"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

LÁ DAS BANDAS DO SANATÓRIO...

AGORA INÊS É MORTA
Agora que foi flagrado com a boca na botija, Alexandre Padilha diz que irá cancelar convênio da Saúde com a ONG fundada pelo pai dele. Mais candidato que nunca a candidato ao governo de São Paulo, Padilha alega que quer poupar a instituição amiga do peito de explorações políticas. Agora, é tarde, Inês é morta. Já ganhou o que tinha que ganhar. Esse programa Mais ONGs é um dos mais antigos desde que Lula subiu a rampa, em 2002.

TRINCA NOVA NA ESPLANADA
Dilma anunciou hoje que vai anunciar segunda-feira que vem a posse de três novos ministros. Mercadante vai para a Casa Civil, Arthur Chioro vai para o Mais Médicos e Henrique Paim será empossado no Ministério do Enem - que mais do que isso o MEC não é.

GASTANÇA OFICIAL
Nunca antes na história desse país a gastança do governo chegou a tanto. As despesas do perdulário governo Dilma bateu todos os recordes: chegaram a mais de R$ 914 bilhões só em 2013. E os investimentos patinaram. Brasil Dilma da Silva, teu nome é inflação.

SOB NOVA DIREÇÃO
Joaquim Barbosa volta das férias cheias de trabalho no exterior e reassume a presidência do STF na segunda-feira. Mas é por pouco tempo. Em março, Ricardo Lewandowski assum, por tradição, o posto de Barbosa. Barbosa deve dar no pé, no dia seguinte à posse de Lewandowski. E, a partir daí sim, a Justiça no Brasil Dilma da Silva estará sob nova direção. Aguarde. Você vai gostar.

OS CAMPEÕES DE AUDIÊNCIA
No ar, mais um campeão de audiência, o noticiário da TV. Um boa-noite, bem educado; resumo de manchetes e intervalo comercial.

E vem então o bloco das próximas atrações intercaladas: publicidade da Caixa, dos Correios, do Banco do Brasil, do Ministério da Saúde, da Petrobrás, Ministério do Trabalho, do MEC, e do Esporte.

Volta o campeão de audiência: e entra uma entrevista com Dilma Vana dizendo que gambá não é raposa e coisa e tal. Com esse massacre de História Oficial você ainda se dá ao luxo de sentar no sofá da sala para saber o que há de notícias pelo Brasil da Silva?

Ah, bom. Agora a gente entende porque você gosta tanto da novela das oito quanto do Big Brother Brasil todas as horas do dia.
 
PARA LULA, USUÁRIOS DA INTERNET "DEVEM SER RESPONSABILIZADOS"
Lula está não cabe em si de contente por causa dos índices de acesso a sua página no Facebook, Um lugar virtual que, confesso, não digitei e não gostei. Ele diz que quando a gente tem um instrumento assim como a internet, "aumenta a nossa responsabilidade".

Dando um tapa e escondendo a mão, Lula garante - como um cara que nunca mentiu - que é contra qualquer tipo de veto ao uso da internet, mas... Pois é, mas... Mas sustenta que "os usuários devem ser responsabilizados por seus atos".

Ah bom. Então deve ser porque, para ele e seus companheiros, o Código Penal brasileiro já está em desuso há muito tempo e já não pune mais excessos de expressão como injúria, calúnia e difamação.

RODAPÉ - Só para lembrar: Lula é o presidente de honra bem-remunerado do PT, partido especialista em desconstruir reputações e desqualificar quem quer que seja que não siga a sua cartilha.  
ROLEZINHO LINDO
Zé Genoíno entrou na vaquinha que vai pagar a multa do corrupto ativo e passivo Delúbio Soares e disse que vai depositar solidários R$ 30 mil na conta digital do companheiro de cadeia. Epa! Está guardando o troco dos mais de R$ 90 mil que lhe sobraram do leitinho que lhe foi ordenhado no Site da Famiglia para sustento dos seus deslizes de comportamento. Não é nada, não é nada - embora para essa pandilha isso seja uma mixaria - esses R$ 60 mil aplicados na Caderneta de Poupança, rendem pelo menos uma cesta básica por mês. Mas isso não é nada; é apenas uma pequena amostra do mundo das finanças dessa elite de alma mensaleira que descobriu o Brasil da Silva. É o Caixa-3 dando um rolezinho lindo; é o partido em movimento - como cantaria, encantado, o Caetano Veloso.
CACHORRO-QUENTE FASHION

Reprodução/iG

Pois é, agora no Brasil da Silva, comida de rua, esses fast-food que incrementam o pior colesterol, que fazem da boca do homem um grande depósito de lixo, virou item imperdível de cardápio sofisticado, digno dos melhores restaurantes do país. Por mais fashion, mais requintados, mais elitizado que seja, o hot-dog, popular cachorro-quente, me deixa sempre a impressão de foi feito com a pior parte do cachorro.
O MANO DE SEMPRE
Nova meninada do Santos enfiou 5 a 2 no Corinthians. Mal começou o campeonato paulista e a torcida corintiana já começa a sentir o dedo de Mano Menezes. Com sua conversa monocórdica vai levar o Timão para o mesmo saco sem fundo em que meteu a Seleção da CBF. A Gaviões da Fiel já está morrendo de saudade do Tite.

REFORMA AMOSTRA GRÁTIS
Os brasileiros mal podem esperar pela reforma ministerial de Dilma. Até agora, só dois nomes são tidos e havidos como certos: Aloízio Mercadante que sai do MEC e vai para a Casa Civil - onde já manda mais que Gleisi Hoffmann - e o empresário do ramo das consultorias de Saúde, para o Ministério que é de Alexandre Padilha até agora. Com essa amostra grátis, já se pode calcular o efeito que vem por aí nesse período de caça ao voto.

SOB NOVA DIREÇÃO
Sob nova direção, o Supremo Tribunal Federal agora quer nova análise para o pedido de trabalho para Zé Dirceu. Enquanto isso, na Papuda, o chefe dos mensaleiros só confessa uma coisa: nunca pensou que fosse tão difícil arranjar um emprego nesse país.

E O "ESTAMOS JUNTOS"?
Aproveitando o plantão no comando do STF, Lewandowski ouviu dizer que não ficou provado o uso de celular por Dirceu na Papuda e, por isso, acha que ele merece nova chance de não ficar desempregado. Tá, in dúbio pro reo, mas pra quem foi então que Lula telefonou dizendo "estamos juntos nessa!"?!? Vai ver que Lula anda falando sozinho.

BARBADINHA
O tenista espanhol Rafael Nadal tem lesão nas costas, mas segue confirmado no ATP do Rio de Janeiro. Ora, pelo que se viu nas versões anteriores desse torneio carioca, Nadal é favorito a esse título com uma mão nas costas.

MÁFIA DOS SINDICATOS
Brizola Neto, breve ministro do Trabalho de Dilma, acha que as denúncias de propina feitas por uma empresária de que teria dado R$ 200 mil a Carlos Lupi têm tudo para ser verdade. E diz mais: que a coisa não fica só nisso, pois vêm por aí mais revelações da máfia dos sindicatos. Brizola Neto diz que "Lupi jogou o PDT no lixo". O que há de novidade nisso tudo? Talvez apenas a singela informação do neto do Caudilho de que no Ministério do Trabalho de Dilma há - imagine só! - uma "máfia dos sindicatos".

CAIXA PRETA
O Brasil agradeceria se abrissem a caixa preta do BNDES. Surgiria de cara a figura do Cara que comanda o lobby que despeja dinheiro nas melhores ditaduras do ramo espalhadas pelo mundo, bem lá, onde não há organismos de fiscalização e de combate à corrupção tipo Ministério Público, ou Tribunal de Contas. Se abrissem essa caixa preta, os brasileiros de boa vontade entenderiam como é importante usar como ferramenta de lavagem de dinheiro palestras sobre bulhufas pelo mundo afora.

PRA RIR UM POUQUINHO
Com o que lhe resta de fé e credibilidade, o Palácio do Planalto negou ontem que as enormes olheiras espantosamente roxas de Dilma flagradas em Portugal e estampadas pelo jornal Expresso seriam decorrentes de uma plástica, ou de um pequeno acidente qualquer. Dizem os porta-vozes oficiais que a president@ "não teve tempo de se maquiar"  e que a imagem foi por causa do "mau posicionamento" do fotógrafo. Quer dizer, Dilma saiu para um rolezinho no mais chique restaurante de Lisboa e não teve tempo de se olhar no espelho. E quanto ao fotógrafo, depois ele se ajeitou e acertou todos os outros flagrantes. Tão Tá, a gente acredita, mas agora conta uma de português, só pra ver se a gente pode rir um pouquinho.
 
O VÂNDALO DA FIFA
Sei lá, mas esse secretário-geral da Fifa, o vândalo Jerome Valcke não me passa confiança. Toda vez que vem ao Brasil chuta o traseiro de alguém ligado à organização da Copa. Tenho a impressão, às vezes, que ele até está cometendo bullying com o Aldo Rebelo, ministro para fins do Esporte da Dilma Vana. Na última semana, me pareceu até que Jerome Valcke brandia a batuta que anda orquestrando os blackbostas nas manifestações do movimento popular "Não vai ter Copa!". Sei lá, esse Valcke é uma baita come-bola; não perde nunca a chance de chutar uns fundilhos.

O BRASIL É A RÚSSIA DE CUBA
Quem diria, o Brasil virou o maior avalista e financiador da ditadura de Cuba. O Brasil Dilma da Silva é hoje o que a Rússia foi para a Ilha de Fidel Castro antes do colapso da União Soviética.
 
30 de janeiro de 2014
sanatório da notícia

SERÁ QUE SOU DOIDO, BURRO OU AMBOS?


Falando em estupidez, não há nada mais previsível que a involução dos países da América Latina: o Brasil caminha a passos largos para ser uma Argentina; a Argentina já é praticamente uma Venezuela; falta muito pouco para a Venezuela virar Cuba, e esta, bem... não há nada que possa ser pior.

Fora as Bolívias e Equadores da vida.

Cristina Kirchner e seus boyzinhos acabaram de congelar os preços na Argentina, repetindo uma fórmula que conseguiu a proeza de não dar certo nunca e em nenhum lugar do mundo. As prateleiras dos mercados, que já andavam quase vazias por lá, depois dessa, vão ficar mais visíveis ainda, sem nada em cima. Na Venezuela, anda faltando tudo, até papel higiênico, mas, segundo Maduro, o ornitólogo que trata de Chávez - que não morreu, virou passarinho -, é porque os venezuelanos estão defecando mais. Até pode ser, mas só no palácio do governo.

Eu devo ser muito burro e entender muito pouco as pessoas, porque simplesmente não encontro uma explicação lógica para esse tipo de socialismo cometido pelos latino-americanos – se é que se pode chamar algum governo dessas bandas de socialista e não de quadrilha –, a começar pela escolha da Revolução Cubana como modelo a ser seguido por todos. Como pode um regime que assassinou mais de quinze mil pessoas e exilou quase dois milhões de habitantes (quase 20% da população) ser motivo de tanta admiração? Como é que pode um país servir de exemplo de alguma coisa se a sua economia nunca conseguiu produzir nada além de cana-de-açúcar - que hoje nem isso mais produz - confusão, há mais de 50 anos? Como é que um país que sempre viveu de esmolas - antes da URSS e hoje, da Venezuela e do Brasil - pode ser tão paparicado? Como, como, como?...

Por essas e outras, não dá para acreditar nem nas vantagens financeiras – leia-se roubos – que os dirigentes baba-ovos-de-Fidel, possam vir a ter com essa proximidade. Ou são loucos ou altruístas...

Por essas e outras, eu chego à conclusão que tenho mais uma opção para me classificar além de burro: sou doido varrido, como cocô e rasgo dinheiro, já que, além dos dirigentes, existe um número tão grande de pessoas fora do poder que compartilham toda essa admiração pelo socialismo e por Cuba que, pela maioria, é claro que o errado sou eu. Resta saber se sou burro, doido ou os dois.

Acho que vou a um psiquiatra...
 
30 de janeiro de 2014

DESCALABRO: ODEBRECHT TEM CONTRATOS COM DINHEIRO DO BNDES EM ANGOLA, PERU, ARGENTINA, REPÚBLICA DOMINICANA, EQUADOR, VENEZUELA E URUGUAI

Em dez anos, cresceram 1.185% os financiamentos do BNDES para empreiteiras brasileiras no exterior, escolhidas a dedo e isentas de fiscalização de órgãos de controle. Amiga do ex-presidente Lula, que utiliza seus jatinhos, a baiana Odebrecht faturou 26 dos 48 projetos de infraestrutura na América Latina até 2012. Somente em Angola, a empreiteira teve financiamento do BNDES para 35 grandes projetos.

A ditadura cubana não viu a cor dos US$ 678 milhões (R$ 1,64 bilhões) do BNDES para o Porto de Mariel. A grana foi direta para a Odebrecht.

A Camargo Correa tem sete projetos financiados pelo BNDES em Angola. A Andrade Gutierrez tem 13 e a Queiroz Galvão, 18.

O BNDES financia para as empreiteiras o “envio de bens já existentes ou de serviços” a outro país. Chamam isso de “Exim Pós-Embarque”.
 
30 de janeiro de 2014
Claudio Humberto:

A DESTRUIÇÃO DA ARGENTINA

Devastada de tempos em tempos por algum governo incompetente e populista, a economia argentina mais uma vez se esboroa, com inflação em disparada, problemas de abastecimento, produção estagnada, reservas cambiais quase no fim e quase nenhum acesso - ou nenhum, mesmo - ao financiamento internacional. Nem originalidade se pode atribuir à presidente Cristina Kirchner e ao bando de ineptos ao seu redor, pelo menos quanto aos erros. Há pouca novidade nos principais disparates cometidos em dois mandatos consecutivos. Mais de uma vez, nos últimos 40 anos, o governo argentino produziu o quase milagre de esvaziar as prateleiras num país conhecido como grande produtor e exportador de alimentos. E mais de uma vez esse país está a um passo de um desastre cambial, embora os preços agrícolas tenham sido muito bons, no mercado internacional, nos últimos anos.

Irresponsabilidade monetária e fiscal, ingerência nos preços, barreiras à exportação e à importação, interferência no câmbio e conflitos com o setor agropecuário, de longe o mais produtivo da economia, são marcas de vários governantes argentinos. Em relação a esses pontos, nenhuma inovação nos últimos anos. Se os Kirchners tiveram alguma originalidade foi em outras linhas de ação.

O primeiro, Néstor, marido de Cristina, juntou-se ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, há uns dez anos, para criar uma estranha e desastrosa parceria entre Argentina e Brasil - uma aliança terceiro-mundista, naturalmente antiamericana e incompatível com qualquer projeto sério de inserção do Mercosul no mercado global. Essa parceria acabou favorecendo um crescente protecionismo do lado argentino, ruim para o Brasil, para as economias menores do bloco e para a indústria argentina, acomodada e cada vez menos competitiva.

Sucessora do marido, Cristina Kirchner manteve o padrão geral da gestão anterior, mas aperfeiçoou o estilo, adotando a falsificação de informações macroeconômicas, a começar pelo índice de inflação. Conseguiu para seu país, com isso, uma distinção pouco invejada e ainda mantida. Ao publicar os dados argentinos, o Fundo Monetário Internacional (FMI) passou a acrescentar às tabelas notas com ressalvas sobre a credibilidade dos números.

Desmoralizado internacionalmente e pressionado pelo FMI, o governo da presidente Cristina Kirchner comprometeu-se a mudar as estatísticas oficiais, atrasou-se, foi censurado e anunciou um novo prazo.

Se o novo indicador for melhor, as contas do crescimento econômico deverão ser mais confiáveis, porque o deflator aplicado aos valores será mais realista. Mas essa mudança ainda é promessa. Por enquanto, vale o velho roteiro.

Segundo o governo, os preços ao consumidor subiram 10,9% em 2013. Segundo fontes independentes, a inflação deve ter superado 28%. Além de produzir números sem credibilidade, o governo continua tentando frear a inflação por meio de controles de preços e ameaças. A escassez é consequência normal desse tipo de política.

Segundo o secretário de Comércio Interior, Augusto Costa, faltam quase 50% dos produtos em alguns supermercados. O antecessor de Costa, Guillermo Moreno, costumava impor limites de preços por meio de ameaças, o mesmo recurso usado, com frequência, para proibir importações, principalmente de produtos brasileiros. Moreno deixou o governo, mas a ingerência nos preços e o protecionismo foram mantidos. Também houve mudança no Ministério da Economia. O novo responsável, Alex Kicillof, preserva o costume de atacar os empresários, em vez de se ocupar com as causas da inflação.

Se empresários mal-intencionados causam a inflação, especuladores inimigos devem ser culpados pelos problemas cambiais. A desvalorização do peso nos últimos dias foi atribuída pelo chefe do Gabinete de Ministros, Jorge Capitanich, a interessados em quebrar o país para "ficar com seus recursos energéticos e naturais a preço de liquidação". Também o governo brasileiro tem usado esse discurso: a inflação e a crise da indústria são importadas. Se a culpa é dos outros, nada há para corrigir.

DESCASO COM FISCALIZAÇÃO É DOENÇA NACIONAL

 

CERCO À CORRUPÇÃO


DO JORNALISTA CLAUDIO HUMBERTO


 
30 de janeiro de 2014
coluna do claudio humberto

MORRE MAIS UMA BOBAGEM COM FOROS DE CIÊNCIA

Não acredito em Deus nem em ponto G, costumo afirmar. Muito menos no aquecimento global. É sintomático que, como a histeria em torno ao racismo, a idéia de aquecimento global tomou força após a queda do Muro e o desmoronamento do comunismo. Urge encontrar novos pretextos para lutar contra o capitalismo. Já escrevi sobre o assunto.

Mentira morta, mentira posta. A grande ameaça deixou de ser o capital. Passou a ser o aquecimento global. O que no fundo dava no mesmo. Era a sociedade capitalista, com seus índices de consumo, o fator maior de aquecimento. Nem as vacas – que produzem carne, este luxo capitalista – foram poupadas. Suas flatulências destruíam a camada de ozônio. Por trás da nova denúncia, o IPCC (Painel Intergovernamental de Mudança Climática, ligado à ONU).

O IPCC foi desmascarado em 2009, quando o famoso climatologista Phil Jones, diretor da Unidade de Investigação do Clima da Universidade de East Anglia, foi acusado de haver manipulado dados para exagerar os efeitos da mudança climática. Ele renunciou depois que foram divulgadas na internet mensagens que supostamente demonstrariam a fraude. Em um dos e-mails invadidos por hackers, Jones menciona um "truque" empregado para maquiar as estatísticas de temperatura para "ocultar uma redução".

A teoria do aquecimento global teve seu guru precursor, James Lovelock, inventor do Electron Capture Detector, aparelho que ajudou a detectar o (suposto) buraco crescente na camada de ozônio e outros nano-poluentes, considerado “uma das mentes científicas mais inovadoras e rebeldes da atualidade”, é o criador da chamada Hipótese Gaia, que vê a Terra como um organismo vivo.

Não há de novo sob o sol. Aliás, desde o Qohelet não havia. Já comentei há alguns anos. Lovelock chegou à conclusão que a raça humana está condenada. Que mais de seis bilhões de pessoas morrerão neste século. Enquanto caminhava em um parque em Oslo, declarou ao escritor americano Jeff Goodel:

- Até 2040, o Saara vai invadir a Europa, e Berlim será tão quente quanto Bagdá. Atlanta acabará se transformando em uma selva de trepadeiras kudzu. Phoenix se tornará um lugar inabitável, assim como partes de Beijing (deserto), Miami (elevação do nível do mar) e Londres (enchentes). A falta de alimentos fará com que milhões de pessoas se dirijam para o norte, elevando as tensões políticas. “Os chineses não terão para onde ir além da Sibéria”, sentencia Lovelock. “O que os russos vão achar disso? Sinto que uma guerra entre a Rússia e a China seja inevitável.” Com as dificuldades de sobrevivência e as migrações em massa, virão as epidemias. Até 2100, a população da Terra encolherá dos atuais 6,6 bilhões de habitantes para cerca de 500 milhões, sendo que a maior parte dos sobreviventes habitará altas latitudes – Canadá, Islândia, Escandinávia, Bacia Ártica.

Em entrevista para a Veja, em 2006, falando sobre seu livro A Vingança de Gaia, lançado naquele ano na Inglaterra, Lovelock brandia o apocalipse. O repórter, não por acaso um dos crentes no efeito estufa, queria saber quando o aquecimento global chegaria a um ponto sem volta. Respondeu o guru, com a convicção dos profetas:

- Já passamos desse ponto há muito tempo. Os efeitos visíveis da mudança climática, no entanto, só agora estão aparecendo para a maioria das pessoas. Pelas minhas estimativas, a situação se tornará insuportável antes mesmo da metade do século, lá pelo ano 2040.

- O que o faz pensar que já não há mais volta?
- Por modelos matemáticos, descobre-se que o clima está a ponto de fazer um salto abrupto para um novo estágio de aquecimento. Mudanças geológicas normalmente levam milhares de anos para acontecer. As transformações atuais estão ocorrendo em intervalos de poucos anos. É um erro acreditar que podemos evitar o fenômeno apenas reduzindo a queima de combustíveis fósseis. O maior vilão do aquecimento é o uso de uma grande porção do planeta para produzir comida. As áreas de cultivo e de criação de gado ocupam o lugar da cobertura florestal que antes tinha a tarefa de regular o clima, mantendo a Terra em uma temperatura confortável. Essa substituição serviu para alimentar o crescimento populacional. Se houvesse um bilhão de pessoas no mundo, e não seis bilhões, como temos hoje, a situação seria outra. Agora não há mais volta.

- O senhor vê o aquecimento global como a comprovação de que sua teoria está certa?
- O aquecimento global pode ser analisado com base na Hipótese Gaia, e, por isso, muitos cientistas agora estão se vendo obrigados a aceitar minha teoria.

Quem se viu obrigado a fazer meia-volta – quem diria? – e negar sua própria teoria, foi Lovelock. Como o planeta teimava em não aquecer-se, Lovelock confessou em abril de 2012 ter sido alarmista: "cometi um erro".

- O problema é que não sabemos o que o clima está fazendo. Pensávamos que sabíamos nos últimos vinte anos. Isto levou a alguns livros alarmistas – o meu inclusive – porque parecia óbvio, mas isto não aconteceu. O clima está fazendo seus truques usuais. Não há nada realmente acontecendo ainda. Já era para estarmos a meio caminho de um mundo tórrido. O mundo não aqueceu muito desde a virada do milênio. Doze anos é um tempo razoável... a temperatura permaneceu quase constante, enquanto devia ter-se elevado. O dióxido de carbono está aumentando, não há dúvida quanto a isso.

Lovelock arrebanhou milhares de malucos no mundo todo que saíram a fazer campanhas para impedir a construção de barragens e hidrelétricas. Isso sem falar nos que condenavam a pecuária brandindo a flatulência das vacas como fator de aquecimento do planeta. Era tudo alarme falso. A retratação de Lovelock ocorreu há dois anos. Mas até hoje não falta jornal que recidive, propositadamente ignorando a retratação do autor da teoria.

Outra de minhas descrenças era em torno dos tais de buracos negros, teoria criada pelo físico inglês Stephen Hawking, da Universidade de Cambridge. Verdade que, bem antes de Hawking, Carlos Duccati, do curso de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, já me falara sobre o assunto. Figura muito popular em Porto Alegre nos anos 60, Duccati não é terráqueo, mas orionino. Isto é, vem da galáxia de Orion e se encontra em missão na Terra.

Hawking tornou pública sua teoria em 1974. Uns cinco anos antes, Duccati já me falava dos buracos negros. Ele os conhecia muito antes do físico inglês. O viajante astral andava em busca de Galactus, ser galático que odiava a vida e se alimentava de planetas. Galactus fora, inicialmente, uma ilação teórica. Com o correr do tempo, sua existência passou a ser um imperativo de ordem conceitual, única explicação plausível para o desaparecimento de civilizações cósmicas multimilenares.

Sempre achei que tanto Duccati como Hawking andavam lendo muito histórias em quadrinhos. A idéia de um buraco que devora galáxias – como também a idéia de Deus - é por demais inverossímil para ser aceita pelo intelecto. Não sei o que pensa hoje o orionino. Em entrevista para a revista científica Nature, Hawking acaba de se retratar. "Não existem buracos negros" - disse.

A declaração tenta colocar um ponto final em uma discussão que se arrasta há décadas – diz a revista - e que, em última instância, está na base de um dos principais desafios da Física: unificar a Teoria da Relatividade (que explica o mundo macroscópico) com a Mecânica Quântica (que explica o mundo microscópico).

A idéia de buraco negro - um objeto cosmológico resultante do colapso de uma estrela, cuja massa gigantesca (que pode ser milhões de vezes maior que o Sol) é condensada em um único ponto, com tamanha força gravitacional que suga tudo o que está a sua volta, até mesmo a luz -- vem do início do século 20.

Sem nada entender de Física, sempre vi Hawkings como uma espécie de vigarista talentoso. Explico. Há muito anos, o vi dando uma entrevista em sua cadeira cheia de recursos tecnológicos. Com o único dedo que podia mover, o físico digitava as respostas e um processador transformava o texto em voz. Só havia um problema, para processar uma frase eram necessários longos minutos, muito mais que o tempo exigido para digitar.

Pergunta-se: por que a enfermeira que o acompanhava não lia o texto? Seria bem mais prático. Sua postura era de uma arrogância tecnológica semelhante a de Miguel Nicolelis, este senhor que aspira ser o primeiro Nobel brasileiro, trabalhando em um pesado, complexo e caríssimo exoesqueleto para paraplégicos, quando existe um atalho bem mais singelo, prático e barato, a cadeira de rodas. Me lembra conto que li quando jovem, sobre pesquisadores que queriam criar uma laranja e acabaram chegando à conclusão que plantar uma laranjeira era bem mais prático.

Pergunta que se impõe: como ficam os institutos e autoridades científicas que publicaram centenas de fotos de algo que não existe, os buracos negros?


30 de janeiro de 2014
janer cristaldo

BRASIL MARAVILHA SEM MARQUETINGUE DOS VELHACOS E DESAVERGONHADOS

Dívida Pública Federal aumenta 5,7% em 2013 e bate recorde

 
 
 
A Dívida Pública Federal (DPF), que inclui o endividamento externo e interno, teve aumento de R$ 114,823 bilhões em 2013. O total alcançado em dezembro foi recorde: R$ 2,122 trilhões, segundo dados divulgados nesta quarta-feira, 29, pelo Tesouro Nacional. O estoque no último ano subiu 5,72%. De novembro para dezembro, 2,58%

Apesar de a DPF do Brasil ter alcançado o maior patamar histórico, seu avanço foi menor em números absolutos do que a elevação de 2012. Naquele ano, a DPF subiu R$ 142 bilhões.

A apropriação dos juros na DPF em 2013 somou R$ 218,021 bilhões. O impacto da correção dos juros no estoque da dívida só não foi maior porque o Tesouro fez um resgate líquido expressivo de títulos de R$ 103,197 bilhões. Essa retirada de papéis do mercado foi influenciada pelas dificuldades de venda de títulos ao longo do ano por conta das turbulências do mercado financeiro.

A parcela da DPF atrelada a papéis prefixados (que têm taxa de juros definida no leilão de venda) subiu de 40% no final de 2012 para 42,02% e a participação de títulos vinculados à variação da inflação passou de 33,87% para R$ 34,53%. Juntos esses dois tipos de papéis - que são considerados melhores para a gestão da dívida - passaram de 73,87% em 2012 para 76,5% do total da dívida no final de 2013.


Essa melhora é destacada pelo Tesouro. Esses dois tipos de papéis ficaram dentro da banda definida no Plano Anual de Financiamento (PAF), documento que traz as metas para a gestão da dívida. Já a participação de títulos vinculados à taxa Selic, as LFTs, que o governo quer diminuir do estoque para reduzir o risco de financiamento da dívida, caiu de 21,73% no fim de 2012 para 19,11% em 2013, ficando levemente acima da banda definida pelo PAF, que era de um intervalo de 14% (mínimo) a 19% (máximo).

Os papéis atrelados ao câmbio passaram de 4,4% para 4,35% ao final de 2013 e também permaneceram dentro da meta definida pelo PAF, de 3% a 5% do total da dívida. De acordo com os dados do Tesouro, a dívida interna fechou o ano passado em R$ 2,028 trilhões com alta de 2,83% ante novembro de 2013 e 5,55% acima de 2012.

A dívida externa teve queda de 2,61% em relação a novembro mas subiu 0,17% em relação a 2012, chegando a R$ 94,68 bilhões em dezembro. O prazo médio da DPF subiu de 3,97 anos no final de 2012 para 4,18 anos em 2013, ficando dentro da banda do PAF, de 4,1 anos e 4,3 anos. A parcela da DPF a vencer em 12 meses subiu de 24,4% em 2012 para 24,82% no ano passado - também dentro da banda de 21% a 25%. O custo médio da DPF fechou o ano passado em 11,32% ao ano.

Adriana Fernandes, Renata Veríssimo e Lais Alegretti, da Agência Estado 
30 de janeiro de 2014

QUASE METADE DA CARNE BRASILEIRA NÃO PASSA POR CONTROLE ALGUM

Setor admite que fiscalização de antibióticos e hormônios é falha
 
 

Exportação. Empresas que vendem para o exterior têm maior controle
Foto: DARIO LOPEZ-MILLS / AP Photo/Dario Lopez-Mills/11-04-2003
Exportação. Empresas que vendem para o exterior têm maior controle DARIO LOPEZ-MILLS / AP Photo/Dario Lopez-Mills/11-04-2003


SÃO PAULO E BRASÍLIA - Quase metade da carne bovina produzida no Brasil está fora do alcance da fiscalização do Ministério da Agricultura (Mapa) e não tem o Certificado de Inspeção Federal (CIF). Todo o controle de resíduos do uso de antibióticos, vermífugos e hormônios (que são proibidos no país) nos rebanhos cabe a órgãos municipais e estaduais, que geralmente não dispõem de meios adequados para a função.
- Infelizmente a legislação dá respaldo para que isso aconteça, e estados e municípios não fiscalizam. Isso é concorrência desleal - diz Fernando Sampaio, diretor executivo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).
Em São Paulo, de acordo com a Secretaria de Agricultura, há 588 abatedouros (de bovinos, aves e outros) registrados no sistema de inspeção. Ao todo, o governo tem 37 veterinários em 40 Escritórios de Defesa Agropecuária (EDA), que em 2013 fizeram 1.562 fiscalizações, programadas “de acordo com a possibilidade e também conforme demanda e denúncias".
O Ministério da Agricultura atua segundo o Programa de Nacional de Controle de Resíduos Contaminantes, que, por meio de sorteios eletrônicos com três mil estabelecimentos, escolhe as empresas em que são coletadas amostras de carnes para análise. No caso do frango, a inspeção federal alcança mais de 90% da produção, segundo a Ubabef, entidade dos produtores de frango.
Grandes empresas exportadoras, como a JBS e a BRF, dispõem de laboratórios para analisar se a carne está nos padrões do “Codex Alimentarius", da Organização para a Agricultura e Alimentação (FAO) e pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
- As empresas que exportam estão sempre fazendo análises em sua produção. Nos países para os quais a carne é exportada também são coletadas amostras. Se for encontrado excesso de resíduos de medicamentos, dependendo da violação, a planta do frigorífico é interditada, ou fica sujeita a um regime de controle mais rigoroso - diz Sampaio.
A questão é que o Brasil exporta só 16% do que produz - 10,2 milhões de toneladas. A produção de frangos atingiu 12,7 milhões de toneladas.
- Além do CIF, todas fábricas de ração são fiscalizadas pelo Ministério. E as rações medicadas precisam de receituário veterinário - diz Ariel Mendes, diretor da Ubabef.
O Ministério da Agricultura informou que já é rígido o controle do uso de hormônios e antibióticos em alimentos de origem animal. Segundo um técnico, esses itens são exportados para o mundo todo, incluindo a União Europeia, que manda missões periódicas ao Brasil para verificar as condições dos alimentos. 
30 de janeiro de 2014
O Globo
(Colaborou Eliane Oliveira)

BRASIL FISCALIZA AGROTÓXICO SÓ EM 13 ALIMENTOS, ENQUANTO EUA E EUROPA ANALISAM 300

País é o maior consumidor das substâncias do mundo. Segundo Anvisa, tendência é que monitoramento fique mais abrangente

Dos 50 ingredientes ativos mais utilizados nas lavouras, 22 são proibidos na União Europeia


Preocupação. O aposentado José Barbosa
Foto: Ana Branco / Agência O Globo
Preocupação. O aposentado José BarbosaANA BRANCO / AGÊNCIA O GLOBO


 
 
Num momento em que se disseminam os benefícios de uma alimentação saudável, com frutas, verduras e legumes, especialistas alertam para os riscos dessa opção. Isso porque, o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, mas a fiscalização é falha. De 2002 a 2012, o mercado brasileiro de agrotóxicos cresceu 190%.
 
O setor movimentou US$ 10,5 bilhões, em 2013, ano de ouro para a agropecuária, que teve supersafra e preços de commodities em alta. A análise dos alimentos que vão à mesa do consumidor, porém, é bem restrita.
No último relatório da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), de 2012, foram analisadas 3.293 amostras de apenas 13 alimentos - 5% do que é avaliado por EUA e Europa. Desses, o resultado de apenas sete foram publicados até agora.
 
Nos EUA, a Food and Drug Administration (FDA), e na Europa, a European Food Safety Authority (EFSA), analisam cerca de 300 tipos de alimentos por ano, inclusive industrializados. No Brasil, produtos como carnes, leite, ovos e industrializados não são sequer pesquisados, apesar de especialistas alertarem que eles podem estar contaminados por agrotóxico.
 
A Anvisa confirmou que, em 2012, só 13 alimentos foram monitorados, mas informou que a tendência é de expansão do número de culturas. O enfoque do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos, explicou, são os itens mais consumidos pela população e importantes na cesta básica. Segundo a Anvisa, o milho está sendo monitorado desde 2012 na forma de fubá, e o trigo passou a ser monitorado na forma de farinha desde 2013, mas o resultado ainda não foi divulgado.
 
Registro não tem prazo de validade
 
A falta de fiscalização de agrotóxicos faz parte da série “No país do faz de conta”, iniciada no domingo pelo GLOBO. Hoje, 434 ingredientes ativos e 2.400 formulações de agrotóxicos estão registrados nos ministérios da Saúde, da Agricultura (Mapa) e do Meio Ambiente e são permitidos. Dos 50 mais utilizados nas lavouras, 22 são proibidos na União Europeia. Mato Grosso é o maior consumidor, com quase 20%, segundo a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco). O contrabando, sobretudo via Paraguai e Uruguai, de produtos de origem chinesa, sem controle dos aditivos, representa outro problema. E o uso ilegal de agrotóxicos preocupa. O DTT, proibido em todo o mundo, foi achado em 2013 na Amazônia, usado por empresas, segundo o Ibama, para acelerar a devastação de áreas.
 
Sobre os 22 defensivos proibidos, os técnicos da Anvisa explicam que, no país, o registro de agrotóxico não tem prazo de validade. Uma vez concedido, só pode ser retirado ou alterado após reavaliação que mostre mudança no perfil de segurança do produto. A agência iniciou processo de reavaliação em 2008 que resultou, até agora, no banimento de quatro produtos e no reenquadramento de dois.
 
O custo dos agrotóxicos à saúde é grande. Segundo o professor Fernando Carneiro, da Universidade Brasília, a cada US$ 1 gasto em agrotóxico, há um custo de US$ 1,28 em atendimento ao intoxicado.
 
 
- A intoxicação aguda afeta o trabalhador rural e o da fábrica. A crônica atinge o consumidor, que fica mais exposto a doenças como câncer e alterações metabólicas. O Mapa e as secretarias de agricultura têm dinheiro para monitorar e vigiar gado por causa da exportação. Quando se fala em agrotóxicos, não há estrutura nem fiscais.
 
Para a professora Karen Friedrich, do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde, da Fiocruz, a fiscalização na carne que chega aos lares deveria ser iniciada o quanto antes:
 
- A contaminação deve ocorrer em industrializados, como molho de tomate e suco em caixa.
 
Karen diz que é preciso que os municípios e estados atuem onde ocorre a contaminação e que falta investimento para ampliar a análise, embora a Anvisa “faça milagre com o que dispõe".
 
Para os trabalhadores rurais, o cenário de fiscalização também é de restrições. Cerca de um quarto das fazendas recenseadas no país em 2006, ou 1.376.217, declaravam usar agrotóxicos. Segundo a Secretaria de Agricultura do Estado do Rio, no ano passado foram autuadas 420 das 680 propriedades rurais fluminenses por irregularidades envolvendo agrotóxicos. Joel Naegele, vice-presidente da Sociedade Nacional de Agricultura, critica:
 
- Num país onde o clima favorece parasitas e pragas danosas, não há fiscalização. Há 60 anos acompanho a agricultura e é tudo muito mal feito, papo-furado, ilusões. Se dependermos da ação do governo, estamos num mato sem cachorro.
 
Para governo, lei é rígida e moderna
 
O coordenador geral de agrotóxicos e afins do Mapa, Júlio Sérgio Brito, assegura que o sistema de controle é tão avançado quanto os dos principais países do mundo. Segundo Brito, a legislação é "rígida, moderna e profunda". Para ser aprovado para uso agrícola, explica, o produto é avaliado sob os pontos de vista agronômico, de saúde e ambiental.
Eloisa Dutra Caldas, professora de Toxicologia da UnB, diz que o problema está no fato de haver resíduos de agrotóxicos em produtos para os quais seu uso não está autorizado:
 
- Cerca de 50% das mais de 14 mil amostras analisadas por Anvisa e Mapa até 2010 continham resíduos de pesticidas. Este percentual não é muito diferente do encontrado no resto do mundo.
 
Henrique Mazotini, presidente da Associação dos Distribuidores de Insumos Agropecuários (Andav), no entanto, reconhece que há desvios:
 
- Aqui falta gente e infraestrutura. Além disso, o Brasil sucateou sua extensão rural e falta orientação técnica aos produtores.
 
Frequentadores da feira livre da Praça Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, se mostram preocupados. O aposentado José Barbosa gostaria de saber quais agrotóxicos incidem sobre os alimentos:
 
- Deveria haver mais informações sobre a produção. Principalmente no caso do morango, que é uma fruta mais sensível, com uma casquinha fina, que absorve muita coisa.
 
A indústria de defensivos rebate o argumento de que há risco à saúde. O agrônomo Guilherme Guimarães, da Associação Nacional de Defesa Vegetal, diz que a segurança alimentar do consumidor é testada pelos órgãos que liberam os produtos. Quanto ao fato de que o Brasil ainda tem agrotóxicos já banidos no exterior, ele diz que isso se deve ao clima e a adversidades.
 
O Ibama diz que aplicou R$ 14,5 milhões em multa em 2013, a maior parte na apreensão de produtos ilegais importados. 
 
30 de janeiro de 2014
ANDREA FREITAS, CLARICE SPITZ E ELIANE OLIVEIRA - O Globo
Colaborou Daiane Costa

SUPERAVIT PRIMÁRIO CAI 12,7% EM 2013 E É O PIOR DESDE 2009

Governo central economizou 77,1 bilhões de reais no ano passado, ou 1,6% do PIB; valor foi incrementado com receitas extraordinárias e por isso cumpriu a meta
 
 
 
O resultado fiscal (economia feita para pagar os juros da dívida) do governo central em 2013 foi de 77,1 bilhões de reais, o equivalente a 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB) segundo o Ministério da Fazenda. O governo central é formado pelos resultados financeiros da União, Previdência Social e o Banco Central.
A cifra divulgada nesta quinta-feira veio ligeiramente acima da meta, de 73 bilhões de reais, e também acima do previsto pelo ministro Guido Mantega — 75 bilhões de reais. Contudo, trata-se do pior saldo desde 2009, quando o governo economizou 39,2 bilhões de reais, ou 1,21% do PIB.
A diferença é que o ano de 2009 foi o que mais recebeu o impacto da crise financeira internacional. Também foi o ano em que a economia recuou 0,3% e o governo teve de lançar mão de medidas anticíclicas para estimular o mercado interno.
Já o ano de 2013 foi marcado pela recuperação do mercado internacional e por um crescimento da economia brasileira da ordem de 2,3%, segundo estimativas dos economistas. Contudo, no mercado interno, a estagnação da indústria, o alto endividamento da população e os entraves de infraestrutura têm trabalhado contra o avanço econômico. Desta forma, o governo não se empenhou em fazer ajustes fiscais que garantissem o cumprimento da meta cheia do superávit primário — fez justamente o contrário, reduzindo a meta ao longo do ano e afrouxando o esforço fiscal.
Em dezembro, o superávit primário foi de 14,5 bilhões de reais, queda de mais de 50% em relação a novembro, quando, ajudado pelas receitas extraordinárias, o governo economizou 29 bilhões de reais.
O resultado de 2013 foi impactado pelos gastos do governo — e não pela desaceleração da arrecadação. A receita total do governo central foi de 1,18 trilhão de reais, com uma elevação de 11,2% em relação a 2012, impulsionada, sobretudo, por receitas como o Refis da Crise, que trouxe 22 bilhões de reais aos cofres públicos no ano passado. Tal valor que é resultante do parcelamento das dívidas tributárias das empresas referentes a 2009 foi determinante para que o governo conseguisse cumprir a meta.
Houve ainda as receitas com concessões, que também somaram 22 bilhões de reais — impulsionadas pelo pagamento do bônus do Campo de Libra. 
Já as despesas subiram mais que as receitas, com alta de 13,6% na comparação anual, chegando a 914 bilhões de reais. Os gastos com pessoal subiram 8,9%, enquanto as despesas com a Previdência foram elevadas em 12,8%. Já as despesas de custeio da máquina pública subiram 17,5%
Previsões — O secretário do Tesouro, Arno Augustin, afirmou em coletiva após a divulgação do resultado primário que o início do ano apresentará números mais animadores. "Já adianto que o resultado de janeiro fará com que o trimestre novembro-dezembro-janeiro seja o maior trimestre de primário da história", disse Augustin, que é alvo de embates internos no Ministério da Fazenda devido às medidas de contabilidade criativa implementadas nos últimos anos para elevar o superávit fiscal. 
Augustin também disse que o peso significativo das concessões no resultado de 2013 não pode ser visto como uma anomalia: "O critério de primário é econômico. Se essa receita decorre de um passivo ou não, tem exatamente o mesmo impacto. Uma concessão tem exatamente o mesmo impacto. Não tem nenhuma diferença", disse ele, durante entrevista coletiva.
30 de janeiro de 2014
Gabriel Castro-Veja