geral da Republica, do Tribunal de Contas da União e do Supremo Tribunal.
O ministro da Justiça precisa respeitar o pais. Se ele quer ser o delegado de Patos de um século atrás só chamando um tropeiro João Grande para jogar a placa dele na rua.

JOAQUIM BARBOSA
Tem razão o sempre lúcido, equilibrado e bravo ex-presidente do Supremo Tribunal, Joaquim Barbosa:
– “Nós, brasileiros honestos, temos o direito e o dever de exigir que a Presidente Dilma demita imediatamente o Ministro da Justiça”.
“Reflita você: – para defender alguém em um processo judicial, ao invés de usar argumentos e métodos jurídicos perante o juiz, você vai recorrer à política?”
E logo a pior política, com o governo rasgando o processo e a lei?

A LISTA DO XILINDRÓ
O clássico do cinema americano, filme de 1993, de Steven Spielberg, chamava-se “A Lista de Schindler!”. Um poema da bravura humana.
Está chegando fevereiro. E foi para fevereiro que o Procurador Geral da Republica, Rodrigo Janot, e o ministro relator da ação no Supremo Tribunal, Teori Zavascki, prometeram a divulgação da lista dos políticos acusados na Operação Lava a Jato, por terem foro privilegiado.
Vai ser a “Lista do Xilindró”.
13 de abril de 2015
Sebastião Nery


O HUMOR DO DUKE...

Charge OTempo 12/04



13 de abril de 2015


Recordar é viver: André Vargas era um dos preferidos de Dilma












O ex-deputado federal petista André Vargas (sem partido-PR) e dois de seus irmãos estiveram 28 vezes em escritórios do doleiro Alberto Youssef, peça central da Operação Lava Jato, em São Paulo, entre junho de 2011 e fevereiro de 2014.
É o que revela documento da força-tarefa da Lava Jato com análise das visitas monitoradas nas portarias dos prédios em que Youssef tinha escritórios. Um na Avenida São Gabriel, em nome da empresa JPJPAP Assessoria e Participações, e outro na Paes de Barro, em nome da empresa GFD.
Vargas foi um dos sete presos sexta-feira, na Operação A Origem – 11 ª fase da Lava Jato. Ele é suspeito de corrupção e lavagem de dinheiro em quatro frentes que envolvem contratos da Caixa Econômica Federal, Ministério da Saúde e Petrobrás. Em especial na área de publicidade.
VISITAS FREQUENTES
Vargas visitou pelo menos quatro vezes o escritório que Youssef mantinha na São Gabriel, entre junho e dezembro de 2011. Neste ano, a IT7 Soluções – uma das três empresas controladas pelo ex-parlamentar sob suspeita – apresentou receita de R$ 48 milhões. Boa parte pago por órgãos de governo.
Relatório da Polícia Federal mostra que Leon Vargas, irmão do ex-deputado, preso também nesta sexta-feira, foi o que mais esteve no escritório do doleiro. Foram 18 visitas entre abril de 2013 e fevereiro de 2014.
O documento indica ainda que outro irmão, Milton Vargas, esteve seis vezes no escritório do doleiro entre maio e novembro de 2013.
Os dois irmãos de André Vargas tem relações societárias diretas ou indiretas com ele. Apenas Leon, que aparece em troca de e-mails com a contadora do doleiro, foi preso nesta 11ª fase da Lava Jato.
COM A PALAVRA, A DEFESA
O ex-deputado André Vargas, por meio de sua defesa, nega qualquer envolvimento com irregularidades. Seus advogados querem o relaxamento da prisão do ex-parlamentar.
13 de abril de 2015
Julia Affonso, Fausto Macedo e Ricardo Brandt
Estadão

ROBERTO JEFFERSON PEDE PARA CUMPRIR PRISÃO DOMICILIAR



Jefferson recorre hoje ao Supremo
Autor da denúncia do mensalão, o ex-deputado Roberto Jefferson, 61, recorrerá ao Supremo Tribunal Federal nesta segunda-feira para deixar a cadeia e cumprir o resto da pena em casa.
Ele pagou ontem a multa imposta pela corte ao condená-lo a sete anos e 14 dias por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O depósito de R$ 840.862,54 era exigido para pedir a progressão ao regime aberto.
Uma foto do recibo chegou aos celulares de quem participou da vaquinha. “Acabo de pagar a multa. Agradeço aos amigos a força que me deram”, escreveu Jefferson. A quantia foi quitada em dinheiro em uma agência do Banco do Brasil.
Na lista de doadores, estão políticos como o deputado Benito Gama e o ex-senador Sérgio Zambiasi. Jefferson mantém contatos com todos eles, em articulação discreta para acelerar a fusão do PTB com o DEM.
CASAMENTO MARCADO
O ex-deputado tem pressa para deixar a cadeia. Está de casamento marcado com a enfermeira Ana Lúcia Novaes, 46. Os dois já vivem juntos há 13 anos e vão formalizar a união no fim de maio com festa em Três Rios, no interior fluminense.
“A Ana esteve ao meu lado na CPI, na cassação, no julgamento e na luta contra o câncer. Deus reserva a poucos homens uma mulher como ela”, derrama-se o ex-deputado. “E eu devia uma satisfação à família dela…”
Segundo Jefferson, a cerimônia será “coisa simples”, e os convidados não passarão de 200. Ele encomendou o terno ao alfaiate brasiliense Severo Silva, que faz suas roupas desde que chegou ao Congresso. A noiva teve mais trabalho: visitou lojas no Rio e em São Paulo atrás do vestido.
Enquanto a liberdade não sai, Jefferson dá expediente em um escritório de advocacia no Rio e volta à noite para a prisão. Quinta-feira ele se divertiu com os ratos na CPI e reprovou o depoimento do tesoureiro petista João Vaccari. “Eu preferia o Delúbio, mesmo cheio de Lexotan. Ele era mais autêntico…”, comentou, antes de soltar sua conhecida gargalhada.

13 de abril de 2015
Bernardo Mello Franco
Folha

NOTA AO PÉ DO TEXTO

Tá aí uma história que sempre me deixou com várias pulgas atrás das duas orelhas...
Por que tanta "austeridade jurídica" com Roberto Jefferson, se a recíproca com outros que carregam um peso muito maior de desonestidade, conseguiram em curto prazo, alguns direitos, após a condenação?
Não justifico Roberto Jefferson e suas ações comprometidas com o Mensalão, mas sem a denúncia que fez, a quantas andaria hoje as sinistras "doações" para a "coalizão lulopetista"? Como estaria o país, com um dos escândalos mais ardilosos e criminoso arquitetado pelo apedeuta et caterva?
Genoíno, Zé Dirceu, Paulo Cunha... E tantas outras "celebridades políticas", disfarçadas de homens éticos, a quem a nação poderia entregar os destinos do país... 
Não sei se um plano de tamanha dimensão pública já ocorreu em algum outro país, mas posso afirmar sem erro, que tal trama exige um grau de criminalidade tão elevado, que apenas uma vocação extremada para o delito político, poderia imaginá-lo e pô-lo em prática, seguro da impunidade, o que equivale a afirmar que acredita seriamente na mais absoluta e caótica falta de ética que voga no país.
O sentimento de impunidade que domina, ou dominava, mais corretamente, apesar dos senões, transformou a prática política numa espécie de "peculato consentido". 
Hoje, com a Lava Jato fazendo acontecer a inédita transparência da verdadeira face da corrupção que domina o país, começa um novo ciclo em que a punibilidade torna-se possível.
E voltando a vaca fria, vejo que injustificadamente, Roberto Jefferson continua sem alcançar a prisão domiciliar, apesar da séria doença que o acomete.
Retaliação? Por que ele, entre tantos outros que já gozam de privilégios, mesmo sendo muito menos culpado no processo do mensalão?
Zé Dirceu espertamente fez 'vaquinha', e sabe-se, segundo denúncia, dos milhões que faturou a sua "consultoria"... 
Jefferson fez 'vaquinha', mas ainda não soube se oculta alguns milhões em algum paraíso...
Seu mérito, a meu ver, é maior do que o dos delatores que hoje, para escapar da cadeia, 'deduram' seus comparsas e cúmplices, uma traição conspurcada...
m.americo

HOUVE PROTESTOS EM 25 ESTADOS E MAIS DE 195 CIDADES



Dizer que as manifestações fracassaram é um bocado de exagero
Os atos contra o governo da presidente Dilma Rousseff (PT) foram realizados em mais de 195 cidades de 25 estados do Brasil e no Distrito Federal. Também foram registrados eventos fora do país, a exemplo de Alemanha, Irlanda, Portugal e Espanha. Em todas as unidades da Federação, o número de manifestantes foi menor do que aquele registrado no protesto em 15 de março. Em Porto Alegre, por exemplo, segundo informações repassadas pela Polícia Militar, 25 mil pessoas participaram dos atos. No ato do mês passado, a PM apontou quase o dobro de manifestantes. Houve apitaço, panelaço e palavras de ordem pedindo a renúncia da petista. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também foi alvo dos protestos.
Os manifestantes ocuparam a região do Parcão, na área central da cidade. Vestidos de verde e amarelo, grande parte com a camisa da Seleção Brasileira de futebol, usaram faixas e carros de som para propagar palavras de ordem contra a corrupção no governo Dilma.
Em Maceió, capital de Alagoas, onde 6 mil pessoas protestavam contra a petista, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), não foi poupado. Com gritos de “acorda, Renan!”, os alagoanos fizeram, no fim da tarde de ontem, um “apitaço” em frente ao prédio onde mora o político, na Praia de Ponta Verde, um dos bairros mais nobres da capital. No Acre, o protesto não empolgou. Apenas 250 pessoas, segundo estimativas policiais. Na manifestação passada, 5 mil foram às ruas.
Em Salvador, os manifestantes se reuniram no Farol da Barra. A chuva diminuiu o ânimo do público. A Polícia Militar comunicou que 4 mil pessoas participaram do ato. Em Minas Gerais, além da capital, várias cidades do interior promoveram o “fora, Dilma”. As manifestações tomaram ruas, praças e avenidas de mais de 50 municípios, entre eles cidades-polo como Uberaba e Uberlândia, no Triângulo; Montes Claros, no Norte; Juiz de Fora, na Zona da Mata; Governador Valadares, na Região Leste; Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri; Varginha, no Sul; Paracatu, no Noroeste; e outras. Em Uberlândia, havia 6 mil manifestantes de acordo com dados da PM.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – A crise é tão grave que o governo “comemorou” a redução do número de manifestantes em relação ao dia 15 de março. Sonham que isso significa que o governo Dilma pode recuperar a aprovação popular. Ainda bem que sonhar ainda não é proibido nem paga imposto. As investigações da força-tarefa estão sendo ampliadas para outras estatais e instituições ligadas ao governo, e estão sendo esperadas esta semana novas delações premiadas. (C.N.)

13 de abril de 2015
Deu no Correio Braziliense