"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

domingo, 6 de julho de 2014

PETROBRAS TERÁ DE GASTAR MAIS US$ 2 BILHÕES EM PASADENA - DIZ RELATÓRIO DO TCU




Um dos relatórios preparados por técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU) para embasar a avaliação sobre a compra da refinaria de Pasadena pela Petrobrás revela que, além de US$ 1,2 bilhão já pagos, a estatal terá de desembolsar mais US$ 2 bilhões caso decida reformar a unidade dos EUA.

A reforma é necessária para adaptar a refinaria aos planos iniciais de processar no local o óleo pesado extraído no Brasil. A presidente da empresa, Graça Foster, já informou que essa adequação (o chamado “revamp”) não será feita agora, já que o cenário mudou desde que a primeira parte de Pasadena foi adquirida, em 2006.

O cálculo desse custo do investimento a ser feito é baseado em estimativas extraídas de documentos da própria Petrobrás, segundo relatório da Secretaria de Controle Externo de Estatais, do TCU, concluído a 4 de junho. A necessidade de modernização da unidade é conhecida desde quando a primeira parte do negócio foi fechada, há oito anos – após desentendimentos com a sócia Astra Oil, a Petrobrás adquiriu 100% da refinaria.

“JUSTIFICATIVA”

Quando foi comprada, Pasadena só era capaz de refinar óleos leves. Com as melhorias, a estatal pretendia dobrar a capacidade e processar 100 mil barris diários do campo de Marlim, na Bacia de Campos – e, também, agregar valor ao produto brasileiro e vendê-lo a preços melhores.

Nos cálculos da área técnica do TCU, os pagamentos feitos à Astra Oil foram equivalentes ao aporte necessário para as obras. Também era necessário melhorar as instalações para que operassem com mais confiabilidade e para que produzissem gasolina e diesel com baixos teores de enxofre. Mas não houve alteração significativa no status da refinaria.

“A Petrobrás recebeu uma refinaria desatualizada e, sobretudo, sem capacidade de refinar o petróleo de Marlim. Para converter a refinaria, terá que desembolsar, aproximadamente, mais US$ 2 bilhões, considerado o custo de reposição do ativo, incluído, também, o capital de giro adicional necessário”, diz o relatório.

O parecer registra que, como os planos não foram adiante, a companhia terá de pagar, “por estimativa conservadora”, duas vezes para obter o mesmo benefício. Para o TCU, um agravante é que o preço pago em 2006 à Astra Oil foi inflado justamente pela perspectiva futura de produtividade, que não veio a se concretizar.
Cláusulas favoráveis à empresa permitiram que ela saísse do negócio depois, sem fazer nenhum investimento.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A Petrobras continua mentindo sobre Pasadena. Não há nem nunca houve projeto de refinar óleo pesado de Marlim em Pasadena. Seria economicamente inviável. Custa mais caro de processar do que o óleo leve que abunda nos Estados Unidos e no México.
E o óleo de Marlim teria de viajar (embarcado) cerca de 15 mil quilômetros, encarecendo ainda mais o processo.
O importante é que a reportagem revela que, ao contrário do que diz a Petrobras, Pasadena não refina 100 mil barris por dia, conforme já denunciamos diversas vezes aqui. A capacidade real da unidade é o segredo mais bem guardado da Petrobras. (C.N.)

06 de julho de 2014
Fábio Fabrini e Fábio Brandt
O Estado de S.Paulo

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