"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

terça-feira, 6 de maio de 2014

JUROS - TAXA EFETIVA E TAXA SELIC


 
Se os brasileiros têm alguma esperança de o País organizar-se para terem condições de vida toleráveis, precisam avaliar o que realmente significa a dívida pública e seus juros e amortizações.

Se o fizerem, perceberão a ação devastadora do “serviço da dívida,um dos principais instrumentos da brutal extorsão que o País vem sofrendo há decênios. 

As pessoas menos mal  informadas  já têm razão de sobra para escandalizar-se com a altura e as elevações da taxa básica de juros SELIC determinadas formalmente pelo  Conselho de Política Monetária (COPOM) e, na realidade,  pelo Banco Central (BACEN).

De fato, as taxas básicas de juros da SELIC voltaram a ter várias elevações, a última das quais as fixou em 11% aa., um valor absurdo, uma vez que as correspondentes taxas nos EUA, Europa, Japão etc., não chegam, na maioria dos casos, a 1% aa.

Nada justifica essa diferença. É falacioso o argumento, considerado verdade  absoluta pela mídia e por grande número de economistas,  segundo o qual taxa de juros alta ou em elevação detém os aumentos dos preços dos bens e serviços (inflação).

Ademais, a dívida pública interna do Brasil,  é inferior à daqueles países, em proporção aos respectivos PIBs.

A demonstração a seguir comprova que a principal função e o objetivo (não declarado) das altas taxas de juros no Brasil é assegurar seu subdesenvolvimento, bem como fabulosos lucros para concentradores locais e estrangeiros.

Estes e muitos brasileiros, captam, no exterior, dólares criados irresponsavelmente pelo FED e por bancos comerciais da oligarquia financeira angloamericana -   sem lastro, ou seja, do nada -  e os convertem em moeda brasileira para aplicar em títulos do Tesouro no País.

Os ganhos dos concentradores com os títulos do Tesouro brasileiro crescem não só em função das taxas atuais, mas também em decorrência de elas incidirem sobre montantes de dívida formados pela capitalização de juros ainda mais elevados, na maior parte do tempo, desde há decênios.

Vamos aos números, para ver que a terrível taxa SELIC parece módica diante dos juros efetivamente pagos pela União às custas do sangue dos brasileiros e dos recursos naturais do País.  O Eng. Luiz Cordioli, de São Carlos (SP) elaborou tabela, baseada em dados oficiais do site do BACEN, com as taxas mensais da SELIC de 1986 a 2010.

Mais recentemente ele verificou que os dados atualmente encontráveis no site do BACEN foram modificados, até mesmo os referentes aos primeiros anos abrangidos, sem, entretanto, que a divergência,  no conjunto, chegue a 1%.

Completei os números da tabela de Cordioli com os pertinentes aos anos de 2011 a 2013. As taxas SELIC acumuladas de 1986 a dezembro de 2013 mostram que, se a dívida equivalesse a um 1 real em 1986, ela teria chegado a 18,39 trilhões de reais no final do período, em grande parte devido às enormes taxas dos anos anteriores ao Plano Real, quando grande proporção delas era atribuída à correção monetária.

Então, dividi esse acumulado de 18,39 trilhões por 679,3 milhões, o fator acumulado até julho de 1994, quando se iniciou o Plano Real.  Essa divisão resultou no fator  27,1 para o período de julho de 1994 a dezembro de 2013.

As dívidas mobiliárias somavam, em 1994, R$ 135,9 bilhões, sendo R$ 61,8 bilhões da federal e o restante das dívidas estaduais e municipais, as quais foram mais tarde federalizadas, submetendo os governos locais a taxas de agiotagem praticadas pela União, com a aplicação do IGP-DI.

Multiplicando-se R$ 135,9 bilhões  por 27,1, a dívida mobiliária interna da União deveria ter atingido R$ 3,68 trilhões, se não tivesse sido feito pagamento algum de juros nem de amortizações de 1994 a 2013.

Ora, a dívida mobiliária interna atualmente é de cerca R$ 3,3 trilhões, computando-se, como é recomendável, também os títulos do Tesouro que circulam no mercado aberto, em montante superior a 900 bilhões de reais.

Já  o montante atualizado dos pagamentos do serviço da dívida (juros e amortizações) supera R$ 7 trilhões, de 1994 ao final de 2013.

Portanto, as taxas básicas da SELIC constituíram apenas uma parte, talvez nem a metade, das taxas efetivas pagas pelo Tesouro Nacional em seus títulos.

Eis por que, se as taxas básicas já são desnecessária e grotescamente altas, que dizer das efetivas, as quais retratam o gasto real do poder público com “dívidas” formadas principalmente pela composição dos juros?

As próprias taxas básicas foram escandalosamente elevadas, mesmo após o indecente Plano Real -  outra mentira que custou caríssimo para os brasileiros. 

De fato, como entender taxas da magnitude que demonstro a seguir,  divulgadas  - através da propaganda oficial e a da mídia - como destinadas a conter a alta dos preços, e ainda mais durante a vigência de um Plano que diziam ter eliminado a inflação, por meio da âncora cambial e da extinção da indexação?

Calculei as taxas básicas acumuladas de 1995 a 2006, começando com a confrangedora taxa de 53,1% aa. em 1995. Nos dois fatídicos mandatos de FHC e no primeiro de Lula - também promotor de lucros espantosos em favor dos bancos e demais rentistas – essa taxa nunca ficou abaixo de 15% aa, e o acumulado de 1995 a 2006 resultou no fator de 12,7. 

Ou seja: somente a aplicação da taxa básica SELIC nesses 12 anos faria multiplicar quase 13 vezes o montante da dívida do primeiro ano da série. E, como vimos, essa taxa oculta grande parte, se não a maior parte, do dano infligido ao País pela taxa de juros efetiva, paga pelo Tesouro, o qual, por sua vez, achaca os brasileiros para extrair os recursos que presenteia aos aplicadores em seus títulos.

Para isso, o poder público -  dominado por interesses que não são os nacionais, mas sim, os de quem deseja condená-lo à condição de vil colônia de exploração de recursos naturais – usa expedientes adotados em emendas constitucionais, como a da DRU (desvinculação das receitas da União),  e a famigerada lei completar, falsamente denominada de Lei da Responsabilidade Fiscal (LRF), que merece ser chamada Lei de Proteção aos Predadores Financeiros.

O Eng. Luiz Cordioli, tal como a auditora fiscal Maria Lucia Fatorelli, fundadora e dirigente da Auditoria Cidadã da dívida, impressionaram-se com trabalhos que escrevi, há anos – inclusive o artigo “Anatomia de uma Fraude à Constituição”, em que tive a colaboração do Prof. Pedro Rezende, da UNB, perito em ciência da computação e criptografia.

Ali está minuciosamente descrito, juntamente com a documentação comprobatória,  como a fraude foi operada, a fim de favorecer o “serviço da dívida” no Orçamento da União.

Cordioli e Fatorelli labutam incansavelmente para demonstrar os mecanismos  através dos quais -  sob a proteção dessa fraude, transformada em norma constitucional -  o Tesouro, o BACEN e quem os manipula, lesam os contribuintes e arrasam as finanças públicas em dimensões inacreditáveis. 

Cordioli  e Fatorelli têm demonstrado, há anos, em requerimentos em petições ao Ministério Público Federal e a diversas outras autoridades, como o Conselho Nacional de Justiça, o STF, a Câmara e o Senado federais, OAB, além de as expor em audiências.

Apesar desses esforços e da competência de seus empreendedores,  nenhum membro das instituições mencionadas animou-se, até hoje,  a defender a supressão da ilegal, ilegítima e infame adulteração do inciso II do § 3º do art. 166.

Esse inciso, como qualquer outra norma, não podia ser modificada em seu mérito ou substância, após ter sido votado em 1º Turno. Ele rezava: “As emendas ao projeto de lei do orçamento anual ou aos projetos que o modifiquem somente podem ser aprovadas caso indiquem os recursos necessários, admitidos apenas os provenientes de anulação de despesa”.

Sob o disfarce de um requerimento de fusão de emendas dos arts. 165 a 167 (que só seriam legais, se fossem somente de redação), foi inserido fraudulentamente este acréscimo ao citado inciso II: “excluídas as que incidam sobre:” e mais a alínea b): “serviço da dívida”.

Assim, o “serviço da dívida”-  ao contrário das demais despesas – ficou sendo aumentado sem limites, e sem sequer discussão, na votação do Orçamento Federal. 

06 de maio de 2014
Adriano Benayon é doutor em economia e autor do livro “Globalização versus Desenvolvimento”, 2ª edição 2005.

A TOLERÂNCIA, DESDE VOLTAIRE AO BRASIL DE HOJE


 
François Marie Arouet, mais conhecido como Voltaire (1694 -1778), foi um escritor e filósofo iluminista, tendo produzido cerca de 70 obras em quase todas as formas literárias, assinando peças de teatro, poemas,romances, ensaios, obras científicas e históricas, mais de 20 mil cartas e mais de dois mil livros e panfletos.
O conjunto de ideias de Voltaire constituiu uma tendência de pensamento conhecida como Liberalismo, poisintroduziu várias reformas na França, como a liberdade de imprensa e a redução dos privilégios da nobreza e do clero.

Foi, também, pregador da tolerância, especialmente religiosa, em seu Tratado sobre a Tolerância, de 1793. Mas, apesar disso, foi precursor da Revolução Francesa, ela que instaurou a intolerância, a censura e o aumento dos impostos para financiar as guerras, tanto coloniais, quanto napoleônicas.

Usando uma das muitas e conhecidas frases de Voltaire, “Meu oficio é dizer o que penso”, tomo a ousada liberdade de fazer considerações sobre a tolerância, a saber:

A palavra “intolerância” não tem essa carga emocional negativa que, especialmente os esquerdistas brasileiros, dão, pois se consideram tolerantes. Acham que malfeitores são apenas vitimas da sociedade; defendem o utópico e irrealista Estatuto da Criança e do Adolescente, pois nem querem ouvir falar em redução da idade penal, pela qual clama sociedade brasileira, exausta de tanta maldade infanto-juvenil; acham que índios, mesmo de calças e tênis Nike, são alienados, e podem estuprar mulheres em churrascos, matar agricultores e cobrar pedágios em estradas federais...

Mas são intolerantes com respeito aos que pensam diferentemente. Na sua eterna metamorfose ambulante, eufemismo de desfaçatez, são, nada mais, do que tolerantes intolerantes!

Em favor da intolerância, porém, podemos dizer que: para termos educação, temos que ser intolerantes com a deseducação ou a ignorância; para termos decência moral, é preciso ser intolerante com a indecência moral; para termos decoro, especialmente o público, é preciso ser intolerante com o indecoro; para termos riqueza, é preciso ter intolerância com a miséria; para sermos caridosos, é preciso ser intolerante com o egoísmo; para sermos intolerantes com o racismo, não devemos comer a banana, mas prender e punir o racista, etc, etc, etc.

Não há dúvida que o atual e lamentável estado das coisas no Brasil ocorre pela tolerância, especialmente a ideológica do partido governante. Por que essa tolerância com bandidos, assassinos, estupradores, corruptos públicos e privados, menores e índios infratores? Por que essa tolerância com movimentos sociais que ocupam, depredam, e queimam a propriedade pública e privada? Por que essa tolerância com Black blocs, que matam cinegrafistas?

Por que essa tolerância das agências reguladoras do Governo com empresas comerciais, de planos de saúde, de telefonia, bancos, Cias aéreas, etc, etc, etc, que desrespeitam direitos dos consumidores? Por que a aceitação dessas leis frágeis, e dessa Justiça, pia e caridosa (lembram-se de um ministro do STF ter dito que o “mensalão foi apenas um ponto fora da curva”....?)? E mais, sabemos bem, muito mais, não só pela ação como pela omissão populista!

Voltaire também disse que “A primeira lei da natureza é a tolerância – já que temos uma porção de erros e fraquezas”. Já pensaram se tolerarmos essa epidêmica corrupção e violência brasileiras e as considerarmos apenas como erros e fraquezas?

Como alguém já disse muito bem que “Um conservador é um progressista que foi assaltado pela realidade”, podemos epigrafar dizendo que “Um intolerante é um tolerante que foi assaltado pela realidade”. Mas, a turma que está aí, tolerante, nunca é assaltada, pela realidade, mesmo que o seja, pelos bandidos, que não escolhem ideologia...

Quando, no Primeiro Mundo, se cunha o termo ”tolerância zero”, isso significa apenas intolerância a quem afronta a lei e a ordem, permanecendo a tolerância à opinião, às paixões, às preferências pessoais, sejam ou não religiosas, e às escolhas, como é regramento nos estados democráticos de direito.

É isso que queremos, mas não temos. A ideologia do partido no governo, tolerante, não quer.

Por isso, é lá, e não aqui, onde realmente há Ordem e Progresso...

06 de maio de 2014
Luiz Sérgio Silveira Costa é Almirante, reformado.

O BRASIL ESTÁ COM ÓDIO DE SI MESMO



 
O Brasil está irreconhecível. Nunca pensei que a incompetência casada com o delírio ideológico promoveria este caos. Há uma mutação histórica em andamento. Não é uma fase transitória; nos últimos 12 anos, os donos do poder estão a criar um sinistro “espírito do tempo” que talvez seja irreversível. A velha “esquerda” sempre foi um sarapatel de populismo, getulismo tardio, leninismo de galinheiro e agora um desenvolvimentismo fora de época. A velha “direita”, o atraso feudal de nossos patrimonialistas, sempre loteou o Estado pelos interesses oligárquicos.

A chegada do PT ao governo reuniu em frente única os dois desvios : a aliança das oligarquias com o patrimonialismo do Estado petista. Foi o pior cenário para o retrocesso a que assistimos.

Antes dessa terrível dualidade secular, a mudança de agenda do governo FHC por sorte criou um pensamento mais “presentista”, começando com o fim da inflação, com a ideia de que a administração pública é mais importante que utopias, de que as reformas do Estado eram fundamentais.

Medidas simples, óbvias, indutivas, tentaram nos tirar da eterna “anestesia sem cirurgia.” Foi o Plano Real que tirou 28 milhões de pessoas da pobreza, e não este refrão mentiroso que os petistas repetem sobre o Bolsa Família ou sobre o PAC imaginário.

Foi um período renegado pelo PT como “neoliberal” ou besteiras assim, mas deixou, para nossa sorte, algumas migalhas progressistas.

Tudo foi ignorado e substituído pelo pensamento voluntarista de que “sujeitos da história” fariam uma remodelagem da realidade, de modo a fazê-la caber em suas premissas ideológicas. Aí começou o desastre que me lembra a metáfora de Oswald de Andrade, de que “as locomotivas estavam prontas para partir, mas alguém torceu uma alavanca e elas partiram na direção oposta”.

Isso causa não apenas o caos administrativo com a infraestrutura morta como também está provocando uma mutação na psicologia e no comportamento das pessoas. O Brasil está sendo desfigurado dentro de nossas cabeças, o imaginário nacional está se deformando.

Há uma grande neurose no ar. E isso nos alarma como a profecia de Lévi-Strauss de “que chegaríamos à barbárie sem conhecer a civilização.” Cenas como os 30 cadáveres ao sol no pátio do necrotério de Natal, onde os corpos são cortados com peixeiras, fazem nossa pele mais dura e o coração mais frio. Defeitos e doçuras do povo, que eram nossa marca, estão dando lugar a sentimentos inesperados, dores nunca antes sentidas. Quais são os sintomas mais visíveis desse trauma histórico?

Por exemplo, o conceito de solidariedade natural, quase “instintiva”, está acabando. Já há uma grande violência do povo contra si mesmo.

Garotos decapitam outros numa prisão, ônibus são queimados por nada, com os passageiros dentro, meninas em fogo, presos massacrados, crianças assassinadas por pais e mães, uma revolta sem rumo, um rancor geral contra tudo. O Brasil está com ódio de si mesmo. Cria-se um desespero de autodestruição, e o país começa a se atacar.

Outro nítido efeito na cabeça das pessoas é o fatalismo: “É assim mesmo, não tem jeito, não.” O fatalismo é a aceitação da desgraça. E vêm a desesperança e a tristeza. O Brasil está triste e envergonhado.

Outro sintoma claro é que as instituições democráticas estão sem força, desmoralizando-se, já que o próprio governo as desrespeita. Essa fragilização da democracia traz de volta um desejo de autoritarismo na base do “tem de botar para quebrar!”. Já vi muito chofer de táxi com saudades da ditadura.

A influência do petismo também recriou a cultura do maniqueísmo: o mal está sempre no outro. Alguém é culpado disso tudo, ou seja, a “média conservadora” e a oposição.

A ausência de uma política contra a violência e a ligação de muitos políticos com o tráfico estimula a organização do crime, que comanda as cadeias e já demonstra uma busca explícita do horror. A crueldade é uma nova arte incorporada em nossas cabeças, por tudo o que vemos no dia a dia dos jornais e TV. Ninguém mata mais sem tortura. O horror está ficando aceitável, potável.
O desgoverno, os crimes sem solução, a corrupção escancarada deixam de ser desvios da norma e vão criando uma nova cultura: a cultura da marginalidade, a “normalização” do crime.

Uma grande surpresa foi a condenação da Copa. Logo por nós, brasileiros boleiros. Recusaram o “pão e circo” que Dilma/Lula bolaram, gastando mais de R$ 30 bilhões em estádios para “impressionar os imperialistas” e bajular as massas. Pelo menos isso foi um aumento da consciência política.

Artistas e intelectuais não sabem o que pensar — como refletir sem uma ponta de esperança? Temos aí a “contemporaneidade” pessimista.

Cria-se uma indiferença progressiva e vontade de fuga. Nunca vi tanta gente falando em deixar o país e ir morar fora. As mutações mentais são visíveis: nos rostos tristes nos ônibus abarrotados, na rápida cachaça às 6h da manhã dos operários antes de enfrentar mais um dia de inferno, nos feios, nos obesos, no desânimo das pessoas nas ruas, no pessimismo como único assunto em mesas de bar.

Vimos em junho passado manifestações bacanas, mas sem rumo; contra o quê? Um mal-estar generalizado e sem clareza, logo escrachado pelos black blocs, a prova estúpida de nosso infantilismo político.

É difícil botar a pasta de dente para dentro do tubo. Há uma retroalimentação da esculhambação generalizada que vai destruindo as formas de combatê-la. Tecnicamente não estamos equipados para resolver as deformações que se acumulam como enchentes, como um rio sem foz.

E o pior é que, por trás da cultura do crime e da corrupção, consolida-se a cultura da mentira, do bolivarianismo, da preguiça incompetente e da irresponsabilidade pública.

O Brasil está sofrendo uma mutação gravíssima, e nossas cabeças também. É preciso tirar do poder esses caras que se julgam os “sujeitos da história”. Até que são mesmo, só que de uma história suja e calamitosa.

06 de maio de 2014
Arnaldo Jabor é Cineasta e Jornalista. O Globo

OS TENTÁCULOS DO FACEBOOK


 
Na semana passada, o Facebook reuniu desenvolvedores de todo o mundo em San Francisco, na Califórnia, para a quinta edição da F8, sua conferência realizada quase todo ano. Estes eventos ainda não são grandes espetáculos midiáticos como os realizados pela Apple no tempo de Steve Jobs vivo, mas os anúncios feitos por lá terão impacto. Um deles, se der certo, pode revolucionar a maneira como nossos smartphones funcionam. O outro potencialmente reforçará o poder do Facebook no duopólio que ele e o Google constroem na internet.

Duopólio em termos: são, Facebook e Google, os dois principais concorrentes na disputa pela atenção dos usuários da rede. Mas é uma disputa com regras claras. Vence quem conseguir mapear os hábitos da maior quantidade de pessoas.

O Google saiu na frente. Afinal, seus códigos estão espalhados por toda a web. Quase todo site usa algum serviço Google. E nós mesmos usamos seus serviços, do YouTube ao Gmail. Assim, quando navegamos, invariavelmente o Google sabe onde estamos e o registra em seu banco de dados. Além disso, através de seu sistema Android, o gigante das buscas está nas mãos de muitos de nós.

Mas, conforme os celulares vão fazendo mais e mais parte de nossas rotinas, o Facebook também ganha terreno. Isso ocorre por conta do login: quando dá preguiça de preencher um novo formulário de cadastro e clicamos o botão de conexão via Facebook, aquela será mais uma atividade digital que a rede social registrará.

O problema do Facebook é credibilidade. No passado, o fundador Mark Zuckerberg tratou com desdém as preocupações do público com privacidade. A imagem ruim ficou. E, desde então, sua empresa precisa lidar com o duplo dilema. Vive (como o Google) de transformar as informações que coleta de seus usuários em oportunidades para vender publicidade. Mas tem de convencer os mesmos usuários de que não abusará desta confiança.

A linha não é só tênue. Foi também pouco testada. Ainda não conhecemos as tecnologias de propaganda do futuro para as quais abrimos mão de tanto, hoje.
Na F8, Zuckerberg lançou o login anônimo. Agora, ao testar um site ou aplicativo, o usuário poderá optar pelo login anônimo via Facebook. O Face continuará sabendo tudo sobre o comportamento do sujeito, mas não compartilhará com o dono do app.

Já é alguma coisa, diga-se. E, ao mesmo tempo, ajuda a ampliar a base de pessoas que usam o login do Facebook internet afora. Ajuda na construção da imagem de preocupação com privacidade, enquanto amplia seu poder de coletar informação sobre nós. Touché. Tem tudo para dar certo. O polvo cresce.

Há um mês, o Yahoo! anunciou que não usará mais a autenticação de Facebook ou Google. Não foi à toa. Quem é grande está tentando fugir dos dois enquanto ainda tem chances. O duopólio sobre nossa identidade na internet, brevemente, pertencerá a estas duas empresas.

A segunda inovação importante lançada pelo Facebook, porém, pode ser uma boa ideia. Atende pelo nome App Links. É uma maneira de criar conexões entre dois aplicativos no celular. Encontrou uma música da qual gosta no aplicativo de rádio? Um clique permite abrir o app da loja para comprar a faixa. Este tipo de conexão, tão comum na web, ainda não existe no mundo dos apps e muita gente tenta construir um padrão que funcione para todos.

O problema, ali, é doutro duopólio: Apple, com seu iPhone, e também o Google, com o Android. Por enquanto, eles não parecem interessados. Mas, se alguém pode convencê-los, tem de ter o tamanho de um Facebook. É uma briga que envolve inúmeros interesses empresariais. Mas é, também, algo que os usuários querem.

06 de maio de 2014
Pedro Dória é Jornalista. Originalmente publicado em O Globo em 6 de maio de 2014.

NOTAS POLÍTICAS DO JORNALISTA JORGE SERRÃO

PF investiga banco suspeito de ajuda a doleiros para lavar a jato grana de corrupção e tráfico de drogas

 
Um grande banco que financiava as operações do doleiro Alberto Youssef, principalmente nas operações de lavagem de dinheiro e compra de diamantes via países africanos, é a maior bomba a estourar na Operação Lava Jato. Tão grave quanto essa relação – que tem grandes políticos envolvidos no negócio – é a conexão entre os doleiros pegos na Lava Jato e que também mexiam com grana do tráfico de drogas, na recém-descoberta conexão entre o Porto de Santos, no Brasil, e países africanos e europeus. O esquema envolve tanta gente de peso que pode terminar abafado, por alegada “falta de provas”.

Não será tão fácil esconder, porque o caso é investigado há dois anos pela Interpol, envolvendo as polícias da Espanha, Suíça, Inglaterra e Itália. O risco de abafamento ficou mais complicado com a prisão, quinze dias atrás, na Espanha, da doleira gaúcha Maria de Fátima Stocker, de 41 anos. “Hospedada” na Penitenciária de Madri V, a doleira é suspeita de envolvimento com a Ndranghetta - máfia italiana de drogas. A PF brasileira, que pediu a prisão dela depois da apreensão de 3,7 toneladas de cocaína pura no Porto de Santos, no final de março, agora comprovar a relação dela com o esquema detonado pela Operação Lava Jato.

As investigações buscam mais provas da relação de negócio entre Maria de Fátima e o doleiro Alberto Youssef. Juntadas as pontas, confirma-se o que o Alerta Total antecipou na edição de 1º de abril: “Espionagem contra o governo procura elos entre aLava Jato e as operações Hulk e Oversea”. Agora, também entram as informações da Operação Monte Polino. O caso pode ficar mais explosivo se vier à tona o nome da instituição financeira brasileira que dava suporte à ação dos doleiros – que é agora o principal foco da PF em busca de provas concretas.

A PF avalia que só a ajuda de um grande banco, que fizesse operações rotineiras, em alto volume, nos países para os quais a droga se destinava, poderia ajudar a rede de doleiros levantar um volume tão alto de dólares e euros para repassar aos traficantes e suas empresas de fachada. O caso se torna politicamente explosivo quando expõe que as operações ilegais do doleiro Youssef se entrelaçam com esquemas de desvio de dinheiro público em negócios com a Petrobras, Ministério da Saúde, Correios e por aí vai... Os norte-americanos já pediram ao Ministério Público Federal todas as informações sobre o doleiro Youssef, desde sua atuação no escândalo do Banestado, que explodiu a partir do ano 2000.

O caso de Maria de Fátima é bem emblemático de como a espionagem norte-americana vem colaborando com as polícias de diversos países. Foi a NSA (National Security Agency) dos EUA quem alertou à Interpol sobre a doleira, que tinha residência em Londres, depois de ter morado muitos anos na Suíça, onde foi casada com um banqueiro, o que lhe deu direito a cidadania. Não é à toa que o governo brasileiro tem tanto medo da bisbilhotagem da NSA – que atua contra suspeitas de lavagem de dinheiro que financiem o tráfico de drogas, armas e o terror contra os Estados Unidos.

Agora, o entrelaçamento das Operações Lava Jato, Hulk, Oversea e Monte Polino, com alto risco também de envolver a Operação Porto Seguro, vai permitir o rastreamento detalhado do esquema de lavagem de dinheiro (reais, dólares e euros) para financiar a logística de exportação de drogas para a Europa, Cuba e países africanos, junto com o financiamento a esquemas de alta corrupção política.
 
Se tanta sujeita vier à tona, um vaso sanitário, bem cheio, vai desabar sobre a campanha reeleitoral - prejudicando Dilma e seu Super Presidentro...

Episódio 2

Releia o artigo de domingo: Vai pra Copa que o pariu
 
Homenagem

Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus.

06 de maio de 2014
Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor.

DETONANDO O PRONUNCIAMENTO DE DILMA SOBRE A PETROBRAS


 
Apesar de discordar de diversos outros aspectos tratados no “Pronunciamento da presidenta Dilma Rousseff a respeito do Dia do Trabalho”, limitar-me-ei a criticar os que dizem respeito à Petrobras.

Não só venho criticar as palavras de Sua Exª, mas também desafiá-la a, em busca da verdade, processar-me judicialmente.

Desafio Dilma a processar-me, para que eu possa provar perante a Justiça a veracidade das denúncias que lhe encaminhei sobre a Gemini – espúria sociedade da Petrobras com uma empresa privada, arquitetada no período em que ela acumulava os cargos de Ministra de Minas e Energia e presidente do Conselho de Administração da Petrobras.

Desafio Dilma a processar-me, depois de já ter prestado depoimento à Polícia Federal, e já ter apresentado denúncia ao Ministério Público Federal, conforme relatado a seguir.

Em 29 de setembro de 2011, prestei depoimento ao Delegado Gilvan Cleófilas Garcia de Paula na Delegacia da Polícia Federal de Campos dos Goytacazes (RJ). Na oportunidade, apresentei um relatório contendo 11 páginas e 21 anexos. Acontece que nunca fui questionado sobre minhas comprovações, nem mesmo sobre minha acusação segundo a qual o criminoso Acordo de Quotistas datado de janeiro de 2004 possibilita que a sócia majoritária da Gemini superfature eternamente contra a Petrobras.
 
Na denúncia por mim feita ao MPF em 19 de outubro de 2010, detalhei oito fortes evidências da prática de tráfico de influência no caso Gemini. Ao arquivar minha denúncia, o Procurador da República Paulo Roberto Galvão de Carvalho mudou o foco da mesma. Sem nem mesmo comentar qualquer das evidências por mim detalhadas, referido Procurador, praticamente, me acusou de estar caluniando a presidenta Dilma, chegando a afirmar que: 1 – “O objeto destas peças informativas é, exclusivamente, o suposto tráfico de influência imputado à Presidenta da República”; 2 – “A alegação de tráfico de influência praticado pela então Ministra das Minas e Energia, Dilma Rousseff, foi mera ilação”; 3 –“Aprovação da formação da sociedade pelo CADE, ilícito este que teria sido praticado pela Presidenta da República, Dilma Rousseff”.

Naturalmente, no esperado processo que Dilma moverá contra mim será apurado que fim levou o depoimento que prestei à Polícia Federal, e se, de fato, eu imputei a Dilma o crime de tráfico de influência.

A seguir, serão apresentadas as declarações (contidas no pronunciamento de Dilma) que provocaram minha indignação, e as minhas acusações não contestadas por Dilma.

Declarações de Dilma

Garantindo ter força para continuar na sua luta para “aumentar a transparência”, Dilma declarou: “não podemos permitir, como brasileiros que amam e defendem seu país”, a tentativa de “destruir a imagem da nossa maior empresa”.

Além disso, a atual presidente da República foi categórica: “O que envergonha um país não é apurar, investigar e mostrar. O que pode envergonhar um país é não combater a corrupção, é varrer tudo para baixo do tapete”.

Mais: Dilma afirmou que não ia “ouvir calada” a campanha negativa para ferir a imagem da Petrobras – “empresa que o trabalhador brasileiro construiu com tanta luta, suor e lágrimas” (palavras de Dilma, bem ao estilo do admirável Churchill, autor da histórica frase “Só tenho para oferecer sangue, sofrimento, lágrimas e suor”).

Mais ainda: enfatizando que o que tiver de ser apurado vai ser apurado com o máximo rigor, Dilma afirmou que “não transigirei, de nenhuma maneira, em combater qualquer tipo de malfeito ou atos de corrupção, sejam eles cometidos por quem quer que seja”.

O silêncio de Dilma

Indignado com o fato de a então presidente do Conselho de Administração da Petrobras, Dilma Rousseff, não se manifestar diante de minhas comprovadas denúncias de atos lesivos à empresa, dirigi-me a ela em 3 de novembro de 2009, protocolando um duro documento, no qual pode ser lido o trecho a seguir transcrito:  

“Não é pelo sádico prazer de aporrinhar V. Exª. que volto, mais uma vez, à sua ilustre presença. Faço-o, porque a arrogância e a prepotência de administradores públicos que imaginam estarem dispensados de prestar contas de seus atos à sociedade agridem a minha cidadania de maneira insuportável. V. Exª. há de convir que o caso que ora nos ocupa deveria – mesmo se fosse única e exclusivamente por mera questão de pudor – merecer um mínimo de atenção da alta administração da Petrobras. Afinal, o procedimento de seus administradores foi colocado sob suspeita de ter ocasionado um ato altamente lesivo ao interesse público”.

E aquela que garantiu ter força para continuar na sua luta para “aumentar a transparência” não se manifestou, tornando lícito supor que ela admitia “ouvir calada” denúncia com o potencial de ferir a imagem da “empresa que o trabalhador brasileiro construiu com tanta luta, suor e lágrimas”.

Para evitar que importantes detalhes sejam desconsiderados, e para municiar eventual processo contra minha pessoa, ao final, será apresentado uma relação de links da íntegra de vários documentos. Entre tais links se encontram o do depoimento à Polícia Federal, o da denúncia ao MPF, o de denúncias protocoladas para Dilma, o da série de vídeos “Saia do armário, Dilma!” e o do site “Maracutaias na Petrobras”, onde se encontram outras denúncias feitas por “brasileiros que amam e defendem seu país”.

Conclusão

Depois que Dilma confessou que autorizou a compra da refinaria de Pasadena porque lhe omitiram duas determinadas cláusulas contratuais, é absolutamente inadmissível que ela não determine providências no sentido de apurar quem é o responsável pela cláusula 3.2 do Acordo de Quotistas da Gemini firmado em 29 de janeiro de 2004. Tal cláusula deixa a Petrobras indefesa, passível de ser submetida a uma rapinagem consentida, conforme expliquei didaticamente à Polícia Federal e ao MPF.

Confiando que, de fato, Dilma continuará sua luta para “aumentar a transparência”, os “brasileiros que amam e defendem seu país” ficam na espera para saber o que aconteceu com o citado Acordo de Quotistas, e quem é o culpado pelo prejuízo que ele já causou, está causando e continuará causando até que providências sejam tomadas.

06 de maio de 2014
João Vinhosa é Engenheiro
 
A seguir, a relação de links anunciada

     
https://www.youtube.com/watch?v=Mch9yUu6aGs  (“SAIA DO ARMÁRIO, DILMA!” – PARTE 1)
 
https://www.youtube.com/watch?v=5H6MIj-ytAg (“SAIA DO ARMÁRIO, DILMA!” – PARTE 2)

https://www.youtube.com/watch?v=302F6USwq7s  (“SAIA DO ARMÁRIO, DILMA!” – PARTE 3)

RELATO DA HISTÓRIA RECENTE DO BRASIL


https://www.youtube.com/watch?v=-ow8bwE3fhw&feature=player_embedded
Que esse filme sirva de exemplo para todos os brasileiros. Os mais jovens precisam saber o que de fato ocorreu. É necessário mostrar-lhes a face oculta e cruel da esquerda deste País...  
Agora, em outra tática, a instalada Comissão da Verdade, por ato expresso, se recusa a examinar os crimes cometidos pela guerrilha esquerdista, quer punir só quem defendia o país por dever de ofício, quem defendia a população da ditadura comunista, almejada pelos esquerdistas, nos moldes de Cuba,da China e da Coréia do Norte.

Se a vontade dos  militares na época, fosse apenas matar, e não devolver a paz e a democracia ao país, teriam exterminado todos os guerrilheiros. Oportunidade e apoio popular eles tiveram.
Hoje os criminosos da esquerda, que queriam implantar a ditadura comunista no Brasil, ganham dinheiro fácil, dos nossos impostos, e se regozijam de terem matado, sequestrado, assaltado e trucidado pessoas.

06 de maio de 2014
in a direita brasileira em ação

AÉCIO É O CANDIDATO DO AGRO BRASILEIRO

 
Os pecuaristas já escolheram seu candidato a Presidente da República este ano e para quem vão abrir suas carteiras para ajudar no financiamento da campanha. O senador mineiro Aécio Neves, pré-candidato do PSDB, terá apoio maciço do setor a julgar pelas reações de alguns desses empresários do campo que participaram no fim de semana da abertura de uma das principais feiras de gado do país.
 
Aécio foi a Uberaba na sexta-feira e se reuniu com pecuaristas de diversos Estados. No encontro havia mais de 100 pessoas. A cidade sedia a Expozebu, tradicional exposição de bovinos da subespécie Zebu, aberta oficialmente no sábado pela presidente e pré-candidata à reeleição pelo PT Dilma Rousseff. Numa cena significativa, pecuaristas vaiaram por três vezes a presidente durante a cerimônia.

"O setor é contra o PT", resumiu Rubens Catenacci, veterano produtor do Mato Grosso do Sul. "A política deles não é a favor do agricultor e do pecuarista. Aécio é mais favorável. Eduardo Campos até poderia ser uma opção, mas com a Marina, nem pensar", avalia. Marina Silva, que será vice na chapa do ex-governador Eduardo Campos (PSB-PE), é vista pelo agronegócio com muita resistência. Campos é esperado na Expozebu na quinta-feira.
 
"Nossa visão é de necessidade de mudança", disse Pedro Gustavo Novis, pecuarista de São Paulo. " Os caminhos apontados por Aécio são completamente diferentes do traçado pelo PT nos últimos 12 anos", afirma. Antônio Pitangui de Salvo, pecuarista de Minas, admite que na gestão petista, "tivemos plano de safra como nunca se teve". Mas emenda a crítica: "Todo o governo do PT foi de insegurança para nós", lamenta. Para ele, Aécio "certamente será um grande presidente e a tendência do setor é apoiá-lo", acredita.

Queixa recorrente entre grandes empresários do campo é o clima de disputa constante de terras com índios, quilombolas e sem-terra. Ao Valor Aécio disse: "A omissão do governo federal e o aparelhamento de instituições acabam estimulando essa insegurança". E acrescentou: "Eu sou o homem do diálogo, acredito que você dialogando e tendo como base os instrumentos legais, seja a constituição seja o próximo código florestal para determinados conflitos, você encontra um caminho", disse.

Para o deputado ruralista Ronaldo Caiado (DEM-GO) não há dúvida de que o setor ajudará com gastos da campanha tucana. E previu ainda que "todo produtor rural vai assumir a campanha dele em cada lugar do Brasil." "Isso é uma coisa natural", disse o deputado Abelardo Lupion (DEM-PR). "Faremos o possível pela campanha", afirmou.

(Valor Econômico)

05 de maio de 2014
in coroneLeaks

GLEISI RECEBEU ENVOLVIDO COM DOLEIRO, COMO SE FOSSE BANQUEIRO JAPONÊS. DUAS VEZES!

Honigman: tão japonês quanto ela.

Um dos beneficiários das contas operadas pelo doleiro Alberto Youssef participou de duas reuniões no Palácio do Planalto em 2013, onde foi recebido pela senadora e ex-ministra da Casa Civil Gleisi Hoffmann (PT-PR). Homem do mercado financeiro, Cláudio Honigman e o pai dele receberam um total de R$ 75 mil em 2009 da MO Consultoria, empresa controlada por Youssef e investigada pela Polícia Federal, na Operação Lava Jato, por movimentar recursos do doleiro.
 
A MO também pagou R$ 170 mil de pensões alimentícias para a família de Honigman, por meio de cheques depositados na conta do advogado dele. Youssef é investigado por comandar esquema de lavagem de dinheiro e por manter relações suspeitas com empresários e políticos.

Em 21 agosto do ano passado, o nome de Cláudio Honigman aparece na agenda de reuniões da Casa Civil, identificado como presidente do Banco Mizuho do Brasil, instituição financeira internacional com sede no Japão.
Outros dois representantes do banco participam desse encontro de apresentação com Gleisi Hoffmann, que estava acompanhada de seu assessor especial, segundo registros oficiais.

No mês seguinte, Honigman voltou a participar de uma reunião com Gleisi, dessa vez com outros representantes do grupo Mizuho e também com a presença do ministro César Borges (Transportes) para apresentação de programas de infraestrutura do governo federal.

Quem marcou os encontros com a ministra e levou Honigman e os outros representantes do grupo Mizuho foi o senador Gim Argello (PTB-DF).
O senador diz ter sido abordado no Congresso por representantes do banco pedindo para que lhes ajudasse a fazer contatos com órgãos do governo, uma vez que estavam interessados em financiar investimentos no Brasil. "Todo dinheiro que vier, penso que é bom", disse Argelo.

Os depósitos do doleiro Youssef a Honigman fazem parte do grupo de transferências suspeitas levantadas pela PF, que abriu uma investigação para apurar os negócios da MO Consultoria, registrada em nome de um laranja confesso.
A PF identificou que R$ 89,7 milhões passaram nas contas dessa empresa entre 2009 e 2013. A movimentação financeira da consultoria indica também que ela foi usada para cobrar dívidas e pagar contas de diferentes pessoas ligadas a Youssef, além da suspeita de pagamentos de propina.
 
LIGAÇÕES

Honigman também esteve em uma negociação alvo de inquérito da PF em 2011, que envolveu o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira na compra de um avião que havia entrado no país por US$ 1, o que levantou suspeita de lavagem de dinheiro. A transação com Teixeira não se concretizou. Outra investigação também cita Teixeira e Honignam.
Em 2011, a Polícia Civil do Distrito Federal enviou à Receita indícios de que Teixeira movimentou de maneira ilegal mais de US$ 1 milhão.
 
Os indícios das negociações suspeitas foram encontradas em investigação sobre um jogo do Brasil realizado em Brasília e organizado pela Ailanto Marketing, comandada por Sandro Rosell, réu em ação criminal por fraude.
Segundo a investigação, os dois utilizaram a corretora Alpes, dirigida por Honigman entre 2007 e 2008, para operar os recursos.

(Folha de São Paulo)
 
Agenda do dia _ Casa Civil

Esta reunião teve ampla repercussão na Imprensa, à época, tendo em vista que o Banco Mizuho do Brasil desmentiu que Honigman fosse seu presidente. Informou que nada tinha a ver com a reunião realizada na Casa Civil.
No entanto, conforme a Folha informa na notícia acima, o presidente fake do banco japonês foi recebido mais uma vez por Gleisi Hoffmann. Ela já sabia que ele não era presidente do banco, tanto que a Casa Civil se manifestou oficialmente sobre o fato. Leiam abaixo trechos de notícia da ESPN.
Aqui na íntegra.
 
O mais misterioso e enigmático personagem da "era Ricardo Teixeira" no futebol brasileiro parece estar de volta e com poder nas altas esferas federais. Em mais uma história com lacunas a serem preenchidas, Claudio Honigman foi recebido pela Ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, no último dia 21 de agosto, constando da agenda oficial da instituição como "Presidente do Banco Mizuho no Brasil".

No entanto, procurado pela reportagem, o Banco Mizuho do Brasil rejeitou, em nota oficial, por meio de sua assessoria de comunicação, que o ex-amigo de Ricardo Teixeira represente a instituição no país, conforme a agenda da Casa Civil anunciou na data.

"O Banco Mizuho do Brasil esclarece que o Sr. Claudio Honigman não é funcionário desta Instituição, consequentemente, ele não é presidente deste Banco no Brasil e nem representa a Entidade no Brasil em nenhuma circunstância. Sendo assim, a Entidade esclarece que não participou do evento de 21 de agosto de 2013 na Casa Civil e desconhece referida pauta", diz a nota.

Questionada também pela reportagem sobre o encontro e sobre a pauta, a Casa Civil, por meio de sua assessoria, confirmou o encontro da Ministra Gleisi Hoffmann com Claudio Honigman.

"A reunião aconteceu e a pauta foi a apresentação do Programa de Investimento em Logística (PIL), seguindo uma série de encontros da ministra sobre o tema". Numa segunda checagem sobre as credencias de Honigman como representante do Banco Mizuho no país, a assessoria reconfirmou o que estava na agenda oficial: "Como representante do banco, conforme agenda publicada na data".

- Se o Banco Mizuho nega que Honigman "represente a Entidade no Brasil em nenhuma circunstância. Sendo assim, a Entidade esclarece que não participou do evento de 21 de agosto de 2013 na Casa Civil e desconhece referida pauta", resta entender:

- Por que ele estava lá?
- Como chegou e teve acesso?
- Quem representava de fato?
- Qual era a pauta de fato?
 
É exatamente esta explicação que deveria ser dada, claramente, pela senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), que tem posado como chefe da tropa de choque do partido que tem feito de tudo para melar a CPI da Petrobras.
 
05 de maio de 2014
in coroneLeaks