"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS CONFLITOS INTERGERACIONAIS EXISTENTES NAS EMPRESAS, ATUALMENTE?

            Quais são os principais fatores de conflito entre a nova geração que chega ao mercado de trabalho, e a gestão de geração mais velha com experiência consolidada nas atividades empresariais?

            Os conflitos entre a nova geração que ingressa no mercado de trabalho (especialmente Millenniais Geração Z, e a gestão formada por gerações mais antigas não surgem, em geral, de um choque “moral” entre certo e errado, mas de formas distintas de perceber o trabalho, o tempo, a autoridade e o sentido da vida profissional. Eis os principais fatores:

1. Concepção de trabalho e sentido da carreira

  • Gerações mais velhas tendem a ver o trabalho como eixo central da identidade, associado a sacrifício, estabilidade e ascensão gradual.

  • Gerações mais novas buscam propósito, flexibilidade e equilíbrio com a vida pessoal. O trabalho é importante, mas não absoluto.
    O conflito surge quando a dedicação total é confundida com comprometimento, e a busca por qualidade de vida é vista como desinteresse.

2. Relação com autoridade e hierarquia

  • A gestão tradicional valoriza hierarquias claras, respeito à posição e à experiência acumulada.

  • A nova geração tende a questionar decisões, preferir relações horizontais e cobrar coerência ética dos líderes.
    Para uns, questionar é desrespeito; para outros, é participação.

3. Comunicação e linguagem

  • Gestores experientes costumam privilegiar comunicação formal, presencial e gradual.

  • Jovens profissionais operam com rapidez, informalidade, feedback constante e múltiplos canais digitais.
    O ruído aparece quando velocidade é confundida com superficialidade, e formalidade com rigidez.

4. Ritmo, tempo e urgência

  • A geração mais velha foi moldada por processos lentos, previsíveis e lineares.

  • A nova geração vive sob a lógica da simultaneidade, da atualização constante e da urgência.
    O choque ocorre quando paciência é vista como ineficiência, e pressa como imprudência.

5. Tecnologia e formas de trabalhar

  • Para gestores experientes, a tecnologia é ferramenta de apoio.

  • Para a nova geração, ela é ambiente natural de existência e criação.
    Daí surgem tensões sobre controle, home office, métricas de produtividade e confiança.

6. Experiência versus inovação

  • A gestão tradicional valoriza o “já testado”, fruto de erros e acertos ao longo do tempo.

  • Jovens valorizam a experimentação, mesmo com risco de falha.
    Um lado teme repetir erros antigos; o outro teme ficar prisioneiro deles.

7. Reconhecimento e recompensas

  • Gerações mais antigas esperam reconhecimento ao longo do tempo, como consequência natural da lealdade.

  • As novas esperam retorno mais rápido, feedback frequente e crescimento acelerado.
    Para uns, isso é ansiedade; para outros, é transparência.

8. Visão de mundo e contexto histórico

  • Gestores experientes foram formados em contextos de escassez, competição dura e poucas alternativas.

  • A nova geração cresceu em um mundo instável, hiperconectado e cheio de incertezas existenciais.
    Isso molda expectativas radicalmente diferentes sobre segurança, sucesso e fracasso.

Em síntese

            O conflito geracional no trabalho não é um problema de idade, mas de paradigmas coexistindo no mesmo espaço. Quando a experiência se fecha ao novo, vira rigidez; quando a novidade despreza a experiência, vira ingenuidade.

           A saída mais madura está no diálogo intergeracional: transformar a experiência em mentoria viva e a inquietação jovem em motor de renovação — não em ruptura estéril.

04 de janeiro de 2026

prof. mario moura

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