"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

EGÍPCIO QUE NÃO CUMPRIMENTOU ISRAELENSE: NADA A VER COM O ISLAMISMO?

O judoca egípcio muçulmano Islam el-Shahaby não cumprimentou o israelense Or Sasson. Não é a política que explica: é a religião. A da paz.


Neste momento já correu o mundo a história do egípcio muçulmano Islam El Shahaby, judoca que foi derrotado nas Olimpíadas do Rio pelo israelense Or Sasson. Contrário à tradição do judô e do Comitê Olímpico, Islam El Shahaby recusou-se a se curvar ao adversário e cumprimentá-lo no fim da luta.


Islam El Shahaby saiu sob forte vaia da torcida brasileira do tatame. Jornais do mundo inteiro relataram o fato. A ESPN Brasil preferiu chamar o caso de “incidente”.

Um cumprimento é um símbolo. Símbolos significam alguma coisa. O significado do “incidente” é tão gritante que já gerou uma Guerra Mundial e quase todas as guerras santas da Idade Média até hoje. Analistas têm mostrado que o anti-semitismo no Ocidente desta década de imigração islâmica só é comparável na história às décadas do nazismo.

Nas Olimpíadas de Munique de 1972, primeiro grande evento esportivo na Alemanha pós-Terceiro Reich, a organização palestina Setembro Negro seqüestrou 11 atletas israelenses e assassinou todos eles, além de um policial. A polícia, com medo de ser tachada de “xenófoba” pós-nazismo, relaxou na segurança e no controle do acesso. A chacina terrorista foi na Vila Olímpica, próximo de onde o iraniano Ali Sonboly assassinou 9 pessoas em julho.

Analistas tentam passar à população a idéia de que o gesto se deu por razões políticas. Como conta o Times of Israel, ao contrário de outros países árabes e islâmicos, o Egito não tem histórico de boicotar disputas esportivas com Israel.

Acrescentaríamos que junto à Turquia é um dos países árabes com histórico mais avançado de relativa “paz” com Israel, desde pelo menos a resolução da Guerra de Yom Kippur (1973), quando o presidente egípcio Anwar Al Sadat ganhou o Nobel da Paz com o Primeiro Ministro israelense Menachem Begin por selarem o fim da guerra.

Anwar Al Sadat foi o primeiro líder árabe a visitar e reconhecer Israel em 1978, e teve como sucessor o ditador Hosni Mubarak, por esta razão vigiado pela América, antes do estouro da Primavera Árabe que colocou a Irmandade Muçulmana no poder, que impôs a shari’ah e passou a assassinar todos os opositores da lei islâmica. A Irmandade Muçulmana, como contamos em nosso livro Por Trás da Máscara: do passe livre aos black blocs, é apoiada por entidades de esquerda no Ocidente, como o teórico socialista da internet e das agitações políticas virtuais Manuel Castells.

Enxergar o caso como “político”, portanto, só faz sentido se o adjetivo “político” englobar a imposição de uma lei religiosa, visto que, no árabe, a palavra jin, que significa “religião”, também significa uma visão cósmica, civil, judicial, ética, pública, familiar, alimentar e que vai desde o surgimento do mundo até a forma de escovar os dentes.

O caso é, de fato, religioso. Apesar da auto-censura ocidental para não criticar o islamismo, preferindo-se sempre abstrações como o “extremismo islâmico”, é o próprio livro venerado pelo islamismo que reserva aos judeus as piores menções e descrições possíveis.

O estudioso do islamismo Robert Spencer cita o Qu’ran para mostrar que o livro sagrado muçulmano chama os judeus de “porcos” e “macacos” por três vezes. O porco, para povos do deserto, é o animal mais sujo e transmissor de doenças. O macaco transmite pulgas e contamina comida, sendo considerado ladrão (de alimentos), sujo e inferior.

Apesar de alguns islâmicos tentarem obtemperar que, digamos, nem todos os judeus são “porcos e macacos” para o islamismo (sic), o tratamento reservado a judeus e, sobretudo, judeus israelenses, que não somem de Israel e entregam Jerusalém aos muçulmanos, é consabido pelo mundo, apesar da polícia politicamente correta negar-se a afirmar o óbvio.

Vide-se este vídeo do MEMRI – Middle East Media Research Institute, think tank que traduz para o inglês o que sai na mídia do Oriente Médio. Até mesmo uma criança de 3 anos (um bebê, de fato) é congratulada por um canal saudita por demonstrar seu ódio a judeus, povo que nem conhece.

Com uma visão como essa, como um atleta muçulmano iria cumprimentar um “porco”, um “macaco” israelense?

A desculpa freqüente para a tese de que Maomé e os muçulmanos só consideram “alguns” judeus como “porcos” e “macacos” (se o islamismo fosse um partido político, só com isso já seria proibido em todo o Ocidente) é uma inversão da jurisprudência islâmica, que interpreta os versos de Medina, do islam guerreiro, como posteriores aos versos escritos em Meca, quando Maomé ainda era um caixeiro viajante batendo de tenda em tenda.

Portanto, os poucos versos de animosidade em relação a cristãos e judeus (o dhimmi) devem ser entendidos pelo muçulmano como uma paz temporária, antes de terem maioria numérica e instaurarem a lei dos versos de Medina (aqueles que envolvem conversão forçada, pagar a jizyah ou serem decapitados). É o que ensina Ayaan Hirsi Ali, somali ex-muçulmana, que vive com proteção policial por abandonar a fé de Maomé.

Na história e na geografia do mundo enxergamos isso: tratados temporários, mas nunca um país islâmico, após se tornar islâmico, permite igrejas, sinagogas e livre trânsito e exercício de judeus e cristãos.

É o que ensina Brigitte Gabriel, intelectual libanesa cristã refugiada (esta sim), explicando rapidamente a história do islamismo e o porquê de suas crenças:


Breve História do Islã - Brigitte Gabriel (9 set. leia 11 set.) - (leg PTBr ...

https://www.youtube.com/watch?v=F2Sv_xrtDRQ
20 de jul de 2016 - Vídeo enviado por Luigi B. Silvi
Brigitte Gabriel faz um resumo dos principais eventos históricos do Islã, desde os primeiros tempos de ...


Aprofundando o caso, judeus são chamados no Qu’ran por 43 vezes de Bani Isrāʾīl, “os filhos de Israel”. Já a palavra yahudi, judeu, aparece 11 vezes e o verbo hāda (ser judeu) mais 10. Como ensina Khalid Durán, todas as passagens negativas usam yahūd, judeu, enquanto as poucas positivas falam de Banī Isrā’īl.

Um judeu convertido ao islamismo, isto é, um “filho de Israel” que se torne muçulmano, pode merecer clemência e deixa de ser judeu, como ensina Nassim Nicholas Taleb. Um judeu de fato, que além de “filho de Israel” ainda é yahūd, é sempre e necessariamente um “porco”, um “macaco”.

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NassimNicholasTaleb
✔@nntaleb



We don't know what we talk about when we say "Religion".
Salafis (& most atheists) take religion literally.


Relatos mostram que Maomé, em seu princípio de pregação, rezava curvado na direção de Jerusalém, e não de Meca – o que explica por que as primeiras mesquitas da Arábia estão voltadas para aquela cidade, ânsia de conquista islâmica.

As relações entre o islamismo e o anti-semitismo merecem um artigo detalhado na Wikipédia.

A propaganda do “nacionalismo palestino”, um “povo” inventado ad hoc com o fim do Império Otomano – e não reconhecido por nenhum país árabe do mundo – foi iniciada por Amin al-Husseini, que se encontrou com Adolf Hitler para discutir o “problema judeu” e forneceu soldados muçulmanos para a SS, a polícia especial nazista.

A Palestina fez parte como “país” destas Olimpíadas. A defesa de sua existência é propagada pela mesma esquerda que jura que o nacional-socialismo era de “direita” e nada tinha a ver com socialismo, mas critica Israel, o “Estado burguês”, o sionismo (que nasceu como um movimento socialista) e despreza a vida de judeus em lugares como Higienópolis, Tel Aviv ou Manhattan.

Quando Islam El Shahaby não cumprimenta um israelense, portanto, entender o acinte (ou, no linguajar da ESPN, o “incidente”) pela ótica da política não revela nada. Olhar a tudo pelo prisma da religião explica simplesmente tudo.

O caso do egípcio Islam El Shahaby (comprovando novamente nossa tese de que o nome faz o sujeito) apenas comprova o que mundo sabe se olhar para a realidade, mas que não se pode dizer nunca em um jornal, pelo medo de ser chamado de “islamofóbico”: o islamismo que tanto o Ocidente se força para aceitar como “religião da paz” é tão ou mais maléfico do que o nazismo quando logra êxito.

15 de agosto de 2016
Flávio Morgenstern

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