"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

BOM SENSO NO BARCO DOS INSENSATOS

"Temos inteligência / pra acabar com a violência, dizem / cultivamos a beleza, / arte e filosofia

A modernidade agora / vai durar pra sempre, dizem / toda a tecnologia / só pra criar fantasia / vivermos em harmonia / não será só utopia

Quem me dera / não sentir mais medo / quem me dera / não me preocupar / quem me dera / não sentir mais medo algum”

(Arnaldo Antunes, na letra da canção “Dizem”/Quem me dera)

Navego na trilha poética e sonora do artista, enquanto peço licença e paciência para a tentativa de recompor alguns estilhaços de fatos, suspeitas e opiniões espalhados, esta semana, na rota Rio de Janeiro - Feira de Santana (BA), com Brasília na baldeação.

São pedaços significativos e exemplares – para o bem e para o mal - recolhidos no País à beira de um ataque de nervos (ou seria de medo e insegurança, entre doses cavalares de insanidade?) nestes dias de verão efervescente do ano eleitoral de 2014:

1 - Rojões lançados a esmo - ou teleguiados por grana e interesses políticos e de poder, segundo dizem ou suspeitam alguns - nas manifestações de protesto. E a pergunta que não quer calar, à espera de investigação séria e respostas convincentes: onde se originam os petardos? A quem interessam?

2 - Jocosas entrevistas de porta de cadeia transmitidas nacionalmente pela TV. Em especial a de uma moça chamada "Sininho". Carregado sotaque carioca, língua solta e riso malandro de galhofa dos irresponsáveis que apostam na impunidade, a ilustrar frases repletas de ameaças submersas e de duplo sentido.

O cidadão comum escuta e se espanta ou se confunde. Não consegue identificar direito o que ela pensa, propõe, nem o real significado do que ela diz ou quem de fato a inspira. Ou a causa que ela defende. Um personagem estranho e constrangedor, a merecer verificações e desvendamentos.

3 - Notas oficiais, como a da FENAJ, carregadas de corporativismo, jogo de cena partidário. Além de mal disfarçadas tinturas ideológicas. Infeliz tentativa de transformar "em claro atentado à liberdade de expressão" e à imprensa, um ato criminoso que resultou na trágica e emblemática morte do cinegrafista Santiago Andrade, da TV BAND.

Ato insano, sim, mas a ser apurado nos limites da legalidade vigente. E punidos os responsáveis nos termos do Código Penal em vigor. A morte de Santiago fere gravemente a sociedade democrática como um todo e atenta contra a consciência civilizada em geral, não só a dos profissionais de comunicação e de suas empresas

4 - Exacerbação "antiterrorista” (quanto oportunismo que cheira a tentativa política rasteira e condenável de "caça às bruxas"), do notório senador Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Congresso.

5 - Movimentação feérica do advogado de defesa dos acusados presos. Ele levanta suspeitas, a torto e a direito (ou seria à direita, como sugerem alguns?), planta "denúncias" e atua em cena como uma espécie de Chacrinha do tempo do Twitter e do Facebook, aparentemente mais disposto a confundir que a esclarecer.

6 - Tíbias declarações sobre o caso da presidente da República, Dilma Rousseff, via redes sociais, para uma sociedade perplexa à espera das palavras e atitudes de estadista que o momento exige.

No meio desta Babel de declarações desencontradas, momentos, também, de razoabilidade e bom senso. Demonstrações pungentes e saudáveis de que nem tudo está perdido.

Três exemplos, para contextualizar:

1 - A mensagem postada no Facebook pela filha, ao se despedir do pai-herói cinegrafista, estupidamente morto quando executava o seu trabalho. Merece reprodução e leitura integrais, mas aqui vai apenas um trecho marcante: Meu nome é Vanessa Andrade, tenho 29 anos e acabo de perder meu pai. Quando decidi ser jornalista, aos 16, ele quase caiu duro. Disse que era profissão ingrata, salário baixo e muita ralação. Mas eu expliquei: vou usar seu sobrenome. Ele riu e disse: então pode!

2 - O comportamento discreto, mas crucial, da namorada de Caio, um dos elos mais nebulosos deste caso sombrio. Preso na baiana cidade de Feira de Santana, acuado em um quarto de pensão de beira de estrada, quando em fuga tentava chegar à casa do avô, para se esconder no Ceará. A namorada, cujo nome desconheço, mas admiro, convenceu, por telefone, o cara do rojão do Rio a ficar no quarto e parar com a aventura de desfecho imprevisível.

Depois viajou do Rio para a Bahia, subiu ao quarto de pensão com o advogado, e desceu a escada com o namorado que se entregou à polícia e, agora, recolhido à prisão de Bangu, vai esperar o desdobramento do caso que decidirá o seu destino. Admirável exemplo da moça discreta e anônima, no país de celebridades instantâneas e fugazes.

3 - A pungente e verdadeira declaração de Arlita Andrade, viúva de Santiago, à repórter da TV Globo, depois da última visita ao marido, na UTI do hospital do Rio: "Ele não pode estar indo em vão".

Que estas palavras e exemplos de dignidade e sensatez sejam entendidos e frutifiquem, no meio da navegação do barco de insensatos que singra os mares agitados do Brasil nestes temerários dias de ano eleitoral. A conferir.

15 de fevereiro de 2014
Vitor Hugo Soares é jornalista

DILMA: ELA ACEITA TUDO QUE A ORGANIZAÇÃO PT MANDA

SE DILMA NÃO FOSSE DILMA
 
Ao se desligar do programa "Mais Médicos", a doutora Ramona Matos Rodriguez abriu a caixa de Pandora desse suspeitíssimo convênio firmado entre o governo brasileiro e a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) para locação de médicos cubanos. 

Ramona exibiu à imprensa cópia do seu contrato com uma certa sociedade anônima "Comercializadora de Serviços Médicos" e informou que dos 10 mil reais por cabeça, pagos pelo Brasil, ela só recebia o equivalente a mil reais no câmbio atual. Ou seja, confirmou ganhar apenas aqueles 10% que eu, desde o início das tratativas para vinda dos médicos, afirmei que constituíam o padrão para contratos desse tipo na Castro & Castro Ltda. - antigamente conhecida como ilha de Cuba - empresa familiar com sede e foro na cidade de Havana. E ainda há quem ouse se referir a tais negociatas como evidências da "admirável solidariedade" da Cuba comunista para com os necessitados do mundo. Vê se eu posso! 

Em torno de dona Ramona se formou a primeira das encrencas que haverão de cercar esse convênio nascido nas confabulações do Foro de São Paulo (aquela supranacional esquerdista que a imprensa brasileira faz questão de solenemente desconhecer). Muitas outras encrencas virão porque tudo que é mal feito em algum momento cobra conserto. 

O problema é que Dilma, apesar de seus 40 ministros, não tem um ministério nem dirige um governo. Ela preside um clube, destinado ao lazer dos sócios, vale dizer, dos partidos políticos que compõem sua base de sustentação. Tivesse ela um bom ministro do Trabalho, este lhe diria que a situação dos cubanos é totalmente irregular perante a legislação brasileira (a doutora Ramona já anuncia que vai buscar na Justiça do Trabalho o que lhe é devido pelo Brasil). Tivesse ela um bom ministro da Saúde, ele a advertiria sobre a deficiente formação média dos profissionais médicos formados em Cuba. Tivesse ela um bom ministro da Defesa, ele haveria de alertá-la para os riscos decorrentes da importação, em larga escala, de agentes enviados por um país que, desde 1959, se caracteriza por infiltrar e subsidiar guerrilheiros no resto do mundo. Tivesse, Dilma, uma boa ministra de Direitos Humanos, menos fascinada por ideologia e mais pela humanidade, esta iria às últimas consequências para impedir que o Brasil protagonizasse escancarado ato de escravidão, trazendo os cubanos sob as condições postas por Havana. Tivesse Dilma um bom ministro da Fazenda, ele certamente lhe demonstraria o quanto é abusivo pagar um overhead de 900% em relação a cada profissional enviado pelos Castro. Tivesse ela um bom ministro da Economia, este abriria um berreiro para mostrar que a contabilidade desse convênio é altamente prejudicial ao interesse nacional diante da desproporção entre o valor do serviço prestado no Brasil e o montante enviado para a matriz cubana. Tivesse Dilma um bom ministro da Justiça, ele ficaria de cabelos em pé diante do atropelo que esse contrato produz nos mais comezinhos princípios de Justiça e na legislação nacional. Tivesse Dilma um bom ministro da Previdência Social, ele mostraria ser líquido e certo o caráter regressivo ao governo de qualquer ação dos médicos cubanos em busca de seus direitos previdenciários porque o patrão de fato desses profissionais é o governo brasileiro. Tivesse Dilma um bom ministro de Relações Exteriores, ele lhe mostraria o quanto resulta negativo à imagem do Brasil o conhecimento internacional das bases em que o país firmou esse convênio. 

Mas Dilma preside um clube. E se o clube está nem aí para suas verdadeiras ocupações, menos ainda haverá de estar para quaisquer preocupações. O clube, afinal, gosta mesmo é de festa e grana. 

Se Dilma não fosse Dilma e tivesse um bom ministério, se estivesse ocupada em solucionar problemas estruturais em vez de ficar quebrando galhos e agradando parceiros, ela teria atendido à reivindicação dos médicos brasileiros. Há muito tempo eles pedem uma carreira atrativa no serviço público, à exemplo de outras que iniciam em postos remotos e, gradualmente, promovem seus integrantes para centros maiores. Mas Dilma é apenas Dilma. 
_____________ 
15 de fevereiro de 2014
* Percival Puggina é arquiteto, empresário, escritor

REGULAÇÃO OU EXPROPRIAÇÃO?

(Texto antigo que republico, por permanecer atual)

 



O filósofo alemão Hans Hermann-Hoppe, incrédulo da democracia, define-a como o sistema em que todos têm o direito de decidir sobre a sorte da propriedade de um indivíduo – exceto ele próprio, claro. Ler os argumentos do autor de “Democracy – a God that Failed” (Democracia – o Deus que Faliu) nos leva concordar com seu ponto de vista, embora um certo senso de desespero faça com que nos amarremos à idéia da democracia, assim como uma pessoa que sente medo de altura se agarra a qualquer objeto, torturada por suas vertigens. Isto acontece tão somente por não enxergarmos nenhuma outra forma melhor de organização da sociedade, seguindo a idéia de Sir Winston Churchill. Confesso que eu mesmo não encontrei até hoje a fórmula ideal e, bem, igualmente, não gosto lá muito de mirantes.

Creio que Hoppe tenha sido o primeiro a denunciar este lado corrompido e deturpado da democracia, pelo menos segundo a denúncia da fórmula que é seu vício original: permitir a todos que decidam sobre a vida, o trabalho e a propriedade de um só. Será que toda democracia levará um dia à tirania? Bom, hoje temos, infelizmente, o caso dos Estados Unidos, a nação que melhor se protegeu desde a origem contra isto mas que ano após ano, tem passado de uma nação de liberdades a um estado de bem estar social e que acabou elegendo um Lula “melhor” ainda que o nosso. Fica difícil prever.

Um sistema democrático tem o condão de legitimar qualquer violação que cometa o estado contra o ser humano tão e unicamente com base na sua vontade, isto é, consubstanciada na lei. A lei, por assim dizer, torna-se a medida formadora da moralidade. A lei acaba por fazer os homens, ao invés de os homens fazerem as leis.

No caso de estados altamente desenvolvidos, como o nosso (desenvolvido aqui sob uma acepção peculiar, se o leitor bem me entende), nem a lei se torna necessária. Os seus desdobramentos, sob a forma de atos administrativos com força regulatória, atualmente já fazem todo o serviço, e as mais das vezes extrapolam da lei e da Constituição. Esta técnica do “se colar, colou”, é extremamente vantajosa para os governantes: primeiro, é rápida, pois dispensa o processo legislativo ordinário. Segundo, isenta o governante do custo político, pois ele alega que as medidas adotadas foram geradas por um corpo técnico, e contra a técnica não há discussão. Terceiro, os eventuais inconformados podem até recorrer à justiça, mas isto, além de moroso e custoso, é inglório, vez que as decisões, via de regra, valem apenas para o caso concreto e a medida administrativa fica com o lucro da imensa maioria que se conforma. Eis, portanto, a fórmula da democracia, sob a modalidade de “tirania ideal”.

Tendo lido na seção cartas dos leitores, do jornal “O Liberal”, de sábado, dia 11 de julho de 2009, deparo-me com a missiva intitulada “Tribunal da Inquisição”, da lavra do Sr Mário Rubens de Souza Rodrigues. Perspicaz, ele comenta sobre o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que o MPF empurrou goela abaixo dos produtores rurais – em especial, os pecuaristas – do estado do Pará, medida que pode simplesmente causar a maior crise econômica jamais vista neste estado:

“Bom, um leitor descontextualizado vai acreditar que o TAC laborado é um grande passo para regularização fundiária e ambiental dos produtores, acreditando que os produtores cumprirão com suas diretrizes, mas, para os produtores, o TAC é uma faca no pescoço, uma arma na cabeça ou um beco sem saída, pois o pacto desnuda de compromisso os órgãos que são responsáveis pela emissão dos documentos exigidos. Para o leitor ter uma idéia do estardalhaço, o Incra não outorga documento fundiário há mais de 30 anos, mas o TAC exige prazo de 5 anos. A SEMA outorga LAR em prazo de 36 meses, isto é, se o produtor já possuir o documento fundiário. Lá se vão mais 33 anos ou a idade de Cristo, quanto (sic) que o TAC dá prazo de 24 meses. E para finalizar, sem documento fundiário e georreferenciamento da área produtiva, jamais será protocolado o Cadastro Ambiental Rural. Ou tudo isso é loucura ou no Pará se instalou o Tribunal da Inquisição.”

Aqui está a prova inconteste do que os produtores – rurais ou urbanos – devem entender. A maior tática que esta gente consegue vislumbrar é mobilizarem-se para em conjunto buscarem o poder judiciário, mais ou menos como os judeus que procurassem o estado nazista para a defesa dos seus direitos. Ainda não perceberam que até mesmo os seus advogados não vão lhes defender, mas entregar as suas cabeças de bandeja aos carrascos. Nem que eles realmente quisessem poderiam fazer diferente: afinal, raciocinam em termos do sistema jurídico vigente, este por sua vez construído sobre uma base ideológica hegemônica, e segundo o qual a propriedade tem uma função social a cumprir, sendo as intervenções estatais sobre a propriedade não mais que medidas legítimas a bem da regulação do mercado, a fim de lhe sanar as “distorções”.

Ainda que contrário à “regulação” e à “intervenção”, pelo menos estas deveriam se ater em disciplinar os mercados, isto é, limitar-se a estabelecer as regras do jogo. Com o tempo, todavia, “regulação” e “intervenção” foram dando lugar à “expropriação”. Hoje, os produtores rurais do Pará reclamam que a lei lhes exija a reserva de aproximadamente 80% da área de suas propriedades para fins de preservação ambiental. Todavia, isto só acontece porque muito antes diversos atos de expropriação foram perpetrados sem que ninguém se pusesse em defesa da propriedade privada e do valor intrínseco – não avaliável pelo Incra nem por ninguém - da propriedade privada.

Ora, se a propriedade privada é justamente o instituto que serve para dizer ao estado: “- tu mandas lá nas tuas negas, aqui tu me respeitas”, toda e qualquer tentativa de expropriação haveria de ser rechaçada ao primeiro sinal de aparecer no mundo jurídico. Todavia, o estado, bem sucedido em manipular maiorias contra minorias, foi aos poucos, por meio de revezamento, retirando de cada setor da sociedade a parcela de poder que almejava. Os indivíduos sempre acederam ao estado neste mister porque acreditavam que ele estava fazendo aquilo que estas pessoas queriam que ele fizesse. Estas pessoas aceitavam a derrogação do direito dos outros e a concomitante mão forte do estado porque pensavam em termos de suas próprias convicções. Hoje, os cubanos se ressentem do regime opressivo que lhe dá ganas de fugir a nado daquela ilha-presídio, mas milhares assistiram e aplaudiram julgamentos sumários e execuções em estádios. Em suma, agiram como cúmplices.

A lei que instituiu aquelas indecorosas propagandas nas carteiras de cigarro, por exemplo, agiu com inequívoca expropriação. Ela deveria pertencer, desde sempre, ao fabricante do cigarro, e em seqüência, ao atacadista, ao varejista e ao consumidor. A cada uma destas figuras deveria ter sido mantido intacto o direito de usar aquela banda da carteira como bem lhe aprouvesse. O fabricante poderia enaltecer as qualidades do seu produto ou quiçá, divulgar um novo modelo de carro, assim como também os futuros proprietários, no instante em que a propriedade sobre este bem lhes tivesse sido licitamente transmitida. Eventualmente, um determinado uso privado deste veículo de divulgação poderia melhor ajudar as pessoas com câncer – fumantes ou não – com melhores resultados do que o SUS e seu desempenho “próximo da perfeição”.

O mais curioso neste caso é a extrema indecência da propaganda governamental, ao exibir pessoas mutiladas, moribundas ou impotentes, critérios de decoro que o estado não aplica para si próprio ao mesmo tempo em que os exige da propaganda privada comum, a ponto de proibir, no auge do ridículo, os comerciais de cerveja em que apareciam bichinhos engraçados.

As pessoas que aplaudiram tal medida não pensaram nem por um minuto que a propriedade privada estava sendo confiscada, e gerando com ela a jurisprudência e a permissão tácita para que novas leis confiscatórias da propriedade fossem emitidas, desta vez contra elas próprias, na parte da vida em que se encontrassem como minoria, eventualmente, por exemplo, como produtoras rurais na Amazônia.

Sem tomar como certo de que o estado age com intencional projeto de confiscar a propriedade privada, utilizando-se de argumentos tais como o ambiental somente por pretexto, não haverá saída para quem nesta terra (refiro-me ao Brasil) deseje trabalhar e produzir. Sem que os produtores – rurais ou urbanos – não caiam em si do quanto de expropriação já sofreram e sem que denunciem publica e maciçamente esta manobra, na forma de uma assumida permanente guerra das idéias – todo e qualquer grito isolado e casual aparecerá nos jornais como um ridículo bate-pé de malfeitores fora-da-lei.
14 de fevereiro de 2014

REPORTAGEM-BOMBA DA REVISTA VAI DIRETAMENTE NO ALVO: SININHO

 
A edição da revista Veja deste final de semana traz como reportagem-bomba uma matéria que vai fundo no rumoroso esquema dos black blocs que veio à tona com toda força depois do assassinato do cinegrafista da BandTV, Santiago Andrade atingido, por um morteiro disparado por agitadores mascarados. 
 
O site de Veja que nesta semanas revelou o listão de colaboradores do bando mascarado que espalha o terror nas cidades brasileiras, puxa o fio da meada no sentido de esclarecer definitivamente quem está realmente alimentando a baderna e a campanha difamatória contra os órgãos de segurança, especialmente as Polícias Militares.
 
“Os segredos de Sininho”, é a chamada de capaz da revista. Sininho é o apelido como é conhecida a militante baderneira Elisa Quadros. Segundo Veja, Sininho é a protetora dos black blocs e constitui a chave para descobrir quem financia, arma e treina os vândalos vagabundos e assassinos.
 
Entretanto, além dos segredos de Sininho, Veja traz mais duas reportagens exclusivas que pautam os demais veículos de comunicação. É que apesar dos funestos acontecimentos que culminaram com a morte de Santiago Andrade, a grande mídia continua tergiversando, tentando diluir eventos significativos que demandam esclarecimentos.
 
É o caso do Programa Mais médicos por meio do qual o governo de Lula, Dilma e seus sequazes inundou o Brasil de médicos cubanos, todos eles em regime de verdadeira escravidão. Trabalham para garantir uma vida nababesca para a asquerosa e assassina ditadura dos irmãos Castro.
 
Enquanto os filhotes do PT travestidos de jornalistas mentem e escamoteiam informações, Veja descobriu que Vivian Pérez é agente de Fidel Castro e policia os médicos cubanos no Brasil. E, como foi noticiado esta semana também por Veja em seu site, já se verifica uma debandada geral dos infelizes escravos de Lula, Dilma e Fidel Castro.
 
Outra excelente reportagem que recheia o miolo da revista desnuda a Petrobras, toda ela aparelhada pelos pelegos do PT. Esta reportagem enfoca o escândalo - mais um - da propina do navio-plataforma.
 
Por tudo isso, Veja continua sendo de leitura obrigatória, suprindo com competência a lamentável degeneração do jornalismo brasileiro reduzido na atualidade a um braço do Foro de São Paulo, a organização comunista fundada por Lula e Fidel Castro em 1990, destinada a transformar o continente latino-americano nunca grande Cuba.

LEIA AQUI NA ÍNTEGRA A REPORTAGEM-BOMBA DE 'VEJA'
 
15 de fevereiro de 2014
in aluizio amorim

A QUEM INTERESSA?

Apesar do marketing ufanista para convencer eleitores incautos o governo Rousseff tem sido um retumbante fracasso. Na economia a herança maldita de Lula da Silva aparece claramente na fragilidade que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) detectou, apontando o Brasil como a segunda economia emergente mais vulnerável.
 
Bem antes, porém, a economia já cambaleava e tal situação não se deveu apenas a crise mundial, mas a incompetência do governo petista, sobretudo, às mágicas ineficientes do Mr. M ou Senhor Mantega, referendadas pela governanta. E para resumir a fragilidade econômica do gigante Brasil vale a pena citar O Estado de S. Paulo (13/02/2014):
 
“O crescimento econômico é baixo e o nível de atividade da indústria preocupante; os investimentos não fluem; a inflação está bem acima da meta há mais de três anos; a dívida bruta está alta demais; o rombo externo (déficit em conta corrente) está crescendo; as regras do jogo são frouxas e sujeitas a interferências; a reação do governo não é criar soluções definitivas.”

Diante deste quadro cresce o pessimismo dos empresários, as queixas e cobranças ligadas ao agronegócio, o afastamento dos investidores externos. Todos imaginam que em breve o Brasil será rebaixado pelas agências de classificação de risco o que vai piorar ainda mais a situação.
 
Acrescente-se o colapso do setor elétrico que ocasiona sérios transtornos e atinge a produção no campo, o que redundará no aumento dos preços de grãos, verduras, café, laranja.
 
O povo vai pagar mais caro pelos alimentos e também na conta da energia que tem faltado, e que Rousseff havia prometido baixar.
Contudo, nem o calor excessivo, raios, ou São Pedro castigariam assim o povo caso a ex-ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, tivesse iniciado as obras necessárias no setor e mantivesse a continuidade ou as finalizasse no seu governo.
 
Outros fatos desmoralizam o governo petista como a ajuda dada ao companheiro e déspota, Fidel Castro. Não me refiro só ao Porto Mariel, mas a importação de médicos cubanos reeditando o sistema de escravidão em pleno século 21.
Como ocorreu na Venezuela os médicos começam a se evadir turvando a vitrine política de Rousseff e do ex-ministro da Saúde, Padilha, denominados na gíria de postes do Lula.
 
Não me deterei aqui em outros aspectos como promessas não cumpridas, péssima situação da Saúde e da Educação, falta de infraestrutura e muito mais. Prefiro me reportar à violência reinante que culminou com o assassinato do cinegrafista Santiago Andrade. Fosse um policial a vítima nada aconteceria, nem uma lágrima cairia dos olhos da ministra Maria do Rosário. Porém, o ato facinoroso atingiu uma classe forte e unida, a dos jornalistas e rapidamente os culpados foram presos.
 
O advogado dos black blocs, Jonas Tadeu Nunes, disse que “o garoto”, coisa que Caio Silva não é, não passa de um pobrezinho aliciado para promover baderna e o que mais se precisar por R$ 150,00, sendo que os aliciadores seriam partidos, vereadores, deputados, senadores, autoridades.
 
O advogado não declinou nomes, o que coube ao Caio. Dubiamente ele disse acreditar que partidos que levam bandeiras nos atos de incitamento as badernas são os mesmo que pagam aos vândalos, mas foi incisivo ao declinar o nome dos partidos, linhas auxiliares do PT: PSOL, PSTU, Frente Independente Popular (FIP), além de Elisa Quadros, codinome Sininho, a que apelou para o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) para que seu assessor e advogado libertasse Fábio Raposo, comparsa de Caio no assassinato do cinegrafista.
 
Então, a pergunta que não quer calar é: a quem interessa acobertar os aliciadores? Por que o governo, responsável pela segurança da nação e que deve estar minimamente informado sobre o que se passa, ainda não coibiu os chefões da baderna, da destruição, do assassinato?
 
Quanto aos sem-terra, que nas invasões a propriedades produtivas costumam matar animais, impedir funcionários de ir e vir, destruir máquinas e sedes, são uma espécie de red blocs, tentáculos do PT no campo.
 
Dia 12 deste, incitados por petistas, um exército vermelho tentou invadir o STJ, gritou palavras de ordem em frente da embaixada norte-americana e derrubou as grades do Palácio do Planalto diante de policiais que, mesmo com 30 dos seus feridos, cumpriram sua responsabilidade de proteção.
 
Então, me lembrei de Eldorado dos Carajás. Em 17 de abril de 1997, um pequeno grupo de policiais viu mais de mil sem-terra correndo em sua direção com pedras, paus e facões. Os policiais atiraram em legítima defesa e mataram 19 dos sem-terra.
Dia 12, ao investir contra pequeno grupo de policiais postados diante de milhares de participantes, parece que os líderes petistas ansiavam por uma vítima dos chamados movimentos sociais, já que outra vítima dera errado.
 
A quem interessa tudo isso num ambiente de degradação econômica e social? Será que se pensa em estado de sítio, para lembrar outros tempos? É outra pergunta que não quer calar.
 
15 de fevereiro de 2014
Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga

CÂMARA FAZ ENQUETE EM SEU SITE PARA DEFINIR O CONCEITO DE FAMÍLIA EM PROJETO DO "ESTATUTO DA FAMÍLIA"

Por enquanto parece que está prevalecendo o bom senso dos homens e mulheres de bem. Mas a enquete pode sofrer o assalto da escumalha comunista politicamente correta, por meio de suas 'patrulhas cibernéticas'.
Definir o conceito de família para ser a base de um projeto de lei por meio da internet é um troço completamente absurdo. É claro que a patrulha politicamente correta, ou seja, o PT e seus satélites, que conta com "militantes cibernéticos" organizados têm tudo para embaralhar essa pesquisa. 
 
Aliás, perguntar sobre definição de família contemplando a possibilidade de que não seja aquela que parte da união de homem com uma mulher, já é uma forma de submissão aos ditames do pensamento politicamente correto, a novilíngua do movimento comunista internacional, ou sejam "marxismo cultural" puro e simples destinado a promover o transformismo dos conceitos.
E notem, o projeto é proposto por um obscuro deputado do nanico PR do Pernambuco.
 
Sob o domínio da escumalha do PT os brasileiros de bem veem pasmados a destruição da família o caminho mais curto para o império da imoralidade e da esculhambação geral, ou seja, os ingredientes para plasmar uma sociedade destinada a ser um bando de orelhudos descerebrados e prontos para submeter-se a uma ditadura comunista como existe em Cuba. 
 
Transcrevo do site do Diário Catarinense matéria que vem sendo distribuída pela assessoria de imprensa da Câmara Federal. Leiam e procurem mobilizar-se para votar nessa enquete imediatamente de forma a salvaguardar a família brasileira a partir da união entre um homem e uma mulher. O resto é vigarice politicamente correta dos comunistas. Leiam:
O conceito de família é tema da nova enquete do portal da Câmara dos Deputados, incluída na terça-feira. O cidadão pode opinar sobre a definição de grupo familiar como formado a partir da união entre homem e mulher. O objetivo é avaliar se os cidadãos são favoráveis ou contrários ao conceito incluído no Projeto de Lei 6583/13, do deputado Anderson Ferreira (PR-PE), que cria o Estatuto da Família.

De acordo com o texto, que apresenta diretrizes de políticas públicas voltadas para a entidade familiar e obriga o poder público a garantir as condições mínimas para a "sobrevivência" desse núcleo, família é formada a partir da união entre homem e mulher.
O deputado argumenta que "a família vem sofrendo com as rápidas mudanças ocorridas em sociedade". E que, apesar de a Constituição prever que o Estado deva proteger esse núcleo, "o fato é que não há políticas públicas efetivas voltadas para a valorização da família e ao enfrentamento de questões complexas no mundo.

Como votar:

1) Acesse o site da Câmara: http://www2.camara.leg.br
2) No menu horizontal superior, passe o mouse no botão Comunicação e, a seguir, clique em Câmara Notícias
3) No menu vertical da esquerda, desça até a seção Interação e, a seguir, clique emEnquetes
4) Clique na enquete escolhida e vote
 
15 de fevereiro de 2014
in aluizio amorim

A VIOLÊNCIA PATROCINADA DE TRÊS PERSONAGENS E VÁRIOS AUTORES

NA ÍNTEGRA A REPORTAGEM-BOMBA DE 'VEJA' QUE REVELA QUEM SÃO OS BLACK BLOCS, O BRAÇO ARMADO E TERCEIRIZADO PELOS COMUNISTAS DO PT, PSOL E SEUS SEQUAZES.


Acima Marcelo Freixo falando sobre os black  bloc, antes e depois da morte do cinegrafista Santiago Andrade. Na sequência, Sininho, boa de organizar passeatas e arrecadar dinheiro, ela estuda cinema, está desempregada e rompida com os pais, militantes do PT; e a transformação de Caio Souza, tímido e contrito ao ser preso na semana passada e batendo boca com seguranças em manifestação no Rio: segundo ele, black blocs ganham dinheiro e “quentinhas” de patrocinadores. Quem são, ele não diz.
Como tenho repetido aqui no blog, a cada final de semana a revista Veja coloca as coisas no seu devido lugar, ou seja, corrige todos os demais veículos da grande mídia que passaram a semana tergiversando, mentindo, escamoteando as informações relevantes.

Pois bem, agora aqui está na íntegra a reportagem-bomba da revista Veja, assinada pela jornalista Cecília Ritto com reportagem de Alexandre Aragão, Alvaro Leme, Bela Megale, Cintia Thomaz e Helena Borges. Notem que a revista Veja colocou em campo uma equipe para apurar os fatos. Bem diferente do jornalismo chulé dos demais veículos de comunicação, que chegam ao cúmulo de qualificar  Sininho, de "cineasta".

Como sou jornalista há mais de 40 anos e convivi durante quase 20 anos com essa gente que povoa as redações sei bem quem são, em sua maioria um bando de descolados, rematados idiotas que vivem em conluio como o que há de mais abjeto, pernicioso e degradante na sociedade.

Esta reportagem da revista Veja é a prova concreta do que estou afirmando e venho afirmando há anos aqui neste blog. Leiam:

Eles não vieram com flores nas mãos. Os primeiros black blocs a surgir nas ruas brasileiras já chegaram de máscara e marreta em punho.
Quebraram lojas, incendiaram ônibus e invadiram prédios públicos em badernas no Rio, em São Paulo e em outras 22 capitais.
 
Mesmo assim, receberam olhares benevolentes de políticos (“Vários movimentos têm vários métodos distintos. Eu não sou juiz para ficar avaliando os métodos em si”, disse o deputado Marcelo Freixo, do PSOL) e francamente deslumbrados de alguns artistas (“Emma é linda. O anarquismo é lindo”, escreveu Caetano Veloso a propósito de uma black bloc, pouco antes de posar fantasiado de mascarado).
 
Um professor da Fundação Getulio Vargas, de São Paulo, chegou a escrever que os black blocs “usavam a estratégia da violência” porque eram “vítimas da violência cotidiana praticada pelo Estado”.
 
A polícia e as leis brasileiras fizeram a sua parte para piorar a situação. Nove meses após o início da baderna e dezenas de arruaças depois, há apenas um black bloc preso no Rio. Em São Paulo, nenhum.
 
Na semana passada, a leniência e a impunidade cobraram seu preço: o cinegrafista Santiago Andrade, de 49 anos, morreu em consequência de um rojão que, disparado por um mascarado, o atingiu em cheio quando trabalhava. Com a tragédia, a máscara “libertária” dos black blocs caiu para revelar o rosto soturno de um grupo que, ao aliar inconsequência a violência e uso de armas letais, se equipara a terroristas.
 
Três personagens foram fundamentais para revelar a face mais sinistra dos black blocs: Fábio Raposo, o Fox, que carregou o rojão que atingiu o cinegrafista; Caio Silva de Souza, o Dik, que levou o artefato até perto da vítima; e Elisa Quadros, a Sininho, “militante ativista” (a definição é dela) que surgiu do nada para oferecer “assessoria jurídica” aos dois acusados e não parou mais de aparecer.
 
Raposo e Souza, que se entregaram e estão presos, são peões do movimento, integrantes da tropa de choque do que­bra-quebra.
 
Já Sininho, 28 anos, estudante de cinema (já há seis anos) e atualmente desempregada, é da elite que decide e dá ordens. Sininho faz a ponte entre os black blocs e a parcela da classe política que nutre simpatia pelo grupo. Dela, constam, por exemplo, os vereadores Renato Cinco e Jefferson Moura, ambos do PSOL.
Eles aparecem numa planilha que circulou em grupos fechados na internet, revelada pelo site de VEJA, com os nomes de pessoas que, a pedido de Sininho, patrocinaram um “evento cultural” que ela ajudou a organizar em dezembro passado.
“Eles deram dinheiro, sim, e não foi nenhum segredo. Doaram como civis, e não políticos”, postou ela em janeiro, reagindo às críticas de integrantes do grupo cuja alegada inspiração anarquista não permite engajamentos partidários.
 
Sininho diz que não gosta de políticos e políticos dizem que não apoiam a violência dos black blocs, mas as duas partes parecem se dar muito bem. A Câmara de Vereadores é um ambiente familiar para Sininho.
Quando começou a minguar o movimento Ocupa Cabral, em que manifestantes permaneceram dois meses acampados diante da casa do governador do Rio, ela sugeriu a ocupação das escadarias da Câmara. Ficou lá por 52 dias.
 
Gaúcha, filha de petistas com quem não se dá (“Continuam no PT, pois devem acreditar que tem esperança, mas eu não tenho nada a ver com a decisão deles”), até o meio do ano passado fazia trabalhos esporádicos em uma produtora de vídeos.
 
Vivia com quatro colegas em um apartamento com poucos móveis e paredes cobertas de discos de vinil, recebia amigos para festinhas (animadas a MPB, cerveja e baseados) e passeava na cidade com uma bicicleta modelo retrô. Em junho, depois da primeira passeata, não saiu mais da rua e foi subindo na hierarquia dos “militantes ativistas”.
 
Com tempo de sobra, esteve na linha de frente de quase todos os protestos. Ficou famosa — e mais ainda depois de ter sido detida por três dias (na investigação que se seguiu, livrou-se do grampo certo com um expediente simples: deu à polícia um número falso de telefone).
 
 
15 de fevereiro de 2014
in aluizio amorim

OS DETALHES DE UMA OPERAÇÃO REVELADOS PELO ADVOGADO DO SENADOR BOLIVIANO ROGER PINTO MOLINA

Fernando Tibúrcio, advogado de Roger Molina, revela mais detalhes da operação tramada pelo Brasil e pela Bolívia para entregar o senador a seus carrascos


O embaixador Eduardo Saboia (à esquerda), ao lado do senador boliviano Roger Pinto Molina
O embaixador Eduardo Saboia (à esquerda), ao lado do senador boliviano Roger Pinto Molina

A menos de 10 dias do encerramento do prazo para o governo brasileiro decidir se concederá refúgio ao senador boliviano Roger Pinto Molina, o Estadão revelou detalhes de uma operação secreta articulada em março de 2013 pelo Itamaraty para enviar à Venezuela um perseguido político enclausurado na embaixada em La Paz.

De acordo com a reportagem, a ideia de remeter o senador aos domínios de Hugo Chávez (ou à Nicarágua, previa um plano B) foi concebida em parceria com o governo da Bolívia. Se desse certo, a presidente Dilma Rousseff seria poupada de uma decisão que pudesse contrariar a vontade de Evo Morales.

Molina permaneceu 455 dias num quarto da representação brasileira em La Paz até fugir em um carro diplomático com a ajuda do embaixador Eduardo Saboia. Segundo o secretário nacional de Justiça, Paulo Abraão, o senador poderá ter renovada a permissão para ficar no país até que Dilma decida o que fazer com o hóspede indesejado. É provável que o caso só chegue ao desfecho depois das eleições de outubro.

Confira abaixo o comunicado divulgado pelo advogado Fernando Tibúrcio Peña, advogado de Molina, sobre outra prova contundente de que o Brasil lulopetista adotou a política externa da cafajestagem.

COMUNICADO PÚBLICO
 
A notícia veiculada no Estadão, e assinada pela experiente repórter Andreza Matais, de que teria sido engendrado pelo Itamaraty um plano secreto para levar o senador Roger Pinto Molina para a Venezuela ou para a Nicarágua deve ser vista com extrema preocupação.
Caso essa insensatez se tivesse concretizado, o Brasil teria jogado alguém sob a proteção do direito internacional num verdadeiro covil de leões, dado o estreito alinhamento ideológico e político que têm aqueles países com o governo de Evo Morales.

Mas a coisa vai mais longe. A lamentável operação deve ser vista como o capítulo final de uma história que retrata um Itamaraty agonizante, que só permanece vivo porque obstinados brasileiros não desistiram de lutar pela instituição que um dia honrou os seus pais e o seu País. Uma história que teve o seu clímax (ou seria anticlímax?) numa proposta indecente feita a Roger Molina em março do ano passado. O embaixador Marcel Biato – um desses obstinados, justiça seja feita – foi orientado, não sem constrangimento, a propor ao senador, então asilado na Embaixada do Brasil em La Paz, um rol de condicionantes em troca da “liberdade”.

A proposta passava por cinco pontos:

1) o senador deveria renunciar ao asilo que lhe fora concedido pelo governo brasileiro;
2) deveria concordar em ser enviado para um terceiro país;
3) deveria assumir o risco de sair da Embaixada sem um salvo-conduto;
4) deveria no seu destino final se abster de criticar o Governo de Evo Morales, e, finalmente,
5) deveria concordar em se avistar com “enviados” da Justiça boliviana, que seriam autorizados a ingressar nas instalações da nossa Embaixada.

Soube que o diplomata Clemente Baena Soares e outros enviados pelo Itamaraty, sem a participação dos integrantes da missão brasileira em La Paz, teriam mantido conversações com a embaixadora da Venezuela, Cris González, com o fim de que fosse cedido um avião de matrícula venezuelana para tirar o senador da Bolívia, com o beneplácito oficial, mas sigiloso, do governo Evo Morales.
A reunião que poderia ter selado o destino de Roger Pinto Molina só não ocorreu em razão da embaixadora González ter se deslocado para Caracas, em razão da morte do presidente Hugo Chávez, justamente no momento em que Baena Soares arribava na capital boliviana.

Essa proposta indecente começou a ser rascunhada, ao que parece, logo após a prisão dos torcedores corintianos em Oruro. Numa reunião em Cochabamba, o chanceler boliviano David Choquehuanca teria proposto ao seu congênere Antonio Patriota que o embaixador Marcel Biato – muito crítico dos desmandos do governo Evo Morales – fosse afastado das tratativas para a libertação dos torcedores, condição com a qual o nosso chanceler assentiu. Ao que parece Choquehuanca foi mais além e teria proposto trocar a liberdade dos corintianos pela de Roger Molina.
Essa segunda e estapafúrdia proposta teria sido rechaçada por Patriota. Porém, como resultado dessa reunião o senador Molina teve limitado o seu direito de receber visitas e só não foi impedido de falar ao telefone e acessar a Internet porque funcionários da Embaixada exigiram que uma ordem por escrito fosse enviada desde Brasília.

Se algo mais restou de positivo daquela reunião foi que ali se decidiu pela criação de uma comissão bilateral para cuidar do caso do senador. Essa comissão teria se reunido uma única vez em São Paulo. A segunda reunião, programada para La Paz, jamais teria acontecido.
Ao que parece, os diplomatas enviados a La Paz sequer foram recebidos pelas suas contrapartes bolivianas.
Ato contínuo, foi proposta pelos nossos vizinhos que a frustrada reunião acontecesse em La Antigua, na Guatemala.

Desta vez a conversa ocorreu de pé, no corredor. A próxima cartada no jogo da dupla Evo-Choquehuanca foi conseguir que o Brasil assinasse, durante uma reunião de Cúpula do Mercosul em 12 de julho de 2013, uma declaração em que o País se solidarizava com “os Governos da Bolívia, Equador, Nicarágua e Venezuela, que ofereceram asilo humanitário ao Senhor Edward Snowden”, sem que tal declaração dedicasse uma única linha a Roger Pinto Molina, àquela altura há um ano e um mês espremido num pequeno quarto improvisado.

Daí para a frente a história é conhecida: Molina foi heroicamente retirado da Embaixada, recebi em minha casa a inesperada visita de um diplomata que naquela ocasião integrava a comissão sindicante encarregada de processar o diplomata Eduardo Saboia e por aí vai.

Mas a lembrança que realmente me veio à mente, tornada vívida pela leitura da notícia de hoje, foi o telefonema que recebi do secretário-geral do Itamaraty, Eduardo dos Santos. Disse-me este, em meados de setembro do ano passado, que o meu cliente seria expulso do País caso fosse à Câmara dos Deputados a convite do deputado oposicionista Otávio Leite.
Em resposta, expressei toda a minha indignação e deixei claro que não me curvaria a esse tipo de ameaça. Aproveitei a deixa para enfatizar que seria oportuno o embaixador refletir seriamente sobre os limites do Estado.
Mas devo confessar que senti o que talvez seja compaixão em relação a Eduardo dos Santos: se há uma coisa que me marcou naquele telefonema foi a sensação de que o secretário-geral estava com medo. E gente com medo, pensei, é o que não falta no Itamaraty.
Ainda que estejam longe de constituir a maioria, vem ganhando espaço burocratas que convenientemente se esquecem de que a Diplomacia é e sempre foi uma carreira de Estado. Ou que não menos convenientemente se deixaram contaminar por uma ideologia que lhes vêm assegurando que o próximo posto não vai ser dentro de uma geladeira ou na calorenta Ouagadougou, no Burkina Faso.

Em pouco mais de vinte anos o crack tomou conta das ruas das nossas cidades, fazendo com que milhares de jovens promissores ficassem tão somente na promessa. Hoje, segundo dados das Nações Unidas, sessenta por cento da cocaína produzida na Bolívia vem parar no Brasil.

O aumento do tráfico proveniente da Bolívia foi determinante para que o consumo em nosso País dobrasse nos últimos seis anos. Atualmente, três por cento dos universitários brasileiros e quase dois por cento do total da população consomem cocaína regularmente.
Não consigo aceitar que um viés ideológico forjado e sedimentado nos corredores das universidades numa época em que era justo e necessário lutar contra a Ditadura nos levou a um quadro crônico de cegueira coletiva que nos impede de criticar essas tais Novas Democracias do Século XXI (um eufemismo para ditaduras), que gostam mesmo, como faziam os militares nos nossos tempos de chumbo, de perseguir os seus opositores.

Em nome dessa mesma ideologia aceitamos calados sucessivas provocações de Evo Morales, que espertamente percebeu que pregar contra o “imperialismo” brasileiro, assim como já o vinha fazendo em relação aos chilenos na questão do acesso ao mar, rende votos.

Sob o pretexto de corrigir injustiças históricas, apoiamos incondicionalmente um sistema de produção destinado na teoria a abastecer o consumo tradicional, mas que na prática transforma a maior parte das folhas de coca produzida na Bolívia em uma pasta que acaba sendo trocada por carros roubados no Brasil.

A continuar desse jeito, só me falta acordar e, se o meu cachorro não tiver mais uma vez destruído o jornal, ler a notícia de que pegamos o cavalo para trás – ao menos Evo está convencido de que foi assim – e devolvemos o Acre para a Bolívia.

Fernando Tibúrcio Peña, advogado do senador da Bolívia Roger Pinto Molina

15 de fevereiro de 2014
 

E A VERGONHA CONTINUA...

Lula desfruta do jatinho emprestado pelo amigo Walfrido dos Mares Guia, operador do valerioduto mineiro

Lula esteve em BH. Agora para lançar a candidatura de Fernando Pimentel ao governo de Minas Gerais.
Lula não veio em avião de carreira. É demais para ele enfrentar os 60 minutos de voo. Preferiu um Citation de um empresário amigo: Walfrido dos Mares Guia. Ex-ministro e operador do valerioduto que o PT usa como prova de “somos todos iguais”. Ex-ministro de Lula, ainda é o amigo que disponibiliza jatinhos para o ex-chefe. Ou atual?

É esta a acusação que se faz ao PSDB? É isto que os lulopetistas histéricos vociferam nas redes socais?
A partir de agora, qualquer acusação a Eduardo Azeredo et caterva deve ser dirigida a Lula. Afinal, o ex-ministro e sempre amigo não foi inocentado. Foi salvo pela prescrição da pena, antecipada por ter completado 70 anos de idade.

Lula não só confiou nele para ser ministro como pede que lhe empreste jatos. O PT ainda tem alguma moral para acusar alguém do PSDB por “malfeitos”? Lula é a prova maior de todos os acusados que buscam livrar-se do castigo que merecem.

Alguém imagina, por exemplo, Aécio Neves pegando carona no jatinho de José Dirceu?
Fernando Pimentel fez discursos tão vazios como interior de balão de gás. Mas nada disse sobre o que interessa: os contratos de consultoria que prestou (?) a fábricas de refrigerantes que foram à falência e associações de classe, sem apresentar um só contrato.

O lançamento da candidatura de Pimentel foi uma festa de adolescentes sem moral, decência ou maturidade, abrilhantada por um ex-presidente que usa jatinhos de investigados.
Mais uma festa animada pelos que sonham com o retorno a cargos públicos. Sei os nomes de todos. E prometo listá-los se for necessário.
É esperar para ver.

Não vamos entregar Minas Gerais impunemente às mãos de calhordas. Alguns estão envolvidos em processos no TCU. Outros enriqueceram em poucos anos.
Quem viver, verá.

14 de fevereiro de 2014
REYNALDO ROCHA

O HUMOR DO AMARILDO

 
 
15 de fevereiro de 2014



 

O BRASIL E A VIOLÊNCIA DOS BLACK BLOCS

REVISTA VEJA:
Os black blocs têm agora uma morte sobre os ombros



Reportagem de VEJA desta semana mostra que a máscara “libertária” do grupo caiu e revela o rosto soturno de um bando que, ao aliar inconsequência à violência e o uso de armas letais, equipara-se a terroristas
 
Foto: (Montagem sobre fotos: Armando Paiva/Fotoarena Christophe Simon/AFP)
SININHO: Boa de organizar passeatas e arrecadar dinheiro, ela estuda cinema, está desempregada e rompida com os pais, militantes do PT
 
Eles não vieram com flores nas mãos. Os primeiros black blocs a surgir nas ruas brasileiras já chegaram de máscara e marreta em punho. Quebraram lojas, incendiaram ônibus e invadiram prédios públicos em badernas no Rio, em São Paulo e em outras 22 capitais. Mesmo assim, receberam olhares benevolentes de políticos (“Vários movimentos têm vários métodos distintos.
Eu não sou juiz para ficar avaliando os métodos em si”, disse o deputado Marcelo Freixo, do PSOL) e francamente deslumbrados de alguns artistas (“Emma é linda. O anarquismo é lindo”, escreveu Caetano Veloso a propósito de uma black bloc, pouco antes de posar fantasiado de mascarado).

Um professor da Fundação Getulio Vargas, de São Paulo, chegou a escrever que os black blocs “usavam a estratégia da violência” porque eram “vítimas da violência cotidiana praticada pelo Estado”.

A polícia e as leis brasileiras fizeram a sua parte para piorar a situação. Nove meses após o início da baderna e dezenas de arruaças depois, há apenas um black bloc preso no Rio. Em São Paulo, nenhum. Na semana passada, a leniência e a impunidade cobraram seu preço: o cinegrafista Santiago Andrade, de 49 anos, morreu em consequência de um rojão que, disparado por um mascarado, o atingiu em cheio quando trabalhava. Com a tragédia, a máscara “libertária” dos black blocs caiu para revelar o rosto soturno de um grupo que, ao aliar inconsequência a violência e uso de armas letais, se equipara a terroristas.
 
Fotos: Rudy Trindade/Frame/Folhapress e Pablo Jacob/Ag. O Globo
A TRANSFORMAÇÃO: Caio Souza, tímido e contrito ao ser preso na semana passada e batendo boca com seguranças em manifestação no Rio: segundo ele, black blocs ganham dinheiro e “quentinhas” de patrocinadores. Quem são, ele não diz
 
Três personagens foram fundamentais para revelar a face mais sinistra dos black blocs: Fábio Raposo, o Fox, que carregou o rojão que atingiu o cinegrafista; Caio Silva de Souza, o Dik, que levou o artefato até perto da vítima; e Elisa Quadros, a Sininho, “militante ativista” (a definição é dela) que surgiu do nada para oferecer “assessoria jurídica” aos dois acusados e não parou mais de aparecer. Raposo e Souza, que se entregaram e estão presos, são peões do movimento, integrantes da tropa de choque do que­bra-quebra.

Já Sininho, 28 anos, estudante de cinema (já há seis anos) e atualmente desempregada, é da elite que decide e dá ordens. Sininho faz a ponte entre os black blocs e a parcela da classe política que nutre simpatia pelo grupo. Dela, constam, por exemplo, os vereadores Renato Cinco e Jefferson Moura, ambos do PSOL.
Eles aparecem numa planilha que circulou em grupos fechados na internet, revelada pelo site de VEJA, com os nomes de pessoas que, a pedido de Sininho, patrocinaram um “evento cultural” que ela ajudou a organizar em dezembro passado.
“Eles deram dinheiro, sim, e não foi nenhum segredo. Doa­ram como civis, e não políticos”, postou ela em janeiro, reagindo às críticas de integrantes do grupo cuja alegada inspiração anarquista não permite engajamentos partidários.
 
Foto:Paulo Campos/Futura Press
Marcelo Freixo, do PSOL, falando sobre os black blocs, antes e depois da morte do cinegrafista Santiago
 
Sininho diz que não gosta de políticos e políticos dizem que não apoiam a violência dos black blocs, mas as duas partes parecem se dar muito bem. A Câmara de Vereadores é um ambiente familiar para Sininho. Quando começou a minguar o movimento Ocupa Cabral, em que manifestantes permaneceram dois meses acampados diante da casa do governador do Rio, ela sugeriu a ocupação das escadarias da Câmara. Ficou lá por 52 dias.

Gaúcha, filha de petistas com quem não se dá (“Continuam no PT, pois devem acreditar que tem esperança, mas eu não tenho nada a ver com a decisão deles”), até o meio do ano passado fazia trabalhos esporádicos em uma produtora de vídeos. Vivia com quatro colegas em um apartamento com poucos móveis e paredes cobertas de discos de vinil, recebia amigos para festinhas (animadas a MPB, cerveja e baseados) e passeava na cidade com uma bicicleta modelo retrô.

Em junho, depois da primeira passeata, não saiu mais da rua e foi subindo na hierarquia dos “militantes ativistas”. Com tempo de sobra, esteve na linha de frente de quase todos os protestos. Ficou famosa — e mais ainda depois de ter sido detida por três dias (na investigação que se seguiu, livr­ou-se do grampo certo com um expediente simples: deu à polícia um número falso de telefone).
 
Fotos: Roberto Castro e Ag. O Globo
A PRIMEIRA VÍTIMA: O rojão disparado pelos black blocs atingiu em cheio a cabeça do cinegrafista Santiago Andrade
 
Sininho posta vídeos com frequência, às vezes com o ex-namorado, conhecido como Game Over. Articulada, gosta de mandar — em passeatas, é vista apontando a direção a ser tomada pelos mascarados — e de alardear amizade com quem julga poderoso, como o deputado Marcelo Freixo, do PSOL.
 
Freixo minimiza os laços. Afirma ter se encontrado com Elisa apenas duas vezes, na condição de presidente da Comissão de Direitos Humanos, por iniciativa dela. Mas comentários nas redes sociais não deixam dúvida: black blocs e PSOL são mais do que bons amigos.
 
É a uma ONG presidida por um alto funcionário do gabinete de Freixo, Thiago de Souza Melo, que Elisa e outros apelam quando alguém vai preso ou sofre ameaça. A organização é composta de advogados que ficam a postos, nas ruas e em delegacias, para ajudar manifestantes detidos em confrontos de rua. Em São Paulo, quem faz esse papel são os advogados da CSP-Conlutas, entidade sindical ligada ao PSTU.

Integrantes dos dois partidos costumam estar presentes em assembleias do bando, geralmente sob ataque de black blocs de inclinação purista, contrários à aliança com políticos. Freixo foi justamente o nome que Elisa brandiu quando contatou o advogado Jonas Tadeu Nunes para oferecer assessoria jurídica a Raposo, que se apresentou à polícia dois dias depois de Andrade ser atingido por um rojão.
 
Foto: Ag. O Globo
O CÚMPLICE: Raposo foi o primeiro a ser preso, levado pelo advogado Nunes (de azul): o vídeo mostra que ele deu a Caio o explosivo que matou Andrade
 
O advogado foi o primeiro a falar sobre o pagamento para promover quebra-quebras que os baderneiros receberiam de grupos, que ele não identificou. Coisa de “150, 200 reais”. Caio Souza confirmou, tanto a Nunes quanto à polícia, ter recebido propostas nesse sentido. Mais: diz ter visto a distribuição de quentinhas aos acampados na Câmara e de pedras e outros “apetrechos” aos mascarados na rua.

O advogado Nunes — que diz não receber nenhum tostão dos dois clientes, aos quais teria sido levado por um estagiário amigo de Raposo — tergiversa quando é arguido sobre detalhes. Afirmou que, na manifestação, a turma da baderna recebe munição de “Kombis cheias de rojões, cheias de máscaras”. E quem financia tudo isso? Políticos? Algum partido? “Não sei. A polícia tem de investigar”, escorregou Souza.
Fotos: Paulo Campos/Futura Press/Estadão Conteúdo
NÃO É CAUSA, É CRIME: Black blocs se preparam para a ação: “violência simbólica” também mata
O principal responsável pela morte de Andrade mora com o pai em uma casa simples em Nilópolis, na região metropolitana do Rio. No dia seguinte à manifestação, 6 de janeiro, ele vendeu um celular, pagou o aluguel, pegou a correspondência e sumiu.
Nunes conseguiu contatá-lo em um ônibus a caminho da casa dos avós em Ipu, no Ceará, e o convenceu a se entregar. Antes do crime, Souza era porteiro num hospital onde o pai é enfermeiro. Evangélico, fã de skate, descrito como calmo e calado, só mostra os dentes nos protestos de rua, aonde vai movido por convicções pouco claras — como mostra o texto que escreveu (veja o trecho abaixo).

Já Raposo, o fornecedor do rojão, é bem mais conhecido no meio. Carioca, 22 anos, abandonou o curso de contabilidade para ser tatuador e mora sozinho em um apartamento no Méier, Zona Norte carioca (no playground, pichou: “Ódio à polícia! Viva a manifestação!”). Em vídeo, é visto portando o rojão enquanto caminha ao lado de Souza — que, em certo momento, pega o artefato aceso e o coloca no chão, a poucos metros do cinegrafista. Ele diz que mirou na polícia e só queria “fazer barulho”.
 
 
Na semana passada, o secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, encaminhou ao Senado uma proposta de mudança na legislação que, se aprovada, atenderá às reclamações da polícia, que afirma não ter meios legais para manter presos os black blocs flagrados em ação. As principais medidas são: proibir o uso de máscaras em manifestações, como já é lei no Rio e em Pernambuco, e vetar o porte de objetos que possam ser usados para ferir, como rojões ou canivetes.
 
Quem for pego desrespeitando essas regras será levado à delegacia. Os reincidentes teriam de pagar multa e ficariam banidos de eventos públicos por no mínimo 120 dias.


A medida é bem-vista por especialistas. Afirma o coronel reformado da Polícia Militar José Vicente da Silva: “A proposta facilita a punição. E é melhor ter uma pena branda mas de efeito imediato do que uma duríssima que nunca será posta em prática”.

Para o cinegrafista morto e sua família, no entanto, as medidas chegam tarde demais. Que a tragédia sirva para lembrar que os black blocs não são uma causa a ser defendida, mas um bando a ser combatido. E que a violência que praticam não tem nada de “simbólica”.

 

Com reportagem de Alexandre Aragão, Alvaro Leme, Bela Megale, Cintia Thomaz e Helena Borges
in Toinho de Passira
Texto de Cecília Ritto
Fonte: Veja
14 de fevereiro de 2014

ESSA PARAIBANA ESTÁ SENDO UM TORMENTO PARA OS ESQUERDIOPATAS. RACHEL É O ORGULHO DA IMPRENSA.

QUE RIGOR? EUFEMISMO PARA IMPUNIDADE

EU ACUSO

                                Ou Dilma ‘Red Block’



Reinaldo Azevedo, na Folha de S.Paulo

O cinegrafista Santiago Andrade está morto. Não vai comparecer à próxima manifestação nem ao almoço de domingo. Quem o subtraiu da vida roubou também o pai, o marido, o amigo e a liberdade de imprensa.

Eu acuso Franklin Martins de ser o chefe de uma milícia oportunista contra a imprensa livre.

Eu acuso o governo federal e as estatais, que financiam páginas e veículos que pregam o ódio ao jornalismo independente, de ser corresponsáveis por essa morte.
Eu acuso o ministro José Eduardo Cardozo de ser, querendo ou não, na prática, um dos incitadores da desordem.

Eu acuso o ministro Gilberto Carvalho de especular com o confronto de todos contra todos.
Eu acuso jornalistas de praticar a sujeição voluntária porque se calam sobre o fato de que são caçados nas ruas pelos ditos "ativistas" e obrigados a trabalhar clandestinamente.
Eu acuso empresas e jornalistas de se render a milicianos das redes sociais e de se preocupar mais com "o que elas vão dizer de nós" do que com o que "nós temos de dizer a elas".

Eu acuso uns e outros de se deixar pautar por dinossauros com um iPad nas patas.
No começo deste mês, Franklin Martins participou de "um debate" com gente que concorda com ele num aparelho sindical a serviço do PT. Malhou a imprensa à vontade, num ambiente em que só o ressentimento superava a burrice. Num dado momento, afirmou:
"Há por parte da maioria dos órgãos de comunicação uma oposição reiterada, sistemática, muitas vezes raivosa, contra o governo; [isso] implica que o governo tenha de fazer a disputa política de modo permanente; ou seja, não é de vez em quando; tem de fazer sempre."

Aí está a origem do mal. A afirmação de Martins é mentirosa. Não existe essa imprensa de oposição. É delírio autoritário de quem precisa inventar um fantasma para endurecer o jogo com os "inimigos".
Ele será o homem forte da campanha de Dilma à reeleição e voltou a ser a mão que balança o berço na Secom, que distribui a verba de publicidade aos linchadores.

Constrangido por essa patrulha financiada por dinheiro público, que literalmente arma a mão de delinquentes, o jornalismo se intimida, se esconde e se esquece de que não é apenas uma caixa de ressonância de valores em disputa. Se nos cabe reportar a ação dos que não toleram a democracia, é preciso evidenciar que o regime de liberdades é inegociável e que os critérios com que se avalia a violência de quem luta contra uma tirania não servem para medir a ação dos que protestam num regime democrático.



Dois dias depois da morte de Santiago, o moribundo MST organizou uma arruaça em Brasília e feriu 30 policiais, oito deles com gravidade. A presidente decidiu receber a turba pra conversar.

Eu acuso a "red bloc" Dilma Rousseff de ser omissa, de abrigar a violência e de promover a baderna.
PS – Janio de Freitas especulou sobre a honorabilidade de Jonas Tadeu Nunes, advogado dos assassinos de Santiago, porque já foi defensor de Natalino Guimarães, chefe de milícia. Alguns figurões do direito defenderam os ladrões do mensalão, e ninguém, com razão, duvidou da sua honra.

O compromisso do advogado é com o direito de defesa, não com o crime praticado. O colunista referiu-se a mim — "um comentarista que já aparecia na rádio…" — porque perguntei a Jonas, na Jovem Pan, se grupos de extrema esquerda financiavam arruaceiros. Janio indaga se não poderiam ser de extrema direita.

Se ela existisse, se fosse organizada, se tivesse partido, se recebesse verbas do fundo partidário, se tivesse suas "Sininhos" e seus piratas de olhos cerúleos, talvez… Acontece que as antípodas direita e extrema-direita no Brasil são substantivos abstratos, que só existem na mente meio paranoica das esquerdas. Ah, sim: apareceu uma lista de financiadores dos "black blocs". Todos de esquerda. Quod erat demonstrandum.

14 de fevereiro de 2014
Reinaldo Azevedo, Folha de S.Paulo