"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o governo estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade." Alexis de Tocqueville
(1805-1859)

"A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas." Winston Churchill.

terça-feira, 5 de outubro de 2021

O FIM DO PODER DO STF

 

O Fim do PODER do STF

05 de outubro de 2021

FACEBOOK PERDE 50 BILHÕES COM APAGÃO E ZUCKERBERG 7

 

VEJA O QUE ACONTECEU EM BRASÍLIA. MINISTRO DETERMINOU AGORA

 

REQUERIMENTO É ASSINADO AGORA, DEPUTADOS QUEREM QUE O PLENÁRIO DA CÂMARA DELIBERE SOBRE...

 

DOCUMENTÁRIO: "CUBA, 60 ANOS" RELATA RESISTÊNCIA DOS CUBANOS À DITADURA DE FIDEL CASTRO





Já são 60 anos de “ditadura, a mais antiga ditadura do planeta nos tempos modernos”

A ditadura comunista de Cuba está prestes a completar 60 anos no poder, e seu legado de ódio, sangue e violência foi denunciado em várias ocasiões, assim como o sofrimento que causou para seu povo.

A Radio y Televisión Martí, emissora que transmite para Cuba a partir de Miami, produziu um documentário chamado “Cuba, 60 anos” para narrar a resistência dos cubanos ao regime de Castro, que completará seis décadas de idade no dia 1º de janeiro.

O objetivo é contar a verdadeira história cubana, “não aquela reescrita há 60 anos pelo regime de acordo com seus interesses”, disse ontem (21) à Agência EFE Tomás Regalado, diretor do Escritório de Transmissões para Cuba, entidade oficial que administra Radio y Televisión Martí.

Tanto o documentário, composto de sete episódios de uma hora de duração cada, como os 35 programas de rádio de uma hora são também o resultado de um trabalho de pesquisa nos arquivos audiovisuais do Congresso, da Universidade de Miami e da própria Radio e TV Martí.

Fidel Castro e seu irmão Raúl, juntamente com Che Guevara, desde 1º de janeiro de 1959, quando as forças revolucionárias tomaram o poder em Cuba, planejaram e organizaram uma onda de terror cujo objetivo era intimidar e subjugar a população.

Em 2006, o The New York Times publicou a cifra de mais de 86 mil mortos, 9.231 mortos durante a revolução cubana e 77 mil cubanos mortos tentando fugir da ilha, com base na pesquisa realizada pelo Arquivo de Cuba, que continuou acrescentando vítimas daquele ano até superar os 10 mil mortos desde que Raúl Castro assumiu o poder.


“Fusilados 1959”, obra pictórica de Juan Abreu (Domínio público)

Essas mais de 10 mil mortes incluem casos de execução, assassinatos e desaparecimentos e incluem dezenas de menores, mulheres grávidas e catorze líderes religiosos, incluindo freiras católicas e ministros protestantes.

O novo documentário tenta mostrar a fundo o que realmente aconteceu em Cuba e como tudo aconteceu.

“Usaremos todos os meios legais para que este documentário seja transmitido em Cuba”. “Já estamos fazendo isso”, enfatizou Regalado.

Regalado disse que o sinal da TV Martí chega “absolutamente” à ilha toda e que recebeu “muitos e-mails” de cubanos expressando sua “surpresa” diante das informações sobre a história real desconhecida por muitos.

Para o documentário, além de uma investigação completa feita em arquivos, a Radio e TV Martí entrevistou mais de duzentas pessoas “protagonistas ou vítimas” do regime após o triunfo da revolução comunista, disse Regalado, ex-prefeito de Miami.

Na série, são mostrados vídeos inéditos dos golpes dados por grupos liderados pela Polícia Política às Damas de Branco protestando pacificamente na ilha, e testemunhos de presos políticos antes de serem fuzilados nos anos 60, que são os documentos históricos mais impressionantes.

Foto de 8 de outubro de 1957 mostra o líder cubano Fidel Castro (esq.) conversando com Ernesto “Che” Guevara (dir.) na floresta da Sierra Maestra, em Cuba (Arquivo/AFP/Getty Images)


Primeiro prisioneiro a morrer em greve de fome na Cuba comunista

Regalado destacou, bastante emocionado, a parte do documentário em que a mãe de Pedro Luis Boitel, “o primeiro preso a morrer em greve de fome em Cuba”, em 1972, conta de forma comovente seus sofrimentos e os abusos sofridos.

A ditadura castro-comunista tirou a vida de Pedro Luis Boitel após 56 dias de greve de fome.

Ele morreu na ala de quarentena da base militar de Castillo del Príncipe, em Havana, por falta de assistência médica.

Ele tinha 41 anos quando morreu. Seus últimos 12 anos foram passados nas prisões castro-comunistas, onde permaneceu sem esmorecer seu espírito de rebelião, até o ponto em que, tendo cumprido sua sentença de dois anos, foi forçado a permanecer na prisão.

Boitel é considerado um dos primeiros a se opor à tirania de Fidel.

Sua luta anticomunista na Universidade de Havana levou à sua prisão. Pedro Luis Boitel tornou-se um símbolo do sofrimento e heroísmo de todos os cubanos presos injustamente.

Pouco antes de sua morte, Clarita, mãe de Pedro Luis Boitel, entregou à organização Presidio Político Histórico Cubano-Casa do Preso os poucos pertences de seu filho que o governo lhe devolveu. Estes consistiam apenas de sapatos, um jarro, uma bengala e copos.

Algumas instituições cubanas foram responsáveis por preservar esse legado de violência em Cuba ao longo dos anos.

Memorial Cubano é uma organização patriótica sem fins lucrativos, criada e integrada por exilados políticos para salvaguardar a memória histórica da nação cubana desde janeiro de 1959, quando o regime comunista foi imposto, momento em que milhares de cubanos morreram por terem ideias diferentes às dos comunistas.

O projeto Verdade e Memória da organização Archivo Cuba documenta as mortes e desaparecimentos por motivos políticos durante a revolução cubana e estuda questões de transição sobre a memória, a verdade e a justiça.

Entre os documentos publicados pelo Archivo Cuba estão, entre outros:

A exportação de trabalhadores: tráfico de mão-de-obra praticado pelo Estado cubano

Quantos presos políticos existem em Cuba?

Mortes e Desaparecimentos Documentados por Archivo Cuba: Atualização de dezembro de 2017

Comunicado à ONU sobre violações do direito à vida em Cuba

Cuba 1959 até o presente: pelo menos 147 desaparecimentos forçados

Cuba em Angola: um negócio antigo e lucrativo dos Castro

Cuba: Dois anos à espera da verdade e justiça para Oswaldo Payá e Harold Cepero

É preciso investigar a morte de Oswaldo Payá e Harold Cepero

O Massacre do Rebocador, de 13 de julho de 1994

O Massacre do Rio Canímar, de 6 de julho de 1980

Cada um desses relatórios é uma denúncia dos crimes cometidos pelo regime comunista cubano e, ao mesmo tempo, são uma mostra da resistência dos cubanos a essa ideologia maldita.

Membros do grupo Damas de Branco durante uma manifestação contra o regime comunista em Havana, em 13 de fevereiro de 2011 (Adalberto Roque/AFP/Getty Images)

A transmissão do documentário da Radio e Televisión Martí será concluída no próximo dia 5 de janeiro e, uma semana depois, no dia 12 de janeiro, será exibido na íntegra para o público no Teatro Manuel Artime em Miami, em uma “maratona matinal” que tem como objetivo mostrar para todos a “verdadeira história do que aconteceu em Cuba”.

Já são 60 anos de “ditadura, a mais antiga ditadura do planeta nos tempos modernos”, salientou o jornalista Tomás Regalado, diretor do Escritório de Transmissões para Cuba em Miami.


05 de outubro de 2021
in Conservadorismo do Brasil

O QUE ERAM OS GULAGS?





O que eram os Gulags?

Campos de trabalho forçado da ex-União Soviética (URSS), criados após a Revolução Comunista de 1917 para abrigar criminosos e “inimigos” do Estado. Gulag era uma sigla, em russo, para “Administração Central dos Campos”, que se espalhavam por todo o país.

Os maiores Gulags ficavam em regiões geográficas quase inacessíveis e com condições climáticas extremas. A combinação de isolamento, frio intenso, trabalho pesado, alimentação mínima e condições sanitárias quase inexistentes elevavam as taxas de mortalidade entre os presos.

Para se proteger da violência, alguns grupos de presos criaram códigos e leis internas que deram origem aos Vory v Zakone – a máfia russa. A quantidade de campos foi reduzida a partir de 1953, logo após a morte de Stálin – ditador que expandiu o sistema de Gulags nos anos 30. Porém, os campos de trabalho forçado para presos políticos duraram até os anos 90.

Pouco conhecida é a História de um dos maiores crimes contra a humanidade. Os Gulags foram responsáveis pela morte de milhões. O escritor Milan Kundera afirmou que “a luta do homem contra o poder é a luta da memória contra o esquecimento”.

Milhões de pessoas foram presas, escravizadas e mortas nos campos de trabalho da União Soviética. Fatos de tamanha relevância histórica não podem ser esquecidos pelas classes letradas. E não foram poucos os intelectuais que consideravam aquele país um modelo a ser seguido.



Gulag era um sistema de campos de trabalhos forçados para criminosos, presos políticos e qualquer cidadão em geral que se opusesse ao regime comunista na União Soviética.

05 de outubro de 2021
in conservadorismo do brasil

O ATALHO PARA O TOTALITARISMO - POR QUE NÃO SE DEVE BRINCAR COM A IDÉIA DE CONTROLE DE PREÇOS

Eis uma ilustração, passo a passo, das consequências desta medida




O governo ouve as queixas do povo de que o preço da carne subiu. A carne é, sem dúvida, muito importante, sobretudo para a atual geração em crescimento, para as crianças.

Ato contínuo, o governo resolve controlar o preço da carne, reduzindo por decreto o seu valor e, com isso, estabelecendo um preço máximo para esse produto — preço máximo que é, obviamente, inferior ao que seria o preço potencial de mercado.

E então o governo diz: "Estamos certos de que fizemos tudo o que era preciso para permitir aos pobres a compra de todo a carne de que necessitam para alimentarem a si próprios e a seus filhos".

Mas que de fato irá acontecer?

As consequências não-premeditadas

De um lado, o menor preço da carne provoca o inevitável aumento da demanda pelo produto; pessoas que não tinham meios de comprar carne a um preço mais alto podem agora fazê-lo ao preço reduzido por decreto oficial.

De outro lado, dado que os custos de produção continuam inalterados (pois a realidade econômica é irrevogável), temos que parte dos produtores de carne, aqueles que estão produzindo a custos mais elevados — isto é, os produtores marginais — começam a sofrer prejuízos, dado que o preço final da carne decretado pelo governo é inferior aos custos do produto.

Ou seja, os custos de produção continuam altos, mas as receitas caíram artificialmente, por causa de um decreto do governo.

Este é o ponto crucial de uma economia de mercado. O empreendedor privado não está no ramo para sofrer prejuízo. No cômputo final de suas atividades, ele tem de trer um lucro. Caso contrário, ele simplesmente se retira daquela atividade e muda de ramo.

E, dado que ele não pode ter prejuízos com a carne, ele, de início, simplesmente irá restringir a venda deste produto para o mercado. O normal é que ele passe a vender apenas no mercado negro, a preços maiores que os decretados pelo governo.

É também esperado que ele venda alguns de seus bois e vacas para frigoríficos mais poderosos (o que aumenta a concentração de mercado). Ele pode também, em vez de carne, se concentrar na produção de leite, e vender derivados do produto, como coalhada, manteiga ou queijo.

Ato contínuo, o governo resolve punir a produção destes derivados (aumento impostos sobre estes produtos, por exemplo), como forma de obrigar os produtores a voltarem a se concentrar na produção de carne. Obviamente, esta nova restrição à produção tem o efeito apenas de reduzir ainda mais a criação de gado, bem como agora a oferta destes laticínios, piorando toda a economia.

O início do colapso

A interferência do governo no preço da carne redunda, portanto, em menor quantidade do produto do que a que havia antes, redução que é concomitante a uma ampliação da demanda. As pessoas dispostas a pagar o preço decretado pelo governo não conseguirão comprar carne.

Outro efeito inevitável serão as filas. O enxame de pessoas ansiosas por chegarem em primeiro lugar às lojas fará com que elas sejam obrigadas a esperar do lado de fora. As longas filas diante das lojas são um fenômeno corriqueiro em economias cujo governo decreta preços máximos para as mercadorias que lhe parecem importantes. Em economias socialistas, isso é uma rotina diária.

O caminho para o totalitarismo

Mas quais as outras consequências do controle governamental de preços? O governo se frustra. Pretendia aumentar a satisfação dos consumidores de carne, mas, na verdade, descontentou-os.

Antes de sua interferência, a carne estava cara, mas era possível comprá-la. Agora, a quantidade disponível é insuficiente. Com isso, o consumo total se reduz.

As famílias passam a comer menos carne, e, no extremo, chegam a nem sequer conseguir comer — pois é difícil encontrar o produto nos supermercados.

Em meio a essa escassez, a medida a que o governo recorre em seguida é o racionamento.

Mas racionamento significa tão-somente que algumas pessoas são privilegiadas e conseguem obter carne, enquanto outras ficam sem nenhum. Quem obtém e quem não obtém passa a ser algo determinado de forma totalmente arbitrária pelo governo. Pode ser estipulado, por exemplo, que famílias com mais crianças devem ter acesso a mais carne, e que famílias com menos devem receber apenas a metade da ração. E indivíduos solteiros ou mesmo casais sem filho não têm direito.

Neste cenário, obviamente, as fraudes se tornam crescentes. Indivíduos solteiros começam a apresentar certidões de nascimento falsas (para dar a impressão de que têm filhos). Indivíduos ricos passam a subornar burocratas do governo (que agora estão encarregados de supervisionar o racionamento nos supermercados). E as famílias realmente pobres e com muitos filhos acabam ficando sem nada (pois a carne acabou devido à fraudes dos outros grupos acima).

A expansão do totalitarismo

Faça o governo o que fizer, permanece indelével o fato de que, agora, a disponibilidade de carnes é muito menor do que a de antes.

Consequentemente, a população está ainda mais insatisfeita que estava antes do controle de preços.

O governo, já desesperado, pergunta aos produtores de carne (pois não tem imaginação suficiente para descobrir por si mesmo): "Por que não produzem a mesma quantidade que antes?".

E obtém a resposta: "É impossível, uma vez que os custos de produção são superiores ao preço máximo fixado pelo governo".

Ato contínuo, as autoridades se põem a estudar os custos dos vários fatores de produção. E então descobrem que um deles é a ração.

"Pois bem", diz o governo, "o mesmo controle que impusemos à carne vamos aplicar agora à ração do gado. Determinaremos um preço máximo para ela e os pecuaristas poderão alimentar seu gado a preços mais baixos, com menor dispêndio. Com isso, tudo se resolverá: os produtores de carne terão condições de produzir em maior quantidade e venderão mais."

O que acontece nesse caso? Repete-se, com a ração, a mesma história acontecida com a carne. E, como é fácil depreender, pelas mesmíssimas razões. A produção de ração diminui, o gado não mais engorda, toda a situação piora ainda mais, e as autoridades se veem novamente diante de um dilema.

Nessas circunstâncias, os burocratas se debruçam novamente sobre o problema, agora com o intuito de descobrir o que há de errado com a produção de ração. E recebem dos produtores de ração uma explicação idêntica à que lhes fora fornecida pelos produtores de carne.

Consequentemente, o governo se sente compelido a dar um outro passo, já que não quer abrir mão do princípio do controle de preços: determina preços máximos para os bens de capital necessários à produção de ração. Tratores, fertilizantes, colheitadeiras, milho, soja, farelo de trigo etc.: todos os preços passam a ser controlados pelo governo.

Ao mesmo tempo, ele decreta empréstimos a juros subsidiados (ou seja, bancos pelos impostos dos cidadãos) a estes setores. Tamanha injeção de crédito na economia irá apenas estimular a demanda das pessoas, sem qualquer efeito na oferta.

E a mesma história, mais uma vez, se desenrola.

Assim, o governo começa a controlar não mais apenas a carne, mas também o leite, o queijo, a soja, o milho, os fertilizantes, os tratores, as colheitadeiras e vários outros artigos essenciais. Simultaneamente, a demanda segue crescendo.

E, em todas as vezes, alcança o mesmo resultado. Em todos os setores, a consequência é sempre a mesma: a partir do momento em que fixa preços máximos para bens de consumo, vê-se obrigado a retroagir para os bens de produção, e a limitar os preços dos bens de produção necessários à fabricação daqueles bens de consumo com preços tabelados.

E assim, o governo, que começara com o controle de alguns poucos fatores, recua cada vez mais em direção à base do processo produtivo, fixando preços máximos para todas as modalidades de bens de produção, incluindo-se aí, evidentemente, o preço da mão-de-obra — pois, sem controle salarial, o "controle de custos" efetuado pelo governo seria um contra-senso.

O ápice do totalitarismo: uma economia controlada

Por fim, o governo não tem como limitar sua interferência no mercado apenas ao que ele acredita ser bens de primeira necessidade: carne, leite, manteiga, ovos e carne. Ele precisa necessariamente incluir os bens de luxo, pois, se não limitasse seus preços, o capital e a mão-de-obra abandonariam a produção dos artigos de primeira necessidade e recorreriam à produção dessas mercadorias que o governo reputa supérfluas.

No final, a interferência isolada no preço de um ou outro bem de consumo sempre gera efeitos — e é fundamental compreendê-los — ainda menos satisfatórios que as condições que prevaleciam anteriormente: antes da interferência, a carne estava caro; depois, tudo começou a sumir do mercado, inclusive os laticínios.

O governo considerava esses artigos tão importantes que interferiu; queria torná-los mais abundantes, ampliar sua oferta. O resultado foi o oposto: a interferência isolada deu origem a uma situação que — do ponto de vista do governo — é ainda mais indesejável que a anterior, que se pretendia alterar. E o governo acabará por chegar a um ponto em que todos os preços, salários, taxas de juro, em suma, tudo o que compõe o conjunto do sistema econômico, é determinado por ele.

E isso, obviamente, é o ápice do totalitarismo — ou seja, o socialismo
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05 de outubro de 2021
Ludwig von Mises

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Esse texto é uma ligeira adaptação do terceiro capítulo do livro As Seis Lições. No original, Mises se referia a um tabelamento do preço do leite. No artigo acima, o editor simplesmente alterou para 'carne', com o intuito de torná-lo mais adequado aos tempos atuais. Excetuando-se isso, todo o resto do texto foi mantido.

NÓS NÃO HUMANIZAMOS O CAPITALISMO, FOI O CAPITALISMO QUE NOS HUMANIZOU




Graças à acumulação de capital, o trabalho infantil foi abolido e a jornada de trabalho, reduzida

Sempre que há um feriado prolongado, várias pessoas dizem que foram os sindicatos e as intervenções do governo que “humanizaram o capitalismo” ao nos dar a jornada de trabalho de 8 horas, a semana de cinco dias de trabalho, a abolição do trabalho infantil e tudo mais.

Infelizmente, essas pessoas inverteram as relações de causa e efeito.

Não fomos nós que humanizamos o capitalismo; foi o capitalismo que nos humanizou. A riqueza produzida pelo capitalismo nos permitiu satisfazer nossas demandas humanitárias de maneiras que não eram nem sequer sonháveis em outras épocas, quando todos os seres humanos viviam, diariamente, no limiar da sobrevivência.

Era absolutamente impossível trabalhar apenas 8 horas por dia, ter uma semana de trabalho de apenas 40 horas, e abrir mão do trabalho infantil quando as condições materiais que permitem esse luxo ainda não existiam. Ao contrário do que alguns gostam de imaginar, os trabalhadores não trabalhavam longas jornadas e as crianças não trabalhavam desde muito cedo porque os empregadores apontavam uma arma para suas cabeças. Igualmente, eles não trabalhavam tanto só porque gostavam de laborar por longas, duras e desconfortáveis horas.

Eles, assim como nós, teriam preferido trabalhar menos, ganhar mais, e usufruir melhores condições de trabalho. No entanto, quando o capital — ferramentas tecnológicas, maquinários de alta produção, e de meios de transporte rápidos e eficientes — é escasso, a produtividade é baixa. Sendo a produtividade baixa, os salários inevitavelmente também serão baixos. Sendo assim, para se alimentar toda uma família, serão necessárias várias horas de trabalho e muito mais pessoas trabalhando.

Cuidando de si próprio


Como Ludwig Von Mises nunca se cansou de repetir, foi a acumulação de capital o que tornou o trabalho mais produtivo.

Capital é tudo aquilo que aumenta a produtividade e, em última instância, o padrão de vida de uma sociedade. Capital são todos os fatores de produção — como ferramentas, maquinários, edificações, meios de transporte etc. — que tornam o trabalho humano mais eficiente e produtivo.

Capital, em termos físicos, são os ativos físicos das empresas e indústrias. São as instalações, os maquinários, os estoques e os equipamentos de escritório de uma fábrica ou de uma empresa qualquer.

Trabalhar menos e produzir mais é o resultado direto da acumulação de capital. Assim como um trator multiplica enormemente a produção agrícola em relação a uma enxada, o uso de máquinas e equipamentos modernos multiplica enormemente a produtividade dos trabalhadores — e, consequentemente, seus salários e sua qualidade de vida.

Foi a acumulação de capital ocorrida ao longo dos séculos o que permitiu que os trabalhadores produzissem mais com menos horas de trabalho. Em decorrência disso, eles passaram a poder alimentar a si próprios e a seus familiares — bem como educar seus filhos — ao mesmo tempo em que trabalhavam menos horas.

Nos países ricos, em que os trabalhadores possuem uma grande quantidade de maquinários e bens de capital tecnológicos à sua disposição, tais trabalhadores tendem a ser mais produtivos. Sendo assim, eles podem se dar ao luxo de trabalhar menos horas. Já nos países ainda em desenvolvimento, que não usufruem de bens de capital abundantes e de qualidade para seus trabalhadores — o que faz com que eles sejam menos produtivos —, não há alternativa senão trabalhar mais para produzir o mesmo tanto que um trabalhador de um país desenvolvido.

Os salários dos trabalhadores dependem de sua produtividade e do valor daquilo que produzem para os consumidores. Quando trabalhadores têm mais e melhores bens de capital com os quais trabalhar, sua mão-de-obra se torna mais produtiva. E quando os consumidores demandam aquilo que eles produzem, seus salários, por causa da maior produtividade, podem aumentar.

Quando os proprietários do capital — isto é, os donos dos meios de produção — têm de concorrer pela mão-de-obra, eles têm de oferecer maiores salários para atrair essa mão-de-obra mais produtiva, retirando-a de seus concorrentes. A consequência é que mais e melhores bens de capital levam a maiores salários, e isso permite que mais famílias possam sobreviver sem ter de colocar seus filhos para trabalhar, e que mais trabalhadores e empresas possam reduzir as horas de trabalho e a jornada semanal.

E todo esse processo já estava a pleno vigor antes de qualquer tipo de sindicalização ou de regulamentações governamentais sobre a jornada de trabalho. A linha de tendência de queda nas horas de trabalho não foi alterada quando sindicalizações e regulamentações governamentais começaram a aparecer



Horas semanais de trabalho na indústria, 1830-1997; a cada regulamentação que surge, a tendência de queda não é alterada

O economista Robert Whaples observa que a jornada semanal média vem caindo progressivamente desde os anos 1830.

Em 1938, quando o então presidente americano Franklin Roosevelt assinou a Fair Labor Standards Act (FLSA), uma lei que estipulava a jornada semanal máxima em 40 horas, tal lei já era praticamente desnecessária. Ao longo do século anterior, as forças de mercado já haviam derrubado a jornada semanal média nas indústrias, de quase 70 horas para apenas 50 horas. Em outras indústrias, a jornada era ainda menor. Em 1930, por exemplo, operários das ferrovias trabalhavam uma media de 42,9 horas por semana. Já os carvoeiros trabalhavam uma média de apenas 27 horas. (Confira os números aqui).

Henry Ford implantou uma jornada semanal de 40 horas em 1926 porque ele acreditava que consumidores com mais tempo livre iriam comprar mais produtos. Outras grandes empresas fizeram o mesmo. Apenas um ano depois, 262 grandes empresas já haviam adotado uma semana de trabalho de 5 dias. Pela primeira vez na história, as pessoas estavam usufruindo fins de semana livres.

De acordo com esse trabalho acadêmico do economista Robert Whaples:

Mais de 80% dos historiadores econômicos já aceitam a ideia de que “a redução na jornada de trabalho semanal nas indústrias americanas antes da Grande Depressão deveu-se majoritariamente ao crescimento econômico e aos aumentos salariais gerados por esse crescimento econômico. Outras forças tiveram um papel apenas secundário. Por exemplo, dois terços dos historiadores econômicos rejeitam a proposta de que os esforços dos sindicatos foram a principal causa da queda na jornada de trabalho antes da Grande Depressão.

E essa tendência de queda nas horas de trabalho pode ser observada com ainda mais intensidade no que diz respeito ao trabalho infantil.

No início do século XIX, crianças trabalhavam ou na agricultura familiar ou nas fábricas. Em ambos os casos, as famílias necessitavam dessa contribuição do salário da criança para sobreviver.

O historiador Steven Mintz, especialista em trabalho infantil, observa que os salários de crianças entre 10 e 15 anos de idade “frequentemente representavam 20% da renda da família e podiam significar a diferença entre bem-estar e privação”. Como também disse Mintz, “nessa economia cooperativa familiar, as decisões essenciais […] se baseavam nas necessidades da família e não na escolha individual”.

É claro que se os pais daquela época fossem capazes de sobreviver sem ter de colocar seus filhos para trabalhar, eles teriam feito isso, como demonstrado pela relativa ausência de trabalho infantil entre as famílias mais ricas da época. O problema é que a maioria dos pais simplesmente não podia se dar a esse luxo.

Quando uma demanda menor é algo bom

Evidências de que foi a acumulação de capital, e não legislações, que reduziram o trabalho infantil e a jornada de trabalho foram compiladas pelo historiador Clark Nardinelli, que mostra o contínuo declínio das horas de trabalho infantil nas fábricas britânicas de algodão e de linho nas duas décadas anteriores à promulgação do Factory Act de 1833 [que limitava a 10 horas por dia o trabalho infantil em fábricas], bem como o contínuo declínio no trabalho infantil total nas fábricas de seda até 1890, muito embora as leis de trabalho infantil não se aplicassem à indústria da seda.

Conjuntamente, todos esses dados fornecem evidências do papel da elevação dos salários reais, permitida pelo capitalismo, como a causa da redução do trabalho infantil ao longo do século. Mesmo crianças que trabalhavam na agricultura viram suas funções diminuírem à medida que maquinários agrícolas de maior qualidade reduziram a necessidade do uso de mão-de-obra infantil e aumentaram a produtividade, o que permitiu que proprietários de terra contratassem mão-de-obra de fora da família.

Sim, não há dúvidas de que as condições nas quais as crianças trabalhavam nas fábricas (e ainda o fazem nos locais mais pobres do mundo) eram desagradáveis e desumanas para os nossos padrões atuais; mas a vida no campo, trabalhando na lavoura, certamente não era melhor. Provavelmente, era pior. Se levarmos em conta a maior renda familiar e o maior acesso a recursos, principalmente remédios, disponíveis à recém-formada mão-de-obra industrial urbana, a vida era, no geral, melhor para crianças que trabalhavam nas fábricas do que para crianças que trabalhavam na lavoura na geração anterior.

A conclusão de Nardinelli merece ser citada:

A crescente renda real observada na Grã-Bretanha do século XIX foi a mais importante força responsável por retirar as crianças das fábricas têxteis após 1835. As crianças trabalhavam nas fábricas porque suas famílias eram pobres; à medida que a renda das famílias aumentou, a mão-de-obra infantil diminuiu. Com efeito, à medida que a renda de uma determinada família aumentava, seus filhos começavam a trabalhar em idades mais avançadas do que seus irmãos mais velhos.

Aquela bem conhecida preocupação vitoriana com as crianças surgiu, em grande parte, como um reflexo da renda crescente. Era de se esperar que, graças ao crescente aumento da renda na última metade do século XIX, a quantidade de mão-de-obra infantil nas fábricas têxteis teria declinado sem qualquer legislação a respeito.

É certo que as leis tiveram algum efeito em dar um empurrão ao processo, mas a “mais importante força” continua sendo o aumento na renda real produzido pelo capitalismo e pela industrialização.

Contrariamente à alegação de seus críticos, não foi o capitalismo quem criou a desagradável mão-de-obra infantil. Esse tipo de trabalho sempre existiu nas famílias e no campo. E não por uma questão de maldade, mas sim de necessidade econômica. O que obrigou agricultores a colocar seus filhos para trabalhar foi o fato de que, como a produtividade era baixa, tais pessoas simplesmente tinham de trabalhar 70-80 horas por semana se quisessem produzir o suficiente para comer.

Foi o capitalismo e a acumulação de capital gerada pelo capitalismo quem permitiu o desaparecimento do trabalho infantil entre as massas pela primeira vez na história da humanidade, ainda que ele tenha, à primeira vista, tornado o trabalho infantil mais visível ao movê-lo do campo para as fábricas.

Se o problema fosse de tão fácil resolução, então tudo o que aqueles países do Terceiro Mundo — cuja população, inclusive crianças, ainda trabalha muitas horas por semana — têm de fazer para acabar com a pobreza, enriquecer e usufruir mais horas de lazer é criar leis.

A sociedade supera o ego

Por tudo isso, é válido perguntar por que se tornou uma espécie de senso comum acreditar que foram leis estatais que aboliram o trabalho infantil, as longas jornadas e a semana de sete dias de trabalho. Meu palpite é que tal raciocínio provavelmente é reflexo da nosso viés intelectual e evolutivo, o qual nos leva a acreditar que de fato temos o poder de controlar o mundo social à nossa volta.

É mais fácil, bem como mais moralmente satisfatório, acreditar que fomos nós que intencionalmente abolimos algo desagradável ao simplesmente nos posicionarmos contra ele. Não é fácil aceitarmos que o responsável por tudo foi um processo que não controlamos diretamente.

Adicionalmente, parece ser uma tendência que leis contra um comportamento antigo que julgamos ser moralmente repreensível adquiram uma aura de santidade quando as práticas em questão já majoritariamente desapareceram, fazendo com que os poucos exemplos ainda remanescentes sejam ainda mais repreensíveis. Isso certamente é válido para o alto enfoque dado ao trabalho infantil ao mesmo tempo em que este foi rapidamente desaparecendo ao redor do mundo, por causa da cada vez menor necessidade de renda infantil para complementar a renda de uma família minimamente estruturada.

É mais fácil legislar contra uma prática cuja necessidade econômica, ou mesmo conveniência, já não existe mais. Leis proibindo o trabalho infantil e longas jornadas de trabalho só foram possíveis de ser implantadas quando as famílias não mais necessitavam daquelas horas extras de trabalho para sobreviver e propiciar uma vida melhor para si próprias e para seus filhos.

O real crédito pelo declínio do trabalho infantil e das longas jornadas de trabalho se deve ao capitalismo e aos mercados concorrenciais, os quais permitiram a acumulação e o crescimento do capital, o qual aumentou a produtividade da mão-de-obra e enriqueceu tanto os capitalistas quanto os trabalhadores. Pessoas mais ricas podem se dar ao luxo de trabalhar menos e viver melhor.

Sindicatos e governos não humanizaram o capitalismo. Foi o capitalismo quem criou as condições que permitiram que cada vez mais pessoas vivessem vidas verdadeiramente humanas.

Steve Horvitz é professor de economia na St. Lawrence University e autor do livro Microfoundations and Macroeconomics: An Austrian Perspective


05 de outubro de 2021
Julian Adorney é diretor de marketing da Peacekeeper, um aplicativo de smartphone que oferece uma alternativa para serviços de emergência. É também historiador econômico, tendo como base a economia austríaca. Já publicou nos sites do Ludwig von Mises Institute do EUA, Townhall, e The Hill

O GRANDE BENEFICIADO PELO CAPITALISMO, FOI O CIDADÃO COMUM, E NÃO OS RICOS E PODEROSOS

Responda rápido: quem realmente foi o grande beneficiado pelo capitalismo?

Se você respondeu “os ricos”, você nunca estudou história.

A história nos mostra que todo o progresso industrial, todos os aperfeiçoamentos mecânicos e elétricos, todas as grandes maravilhas tecnológicas da era moderna, e todas as grandes conveniências e facilidades que hoje nos são disponíveis teriam significado relativamente pouco para os ricos e poderosos em qualquer época da história.

Por exemplo: um sistema moderno de saneamento básico, com rede de esgoto e água encanada, teria trazido benefícios adicionais para os ricos da Grécia Antiga? Dificilmente, pois eles tinham servos para lhes garantir todas essas comodidades. Os servos faziam o papel da água corrente.

Os nobres da Roma Antiga teriam maior qualidade de vida caso houvesse televisão e rádio? Improvável, pois eles podiam ter os principais músicos e atores da época fazendo apresentações exclusivas em suas mansões, como se fossem seus serventes.

Roupas manufaturadas, máquinas de lavar, microondas e supermercados? Os ricos e poderosos nunca precisaram se preocupar com essas coisas. Roupas e alimentos eram feitos e mantidos por seus serventes, que lhes entregavam tudo em mãos.

Que tal coisas mais modernas, como máquinas fotográficas ou mesmo smartphones para fazer selfies? Isso teria trazido pouquíssimos benefícios adicionais para os aristocratas da antiga, pois eles podiam simplesmente ordenar que os melhores e mais talentosos artistas do reino pintassem quadros com seus retratos e os retratos de outros membros da realeza.

Avancemos as comparações agora para o mundo moderno. Hoje, no smartphone de cada cidadão comum há inúmeros aplicativos que trazem grandes comodidades. Irei destacar dois: o GPS e os serviços de transporte, como Uber, Cabify e Lyft.

Pergunta: como exatamente os ricos e poderosos são beneficiados por um GPS e pelo Uber? Eles dificilmente precisam dessas duas comodidades, pois raramente dirigem por conta própria e ainda mais raramente pegam um taxi. Além de terem motoristas particulares, eles andam de limusines próprias e viajam de jatinhos, e possuem toda uma equipe de funcionários para esquematizar e cuidar de todos os detalhes de suas viagens.

Por outro lado, pense nos enormes benefícios que o GPS, a Uber e o Cabify trouxeram para o cidadão comum, que agora não apenas pode ir a qualquer lugar com seu próprio carro como também pode se deslocar de forma barata e luxuosa em sua própria cidade. E sem precisar de toda uma equipe de funcionários para fazer os preparativos e arranjos.

Os exemplos são inúmeros e podem ser expandidos infinitamente: desde toda a enciclopédia de informações trazidas pela internet ao cidadão comum (os ricos e poderosos nunca tiveram dificuldade de acesso à informação), passando pelas facilidades de lazer, entretenimento e cultura (hoje, você lê todos os livros em seu smartphone e assiste a todos os filmes na comodidade de sua casa, sob demanda; acesso a livros e filmes nunca foi problema para os ricos e poderosos), e culminando na fartura e na facilidade de acesso à alimentação e moradia.

Nada disso nunca foi problema para os ricos e poderosos. Já o capitalismo disponibilizou tudo para o cidadão comum.

Por isso, Ludwig von Mises sempre dizia que o capitalismo não é simplesmente produção em massa, mas sim produção em massa para satisfazer as necessidades das massas. No capitalismo, os grandes inovadores não produzem artigos caros, acessíveis apenas às classes mais altas: produzem bens baratos, que podem satisfazer as necessidades de todos.

Ao passo que, séculos atrás, toda a produção funcionava a serviço da gente abastada das cidades, existindo quase que exclusivamente para corresponder às demandas dessas classes privilegiadas, o surgimento e a expansão do capitalismo geraram a produção de artigos acessíveis a toda a população. Produção em massa para satisfazer às necessidades das massas.

Por isso, todas as grandes conquistas do capitalismo resultaram primordialmente no benefício do cidadão comum. Essas conquistas disponibilizaram para as massas confortos, luxos e conveniências que, antes, eram prerrogativa exclusiva dos ricos e poderosos.

Uma porção desproporcional dos benefícios do capitalismo, do livre mercado, da inovação, da invenção de novos produtos, do comércio e dos avanços tecnológicos vai para o cidadão comum, e não para os ricos e poderosos.

Eis o que disse Joseph Schumpeter sobre o poder do capitalismo em aprimorar o padrão de vida dos comuns:

O motor do capitalismo é, acima de tudo, um motor de produção em massa, o que inevitavelmente também significa produção para as massas. […]

Verificar isso é fácil. Sem dúvidas, há bens e serviços disponíveis hoje ao cidadão comum atual que o próprio Luis XIV adoraria ter: por exemplo, a odontologia moderna. […] Por outro lado, a luz elétrica não representaria um grande conforto ou dádiva para uma pessoa poderosa o suficiente para comprar um grande número de velas e ter servos para mantê-las constantemente acesas. Até mesmo a velocidade com que se viajava à época não deve ter sido objeto de grande consideração para um cavalheiro tão distinto.

Roupas fartas e baratas, fábricas de seda e algodão, sapatos, automóveis e vários outros bens são as típicas façanhas da produção capitalista. Por si sós, elas não representam aprimoramentos que mudariam enormemente a vida do homem rico e poderoso.

A Rainha Elizabeth sempre teve meias de seda. A façanha do capitalismo não consiste em fornecer mais meias de seda para as rainhas, mas sim em disponibilizá-las para as mulheres trabalhadoras em troca de quantidades de esforço continuamente decrescentes.

Apenas leia esse último parágrafo de novo. Deveríamos estar ensinando isso para as nossas crianças. No entanto, o que elas estão sendo ensinadas neste exato momento é que, sob o capitalismo, os ricos ficam cada vez mais ricos e os pobres, cada vez mais pobres. O exato oposto da realidade.

Conclusão

Progressistas que dizem que todos os ganhos de uma economia de mercado vão para os ricos são ignorantes da realidade que os cerca. Apenas pense no tanto que essas pessoas estão erradas da próxima vez que você usar seu laptop, tablet, smartphone, GPS, Spotify, ou se deslocar utilizando Uber, Lyft ou Cabify.

A única entidade que pode afetar, atrasar e atrapalhar todo esse progresso incrível, dificultando o acesso do cidadão comum a essas comodidades que melhoram seu padrão de vida, é o governo e suas políticas que destroçam a economia e o poder de compra das pessoas.


05 de outubro de 2021
in portal viena

BOM DIA! O CONHECIMENTO É O CAMINHO QUE NOS LEVA AO AMOR...

 


05 de outubro de 2021


segunda-feira, 4 de outubro de 2021

SEU PADRÃO DE VIDA HOJE É MUITO MELHOR DO QUE O DE UM MAGNATA AMERICANO HÁ 100 ANOS

Sim, você é hoje mais rico que um Rockefeller em 1915



Morreu, no dia 20 de março de 2017, o bilionário David Rockefeller. Ele era o último neto vivo do magnata John D. Rockefeller, fundador da Standard Oil. Tinha 101 anos de idade.

Por ocasião de sua morte, a revista The Atlantic fez uma excelente reportagem descrevendo como eram as condições de vida nos EUA em 1915, ano em que David Rockefeller nasceu. Tomando por base o padrão de vida usufruído por uma pessoa de classe média hoje, as condições de vida há 100 anos, mesmo para um magnata, eram sombrias, extenuantes, perigosas e, por que não?, pobres.

(Para você ter uma ideia, em 1924, o filho de 16 anos do então presidente americano Calvin Coolidge faleceu em decorrência de uma bolha infeccionada em seu dedo do pé, machucado este que ele adquiriu ao jogar tênis no jardim da Casa Branca.)

Com isso em mente, eis uma pergunta que eu sempre faço em várias ocasiões, e que sempre gera reações controversas em meus interlocutores: qual seria a quantidade mínima de dinheiro que você exigiria para abrir mão de tudo o que você tem hoje, voltar no tempo e viver a vida de John D. Rockefeller em 1915?

Ou, colocando de outra maneira, se você vivesse em 1915 com um bilhão de dólares em sua conta bancária, você acha que teria o mesmo conforto e o mesmo padrão de vida que você tem hoje, com sua renda atual? Você acha que esta volumosa quantia de dinheiro seria capaz de garantir a você, em 1915, bens e serviços de alta qualidade, de modo a fazer com que você seja indiferente entre manter sua vida hoje, em 2017, ou viver como um Rockefeller em 1915?

Pense bem. Sem pressa. E com cuidado.

Comecemos pelo lado mais ameno e menos importante

Se você fosse um bilionário americano em 1915, você poderia, obviamente, adquirir imóveis de primeira. Você poderia ter um apartamente na Quinta Avenida, em Nova York, ou uma casa de praia em frente ao Oceano Pacífico, em Los Angeles, ou mesmo ter a sua própria ilha tropical em qualquer lugar do mundo (ou ter os três ao mesmo tempo).

Mas, quando você fosse viajar de Manhattan para a Califórnia, você levaria dias (em seu trem particular) e teria de atravessar vários terrenos inóspitos, sem muita opção de lugar para pernoite e sem a certeza de que haverá restaurantes no caminho (ou seja, você teria de separar quilos de comida apenas para a sua viagem de dias). E, se essa viagem fosse feita durante os escaldantes meses de verão, você não teria ar condicionado em seu vagão. Muito menos teria qualquer opção de entretenimento a bordo.

E, embora você talvez tivesse ar condicionado em sua casa em Nova York, vários dos locais aos quais você iria — escritórios, restaurantes, cinema, teatro — não teriam este luxo. E, no rigoroso inverno, praticamente não haveria calefação.

Viajar para a Europa levaria, provavelmente, mais de uma semana. Para ir além da Europa, várias semanas.

Quer enviar com urgência uma encomenda de Nova York para Los Angeles em apenas um dia? Lamento. Impossível.

Você também não poderia nem ouvir rádio (a primeira transmissão de rádio só ocorreu em 1920) e nem ver televisão (só a partir de 1935). Você, no entanto, poderia ter uma vitrola de última geração. (Não era estéreo, porém. E creio que mesmo os atuais adoradores do vinil iriam preferir ouvir música de um CD à musica tocada por uma vitrola de 1915). Obviamente, você não poderia baixar na internet as músicas que quisesse.

Também não havia muitas opções de filmes aos quais assistir. Você poderia, de fato, construir sua própria sala de cinema em sua mansão, mas não haveria muito material a ser visto. E, caso conseguisse que algum estúdio de Hollywood vendesse para você alguma película, esta seria muda e em preto e branco. (Hoje, você pode baixar gratuitamente vários filmes pela internet, ou mesmo pagar Netflix ou Amazon Prime para ter acesso a outros filmes e séries).

Você teria um telefone, mas ele seria fixado à parede. (Não, você não teria nem Skype e nem chamadas via WhatsApp).

Você também teria uma limusine de luxo (ou o equivalente da época), mas as chances de ela quebrar durante um passeio pela cidade (com motorista) seriam muito maiores que as chances de o seu carro atual enguiçar quando você está indo para a academia de ginástica, para o cinema, ou para a aula de ioga. E, com a limusine enguiçada, você pacientemente teria de esperar, no banco traseiro, o seu chofer tentar consertar a máquina de improviso, sem poder telefonar ou mandar mensagem para ninguém avisando que irá se atrasar para um eventual compromisso.

Mesmo quando estivesse em sua residência em Manhattan, se você fosse acometido de um súbito desejo por uma culinária mais específica, como comida tailandesa, vietnamita ou do Oriente Médio, você estaria sem sorte: é improvável que seu chef tivesse a mais mínima ideia de como fazer isso. Nem mesmo havia restaurantes com essas opções em Nova York.

E, ainda que você tivesse o dinheiro para, no inverno de 1915, abastecer sua despensa em Nova York com frutas, mesmo para um bilionário como você tal extravagância não valeria a pena. A logística necessária para fazer com que as frutas chegassem a Nova York ainda frescas seria cara demais.

Sua conexão wi-fi seria dolorosamente lenta — opa, espera: não existia isso. Mas, pouco importa, pois você nem sequer teria um computador (ou um smartphone ou um tablet) e uma internet.

Você, de fato, poderia comprar todos os livros, enciclopédias e jornais científicos da época, bem como todas as revistas semanárias e jornais diários. (Haveria muita dificuldade para guardar todos eles, mas isso é o de menos.) No entanto, o seu acesso à informação, mesmo você sendo um bilionário, dificilmente seria maior e melhor que o acesso que qualquer cidadão munido de um smartphone e uma conexão à internet possui hoje.

Para começar, você não teria acesso instantâneo às notícias. Estas chegariam a você, na melhor das hipóteses, com um dia de atraso. Se fosse um evento ocorrido na Europa, a informação poderia vir com mais de uma semana de atraso. Adicionalmente, você não teria nada sob demanda. (Hoje, ao simples deslizar de um dedo, você tem acesso a toda e qualquer informação que queira, bem como a milhares de livros e filmes que podem ser lidos e vistos a qualquer momento. Pode também assistir, gratuitamente, a vários telejornais.)

Você poderia comprar o mais chique e refinado relógio suíço da época, mas mesmo ele não conseguiria manter as horas de maneira tão acurada como faz qualquer relógio barato de hoje (isso sem nem mencionar o relógio do seu smartphone, que está sempre atualizado).

Coisas mais sérias e graves

Mesmo a melhor e mais avançada medicina da época era horrível para os padrões de hoje: tudo era muito mais doloroso e muito menos eficaz (lembre-se do jovem filho do presidente Coolidge). Antibióticos simplesmente não estavam disponíveis. Disfunção erétil? Distúrbio bipolar? Aprenda a viver com isso. Essa era a única opção.

A mulher tinha muito mais chances de morrer durante o trabalho de parto. E o bebê, muito mais chances de não sobreviver após o parto. Mesmo tendo sobrevivido ao parto, a criança tinha muito menos chances de sobreviver à infância, uma vez que a cura para as várias doenças infantis ainda não havia sido descoberta. Paralisia infantil, tuberculose, difteria, tétano, coqueluche, meningite, pneumonia, rubéola, sarampo, varicela, hepatite etc. — tudo isso poderia levar à morte prematura de uma criança.

(Atualmente, não apenas a mortalidade infantil despencou em decorrência da invenção de remédios e vacinas para todas as doenças acima, como ainda fetos com problemas pulmonares recebem uma injeção intra-uterina e o problema é resolvido instantaneamente. Nos últimos 100 anos, a expectativa de vida aumentou 36 anos.)

Igualmente, por mais que você adorasse o seu labrador, a sua riqueza não seria capaz de comprar para ele todos os cuidados veterinários que hoje são rotina em todos os lares que possuem um cachorro. Ele não viveria muito.

Você poderia pagar um bom dentista, mas os serviços que ele seria capaz de fazer não eram nada invejáveis pelos padrões de hoje. E eram extremamente dolorosos. Ademais, a escova de dentes como conhecemos só surgiu em 1938. (Você poderia, no entanto, comprar as melhores dentaduras da época tão logo seus dentes apodrecessem e caíssem).

Se suas vistas ficassem ruins, o máximo que você poderia fazer seria contratar um bom oftalmologista para lhe fazer óculos. Tem catarata ou glaucoma? Que azar. Apenas se acostume com isso. (Hoje, você cura a sua catarata com um laser pela manhã e, à tarde, já sai do hospital e volta para casa.)

Métodos anticoncepcionais eram primitivos: não apenas eram bem menos confiáveis e eficazes, como também reduziam quase que por completo o prazer. Nada comparável à eficácia dos vários, baratos e altamente disponíveis métodos anticoncepcionais atuais.

Conclusão

Honestamente, eu não me sinto nem remotamente tentado a abandonar 2017 e me tornar um bilionário em 1915. Isso significa que eu, um simples professor universitário, sou hoje, pelos padrões de 1915, mais do que um bilionário. Significa que, pelo menos dadas as minhas preferências, sou hoje materialmente mais rico que John D. Rockefeller em 1915.

E se, como creio ser o caso, minhas preferências não forem atípicas, então praticamente cada indivíduo de classe média é hoje mais rico do que era o americano mais rico do país há 100 anos.

O que nos leva à grande constatação: todos esses avanços materiais criados pelo capitalismo resultaram primordialmente no benefício do cidadão comum. Essas conquistas disponibilizaram para as massas confortos, luxos e conveniências que não foram usufruídos nem sequer pelos bilionários de antigamente.

Uma porção desproporcional dos benefícios do capitalismo, do livre mercado, da inovação, da invenção de novos produtos, do comércio e dos avanços tecnológicos foi direcionada para o cidadão comum. E ainda há que vitupere tal arranjo.


04 de outubro de 2021
Donald Boudreaux

O ERRO CENTRAL DA TEORIA KEYNESIANA, EM UM ÚNICA FRASE

E nenhum keynesiano responde com sinceridade a esta pergunta




"Quando uma economia está em recessão, o governo tem de criar demanda agregada. E ele tem de fazer isso aumentando seus gastos".

Este é o mantra keynesiano.

Tal raciocínio advém diretamente da fórmula matemática do PIB, a saber:

C + I + G + X - M = Y(PIB)

Consumo + Investimento + Gastos Governamentais + Exportações - Importações = Produto Interno Bruto

O consumo (C) envolve uma série de decisões individuais sobre como será a alocação de recursos por toda a sociedade. O investimento (I) envolve uma série de decisões individuais sobre como será a alocação de recursos por toda a sociedade. As exportações (X) envolvem uma série de decisões individuais sobre como será a alocação de recursos por toda a sociedade. O mesmo se aplica às importações.

Já os gastos governamentais (G) representam um tipo diferente de decisão de alocação

C, I, X e M se originam espontaneamente das ações dos proprietários originais dos recursos. Já o G não se origina das ações dos proprietários originais dos recursos. O governo não tem recursos próprios para gastar.

O que nos leva então à fatídica pergunta:

"De onde vem o dinheiro que o governo utiliza para aumentar seus gastos?"

Sim, isso é praticamente tudo o que você tem de fazer para refutar Keynes. Basta fazer essa pergunta e toda a ideia se desmorona.

Há um volumoso material acadêmico que se baseia abertamente na teoria de Keynes. São mais de 70 anos de publicações acadêmicas. Todo esse material preenche milhões de volumes de livros-textos de macroeconomia. Trata-se do dogma econômico reinante do mundo moderno. E todo esse material evita por completo essa pergunta: "De onde vem o dinheiro que o governo utiliza para aumentar seus gastos?"

Há três respostas: ou o governo aumenta impostos; ou ele toma dinheiro emprestado de bancos, pessoas e empresas; ou ele simplesmente imprime dinheiro.

Não é preciso ser um profundo conhecedor de economia para entender que nenhuma dessas três medidas cria riqueza.

Volte à fórmula do PIB. Veja que C, I, X e M são baseados na produção. Eles representam forças criativas. Já o G é baseado no confisco.

1) Se um aumento de G advém de mais impostos, então C, I, X e M serão prejudicados.

2) Se um aumento de G advém do endividamento do governo (com o governo emitindo títulos e esses títulos sendo adquiridos por bancos), então igualmente haverá menos dinheiro para C, I, X, e M. Os empreendedores agora não mais conseguirão empréstimos junto a esses bancos, que passaram a direcionar o dinheiro para os títulos do governo. Com mais empréstimos indo para o governo, os juros subirão e inviabilizarão investimentos produtivos. Igualmente, pessoas e empresas que também emprestarem dinheiro para o governo terão agora menos dinheiro para consumir e investir.

3) Se um aumento de G advém da simples criação de dinheiro pelo próprio governo, os preços dos bens e serviços subirão. Se os salários não forem reajustados, todos ficarão mais pobres. Se forem reajustados, todos ficarão na mesma situação de antes. (No extremo, a contínua criação de dinheiro leva à Venezuela.)

De novo: nenhuma dessas três medidas cria riqueza. Consequentemente, nenhuma dessas três medidas pode tirar uma economia de uma recessão.

G não é uma força criativa. Tudo o que é gasto por G é feito à custa de C, I, X ou M.

Tomando de Pedro para subsidiar Paulo

O item mais utilizado pelos governos durante uma recessão é o item 2: endividamento.

Dado que aumentar impostos é impopular (ainda mais durante uma recessão) e dado que simplesmente imprimir dinheiro para financiar despesas correntes não mais é uma prática legal na maior parte do mundo civilizado [N. do E.: no Brasil, isso foi proibido pela Lei de Responsabilidade Fiscal, artigos 35 e 39; no entanto, no ano de 2020, a prática foi readmitida indiretamente, em caráter temporário], então os governos recorrem majoritariamente ao aumento dos déficits orçamentários e, consequentemente, da dívida pública.

Quando isso ocorre, apenas aqueles indivíduos mais iniciados irão fazer essas duas perguntas óbvias:

a) De onde o governo irá tirar dinheiro para pagar esse empréstimo e seus juros?

b) De onde as pessoas e empresas irão tirar dinheiro para emprestar ao governo?

As respostas dos políticos para a primeira pergunta é fácil: impostos e mais endividamento.

Já a segunda pergunta traz consigo a própria resposta: o dinheiro que as pessoas emprestam ao governo é aquele dinheiro que deixou de ir para C, I, X e M.

De novo: nada disso cria riqueza; nada disso pode tirar uma economia da recessão.

Os mais insistentes poderão, ainda, perguntar:

c) Qual a consequência de os bancos direcionarem mais dinheiro para o governo?

A resposta é direta, mas poucos fazem a conexão: mais dinheiro sendo emprestado para o governo significa menos dinheiro sendo emprestado para pessoas e empresas. Com menos dinheiro disponível para pessoas e empresas — e sabendo que é mais arriscado emprestar para pessoas e empresas do que para o governo —, os juros serão bem mais altos. (Veja mais detalhes aqui).

De novo, pela quarta vez: nada disso cria riqueza; nada disso pode tirar uma economia da recessão.

O grande truque

O núcleo da teoria econômica keynesiana é este: atribuir uma produtividade econômica a uma agência que nada mais faz do que se apossar do dinheiro alheio sem nada produzir.

De alguma forma, segundo a teoria keynesiana, o governo pode elevar o gasto agregado da economia (1) sem estar produzindo nada de novo e (2) sem que isso reduza os gastos em outros lugares da economia. Keynes nunca explicou como isso seria possível. Nem seus discípulos.

Ainda chegaremos ao dia em que economistas, historiadores e investidores olharão para o passado e quedarão espantados com a total incapacidade de três gerações (1950-20??) de economistas e investidores de perceberem o óbvio.

O cético há de gritar: "Mas toda a economia keynesiana não pode ser resumida apenas a isso". Pode. Com efeito, toda a economia keynesiana é apenas isso. E o cético retrucará: "Alguém teria apontado isso ainda em 1936 se isso fosse tudo o que há nela." Poucos, além de Mises e Hayek, fizeram isso. E esses poucos passaram a ser ignorados após 1948, o ano em que Paul Samuelson publicou seu livro-texto de economia.

Como assim? Por que toda essa platitude foi aceita? Por causa daquilo que George Orwell observou em 1946, o mesmo ano em que Keynes morreu. "Enxergar o que está na frente do nariz exige um esforço constante".

Keynes foi um mestre da prestidigitação verbal. Ele soube como manter os olhos da platéia direcionados para qualquer outro lugar do palco e não para o coelho dentro da cartola: o coelho da riqueza criada pelo gasto do governo. O governo não pode tirar nada de sua cartola que não tenha antes colocado lá.

A estória de criação keynesiana de riqueza sempre foi a estória do imperador nu. Quando toda uma civilização se mostra alegremente enganada por esse tipo de conto, a verdade sempre encontra enorme resistência.

E quando você descobre um fato óbvio que não foi percebido por toda uma cultura, você identificou o calcanhar de Aquiles daquela cultura.

Mais uma vez: "De onde vem o dinheiro que o governo utiliza para aumentar seus gastos?"


04 de outubro de 2021
Gary Morth